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Segundo reportagem do site ‘Aviation Week’, seria impossível envolver o Brasil nas negociações indianas, que também poderão ser bem mais longas que o esperado – já segundo o jornal indiano ‘Financial Express’, essas negociações também prometem ser difíceis – a pergunda do Poder Aéreo é: com os possíveis atrasos, haveria chances de outro país que não a Índia ser o primeiro a assinar, de fato, uma encomenda do caça?

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Matéria publicada no site Aviation Week na sexta-feira, 13 de abril, diz que as negociações do contrato do Rafale da Dassault na Índia prometem ser mais longas que o esperado. E também diz que especulações sobre uma possível negociação conjunta da Índia com o Brasil, relacionada ao Rafale, seriam infundadas.

Vamos começar pela questão das negociações indianas: segundo o Aviation Week, elas estariam praticamente paradas desde fevereiro, levando até a uma piada relativa às peculiaridades do sistema indiano de aquisição: “a única coisa pior do que perder seria ganhar”. E para a Dassault, segundo o site, parece que a realidade não está muito longe disso.

A reportagem diz que, desde o anúncio do Rafale como oferta de menor valor no programa MMRCA (avião de combate multitarefa de porte médio), que visa a aquisição de 126 caças, houve muito mais declarações do que ações. Foi em 31 de janeiro deste ano que o caça francês foi selecionado pelos indianos para negociações, em detrimento do Typhoon do consórcio Eurofighter. Mas as conversações estariam paradas desde o fim de fevereiro, devido a inquéritos que investivam alegações de manipulação do processo.

Após semanas de incertezas, o Ministro da Defesa do país, A.K. Antony, revelou na semana passada que o programa só iria avançar após todas as investigações terminarem e o ministério se mostrar satisfeito de que o processo de seleção foi idôneo.

Segundo o ministro A.K. Antony, “há pelo menos sete a oito níveis de investigação e processos a mais antes do contrato MMRCA ser assinado. (…) No momento, um inquérito está em andamento. Apenas após recebermos o relatório do inquérito, estudá-lo e ficarmos satisfeitos em relação a todos os processos terem sido seguidos infalivelmente, então o esforço de aquisição seguirá para o próximo nível.” (nota do editor: essas novas revelações do MD indiano contrastam com outras que diziam que as conversações continuavam, em paralelo com as investigações – o que teria que aguardar o final da investigação era a entrega do processo para o Ministério das Finanças. Já a matéria da Aviation Week parece trazer um fato novo, de que o processo estaria parado dentro do próprio Ministério da Defesa, o que pode ser comprovado ou não por mais declarações do ministro).

O inquérito está sendo realizado devido a uma carta recebida pelo ministro, menos de um mês após a escolha do Rafale, pelo parlamentar  M. V. Mysura Reddy do comittê de defesa, solicitando uma investigação no processo de seleção.

Inicialmente, autoridades indicaram que a questão do favorecimento ao Rafale apenas resultaria numa resposta sumária para satisfazer as preocupações do legislador, mas talvez o processo caminhe para algo mais extenso. Formalmente, as negociações entre a Dassault e o Governo Indiano já começaram, mas, segundo a reportagem, os negociadores dos dois lados não teriam se encontrado nenhuma vez sequer devido à investigação relacionada ao pedido do parlamentar, de acordo com autoridades próximas aos procedimentos.

Segundo uma fonte da Dassault, a empresa está esperando para ver se pode ajudar com informações: “Trabalhamos com a Força Aérea e a Defesa Indiana por anos, e estamos confiantes de que entregamos todas as informações necessárias, e estamos totalmente complacentes com o processo de seleção. O Rafale foi selecionado porque é o melhor avião, apoiado pelo melhor pacote industrial.” Só que, segundo a matéria da Aviation Week, os atrasos estão começando a preocupar o cliente, especialmente o comandante da Força Aérea Indiana, o marechal do ar Norman Browne.

Sobre as especulações de uma negociação conjunta com o Brasil

O Governo Indiano extinguiu as especulações de que a Índia e o Brasil, em conjunto, iriam negociar com a Dassault um preço melhor em comum para o Rafale. Segundo o ministro da Defesa Antony, “isso é impossível e não pode acontecer nunca.” O Brasil deve fazer uma escolha entre três concorrentes ao seu programa F-X2, o Rafale da francesa Dassault, o F/A-18E/F da norte-americana Boeing e o Gripen da sueca Saab.  Logo após a seleção do Rafale pela Índia, uma visita ao país do ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, levantou especulações de que uma parceria estava em curso, mas isso foi desmentido como uma mera coincidência.

A empresa mais ansiosa para ver as negociações do MMRCA saírem dos trilhos é o consórcio Eurofighter, que na reta final perdeu a disputa para a francesa Dassault (nota do editor: vale lembrar que a reportagem da Aviation Week tem a colaboração de um articulista em Londres, Robert Wall, e a proposta do Typhoon é apoiada fortemente pelo Governo Britânico). Uma autoridade do consórcio disse durante a recente feira de defesa indiana Defexpo: “Como L2 (o ofertante da segunda oferta de menor valor), nós levamos a sério a nossa responsabilidade. Há uma grande preocupação de que a Força Aérea Indiana não deveria sofrer de nenhuma forma devido a atrasos. Eles precisam de suas aeronaves o quanto antes.”

Mas nem tudo está parado, segundo a reportagem: a empresa aeronáutica estatal indiana HAL (Hindustan Aeronautics), que vai produzir sob licença 108 das aeronaves vencedoras do programa MMRCA, requisitou ofertas para uma nova instalação de projeto e fabricação em Bangalore, para a nova linha de produção.

As negociações prometem ser duras, segundo jornal indiano

O Financial Express, do grupo Indian Express, publicou neste sábado (14 de abril) um artigo assinado por Huma Siddiqui, dizendo que as negociações prometem ser duras para a Dassault. Isso porque os negociadores indianos, tendo em vista o alto custo desse contrato, procurarão garantias contratuais firmes, tendo em mente também de que a encomenda é um caso de “vida ou morte” para o Rafale, buscando extrair o máximo de benefícios da empresa. A encomenda indiana reforça muito o peso da Dassault no mercado de caças mundial, porém, a empresa já viu diversas possibilidades de exportação escaparem por entre os dedos, diz o jornal.

O processo de negociação, segundo as normas estabelecidas na competição indianas, promete ser longo e árduo para os dois lados. O programa vem com um conjunto de condições que o vencedor precisa cumprir, e as negociações incluem a configuração da aeronave, custos precisos, entrega de offsets (compensações) e transferência de tecnologias.

O contrato final só deverá ser assinado no próximo ano fiscal, e nada está acertado até que a assinatura seja realmente colocada no papel. A Dassault já sofreu um revés em novembro do ano passado, quando uma encomenda esperada há muito para os Emirados Árabes Unidos (EAU), envolvendo 60 aeronaves, foi perdida “nos acréscimos do segundo tempo”. Na ocasião, o príncipe Sheikh Mohammed bin Zayed, comandante supremo das Forças Armadas dos EAU, disse que as condições do contrato eram “impraticáveis e não competitivas”.

Segundo o Financial Express, recentemente o caça francês perdeu na Suíça uma concorrência para o Gripen, da sueca Saab. Antes disso, sofreu derrotas em concorrências na Holanda e Coreia do Sul (2002), Singapura (2005), Arábia Saudita (2006) e Marrocos (2007). Por anos, a Dassault também vem tentando estabelecer uma “cabeça de ponte” no Brasil, incluindo um esforço de lobby de alto nível, por parte do presidente francês Nicolas Sarkozy. O grande avanço conquistado com a seleção indiana atraiu a atenção brasileira, e recentes notícias do Brasil indicam que o país está “bastante inclinado” a escolher o Rafale para reequipar sua Força Aérea, ao invés dos concorrentes F/A-18 Super Hornet da Boeing e Gripen da Saab. Uma fonte brasileira disse à Reuters que “o acordo da Índia mudou tudo. Com a decisão indiana, é muito provável que o Rafale seja o vencedor aqui.”

Críticas mudando de foco no país de origem

A Dassault também passava por críticas na França, parte delas relacionadas ao alto custo da aeronave, mas estas pararam após a seleção indiana. Porém, agora as críticas mudaram de foco. Para entender: de acordo com uma recente revisão do Senado Francês a respeito do orçamento de defesa de 2012 do país, o programa total do Rafale para a França compreende 286 aeronaves, das quais 180 são encomendas firmes.  Incluindo os custos de desenvolvimento, o valor total do programa está em 43,56 bilhões de euros. Dividindo-se o custo total pelo número de aeronaves, o Senado calculou o preço de cada Rafale em 152,3 milhões de euros, o que na moeda indiana equivale hoje a  Rs 990 crore.

