quinta-feira, abril 22, 2021

Gripen para o Brasil

Mensagem indica quebra do leme do Airbus-330 da Air France

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

cauda-a330

Uma mensagem automática enviada pelo Airbus-330 da Air France que caiu no mar domingo mostra que o leme do avião, peça aerodinâmica essencial para o voo, quebrou. A mensagem ocorreu no primeiro dos quatro minutos finais do AF 447, em que foram emitidos 24 alertas, indicando que um problema estrutural pode ter desencadeado o acidente com o avião que levava 228 pessoas.

A mensagem está nos alertas do voo que a TV France 2 divulgou anteontem, sem contestação da Air France ou das autoridades francesas –a quebra não foi identificada pela rede.

A Folha ouviu dois pilotos de Airbus e ambos foram assertivos sobre o potencial catastrófico do evento, suspeitando que ele foi provocado por alguma rajada violentíssima de vento.

Às 23h10, a primeira mensagem informa que há um CTL RUD TRV LIM FAULT. Traduzindo tecnicamente: falha no controle de limitação do curso do leme. Em português: o computador indica que o leme excedeu o limite que poderia mexer, ou seja, quebrou.

O leme é a parte móvel do estabilizador, a “asa” vertical que fica na cauda do avião e é responsável por evitar guinadas aerodinâmicas. O leme permite alterações no curso do avião.

Seus movimentos são limitados a 25% de inclinação no próprio eixo até 296 km/h nos Airbus. A partir dos 703 km/h, essa tolerância cai a menos de 4% devido ao potencial de dano estrutural ou de fazer uma manobra que tire o avião de controle. Quando saiu do controle de radar brasileiro, 22 minutos antes do registro do defeito, o AF 447 estava a 840 km/h.

É esse limitador que o computador aponta que falhou. Pior: como não é registrado defeito nos sistemas que controlam os motores elétricos que mexem o leme, os FAC, há a possibilidade de o estabilizador ter sido arrancado.

Nesse caso, o controle de um avião a 10,7 km de altura e a 840 km/h é quase impossível.

“Certamente houve algum dano estrutural à aeronave. Se ele foi pequeno ou grande, ainda não é possível afirmar. Mas é uma informação extremamente importante”, diz o engenheiro aeronáutico Adalberto Febeliano, ex-vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral e atualmente diretor da Azul.

Se o leme ou até o estabilizador quebraram, fica a dúvida: teria a tempestade sido tão violenta ou havia algum problema prévio em sua estrutura, que é das mais frágeis no avião?

Há sempre a hipótese de o computador ter falhado e informado incorretamente o defeito. O computador do A330 já havia causado quase-tragédias ano passado na Austrália por leitura incorreta de dados.

As mensagens seguintes já haviam sido exploradas. No momento em que o defeito no leme é apontado, o piloto automático e o acelerador automático do avião são desligados.

O sistema fly-by-wire, que evita que o piloto faça manobras muito perigosas, retira três das suas cinco salvaguardas. Em outras palavras, o avião vai para a mão do piloto.

Como disse um dos pilotos de Airbus ouvidos, a partir daí é “desespero” em um espaço muito curto de tempo, o que explicaria a falta de pedido de socorro.

O BEA (birô de investigação e análise), agência francesa que apura acidentes aéreos, dará entrevista hoje sobre o caso. Até aqui, só admitiu que havia tempo ruim na rota do AF 447 e que houve sinais divergentes nas medições de velocidade.

Isso está explicitado na mensagem das 23h12 que indicou incoerência no ADR, um dos três computadores que recolhem dados de velocidade, altitude e velocidade vertical (se o avião sobe, desce ou está alinhado). Isso levou à especulação corrente de que um sensor externo do Airbus da Air France teria congelado.

Já houve acidente com Airbus devido a problemas no leme. Em 2001, depois de perder o equipamento, aparentemente em razão de movimentos bruscos causados por turbulências, um A300 da American Airlines caiu sobre o bairro do Queens, em Nova York, matando 255 pessoas.

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FLIGHTER

A Força Aerea Brasileira acaba de informar ( 13:40 Hs )que foram achados corpos da vítimas do acidente com o Airbus A-330, e tambem restos, “confirmados”, da aeronave.
Grande trabalho da nossa força, mais infelismente não há sobreviventes, que se ache a caixa preta para que possa saber quem é o responsavel pelo acidente, pesames as familias.
Saudações.

Billy

A turbulência em 2001 foi causada pela “esteira” das turbinas d’um 747 que delocara logo à frente. A perda do leme foi causada pelo compreensível desespero do inexperiente co-piloto para controlar o airbus que se encontrava a baixa altitude. Em decorrência daquele acidente, o programa de treinamento, que era ineficiente, foi modificado paraque o piloto respondesse de maneira adequada à tais situações.

konner

De acordo com as informações prestadas pela Marinha e pela Aeronáutica, os vestígios do desastre foram descobertos a 69,5 km do local onde o Airbus A330 da Air France comunicou-se pela última vez. Foram encontrados dois corpos masculinos, uma poltrona azul com número de série, uma mochila com um cartão de vacinação e um bilhete com número de série.

A localização foi feita pelo avião-radar R99, no fim da madrugada deste sábado, 6. A tripulação da Corveta Caboclo recolheu corpos e os destroços.

Fonte: ESTADÃO

Rodrigo Cesarini

O piloto do acidente de 2001 utilizou um procedimento não indicado para a aeronave, onde ele alternava rapidamente a inclinação máxima para a direita e para a esquerda, a violência da manobra causou o colapso da estrutura.

