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Nos próximos meses, Obama, Sarkozy e Medvedev deverão visitar a Índia

Empresas dos EUA, França e Rússia fizeram suas propostas para o programa MMRCA, que visa obter 126 aviões de combate de médio porte para a Força Aérea Indiana. Espera-se agora que os presidentes desses países, em suas próximas visitas à Índia, façam lobby para essas propostas. A visita do Presidente dos EUA, Barack Obama, está agendada para novembro, seguida da visita do Presidente da França, Nicolas Sarkozy, no início de dezembro e pela do Presidente da Rússia Dmitry Medvedev, no final do mesmo mês.

Fontes disseram ao Financial Express (FE), sob a condição de se manterem anônimas, que “os seis competidores ainda serão submetidos a uma shortlist (lista reduzida). O Ministro da Defesa só pode decidir em reduzir o  número de competidores após receber o relatório do comitê de avaliação das contrapartidas (offsets) técnicas, juntamente com o relatório dos testes de campo. Depois que o Comitê de Segurança do Gabinete fizer a decisão final, haverá negociações governo a governo, num esforço para se conseguir benefícios adicionais para a Índia.”

Das empresas em disputa (veja os links sobre o MMRCA ao final da matéria para mais detalhes), a Força Aérea Indiana já realizou encontros com a Lockheed Martin, dos EUA, e com a francesa Dassault. De acordo com fontes, as propostas que cumpram as regras, a política de compras de defesa e as contrapartidas técnicas serão levadas em consideração, e a proposta de menor valor, designada L1, será selecionada como o MMRCA (medium multi-role combat aircraft – avião de combate médio multitarefa).

Todo o procedimento deverá levar aproximadamente dois meses, quando então Obama visitará a Índia. Ainda segundo as fontes do FE, “o MMRCA deverá ser a prioridade da agenda, mas diversos outros acordos pendentes deverão ser tratados, o que inclui helicópteros de porte médio, cujo RFP (Request for Proposal) poderá ser descartado. Também espera-se que a Índia solicite tecnologia de criptografia para os EUA.”

Já Nicolas Sarkozy e sua esposa Carla Bruni visitarão a Índia de 6 a 7 de dezembro e, “definitivamente, o contrato do MMRCA será discutido. Eventualmente a seleção do MMRCA será uma decisão política”, disseram autoridades. Além de assinar o pacto para o fornecimento de dois reatores, Índia e França também deverão assinar um acordo de 2,2 bilhões de dólares para a modernização da frota de Mirage da Força Aérea Indiana. Segundo fontes do Ministério da Defesa, esse acordo de modernização, que esteve pendente nos últimos dois anos devido a diferenças em relaçaõ ao custo, está pronto para ser assinado.

A França também espera a aprovação da Índia para o Maitri, míssil ar-superfície* (sic) de baixa altitude e reação rápida (Low-Level Quick Reaction Missile – LLQRM), que vem sendo desenvolvido em conjunto com a MBDA.

Já sobre o MiG-35 oferecido pela Rússia, a reportagem do FE coloca como facilidade, para o cumprimento dos requerimentos de contrapartidas industriais, o fato de já haver uma infraestrutura implantada do MiG-29, assim como uma nova fábrica para fabricar, sob licença, os motores RD-33 Série III. A venda do MiG-35 provavelmente estará na agenda de conversações, levando-se em consideração também que Índia e Rússia estão implementando diversos programas militares conjuntos, entre os mais importantes, a produção e modernização do míssil BrahMos e caças supersônicos de quinta geração.

FONTE: Financial Express FOTO: AP

*o texto original do Financial Express descreve o míssil como ar-superfície mas, na verdade, trata-se de um míssil superfície-ar (SAM).

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Sarkozy que espere

Continua emperrada aquela velha compra de aviões da FAB no exterior.
Fica para o próximo governo.

FONTE: coluna do Anselmo Gois

COLABOROU: Camilo

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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, destacou hoje a necessidade de ter uma indústria de defesa sul-americana, ao mesmo tempo em que anunciou um acordo com o Chile para a construção do avião cargueiro KC-390, projeto da Embraer e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Em visita ao Chile, Jobim foi recebido pelo presidente desse país, Sebastián Piñera, no Palácio de La Moneda (sede do governo), e por seu par chileno, Jaime Ravinet, além do chanceler Alfredo Moreno.

Após o encontro, o ministro brasileiro informou que um dos temas da conversa foi a possibilidade de haver um grande entendimento entre os países do continente.

Em declarações à ANSA, Jobim explicou que o Brasil vive agora um novo momento com a região, para a qual “ficou de costas” por muito tempo, ressaltando ainda que atualmente foi iniciado “um entendimento” e, por isso, o subcontinente precisa ter uma posição “muito clara” nos encontros internacionais.