A partir daí, a seleção do Rafale como a oferta de menor valor na Índia foi o estopim para um novo debate na França: se a empresa ofereceu seus caças à Índia com um grande desconto para conseguir um sucesso de exportação desesperadamente perseguido, quem vai financiar a diferença de preço? O contribuinte francês? Se uma reportagem do periódico satírico francês de centro-esquerda “Le Canard” pode ser levada a sério, a França espera recuperar o baixo custo vendendo, a preço cheio, vários adendos, como bombas, mísseis e foguetes para o Rafale. (nota do editor: quando do anúncio da vitória do Rafale na Índia, o site RFI destacou que a manchete do satírico “Le Canard” remeteu a uma situação que hoje, às vésperas das eleições francesas, foi direto ao ponto: ” L’Inde sur le point d’acheter 126 Rafale, mais Sarko reste sur un siège éjectable !” – A Índia está prestes a comprar 126 Rafale, mas Sarkozy continua no assento ejetável).

Na Índia, segundo o Financial Times, isso levanta questões sobre o tipo de aeronave que os franceses ofereceram e o que está incluído no pacote. E os negociadores indianos deverão olhar todos os detalhes do contrato para evitar pagar a mais pelo caça. A recente compra de 500 mísseis MICA da MBDA e a modernização de meia-vida da frota indiana de caças franceses Dassault Mirage já vêm sendo criticadas devido aos altos custos. Os negociadores também deverão prestar atenção aos detalhes de transferência de tecnologia e de implementação dos offsets (compensações) ligados ao setor de defesa, o que somaria aproximadamente 5 bilhões de dólares em investimento na Índia – transferências de tecnologia costumam ser algo que não excita fabricantes de armas.

O que se espera, segundo o jornal indiano, é que os negociadores do país tenham em mente a grande importância desse contrato para o fabricante, para extrair dele o máximo de benefícios para a Índia.

A hora de perguntar aos leitores do Poder Aéreo

Com todas essas complicações descritas acima, que segundo as duas publicações podem atrasar a assinatura do contrato indiano, perguntamos ao leitor do Poder Aéreo: será que o Rafale poderá encontrar um outro cliente externo que assine antes uma encomenda definitiva? Não se tem ouvido muitas novidades dos Emirados Árabes Unidos mas, aqui no Brasil, o ministro da Defesa espera que uma decisão do Programa F-X2 seja tomada ainda neste semestre. Na hipótese dessa decisão ser pelo Rafale (que diversas vezes nos últimos anos foi apontado como o favorito aqui, por autoridades do Governo Brasileiro), será que as negociações de um contrato (que envolve bem menos aeronaves) poderia ser mais rápida que na Índia?

Na nossa opinião, se já foi dito que a escolha do Rafale pela Índia aumentou muito as chances do caça no Brasil, também pode-se dizer algo no sentido oposto: nesse contexto de dificuldades na Índia, uma escolha do Rafale pelo Brasil, nos próximos meses, poderia ajudar na assinatura definitiva do contrato indiano, cujo valor é muito maior.

FONTES: Aviation Week e Financial Express (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Força Aérea Francesa (Armée de l’air)

Colaborou: Maurício R

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Centro deverá iniciar atividades até o final do ano – em coletiva à imprensa, a presidente da Boeing Brasil, Donna Hrinak, disse que iniciativa visa o longo prazo, sem relação direta com o programa F-X2 da FAB – executivo Al Bryant, que liderou o estabelecimento dos centros da empresa na China e na Austrália, é o responsável por implantar o do Brasil

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Nesta terça-feira, 3 de março, a Boeing anunciou que vai abrir no Brasil um Centro de Pesquisa e Tecnologia Aeroespacial – o centro brasileiro será o sexto que a empresa mantém fora dos Estados Unidos, e a expectativa é que esteja estabelecido até o final deste ano.

As informações foram dadas em coletiva de imprensa em que a presidente da Boeing Brasil, Donna Hrinak, apresentou o executivo responsável pela implantação do centro brasileiro: trata-se do vice presidente da Boeing Pesquisa e Tecnologia do Brasil, Al Bryant, que liderou o estabelecimento de dois outros centros do tipo no mundo, o australiano e o chinês.

O Poder Aéreo esteve presente à coletiva realizada em São Paulo (SP), e traz mais detalhes sobre o que foi apresentado à imprensa.

O motivo de abertura desse centro, segundo a Boeing, é firmar a presença de longo prazo da empresa no Brasil. Donna Hrinak frisou que essa iniciativa está em consonância com os planos da presidente da República Dilma Rousseff, onde os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e engenharia estão entre as prioridades.

Para ressaltar o compromisso com o desenvolvimento tecnológico, Hrinak lembrou-se de que, quando assumiu a presidência da empresa no Brasil,  uma amiga lhe disse que o nome Boeing é usado praticamente como sinônimo de avião de passageiros por muitos brasileiros. O que ela deseja no futuro é que o nome no Brasil seja sinônimo de tecnologia, não só de aviões.

Já Al Bryant procurou frisar que a Boeing não faz sozinha a pesquisa que gera seus produtos, procurando abrir centros de pesquisa fora dos Estados Unidos, cada um atuando em áreas específicas da tecnologia, embora com alguns pontos em comum. Os centros funcionam como “hubs” de colaboração entre a Boeing e as organizações de P&D dos países, o que inclui universidades, empresas privadas e agências governamentais, e esse mesmo modelo deverá ser implementado no Brasil.

O primeiro centro global foi aberto em Moscou, na Rússia, há 18 anos, seguindo-se o da Europa (em Madri, na Espanha, em 2002), da Austrália (Melbourne e Brisbane, em 2008), Índia (Bangalore, em 2009) e China (Beijing, em 2009).

As principais áreas de pesquisa e desenvolvimento desses centros globais já estabelecidos são:

  • Rússia: tecnologia de materiais e processos, aeronáutica e testes;
  • Europa: ambiental, segurança, gerenciamento de tráfego aéreo, sistemas aéreos não tripulados;
  • Austrália: materiais compostos avançados, sistemas aéreos não tripulados, robótica leve, tecnologias para aeronaves em processo de envelhecimento, soluções centradas em rede;
  • Índia: análises de engenharia, programas (software), materiais e processos;
  • China: biocombustíveis, materiais, gerenciamento de tráfego aéreo, tecnologias de aviação “e-Enabled”.

Para o Brasil, as áreas sugeridas são: biocombustíveis, gerenciamento de tráfego aéreo, metais e biomateriais avançados, tecnologias de apoio e de serviços.

Bryant, que liderou a implantação do centro chinês (além do australiano), destacou algumas similaridades entre o que se pretende pesquisar no Brasil e o que é pesquisado na China. A mais óbvia é a área de biocombustíveis e de gerenciamento do tráfego aéreo, que buscam a instalação de centros de aviação sustentável – os dois aspectos são interligados pois, enquanto a pesquisa de biocombustíveis é uma iniciativa para o emprego de fontes renováveis de energia, a pesquisa na área de gerenciamento de tráfego aéreo busca uma maior conservação do combustível, evitando queimas desnecessárias tanto no solo (em filas para decolagem) quanto no ar (em esperas para o pouso).

Bryant ressaltou que, embora existam similaridades, as pesquisas na China e no Brasil deverão ter alguns focos mais específicos dentro dessas áreas, lembrando que no ano passado (em julho), já foram anunciados planos em conjunto da Boeing com a brasileira Embraer, para financiamento de pesquisa em biocombustíveis sustentáveis. Em 2011 também foi assinada (em outubro), uma carta de intenção com a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para um estudo detalhado visando o estabelecimento de uma “indústria de produção e distribuição de combustível de aviação bioderivado, sustentável e economicamente eficiente.”

Sobre a área de pesquisa de novos materiais, trata-se de uma iniciativa focada ainda mais no longo prazo. Deverão ser pesquisadas, tanto em ligas metálicas quanto em biomateriais, as possibilidades para ampliação da reciclagem dos materiais. Já sobre as tecnologias de apoio e de serviços, Bryant lembrou a grande presença dos produtos Boeing (aviões comerciais) no Brasil, para explicar que nessa área um dos objetivos está relacionado aos meios de tradução de documentação técnica para esse público crescente, ampliando a disponibilização de informações detalhadas em português (a maior parte é hoje em inglês).

Em geral, os objetivos são pesquisar em áreas-chave para a Boeing, fazer pesquisa no Brasil e para o Brasil, além de pesquisa para comercializar no mundo o que é desenvolvido aqui. Sobre pesquisas relacionadas à área militar, o executivo explicou que as tecnologias a serem desenvolvidas visam o emprego dual. Como nos demais centros, na medida em que a pesquisa se torna madura, ela se ramifica para o emprego das tecnologias em aeronaves comerciais e militares, passando então para áreas distintas que completam o desenvolvimento.

