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As origens do Super Hornet

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Mais um texto exclusivo do Poder Aéreo contando o nascimento do programa Super Hornet.

36 COMMENTS

  1. Poggio:
    o Hornet me passou um link com um estudo muito interessante sobre o SH e que pode servir para desenvolvermos alguns debates por aqui sobre o F/A-18.
    Uma das críticas que esse estudo faz é que o SH usa muito POUCO materiais compostos na sua estrutura.
    Infelizmente não lembro o link, mas acho que tu podes pedir para que o Hornet o indique para vc.
    Abraço

  2. aqui tem mais material, para quem se interessar (ou mesmo para ajudar na matéria que o Poggio está fazendo).

    http://www.fas.org/programs/ssp/man/uswpns/air/fighter/f18.html

    no final do link, existem outros link, que abrem outros estudos e artigos, com mais informação ainda.

    —–

    Poggio,

    foi deste link (acima) que encontrei aquela matéria com o piloto de teste do Super Hornet. Os 90% iniciais de comunalidade de aviônicos entre o SH e o Hornet C…acho que vc se lembra do link, não?

    enfim…

    abração

  3. Hornet:
    valeu.
    Se não for muito abuso da minha parte, será que tu podias postar o link do estudo da RAND novamente???
    Eu não me lembro do endereço e o perdi.
    Obrigado e um grande abraço,

  4. Agradeço mais uma vez o envio do RAND Hornet. Não sei se você lembra daquela frase que está escrito lá e que eu coloquei em um comentário faz alguns dias. De qualquer forma, para quem não viu/leu, aqui vai novamente.

    “The airframe design was largely new with very little commonality with the original design.”

  5. Quanto aos 90% de comunalidade de aviônicos, este dado parece estar correto também uma vez que todas as fontes dão a mesma informação.

    Aliás essa é uma das poucas semelhanças que existiam entre os dois. Mas como tudo já mudou (veja o Radar AESA por exemplo), parte desses aviônicos foi substituída por outros mais modernos.

    Não tem problema. Essa conversa de “90% de comunalidade de aviônicos” serviu para vender o projeto em detrimento de alternativas, como o próprio Rafale M.

  6. Hornet,

    Obrigado também pelo link do FAS, mas ali só contém mais do mesmo. O que está escrito ali dá para encontrar em qualquer texto da internet.

    Para o texto que eu estou escrevendo consultei alguns livros que eu tenho aqui (uns dez) que possuem muitas informações não disponíveis na net.

    Um dos livros é o próprio manual de voo do F/A-18 E/F produzido pela USN para quem vai operar o Super Hornet. Ele se chama NATOPS e possui 816 páginas. Ainda não li tudo (e acho que não vou ler). Ali são apresentadas várias limitações da aeronave (modelos iniciais, diga-se de passagem).

    Eu recomendo esse livro para quem quer voar o simulador do F/A-18 Super Hornet. A parte de aviônicos e simbologia de HUD está muito bem detalhada.

  7. Poggio,

    eu me lembro da frase sim. Mas é aquilo que lhe falei na oportunidade: o SH é um novo projeto, mas não é um projeto novo.

    Ele é um novo projeto, desenvolvido a partir do Hornet C. Mas não é um projeto novo, desenvolvido a partir do zero.

    Isso não é apenas semântica, e nem é só para vender avião. No texto da Rand isso fica mais claro. E acho que essa definção é perfeita, esclarece muita coisa.

    E não ser um projeto novo não é, em princípio, um demérito do avião e nem tão pouco uma virtude suprema. Depende apenas de onde vc quer carregar nas tintas. E aí voltamos ao critério, ao enfoque. Dependendo do enfoque, o SH pode ser uma coisa ou outra. Mas ele não pode ser uma coisa e outra ao mesmo tempo. Isso não pode.

    abração

    ps. Vc conseguiu achar alguma informação nova sobre o projeto Hornet 2000?

  8. Mas Hornet,

    Se você precisa projetar 75% do avião, não seria a mesma coisa que projetar um novo avião?