Sobre o tema da Defesa, ele destacou que há mudanças importantes nos ministérios chileno e brasileiro, na formação orçamentária e na gestão da indústria básica da área.

Por sua parte, Ravinet falou da importância da visita de Jobim, que, segundo ele, permite um incentivo ainda maior à colaboração e ao trabalho em uma indústria comum.

Com o programa KC-390, a Embraer e a FAB pretendem produzir um novo avião para o transporte militar ao custo de US$ 1,3 bilhão. Além do Chile, o Brasil estuda firmar parcerias estratégicas com a Colômbia e a Argentina, entre outros países. O voo do primeiro protótipo está previsto para acontecer em 2014.

FONTE: Ansalatina, via Notimp IMAGEM: Embraer

NOTA DO BLOG: confira a agenda da visita do  Ministro Nelson Jobim no Chile, conforme informações do Ministério da Defesa:

Segunda-feira, 23 de agosto de 2010

  • 11h00 – Reunião Bilateral.
  • 12h00 – Visita de cortesia ao Sr. Sebastián Piñera, Presidente do Chile.
  • 13h30 – Almoço com autoridades do Governo, Parlamentares e personalidades. (Local: Força Aérea do Chile)
  • 15h30 – Visita ao Ministro RR.EE., Sr. Alfredo Moreno.
  • 16h30 – Visita a ENAER. (Empresa Nacional de Aeronáutica).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

  • 10h00 – Visita a CECOPAC, Centro de Treinamento Conjunto para Operações de Paz no Chile
  • 16h00 – Decola para Brasília (21h20)

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Brasil oferece VC-99 para o transporte de Lugo até São Paulo

Presidente paraguaio viajaria em aeronave da FAB para fazer tratamento no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu o avião Legacy da Força Aérea Brasileira (FAB) e todo o apoio que [o presidente paraguaio Fernando] Lugo necessitar. Mas, de acordo com [o porta-voz da Presidência, Augusto dos] Santos, o governo paraguaio vai arcar com todos os custos da viagem apesar da “atitude de solidariedade absoluta” do governo brasileiro. “Ele está muito otimista e isso tem a ver com sua formação espiritual. Ele próprio tentou dar incentivo a todas as pessoas ao seu redor “, disse Santos.

No último dia 4, Lugo foi submetido a uma cirurgia de emergência para a retirada de um gânglio na virilha. O câncer foi descoberto após um check-up de rotina. A previsão é que ele permaneça dois dias em São Paulo.

FONTE/FOTO: Agência Brasil/Poder Aéreo

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O foco da crítica do novo Primeiro Ministro é a suspeita de corrupção no sistema atual de aquisição de material militar, em que companhias fazem a mediação dos contratos

Segundo a Rádio Praga, o novo Primeiro Ministro da República Tcheca, Petr Nečas, prometeu  na última terça-feira (3 de agosto) que vai mudar a política de contratos de defesa do país. Pela atual e controversa política, cuja origem está numa lei de 1994, o ministro da defesa não pode comprar armas diretamente de fornecedores internacionais: as compras devem passar por companhias mediadoras.

Muitos vêem essa prática como um convite à corrupção, e o novo governo deseja mudar a lei e permitir que o ministério compre armas e outros equipamentos diretamente. Os contratos que, conforme a reportagem, levantaram suspeitas de corrupção (todos concluídos com a participação de empresas mediadoras) foram:

  • O leasing por dez anos, no valor de aproximadamente 20 bilhões de coroas tchecas (pouco mais de um bilhão de dólares) de 14 caças suecos Gripen, acordado em 2003.
  • A compra de 19 veículos blindados Dingo por 735 milhões de coroas tchecas (aproximadamente 39 milhões de dólares), em 2007.
  • A compra de 107 viaturas blindadas de transporte Pandur, por 14,4 bilhões de coroas tchecas (pouco menos de 770 milhões de dólares), em 2009.
  • A compra de quatro aviões de transporte CASA C-295, por 3,5 bilhões de coroas tchecas (190 milhões de dólares), também em 2009.

“Eu considero muito importante e até crucial que, no próximo período, o Ministério da Defesa deixe de ter a reputação de uma vaca leiteira, da qual um grupo de empresas parasitas retira dinheiro dos contribuintes por meio de todo tipo de contratos, licenças e coisas do gênero”, disse o novo Primeiro Ministro.

Enquanto forças anticorrupção reagiram positivamente às promessas de mudança, o plano também levantou objeções. Um opositor à mudança da lei é justamente o novo Ministro das Finanças, Miroslav Kalousek, de um dos partidos da coalizão. Ele argumenta que a saída dos mediadores não ajudaria em nada.

Mas políticos que encabeçam as forças anticorrupção, como Iveda Jordanová, dizem que Kalousek deveria ficar de fora do debate, pois teria ligações próximas com grandes negociadores de armas beneficiados com a lei atual. Ele lembrou que Kalousek esteve por cinco anos no Ministério da Defesa, e que teria muitas explicações para dar.