Mas ficou claro que é na área de biocombustíveis e materiais sustentáveis que deverá estar o principal foco do centro. O executivo disse que a relação com a Embraer está dentro do escopo do centro, pois o “centro de pesquisa conjunto Boeing/Embraer” estará coordenado com o novo centro de pesquisa e tecnologia da empresa no Brasil.  O peso dessa área ficou claro, na apresentação da Boeing, pelo destaque dado ao final à aeronave que deverá voar em breve no Brasil, o 787. Um dos objetivos é conseguir, no futuro, que esse avião voe completamente abastecido com biocombustível, de forma a ser a aeronave “mais verde” do mundo e com o valor mais alto de eficiência com o combustível (fuel efficiency).

Investimentos, material humano e prazos:

Bryant espera que, até o final deste ano, o centro esteja formalmente ativado. No início, trata-se de trazer engenheiros da própria Boeing para o Brasil, de forma a iniciar as tratativas com universidades, empresas e agências governamentais e traçar um “roadmap” (planejamento). Ele citou o caso dos demais centros, que costumam começar as atividades com 14 engenheiros da empresa, podendo chegar a 30 como no caso do maior deles, o da Austrália – mas essa equipe lida com atividades que envolvem diversos outros pesquisadores e, com o passar do tempo e a consolidação das relações, numa segunda fase podem ser instalados laboratórios.

O executivo lembrou também que na Austrália, onde está a maior quantidade de engenheiros da Boeing no centro local, a empresa mantém as instalações que mais empregam pessoas fora dos Estados Unidos (perto de 2.000 funcionários), beneficiando-se da pesquisa que é realizada naquele país.

O investimento para o centro brasileiro, nesta fase inicial, deverá seguir a média dos demais: entre 4 e 5 milhões de dólares anuais, o que não inclui os gastos com a instalação física do mesmo. O centro deverá ser instalado na cidade de São Paulo / SP.

Mas e o F-X2?

Mas o que a maioria dos jornalistas queria saber, na coletiva, era sobre a relação entre o anúncio da implantação desse centro e o programa F-X2 da Força Aérea Brasileira, em que a Boeing  concorre com o caça F-18 Super Hornet. Donna Hrinak afirmou que não há ligação entre o centro e o F-X2, dizendo que esse último é apenas um dos negócios pretendidos pela Boeing no Brasil – o centro é algo maior, cobrindo tanto a parte comercial, de projetos militares, de pesquisa, e vai além de qualquer decisão que o Governo Brasileiro tome em relação ao programa dos caças. “O Centro visa o longo prazo, é para gerações”, disse a executiva.

Hrinak também afirmou que, quando foi nomeada presidente da Boeing Brasil, em outubro do ano passado, seu superior lhe disse que sua principal atribuição aqui não era vender o F-18, e sim “estabelecer a empresa no longo prazo”. E, para isso, o que a executiva destacou como mais importante e atrativo era a competitividade do Brasil para a Boeing. Apenas em relação ao recente acordo com a Elbit / Aeroeletrônica para o desenvolvimento da tela de grande área (LAD – large area display), que deverá equipar novas versões do F-18 Super Hornet, a executiva tocou de forma mais direta no F-X2, mostrando um ponto em que poderá haver uma relação com a pesquisa do novo centro: essa parceria com a Elbit está relacionada às parcerias brasileiras com o F-X2, segundo Hrinak. Ela se relaciona sim com pesquisa e desenvolvimento, mas é de um outro programa de participação industrial, podendo no futuro ter ou não conexão com o centro.

Obviamente que, encerrada a coletiva, o assunto F-X2 continuou em pauta para 9 entre 10 jornalistas presentes, que “cercaram” Hrinak num lado da sala para mais perguntas relacionadas ao programa – mas ficou claro que naquele momento não sairia nenhum “furo” de lá, mesmo porque todos estavam ouvindo as mesmas respostas.

Aproveitando a relativa calma ao redor de Al Bryant, o Poder Aéreo conversou um pouco mais com o executivo. A maior parte do trabalho de implantação do centro brasileiro começará em maio, quando Bryant deverá se estabelecer definitivamente no País.  O executivo, que acumula 34 anos de trabalho na Boeing, ainda traz bem vivas as experiências de implantação do último centro, na China, confessando que a língua é um dos grandes desafios num trabalho que, antes de tudo, é de relacionamento.

Nesse caminho (e essa é uma interpretação nossa), acaba fazendo sentido que uma das linhas de atuação do centro seja justamente relacionada aos meios de tradução de documentação técnica, na medida em que, segundo a empresa, o Brasil é o mercado de aviação comercial que mais cresce na América Latina, com previsão de adquirir mais de 1.000 aviões nos próximos 20 anos. Um mercado que, na nossa opinião, merece que a maior parte da documentação técnica disponibilizada seja em bom e claro português.

Especificamente com relação à língua, o executivo disse que espera dominar melhor, em breve, o seu conhecimento de português para leitura, pois já tem familiaridade com o espanhol. Aproveitamos a ocasião para desejar que, logo que isso ocorra, ele possa fazer também uma boa leitura do exemplar da revista Forças de Defesa que recebeu, escrito em português.

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Convite foi feito quando Índia apresentava várias ofertas de cooperação com o Brasil

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 Na reunião bilateral entre Brasil e Índia, na Hyderabad House, o governo indiano informou à presidente Dilma Rousseff que caso ela opte pela compra dos caças Rafale, a exemplo do que a Índia fez, os indianos estão interessados em estabelecer uma parceira tecnológica com os brasileiros, para montarem um projeto conjunto de transferência de tecnologia. De acordo com a oferta, a disposição do governo indiano é de transferir informações que eles recebam em relação ao Rafale, e os três países – Brasil, Índia e França (fabricante do avião), poderiam, então, trabalhar juntos em um projeto de parceria tecnológica.

O convite foi feito no momento em que a Índia apresentava várias ofertas de cooperação com o Brasil, em diferentes setores, por um dos ministros indianos, que participaram da reunião ampliada. A presidente Dilma, no entanto, não deu nenhuma resposta aos indianos, ou teceu qualquer comentário mais detalhado sobre o tema. “Nem cabia ela comentar. A oferta foi feita no momento em que a Índia apresentava proposta de parceria em várias áreas e esta seria apenas mais uma delas”, contou um integrante da delegação brasileira que estava presente à reunião. “Eles ofereceram cooperação e o Brasil ainda vai analisar isso”, confirmou outro interlocutor da presidente.

O Brasil não quer discutir o tema compra de 36 caças para Força Aérea Brasileira antes do mês de maio. Oferta semelhante o governo indiano já havia feito para o ministro da Defesa, Celso Amorim, durante visita que ele fez à Índia, em fevereiro.

A presidente Dilma Rousseff, ao sair de uma reunião com empresários na tarde desta sexta-feira, questionada pelos jornalistas se tinha discutido a compra dos Rafale com a Índia, preferiu ficar em silêncio.

Escândalo indiano

Um escândalo tomou conta da imprensa indiana, nos últimos dias, envolvendo a compra dos caças. O próprio comandante do Exército Indiano, general V.K. Singh, encaminhou uma carta diretamente ao ministro da defesa, ministro da Defesa da Índia A.K. Antony, denunciando que havia irregularidades na compra de diversos equipamentos de defesa, que iam de caminhões e chegavam aos caças e a situação crítica de falta de munição e outros meios para a força defender o País.

A Índia sofre com graves problemas de corrupção. Ocorre que a carta do general vazou para a imprensa, o que irritou profundamente o ministro que prometeu “punição máxima” para quem vazou a carta, justificando que quem fez isso é “um traidor da Pátria”, conforme relatou o jornal The Times of India.

FONTE: Estadão (reportagem de Tânia Monteiro)  FOTO: Dassault

Colaborou: AS Bueno

NOTA DO EDITOR: o Poder Aéreo já havia trazido para os leitores informações a respeito das investigações indianas, com notícias dos mesmos meios citados pelo Estadão (Wall Street Journal e  Times of India) na matéria de ontem “MD indiano diz que negociação do Rafale levará mais oito meses“. E há tempos o assunto não era novidade para os leitores do Poder Aéreo, pois já trazíamos as informações sobre as investigações indianas nas matérias do dia 13 de março “‘Dogfights’ políticos: caças do governo e caças da oposição” e de 18 de fevereiro “MMRCA: processo de escolha é questionado”. Também trouxemos para o debate notícias do Deccan Herald e da Flight Global, na matéria “Rafale: membros do MD Indiano levantam objeções sobre custos do ciclo de vida”.

