domingo, novembro 28, 2021

Gripen para o Brasil

O que aconteceu com elas?

Destaques

Guilherme Poggiohttp://www.aereo.jor.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Republic Aviation Co. – Criada em 1939, a Republic na verdade era uma reorganização da antiga Seversky Aircraft Co., fundada oito anos antes. O primeiro sucesso comercial da empresa (desconsiderando o anterior Seversky P-35) foi o caça P-43 Lancer, uma aeronave muito parecida com o P-36 e com o Buffalo. A evolução do P-43 levou ao desenvolvimento do P-47 Thunderbolt, um caça-bombardeiro que dispensa maiores apresentações. Na era a jato a Republic produziu o F-84F Thunderstreak. O último caça produzido pela empresa foi o F-105 Thunderchief. Em 1965 a Republic foi adquirida pela Fairchild Aviation Co e tornou-se uma divisão daquela empresa.

Fairchild Aviation Co – Fundada em 1925 por Sherman Fairchild. Sem sombra de dúvida, um dos maiores sucessos da empresa foi o treinador PT-19 e seus derivados. Depois da guerra a companhia concentrou-se em aeronaves de transporte, criando o C-119 “Flying Boxcar” e o C-123 Provider e construindo sob licença o Fockker F-27. Na década de 1970, após incorporar a Republic, a Fairchild lançou o A-10 Thunderbolt II. Em 1996, após adquirir parte da Dornier alemã, tornou-se a Fairchild Dornier. O grupo foi adquirido pela M7 Aerospace em 2002.

Vought – Nasceu como “Lewis and Vought Corporation” em 1917 e mudou de nome em 1922 para Chance Vought Co. Nos seus primeiros anos de vida, o avião de maior renome foi o Vought O2U Corsair. Embora tenha sido adquirida pela United Aircraft and Transport Corporation em 1929, continuou atuando de forma independente. Durante a II Guerra Mundial, seu produto mais conhecido foi o F4U Corsair. Em 1954 a Vought separou-se da United Aircraft, voltando a ser novamente a Chance Vought. Na era a jato, alguns dos seus modelos ganharam grande destaque, como o F-8 Crusader e o A-7 Corsair II. Outros, no entanto (como o F7U Cutlass), foram uma decepção. Vendida novamente em 1962, ela passou a fazer parte do conglomerado LTV (Ling-Temco-Vought). Depois de alguns anos e várias reorganizações, a LTV vendeu parte da empresa (Vought Aeronautics) para o consórcio Northrop/Carlyle Group em 1992. Dois anos depois a Northrop Grumman comprou a outra parte da Vought da Carlyle e em 2000 a própria Carlyle comprou toda a Northrop Grumman. Atualmente a Vought ainda existe e participa de diversos projetos civis (como os Boeing 747 e 787 e a família Airbus) e militares como o V-22 e o C-17 (clique aqui e veja o website da Vought).

Grumman – A Grumman Aircraft Engineering Co. nasceu no final de 1929 e criou uma relação com a USN por várias décadas. A primeira encomenda da Grumman para a Marinha dos EUA foi o Grumman FF-1, um biplano criado na década de 1930. Durante a II Guerra Mundial seus projetos de aviões embarcados (como o F4F Wildcat, o F6F Hellcat e TBM Avenger) ganharam fama. No pós-guerra a Grumman desenvolveu diversos tipos de aeronaves. Variavam desde caças até aviões para emprego na guerra ASW. São tantos projetos de peso que fica difícil listar somente alguns. Apenas como exemplo: Panther, Cougar e Tiger, Tracker e Hawkeye, Intruder/Prowler e Tomcat. Em 1994, fruto das fusões e aquisições ocorridas na área de material de defesa após Guerra Fria, a Grumman fundiu-se com a Northrop, criando a Northrop Grumman Co., que existe até hoje.

Em outra oportunidade voltaremos a falar sobre antigas companhias aeronáuticas.

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Tiago Jeronimo

As fundições Republic sabiam construir aviões como ninguém. O f-105 era demais.

ramillies

Pelos vistos, o F-84 Thunderjet (modelos B/C/D/E/G) é o enteado da família Republic.

Uma coisa que nunca percebi é a atribuição da designação “Corsair II” ao A-7, quando o bicho é de facto o 3º Corsair da Vought. Vá-se lá entender a lógica que impera no Pentágono.

Fábio Max

– Lockheed fez fusão com a Martin, virou Lockheed-Martin.
– McDonnel-Douglas, também fruto de uma fusão, produzia os DC-10 e foi adquirida pela Boeing.