Por fim, a reportagem da Rádio Praga afirma que, em breve, o novo gabinete do Primeiro Ministro Petr Nečas terá uma chance de transformar suas palavras em ações. O contrato de leasing dos caças Gripen vai expirar em 2015 e, no próximo ano, o governo deverá decidir sobre sua substituição em um contrato multibilionário.

FONTE: Rádio Praga

FOTOS: Ministério da Defesa e das Forças Armadas da República Tcheca

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F-X2: o vai e vem do relatório

Relatório técnico confirma Rafale Preferido “político” do presidente Lula, avião francês ganha respaldo depois de mudanças nos critérios de avaliação do Ministério da Defesa

Isabel Fleck

A exposição de motivos técnicos do Ministério da Defesa, que resume em 40 páginas as mais de 2 mil geradas em documentos dos Comandos da Aeronáutica e da Marinha [???????] sobre a compra de 36 caças supersônicos, já está pronta para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o caça francês Rafale aparece em primeiro lugar, após mudança nos pesos da avaliação, que deu mais valor à transferência de tecnologia e menos aos custos de aquisição e manutenção da aeronave. A alteração foi feita com base na nova Estratégia Nacional de Defesa (END), que tem no desenvolvimento da indústria militar brasileira uma das prioridades, e permitiu que o avião francês despontasse como vencedor também na esfera técnica, apesar de cada unidade custar cerca de US$ 20 milhões a mais do que seu mais caro concorrente. Agora, resta ao presidente convocar o Conselho Nacional de Defesa para bater o martelo, o que pode acontecer só após as eleições de outubro.

A mudança colocou a opção preferida do Planalto também como a escolha técnica da Defesa. Desde que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, esteve em Brasília para as festividades do 7 de Setembro de 2009, e foi anunciado o início das negociações com a francesa Dassault, o presidente Lula — e o próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, — deixam claro que a decisão do governo será política. O fato de o caça escolhido pelo presidente ter respaldo do documento da Defesa, contudo, dá mais validade à decisão. Em versões anteriores, feitas antes da alteração final nos pesos de avaliação, o relatório elaborado pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac) chegou a apontar os outros dois concorrentes, o sueco Gripen NG e o americano F-18 Super Hornet, como melhores opções.

Já se passou um ano e meio desde que as três finalistas — a Dassault, a norte-americana Boeing e a sueca Saab — entregaram as chamadas ofertas finais, ou Bafo (do inglês best and final offers), ao Comando da Aeronáutica. De lá para cá, a Copac analisou a fundo as propostas no que concerne às especificações dos caças, transferência de tecnologia, offset (contrapartidas), e preço de aquisição e manutenção, entre outros itens. O primeiro relatório que chegou ao Alto Comando da Aeronáutica trazia o sueco Gripen NG como a melhor opção, mas teve uma revisão pedida pela cúpula da FAB para aumentar o peso dos riscos já apontados no próprio texto. Segundo o documento, há dúvidas quanto ao desempenho do radar e aos custos operacionais do motor do Gripen NG — essas questões haviam sido praticamente descartadas nesse momento da avaliação.

A primeira alteração, que dobrou de 5 para 10 esse peso, fez o americano F-18 Super Hornet, que é consideravelmente mais barato que o Rafale e apresenta menos riscos que o sueco, tomar a dianteira no relatório entregue em dezembro ao Ministério da Defesa. Foi a vez do órgão, contudo, pedir uma nova mudança nos parâmetros de avaliação, que ainda eram os mesmos da primeira concorrência, iniciada pela FAB em 1995. A preocupação principal do ministério era aumentar a importância da transferência de tecnologia, que valia até então apenas 9 dos 100 pontos, para valorizar as propostas que mais trouxessem oportunidades à indústria brasileira, como prevê a END.

Com o peso da transferência de tecnologia agora em 40 pontos, a proposta francesa, que ganhou nota 8, passou à frente da norte-americana Boeing, que obteve apenas nota 2 nesse quesito. O Gripen NG, oferecido pela sueca Saab, ficou um ponto à frente do Rafale nesse quesito, mas não venceu principalmente pelos fatores riscos e offset — que o caça francês “levou” após o presidente Sarkozy assumir o compromisso de comprar 12 unidades do cargueiro KC-390, que está sendo desenvolvido pela Embraer.

Custos

O alto preço do Rafale, que era o principal obstáculo da proposta francesa, também foi compensado pela mudança dos pesos da avaliação enviada pelo Alto Comando da Aeronáutica. O peso dos custos totais do caça, que valiam 50% da nota final, caiu pela metade no novo texto. O governo francês também reduziu o preço de cada unidade — de 64 milhões para 60 milhões de euros (cerca de US$ 83,7 milhões e US$ 78,5 milhões, respectivamente), mas, mesmo assim, ele continuou sendo o mais caro, com o Gripen NG estimado em US$ 50 milhões e o F-18, em US$ 55 milhões.

