quarta-feira, abril 21, 2021

Gripen para o Brasil

A perda dos ases iraquianos

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

 

Muitos pilotos iraquianos de Mig-21 ganharam notoriedade durante a guerra com o Irã. O mais conhecido foi Tenente (mais tarde Coronel) Mohamed ‘Sky Falcon‘ Rayyan, que voou o Mig-21MF em 1980-81, e reivindicou duas vitórias ( confirmadas) contra os F-5Es Iranianos em 1980. Quando no posto de Capitão, Rayyan foi qualificado no MiG-25P no final de 1981, no qual reivindicou 8 vitórias, duas das quais confirmadas, mais tarde foi abatido e morto por um F-14 e um F-5 da IRIAF em 1986.

O Capitão Omar Goben reivindicou dois F-5Es e um F-4E em 1980, antes de ser transferido para o MiG- 23MS e depois para o MiG-23MF/ML. Ele sobreviveu à guerra, mas foi morto em janeiro de 1991, voando um MiG-29 em combate contra um F-15C da USAF pilotado pelo Coronel K Wallid; outro ex-piloto de MiG- 21, que comandou uma Ala de MiG-29 da IrAF em 1991, também foi abatido por um F-15C da USAF, antes de desertar para a Arábia Saudita.

Como muito outros, o Capitão Fuad Tait voou o MiG-21 no começo de sua carreira, antes de ser capturado pelos iranianos depois que seu Mirage F-1EQ-5 ser derrubado por um F-14 sobre o Golfo Pérsico. No dia 3 de outubro de 1980 ele liderava um par de MiG-21MFs numa missão de bombardeiro “hit and run” sobre o fronte sul quando dois F-4Ds lançaram-se sobre eles. Tait conta o que aconteceu:

‘ Nossas aeronaves estavam armadas com duas pequenas bombas Russas, FAB de 250-kg cada e uma carga completa de munição de canhão. Nós estávamos a caminho em altitude muito baixa quando dois F-4Ds apareceram, aparentemente do nada e nos atacaram. Eu ordenei ao meu ala para alijar as bombas e me seguir, mas era muito tarde para nos defender, já que os Phantom II já estavam em nossas caudas atirando seus mísseis. Nós dois fomos abatidos em segundos, mal conseguindo ejetar.’

Por causa dos persistentes problemas com os mísseis R-13 e R-13R e maravilhados pela performance do AIM-9P no serviço Iraniano, os Iraquianos tentaram obter alguns Sidewinders. Tait explica:

‘Em 1983 nós adquirimos 200 AIM-9B da Jordânia que já tinham pelo menos 15 anos de sua produção, em troca de petróleo e mais dois F-5Es Iranianos. Um deles tinha sido trazido ao Iraque por um desertor da IRIAF, Tenente S Doakhan, no qual, entregou o avião completo com 2 AIM-9P. Os Iraquianos mandaram os dois Sidewinders para a USSR, dando início à um rumor que os Iranianos também tinham entregue aos Soviéticos um F-14 a com mísseis AIM-54A Phoenix. Outro F-5E foi capturado intacto, depois de um pouso forçado perto de Basra.

Tait Continua:
‘Nos colocamos esses Sidewinders em serviço na esperança de que eles deixassem nossos pilotos de MiG- 21 em pé de igualdade com os F-4s e F-5s Iranianos no combate ar-ar. Nos próximos 12 meses nossos MiG-21s armados com os Sidewinders de fabricação americana abateram 5 aeronaves da IRIAF, incluindo dois F-5s, um F-4D, um C130-H e um helicóptero Bell 214C. Nós finalmente os substituímos com um novo lote de 70 R.550 Magic Mk1s, fornecidos pela França em 1984.’