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Presidente estuda possível parceria com os indianos para diminuir custos da aquisição do caça francês

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Igor Gielow

A presidente Dilma Rousseff vai aproveitar sua viagem à Índia para estudar a possibilidade de comprar o caça francês Dassault Rafale numa negociação que envolva os dois países. Os indianos escolheram o modelo em uma concorrência para a compra de 126 aviões no começo deste ano. O Rafale também é oferecido ao Brasil, que pretende adquirir 36 unidades -um negócio que se arrasta desde 2001.

Dilma, que está na Índia para encontro dos Brics, vai questionar o governo indiano sobre detalhes da compra, que ainda está em fase inicial e pode ser revertida. Segundo a Folha apurou, Dilma quer saber se é possível e vantajoso ao Brasil virar parceiro de Nova Déli caso também escolha o Rafale.

O ministro Celso Amorim (Defesa)*, que esteve na Índia no mês passado, disse ao Planalto que as condições de venda do Rafale são melhores na Índia, o que é natural dada a escala do negócio: aqui, são 36 unidades, contra os 126 lá. No Brasil, a compra tem valor estimado em no mínimo R$ 10 bilhões. Na Índia, é especulado o dobro ou mais. Mas não é correto distribuir preço por unidade, porque a encomenda maior barateia custos.

Os indianos têm requisitos de transferência tecnológica que implicam a construção do avião no país, como eles já fazem com o caça pesado russo Sukhoi-30. A concorrência F-X2, do Brasil, tem a mesma pretensão. A Dassault anunciou que, vencedora, poderia montar 30 dos 36 aviões no Brasil. Só que depois da escolha indiana, analistas questionam se o fabricante francês teria como fazer duas operações industriais desse porte no exterior. Uma linha única, transformando o Rafale num caça franco-indo-brasileiro, é especulada.

Por outro lado, o F-X2 é um programa de capacitação da indústria. Tão importante quanto ter um caça novo é absorver tecnologias sensíveis como materiais compostos e sistemas aviônicos sofisticados. Tanto a Dassault como suas concorrentes, a Boeing americana com o F-18 e a Saab sueca com o Gripen, assinaram acordos com fornecedores nacionais para formar uma cadeia produtiva gravitando em torno da associação entre a empresa estrangeira e a Embraer.

A Boeing ainda aposta numa campanha de marketing que culminará na visita de Dilma aos EUA em abril. Já a Saab, preferida técnica da FAB, corre por fora.

FONTE: Folha de São Paulo, via Notimp

NOTA DO EDITOR: vale lembrar que Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, foi anteriormente ministro das Relações Exteriores, e a declaração de uma outra autoridade do  ministério já chefiado por Amorim está sendo citada em matérias da mídia internacional, que repercutem notas da AFP (via Yahoo) e da MercoPress (clique nos links para acessar). Trata-se de declaração de Maria Edileuza Fonteneles Reis, citada como autoridade sênior do ministério das Relações Exteriores: “A troca de ideias, impressões” sobre o Rafale “é certamente benéfica para nós”. No site do Itamaraty, a embaixadora é identificada como Subsecretária-Geral Política II. No caso da nota da AFP também é informado que, segundo autoridades, a discussão sobre o Rafale é um item “no topo da agenda” da visita presidencial à Índia.

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Nesta quinta-feira, a Dassault divulgou à imprensa um crescimento de 10% em lucro (net profit) em 2011, chegando a 536 milhões de dólares e expressou confiança nas vendas externas do caça Rafale. As informações são da AFP.

Na apresentação de seus resultados de 2011 companhia afirmou que, “no que se refere a aeronaves militares, há oportunidades decisivas (…) referentes ao Rafale e a drones”. O chefe executivo da Dassault, Charles Edelstenne,  louvou as qualidades do Rafale da Dassault, que foi selecionada pela Índia para modernização de sua frota de caças e está em negociações exclusivas para uma grande encomenda de 126 aeronaves, a um custo estimado de 12 bilhões de dólares.

Ainda segundo a nota da AFP, o Rafale, jato no estado da arte desenvolvido pela Dassault para substituir o Mirage, até o momento só foi vendido para as Forças Armadas Francesas. A Dassault também está competindo por um contrato de 36 caças no Brasil.

Porém, o difícil mercado de jatos executivos levou a uma queda nas entregas do jato Falcon, da empresa, e a uma queda nas vendas da ordem de 21%, ou 3,3 bilhões de euros. Para a companhia, “uma recuperação do mercado de aviação está em andamento, mas não é certa.”

Edelstenne disse que, embora no ano passado os negócios tenham sido bons na China e na América do Sul, os mercados dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio ainda têm que reagir.

FONTE: AFP, via Economic Times (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

NOTA DO EDITOR: clique aqui para acessar, na página da Dassault, todos os informes divulgados nesta quinta-feira com os resultados da empresa.

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Acompanhar o andamento do Projeto A-Darter (míssil), com visitas ao Grupo de Acompanhamento e Controle na África do Sul (GAC-AFS) e às empresas do grupo DENEL, além de assinar um Memorando de Entendimento (MoU) com o Council for Scientific and Industrial Research (CSIR), foram os propósitos da missão à África do Sul do Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ailton dos Santos Pohlmann, acompanhado pelo Chefe do Subdepartamento Técnico do DCTA, Brig Wander Almodóvar Golfetto, e pelo Chefe da Subdiretoria de Defesa do IAE, Tenente-Coronel-Aviador Marcelo Franchitto, que esteve naquele país no período de 5 a 9 de março.

Dentre as diversas atividades, a comitiva teve a oportunidade de conhecer as dependências do GAC-AFS, organização do DCTA subordinada à Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) que tem a missão de apoiar a gestão contratual e assessoria técnica relativa às atividades de transferência de tecnologia dos contratos entre o Comando da Aeronáutica e a empresa sul-africana Denel Dynamics. A comitiva também participou de reuniões com o efetivo do GAC-AFS, com oficiais generais e representantes do Armament Corporation of South Africa (ARMSCOR), órgão responsável pela aquisição de material de defesa do Ministério da Defesa Sul-africano, além do Directorate Air Force Acquisition (DAFA), órgão da estrutura daquele Ministério da Defesa.

Na ocasião, foi possível conhecer a metodologia de gerenciamento de projetos, aquisição de materiais de defesa e o processo do ciclo de vida dos produtos militares realizada pelo Ministério da Defesa sul-africano. Durante as visitas às dependências da empresa Denel Dynamics, houve a oportunidade de acompanhar as atividades das equipes de engenheiros do Comando da Aeronáutica e das empresas Mectron, Avibrás e Opto Eletrônica, que trabalham em parceria com a Denel Dynamics, no desenvolvimento do míssil A-Darter e nas atividades de transferência de tecnologia.

A comitiva ainda visitou o Council for Scientific and Industrial Research (CSIR), onde um importante Memorando de Entendimento (MoU) foi assinado entre o DCTA e o CSIR, o que representa uma maior aproximação entre pesquisadores das duas instituições em projetos de pesquisas de interesses comuns.

Conheça o projeto A-DARTER

O A-Darter é um míssil ar-ar de curto alcance, com imageamento infravermelho, de alta manobrabilidade e de quinta geração. O que confere características de visada do “seeker” de 180º, engajamento antes ou após o lançamento (LOAL/LOBL), designação pela aeronave (radar ou capacete) e contra-contra-medidas.

O Comando da Aeronáutica assinou o contrato de desenvolvimento com a ARMSCOR, em 2006, o que prevê a participação de engenheiros da FAB e empresas brasileiras (Avibras, Mectron e Opto Eletrônica). A ótima interação entre engenheiros brasileiros e sul-africanos é o fator-chave de sucesso para a conclusão do desenvolvimento deste projeto de muitos desafios tecnológicos, previsto para o final de 2013.

Pesquisa – Durante a visita, o DCTA assinou o Memorando de Entendimento (MoU) com o CSIR, documento que representa uma maior aproximação entre pesquisadores das duas instituições em projetos de pesquisas de interesses comuns. As principais áreas em cooperação de pesquisas, cobertas são:

  • Medidas e modelamento em infravermelho;
  • Medidas de assinatura infravermelho e aplicações;
  • Treinamento, workshop e cursos acadêmicos;
  • Calibração de sensores para aplicação em ensaio em vôo;
  • Treinamento em calibração de sensores de satélites;
  • Metodologia de medidas de assinatura espectral e padronização;
  • Treinamento em Sistemas de Informações Geográficas (GIS);
  • Cooperação em calibração e validação de alvos de referência;
  • Processamento hiperespectral e radar de abertura sintética (SAR); e
  • Análise aeroelástica.