O Ministério da Defesa não confirma a conclusão da exposição de motivos, e nem soube precisar quando o documento será entregue ao presidente. A decisão só será anunciada depois que Lula avaliar o texto com o Conselho Nacional de Defesa. Dada a proximidade das eleições e a possibilidade de que a escolha seja usada pela oposição na disputa, especula-se que o vencedor só seja, de fato, conhecido após o pleito. Há três semanas, em visita à Embraer, a candidata do Partido Verde, Marina Silva, criticou a “falta de transparência” no processo. “A tramitação no Congresso Nacional ocorreu de forma açodada (…), não houve tempo de debate, as questões foram feitas sem o devido tempo, para que tivéssemos o devido trâmite”, reclamou.

Possível adiamento preocupa as finalistas

A demora em anunciar o vencedor da concorrência FX-2 da FAB, aliada aos mais de nove meses de silêncio do governo brasileiro sobre o processo, tem deixado as três concorrentes sob estado de tensão constante. Ronda a incerteza sobre se a compra dos caças supersônicos será deixada para o próximo governo — ou até novamente cancelada, como ocorreu com o programa FX anterior. Sem previsões de desfecho próximo, e com o início das férias parlamentares, o vaivém dos representantes e diretores das três empresas em Brasília diminuiu de forma considerável, mas não a expectativa.

Para a Dassault, cuja proposta é apontada como favorita, a expectativa é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpra a repetida promessa de não deixar a decisão para o próximo governo. A empresa francesa também diz confiar nas declarações já dadas pelo ministro Nelson Jobim de que a política de Defesa “não é partidária”, mas uma política de Estado. Entre os motivos especulados para a demora, estão a própria campanha eleitoral, os interesses do país na sua atual agenda de política externa ou mesmo as prioridades do ministro da Defesa, que nas últimas semanas foi, inclusive, visitar as tropas brasileiras no Haiti. As empresas alegam que, desde outubro de 2009, quando tiveram uma oportunidade de entregar suas propostas revisadas à Aeronáutica, não têm qualquer informação oficial do governo brasileiro sobre a disputa.

O presidente da sueca Saab, Ake Svensson, observa que, se a decisão for deixada para depois das eleições, é possível que ela se estenda para o próximo governo, com um novo ministro da Defesa à frente do processo. “Se eles optarem por deixar a decisão para depois das eleições, não sei quanto tempo isso pode durar. Mas, no próximo governo, provavelmente haverá um novo ministro de Defesa, e talvez mais uma análise. Isso pode demorar mais um ano ou dois”, afirmou ao Correio. Cauteloso como os outros dois concorrentes, ele não critica a demora, e garante que o Gripen NG continua “se desenvolvendo” enquanto a decisão não sai.

O diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da Boeing, Michael Coggins, afirma que “é compreensível” que haja uma demora em um processo como esse. “É uma decisão muito, muito importante, que vai garantir a espinha dorsal da Força Aérea Brasileira nos próximos 30 anos, além de haver muito dinheiro envolvido”, disse. “Para alguns concorrentes, talvez seja crítico que a decisão seja tomada logo, porque disso depende a sua linha de produção, mas nós estamos lá, produzindo o Super Hornet, e dispostos a trabalhar com o Brasil, independentemente de quanto tempo demore a decisão.” (IF)

Três perguntas para Sten Tolgfors, Ministro de Defesa da Suécia

O presidente Lula já disse que a decisão sobre os caças será política. O que o governo sueco tem feito para ajudar a oferta do Gripen NG nesse sentido?
No último ano, eu fui ao Brasil três vezes e tive o privilégio de me encontrar com o presidente Lula duas vezes na Suécia e duas vezes no Brasil. Mas, mais importante que isso, tivemos uma visita do rei e da rainha da Suécia ao Brasil, com vários outros ministros e uma delegação da nossa indústria. Além disso, sabemos que temos a melhor proposta em termos de valor, não só na aquisição como na manutenção. E também acreditamos ter a melhor oferta em termos de transferência de tecnologia, além de já mantermos uma cooperação forte com a indústria brasileira — São Paulo, por exemplo, é a segunda cidade de produção industrial sueca, e há um futuro interessante e promissor de exportação para outros mercados. Mas é claro que essa será uma decisão brasileira e teremos muito respeito por ela.

Por que uma parceria com o Brasil seria boa para a Suécia?

Uma parceria seria boa para os dois países. Se você olhar para a nossa indústria aérea, nós somos líderes quando se trata de produção militar, de caças, enquanto o Brasil tem uma grande experiência internacional na produção civil (aérea), com a Embraer. Então, vai ser uma parceria perfeita para ambos os lados. A nossa oferta vai dar acesso ao Brasil ao conhecimento de primeira linha sobre desenvolvimento de caças e a possibilidade de desenvolver o seu próprio caça nas próximas gerações. Também somos um país não alinhado militarmente, queremos cooperar com outros países, e, no Brasil, não buscamos um cliente, mas um parceiro para um projeto a longo prazo.

