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Suecos planejam instalar um CDC no Brasil – parte 2

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Nesta segunda parte, as apresentações sobre o emprego do CDC (Centro de Desenvolvimento de Capacidades) na África do Sul, desenvolvendo soluções principalmente para as Forças Armadas e para as necessidades da Copa de 2010

Como parte da apresentação do“Centro de Desenvolvimento de Capacidades”(CDC – Capability Development Centre), ferramenta que a sueca Saab e o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) planejam instalar no Brasil, foi feita a apresentação do general reformado Piet Verbeek, das Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF).

Na apresentação realizada na tarde de quinta-feira passada, 24 de novembro, Verbeek mostrou o uso do CDC para desenvolver soluções governamentais do setor de segurança, por parte da Saab Systems Grintek. O sistema foi usado como ferramenta para demonstrar conceitos e cenários aos clientes governamentais, estabelecendo bases para integração, testes e avaliações, como blocos que vão sendo montados conforme a necessidade. Ele mostrou a arquitetura do CDC sul-africano, como um showroom, com ambiente de laboratório e de sessões de planejamento. Foi constituído, com o sistema, um Centro de Projeto e Validação (DAV – Development and Validation), usado como fonte de conhecimento para desenvolver soluções ao longo do ciclo de vida de produtos e apresentar operações (militares, por exemplo) a representantes de organizações do governo e das Forças Armadas, em auditório instalado a milhares de quilômetros de distância do local da ação.

Outra iniciativa sul-africana que utilizou o CDC para sua concretização foi o IDE do Governo da África do Sul (Interoperability Development Enviroment – ambiente de desenvolvimento de interoperabilidade) apresentada por Hennie Harris, com foco na criação de parcerias para dirigir e examinar novas soluções em sistemas e serviços de informação e comunicação. O IDE é utilizado, por exemplo, pelas Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF), para a tomada de decisões de vários níveis relativas a novos produtos de defesa, indo da plataforma em si ao plano estratégico, passando pelo tático e o operacional.

O objetivo do IDE é alinhar doutrina e desenvolvimento de sistemas, de forma que todos os envolvidos compartilhem o mesmo cenário, a mesma situação. Foi citado o “spin off”(benefício gerado) de que a Força Aérea Sul-Africana pôde começar a estabelecer sua doutrina no produto antes mesmo que ele estivesse pronto, o que contribuiu para evitar erros que poderiam gerar gastos de milhões.

Especificamente em relação à implantação do CDC para desenvolver sistemas como o IDE, Johan Swart da Saab ressaltou que, quanto mais cedo a ferramenta envolve o futuro usuário, melhor. Lembrou de quando foram desenvolvidas as primeiras telas sensíveis ao toque para aviões de caça, quando o futuro usuário (piloto) não havia sido envolvido logo no início do projeto. Depois, houve dificuldades básicas devido ao uso de luvas pelos pilotos. Afirmou que, com a ferramenta CDC, o usuário poderia ser envolvido de forma mais participativa desde o início, em reuniões com projetistas e outros tomadores de decisão.

Em relação ao desenvolvimento de sistemas de comando e controle para a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, foi desenvolvido com o auxílio do CDC o “Sistema de Visualização Operacional Conjunta” (JOPS – Joint Operating Picture System). O CDC foi utilizado para demostrações à FIFA e a outros atores envolvidos, assim como para o desenvolvimento do JOPS.

Com o desenvolvimento gradual do JOPS, de forma a se adequar à “contagem regressiva” para a Copa das Confederações de 2009 e a Copa do Mundo do ano seguinte, foram realizados exercícios, mostrando a diferença entre o tempo normal para se entender uma situação de crime e a necessidade de perceber isso em tempo real, para uma reação imediata, baseado em informações trazidas por diversas fontes. A reação precisa ser imediata num evento do tipo, para evitar, por exemplo, que uma aeronave que represente potencial ameaça entre no espaço aéreo restrito de um estádio de futebol, quando já é tarde demais para uma ação que evite danos colaterais (abater a aeronave nas proximidades de um estádio pode ter conseqüências trágicas para o público no solo).

