quarta-feira, outubro 20, 2021

Gripen para o Brasil

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Japão focou seu ‘F-X’ em capacidade e não em indústria, como Brasil e Índia

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

A opinião está numa análise de Reuben F. Johnson para a Jane’s. Segundo o extrato do artigo, a decisão japonesa pelo F-35 para o seu programa F-X foi baseada em considerações diferentes das que norteiam outras grandes disputas de caças no mundo.

As duas maiores ainda abertas, o programa MMRCA (avião de combate multitarefa de porte médio) da Índia e o F-X2 do Brasil, vêm se estendendo por anos, seguindo os critérios principais de nível de transferência de tecnologia, participação industrial de empresas locais e compensações (offsets) comerciais.

A ênfase do Brasil na transferência de tecnologia vai ainda mais longe que outras competições, com o requerimento de que “os benefícios do programa tenham impacto por toda a economia, não apenas na esfera da defesa” de acordo com um diplomata brasileiro familiarizado com a competição.

Em contraste, o processo decisório japonês se baseou mais no desempenho de combate e na interoperabilidade com os Estados Unidos e outros países aliados vizinhos, do que em benefícios industriais. O custo de aquisição e do ciclo de vida também foi um fator menos importante para o Japão.

As considerações operacionais de longo prazo do Japão foram de que os Estados Unidos, a Coreia do Sul, Cingapura e Austrália deverão, no futuro, estar voando o F-35. Assim, a Força Aérea de Autodefesa do Japão quer interoperabilidade total com esses países.

FONTE: Jane’s  FOTO: jsf.mil

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Marcos

Enquanto isso, em um país muito distante chamado Banarnia, as autoridades focam suas compras em transferência de tecnologia, achando que comprando meia dúzia de espelinhos o Mundo todo se curvará e entregará toda a engenharia para produzir tais bugigangas.
Querem ser uma espécie de França pós guerra em que os mesmos eram
independentes na fabricação de quase tudo em termos bélicos. Esquecem da necessidade primeira de se criarem centros de pesquisa, formando engenheiros e buscando assim a sua verdadeira independência.

Daglian

Ah, pra quê Marcos, isso dá tanto trabalho…

Brincadeiras à parte, devemos notar que o Japão não precisa adquirir tecnologia, suas indústrias são renomadas no mundo como altamente capazes e desenvolvidas. Por aqui, seguindo uma política ideal, deveríamos começar investindo em colégios técnicos, mas não massificando-os somente (como o governo faz atualmente), mas igualmente investindo em qualidade de ensino. Com esta base sólida, poderíamos investir nas universidades para que, finalmente, estabelecessemos uma base sólida de ensino. Infelizmente isto não é interessante para o governo, e parece que sonho quando penso isto para o Brasil. Uma pena.

rommelqe

Prezados, o analista ė mesmo da JANES? Será que ele já ouviu alguma vez falarem a respeito da capacitação tecnológica japoneza? O proprio F-15 nipônico não acrescentou nada a uma industria que ja produziu, para falar o mínimo, um caça como o Zero?
Concordo que transferencia de tecnologia não se obtem simplesmente ao assinar um contrato de “ToT” . O CTA/ITA já nos deu evidencias objetivas de que precisamos remar – quer dizer, bater nuita aza – para termos competividade tecnologica. Contudo, pelo menos ao meu ver, o COPAC esta corretíssimo ao estabelecer esta clausula no FX – 2.

jacubao

Querer ToT é ser muito cara de pau. Os caras gastaram rios de dinheiro, tempo, dedicação para depois ceder tudo isso por meros 36 caças.
Tem que fazer como eles fizeram e como a Índia está fazendo hoje com o TEJAS, arregaçar as mangas e cair dentro do projeto.

Augusto

Realmente o Brasil não está no rol dos países que se equipam militarmente visando superioridade de meios a todo custo e preparando-se para a guerra iminente, como é o caso de Israel e, em menor intensidade, o Japão. Por outro lado, em Banânia geralmente é tudo 8 ou 80. Se não há ameaça de guerra, vamos arrastando um processo decisório importantíssimo como o dos caças por 13 anos com desculpas que vão de corte de orçamento à escolha de melhor transferência de tecnologia.

Marcos

Daglian:

Assino em baixo.

Marcos

Jacubão: Verdade! As informações são oficiosas, mas dão conta de que os investimentos para o desenvolviemnto do Rafale, por exemplo, chegaram aos E$25 bi, isso em um país que já vinha em um processo de detenção de tecnologia. E, Augusto: É bom lembrar que as necessidades de equipamentos não são necessariamente para a guerra, podem ser necessários para interdição aérea e interceptação. Só para ilustrar: um AMX é incapaz de fazer uma interceptação de um Cessna Citation X, que opera a 92% da velocidade do som. O interceptador precissa de uma velocidade de pelo menos 1,5 mach, para a aproximação… Read more »

Augusto

Olá, Marcos.

Concordo com o que você disse. Se observar bem, meu comentário foi menos específico que o seu, mas teve exatamente o condão de criticar a demora no processo decisório.

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