Qual o modelo de parceria proposto para o Brasil?

Nós não estamos oferecendo só a transferência de tecnologia, mas também uma parceria no desenvolvimento do avião, que vai muito além do que só transferir tecnologia. Se o Brasil quer ser capaz de desenvolver o seu próprio caça a longo prazo, isso envolve o conhecimento sobre integração de sistemas — o que a Suécia oferece. Nós damos, inclusive, a chance para o Brasil escolher que sistema vai integrar o Gripen NG, e essa é uma das razões porque o Gripen é tão competitivo em termos de preço.

FONTE: Correio Brasiliense, via Notimp

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O reequipamento da Força Aérea Brasileira

Opinião de um piloto de caça no ano 2000, mas que continua bem atual

Quando discutimos o reequipamento da Força Aérea a conversa flui por duas vertentes, e muitas vezes atenua as questões de fundo que envolvem esse tema, particularmente no que diz respeito ao vetor de superioridade aérea/defesa aérea.

Uma delas é a que diz que devemos desenvolver os nossos próprios aviões para aproveitar a capacidade tecnológica que já possuímos ou para desenvolvê-la mais ainda e darmos carga de trabalho à jovem indústria aeronáutica brasileira. Essa vertente é ainda carregada de um viés nacionalista e alega questões de soberania.

A outra, um pouco mais pragmática, é a que diz que não há mais tempo para desenvolvermos nada, pelo menos nesse momento, devido ao estado de obsolescência do nosso material aéreo. E, também, não acreditam que a nossa competência atual, na área tecnológica, seja capaz de materializar o atual estado da arte em matéria de vetor aéreo de alta performance.

As duas se baseiam em premissas semelhantes mas com leituras diferentes. Ambas acreditam que a compra pura e simples nos deixa na dependência das políticas dos países vendedores e a mercê de um mercado muito incerto.

A corrente que preconiza o desenvolvimento de projeto próprio de aeronaves de combate de alta performance, que podemos chamar de desenvolvimentista, acredita que as barreiras que serão impostas pelos países do G-7 liderados pelos Estados Unidos sejam grandes e permanentes, mas não são intransponíveis, ou incontornáveis.

E se jactam disso com a concretização do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Mas não lembram que este projeto vem consumindo esforços há mais de vinte anos e está sendo lançado no final desse século já com tecnologia de domínio comum, longe de ser a última palavra das tecnologias que incorpora.

Mas também é de se reconhecer que poderá cumprir a função para a qual foi concebido. Entretanto, a capacidade da Força Aérea cumprir a sua função constitucional de defender a pátria não seria colocada em risco independentemente do seu sucesso ou não. O país, como um todo, certamente ganhou com a concretização desse empreendimento, mas a Força Aérea continuou com as mesmas demandas que tinha quando o primeiro traço foi dado na prancheta do projeto VLS. Podemos deduzir que conquistas no campo das ciências e tecnologias não andam, necessariamente, pari passu com as necessidades de defesa. Aquelas são estratégicas, de longo alcance, projetos de Estado, e essas são imediatas e permanentes.

Outro fato que conspira contra o desenvolvimento de um projeto próprio é a nova concepção de emprego do avião como plataforma de armas. A aeronave de combate, enquanto pilotada por um ser humano, parece que atingiu limites definitivos. Nada mais pode ser feito em sua perfomance que não ultrapasse os limites físicos e fisiológicos dos pilotos. As tecnologias que hoje podem ser incorporadas a qualquer plataforma em uso atualmente é que fazem a diferença.

Mudou-se o conceito de quantos aviões são necessários para destruir um determinado alvo para quantos um único avião é capaz de destruir. Quer dizer, a “roda” já está inventada. Como fazer o melhor uso dela é onde está o problema. É por isso que não existe embargo para a venda de praticamente qualquer tipo de aeronave no mundo, exceto as de tecnologia “stealth” que em termos de perfomance, não diferem das demais.

Outros aspectos que também merecem ser levados em conta são o da inserção internacional do país e a viabilidade econômica de um projeto de desenvolvimento militar autônomo. O Brasil vive um continente pacífico em termos de ameaças externas e o equilíbrio militar dessa região do mundo é desejado pelos países de cúpula mundial que farão de tudo para bloquear qualquer pretensão maior em termos militares. Este quadro, em verdade, pode estar servindo também de cortina para encobrir outro, que é o de manter o mercado latino-americano de armas reservado para as indústrias dessas potências mundiais.

