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Warton, Lancashire (Reino Unido) — A BAE Systems realizou o primeiro voo, no espaço aéreo britânico, de uma aeronave não-tripulada. Trata-se do avião de pesquisa Jetstream, especialmente adaptado para voar sem tripulação.

O voo de 500 milhas, entre Warton, no Inglaterra e Inverness, na Escócia, sob o comando de um piloto baseado em terra e dos controladores de tráfego aéreo da NATS (National Air Traffic Control Services), fez parte de uma série de testes cujo objetivo era comprovar a tecnologia necessária para realizar voos seguros e rotineiros de aeronaves não-tripuladas de acordo com o programa ASTREA (Autonomous Systems Technology Related Airborne Evaluation & Assessment), no valor de £62 milhões.

O trabalho do programa ASTRAEA tem como objetivo as tecnologias, os sistemas, as instalações, os procedimentos e os regulamentos que viabilizarão a operação segura e rotineira de veículos autônomos, no espaço aéreo do Reino Unido.

De acordo com Lambert Dopping-Hepenstal da BAE Systems e diretor do programa ASTRAEA: “O trabalho deverá continuar na próxima fase do programa e muito provavelmente impactará todos nós, nos próximos cinco, dez, 20 anos, na medida do progresso das aeronaves não-tripuladas e suas respectivas tecnologias que se tornarão parte de nossa vida cotidiana”, disse. “Os testes ajudaram a comprovar a tecnologia de que precisamos para operar aeronaves não-tripuladas, de maneira rotineira, em nosso espaço aéreo, ajudando ainda as autoridades em questão a desenvolverem a estrutura na qual a aeronave poderá operar. Resumindo, acredito que estamos escrevendo um novo capítulo na história da aviação”, finalizou.

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“A NATS garantiu que este teste de voo fosse realizado sem nenhum impacto sobre a segurança de outros usuários do espaço aéreo, naquele momento. Embora ainda haja trabalho a ser feito, parece-me que, com base no sucesso deste voo, esta aeronave não-tripulada poderia operar, em diferentes classes de espaço aéreo”, disse Andrew Chapman, especialista da NATS em VANTs (veículos aéreos não-tripulados).

A plataforma de teste de voo do Jetstream da BAE Systems foi configurada como uma espécie de VANT, na qual os pilotos embarcados podem tirar suas mãos dos controles e transferir o comando para um piloto baseado em terra e/ou para um sistema embarcado, desenvolvido pela equipe da ASTRAEA. Computadores e sistemas de controle, na parte posterior da aeronave, permitem seu voo, como se fosse uma aeronave não-tripulada.

O uso de um Veículo Aéreo Não-Tripulado possibilita que protótipos de sistemas autônomos, desenvolvidos pela equipe do programa ASTRAEA, sejam avaliados no ar, com segurança. A plataforma de teste de voo Jetstream está demonstrando tecnologias que previnem colisões no ar, sistemas que evitam condições metereológicas ruins, bem como protocolos de comunicação para controladores de tráfego aéreo.

O programa ASTRAEA de £62 milhões recebe fundos da AOS, BAE Systems, Cobham, Cassidian, QinetiQ, Rolls-Royce, Thales, Technology Strategy Board, Governo do País de Gales e Scottish Enterprise.

Para mais informações acesse: www.astraea.aero

DIVULGAÇÃO: G&A Comunicação Empresarial

Eurofighter Typhoon - foto BAE Systems

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Editorial do jornal The Guardian critica negociações de armas entre Reino Unido e os Emirados, em meio a problemas destes com direitos humanos

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Nesta segunda-feira (29 de abril), o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Khalifa, faz uma visita de Estado ao Reino Unido, incluindo no roteiro o Castelo de Windsor, Downing Street, Abadia de Westminster, entre outras paradas protocolares.

Nas sombras de todo o cerimonial estaria, segundo editorial do jornal The Guardian, uma disputa acirrada para vender aos Emirados pelo menos 60 caças Eurofighter Typhoon promovidos pela BAE Systems. Os caças franceses Dassault Rafale são os competidores e tanto David Cameron quanto François Hollande estiveram recentemente nos Emirados Árabes Unidos para promover suas propostas.

O editorial do jornal salienta, porém, que não é a primeira vez que uma visita do tipo mostra o que há de pior na diplomacia britânica. Estariam sendo varridas para debaixo do tapete vermelho questões graves de direitos humanos no país do Golfo, incluindo o esmagamento de um movimento pró-democracia (com 94 presos acusados de complô contra o Estado) indícios de tortura sistemática, inibição do direito de defesa entre outras violações, segundo observadores. Organizações como a Anistia Internacional já escreveram ao primeiro-ministro Cameron sobre isso.

Typhoon biposto - foto BAE Systems

O editorial do The Guardian contextualiza o negócio de armas com um acordo paralelo de 10 bilhões de dólares entre os EUA e Israel, Arábia Saudita e Emirados, visando fortalecer militarmente países aliados dos americanos no Oriente Médio contra o Irã. Porém, salienta que questões delicadas envolvendo vendas de armas, interesses estratégicos e proteção dos direitos humanos são antigas, e a visita não ajuda em nada a resolvê-las. O jornal diz que não se deveria deixar o primeiro-ministro sacrificar os direitos humanos no altar do comércio de armas.