    Veja, não estou dizendo que eles não possuem semelhanças (até o visual engana). Mas é outro projeto feito com outros atributos e outras especificações.

    Entre o projeto do Hornet e o do Super Hornet existem 15 anos de diferença. Não tinha nem CAD quando o primeiro Hornet voou.

  9. Sobre o Hornet 2000 sim eu achei um bom volume de informações. Principalmente da época que eles queriam vender o Hornet 2000 para a Europa no lugar do Rafale/EFA. Pena que não está na net.

    Mas isso já é assunto do texto. Se eu ficar adiantando perde a graça.

  10. Impressionante esta maquina,entrei no site que os colegas postaram sobre o hornet,cara, é um tanque de guerra voador,sei não em, mais será que o rafale é a aquisição mais acertada para o Brasil,bem não sou expert no assunto,mais que, os números deste avião impressionam não resta a menor duvida, alem do mais ele é veterano,já abateu até ET no cinema,um abraço a todos.

  11. Poggio,

    acho que vc está preso a idéia de avião novo, e eu estou me referindo a projeto.

    O projeto do SH é um desenvolvimento do Hornet C, (melhorado, ampliado etc.), mas não é um projeto novo.

    Um avião novo sem dúvida que ele é, assim como o Super Tucano é um avião novo em relação ao Tucano. Mas é um projeto desenvolvido a partir do Tucano.

    projetos novos seriam o F-22, o F-35, o Rafale, o Typhoon etc. E isso não tem nada a ver com data de projeto e nem tão pouco com a capacidade do avião. O Mirage-9, por exemplo, é muito mais capaz que o Gripen A (acho até que se equipara ao Gripen C/D), mas é um projeto antigo (projeto do Mirage), bem mais antigo que o projeto do Gripen. Por outro lado, o F-22 é mais antigo (como projeto) que o Super Hornet, e deixa o Super Hornet no chinelo.

    É a isso que estou me refrindo. Acho que estamos falando de coisas diferentes…ou será que não?

    Enfim…

    abração

  12. Hornet,

    Perfeita a sua lembraça! Ainda bem que você lembrou do Tucano/ Super Tucano. Não há um parafuso igual nos dois modelos. Mas a aparência é a mesma. Igual ao Hornet / Super Hornet. Até possuem poucos pontos em comum, mas são aeronaves completamente diferentes.

    Vocês (aqueles que defendem a evolução do Hornet para o Super Hornet) estão se baseando em “critérios estéticos” para comprarar aeronaves e só isso. Esse critério é frágil. Não se sustenta em uma boa argumentação.

    Só para relembrar um pouco do que eu já disse, o motor do F-117 é o mesmo do Hornet. Como motor representa quase 1/3 do custo do avião, pelo menos 30% é a semelhança entre os dois. Isso é o dobro da semelhança entre o Hornet e o Super Hornet, que é de apenas 15% como eu já havia dito anteriormente.

    O F-22 deixa o Super Hornet no chinelo? Depende. Numa missão ar-superfície com carga máxima, até onde os dois podem ir? Qual o grau de furtividade das duas aeronaves com essa carga externa toda? Onde você colocaria o Harpoon no F-22? Cuidado com esse tipo de comparação.

    Abraços

  13. Poggio,

    estou comparando o F-22 com o Super Hornet em termos de tecnologia embarcada. São de gerações diferentes. E mesmo em termos de combate aéreo, o F-22 não daria tempo para o Super Hornet lançar o Harpoon. No mano a mano o Super Hornet não tem chance nenhuma contra um F-22, pode perguntar para o Bosco…hehehe

    Não estou me baseando em questões estéticas (ou melhor, de aparência), não. Eu acabei de falar que o avião é novo (eu não estou dizendo que o Super Hornet é um Hornet C com melhorias apenas, não é isso). A questão é de projeto mesmo. O avião é novo (não tem um parafuso igual, como vc disse), mas o projeto é um desenvolvimento do avião anterior. Acho que nós não estamos falando a mesma língua aqui…hehehe

    Vc acha que eu estou me baseando em aparência externa do avião e eu acho que vc está se baseando no desenvolvimento posterior dos aviônicos para determinar que se trata de um outro avião. Não é nenhuma coisa e nem outra: trata-se do projeto do avião. O projeto do SH foi desenvolvido a partir do projeto do Hornet. Não foi desenvolvido a partir do zero, a partir de um projeto “virgem”, de um papel em branco na frente do projetista etc.