Se esse bloqueio não for alcançado de maneira direta, certamente o será pela via econômica, ou por embargos específicos a produtos brasileiros de toda natureza (e isso não sabemos se o pais está em condições de suportar neste momento), ou impedindo que os produtos militares brasileiros encontrem colocação significativa em algum lugar do mundo. Mesmo que nada disso acontecesse, estaríamos competindo num mercado cada vez mais saturado e altamente competitivo, sem nenhuma vantagem comparativa. E o desenvolvimento de qualquer projeto, somente para as forças armadas brasileiras, seria extremamente caro.

A corrente pragmática preconiza a compra direta de tudo o que, necesitamos com duas alegações.

A primeira é a de que o desenvolvimento de uma plataforma moderna, se decidida hoje, manteria a Força Aérea por pelo menos uns cinco a dez anos sem renovar os seus aviões de combate, não considerando os imprevistos das fases de negociações políticas, obtenção de recursos e de implantação do projeto no acervo.

A segunda é a de que a energia que gastaríamos para “reinventar a roda” poderia para fazer aqui o que não nos vendem, isto é, que se compre o que nos vendem e que desenvolvamos o que não nos vendem. Aliás esse raciocínio acompanhou todo o desenvolvimento do VLS onde até a “roda” nos obrigaram a reinventar. Esta corrente também se refere ao passado recente e alega o medo de, novamente, ficarmos ancorados num projeto cujo prazo de conclusão não temos controle, e assistirmos mais uma vez a rarefação dos parcos recursos que poderiam estar sendo direcionados para a manutenção dos níveis de estoque de suprimento ou para a renovação/atualização de equipamentos.

Outro conflito, que tem assolado a questão do reequipamento, é a chamada crise da decisão. Há os que dizem que a Força Aérea nunca conseguiu comprar o que ela realmente precisa, que nenhum estudo sobre o assunto que tenha sido concluído pelo Estado-Maior foi concretizando vis-a-vis às necessidades estratégicas extraídas de uma concepção de emprego do Poder Aéreo, que sempre foram compradas aeronaves atreladas a uma disponibilidade orçamentária ou a um critério político, etc. E há os que dizem que muitas boas oportunidades foram perdidas pela lentidão das decisões ou a ausência delas.

Toda essa discussão acontece sem que se perceba que ela será interminável, pois a solução dessa questão está fora da Instituição, ou não lhe pertence. Por melhor que sejam os estudos elaborados para a escolha de um vetor e por maior que seja o consenso em torno desse, a compra sempre estará submissa à vontade do poder político e, enquanto este não considerar a defesa como um tema prioritário, os recursos financeiros que sobrarem de outras demandas nacionais é que serão carreados para a defesa. O que não é um fato surpreendente, porque as Forças Armadas são aquilo que a Nação pode ter. Os políticos não têm como concordar com a existência de um poder militar dissociado de outras realidades sociais do pais.
Talvez os militares tenham falhado nesse diálogo com o Poder Político. Talvez tenha-lhe faltado o poder de convencimento para dizer que é mais caro para a Nação a manutenção de uma sucata ineficiente, do que a compra de poucos mas modernos equipamentos. Talvez tenham caído na tentação de condicionar a existência da Força Armada aos equipamentos que deva possuir e não a uma consistente concepção estratégica de defesa.

Brigadeiro do Ar Delano Teixeira Menezes
Piloto de Caça – Turma 1975

FONTE: Site da ABRA-PC – Associação Brasileira de Pilotos de Caça / FOTO: Arquivo de Aparecido Camazano Alamino

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BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre esse e outros assuntos no ‘Xat’ do Poder Aéreo, clicando aqui.

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O consórcio Rafale International, formado pelas empresas francesas Dassault Aviation, Snecma (grupo SAFRAN) e Thales e seus fornecedores, apresentou no 14 de outubro de 2009 detalhes da proposta à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados em Brasília.

Durante a apresentação técnica, os Deputados Federais tiveram acesso a detalhes da transferência de tecnologia prevista na proposta do consórcio francês. Dentre as informações apresentadas estavam estas que apresentamos acima, onde existe uma previsão de aquisição, somente pela França, de 300 exemplares do caça. Além disso, segundo a mesma apresentação, a linha de montagem do Rafale permanecerá aberta por mais duas décadas.

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Segundo reportagem do site ucho.info, Jorge Viana poderia ser próximo ministro da defesa no caso da vitória da situação

Mesmo sem saber se sairá vitoriosa das urnas de outubro próximo, a candidata Dilma Rousseff já tem ao menos um ministro escolhido. Trata-se de acreano Jorge Viana, candidato do PT ao Senado Federal. Ex-governador do Acre e irmão do senador Tião Viana, também do PT, Jorge tem como candidato a primeiro suplente Nilson Mourão, que nos bastidores exala inquietante certeza quando fala da sua atuação como senador a partir de 2011. Tudo porque Jorge Viana, segundo apurou o ucho.info, deve assumir o Ministério da Defesa, atualmente sob o comando o gaúcho Nelson Jobim.