FONTE: The Guardian (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTOS: Eurofighter

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Primeiro Typhoon tranche 3 para a RAF completado para testes iniciais - foto BAE Systems

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Montagem do caça, o monoposto número 116 para a Força Aérea Real Britânica, já foi completada – fase de testes eletromagnéticos deverá durar oito semanas e será seguida de testes de aviônicos e motores

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Segundo nota divulgada na semana passada pela BAE Systems, a montagem do primeiro exemplar de Eurofighter Typhoon da série “Tranche 3″, destinado à Força Aérea Real Britânica (RAF), já foi completada, o que incluiu testes iniciais. Agora, o jato, que é o monoposto número 116 da RAF, entrou na fase de testes eletromagnéticos.

Esses testes visam garantir que a aeronave opere corretamente e de forma segura quando exposta a transmissões de rádio-frequência, como as de radares no solo ou de antenas de TV e rádio. Diversos sistemas do avião, como armamento, combustível e controles de voo, podem ser susceptíveis a essas transmissões, e por isso a aeronave passa pelos testes chamados EMC (Electromagnetic Compatibility – compatibilidade eletromagnética), utilizando-se uma técnica conhecida como “Direct Current Injection” (injeção direta de corrente). Injeta-se no caça sinais simulados de ameaças, de forma direta em pontos designados no nariz, cauda e pontas das asas.

Os testes EMC durarão aproximadamente oito semanas. Em seguida, o avião passará por testes de aviônicos e, depois, pelos testes de solo dos motores.

Pelo contrato Tranche 3A assinado em 2009 pelas nações parceiras do programa Eurofighter, um total de 112 aeronaves foram encomendadas para as forças aéreas dos quatro países do consórcio (Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido). A RAF deverá receber 40 exemplares dessa encomenda.

Eurofighter Typhoon - foto BAE Systems

FONTE / FOTOS: BAE Systems (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

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Parceria industrial e de defesa, divulgada em nota conjunta, abre caminho para possível aquisição do Eurofighter Typhoon

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Segundo o jornal britânico “The Telegraph” e a agência de notícias Reuters, a Grã-Bretanha e os Emirados Árabes Unidos anunciaram uma parceria formal industrial e de defesa. O anúncio abre o caminho para possíveis contratos com a BAE Systems para o caça Eurofighter Typhoon.

Angela Monaghan, correspondente de economia do jornal britânico, assinou reportagem informando que os dois países divulgaram uma nota oficial conjunta sobre a parceria, ao fim de uma visita de dois dias do Primeiro-Ministro britânico David Cameron aos Emirados. Essa aliança deverá “estabelecer uma parceria industrial de defesa que envolva colaboração próxima em relação ao Typhoon e diversas novas tecnologias”, segundo o jornal The Telegraph. O Governo britânico e a BAE esperam persuadir os Emirados Árabes Unidos (EAU) a encomendarem 60 Typhoons, ainda que o país tenha mantido há tempos negociações com a francesa Dassault para a aquisição do caça Rafale.

Esse arranjo, que permitirá que os dois países ampliem seus treinamentos e exercícios militares conjuntos, é um passo positivo para  a BAE e os parceiros do consórcio Eurofighter que fabricam o Typhoon, como a EADS e a Finmeccanica. A visita de Cameron aos EAU faz parte de uma viagem que inclui outros países do Golfo Pérsico, numa tentativa de garantir a venda de cerca de 100 caças Typhoon, o que traria aproximadamente 6 bilhões de libras para o Reino Unido. Na agenda do Primeiro-Ministro também está a Arábia Saudita, onde se deseja tentar uma nova encomenda de caças Typhoon, além dos 72 já adquiridos pelo país.

A Reuters destacou a notícia ao longo da noite britânica (levando em conta a diferença do fuso horário em relação ao Golfo Pérsico). Uma das atualizações mais recentes traz alguns detalhes a mais em relação à reportagem do The Telegraph. O escritório do Primeiro-Ministro e representantes da BAE disseram que os Emirados mostraram interesse na encomenda de 60 caças Typhoon.  Os dois países também discutiram como desenvolver uma “relação de defesa aérea estratégica”.

Os Emirados pretendem diversificar sua economia baseada em petróleo, e por isso buscam desenvolver sua indústria de defesa e seu setor aeroespacial, que já produz partes para aeronaves Airbus. Por seu lado, o Reino Unido tem laços históricos fortes com os Emirados e outros países do Golfo, sendo que muitos deles já foram protetorados britânicos e aliados regionais. Áreas de interesse mútuo incluem enfrentar possíveis ameaças do Irã e assegurar suprimentos de petróleo.

Já sobre a Arábia Saudita, o escritório de Cameron informou que o país sinalizou interesse em fazer uma segunda encomenda “substancial” de caças Typhoon.

