terça-feira, maio 18, 2021

Gripen para o Brasil

Argentina deve integrar projeto de novo jato militar da Embraer

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres


Depois de Chile e Colômbia e, mais recentemente, Portugal oficializarem a intenção dos seus governos de participar do desenvolvimento do jato de transporte militar KC-390, projeto encomendado à brasileira Embraer pela Força Aérea Brasileira (FAB), a Argentina deve ser o próximo parceiro do programa. Segundo fonte do setor de defesa do governo, os dois países já estão negociando os termos da carta de intenção para assiná-la em breve.

Na sexta-feira, os Ministérios da Defesa do Brasil e de Portugal assinaram uma Declaração de Intenções de parceria no programa do cargueiro brasileiro. O acordo, informou a Embraer, também marca o início das negociações para entrada de empresas portuguesas no projeto e na fabricação do novo avião. O governo português também revelou a intenção de adquirir seis aeronaves para equipar a Força Aérea de seu país.

Com os novos parceiros, o número de intenções de compra do KC-390 sobe para 52. Desse total, 28 são da FAB, seis do Chile, seis de Portugal e 12 da Colômbia. A África do Sul, de acordo com a fonte, ainda não definiu participação no projeto, mas segue na lista dos parceiros mais próximos do KC-390.

A Embraer planejou produzir 180 unidades do seu novo avião de transporte militar nos primeiros dez anos de comercialização da aeronave. A empresa identificou demanda potencial de 700 aeronaves na classe do KC-390, um negócio estimado em US$ 50 bilhões, sendo 100 delas na América do Sul.

O KC-390 começou a ser desenvolvido em abril do ano passado, a partir de um acordo assinado entre a Embraer e a FAB, que destinará US$ 1,3 bilhão para o projeto. O valor, segundo a FAB, cobre todas as atividades de concepção, desenvolvimento, ensaios, certificação e preparação para produção. Neste ano, segundo o gerente executivo do projeto do KC-390 na FAB, coronel Adalberto Zavaroni, o projeto receberá cerca de R$ 95 milhões. Para 2011, já existe previsão de aporte da ordem de R$ 220 milhões.

O programa de desenvolvimento do cargueiro, de acordo com o gerente do projeto, encerrou em maio a fase de estudos preliminares e trabalha, agora, na definição inicial dos principais sistemas que equiparão a aeronave. “Selecionamos oito sistemas que representam o coração da operação de um jato de transporte e de reabastecimento em voo, não só pelas suas características críticas, mas também pelo alto nível de tecnologia que agregam”, explicou.

Nos últimos quatro meses, segundo Zavaroni, a Embraer e a Aeronáutica trabalharam em conjunto na definição dos requisitos relacionados ao motor, trem de pouso, comandos de voo e sistemas de manuseio e lançamento de carga. “Já identificamos alguns potenciais fornecedores para esses sistemas e a Embraer se encarregou de avaliar as ofertas sob o ponto de vista técnico e comercial. A FAB está analisando as propostas sob o ponto de vista de “off set” (compensação comercial, tecnológica e industrial)”.

O gerente informou ainda que, até abril de 2010 (sic), as duas partes estarão envolvidas na definição dos requisitos e de fornecedores para os sistemas de missão do KC-390 (radares e aviônica), de reabastecimento em voo e de auto-defesa.

A indústria aeroespacial brasileira, de acordo com Zavaroni, também terá um papel de importante no programa de desenvolvimento do KC-390, seja através dos acordos de compensação (off set) ou também com o fornecimento de sistemas que envolvam tecnologias já dominadas no país. “A indústria nacional já tem competência em áreas estratégicas como a de aviônicos, estrutura e trem de pouso”, afirmou.

O KC-390 vai substituir a frota de C-130 da FAB, utilizada hoje nas áreas de transporte logístico pesado, busca e resgate, ressuprimento aéreo, evacuação médica, combate a incêndio florestal e reabastecimento em voo. O preço da aeronave, segundo o gerente do projeto, deve ser menor que o do C-130, que custa na faixa de US$ 80 milhões a US$ 90 milhões.

FONTE: Valor Econômico (reportagem de Virgínia Silveira) via Notimp

IMAGENS: Embraer

VEJA TAMBÉM:

- Advertisement -

30 Comments

Subscribe
Notify of
guest
30 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
BARCA

Nunão lhe deve desculpas,pois eu li o texto e pensei que fosse vc.
Agora quanto a essa parceria vejo com bons olhos,pois será mais um cliente em potencial e tb fabricante de peças em potencial,basta ver a parceria que está sendo negociada ou concluida com a Fábrica de Material de Cordoba.