O ponto básico do desenvolvimento do JOPS, a partir do CDC, é que não havia tempo hábil para se desenvolver novos sistemas e produtos de defesa do zero, então era necessário utilizar sistemas existentes e de procedência diversa para compor o cenário comum (common picture) de terra, ar e mar. Outro ponto destacado é que o uso do CDC em um país é muito mais interessante quando se tem uma necessidade real para a qual devem ser desenvolvidas e testadas soluções, como foi o caso da Copa de 2010.

Ao final, um exemplo diferente de sistema para compartilhar informações e tomar decisões, desenvolvido por uma universidade sueca

Finalizando as apresentações daquela tarde, foi feita a exposição de uma ferramenta que vem sendo desenvolvida pela Universidade Chambers de Tecnologia, em Gothenburg, na Suécia. Trata-se do sistema “Collaborative Tabletops”(literalmente, mesas colaborativas). Apesar de também focar a visualização e interação de grandes cenários por várias pessoas, não foi mostrado como um sistema diretamente ligado ao CDC. Porém, representa uma das oportunidades de parceria de desenvolvimento conjunto de pesquisadores suecos e brasileiros – a Chambers foi uma das instituições que assinaram carta de intenção, naquele mesmo dia, para a viabilização de bolsas de estudo na Suécia para pesquisadores do Brasil, trabalho que vem sendo intermediado pelo CISB.

Segundo o responsável pela coordenação do projeto na Chambers, Morjen Fjeld, as “Collaborative Tabletops” procuram retomar os princípios das grandes “situation rooms” (salas de situação) dos sistemas de comando e controle utilizados desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1970, que utilizavam miniaturas e hastes de controle sobre grandes mesas (clique nas imagens acima para ampliar). Era o caso, por exemplo, da grande mesa onde se visualizava a disposição dos esquadrões de caça ingleses e dos atacantes alemães durante a “Batalha da Inglaterra”, em 1940.

Esses sistemas “analógicos” e de interação física foram sobrepujados pelo desenvolvimento da informática e seus monitores verticais para visualização individual, mas a Chambers procura trazer de volta o princípio de interação horizontal para que as pessoas possam monitorar situações e coordenar ações, agora com o uso da informática.

A principal utilidade prevista é de Defesa Civil, na coordenação de resposta para desastres, monitoramento de situação em grandes eventos etc, com a interação de atores que podem estar em salas a quilômetros de distância. Os princípios básicos de projeção, acompanhamento da movimentação das mãos sobre a tela sensível ao toque, num ambiente tridimensional que também pode ser projetado e oferecer interação na vertical (como “lousas”) já foram provados como conceito em protótipos. Agora, a Chambers está testando novas ferramentas de interação e o barateamento do sistema, usando componentes “de prateleira” e até projeção por meio de aparelhos celulares.

NOTA DO EDITOR: mais uma vez, informamos que o objetivo desta série de matérias mostrando algumas das apresentações realizadas no “Open Innovation Seminar” de São Paulo (para o qual fomos a convite da Saab) é colocar o leitor do Poder Aéreo “por dentro” do que é discutido e apresentado em eventos que focam em parceiras entre outros países e o Brasil, na área de Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. Eventos ligados principalmente ao setor aeroespacial e para os quais apenas uma pequena parcela dos milhares de leitores deste site tem acesso.

Foi o caso, também, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil, em que estivemos presentes ao painel “Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial” a convite da Thales / Omnisys. São assuntos como esses que queremos continuar a divulgar e promover a discussão, nos três sites e na revista Forças de Defesa, como mais um dos diferenciais na nossa linha editorial. Para ver outras matérias já publicadas sobre esses eventos, clique nos links a seguir. Boa leitura a todos.

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