Baschera

Costatados todos os possíveis problemas deste tipo de aeronave, além de um custoso recall, a industria poderá a ter o seu pior e talvez, irremediável problema : a falta de confiança do operador o do consumidor. Aposto que vão esconder ao máximo e pelo maior prazo possível isto.

Sds.

Tadeu

Eu mesmo, daqui para a frente, quando viajar de avião,na hora de comprar a passagem vou perguntar qual aeronave está realizando o vôo, dando preferência as opções de vôo sem o Airbus.

Além do aspecto de segurança. É uma forma de fazer pressão por melhorias na aeronave, muito efetiva, pois empresas tem a sua “consciência”, localizada no bolso…

Dodomaha

Que salada!
Misturaram A320 com A330. Quem tem FAC é o A320. A330 tem PRIM e SEC.
Esqueceram, também, que qualquer pane que tenha a ver com ADR, uma das primeiras coisas que vai pro saco, é o ruder travel limiter.
Nem tudo é tão preto no branco assim.

abraço.

AMX

“O leme é a parte móvel do estabilizador”

Leme é uma coisa, estabilizador é outra.
Tudo bem que não se pode querer que a imprensa seja especialista em todos os assuntos que aborde (aviação, no caso).
Mas essa confusão é multiplicada por leitores que não estão familiarizados com o tema e os termos.

Abraços!

Dodomaha

AMX,
Realmente, a confusão é aumentada por leitores. Mas infelizmente tem coisas que não podem ser “facilitadas” e esse blog é uma prova disso. Tem assuntos aqui que só pessoas “iniciadas” entendem.
No mínimo os caras acham que um A320 é igual a um A330 que deve ser igual a um 767.
São coisas BEM diferentes. Do 320 pro 330 há enormes diferenças. Acharam um piloto de 320 que deve pensar que é tudo igual.
Prestam uma desinformação.
Abraço.

FLIGHTER

A Força Aerea Brasileira acaba de informar ( 13:40 Hs )que foram achados corpos da vítimas do acidente com o Airbus A-330, e tambem restos, “confirmados”, da aeronave.
Grande trabalho da nossa força, mais infelismente não há sobreviventes, que se ache a caixa preta para que possa saber quem é o responsavel pelo acidente, pesames as familias.
Saudações.

Billy

A turbulência em 2001 foi causada pela “esteira” das turbinas d’um 747 que delocara logo à frente. A perda do leme foi causada pelo compreensível desespero do inexperiente co-piloto para controlar o airbus que se encontrava a baixa altitude. Em decorrência daquele acidente, o programa de treinamento, que era ineficiente, foi modificado paraque o piloto respondesse de maneira adequada à tais situações.

konner

De acordo com as informações prestadas pela Marinha e pela Aeronáutica, os vestígios do desastre foram descobertos a 69,5 km do local onde o Airbus A330 da Air France comunicou-se pela última vez. Foram encontrados dois corpos masculinos, uma poltrona azul com número de série, uma mochila com um cartão de vacinação e um bilhete com número de série.

A localização foi feita pelo avião-radar R99, no fim da madrugada deste sábado, 6. A tripulação da Corveta Caboclo recolheu corpos e os destroços.

Fonte: ESTADÃO

Rodrigo Cesarini

O piloto do acidente de 2001 utilizou um procedimento não indicado para a aeronave, onde ele alternava rapidamente a inclinação máxima para a direita e para a esquerda, a violência da manobra causou o colapso da estrutura.

Baschera

Costatados todos os possíveis problemas deste tipo de aeronave, além de um custoso recall, a industria poderá a ter o seu pior e talvez, irremediável problema : a falta de confiança do operador o do consumidor. Aposto que vão esconder ao máximo e pelo maior prazo possível isto.

Sds.

Tadeu

Eu mesmo, daqui para a frente, quando viajar de avião,na hora de comprar a passagem vou perguntar qual aeronave está realizando o vôo, dando preferência as opções de vôo sem o Airbus.

Além do aspecto de segurança. É uma forma de fazer pressão por melhorias na aeronave, muito efetiva, pois empresas tem a sua “consciência”, localizada no bolso…

Dodomaha

Que salada!
Misturaram A320 com A330. Quem tem FAC é o A320. A330 tem PRIM e SEC.
Esqueceram, também, que qualquer pane que tenha a ver com ADR, uma das primeiras coisas que vai pro saco, é o ruder travel limiter.
Nem tudo é tão preto no branco assim.

abraço.

AMX

“O leme é a parte móvel do estabilizador”

Leme é uma coisa, estabilizador é outra.
Tudo bem que não se pode querer que a imprensa seja especialista em todos os assuntos que aborde (aviação, no caso).
Mas essa confusão é multiplicada por leitores que não estão familiarizados com o tema e os termos.

Abraços!

Dodomaha

AMX,
Realmente, a confusão é aumentada por leitores. Mas infelizmente tem coisas que não podem ser “facilitadas” e esse blog é uma prova disso. Tem assuntos aqui que só pessoas “iniciadas” entendem.
No mínimo os caras acham que um A320 é igual a um A330 que deve ser igual a um 767.
São coisas BEM diferentes. Do 320 pro 330 há enormes diferenças. Acharam um piloto de 320 que deve pensar que é tudo igual.
Prestam uma desinformação.
Abraço.

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