A preferência de Jorge Viana pela pasta da Defesa tem uma explicação que passa obrigatoriamente pela iniciativa privada. No período em que esteve na presidência do conselho de administração da Helibrás, entre setembro de 2007 a março deste ano, Jorge Viana aproveitou para estreitar o seu relacionamento com a EADS, fabricante de aviões militares e cacas supersônicos. No Brasil, a EADS se faz presente através da Eurocopter, fabricante do helicóptero Esquilo, produzido em parceria com a Helibrás.

Entre os produtos que realçam o brilho dos olhos do agora milionário Jorge Viana está o Eurofighter Typhoon, caça bombardeiro fabricado por um consórcio do qual faz parte a EADS. Além de mirar o orçamento de R$ 400 bilhões do Ministério da Defesa para os próximos quinze anos – dinheiro que será investido basicamente em equipamentos e obras – Viana tem atuado como um braço avançado do tal consórcio no Brasil.

Como existem algumas propostas de venda do Typhoon à Índia, Suíça, Grécia e Arábia Saudita, entre outros países, a EADS torce para que a decisão do governo brasileiro de renovar a frota da FAB com os caças Rafale, da francesa Dassault, não desestimule seus eventuais e potenciais clientes. Situação intrincada, mas que pode facilmente explicar a proximidade de Jorge Viana ao presidente Lula da Silva, que para atender um companheiro pode até postergar o anúncio oficial sobre os Rafale, desde que tenha certeza da vitória de Dilma Rousseff na s urnas que se avizinham.

Caso venha a adiar mais uma vez o anúncio sobre os caças, Lula da Silva poderá cair em desgraça com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que recentemente condecorou Jorge Viana com “Legião de Honra”, distinção conferida a àqueles que contribuíram de alguma maneira com a França nas áreas cultural, social e econômica.

Em outro vértice de suas andanças, Jorge Viana tem circulado com folga nos bastidores políticos e financeiros da Alemanha, Espanha, França e Itália, países que têm interesse no bilionário programa brasileiro de modernização da Defesa.

Resumindo, os eleitores acreanos que decidiram votar em Jorge Viana, acreditando que no Senado os interesses do estado serão defendidos, devem pensar melhor. Viana está interessado apenas em estar ministro e facilitar negócios.

FONTE/FOTO: Ucho.info/onortao.com.br

NOTA DO BLOG: o Typhoon não faz parte da “short-list” do Porgrama F-X2. Para que o mesmo fosse reconsiderado, o atual processo deveria ser cancelado e um novo processo teria que ser aberto.

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Douglas Barrie,  Robert Wall e Michael A. Taverna - Farnborough

Londres vai decidir, em setembro, onde o machado irá atuar na Defesa, área que mais gasta na Europa e que está sob pressão cada vez maior. Graves cortes e atrasos são inevitáveis, caso os governos decidam apertar os cintos.

Liam Fox, o secretário de Estado britânico para a Defesa, utilizou os palanques do show aéreo de Farnborough para reiterar que não há, para o setor de Defesa do Reino Unido, para o Ministério, as Forças Armadas e Indústria outra alternativa senão implementar mudanças.

Fox, em uma palestra, disse à platéia de industriais da área de defesa que “o programa atual de defesa é completamente inviável, especialmente se tentarmos fazer o que precisamos fazer no futuro e, ao mesmo tempo, continuarmos os programas que iniciamos no passado.”

Berlim e Paris estão enfrentando desafios orçamentários semelhantes, estando seus planos de gastos atualmente em revisão. Os programas pan-europeus atingidos pela crise incluem o Airbus Military A400M, cujas negociações contratuais deverão se arrastar até o quarto trimestre.

Londres planeja tornar públicos os resultados da sua revisão da Estratégia de Defesa e Segurança (“Strategic Defense and Security Review – SDSR”) no final de outubro. O resultado das deliberações em todas as três capitais europeias terá ramificações de longo alcance para a defesa do Continente e para a indústria aeroespacial.

Fox está requerendo que o Governo renove também a Estratégia Industrial de Defesa (“Defence Industrial Strategy – DIS”) após concluir sua revisão estratégica. Ele diz que um documento de consulta sobre a estratégia deve ser publicado ainda este ano, com a DIS sendo completamente revista, em sequência, no outono de 2011.

A estratégia industrial foi lançada em dez 2005, com expectativas de que seria atualizada em 2007/2008. Nos últimos 24 meses, como a necessidade de uma revisão da Defesa do Reino Unido tornou-se cada vez mais clara, qualquer modificação da DIS faria sentido apenas após a revisão da estratégia de Defesa. A Indústria, porém, quer ver os dois documentos publicados, se possível, ao mesmo tempo.