FONTES: The Telegraph e Reuters (compilação, tradução e edição do Poder Aéreo a partir de originais em inglês)

FOTOS: Eurofighter

COLABOROU: Vader

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David Cameron, vendedor de Typhoon

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Primeiro-Ministro britânico David Cameron promove o caça a jato Typhoon em visita a países do Oriente Médio

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Segundo reportagem do jornal “The Telegraph” publicada nesta segunda-feira, 5 de novembro, o Primeiro-Ministro britânico David Cameron embarcou numa viagem de três dias ao Oriente Médio, na qual vai promover a venda de novos caças Eurofighter Typhoon para líderes do Golfo Pérsico. O objetivo é dar um “empurrão” nesses negócios, que podem chegar a cerca de 100 caças no valor de bilhões.

Ainda que não se consiga tantas vendas, qualquer novo contrato seria uma ajuda significativa para a BAE Systems, principal grupo de defesa britânico, que no mês passado viu naufragar sua tentativa de fusão com a EADS europeia, após o Governo Alemão bloquear a iniciativa.

Emirados Árabes Unidos

Segundo o jornal, é pouco usual que um Primeiro Ministro mostre de forma tão clara a necessidade de se ganhar contratos de defesa. Sua intervenção sugere que a BAE e o Governo acreditam ter boas chances de persuadir os Emirados Árabes Unidos a comprar 60 caças Typhoon, ainda que estejam engajados em intermináveis negociações para comprar os caças Rafale da francesa Dassault.

Após perderem para a Dassault o acordo de venda de 126 caças à Índia, no início do ano, esta seria uma grande jogada para a BAE e seus parceiros no consórcio Eurofighter, como a EADS e a Finmeccanica. A incapacidade de conquistar o contrato indiano foi uma das principais motivações por trás da tentativa de fusão da BAE com a EADS. Cameron deverá usar todas as suas habilicades de persuasão para convencer os Emirados a trocar sua atual frota de caças Mirage por Typhoons.

Os britânicos também querem apertar mais seus laços com países do Golfo, em meio a preocupações sobre as supostas tentativas do Irã em desenvolver armas nucleares. Fontes disseram esperar que a venda do Typhoon seja parte de um “esforço articulado para estabelecer uma parceria estratégica de defesa de longo prazo com os Emirados”. Cameron deverá conversar com o Príncipe da Coroa de Abu Dhabi e com o Primeiro-Ministro dos Emirados sobre as melhores maneiras de aprofundar as relações militares dos dois países.

Omã e Arábia Saudita

Espera-se que um contrato com Omã, que atualmente está em conversações com a BAE para 12 caças Typhoon, seja assinado perto do final do ano. Os sauditas também estariam planejando uma encomenda “substancial” de mais jatos, além dos 72 que já adquiriram.

Se a promoção dessas vendas vingar, estima-se que os acordos rendam mais de 6 bilhões de libras para empresas britânicas, com mais benefícios para companhias que formam a cadeia de fornecedores. Vale lembrar que parte significativa da produção dos caças é realizada na Grã-Bretanha.

O desafio de mostrar capacidade fora do eixo da OTAN

O Reino Unido pretende demostrar sua habilidade em desenvolver ligações fora dos tradicionais parceiros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Já os países do Golfo deverão cobrar o compromisso britânico com a região, levando em conta a retirada de tropas britânicas do Afeganistão.

Na semana passada, também foram veiculadas notícias sobre a base próxima a Dubai poder ser utilizada como uma estação permanente para caças Typhoon.

FONTE / FOTO (de Cameron): The Telegraph (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês – a tradução do título original foi aproveitada para o subtítulo)

DEMAIS FOTOS: Eurofighter

NOTA DO EDITOR: num momento em que o discurso por parte de representantes do Governo Francês é de não promover diretamente a venda de caças (como foi o caso no Governo Sarkozy nos Emirados, sem sucesso), aparentemente a postura britânica é exatamente oposta. Qual das duas atitudes vai vencer, no final?

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HUD da Saab para helicópteros dos EUA

Empresa sueca, em cooperação com o contratante principal BAE Systems, vai fornecer visor ao nível dos olhos para helicópteros do Exército dos Estados Unidos, cliente lançador do sistema

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Na quarta-feira, 31 de outubro, a Saab informou em nota que recebeu a primeira encomenda de seu sistema HUD (head up display – visor ao nível dos olhos), por parte da Aviação do Exército dos Estados Unisos  (US Army). A encomenda, na qual o contratante principal é a BAE Systems, veio após avaliações em voo em helicóptero Blackhawk.

O cliente, dentro do programa “U.S. Army Night Vision and Electronic Sensors Directorate”  (NVESD), fará agora mais testes de voo do sistema, tanto no Blackhawk quanto em outros helicópteros. O objetivo é aumentar a segurança em voos a baixa altura e nos casos de decolagens e pousos em ambientes com visão degradada.

A encomenda, segundo a empresa sueca, não representa um grande volume de vendas, e sim um passo importante devido ao fato do produto ser efetivamente lançado e seu cliente lançador ser das Forças Armadas dos Estados Unidos.  O HUD (RIGS) da Saab é um sistema de baixo peso e de alta resolução, apropriado a situações de visão limitada, produzido pela área de negócios “Electronic Defence Systems” da empresa.