Joel

O que me preocupa é que eles estão quase falidos, não compraram nem o Pampa que eles produzem, não terminaram os TR 1700 e além disso eles não deram pra traz na compra dos EMB 190?!

Esse projeto do kc 390 não é só da embraer o governo brasileiro, ou seja, nós estmos investindo nele. todo mundo quer tirar uma casquinha.

Não duvido nada que o rei da pirataria mundial, a China, venha e fale “Monta otla fabliquinha aqui que tio Xang também ajuda…”

robert

eles tão quebrado, vão participar como?

só se for nos testes de lançamento de paraquedistas, e de preferencia que seja o maradona jogado de lá de cima sem paráquedas!
eaheaiohaeohaeioe

Rodrigo

Argentina quebrada e com Governo populista bolivariano ?

Eu tenho medo.

By Regina Duarte.

grifo

Excelente notícia se realmente se concretizar, quem sabe exorciza a má experiência com o CBA-123.

Interessante ver todos estes países comprando um “avião de papel” com motor americano…

Tadeu Mendes

Sera que o governo brasileiro vai “emprestar” dinheiro para a Argentina participar do projeto? Porque eles nao tem cacife para isso.

E quem precisa da Argentina para que, ou o que?
Cuidado com a canelada artentina (calote)

Emprestar = dar.

Rodrigo

O problema é que um país satélite da praga bolivariana, vai acabar redendo problemas para o recheio americano, francês ou qualquer outro com padrão OTAN.

O CFM56 é 50% gringo e 50% francês.

Sérgio Araújo

E por acaso esta aeronave precisa de trigo ?

Giordani RS

Esse parceiro vai ser dor de cabeça…e no final vamos pagar a conta…governo “satélite” bolivariano e falido!!! Se a EMBRAER aceitar realmente este “parceiro” é porque está na hora de rever algumas cabeças na direção… Tenta comprar sem crédito no mercadinho da esquina, tenta… Tadeu Mendes disse: 13 de setembro de 2010 às 12:36 – Sera que o governo brasileiro vai “emprestar” dinheiro para a Argentina participar do projeto? Porque eles nao tem cacife para isso. Não precisa ser mãe dinah pra saber que a grana para os hermanos vai sair da mãe…digo…BNDE$…e também não precisa ser pai mumbala pra… Read more »

Danilo

JOEL , hahaha coment perfect !

Daniel Rosa

É… não vejo o ingresso da Argentina com bons olhos. A economia esta quebrada, as FFAA em frangalhos, sem investimento… não sei não!
A não ser que tenham um plano de recuperação a curto prazo guardado nas mangas!
Vamos esperar para ver…

CAL

Para que a Embraer precisa deles se não vão contribuir em nada com a construção e parte técnica do avião, pois eu duvido da capacidade deles para agregar alguma tecnologia ao projeto.

RtadeuR

Gostei. Rivalidade só no esporte.
A integração da América do sul, inclusive nas armas, é de VITAL importância para o pré sal, aquíferos, florestas , minérios. etc, etc, etc.

eduardo

Também acho complicado uma parceria com a Argentina. Nessa última década eles tiveram uma excelente oportunidade de ajustar o país após a crise que levou ao fim do governo do Pres. De la Rua. Mas os Kirchner resolveram adotar práticas e políticas populistas e, após um período de sucesso, levaram a Argentina novamente ao caminho da crise econômica, da divisão interna e da crise política. Se nos associarmos aos argentinos, poderemos perfeitamente pensar que isso foi uma concessão da Embraer ao financiador do projeto KC-390, que adora a política de bancar o palhaço com os vizinhos, do que uma decisão… Read more »

Vader

Argentina????? Já vi tudo. Enquanto estava em Chile, Portugal, Colômbia, ainda dava pra botar fé. Começou a meter bolivariano pro meio, a casa cai. Próximos parceiros? Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, talvez o Irão (se existir até lá)… Algum país africano: Burkina-Fasso, Sudão, Gana, etc… Taí o começo do fim do KC-390… Ou então a “gorda” (contribuinte brasileiro) vai bancar avião pros bolivariecas e proto-ditadores da Amérida Latrina e África, como sempre… Enfim, péssima notícia para quem, como eu, estava achando que o negócio seria sério, pela primeira vez na história “defte paíf”. Mas como eu não espero nada de bom… Read more »

Rodrigo

Será que os gringos ou, na pior das possibilidades, os franceses aceitarão fornecer aviônica e sistemas defensivos de última geração( no caso dos franceses de ante-ante-penúltima geração ahahahahaha brincadeira francomaníacos) para o KC390, se um país satélite da Venezuela, um aliado incondicional do Irã e todos os outros países párias da galáxia, participar do projeto ? Vendo assim e por mais uma “jobinhada” que ele deu em Portugal, mais uma vez apontando o dedo para os gringos e ao mesmo tempo chamando os europeus de bundões. Não faltaria um pouco de pragmatismo para o nosso excelentíssimo MD ? Não somos… Read more »

Giordani RS

Se essa informação se confirmar(o que eu sinceramente espero que não) será o início do KC-390 AMX II…

Mauricio R.