    E isso tem considerações a serem feitas, que vão desde barateamento do projeto (e dos custos finais) até a rapidez com que ele pode ser feito, pois no começo, o SH, inclusive, usou a mesma aviônica do Hornet C. Isso barateia custos. Isso facilita um monte de coisa. E, é claro, tem os prós e contras.

    Seja como for, na maioria esmagadora dos estudos (que eu li pelo menos, todos americanos) sobre o Super Hornet, vc não vai achar coisa muito diferente disso aqui:

    “The multi-mission F/A-18E/F “Super Hornet” strike fighter is an upgrade of the combat-proven night strike F/A-18C/D. ”

    http://www.fas.org/programs/ssp/man/uswpns/air/fighter/f18.html

    Mas enfim, vc levantou um bom material sobre o SH. Aguardemos o post para ver como fica e conversamos por lá, depois.

    abração

    ps. Na minha avaliação, o Super Hornet foi uma solução “barata” e eficiente, encontrada pela US Navy, para ao mesmo tempo não deixar um buraco com a aposetadoria do F-4 Tomcat e não atrapalhar (em termos de $$$) o programa do F-35. Se os EUA fossem desenvolver um caça de quarta geração novo, partindo do zero, gastariam muito mais dinheiro e tempo, que certamente iriam fazer falta depois, no F-35 (que cada vez mais fica mais caro). Mas enfim…conclusão pessoal minha.

  14. Poggio,

    Deste jeito vai tirar o encanto da futura matéria.
    Mas, já que vc começou…

    Poggio, Hornet e Bosco,

    Meu entendimento é que o F-18 E/F Super Hornet é uma aeronave nova, quase totalmente diferente dos F-18 A/B/C/D Hornet.
    Contudo, como acontece inúmeras vezes com aviões e armamento em geral, uma aeronave foi largamente baseada na outra.

    Entretanto o Hornet (o intelectual, não o avião) levanta a tese de que, em que pese aviões diferentes (já é um avanço) são projetos seqüenciais, um baseado no outro, este foi meu entedimento.

    Para alimentar este debate gostaria de saber a opnião sobre alguns veículos e seus projetos bastante conhecidos e de sucesso:

    1º) Airbus A-300, A-310, A330 e A-350 – são obviamente aviões diferentes, mas como se enquadra a questão dos projetos? Será que são projetos necessariamente baseados no anterior?

    2º) MBT (Main Batle Tank) soviéticos/russos T-34, T-54, T-55, T-62, T-72 e T-90 – todos com característico perfil baixo, torres arrendondadas e suspenção Christie (sem roletes superiores de retorno), são tanques diferentes sem dúvida, mas seus projetos são sequenciais?

    3º) MBT (Main Batle Tank) americanos M-26 Pershing, M-47, M-48, M-60 Patton – são tanques realmente diferentes? São uma família do mesmo tanque? E seus projetos, houve apenas evolução?

    E então?
    Acho que pode ser a hora de definir conceitos para falarmos a mesma língua. Quem sabe?

    Abç,
    Ivan, o que se mete na conversa dos outros.

  15. Ivan,

    sobre os tanques eu me calo, pois não os conheço e não é minha praia de forma alguma (e nem aviões são minha praia, mas a gente engana…hehehe).

    Mas eu vou tentar explicar minha posição usando o que aprendi com o Castor (o engenheiro naval, do blog Naval).