FONTE / IMAGEM: Saab (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

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Segundo notícia publicada pelo site Defense News nesta quarta-feira 10 de outubro, as conversações entre a BAE Systems e a EADS para uma possível fusão foram abandonadas. Isso ocorreu porque os interesses dos três governos envolvidos no acordo não puderam ser conciliados, segundo anúncio das duas companhias.

Em pronunciamento conjunto, os dois lados afirmaram que “tornou-se claro que os interesses dos acionistas governamentais não podem ser adequadamente conciliados entre si ou com os objetivos da BAE Systems e da EADS, estabelecidos para a fusão. A BAE Systems e a EADS decidiram, assim, que no melhor interesse de suas companhias e acionistas as discussões devem ser terminadas e o foco deve ser mantido em prosseguir com suas respectivas estratégias.”

Citando uma fonte que não quis se identificar, a agência France-Presse noticiou que o término das conversações tinha, por trás, a oposição da Alemanha: “Não funcionou porque os alemães bloquearam”, disse a fonte à AFP.

A notícia sobre as conversações das duas empresas vazou em 12 de setembro. A fusão poderia criar a maior companhia aeroespacial e de defesa do mundo, ultrapassando até mesmo a Boeing. A data de hoje, 10 de outubro, foi o prazo final imposto pela Grã-Bretanha para as empresas anunciarem se iam em frente com o acordo ou não, embora elas pudessem também solicitar mais prazo para negociação.

FONTE: Defense News (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTO: BAE Systems

COLABOROU: Maurício R

NOTA DO EDITOR: para acessar o pronunciamento oficial em inglês, no site da BAE Systems, clique aqui.

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O audacioso projeto de fundir a controladora da Airbus, European Aeronautic Defence & Space Co. e a gigante britânica dos equipamentos de defesa BAE Systems PLC está se configurando como muitos outros projetos pan-euro-peus arrojados: um teste da disposição de cada país de subordinar seus próprios interesses em prol do continente como um todo.

Desta vez, a disputa é entre criar uma grande potência industrial mundial ou preservar os empregos de cada país, em meio à pior crise econômica da Europa em décadas.

Os defensores da proposta dizem que a fusão das duas empresas, formando o maior grupo aeroespacial e de defesa do mundo, em receita, criaria um campeão na Europa, mais reforçado para competir contra as americanas Boeing e Lockheed Martin Corp. Eles também argumentam que integrar as divisões de defesa e de aviação civil das duas empresas ajudaria a compensar as oscilações do mercado, elevar a qualidade tecnológica do grupo e preservar postos de trabalho em toda a Europa.

Uma gigante europeia da defesa também poderia incentivar as forças armadas da região a cooperar mais e aumentar a eficiência em seus contratos militares. A Agência Europeia de Defesa, responsável pela política militar da UE, tem tido sucesso apenas limitado nas tentativas de unificar aquisições dentro do bloco.

“O benefício de um mercado menos fragmentado é óbvio”, disse recentemente o diretor-presidente da AED, Claude-France Arnould, sem comentar sobre os méritos da proposta Eads-BAE.

Mas para alcançar esses objetivos é preciso, em primeiro lugar, que os políticos da Grã-Bretanha, França e Alemanha deem uma demonstração de confiança. Eles precisam ceder sua autoridade atual a uma entidade pan-europeia que pode não compartilhar suas prioridades nacionais.

O diretor-presidente da BAE, Ian King, e seu colega na Eads, Tom Enders, argumentaram que o acordo proposto é benéfico para a Europa. “Ambas as empresas estão convictas de que é a coisa certa a fazer para [...] os países envolvidos”, disse Enders na segunda-feira.

Mas os políticos ainda não estão convencidos, em especial em Berlim. Autoridades alemãs dizem que os benefícios da fusão para a base industrial alemã não são atraentes o suficiente para que o país ceda sua atual posição de predomínio.

A principal preocupação dos políticos não é a lógica financeira do negócio, embora alguns também questionem esse aspecto. O grande problema é a necessidade de haver paridade com a França no grupo combinado.

Hoje, a França detém 15% da Eads, através de um consórcio que controla a empresa e inclui o grupo francês de mídia Lagardère SCA e a montadora alemã Daimler AG. Autoridades francesas já disseram que não vão vender suas ações da Eads, que seriam equivalentes a 9% da nova empresa. A Alemanha não tem ações da Eads, mas exerce uma influência significativa sobre as decisões da Daimler quanto à sua participação.

Autoridades alemãs dizem que estão preocupadas porque os políticos franceses costumam envolver-se em questões administrativas internas de empresas francesas a fim de promover seus interesses nacionais. Já em Berlim o medo é que, se a Alemanha não conseguir contrabalançar a influência francesa, o trabalho da Airbus que agora se realiza na Alemanha pode acabar se transferindo para outros lugares.

A Eads agora emprega cerca de 48.000 pessoas em cada país, dos quais mais da metade trabalha na Airbus. Fornecedores locais em ambos os países empregam outras dezenas de milhares de trabalhadores.

Uma autoridade alemã familiarizada com as negociações disse que a questão principal para a chanceler Angela Merkel e seu círculo interno é “de que modo essa fusão afetaria a indústria alemã e, em particular, como afetaria as empresas alemãs de médio porte”, que fornecem muitas peças importantes para o setor aeroespacial.

