Home Noticiário Internacional MMRCA: decisão não mudará relação EUA – Índia

MMRCA: decisão não mudará relação EUA – Índia

170
9

A rejeição da Índia ao Lockheed Martin F-16IN Super Viper e ao Boeing F/A-18E/F Super Hornet, ambos desqualificados do processo de seleção do futuro caça indiano, conhecido como MMRCA, desapontou muita gente nos Estados Unidos. Como havia uma grande expectativa de que Nova Délhi, aproveitaria a concorrência para consolidar sua parceria estratégica com Washington – especialmente na sequência dos esforços hercúleos americano para consumar acordo de cooperação no nuclear civil – a seleção de duas plataformas europeias, o Eurofighter e o Rafale, como os finalistas levou muitos observadores a concluir que a Índia procura uma determinada aeronave e não um relacionamento.

Muitos analistas procuram explicar a decisão da Índia como uma expressão de preocupação com a confiabilidade dos EUA como um fornecedor de armas, ou insatisfação com potenciais transferências de tecnologias-chave, ou até mesmo uma tentativa de distanciamento dos Estados Unidos. Em um novo artigo recente, Ashley Carnegie J. Tellis concluiu que essas explicações estão incorretas, e descreve como a Índia selecionou os dois aviões do ‘short list’ por motivos inteiramente técnicos. A concorrência de dois estágios realizada pelo Ministério da Defesa indiano impede que aspectos políticos, estratégicos ou financeiros intervenham de alguma forma no processo. Embora esse processo não altere os grandes interesses de segurança nacional da Índia em uma época de recursos limitados e numerosas ameaças, a decisão do país não representa um revés estratégico para a cooperação de defesa entre EUA e Índia no longo prazo.

FONTE/FOTO: Carnegie Endowment/Lockheed Martin

9 COMMENTS

  1. Nao concordo com certas observacoes do trabalho citado, mas aqui vao alguns trechos que selecionei:

    The more serious weaknesses identified by the IAF in regards to the F-16 pertained to its handling and turn rates (…) The concerns about
    handling and turn rates, however, clearly indicate something important about the IAF’s preferences in the MMRCA competition, while highlighting the fact that the F-16IN remains in some ways a
    retrograde development where close-in air combat manoeuvring is concerned

    O F-16 nao foi desclassificado por causa do paquistao ou por ser US,mas por nao ser bom numa dog-fight!? …

    Although the F/A-18E/F Super Hornet remained America’s best shot at making the down-select in the MMRCA competition, the IAF ultimately rejected this aircraft on four grounds: the maturity
    of its engine design, the growth potential of its engine, assorted performance, assorted performance shortfalls, and issues related to special preventative maintenance

    Outra decisao tecnica: E eu que pensei que quando o motor do Rafale crescesse ficaria proximodo da GE…

    Unfortunately for the American vendors, the current outrage in India about governmental corruption, the political blows suffered by Prime Minister Manmohan Singh, and the general drift in the United Progressive Alliance government all combined to ensure that the
    strategic considerations usually present in all major Indian arms acquisition decisions were absent in this case

    traduzindo: para evitar corrupcao, foram excluidos aspectos nao tecnicos nesta fase (estrategia, preco, off-sets…). 🙂 A proposito, a carta aquela de denuncia de corrupcao estah lah no site oficial do partido de oposicao. Mas, sinceramente, com a BAE e a Dassault envolvidas, quem pode acreditar nisso? Nao faz sentido …

    Simply put, a procurement process that does not include shadow prices in the first step of its evaluation is fundamentally flawed. Indian policy-makers may console themselves that focussing on technical compliance alone initially enables them to identify the best technology,
    but this reasoning is fallacious.

    Muito bem colocado. Eles terminaram no short-list com os 2 jets mais caros. Operacionalidade e uso alternativo dos $$$ foram desconsiderados.