    Se vc vai projetar um navio ou um avião novo vc parte sempre de uma base de dados já feita. Se vc quer um sub nuc, por exemplo, e vc não tem nenhum banco de dados de sub nuc, então vc precisa ou criar um (que demora mais), ou se basear em algum do vizinho (que é mais rápido e mais barato). No nosso caso, estaremos nos baseando no do vizinho…hehe

    Isso não quer dizer, necessariamente, que o nosso futuro sub nuc será um Barracuda. Mas é certo que usaremos a base de dados do Barracuda, ou mesmo da classe Rubi (enfim, não sou engenheiro naval, só estou tentando explicar minha linha de raciocínio), para projetarmos o nosso casco, do futuro sub nuc da MB.

    Muito bem. No caso do Super Hornet, o banco de dados estava voando e em operação na US Navy, e chamava-se (chama-se ainda) Hornet C, e não estava sendo contruído matematicamente por engenheiros, na “prancheta”. Muitas questões relativas à aerodinâmica, formato de asa e tudo o mais, já estava ali para ser, posteriormente, modificado. A eletrônica embarcada em muita coisa também já estava ali, voando na US Navy. Enfim, vc tinha um banco de dados muito concreto para trabalhar e remodelar, reprojetar etc.

    Isso quer dizer que o Super Hornet é a mesma coisa que o Hornet C, só que melhorado? Não é isso. Ele é um outro avião, mas seu projeto não é novo (no sentido de ser original, no sentido de ter sido criado a partir da “folha em branco”). O projeto do Super Hornet foi baseado em um projeto real e já existente: o Hornet C. Tal como vc escreveu em seu comentário acima.

    Aliás, salvo engano, esse tipo de procedimento é muito comum na aviação mundial. O projeto do Mirage, por exemplo, foi se desenvolvendo ao longo dos anos, sempre partindo do banco de dados do Mirage anterior. Do primeiro Mirage para o Mirage III, deste para o Mirage 2000 e assim por diante. O mesmo ocorre com o Flanker: do SU-27 para o SU-30, do SU-30 para o SU-35 etc.

    São banco de dados, ou seja, soluções de umn dado projeto aeronáutico (desde aerodinâmica até materiais componetes das estruturas) que vão se desdobrando, criando novas soluções e outros aviões, mas é claro que isso tem um limite. Mesmo um excelente projeto, como o Mirage, chegou no seu limite. Veja o primeiro Mirage construído e compare com o Mirage-5 (ou o -9). São aviões muito diferentes, mas partiram de um mesmo banco de dados, partiram de um mesmo projeto…projeto este que era muito bom no seu início, e pode ser desdobrado, pode ir se alterando ao longo dos tempos etc.

    Mas a relação que existe entre o F-18 Hornet e o Super Hornet, não é da mesma natureza da relação que existe entre o F-15 e o F-22.

    Entre o Hornet e o Super Hornet existe uma evolução de um projeto.

    Entre o F-15 e o F-22 existe uma revolução de projeto, ou seja – são projetos completamente distintos (ainda que alguns aviônicos sejam comuns entre um e outro etc.).

    Entre o Mirage III e o Mirage 2000 existe uma evolução de projeto. Entre o Mirage 2000 e o Rafale, uma revolução. Trata-se de um projeto novo.

    e assim vai.

    Não é por causa do nome do avião e nem da aparência (embora isso não seja de graça, principalmente a aparência, pois uma determinada solução aeronáutica está dada no design), mas o background de que vc parte é importante para entendermos a originalidade ou não de um projeto.

    Era mais ou menos isso que eu estou querendo argumentar.

    mas concordo com vc: deixemos essa discussão para quando o post estiver pronto, senão vai perder a graça…hehe

    abração

  16. I agree with Hornet.The Rafale is a brand new design and conception compared to the last Mirage 2000 version
    Wikipedia(not a 100% reliable source I know but still) mention that:
    “The Boeing F/A-18E/F Super Hornet is a 4.5+ generation[3] carrier-based multirole fighter aircraft. The F/A-18E single-seat variant and F/A-18F tandem-seat variant are larger and more advanced derivatives of the F/A-18C and D Hornet”

    So the word “derivatives” is the good one!
    Would be good to have 2 pictures side by side and compare it
    Then also make the same with the Rafale A 2006 and Rafale C 01 1991

  17. Hornet e Thierry,

    Dá uma olhadinha no que eu escrevi na matéria
    posterio Rafale na Marinha dos EUA
    Ivan em 23 jan, 2010 às 0:53

    Mas ou menos na mesma hora que vc escrevia apresentei uma idéia parecida.