Nunão

Ramilies, pelo que sei uma particularidade da Vought é que várias aeronaves da companhia receberam o nome Corsair, talvez mais ligado à empresa que aos aviões, até que o F-4U ligou a alcunha mais a si que à Vought. Creio que é por isso que o A-7 teve que ser chamado de Corsair II.

AMX

Sabe-se que existem e existiram muitas, mas, como sugestão, poderia-se falar sobre companhias brasileiras e latino-americanas.
Abraços!

Poggio

Ramilies, repare que há um caso semelhante na Fairchild Republic. A Republic fez o Thunderbolt e depois a Fairchild Republic fez o Thunderbolt II.

ramillies

Nunão, de facto, além do F4U e do A-7, os biplanos O2U, O3U, XO4U e SBU também receberam o nome Corsair. Aliás, no site da Vought é dito que a USN designava o O3U de Corsair II (http://www.voughtaircraft.com/heritage/products/html/o3u-1.html). No entanto, eu suspeito que o nome do A-7 tenha a ver com as mudanças que o Robert McNamara introduziu no sistema de designações militares dos EUA. Por exemplo, “Helldiver” foi usado no F8C, no SBC e no SB2C sem sufixo numérico para distinguir entre os três tipos. Todos foram empregues antes do McNamara ser SecDef dos EUA, enquanto os aviões que… Read more »

Wolfpack

Fantástico, esta revisão histórica foi demais. Como é possível a um país dispor desta quantidade fantásticas de Companhias Aeronáutica. Difícil brincar com estes caras. O que nos remete ao famoso ditado que nos Estados Unidos tudo é possível. Você pode montar o projeto de um jipe no quintal de casa e participar (exagerando) de uma concorrência do Depart. de Defesa e se tornar fornecedor do Exercito, Marinha ou Aeronáutica, claro respeitando todas as exigentes normas MIL.

trackback

[…] dois artigos do Blog do Poder Aéreo a respeito: “O que aconteceu com elas? ” partes 1 e 2 (clique nos números para […]

Tiago Jeronimo

As fundições Republic sabiam construir aviões como ninguém. O f-105 era demais.

ramillies

Pelos vistos, o F-84 Thunderjet (modelos B/C/D/E/G) é o enteado da família Republic.

Uma coisa que nunca percebi é a atribuição da designação “Corsair II” ao A-7, quando o bicho é de facto o 3º Corsair da Vought. Vá-se lá entender a lógica que impera no Pentágono.

Fábio Max

– Lockheed fez fusão com a Martin, virou Lockheed-Martin.
– McDonnel-Douglas, também fruto de uma fusão, produzia os DC-10 e foi adquirida pela Boeing.

Nunão

Ramilies, pelo que sei uma particularidade da Vought é que várias aeronaves da companhia receberam o nome Corsair, talvez mais ligado à empresa que aos aviões, até que o F-4U ligou a alcunha mais a si que à Vought. Creio que é por isso que o A-7 teve que ser chamado de Corsair II.

AMX

Sabe-se que existem e existiram muitas, mas, como sugestão, poderia-se falar sobre companhias brasileiras e latino-americanas.
Abraços!

Poggio

Ramilies, repare que há um caso semelhante na Fairchild Republic. A Republic fez o Thunderbolt e depois a Fairchild Republic fez o Thunderbolt II.

ramillies

Nunão, de facto, além do F4U e do A-7, os biplanos O2U, O3U, XO4U e SBU também receberam o nome Corsair. Aliás, no site da Vought é dito que a USN designava o O3U de Corsair II (http://www.voughtaircraft.com/heritage/products/html/o3u-1.html). No entanto, eu suspeito que o nome do A-7 tenha a ver com as mudanças que o Robert McNamara introduziu no sistema de designações militares dos EUA. Por exemplo, “Helldiver” foi usado no F8C, no SBC e no SB2C sem sufixo numérico para distinguir entre os três tipos. Todos foram empregues antes do McNamara ser SecDef dos EUA, enquanto os aviões que… Read more »

Wolfpack

Fantástico, esta revisão histórica foi demais. Como é possível a um país dispor desta quantidade fantásticas de Companhias Aeronáutica. Difícil brincar com estes caras. O que nos remete ao famoso ditado que nos Estados Unidos tudo é possível. Você pode montar o projeto de um jipe no quintal de casa e participar (exagerando) de uma concorrência do Depart. de Defesa e se tornar fornecedor do Exercito, Marinha ou Aeronáutica, claro respeitando todas as exigentes normas MIL.

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