Parece que além da crônica falta de vendas confirmadas, agora iremos agregar um sócio duvidoso.
Esse projeto vai mto bem.

zmun

Se o governo brasileiro resolver DAR aviões para a Argentina, eu quero de vez em quando dar umas voltinhas nele. Afinal, Toooô pagannnoooo….

zmun

A propósito, será que depois, se a argentina parar de pagar as prestação, eles vão botar uns “barra-bravas” na embraer pra bater em quem insinuar cobrar a dívida?

Pra lá é assim, pesquisador que disser que a economia argentina vai mal recebe borduada.

Cidadão

Daqui uns dias Tuvalu estará no projeto do cargueiro. rsrsrs

Hugo

Só espero que o excesso de parceiros não prejudique o cronograma e os custos do programa (quanto mais parceiros, mais difícil fica controlar esses fatores).

Renato Clemente

Putz, daqui a pouco até o Zimbabue vai participar do programa KC 390. Acho que até eu vou participar, eu manjava muito de aviãozinho de papel.

Jacubão

Hummm… Não gostei não. A Argentina não é confiável e isso me assusta também.

Jacubão

Imaginem se a Somália entrar nessa tmb. Tá parecendo até a “casa da mão joana”, cabe todo mundo. O Brasil é uma “avó” mesmo.

Black Hawk

eita ta virando circo…
todo paízinho ta entrando no bolao…
desse jeito vai ter mais engenheiros q peoes!!!
vai ter muito cacique pra pouco indio…
sera q nao vai afundar o projeto nao?
argentina ta quebrada ela nao tem grana pra nada!!!!

Edilson Cordeiro

Alguns comentaristas do blog tem uma visão bastante estreita sobre geopolítica, desqualificando aprioristicamente qualquer sinal ou evidência, reforçando o nós contra eles. Sequer sabemos os termos dessa pretensão argentina e, inclusive, se trata-se de algo concreto. Apesar disso, muitos já partem para o ataque, desqualificando os argentinos sob um primário argumento de “bolivarianos”. Sou um leitor diário do blog e faço isso pelo alto nível dos debates. E, por esse motivo, não consigo entender tal nível de animosidade. Aliás, até entenderia esse incentivo ao dissenso, mas não dentro de uma lógica que privilegie os interesses do Brasil. A quem interessa… Read more »

Joel

Prezado Edilson
Muito lindo essa historia de panamericanismo e vamos dar as mãos e unir nossas nações, mas não é isso que ocorre na pratica, um exemplo chinfrim, apoiamos a Argentina com relação as Malvinas , pergunto eles em algum momento nos apoiaram em relação a vaga pleiteada no Conselho de Segurança da Onu? resposta não!
Para desenvolver um produto precisamos de um parceiros confiaveis e não gente que da pra traz.
Assim que eu ver isso por parte dos argentinos mudo de opinião.

SCintra

Joel Eles não vão apoiar, pleiteiam o mesmo! Coments: O projeto é da Embraer, contratada pelo Min.da Defesa, ou seja tem que seguir as especificações da arma aérea. O que a Embraer vai derivar daí, depende de contatos e contratos. Se alguma especificação de “outros” for solução, agrega-se. Mas quanto mais “massa pensante” nesse momento, melhor. Lembram-se do Tucano da RAF e as mudanças solicitadas, deram algumas no Super. Nós no passado ficamos com a produção de empenagens do F-5, imaginem o contribuinte americano reclamando o mesmo que nos agora. Mas a empresa pulverizou a produção, e é sómente isso… Read more »

Wagner

Se eles trouxerem grana, tá mais que bom…

Reportagens especiais

Conhecemos de perto o Gripen 39-7, avião de testes de sistemas da nova geração do caça sueco

Nossa visita à Saab, além da apresentação do protótipo 39-8 do Gripen E, incluiu o hangar de aeronaves de testes...
- Advertisement -
- Advertisement -