    Mas a melhor maneira de colocar o assunto é entendendo os conceitos de evolução e revolução.

    Mas fica para depois,
    Ivan.

  18. Bem lembrado do Mirage 2000 Thierry,

    Mirage III e Mirage 2000, outro caso onde os aviões são parecidos. Até o nome é o mesmo, mas são aviões completamente diferentes. Este é mais um caso onde o visual engana.

  19. Poggio,

    O caso do Mirage III e Mirage 2000 é interessante.
    São aeronaves completamente diferentes, inclusive de gerações diferentes. Por dentro não tem nada a ver um com outro.
    Entretanto entendo que ambos partem do mesmo conceito básico, delta puro, monoturbina, com apenas uma deriva.

    Algo parecido acredito ter ocorrido com o Hornet e SuperHornet, aeronaves amplamente diferentes, mas com conceito básico iguais.

    As aeronaves são diferentes, mas o projeto do mais antigo serve de base para o segundo, que seria algo parecido com evolução.

    No caso francês a linha de desenvolvimento do Mirage chegou no limite de crescimento, principalmente para enfrentar as novas aeronaves (para a época) como MiG-29 Fulcrum, Su-27 Flanker e F-18 Hornet.

    Um detalhe:
    Com o advento da tecnologia Stealth, caças de 5ª geração, todos os caças atuais de geração 4.5 estarão inexoravelmente ultrapassados em 15 ou 20 anos, nos cenários de alta intensidade. Terão valor operacional para cumprir diversas missões, mas em ambientes com aeronaves furtivas ficarão comprometidas.

    Abç,
    Ivan.

  20. Ivan,

    Complementando seu comentário, uma coisa interessante na comparação dos Mirage 2000 e Mirage III, é que muita coisa da configuração interna é parecida, como posição dos tanques de combustível em relação às entradas de ar, o arranjo geral etc mas, nos detalhes de tudo isso, são realmente diferentes por dentro. Desde o comprimento da turbina em relação à fuselagem, algumas disposições de equipamentos mudando o centro de gravidade (fazendo do M-2000 uma aeronave mais instável o que, com o Fly-by-wire, permite manobrabilidade impressionante em relação ao Mirage III), posição das longarinas das asas e sua conexão com a fuselagem, carenagens que suavizam essa ligação externamente, uso de materiais compostos, nesses detalhes a semelhança fica realmente nesse conceito básico que você citou, de delta puro, monoturbina, com apenas uma deriva (aliás, acrescente canards ativos, mude a posição da asa para o meio e temos um Gripen. Acrescente canards ativos, coloque mais uma turbina, mantenha a asa na parte baixa e mude as tomadas de ar para baixo e… temos um Typhoon!) – vale a pena ver todas as diferenças em imagens em raio-x (cuttaway).

    O curioso é que outro membro da família Mirage, o F1, que é muito diferente na configuração geral (tem cauda convencional, asa enflexada e posicionada no alto da fuselagem ao invés de delta posicionado na parte baixa, nova disposição, em consequência, do trem de pouso principal), mesmo assim tem mais semelhanças internas e externas em sua fuselagem com o Mirage III do que o projeto seguinte, o Mirage 2000, tem com o F1, do qual é mais próximo temporalmente… Ou seja, o Mirage F1 em muitos aspectos tem uma evolução menos radical de várias soluções de projeto em relação ao III (do qual é tão diferente em configuração) do que o 2000 em relação ao próprio F1 ou o III, com o qual se assemelha…

    Isso é interessantíssimo de se observar nas imagens em raio-x, e bastante curioso.