Nas palavras do Chefe da Subdiretoria de Defesa do IAE, Tenente-Coronell Franchitto, o memorando de entendimento significa um marco após quase seis anos de tratativas entre pesquisadores de ambas as instituições, que identificaram pontos comuns nas pesquisas e benefícios mútuos para a colaboração. O documento significa que pesquisadores de ambas as instituições estão autorizados a detalhar projetos de cooperação em áreas pré-estabelecidas.

FONTE: FAB (ACS/DCTA)

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Em concorrências internacionais para aquisição de aviões de caça, programas que normalmente chamam a atenção do público principalmente pelos grandes recursos financeiros envolvidos, os “dogfights” na arena política são mais do que comuns.

Tem sido assim na Suíça, onde a escolha do Governo e das Forças Armadas daquele país, reforçada por uma coletiva de imprensa e por notas  oficiais, vem sendo alvo de um debate político onde a oposição chega a incluir grupos que são contra qualquer aquisição de aviões de caça (clique nos links para acessar matérias já publicadas a respeito).

Nesses debates, obviamente, as qualidades do caça escolhido pelo governo são esquecidas pela oposição, que busca reunir o máximo de defeitos (e se possível com algum exagero) para atacar uma decisão governamental.

Na Índia, parece que não está sendo diferente.

Reportagem desta terça-feira do Asian Age (clique para acessar) traz detalhes sobre carta de M.V. Mysoora Reddy, parlamentar que é membro do partido de oposição indiano Telugu Desam Rajya Sabha, ao ministro da Defesa da Índia A.K. Antony, a resposta deste e a réplica de Reddy, que dá a entender que sua oposição à escolha do Rafale pela Força Aérea Indiana continuará contundente.

Em 27 de fevereiro, Reddy enviou uma reclamação ao ministro dizendo: “Autoridades do Ministério da Defesa violaram o processo de avaliação e chegaram (por manipulação) a uma decisão incorreta como L-1 (oferta de menor valor) a respeito do avião Rafale produzido pela França. Sou levado também a entender que o Rafale não vendeu ainda para nenhum outro país. Por que a Índia deveria comprar uma aeronave de combate que nenhum outro país já comprou? Na Líbia, na guerra contra Gaddafi, o Rafale falhou em missão de bombardeio de precisão e finalmente o Typhoon foi introduzido. Os Emirados Árabes Unidos também rejeitaram o Rafale.”

Ele exigiu que o inquérito seja completado em 30 dias, que aqueles que manipularam o processo de avaliação sejam punidos e que o avião que foi “realmente” o L-1 seja comprado. Em sua resposta, o ministro Antony disse: “O Ministério foi solicitado a examinar todos os pontos levantados pelo senhor Mysoora Reddy.”

Reagindo à decisão do ministro da Defesa, o parlamentar respondeu: “Como poderia eu ficar quieto, como um parlamentar de oposição cumpridor de meus deveres, quando chegou ao meu conhecimento que houve uma manipulação no processo de avaliação das ofertas para um contrato de defesa estimado em 12 bilhões de dólares, e que é capaz de chegar a 18 bilhões? Agradecendo ao ministro Antony por ter ordenado o inquérito, Reddy disse: “Penso que é minha responsabilidade patriótica requerer ao ministro da Defesa por um inquérito a respeito disso, já que acredito que o ministro Antony tem uma impecável integridade. Eu apelo a ele que permita uma investigação minuciosa, de uma forma transparente, de maneira que o país não sofra perdas alocando um contrato para uma empresa ineficiente.”

E como será no Brasil?

Como se vê, nessas duas recentes competições internacionais que envolvem aeronaves que também participam do programa F-X2 da Força Aérea Brasileira, as disputas entre governo e oposição a respeito de escolhas ainda prometem novos lances. Quem acompanha o atual programa de aquisição de novos caças do Brasil, que vem se estendendo há pelo menos três mandatos presidenciais (incluindo o finado F-X, são pelo menos quatro se somarmos um mandato da atual oposição), sabe que o debate político por aqui tem colecionado polêmicas, antes mesmo de qualquer decisão ser anunciada em definitivo.  Como ficará esse debate se um dia for realmente anunciado um vencedor para o F-X2, seja ele o concorrente norte-americano da Boeing, o francês da Dassault ou o sueco da Saab?

FOTOS: Força Aérea Francesa, Forças Armadas da Suécia e Marinha dos EUA

Obs: as fontes originais de informações desta matéria, e de matérias anteriores que foram citadas, podem ser acessadas a partir de links destacados no próprio texto.

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Brasil e Cabo Verde vão aprofundar a cooperação nas áreas de defesa e segurança. O estreitamento da cooperação foi acertado nesta sexta-feira (09/03) pelos ministros da Defesa, Celso Amorim e Jorge Tolentino, durante reunião na Escola Superior de Guerra.

Para Amorim, a decisão poderá aumentar a segurança na região do Atlântico onde está situado o país africano. “Meu desejo é que essa parceria contribua também para a paz e a segurança no Atlântico”, disse o chanceler brasileiro.

Situado na Costa Ocidental da África, a cerca de 300 quilômetros do Senegal e da Guiné-Bissau, quase no meio do Atlântico, o que lhe confere uma posição estratégica, Cabo Verde enfrenta, atualmente, problemas com organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas e de pessoas.

“Há uma firme disposição do governo do meu país de combater essas organizações”, afirmou o ministro Jorge Tolentino, destacando a necessidade de apoio do Brasil e de outros países nesta missão.

Jorge Tolentino mostrou interesse na experiência brasileira nas áreas de segurança marítima e de busca e salvamento. No encontro desta sexta ficou acertado que o Brasil dará apoio técnico e científico a Cabo Verde para o levantamento da plataforma continental do país. Ainda neste ano, terão início as negociações para esse trabalho.

A Marinha brasileira já fez levantamento semelhante da plataforma da Namíbia e está trabalhando no projeto de Angola, informou a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa. Foi acertado ainda que uma missão da Marinha brasileira visitará Cabo Verde para discutir possibilidades de cooperação nas áreas de pessoal e de equipamentos navais.

O ministro Celso Amorim manifestou a intenção do governo brasileiro de doar aviões Bandeirante para auxiliar no patrulhamento da costa de Cabo Verde. Ele ressaltou, porém, que o processo de doação depende de aprovação do Congresso Nacional, além de preparação das aeronaves pela FAB (Força Aérea Brasileira).

Também participaram da reunião os comandantes das três Forças Armadas: almirante Júlio Soares de Moura Neto, da Marinha, general Enzo Peri, do Exército, e brigadeiro Juniti Saito, da Aeronáutica.

Neste sábado (10), a delegação chefiada pelo ministro da Defesa de Cabo Verde deverá visitar a base do Exército no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Eles querem conhecer como, na prática, uma operação coordenada por uma força armada consegue garantir a segurança de uma comunidade carente.

FONTE: Opera Mundi, via Notimp

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Renata Giraldi

Brasília – A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) deverá participar de licitação promovida pelo governo dos Estados Unidos para a compra de 20 aviões militares. A indicação foi dada hoje (2) pelo subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, durante encontro com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Na conversa, Burns mencionou que as “portas não estão fechadas” para o Brasil no que se refere à negociação de US$ 355 milhões para a compra dos aviões.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes, considerou “positivo” o tom da conversa entre Patriota e Burns e disse que o subsecretário americano destacou o “novo momento bilateral que vivem o Brasil e os Estados Unidos”. Segundo o embaixador, Burns reiterou que o “Brasil é efetivamente um parceiro estratégico” para os norte-americanos.

“O clima foi cordial e franco”, disse Tovar. O porta-voz negou que a decisão dos Estados Unidos de suspender o contrato de compra de aviões da Embraer tenha gerado mal-estar com o Brasil. “[A decisão norte-americana] não foi um ato hostil, não foi para fechar portas, disse Burns. Não há desconforto. Não existe desconforto. Existe a surpresa. A surpresa passou”, disse o embaixador.

Ontem (1º) Burns havia informado que existe possibilidade de ser revista a decisão que suspendeu a compra de 20 aviões militares modelo A-29 Super Tucano, com valor de cerca de US$ 355 milhões. Em nota, o Itamaraty informou ontem (1º) que recebeu com “surpresa” a decisão norte-americana. O governo dos Estados Unidos decidiu cancelar a compra no dia 28.

“O governo brasileiro recebeu com surpresa a notícia da suspensão do processo licitatório de compra de aviões A-29 Super Tucano pela Força Aérea dos Estados Unidos, em especial pela forma e pelo momento em que se deu”, disse o comunicado do Itamaraty.