    The IAF, for example, specified that all fighters worthy of consideration should have a sustained turn rate of at least 16 degrees per second. Assume, for the sake of argument, that t h e Eurofighter and the F / A – 18E/F were equal in all other respects save sustained
    turn rate, with the former demonstrating 16.2 degrees against the
    latter’s 15 degrees at 5,000 feet. By this measurement, the Eurofighter is clearly the tighter turning aircraft and, thus, more manoeuvrable. Therefore, by technical standards alone — the only criterion encoded in the first step in India’s procurement procedure — it would be the desired airplane… in the region of USD125 million per copy against the F/A-18E/F’s cost of USD60 million apiece, the questions then boils
    down to whether the Eurofighter’s 1.2 degree superiority in sustained turn rate is worth the additional USD65 million that the IAF must commit to its acquisition?

    Belo exemplo, corroborando os problemas se algo eh custo-efetivo.

    It is possible that if factors like cost, technology transfer, offsets, production efficiency, and strategic partnership were factored into the first step of the selection procedure itself, American aircraft like the F/A-18E/F Super Hornet would have made the short-list because
    they represent extraordinary value for a combat force, even if they do not rise to the top where every performance parameter is concerned

    Novamente ponto p/ o autor. Hey, mas foi isto que a FAB/COPAC fez e selecionou: 1) Gripen, 2) F-18; 3) Rafale.

    []s!

    P.S.: desculpem pelo longo post.
    http://www.carnegieendowment.org/files/Decoding_Indias_MMRCA_Decision.pdf

    PPS: Ivan, ele tb corrobora seu ponto,dizendo que, pelo menos, o SH poderia ter ficado no short-list p/ forcas uma queda de valores.

  2. Os 2 Eurocanards devem ser mais manobráveis que o F-16C B60 e F18 E SH. Nesse ponto, se isso foi fator decisivo, ok. Não dá para contestar. O F-16 E com aqueles CFTs deve ser meio pesadão mesmo, além de gerar algum arrasto a mais. E o F-18 E é bem mais pesado, é praticamente um caça-bombardeiro. O que os Indianos não levaram em consideração, é que com as novas gerações de misseis WVR+HMD, essa manobrabilidade extra tanto do Rafale como do Typhonn não é tão importante como antigamente. Ou talvez eles saibam, mas propositalmente quiseram dar um peso maior nesse item.

    Se a COPAC tivesse o mesmo critério que os Indianos sem considerar custos e offsets, provavelmente a ShortList seria F-15 E, EuroFighter e SU-35 S….. hehhehhe

    []’s

  3. Do modo que o MMRCA vinha sendo conduzio, acreditava que seria um modelo de concorrência principalmente pela exigência de voôs de teste em território indiando, mas me enganei e prevaleceu a escolha política.

    Acabou sendo mais um circo …..

  4. Olá,

    A qualidade dos caças Americanos é inquestionavel, mas lá como em qualquer lugar do mundo a politica define tudo, mas com bastante cobertura tecnica…

    Ingleses e Franceses estão com seus projetos garantidos por pelo menos mais 30 anos, o Americanos estão em vias de mudar para F-35 o que tirará o folego de up-grades desses modelos.

    Os caças europeus tem ainda muito espaço para desenvolvimento, e serão ponta de lança com melhores tecnologias disponiveis para eles.

    No caso Frances tem o historico em guerra favoravel que deve ter pesado na hora de fechar a conta, na hora que precisou o Mirage-2000 estava lá, num pais com inimigos reais isso conta e muito.Não podemos esqueçer que o Mirage-2000 tem um shoot down real em F-16.

    Grande capaçidade já multi-funcional do Rafale com aplicação de misseis Ar-Ar/Anti-navio/|Bombas Inteligentes Americanas e Francesas/Misseis de Cruzeiro e pods já prontos para uso, além de fantastica detecção passiva…

    A decisão final foi politica, mas está tecnicamente bem corrobado, isso é indiscutivel….