O Capitão Daryl ‘Z‘, um veterano ex-piloto de F-4 da IRIAF, que enfrentou um MiG-21 em combate, dá uma perspectiva do combate com a IrAF;

‘Nós tínhamos sido treinados pelos americanos e alguns de nós tinham voado MiG-21s e MiG-23s em vôos secretos de avaliação no EUA nos anos setenta , então nós sabíamos muito sobre o MiG-21.
O MiG-21 da IrAf era um caça de defesa de ponto muito bom, mas era ruim como caça-bombardeiro. O MiG-21 podia fazer curvas apertadas e naquela época eu estava convencido de que ele era o melhor dogfighter. Pelo menos depois que substituíram os R-13s pelos mísseis Magic.’

Uma falha séria no desenho do MiG-21MF foi confirmada pelo Tenente Tariq AL-Dinmaruf, um ex-piloto de MiG-21 que abateu um F-5E da IRIAF no dia 30 de setembro de 1980, usando canhões de 23 milímetros, antes de ser capturado pelos Iranianos em abril de 1981. Ele disse: ‘O MiG-21 era um avião que dava prazer de voar e um caça espetacular. Era leve e pequeno, mas pouco armado.

A mira ASP-PFD era austera e simples, mas funcionava. O míssel R-13A, por outro lado, não era confiável e não conseguia abater o inimigo. Os Egípcios até tentaram se livrar deles, propondo vender os R-13s remanescentes para nós, mas não aceitamos.

O canhão Gsh-23 de 23 milímetros era uma arma devastadora, completamente confiável e preparada, às vezes até mesmo uma simples rajada poderia causar dano suficiente para abater um F-4 ou um F-14.’

TRADUÇÃO: Roberto F. Santana / FONTE: “Arab MiG-19 and MiG-21 Units in Combat”, Osprey Combat Aircraft no.44, David Nicille and Tom Cooper

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Sette

Que fim levaram os pilotos iraquianos ??????

Madvad

Errinho : O Mig-29 abatido pelo F-15C, não foi em 1981, e sim em 1991.

O Foxbat abatido pelo F-5E, foi pego “dormindo”, tentando regressar de volta a base após ser danificado por um AIM-54 Phoenix lançado por um “Ali-cat”.

Ilya Ehrenburg

De lembrança, reitero os reparos de Madvad. O Foxbat (MiG-25) estava retornando à baixa velocidade e perdendo combustível, quando foi surpreendido pelo F-5E, que completou o abate do F-14A (AIM-54). Da matéria, é relevante o prazer dos pilotos em comandar um MiG-21. Este tipo de afirmação é comum em relação ao aparelho. No entanto, os pilotos da atual geração, que tiveram a oportunidade de voá-lo, classificam-no como difícil, instável (!), manhoso ou “cavalo chucro”. Fica a pergunta, estão os pilotos acostumados demais às facilidades proporcionadas pela eletrônica de vôo, ou o treinamento caiu de padrão? Outro detalhe interessante é sobre… Read more »

Elizabeth

Parabéns pelo extremo bom gosto de escolha desta pauta.

Giordani RS

“Ele sobreviveu à guerra, mas foi morto em janeiro de 1981, voando um MiG-29 em combate contra um F-15C da USAF pilotado pelo Coronel K Wallid”

Está certa esta informação? Não será 1991?

RtadeuR

Parabéns pela tradução e matéria.

Roberto

Correção:
Galante, favor altere a data de 1981 para 1991.
Desculpe pela desatenção na tradução.

Tecnocop (Senta a Pua)

Belo post… parabéns… Galante, se vc ler esse meu post, meu pc foi formatado e perdi meus dados lá no xat.

Milan

Essa perda de 1991 foi no mano a mano? Pelo que me lembro os americanos estavam voando em esquadrilha quando desse abate.

