
A Força Aérea Francesa (Armée de l´air) divulgou entrevista com o Coronel Éric Bometon, segundo em comando na Base Aérea de Solenzara (BA 126, na Córsega). A seguir, alguns trechos da entrevista:
Coronel, qual é o seu papel na operação Harmattan?
Coronel Eric Bometón: Fui nomeado responsável pelos destacamentos de caça Mirage 2000 D, Mirage F1 e Rafale desdobrados na base aérea de Solenzara. Eu garanto a coordenação de suas atividades e o apoio necessãrio ‘a realização de suas missões. Além disso, sou o contato com o centro de coordenação das operações aéreas de Poggio Renatico, na Itália.
Qual o impacto dessa operação na base aérea?
Coronel Eric Bometón: Em menos de 48 horas, fomos capazes de receber vinte aeronaves de combate que aqui estacionaram, assim como todo o pessoal, em torno de 250. Inicialmente, o impacto foi absorvido pelas unidades de serviço operacional, que acolheu as aeronaves. Também tivemos que acomodar, alimentar o pessoal dos esquadrões e garantir o reabastecimento de combustível das aeronaves. Também implantamos uma rede de sistemas de informação e de comunicação. Na minha opinião, um ponto positivo da operação Harmattan é que a organização da base aérea provou toda a sua eficácia.
A base aérea de Solenzara está familiarizada com a recepção de esquadrões de caça, de passagem. Esta seria uma boa preparação para uma operação como a Harmattan?
Coronel Eric Bometón:É verdade que estamo habituados a campanhas de tiro e mesmo exercícios de grande porte. Por exemplo, nós acabanos de realizar este ano um exercício de quinze dias de duração, chamado Serpentex. Trata-se de um treinamento conjunto entre aliados e forças diferentes com o objetivo de colocá-los em condições operacionais para missões no Afeganistão. Acredito que toda essa cultura de recebimento, aqui na plataforma da Córsega, é o que proporciona uma capacidade de resposta desse tipo.

E no longo prazo, como a base vai aguentar esse tipo de operação?
Coronel Eric Bometón: Estamos entrando numa fase de encadeamento, visando a questão da fadiga do pessoal. Temos um aporte de reforços para lidar com esse aumento de atividade. O refeitório, por exemplo, fica aberto das cinco horas da manhã até as 22h30. Com nossa força de trabalho atual, temos dificuldade para fornecer esse serviço.
Hoje, a base dedica-se 100% à operação Harmattan, mas as missões cotidianas não podem parar! Por exemplo, o esquadrão de helicópteros está em alerta para a atividade aérea dos aviões de caça. Mas isso não o impediu de continuar seu trabalho na formação de resgate aeronaval e aeroterrestre. Concluo dizendo um muito obrigado ao pessoal da base de Solenzara. Sua motivação torna descenecessário dar ordens. Eles realizam seus trabalhos naturalmente, ajudando a apoiar os destacamentos. É daí que vem a nossa força!
FONTE / FOTOS: Força Aérea Francesa (Armée de l’air)
NOTA DO EDITOR: é interessante atentar-se aos detalhes do apoio a uma operação como esta, que podem ser percebidos tanto nesta entrevista, relacionada à Força Aérea Francesa operando a partir de uma base francesa da Córsega, quanto nas matérias relacionadas à operação da Força Aérea Sueca em uma base da Sicília. Detalhes como acomodação do pessoal, alimentação e até a importante questão do combustível ficam evidentes.
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