A nota alertou que a medida pode atrapalhar as relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos. “[O governo brasileiro] considera que esse desdobramento não contribui para o aprofundamento das relações entre os dois países em matéria de defesa. O governo brasileiro continuará a manter diálogo com as autoridades norte-americanas sobre o assunto”, diz a texto. (Edição: Nádia Franco)

FONTE: Agência Brasil

Matéria publicada pela UPI (United Press International) na terça feira, 14 de fevereiro, diz que o Brasil tem esperanças de que a crise financeira atual dará uma vantagem ao país sobre os fornecedores que competem no seu programa F-X2, ajudando a garantir um acordo mais barato para a aquisição de até 36 caças.

O Brasil pretende substituir caças obsoletos, incluindo os franceses Mirage, na primeira linha do inventário de sua Força Aérea, como parte da tão falada competição F-X2, estimada em 8 bilhões de dólares. Negociadores brasileiros já teriam recebido ofertas francesas com descontos que chegariam a 2 bilhões de dólares em relação ao preço total, no caso do Brasil escolher o francês Rafale, da Dassault.

Outros fabricantes competidores oferecem outros incentivos e “amaciadores”, que incluem maiores transferências de tecnologia na montagem e fabricação do caça escolhido. O Brasil espera que o contrato permita construir as fundações de uma indústria aeroespacial avançada. A fabricante brasileira Embraer compete com diversos dos competidores do F-X2 em outras áreas, incluindo jatos de passageiros e aviões militares de transporte tático.

O país anunciou há três anos a sua intenção de adquirir substitutos para sua frota envelhecida de jatos, mas adiou a decisão para este ano. A França era considerada favorita para vencer o contrato multibilionário, mas a norte-americana Boeing (que compete com o F-18 Super Hornet) iniciou a identificação de indústrias brasileiras que poderia contratar no caso de ser a vencedora. Já foi dito que alguns comandantes brasileiros estariam favoráreis ao JAS-39 Gripen NG, argumentando que a sueca Saab oferece opções de transferência de tecnologia atrativas.

O Brasil deu baixa em um esquadrão de caças Mirage III que comprou na década de 1980 (sic) e os substituiu, a partir de 2006, por 12 Mirage 2000C de segunda mão. A aviação de caça de primeira linha da Força Aérea Brasileira é largamente considerada como obsoleta, e pronta para substituição.

Analistas dizem que o adiamento do F-X2 deve-se principalmente à política interna e à transição do presidente anterior,  Luiz Inácio Lula da Silva, para a presidente atual,  Dilma Rousseff. Mas também dizem que as condições econômicas e um mercado global de defesa florescente, em disputa por clientes, parecem estar trabalhando a favor do Brasil.

Autoridades brasileiras disseram que o país não estaria com muita pressa de assinar um contrato se pode esperar para garantir melhores condições de preço e de transferência de tecnologia. Os comandantes militares estão confortáveis com o inventário intermediário de aviões de combate do país, que incluem os jatos de ataque subsônicos AMX, produzidos em parceria com a Itália, com os turboélices Super Tucano fabricados no Brasil, utilizados para vigilância e contra-insurgência, e com os P-3 Orion reformados , empregados na patrulha costeira.

FONTE: UPI (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Boeing, Dassault e Saab (incluindo as utilizadas na fotomontagem da abertura da matéria, que segue a ordem alfabética dos fabricantes)

NOTA DO EDITOR: retiramos do texto um erro grave da matéria original, que se soma à década errada de aquisição dos Mirage III e ao fato de não fazer qualquer menção aos F-5 modernizados quando diz que a aviação de caça de primeira linha da FAB é obsoleta (ou talvez, na opinião internacional, eles não sejam dignos de nota, vai saber): a matéria dizia que seis fabricantes disputavam o F-X2, sem fazer referência à “short list” que deixou apenas três competidores, Boeing, Dassault e Saab.

A reportagem não traz nada de muito novo, mas como surge na mídia internacional em meio a notícias de outras competições importantes (Índia e Suíça), e provavelmente vai repercurtir em outros países, achamos que vale a pena ser debatida para trazer para o lado brasileiro as discussões mais pautadas por outras disputas. Publicamos também porque dá a deixa para uma pergunta aos leitores: vocês acham que o Brasil pode conseguir algum “desconto” no contrato do F-X2, como diz a matéria?

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Boa pergunta. Você pode tentar descobrir clicando nas imagens para acessar os sites da Rafale International que promovem o caça em cada país. Depois, volte aqui para compartilhar o que encontrou de diferente ou de comum no que há de público nas ofertas.

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A opinião está numa análise de Reuben F. Johnson para a Jane’s. Segundo o extrato do artigo, a decisão japonesa pelo F-35 para o seu programa F-X foi baseada em considerações diferentes das que norteiam outras grandes disputas de caças no mundo.

As duas maiores ainda abertas, o programa MMRCA (avião de combate multitarefa de porte médio) da Índia e o F-X2 do Brasil, vêm se estendendo por anos, seguindo os critérios principais de nível de transferência de tecnologia, participação industrial de empresas locais e compensações (offsets) comerciais.

A ênfase do Brasil na transferência de tecnologia vai ainda mais longe que outras competições, com o requerimento de que “os benefícios do programa tenham impacto por toda a economia, não apenas na esfera da defesa” de acordo com um diplomata brasileiro familiarizado com a competição.

Em contraste, o processo decisório japonês se baseou mais no desempenho de combate e na interoperabilidade com os Estados Unidos e outros países aliados vizinhos, do que em benefícios industriais. O custo de aquisição e do ciclo de vida também foi um fator menos importante para o Japão.

As considerações operacionais de longo prazo do Japão foram de que os Estados Unidos, a Coreia do Sul, Cingapura e Austrália deverão, no futuro, estar voando o F-35. Assim, a Força Aérea de Autodefesa do Japão quer interoperabilidade total com esses países.

FONTE: Jane’s  FOTO: jsf.mil

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Nesta segunda parte, as apresentações sobre o emprego do CDC (Centro de Desenvolvimento de Capacidades) na África do Sul, desenvolvendo soluções principalmente para as Forças Armadas e para as necessidades da Copa de 2010

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Como parte da apresentação do“Centro de Desenvolvimento de Capacidades”(CDC – Capability Development Centre), ferramenta que a sueca Saab e o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) planejam instalar no Brasil, foi feita a apresentação do general reformado Piet Verbeek, das Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF).

Na apresentação realizada na tarde de quinta-feira passada, 24 de novembro, Verbeek mostrou o uso do CDC para desenvolver soluções governamentais do setor de segurança, por parte da Saab Systems Grintek. O sistema foi usado como ferramenta para demonstrar conceitos e cenários aos clientes governamentais, estabelecendo bases para integração, testes e avaliações, como blocos que vão sendo montados conforme a necessidade. Ele mostrou a arquitetura do CDC sul-africano, como um showroom, com ambiente de laboratório e de sessões de planejamento. Foi constituído, com o sistema, um Centro de Projeto e Validação (DAV – Development and Validation), usado como fonte de conhecimento para desenvolver soluções ao longo do ciclo de vida de produtos e apresentar operações (militares, por exemplo) a representantes de organizações do governo e das Forças Armadas, em auditório instalado a milhares de quilômetros de distância do local da ação.

Outra iniciativa sul-africana que utilizou o CDC para sua concretização foi o IDE do Governo da África do Sul (Interoperability Development Enviroment – ambiente de desenvolvimento de interoperabilidade) apresentada por Hennie Harris, com foco na criação de parcerias para dirigir e examinar novas soluções em sistemas e serviços de informação e comunicação. O IDE é utilizado, por exemplo, pelas Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF), para a tomada de decisões de vários níveis relativas a novos produtos de defesa, indo da plataforma em si ao plano estratégico, passando pelo tático e o operacional.

O objetivo do IDE é alinhar doutrina e desenvolvimento de sistemas, de forma que todos os envolvidos compartilhem o mesmo cenário, a mesma situação. Foi citado o “spin off”(benefício gerado) de que a Força Aérea Sul-Africana pôde começar a estabelecer sua doutrina no produto antes mesmo que ele estivesse pronto, o que contribuiu para evitar erros que poderiam gerar gastos de milhões.

Especificamente em relação à implantação do CDC para desenvolver sistemas como o IDE, Johan Swart da Saab ressaltou que, quanto mais cedo a ferramenta envolve o futuro usuário, melhor. Lembrou de quando foram desenvolvidas as primeiras telas sensíveis ao toque para aviões de caça, quando o futuro usuário (piloto) não havia sido envolvido logo no início do projeto. Depois, houve dificuldades básicas devido ao uso de luvas pelos pilotos. Afirmou que, com a ferramenta CDC, o usuário poderia ser envolvido de forma mais participativa desde o início, em reuniões com projetistas e outros tomadores de decisão.