    Saudações!

  21. Nunão,

    É vc ou Poggio que gosta do LIFT T-50 Golden Eagle?

    Bem, vc sabe que o trem de pouso principal deste LIFT desenvolvido com participação da Lockheed Martin é semelhante ao do caça F-16 Figther Falcon.

    Já parou para ver como ele lembra o trem de pouso principal do A-7 Corsair, que também foi usado no S-3 Vicking. Por sua vez o A-7 é derivado do F-8 Crusader.

    Enfim, é comum aproveitar soluções de sucesso para economizar no desenvolvimento de uma nova aeronave. Contudo quase sempre é uma nova aeronave que se constrói, mesmo no caso do F-8 para o A-7.

    Quanto ao Gripen, Typhoon e até mesmo o Rafale, são todos rupturas de projetos anteriores, todos os três partiram de demonstradores de tecnologia criados para agregar novos conhecimentos que se tornavam disponíveis, como por exemplo: fly by wire, centro de gravidade deslocado, instabilidade controlada, uso de canards, aviônica totalmente digital, datalink, integração de sensores entre outras.
    A semelhança de configuração dos três não é casual.

    Estes três, Gripen, Typhoon e Rafale foram revolucionários para suas indústrias (para seus países), pois quebraram sequência de desenvolvimentos em seus países de origem.

    Outro ponto digno de nota para estas três excelentes aeronaves é que surgiram (todas) para enfrentar os revolucionários MiG-29 Fulcrun e Su-27 Flanker, bem como concorrer com o F-18 Hornet.

    Bem, a gente continua a conversa depois.
    Abç,
    Ivan.

  22. Ivan,

    Se o Poggio gosta do Golden Eagle eu não sei (nunca perguntei pra ele), mas certamente eu gosto.

    Não é apenas o trem de pouso que é semelhante, há muitas soluções de engenharia aeronáutica do treinador que descendem do projeto do F-16, dado que este teve participação fundamental da LM, além do fato óbvio da KAI ter produzido o Falcon localmente, como parte da relação estreita (apesar de inúmeros percalços) entre as duas companhias.

    Mas um detalhe importantíssimo do Golden Eagle que difere, e muito, do Falcon, é o posicionamento da(s) tomada(s) de ar, alterando aspectos importantes da configuração interna e da aerodinâmica, e mesmo do citado trem de pouso, e que não podem ser ignorados. Vale lembrar também que a semelhança entre os modelos não é casual, é lógica: o F-16 é a espinha dorsal da Força Aérea Sul Coreana, e o treinador / lift prepara os pilotos justamente para pilotar o Falcon. O que não impede, de forma alguma, que seja utilizado para preparar pilotos para outros caças, é claro. E vale lembrar, também, que o F-16 é o que se chama de “benchmark”, emprestando suas características para diversos outros aviões de combate desenvolvidos depois.

    Sabe qual seria uma relação interessante para comparar, nesse assunto do aproveitamento de soluções de projetos, como é o caso da relação Golden Eagle / Falcon? A relação que existe entre AMX e Tornado. Tão diferentes em muitos aspectos, tão semelhantes em outros. Repare na profundidade da fuselagem (guardadas as proporções), na deriva, na aerodinâmica das asas (mesmo se tratando de enflexadas em um e de geometria variável em outro). Sem deixar de lado as óbvias diferenças, um olhar atento (não deixando de analisar também cuttaways das aeronaves) vai encontrar similaridades surpreendentes.