A Eads e a BAE tentaram aplacar as preocupações nacionais propondo dar aos governos britânico, francês e alemão ações especiais da nova empresa, com direito de veto sobre eventuais ofertas de aquisição e atividades polêmicas, tais como programas de armas nucleares. Mas os políticos alemães acham que a proposta não tem garantias suficientes.

O presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro britânico David Cameron não comentaram sobre a proposta, mas pessoas familiarizadas com as negociações disseram que seus respectivos governos são mais favoráveis do que o círculo de assessores de Merkel.

Enders disse que ele e King precisam que os governos indiquem se o negócio parece possível até quarta-feira, prazo fixado pelos reguladores britânicos do mercado de valores mobiliários para apresentação de uma proposta formal.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp (reportagem de Daniel Michaels  -  The Wall Street Journal)

FOTOS: BAE Systems e EADS (exemplos de programas com parceiros internacionais das empresas)

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O governo da Coreia do Sul entregará uma carta de solicitação (Letter Of Request – LOR) para a BAE Systems norte-americana tornando a empresa a única fonte contratante para a atualização e integração de sistemas para o modernização de 130 caças F-16 da Força Aérea da Coreia do Sul. Os trabalhos serão contratados via programa FMS (Foreign Military Sales) do Departamento de Defesa dos EUA.

“Esta é uma vitória estratégica internacional para nós, ampliando significativamente nossos negócios na área de atualização de aeronaves” disse Dave Herr, presidente de BAE Systems Support Solutions. “Nós temos amplas capacidades e estou confiante de que nossa equipe oferece o melhor custo/benefício para o cliente.”

O mercado total para atualizações F-16 é estimado em mais de $ 3 bilhões internacionalmente, cobrindo mais de 3.000 aeronaves.

A BAE Systems fornece cerca de 40 por cento do equipamento de missão da frota F-16 em todo o mundo. A proposta de modernização da empresa inclui Commercial Fire Control Computer, que é atualmente o sistema de maior velocidade embarcado em qualquer F-16.

A experiência da BAE Systems com o F-16 data da decáda de 1970, e incluiu os sistemas de controle de vôo e suporte no solo. Além disso, a empresa fornece apoio à atualização de 270 F-16 da Guarda Aérea Nacional dos EUA e 50 F-16 da Força Aérea Turca.

Para a frota da Coreia, a BAE Systems realizará uma série de serviços, incluindo engenharia de sistemas e integração de software e engenharia eletrônica, gerenciamento de obsolescência e apoio logístico. Os trabalhos serão realizados principalmente nas instalações de BAE Systems ‘em Fort Walton Beach, Florida, San Antonio, Texas, e Warner Robins, Georgia. O trabalho também será realizado nos centros de aviação da empresa em Mojave, Califórnia, e Crestview, Florida.

FONTE/FOTO: BAE Systems/USAF

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aéreo

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Aeronaves se somarão a outros dois lotes já contratados e em produção, ultrapassando 140 jatos – as novas aeronaves deverão ser usadas pela equipe de demonstração da Força Aérea Indiana

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Segundo o site Flightglobal, a BAE Systems submeteu proposta à Índia para a aquisição de mais 20 jatos de treinamento avançado. Esse novo lote se somaria a dois outros lotes já encomendados. O lote 1, de 66 aeronaves, já foi produzido em parceria com a empresa indiana HAL (Hindustan Aeronautics Limited).

Atualmente, estão sendo entregues materiais e equipamentos para a produção sob licença de mais 57 jatos, do lote 2. Desse total de jatos já contratados, 106 são destinados à Força Aérea Indiana e 17 para a Marinha.

Segundo a BAE, os 20 jatos adicionais seriam destinados ao reequipamento da equipe de demonstração “Surya Kiran” da Força Aérea Indiana,  que atualmente utiliza o jato treinador  HJT-16 Kiran, produzido pela HAL.

FONTE: Flightglobal

FOTOS: BAE Systems

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Mesmo após a eliminação no programa MMRCA da Índia, a BAE Systems se prepara para voltar com uma oferta do seu caça Eurofighter Typhoon para derrubar o caça vencedor, o francês Dassault Rafale.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, expressou sua decepção depois que a Índia escolheu o avião francês no início de Janeiro, em um negócio estimado em US $ 10 bilhões.

“A BAE acredita que quando a Índia terminar de examinar a proposta pelo Rafale e a avaliação da apresentação francesa, eles perceberão que o Eurofighter é uma aeronave superior e mais barata no aspecto global”, informou o Mail Today sem citar sua fonte. “Se os indianos estão dispostos a olhar novamente para o Eurofighter e há indicações de que isso está acontecendo, uma oferta revisada estará pronta para eles”, acrescentou.

Segundo o relatório, “a BAE também tem projetos para uma versão naval do Eurofighter, no caso os indianos quererem voar a partir de porta-aviões”. O relatório também diz que o CEO da BAE, Ian King, não descartou a possibilidade de um corte no preço, caso isso represente a retirada da França do negócio.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa Indiano sustenta que escolheu o Dassault Rafale porque o caça francês ofereceu um melhor pacote de pós-venda, incluindo melhoramentos tecnológicos e as mais recentes armas.