    Abraços,

  5. edcreek disse:
    6 de junho de 2011 às 9:48

    Caro Edcreek,

    A discussão técnica foi altamente e sempre será questionável. Bastam os contrapontos colocados aqui.

    A decisão que não é mais.

    Se foi/forpolítica ou técnica tanto faz. Já foi tomada e isso é problema dos indianos, a mim não importa mais …

  6. Sou um dos que acreditam que a manobrabilidade é questionável em um moderno avião de caça, agora, somente a partir do F-35, que conta com um sistema de visão sintética em 360° (DAS) é que tal conceito será levado a extremos.
    Mesmo nos modernos caças de 4,5ª G ainda há um limite para os sistemas designados pelo capacete, já que existem áreas do céu encobertas pela estrutura da aeronave e há uma deterioração da eficiência do HMS (cpacete com visor/mira) à noite, salvo se combinado com um NVG (óculos de visão noturna).
    Acaba que num combate aproximado ainda há espaço para manobrailidade, mas tal fato tende a desaparecer rapidamente.
    A consciência situacional periférica e sistemas automáticos, sem intervenção humana, que irão redundar nos futuros caças não tripulados de 6ª G, irão colocar por terra o quesito manobrabilidade, fazendo do caça uma plataforma de lançamento de armas com total domínio espacial e atuação tridimensional.
    Nesse contexto, não haverá espaço para a manobrabilidade, sendo superada pela furtividade, supercruzeiro, velocidade hipersônica (???), etc.
    Claro que uma reserva de potência e uma capacidade de ascensão ainda será fundamental para melhor posicionar o caça dentro do espaço, mas a capacidade de realizar curvas radicais e manobras acrobáticas serão coisa do passado.
    Mesmo aeronaves não tripuladas, capaz de resistir a forças g muito superiores à fisiologia humana, provavelmente não irão usar do recurso da manobrabilidade para se evadir ou para melhor posicionar para atacar, já que a capacidade dos mísseis ou armas de energia direta estarão sempre um passo adiante, assim como sistemas defensivos ativos e passivos serão mais eficientes que simplesmente tentar escapar manobrando.

  7. DrCockroach,

    Pois é, os indianos vão pagar caro pelas escolhas…
    …literalmente!

    E o mais engraçado é que os yankees não terão nada a ver com isso, muito pelo contrário, será o próprio Euro o vilão da história.

    Gostaria de poder abrir uma janelinha no tempo e olhar o cenário aeronáutico militar daqui a 20 (vinte) anos…
    Com a presença efetiva nos céus de F-35 Lightning II, Sukhoi T-50, e os chineses J-20 será que haverá espaço para “melhorias contínuas” nos eurocanards bimotores?

    Pessoalmente acho um exagero falar em 30 (trinta) anos de vida útil na primeira linha de combate de qualquer caça não stealth.

    Abç,
    Ivan.

  8. Senhores,

    Realmente, ninguém entendeu a decisão indiana, ou melhor, entendemos ($$$) sim.

    Eu particularmente considerava que, como o avião a ser substituído é basicamente o MIG-21, seria adquirido um outro monoturbina, mais simples, barato e de menores dimensões, deixando o SU-30 (e amanhã o T-50) como o vetor de excelência daquela força aérea.

    Por isto apostava na vitória do Gripen NG, com alguma chance para o F-16 e o F-18 correndo por fora, por ser maior e biturbina, embora com custos relativamente baixos.

    Afinal, não faria sentido substituir um avião por outro de características tão diversas.

    Exclui o MIG-35 porque os indianos não aceitariam ficar na mão de um único fornecedor: os russos (ao contrário dos “estrategistas” do PT que querem isto para o Brasil).

    Mas, como já dizia, somente Shiva sabia sobre o vencedor. Dito e feito.

    Deram os “azarões” em quem ninguém acreditava, vencendo aeronaves melhores (as americanas) e as mais baratas (sueca e russa).

    Aparentemente na Índia, assim como no Brasil, dinheiro não é problema.

    Dinheiro é a solução.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here