Em relação ao desenvolvimento de sistemas de comando e controle para a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, foi desenvolvido com o auxílio do CDC o “Sistema de Visualização Operacional Conjunta” (JOPS – Joint Operating Picture System). O CDC foi utilizado para demostrações à FIFA e a outros atores envolvidos, assim como para o desenvolvimento do JOPS.

Com o desenvolvimento gradual do JOPS, de forma a se adequar à “contagem regressiva” para a Copa das Confederações de 2009 e a Copa do Mundo do ano seguinte, foram realizados exercícios, mostrando a diferença entre o tempo normal para se entender uma situação de crime e a necessidade de perceber isso em tempo real, para uma reação imediata, baseado em informações trazidas por diversas fontes. A reação precisa ser imediata num evento do tipo, para evitar, por exemplo, que uma aeronave que represente potencial ameaça entre no espaço aéreo restrito de um estádio de futebol, quando já é tarde demais para uma ação que evite danos colaterais (abater a aeronave nas proximidades de um estádio pode ter conseqüências trágicas para o público no solo).

O ponto básico do desenvolvimento do JOPS, a partir do CDC, é que não havia tempo hábil para se desenvolver novos sistemas e produtos de defesa do zero, então era necessário utilizar sistemas existentes e de procedência diversa para compor o cenário comum (common picture) de terra, ar e mar. Outro ponto destacado é que o uso do CDC em um país é muito mais interessante quando se tem uma necessidade real para a qual devem ser desenvolvidas e testadas soluções, como foi o caso da Copa de 2010.

Ao final, um exemplo diferente de sistema para compartilhar informações e tomar decisões, desenvolvido por uma universidade sueca

Finalizando as apresentações daquela tarde, foi feita a exposição de uma ferramenta que vem sendo desenvolvida pela Universidade Chambers de Tecnologia, em Gothenburg, na Suécia. Trata-se do sistema “Collaborative Tabletops”(literalmente, mesas colaborativas). Apesar de também focar a visualização e interação de grandes cenários por várias pessoas, não foi mostrado como um sistema diretamente ligado ao CDC. Porém, representa uma das oportunidades de parceria de desenvolvimento conjunto de pesquisadores suecos e brasileiros – a Chambers foi uma das instituições que assinaram carta de intenção, naquele mesmo dia, para a viabilização de bolsas de estudo na Suécia para pesquisadores do Brasil, trabalho que vem sendo intermediado pelo CISB.

Segundo o responsável pela coordenação do projeto na Chambers, Morjen Fjeld, as “Collaborative Tabletops” procuram retomar os princípios das grandes “situation rooms” (salas de situação) dos sistemas de comando e controle utilizados desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1970, que utilizavam miniaturas e hastes de controle sobre grandes mesas (clique nas imagens acima para ampliar). Era o caso, por exemplo, da grande mesa onde se visualizava a disposição dos esquadrões de caça ingleses e dos atacantes alemães durante a “Batalha da Inglaterra”, em 1940.

Esses sistemas “analógicos” e de interação física foram sobrepujados pelo desenvolvimento da informática e seus monitores verticais para visualização individual, mas a Chambers procura trazer de volta o princípio de interação horizontal para que as pessoas possam monitorar situações e coordenar ações, agora com o uso da informática.

A principal utilidade prevista é de Defesa Civil, na coordenação de resposta para desastres, monitoramento de situação em grandes eventos etc, com a interação de atores que podem estar em salas a quilômetros de distância. Os princípios básicos de projeção, acompanhamento da movimentação das mãos sobre a tela sensível ao toque, num ambiente tridimensional que também pode ser projetado e oferecer interação na vertical (como “lousas”) já foram provados como conceito em protótipos. Agora, a Chambers está testando novas ferramentas de interação e o barateamento do sistema, usando componentes “de prateleira” e até projeção por meio de aparelhos celulares.

NOTA DO EDITOR: mais uma vez, informamos que o objetivo desta série de matérias mostrando algumas das apresentações realizadas no “Open Innovation Seminar” de São Paulo (para o qual fomos a convite da Saab) é colocar o leitor do Poder Aéreo “por dentro” do que é discutido e apresentado em eventos que focam em parceiras entre outros países e o Brasil, na área de Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. Eventos ligados principalmente ao setor aeroespacial e para os quais apenas uma pequena parcela dos milhares de leitores deste site tem acesso.

Foi o caso, também, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil, em que estivemos presentes ao painel “Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial” a convite da Thales / Omnisys. São assuntos como esses que queremos continuar a divulgar e promover a discussão, nos três sites e na revista Forças de Defesa, como mais um dos diferenciais na nossa linha editorial. Para ver outras matérias já publicadas sobre esses eventos, clique nos links a seguir. Boa leitura a todos.

VEJA TAMBÉM:

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A frase resume o espírito da segunda metade do painel ‘Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial’, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil. Acompanhe a última parte desta matéria exclusiva do Poder Aéreo.

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Após as apresentações de nomes de peso no mercado internacional como EADS, Embraer, Thales e Arianespace, Bruno Gallard, presidente da EADS América do Sul e moderador do painel, fez uma afirmação bastante reveladora para quem representa uma grupo do porte da EADS: “Grandes empresas passaram a ser grandes integradoras, e o potencial de crescimento da cooperação tecnológica e da inovação Brasil – França está nas pequenas empresas. É nelas que se deve buscar o necessário para inovar, com subcontratados de alto padrão”.

Foi a deixa, logo após a apresentação de um nome com presença importante no mercado aeroespacial, a Hutchinson, para que se iniciassem as apresentações de polos de competitividade que reúnem várias empresas de alta tecnologia do setor – todas de origem francesa e que procuraram mostrar onde está a inovação em suas atuações e nas oportunidades conjuntas com o mercado brasileiro. De maneira breve, vamos mostrar os pontos principais apresentados pela Hutchinson e pelos polos de competitividade Pégase, Optitec e ViaMéca.

Hutchinson Aeroespace – apresentação do vice-presidente Norbert Langlois

Boa parte da apresentação de Langlois buscou mostrar a visão da empresa em agregar valor, transformando materiais básicos em produtos competitivos em sua principal área: revestimentos acústicos e térmicos de aeronaves.

Embora não seja tão simples pensar em inovação nesse segmento, ela pode ser feita nos processos de integração vertical e horizontal. Nesse caso, a empresa entende a inovação não só no produto instalado numa nova aeronave, mas no seu ciclo de vida, ou seja, continuar inovando no produto já entregue, com suporte de alcance mundial.

Segundo Langlois, o que a empresa teria a oferecer na cooperação com o Brasil seria, principalmente, essa maneira de colocar a inovação no ciclo de vida de aeronaves.

 

 

Polo de competitividade Pégase – apresentação do diretor François Boisson

O polo Pégase envolve 3 “clusters” aeroespaciais franceses, combinando 18.000 empregos e tem como objetivo ampliar o trabalho conjunto para um crescimento de longa duração que gere outros 10.000 postos de trabalho. O foco é desenvolver aeronaves novas para novos usos, como helicópteros para operar em áreas hostis, minidrones para inspeção de prédios, dirigíveis para cargas pesadas, aviões que utilizam o efeito solo e aeronaves leves de propulsão elétrica.

No Brasil, o polo busca pesquisa e desenvolvimento conjuntos, para criar uma cadeia de geração de valor, colocando a inovação na construção rápida de parcerias, de forma “plug and play”.

Polo de competitividade Optitec – apresentação da diretora Kátia Mirochnitchenko

Localizado no sul da França, o polo Optitec é uma referência em pesquisa e desenvolvimento em ópticos: nada menos que 30% da P&D francesa é feita no polo. São 5.000 pesquisadores e engenheiros, em uma rede de 120 empresas, 40 laboratórios públicos, 7 universidades, e 3 escolas de engenharia.

No setor aeroespacial e de defesa, o polo trabalha com a Thales, DCNS e Eurocopter, entre outros nomes de peso no mercado. Sistemas ópticos de resolução extremamente alta, ativos e adaptativos estão entre os produtos, para aplicações civis e militares. Mais do que as formas de inovar, o polo destacou sua coopeeração já realizada com parceiros no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo (São José dos Campos, Campinas, São Paulo e São Carlos).

 

Polo de competitividade ViaMéca – apresentação do coordenador de P&D internacional Philippe Bertrand

A última apresentação foi do polo ViaMéca, que reúne diversas empresas, universidades, escolas de engenharia e laboratórios franceses da área mecânica. São pesquisadas e aplicadas inovações em materiais metálicos, cerâmicos e termoplásticos e desenvolvidas novas tecnologias em compostos e ligas leves (inovações não só nos materiais, mas também nos processos de fabricação e de projeto).