    Quanto ao Typhoon, Rafale e Gripen, certamente há muita ruptura, mas nos detalhes de vários componentes e soluções de engenharia, também podem ser encontradas continuidades, e não são poucas, com seus antecessores nas pranchetas e telas de CAD… Mesmo em aeronaves externamente radicais como F-22 e F-35, isso é uma verdade. Há o caso também citado do F-117, que empregava diversos componentes comuns ao F-18, como bem lembrou o Poggio, e não dá pra negar que o projeto rompe com inúmeras características do F-18 que lhe empresta tantas partes…

    Tudo isso para dizer que a discussão utilizando de maneira generalizada termos como ruptura, evolução e revolução serve para dar uma visão sintética, generalista do assunto, mas que o diabo mora nos detalhes – e é bom ao menos fazer referência a alguns deles. Porque é uma discussão que, se levada a ferro e fogo no aspecto generalista, pode gerar discussões duras como ferro e acaloradas como fogo, com argumentos que muitas vezes se atém a generalidades mas que pecam pela falta de profundidade.

    Saudações!

  23. Nunão,

    Prato cheio para um advogado!

    Se for para defender a tese da revolução de conceitos basta pegar as mudanças conceituais como as que já falamos…
    Typhoon com canards ativos!

    Se for para defender a tese da eterna evolução basta pegar os ítens do projeto que se repetem… o que sempre há.
    Typhoon com deriva parecida com o Tornado!

    Vc quer defender o que?

    Ka ka ka…

    Abç,
    Ivan.

  24. hehehehehehehe…

    Ivan, atualmente aqui eu só defendo o direito de todos debaterem esse tipo de coisa, entre outras.

    Em outras palavras, como editor, sou um defensor do debate, não exatamente dos pontos de vista que se digladiam no mesmo.

    O que não me impede de dar meu pitaco de vez em quando – como por exemplo o fato de gostar bastante do Golden Eagle, de suas características, de sua motorização e da sua vocação “guerreira” mais pronunciada que outras aeronaves do tipo, o que me lembra o A-29: mais uma aeronave de ataque utilizada para treinamento do que o contrário – creio que, entre os LIFTS, a família T-50, A-50 e F-50 é a que mais se aproxima disso, a se aguardar, obviamente, pela continuidade do programa.

    Mas isso é assunto para comentar em uma futura matéria voltando ao tema. Aqui o assunto ainda é as origens do Super Hornet, e não dos meus exemplos citados de preferências… De qualquer forma, é uma digressão a meu ver mais interessante do que discutir sucessão presidencial, por exemplo (e lá vou eu dando mais um exemplo…)

    Saudações!

    PS – só acrescentando que citei como exemplo de debate o do Golden Eagle justamente porque lembrei que ele não está no topo da sua (Ivan) lista de preferidos da categoria. Afinal, como defensor do debate, não custa nada fomentá-lo (ou provocá-lo) explorando uma leve divergência de opiniões…

  25. Nunão,

    Vamos deixar o Golden Eagle para momento certo… vai ser divertido.

    Quanto a questão da Revolução X Evolução já percebi que vc não é contra nem a favor, muito pelo contrário. He he he.

    Mas na brincadeira a questão é bem essa, pois a linha que delimita a Evolução da Revolução é, por vezes, difícil de medir. A minha tentativa de tratar do assunto é, no mínimo, atrevida.

    Acredito que uma aeronave passa a ser um projeto revolucionário quando ela cria novos conceitos e/ou aplica novas tecnologias.

    Vou tentar me explicar usando o exemplo do F-16:
    Seu projeto partiu de uma mudança de conceito, um caça leve, ágil, de baixo custo operacional, para enfrentar o enxame de MiGs que se apresentavam. Ao mesmo tempo utilizaria novos conhecimentos e tecnologia, como a instabilidade controlada por computador, comando fly by wire, entre outras. Seria Revolucionário, sim.
    Mas este mesmo conceito já se apresentava no mundo com diversas aeronaves que já estavam até obsoletas, como o Foland Gnat e MiG-17. Seria Evolucionário? Não. As rodas do trem principal eram as mesmas do Phantom. Seria Evolucionário? Não.

    Mesmo que os detalhes possam induzir a idéia de evolução é o conceito que norteou o projeto que vai determinar se a nova aeronave é revolucionária ou não.