FONTE: defenseworld

FOTO: Eurofighter

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Em nota à imprensa divulgada na quarta-feira, 23 de maio, a BAE Systems informou que, após um acordo entre o Governo do Reino Unido e o Governo da Arábia Saudita, a empresa recebeu um contrato para apoiar os futuros requerimentos de treinamento de pilotos da Força Aérea Real Saudita (RSAF). O contrato, que está sob o programa de cooperação em defesa dos dois países, tem valor equivalente a 1,6 bilhão de libras (aproximadamente 2,5 bilhões de dólares ou 5,2 bilhões de reais).

Segundo a nota, o contrato cobre o fornecimento de equipamentos e dispositivos de treinamento como simuladores e aeronaves. Estão incluídos 55 treinadores turboélice Pilatus PC-21 para a função de treinamento básico e 22 BAE Systems Hawk Advanced Jet Trainer, que cumprirão a função de treinamento avançado em jatos velozes.

O contrato também prevê o fornecimento de um pacote inicial de apoio com sobressalentes, publicações técnicas e apoio pós-projeto. As entregas dos Pilatus PC-21, fabricad0s na Suíça, começarão em 2014. Já os jatos Hawk, fabricados no Reino Unido, serão entregues a partir de 2016.

Ainda segundo a nota da empresa, os jatos Hawk permitirão que os pilotos tenham acesso aos avanços mais recentes de treinamento em simulação de radar , armamentos e sistemas defensivos, permitindo uma transição suave para aeronaves de linha de frente, incluindo o Eurofighter Typhoon.

FONTE / FOTO DO ALTO: BAE Systems

FOTO DE BAIXO: Pilatus

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F-15S terão sistema EW da BAE

A BAE Systems anunciou um contrato no valor de 367 milhões de libras esterlinas para modernizar os sistemas de Guerra Eletrônica (EW) da frota de caças F-15S da Real Força Aérea Saudita (RSAF).

Serão entregues e instalados 70 sistemas DEWS/CMWS (Digital Electronic Warfare Systems /Common Missile Warning Systems).

Segundo John Nyilis, diretor da linha da produtos da BAE Systems: “com estes sistemas a atual frota de F-15S da RSAF terá as mesmas capacidades da próxima geração de caças F-15 SA, atualmente em desenvolvimento.”

O DEWS é um sistema EW digital integrado no estado da arte que fornece alerta radar avançado e capacidades de contramedidas. O sistema protege a aeronave fornecendo aumento da consciência situacional e auto-proteção.

Os sistemas DEWS/CMWS serão entregues pela BAE ao Warner Robins Air Logistics Center de acordo com o Foreign Military Sale (FMS) para a Arábia Saudita. Os trabalhos ocorrerão em Nashua, N.H., Totowa, N.J., e em Austin, Texas e deverão ser completados em novembro de 2018.

FONTE/FOTO: BAE Systems/USAF

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aéreo

NOTA DO EDITOR: sistemas semelhantes a este adquirido pela RSAF estão entre os aviônicos que equiparão a família “Silent Eagle”, projetada pela Boeing como a sucessora do Strike Eagle.

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Tornados da RAF no Afeganistão agora têm HMCS

Em nota divulgada na quinta-feira, 5 de abril, a BAE Systems informou a entrega para a RAF (Força Aérea Real Britânica) de sistemas de informação montados no capacete (HMCS) para os caças-bombardeiros Tornado que operam no Afeganistão. O sistema foi desenvolvido em resposta a um requerimento operacional urgente da RAF.

O equipamento projeta informações em frente aos olhos do piloto, permitindo que ele receba instantaneamente pontos de interesse. Segundo a empresa, essa tecnologia permite que se economize segundos vitais e vidas sobre o teatro de operações de guerra.

O requerimento da RAF para instalar o HMCS na frota de Tornado GR4 foi feito em abril do ano passado e, após meses de trabalho de engenheiros e técnicos da empresa, o sistema foi integrado e está operacional em aeronaves no Afeganistão. Segundo o comandante de Ala Kurt Hill, “a capacidade HMCS do Tornado aumentou e muito a consciência situacional da tripulação e o gerenciamento de recursos, permitindo uma rápida identificação de pontos de interesse sobre o ambiente homogêneo do Afeganistão.

Martin Taylor, diretor de apoio a sistemas de combate aéreo da BAE Systems, disse que houve uma resposta positiva por parte das tripulações de Tornado que usam o HMCS no Afeganistão. Nos próximos meses, segundo Taylor, a empresa vai trabalhar com o cliente “para prover a capacidade por toda a frota de Tornado”.

FONTE / FOTO DO ALTO: BAE Systems

FOTO DE BAIXO: RAF (Força Aérea Real Britânica)

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O lapso de seis anos entre a prevista concessão de um contrato e o início das operações de novos jatos de treinamento contrasta com a proposta do programa T-X da USAF, que fala em aeronaves “de prateleira”

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Segundo o site Flight Global, a aeronave que for escolhida para substituir os jatos treinadores T-38 da USAF (Força Aérea dos EUA) vai se defrontar com uma lacuna de seis anos no cronograma.