Bertrand mostrou alguns dos principais projetos desenvolvidos, com dados de orçamento (e a porcentagem de fundos públicos) e duração dos mesmos, assim como parceiros envolvidos, entre os quais destaca-se a Airbus. Perguntado por Bruno Gallard da EADS quais seriam os limites que colocariam freios à cooperação e parcerias, Bertrand respondeu que o desafio é conectar melhor os diversos polos de inovação, o que é complexo por envolver partilhas de tecnologias. Assim, o foco deve ser explorar negócios em conjunto, para viabilizar essa partilha tecnológica.

O painel chegou ao fim com uma última fala de Gallard, ressaltando a grande disposição da França nessa cooperação com o Brasil e, principalmente, o grande interesse pelo país como parceiro, devido às oportunidades brasileiras.

Com essa visão geral do evento, o leitor tem agora a oportunidade de comparar as visões de todos esses representantes do setor aeroespacial francês (clique nos links abaixo para ver as duas partes anteriores) e tirar suas próprias conclusões sobre o futuro dessa cooperação. Esse foi o nosso objetivo, ao procurar colocar o leitor “por dentro” desse evento, em companhia do Poder Aéreo.

VEJA TAMBÉM:

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Na segunda parte desta matéria exclusiva do Poder Aéreo, veja o que Thales e Arianespace apresentaram no painel ‘Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial’, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil.

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Ambas são empresas que já mantém uma presença de décadas no mercado aeroespacial brasileiro: a Thales principalmente com radares para sistemas de controle de tráfego e defesa aérea. A Arianespace, com praticamente todos os satélites brasileiros. E ambas buscam aprofundar essa relação e atender às expectativas do Brasil em relação a parcerias e transferência de tecnologias, com estratégias próprias. Veja agora o que apresentaram, no que se refere a perspectivas de inovação e parcerias tecnológicas na relação Brasil – França, esses dois grandes nomes da indústria aeroespacial francesa.

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“A Omnisys é um centro internacional de excelência da Thales para pesquisa e desenvolvimento e para exportações a partir do Brasil” – Lionel Collot, diretor de engenharia da Thales

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Lionel Collot procurou destacar a porcentagem de investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento do grupo, que em 2009 foi de 20% da receita – o equivalente a 2,5 bilhões de euros. Falando em inovações, destacou também que os mais de 25 mil pesquisadores e engenheiros da Thales (dentro de um universo de 68 mil pessoas) têm sido responsáveis por mais de 300 novas invenções por ano, nas áreas de Defesa e Segurança, que correspondem a 60% do faturamento do grupo, e Aeroespacial e Transportes, com 40%.

O Brasil é um dos 50 países em que a Thales está presente, numa relação que remonta aos anos 1960 e 1970, com a implantação do sistema de controle do espaço aéreo brasileiro. Assim não surpreendeu que boa parte da apresentação foi dedicada ao trabalho da Omnisys, subsidiária brasileira do grupo e que se destaca justamente pela produção de radares para controle do tráfego aéreo.

Segundo Collot, a Omnisys é hoje um dos centros internacionais de excelência em Pesquisa e Desenvolvimento da Thales, destacando-se especialmente na tecnologia de radares, mas também em outras áreas. A relação com a Thales é de partilha de tecnologias e de competências, sendo a Omnisys a responsável pela absorção da tecnologia de sistemas avançados de radar ao longo dos próximos anos.

A estratégia no Brasil vem sendo a de inserir a subsidiária brasileira na cadeia de fornecedores globais da Thales, investindo localmente em Pesquisa e Desenvolvimento. Esse investimento tem revertido também em premiações, como o 4º Prêmio Top Engenharia 2011 da UFMG e o 2º lugar no Prêmio Inovação 2010 da FINEP sendo a segunda empresa em número de projetos financiados pela entidade no ano passado. As colaborações da empresa com universidades e instituições como USP, Unicamp, FEI, UFABC, INPE, IPqM e IPT também foram destacadas como iniciativas de inovação buscando o mercado mundial.

Ao final da apresentação, o moderador Bruno Gallard da EADS perguntou a Lionel Collot sobre as iniciativas para realmente compartilhar tecnologias, indo além dos acordos e conversas. Collot destacou a necessidade de se buscar os diferenciais locais e, no caso brasileiro, citou a competência em informática. A partir daí, como uma ação gerencial concreta ele citou a visão da Thales em exportar a partir do Brasil, com a Omnisys, como uma iniciativa para incentivar o compartilhamento de tecnologias.

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“Decisões políticas têm que ser fortes e buscar a longa duração” – Jackes Breton, vice-presidente da Arianespace

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Breton focou o início de sua apresentação na estratégia da Arianespace de oferecer ao mercado três opções de lançamento de satélites a partir da Guiana Francesa: o Ariane 5, o Soyuz e o Veja (este último um lançador leve, que estará disponível a partir de 2012). Deixou claro que boa parte do esforço de inovação está centrado, na empresa, no trabalho de suas equipes para implementação desses três tipos diferentes de lançadores (e especialmente na colaboração com a Rússia), grerenciando bases de lançamento dedicadas.

Já no que se refere ao Brasil, o destaque foi mais para o histórico da relação da Arianespace com o país: 8 satélites lançados desde 1985 sendo que o próximo, o Star One C3, está programado para o ano que vem. Entre os novos acordos, as oportunidades ligadas à tecnologia estão centradas no acordo de assistência técnica para o Satélite Governamental Brasileiro – SGB.

Outra oportunidade para o Brasil é a forte ligação da empresa com as agências espaciais europeias, estabelecendo ligações entre os diversos atores do setor. Segundo Breton, a utilização de um sistema de lançamento da Arianespace facilitaria a aprovação da transferência das tecnologias espaciais, devido à garantia de uma transferência controlada.

 

Perguntado pelo moderador Bruno Gallard da EADS sobre qual seria o rumo certo para o Brasil crescer como potência espacial, Jackes Breton respondeu que o que o país precisa é de uma decisão política forte, visando a longa duração. Isso permitiria crescer de maneira progressiva, permitindo ao mesmo tempo desenvolver a capacitação para cooperações como a de Alcântara.

Não perca, amanhã, a última parte desta matéria sobre o III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil.

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A aeronave Hércules do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT), o Esquadrão Gordo, já está no Chile para a missão de ressuprimento da Estação Antártica Comandante Ferraz . O avião partiu no domingo (6/11) do Rio de Janeiro. Há 28 anos, os Hércules do Esquadrão Gordo transportam cargas, víveres, equipamentos, roupas e cartas para a estação, em até dez viagens por ano, que duram aproximadamente cinco dias a partir de Punta Arenas, no Chile. Os alimentos perecíveis são comprados também no Chile, e, de lá, partem com a aeronave para o continente gelado. Sem este auxílio, torna-se difícil viver em um local isolado, em que as temperaturas podem chegar a – 65ºC.

“A pista fica em uma Base Chilena que é próxima da Estação Brasileira. O Hércules pousa no verão e no inverno, mas dois navios da Marinha fazem o transporte das cargas até a estação somente no verão. No inverno, o mar fica congelado e lançamos as cargas na Estação Cmte Ferraz. A missão é toda planejada antes, mas podem surgir imprevistos, como a variação constante da meteorologia no continente Antártico”, conta o Chefe de Operações do 1º/1º GT e instrutor antártico, Major Aviador Leonardo Guedes, que há cinco anos faz esta viagem.

Os pilotos da Missão Antártica são formados no Esquadrão Gordo. Os alunos fazem o Curso de Tripulantes Antárticos, composto de uma parte teórica, uma parte de instrução aérea e do curso de sobrevivência no gelo. Os oficiais passam de quatro a cinco dias na Cordilheira dos Andes com instrutores da Forças Especiais da Força Aérea Chilena. Entre outras atividades, os alunos antárticos constroem abrigos com a própria neve e os utilizam durante a sobrevivência.

“Somente o C-130, entre as aeronaves da FAB, tem hoje condições de operar durante todo o ano na Antártica, e somente o 1°/1° GT realiza estas missões no Brasil. As tripulações que o operam são compostas por instrutores que foram submetidos a Conselho Operacional. O processo seletivo é bastante restrito justamente para a máxima segurança nas missões”, explica o Major Leonardo.

Ser piloto da Missão Antártica é um orgulho para quem serve no Esquadrão Gordo, já que é o último grau que se atinge na operacionalidade da organização militar. Todos os tripulantes antárticos têm, no mínimo, quatro anos na unidade e, depois de formados, realizam, pelo menos, um voo no verão e outro no inverno para se tornarem pilotos operacionais. A última turma foi formada em setembro deste ano.

FONTE / FOTOS: FAB

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