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Histórias, ‘causos’ e curiosidades dos combates aéreos (3)

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A necessidade de reabastecedores de grande porte e a incompatibilidade de combustíveis

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KC-135_Stratotanker_Refueling_F-15_Eagle

O dia 2 de agosto de 1990 será sempre lembrado no Kuwait como uma data triste. Naquele dia tropas do Iraque ocuparam o pais. Do dia para a noite o Iraque dobrou as suas reservas petrolíferas, totalizando 20% das reservas mundiais naquela época. Ainda existia o temor de que a manobra militar de Saddam Hussein prosseguisse rumo a Arábia Saudita. Por esse motivo as Forças Armadas dos EUA entraram logo em alerta. Como sempre, nesses momentos de crise surgiu a pergunta: onde estão os porta-aviões?

A US Navy possuía o USS Eisenhower no Mar Mediterrâneo e o USS Independence no norte do Mar da Arábia que poderiam ser empregados a qualquerh2omento. As distâncias envolvidas eram grandes e as aeronaves de reabastecimento embarcadas não podiam fornecer suporte para missões de longo alcance, especialmente a partir do Mar Vermelho e do Mediterrâneo e bem dentro do território iraquiano. Já no Golfo Pérsico as águas rasas próximas ao Iraque apresentavam o risco das minas. Era necessário o apoio dos reabastecedores da USAF.

Isto poderia ser feito, mas como os sistemas de reabastecimento da USN eram (e continuam sendo) diferentes dos sistemas da USAF, as aeronaves de reabastecimento necessitavam de uma reconfiguração que consumia um tempo muito precioso. Além disso o combustível utilizado pelas aeronaves embarcadas era (e continua sendo) diferente do combustível comumente empregado pela USAF.

Os caças da USAF empregam o combustível JP-4, diferentemente dos caças navais. Por questões de segurança, os navios transportam somente combustível JP-5 para as aeronaves embarcadas. Este é menos volátil e possui um ponto de fulgor (*) muito mais elevado (a diferença gritante fica entre -20º C e 65ºC). O ponto negativo fica por conta da potência menor. Uma pequena contaminação de 10% de JP-5 misturado ao JP-4 reduz o ponto de fulgor deste último em 30ºC.

Portanto, além da reconfiguração dos sistemas de reabastecimento, as aeronaves reabastecedoras deveriam passar por um processo de descontaminação dos seus tanques. Em outras palavras, o processo era tão demorado que reduzia a eficiência das aeronaves. Para minimizar a questão, a USAF decidiu separar alguns reabastecedores somente em apoio à USN, tornando-os inúteis para os seus próprios aviões. Tudo isso contribuía para uma redução do potencial militar disponível.

(*) Ponto de fulgor é a menor temperatura na qual um combustível liberta vapor em quantidade suficiente para formar uma mistura inflamável.

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drcoakroach
drcoakroach
10 anos atrás

Por falar em reabastecimento 🙂 … “Nervous Indian Oil Corp Refuses To “Hot Refuel” Gripen During MMRCA Evaluation Tests The Gripen team in India is understood to have tried hard to push for the chance to demonstrate the fighter’s “hot refuelling” capability, but was unable to do so after Indian Oil Aviation — the standard supplier of aviation fuel to the Indian Air Force — refused to be part of such an exercise. Hot refueling is a process by which a fighter is refuelled (in between sorties) while its engines are still on, thereby cutting down refuelling time by half… Read more »

Roberto
Roberto
10 anos atrás

Guilherme,
Isso aí era café pequeno de resolver.
Qualquer hora te mando a história que aconteceu no Vietnam,
de um F-105, que pouco antes de chegar no KC-135 o querosene acabou e deu flameout.
O comandante do avião tanque guardou as manetes e iniciu um vôo picado enquanto o cara do F-105 abasteceu em vôo planado.
Isso é que é aviador!
Vou procurar, e te mando.