Isso porque os cortes orçamentários que estão afetando as Forças Armadas dos EUA não deixará imune o Comando de Educação e Treinamento Aéreo (Air Education and Training Command – AETC) da USAF, apesar de sua importância na formação dos pilotos do futuro. E um dos programas mais caros do comando, que é o programa T-X para substituição de seus 508 envelhecidos jatos Northrop T-38 Talon, estão sob escrutínio tanto do Estado Maior da USAF.

Os planos estabelecidos há três anos eram de conceder um contrato para 350 novos jatos de treinamento no final de 2014, para que as primeiras unidades o recebessem em 2017. Esses planos atraíram, com sua perspectiva de venda de centenas de jatos, pelo menos quatro concorrentes: uma versão (T-100) do M-346 da italiana Alenia Aermacchi, o  T129 Hawk da inglesa BAE Systems, o T-50 da sul-coreana Korea Aerospace Industries (KAI) em parceria com a norte-americana Lockheed Martin e, provavelmente, uma nova aeronave desenvolvida pela Boeing especialmente para a missão.

Porém, as lideranças da USAF não se comprometeram ainda, de maneira contundente, a investir no programa, que nunca entrou para a lista das três maiores prioridades da Força Aérea. E, em novembro do ano passado, o AETC anunciou que o planejadores do orçamento do Departamento de Defesa estava, de fato, considerando o adiamento da entrada em serviço do T-X devido a “restrições orçamentárias.”

E neste ano de 2012, no início de fevereiro, o AETC confirmou que haverá um atraso de três anos para a IOC (initial operational capability – capacidade de operação inicial) da futura frota de T-X, esticando o início da substituição do T-38 do ano fiscal de 2017 para o de 2020. Ao mesmo tempo, o orçamento total do T-X para o período dos anos fiscais de 2013 a 2016, foi reduzido em 70,1%, para 82,9 milhões de dólares. Inicialmente, o AETC disse que o contrato foi adiado em um ano, documentos orçamentários subsequentes revelaram que não haverá mudança na data original de concessão do contrato: setembro de 2014. Assim, haverá um período de seis anos entre a concessão do contrato e a operação inicial (IOC) dos jatos.

Essa período de seis anos coloca os potenciais concorrentes ao T-X num dilema, já que os mesmos documentos também descrevem o futuro substituto do T-38 como uma aeronave “de prateleira”, ou seja, não se deseja um desenvolvimento. Isso porque a USAF sabe que pelo menos três jatos de treinamento avançado já estão em produção no mundo. A USAF ainda não explicou o porquê da concessão do contrato será tão antes da data de entrada em serviço, se tão pouco trabalho de desenvolvimento deverá ser feito.

Segundo o Flight Global, essa confusão aparece nas atitudes dos fabricantes interessados em concorrer no programa T-X. A inglesa BAE Systems se destaca numa campanha de vendas para o processo, expondo o Hawk a pilotos da USAF e anunciando uma parceria com a  Northrop Grumman e a L-3 Link Simulation & Training. A italiana Alenia afirma que o programa é uma oportunidade estratégica, e já demonstrou como o sistema de treinamento em solo do T-100 (M-346) pode ser colocado em rede com programas utilizados para o treinador primário Hawker Beechcraft T-6 Texan II, em serviço na USAF.

Por outro lado, tanto a Lockheed Martin quanto a Boeing têm mostrado um posicionamento menos agressivo em relação à disputa. Ambas já mostraram imagens de seus conceitos em eventos da USAF, mas não anunciaram nenhuma parceria de grande porte ou demonstrações ligadas especificamente ao programa T-X. Isso porque provavelmente as empresas entendem que há tempo mais do que suficiente para esperar que a USAF esclareça essa grande lacuna de seis anos no cronograma de aquisição.

Enquanto isso, a USAF lançou o programa Pacer Classic III para revitalização estrutural do T-38C. O programa visa preservar a capacidade de voo de 125 jatos  T-38C que estão sob alto risco de serem proibidos de voar, ao longo dos próximos oito anos. Assim que a revitalização for completada, espera-se que a frota de T-38 possa continuar voando até 2026.

FONTE: Flight Global (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: USAF, KAI, BAE Systems e Alenia Aermacchi

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Matéria do jornal francês La Tribune diz que os Emirados Árabes Unidos, frustrados com a confusa gestão francesa (da oferta do Rafale) aumentaram as apostas, convidando a BAE Systems para concorrer com seu Eurofighter à oferta da Dassault Aviation

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No domingo, o Rafale e a França receberam uma ducha fria no primeiro dia do salão aeronáutico Dubai Airshow. Os Emirados Árabes Unidos (EAU), que vinham mantendo negociações exclusivas com a Dassault Aviation para a aquisição de 60 caças Rafale, a um custo estimado entre 6 a 8 milhões de euros, revelou que pediu uma oferta comercial (RFP – Request for Proposal – pedido de proposta) ao consórcio Eurofighter (BAE Systems, EADS e Finmecannica). O anúncio, segundo o jornal La Tribune, pegou completamente desprevenidos os industriais e autoridades francesas presentes ao evento.