Andre Luiz

os iraquinaos sempre foram considerados pelos amercanos como otimos pilotos, mas eles nao poderiam fazer muita coisa contra aquela horda aerea em 1991 e infelizmente ficaram com a fama de fujoes e mal treinados

Bruno Fernando

Que excelente matéria, e me traz boas lembranças, não do conflito óbvio mas de revistas de coleção que eu tinha e que tratavam do mesmo assunto, infelizmente as perdi em uma mudança mas agora posso ler sobre temas relacionados aqui no Poder Aéreo. Parabéns às matéria publicadas aqui que são de alta qualidade e prazerosas ao ler.

skywalker

Há alguns anos, um amigo com trânsito no CTA comentou comigo que o Brigadeiro Hugo Piva, responsável por alguns dos maiores avanços no campo aeroespacial brasileiro, teria sido contatado extra-oficialmente por Saddam Hussein, que queria estabelecer alguma forma de intercâmbio técnico entre experientes pilotos da FAB e a IraF. Segundo o comentário, o ditador iraquiano admirava a forma como os pilotos brasileiros, com equipamento considerado relativamente simples e similar ao deles, conseguiam cobrir com eficácia vastas regiões em patrulha e adotar manobras e procedimentos considerados inéditos ou inovadores, o que otimizava os recursos e até superaria algumas limitações do equipamento.… Read more »

Mauricio R.

Que lindo, então o onipotente Fishbed depedia de misseis americanos ou franceses p/ ser bem sucedido, senão somente no canhão!!!

Hailton

O Mig 21 sempre foi um grande caça, faltava-lhe, misseis e alguns casos pilotos bem treinados

Paulo Andrade

Meu caro Skywalker, se me permite acho que poderei te passar algumas informações sobre as relações entre os iraquianos e o Brigadeiro Hugo Piva… O referido brigadeiro não foi contatado extra-oficialmente. Ele fazia parte de toda uma engrenagem montada entre o governo brasileiro e o governo iraquiano visando um estreitamento das relações comerciais em geral, e militar em especial, entre os dois países. A primeira visita do sr. Piva ao iraque aconteceu em 1979 e foi como enviado do governo brasileiro. A partir daí as relações se estreitaram ao ponto de Sadam ser considerado pelo governo brasileiro como um “grande… Read more »

Skyrider

Jogando F4F Allied Force e voando o F-16, considero o Mig-21 um oponente a quem devo grande respeito, diferentemente do, digamos, Mig-23. Tudo bem que é um jogo, mas foi a minha realidade de caçador (rsrsrs).

Sirkis

Saudações Skywalker!

Isso não é verdade. É mais uma da série de especulações que surgiu nos anos 90.

Boa Tarde!

Sirkis

Saudações!

Editores do blog, será que não faltou uma parte não? O piloto diz que o Mig-21 tinha um erro no seu desenho e de fato não era o pouco armamento que levava. Será que não faltou uma parte não?

Parabéns mais uma vez pela ótima postagem.

Boa Tarde!

Pedro

O post é bacana, esses combates sejam na guerra do Irã-Iraque, India-Paquistão, Malvinas e do lado vietnamita da guerra do Vietna sempre são bem vindos por trazer a luz algumas historias e fatos que não temos tão facilmente, mas creio que a referencia dele é bem discutível, pois o Sr Tom Cooper é um escritor muito criticado externamente, por geralmente não esconder um tom parcial em suas obras.

Roberto

Caro Sirkis,
Obrigado pela observação, de fato eu poderia traduzir como “projeto” e não como “desenho”.
Quanto à crítica do piloto, era, de fato com relação ao limitado armamento.
Eram notórios os principais “defeitos” do MiG-21:
Armamento e alcance/autonomia.

Roberto

Caro Pedro,
Obrigado pela observação,
Vale lembrar que o co-autor é David Nicolle.Tom Cooper tem grande conhecimento e contatos no mundo Árabe e Israelense.
De qualquer maneira ele teve o aval da Osprey para a publicação da obra, não é pouca coisa.

FighterSkill

É isto é bacana ler! Parabéns!

Hummm…observando:

O Mig21 como sabemos é defesa de ponto e os operadores os utilizavam para algumas missões para a qual não foram idealizados. E mesmo assim conseguiam vitórias importantes!

E mesmo nos tempos de hj ele é ameaçador…uma maquina espetacular!