    Mas a coisa pode complicar, e muito.
    Há outras aeronaves com conceitos aerodinâmicos claramente evolucionários que empregaram sistemas de armas revolucionários.
    “Viajei na maionese”? Talvez.
    Mas o Mirage 2000-9, aeronave aceita por quase todos nós (inclusive por mim) como evolução da distinta linha Mirage, empregou um sistema de armas (ao meu ver) revolucionário para a época, combinando Radar Pulso Dopler RDM (acho que era este) com mísseis ar-ar MICA, IR ou Radar Ativo, com capacidade fire and forget…
    E agora?

    He he he, tá complicado.

    Minha opção é me ater no projeto da aeronave, para verificar o quanto é evolucionário e o quanto é revolucionário.
    Enfim, é a ruptura do conceito que cria o degrau no crescimento científico, tecnológico ou simplesmente bélico.

    Abç,
    Ivan.

  26. Mas então, Ivan, o interessante do Mirage 2000-5 e do -9 é que, se empregam algo de “revolucionário” nos sistemas, é uma revolução engraçada… Isso porque trata-se de uma “revolução” (pra mim evolução) baseada em adaptar evolutivamente ao modelo um sistema de armas / displays no cockpit etc que foi criado para outra aeronave. Adivinha qual?

    Rafale.

    Seria então uma evolução de uma aeronave mais antiga baseada em sistemas que seriam uma revolução criada para uma mais nova? Ou uma revolução dentro de uma evolução, emprestada de um conceito talvez revolucionário (talvez não, se colocado em outro contexto mais amplo, da evolução / revolução tecnológica de sistemas de armas no mundo). Complicado né?

    Mas antes que eu fique meio chato nas minhas elocubrações, o que não gosto de fazer, e antes que você diga que não sou contra nem a favor muito pelo contrário do que se fala sobre essa discussão, digo que, na verdade, não vejo essa questão revolução x evolução nem como uma vantagen intrínseca nem como desvantagem para um projeto. Colocada assim, como questão principal, ela na verdade se transforma numa não-questão, algo que pode não levar a lugar algum. Há projetos ditos revolucionários que, operacionalmente, mostraram-se pífios. Há outros, ditos evolucionários, que fizeram a diferença na hora certa e duraram muito tempo…

    A evolução da tecnologia que desemboca em sistemas de armas efetivos e eficientes se faz tanto com projetos revolucionários quanto evolucionários. Os primeiros têm mais glamour ou “inspiração”, é certo. Os segundos têm mais sujeira de graxa e “transpiração”. A combinação de ambos os aspectos muitas vezes faz mais a diferença.

    Saudações!

  27. Nunão,

    Por mais incrível que possa lhe parecer, eu estou entendendo seu ponto de vista. He he he.

    Não pretendo me alongar muito neste assunto, mas a dificuldade de consenso acerca deste passa pela enorme velocidade de crescimento do conhecimento humano a partir do século XX, que cresceu exponencialmente nas últimas décadas.

    São tantas novas tecnologias que são criadas (e aplicadas) que fica difícil discernir o que seria revolucionário do evolucionário.
    Considerando que a ruptura como um conceito anterior e indicador de revolução, sendo portanto um degrau tecnológico, mas ao mesmo tempo reconhecendo a velocidade de crescimento do conhecimento como um indicativo de diversas pequenas (ou grandes) rupturas, ou pequenas revoluções, transformando diversos (inúmeros) degraus no que pode parecer uma curva.
    Mas uma curva é indicativo de uma evolução.

    Sei que minha visão parece estranha, mas meu ponto de vista é que as revoluções tecnológicas continuam a aparecer, mas a velocidade é tão grande, inclusive em aprimorar uma técnica nova, que fica a parecer uma evolução suave, sem se perceber os inúmeros degraus do crescimento.

    Abç,
    Ivan.

  28. Muito boa matéria, claro que o foco é o sh, e creio que por isso pegaram leve ao dizer ‘simpatia’ do ministro e no opval, uma consulta ao opval no DoD e vamos ler coisas pesadas contra o sh, inclusive autoridades da navy recomendando não o adotar.
    mas foi uma matéria muito legal, parabéns!

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