Brandalise
Brandalise
10 anos atrás

Putz, jah pensou vc chegar em um aviao-tanque com o seu combustivel jah “no talo”, e aih o pessoal do tanque falar: -“Sinto muito, nos nao temos o combustivel que vc precisa”? Por que eles nao mantem um combustivel uniforme na USAF e USN? Digamos, o JP-5? Imagina se eles comecarem a usar o biocombustivel… Aproveitando, vao algumas perguntas: 1) Nos usamos um combustivel apenas na FAB, Marinha, e aviacao do Exercito? Ou tem de usar um combustivel para os A-4, outro para a FAB, outro ainda para helicopteros, turboelices, etc? 2) Temos alguma deficiencia particular na obtencao de algum… Read more »

Wolfpack
Wolfpack
10 anos atrás

É eles devem desenvolver um motor flex para suprir a demanda da Marinha e USAF.
[]s

Galileu
Galileu
10 anos atrás

Muito legal o tema abordado pelo site.

Eu particularmente não sabia dessa diferença, entre combustíveis da USN e USAF.

S e alguem puder responder as perguntas do brandalise, eu tambem to curioso…

Clésio Luiz
Clésio Luiz
10 anos atrás

na distante hipótese do Super Hornet vencer o F-X2, ele poderá o mesmo combustível que os outros caças da FAB, ou teremos que ter reservatórios exclusivos para ele?

Dalton
Dalton
10 anos atrás

“Por que eles nao mantem um combustivel uniforme na USAF e USN? Digamos, o JP-5?” O JP-5 é muito mais caro e como há um numero muito maior de aeronaves na USAF do que há na US Navy optou-se por restringir o uso de JP-5 em aeronaves de porta-avioes, além do que, um porta-avioes é mais suscetivel a sofrer explosoes em seus depositos de combustivel seja em combate ou acidentalmente. O JP-4 usado pela USAF na época da invasão do Kuwait pelo Iraque já foi completamente substituido pelo JP-8 , mais seguro, porém mais caro que o JP-4 apesar de… Read more »

M1
M1
10 anos atrás

Huhauahauh, isso me lembra da uma ocasião muito parecida. Quando eu era criança, meu pai tinha um chevette, ele era a gasolina, mas o fato é que meu pai resolveu pegar estrada bem tarde, tipo algo depois da meia noite, mas só que da casa da minha avó até minha casa, a gente passava numa estrada cheia de favela, o tipo do lugar era meio tenebroso, quem já foi ao rio ou mora sabe como é. O problema é que tinha dado problema na boia de combustível que fazia mostrar falsamente no marcador de combustível que estava cheio. Meu pai… Read more »

Matheusts
Matheusts
10 anos atrás

pow que historia do M1 e do blog..
éra melhor todos usarem o JP-8 se isso continua hoje em dia.

Brandalise
Brandalise
10 anos atrás

Vlw a resposta, Dalton. Faz sentido. Vamos ver agora quem pode postar as outras respostas!

M1
M1
10 anos atrás

Se o meu comentário fugiu do contexto, os editores do blog podem retirar o meu comentário sem problema nenhum.

Eu só comentei isso, pois esse post me lembrou bastante o ocorrido.

Peço desculpas se eu exagerei.

João
João
10 anos atrás

Caro M 1

F______ essa sua história kkkkkkkkk
qdo criança meu pai tbm fazia isso direto rsrsrs só não sei se quem bebe mais alcool é ele ou o carro que ele tinha kkkkkkk

Abçs!!

Hrotor
10 anos atrás

Helicóptero também faz ReVo, com algumas peculiaridades…
http://www.youtube.com/watch?v=iyAMC7miuy4

Samuel Henrique
Samuel Henrique
10 anos atrás

Mais uma vez surpreendido pelo blog…..eu achava que o problema era só a sonda que era diferente!!!!!

Como esse pais consegue fazer guerra com os outros se nem suas tres forças se entendem!!!!!

O governo deve sofrer com logistica!!!

Giordani RS
Giordani RS
10 anos atrás

Buenas…eu guri novo, estudante no curso de Manutenção Aeronáutica…eu tinha um FIAT Prêmio(Fui Iludido, Agora é Tarde!). O carro até era bom, mas vinha com um curso básico de mecânica…o motor já tava fumando e estava na hora de trocar ou “fazer” aquele motor…buenas…era sexta-feira e iria para a praia no final de semana…resolvi colocar gasolina de aviação…óbvio que coloquei bem pouco, se me lembro bem, uns 3 litros…era quase R$5,00/litro! O carro andou que era uma beleza! O “delay” entre pisar no acelerador e a resposta era mínimo! O som do motor era agradabilíssimo! Como andou! Na segunda-feira pela… Read more »