Milan

É uma bela lição que devemos aprender, para não cometer erros no futuro. Por isso venho perguntando a todo tempo em qual parte do FX-2 entram os armamentos. Não adianta nada ter estilingue sem pedra….

heyarth

Ja vi aqui mesmo no blog que o mig-21 tem um rcs pequeno e é dificil deixá-lo na mira, alguém confirma isso?

MA

Muito boa matéria, o tema é muito bom mesmo!
O MiG-21 sem dúvida é longevo, China que o diga com seus J-7III!

Brandalise

Gostei bastante da materia!

Como jah disse em outro topico, nao se subestima um oponente. Especialmente um com uma longa historia de servico, e com facilidade de manutencao.

“Não adianta nada ter estilingue sem pedra…” Perfeito, Milan!

Mas repito meu mantra: treinar, treinar, treinar! Nao ha substituto para a experiencia. E os pilotos da FAB andam voando menos do que deveriam.

Abs!

Renato

Eu gostava de ler o material do Tom Copper no Acig, me pareceu um dos caras mais imparciais sobre o assunto. Nunca negou a capacidade israelense mas deu outra visão sobre os aviadores sírios e egípcios. A descrição da batalha de El-Mansourah é muito boa.

Parabéns ao blog por mostrar essa história de outro ponto de vista, diferente dos History Channel da vida.

Mauricio R.

“A descrição da batalha de El-Mansourah é muito boa.”

A Air Forces Magazine a alguns anos atrás tb deu seu pto de vista, sobre essa batalha em particular e descontando mto ufanismo e arroto, continuou faltando desempenho frente aos israelenses.

Mauricio R.

“…os iraquinaos sempre foram considerados pelos amercanos como otimos pilotos,…” Não seria os iranianos, que foram treinados pelos americanos, antes do regime dos barbudinhos??? “…e infelizmente ficaram com a fama de fujoes e mal treinados…” Infelizmente o próprio regime irquiano da época, os preferia assim. Viu o que aconteceu c/ aquele general cubano que se distinguiu na guerra em Angola, fez sombra ao irmão do Fidel, foi p/ o paredón… “O piloto diz que o Mig-21 tinha um erro no seu desenho…” A asa delta e o imenso arrasto que esta gera, nas curvas. Acontecia o mesmo c/ o Mirage.… Read more »

Mauricio R.

“…o mig-21 tem um rcs pequeno e é dificil deixá-lo na mira…”

Com aquele buraco no nariz, ornado pelo cone do radar??? Mais fácil vc não ve-lo, do que o RCS ser pequeno.

Pegasus

Alguem se lembra de algum combate entre jatos na era moderna que tivessem igualdade tecnologica? Acho que só a da Coréia, entre os sabres e os Mig-15 e na guerra indo-paquistanesa.

PS: Reinterando o que falo sempre, baseado no texto acima, otimo por sinal, não adianta cavaleiro em belo cavalo armado com garrucha, trocando em miudos, não basta vir o Rafale, tem que vir com o que tiver de melhor em misseis para ele, não quero nossos pilotos como belos alvos aereos.

Sirkis

Saudações Maurício!

Não é esse o erro do desenho não, ele é pior.

Boa Noite!

Marcelo

a batalha de el-Mansourah do ACIG não foi escrito pelo Tom Cooper, talvez daí a “imparcialidade” do texto

JZG_Pedro

Acho um pouco excessivo, dizer que esses pilotos foram ases… se usarmos o critério de 5 kills, somente um se encaixa nessa classificação.

robertofsantana

Teste login 2

czarccc

Passou no teste! 🙂

Iväny Junior

Subindo esse tópico porque eu já li esse livro e estas histórias são impressionantes.

Kit Carson

Durante as Malvinas (82), já havia ocorrido a diferença da defasagem de mísseis de gerações diferentes! Embora os Argentinos tenham sido bravos e conseguido êxito nos ataques aéreos por certos momento, os Harriers com sidewinders fizeram um belo estrago! Os A4B e os Etendards voaram praticamente desarmados no “ar-ar”.

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