As discussões entre Abu Dhabi e a BAE Systems sobre a proposta comercial do consórcio Eurofighter aos Emirados começaram há menos de um mês. O grupo britânico apresentou a aeronave Eurofighter Typhoon aos Emirados no último dia 17 de outubro e estes, na sequência, solicitaram à BAE Systems que formulasse um RFP.

Autoridades e industriais franceses, entrevistados pelo jornal La Tribune no Dubai Airshow, minimizaram o fato, dizendo que é somente mais uma tática de negociação dos EAU para baixar o preço do Rafale, considerado muito caro. De fato, em 2010 os EAU requisitaram informações técnicas do F/A Super Hornet, o que não teve prosseguimento.

O ministro da Defesa, Gérard Longuet, confirmou que “esse pedido de cotação aparentemente surgiu como uma medida para animar o processo”. Ele ainda acredita que a França está próxima “do ponto final de uma negociação muito bem encaminhada.” Ele ainda disse que “cada mexida de sobrancelha ou careta pode significar o acréscimo ou corte de centenas de milhões de euros”.  Uma coisa é certa: se Abu Dhabi escolher o Eurofighter, não poderá contar com a França para retomar os 60 Mirage 2000-9 que os Emirados cogitaram vender em caso de acordo para compra do Rafale.

As luzes vermelhas se acenderam para o avião de combate da Dassault. Para um empresário, essa decisão de colocar o Eurofighter na disputa é “um sinal enviado à Dassault Aviation” O fracasso do Rafale no Marrocos aparentemente foi esquecido muito cedo.  Mas aconteceu em 2007, há relativamente pouco tempo, quando então Sarkozy decidiu constituir uma equipe francesa unida, para falar uma só voz nas grandes ofertas internacionais de equipamentos civis e militares, e em particular do Rafale. Para que o avião de combate “tricolor” (referência à bandeira francesa) finalmente conseguisse uma venda a um país estrangeiro, Sarkozy nomeou um piloto de confiança: Claude Guéant, então secretário geral do Palácio do Eliseu (Élysée, sede do Governo Francês). Foi instituída uma “sala de guerra” para essa “equipe da França”. Nesses cinco anos, os resultados foram variados, mas ao menos a França passou a falar uma só voz com seus interlocutores.

Mas o “piloto”  Claude Guéant foi para o Ministério do Interior, e a “equipe da França” ficou sem um capitão, voltando à sua cacofonia. Abu Dhabi relançou as negociações e manteve o ritmo em pleno Ramadan, ouvindo vez após outra as qualidades do Rafale da boca dos visitantes. Para a França, o assunto era mesmo julgado “menor” em face às grandes catástrofes que vinham se abatendo na zona do Euro, e o caso foi parar com Benoît Puga, oficial da Legião Estrangeira e chefe do estado-maior particular (gabinete) do Presidente da República (um dos mais altos cargos da hierarquia militar francesa). Mas o general, que se destacou por seu papel na intervenção militar francesa na Líbia (operação Harmattan) não foi considerado a melhor pessoa para a tarefa, na opinião de observadores.

Já em Abu Dhabi, a incompreensão só cresceu, a ponto de enfurecer o príncipe herdeiro, o Cheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Este ficou com a impressão de que os franceses não escutam muito bem, após fazer uma visita de algumas horas a Paris em setembro, para encontrar-se com Nicolas Sarkozy no Eliseu. A visita foi mal preparada e, ao invés de colocar as coisas em ordem, não conseguiu avançar um centímetro na venda do Rafale. Pelo contrário, o chefe de estado foi mal “brifado” (termo que designa a preparação para uma ação ou reunião), e pensava que a venda já estava enfim acertada, e abordou o encontro do ponto de vista da política regional, falando da questão Palestina, entre outras coisas. O Cheikh Mohamed partiu de Paris sem as respostas que esperava, especialmente sobre a grande diferença de preço que queria tratar. E era justamente um preço razoável uma das três demandas pessoais que ele tinha com Sarkozy. As duas outras eram um avião com desempenho melhor que o Mirage 2000-9 e que a França financiasse uma parte dos custos “não recorrentes” do Rafale.

Segundo um observador, “o ‘debriefing’ (relatório pós-reuniao) da visita do Cheikh Mohamed ao Eliseu foi violento”. Em consequência, dias depois Sarkozy decidiu confiar a missão de vender o Rafale aos EAU para o ministro dos Assuntos Estrangeiros (Relações Exteriores) Alain Juppé, para “colocar essa venda de volta aos trilhos”. Tarde demais? Os EAU, mal-humorados, devem ter achado que levou-se muito tempo para encontrar um novo chefe para as negociações. E resolveu testar os franceses chamando o consórcio Eurofighter.

Do lado francês, especialmente na opinião de Gérard Longuet (Ministro da Defesa, fotografado acima no Dubai Airshow 2011), a aposta agora é de um anúncio em 2 de dezembro, quadragésimo aniversário da federação dos EAU. E, em homenagem a esse aniversário e a mais esta expectativa de anúncio, o Poder Aéreo encerra esta matéria com uma imagem do Rafale soltando flares, ou melhor, fogos.

FONTE: La Tribune (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Força Aérea Francesa (Armée de l’air)

Colaborou: Grifo

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