Ian King, diretor executivo da BAE Systems e presidente do Conselho da Indústria de Defesa, diz que “uma nova DIS é fundamental.” Complementando o discurso de Fox, King disse que havia “necessidade de uma estratégia clara, coerente.”

Comentando sobre o esforço relativo à SDSR, Fox advertiu que, “sem contenção de custos nos programas atuais, não temos outra opção a não ser realizar cortes nos programas em curso ou reduzir o investimento em programas futuros.”

Embora o Governo não tenha identificado programas específicos como vulneráveis, Fox destacou que “temos de reduzir o número de frotas diferentes que fornecem a mesma capacidade, porque não podemos nos dar ao luxo e suportar múltiplas cadeias de abastecimento, a formação da infraestrutura e os custos associados.”

Fox, na semana passada, usou o exemplo da frota de transporte aéreo da Royal Air Force, que, segundo os planos atuais, irá adicionar o A400M às aeronaves Boeing C-17 e Lockheed Martin C-130J já em serviço. No Parlamento, já foi sugerido que o C-130J poderia ser retirado de serviço com antecedência em relação à data prevista de 2030.

Um aspecto de discussão, no entanto, é saber se o A400M será capaz, devido ao seu tamanho, de cumprir requisitos das forças especiais ora atendidos pela frota de Hércules. Um número cada vez menor C-130K provê atualmente essa capacidade, que está em vias de ser transferida para parte da frota de C-130J.

Uma retirada de serviço antecipada para as frotas de Harrier GR9 e Tornado GR4 também está sendo considerada. O futuro em longo prazo das aeronaves Typhoon Tranche 1 da Força Aérea também pode ser analisado, dado que esta versão vai exigir uma modernização de “meia-vida” no final desta década.

A Alemanha também está estudando efetuar cortes no número de aeronaves e helicópteros, uma vez que luta com o seu orçamento de defesa. Políticos italianos, entretanto, indicaram que a Itália é a mais recente nação que está planejando abandonar a produção do Tranche 3B.

Apesar de que a SDSR possa ser um “bastão” na área financeira, Fox está oferecendo para a indústria uma “cenoura”, com o apoio do Governo na área da exportação. A parte governamental do acordo a ser alcançado, disse Fox, é que “o Governo britânico vai apoiar a Indústria de defesa do Reino Unido como um ativo estratégico; vamos apoiar o esforço de exportação com um programa ativo e inovador na diplomacia da defesa.”

Comentando sobre o A400M, Louis Gallois, CEO da EADS, disse que acredita que a indústria terá que esperar mais alguns meses antes de que um seja estabelecido um novo contrato para o Projeto.

Em março, os governos parceiros e representantes da Indústria chegaram a um acordo sobre o caminho a seguir relativo aos três anos de atraso e ao orçamento ultrapassado do Projeto, mas isso ainda não foi traduzido em ações concretas. A Airbus Military estava esperando que um novo contrato pudesse ser estabelecido em meados deste ano, mas isso não aconteceu.

Gallois não acredita que um contrato possa ser concluído antes do outono. As negociações continuam e, segundo ele, todos estão aderindo aos termos do acordo de março, embora advirta que isso pode mudar.

O ambiente orçamentário cada vez mais sombrio também está forçando as empresas a repensar estratégias. Por exemplo, a EADS deverá intensificar os esforços para globalizar, diz Stefan Zoller, CEO da Divisão de Segurança e Defesa daquela empresa.
Gallois sugere um prazo para a discussão, ressaltando que terão provavelmente 3 a 4 anos difíceis pela frente.

Não se sabe quão profundamente a crise do orçamento europeu vai afetar a EADS e os mercados de defesa em geral.

Os cortes no orçamento da defesa do Reino Unido podem chegar a 20%. A Alemanha está-se preparando para reduzir pelo menos 4 bilhões de Euros (US$ 5,1 bilhões) e a França prevê uma redução de 3 a 5 bilhões de Euros. A Espanha visa uma redução de mais de 6% nos gastos.

Mas Zoller observa que “é evidente que os mercados europeus vão diminuir ou ficar estáveis, na melhor das hipóteses.” Como resultado, “temos que ir onde está o dinheiro, e o dinheiro está em todo o Mundo”; diz ele, referindo-se à Índia, ao Brasil e ao Oriente Médio.

“Eles têm um grande mercado em desenvolvimento”. Para o seu negócio, Zoller diz que isto significa que “temos de ser mais globais e temos que fazer isso mais rápido do que havíamos imaginado”. “Para ser bem sucedida, a indústria deve-se concentrar na construção de acordos com empresas e países, para ajudá-los a fazer crescer as respectivas capacidades industriais”.

Zoller também espera que as empresas dos Estados Unidos passem a perseguir esses mercados de forma mais agressiva, uma vez que as despesas do Pentágono estão estacionando.

Quanto aos mercados europeus, Zoller diz que, em curto e médio prazo, serão turbulentos, na medida em que os orçamentos e as forças são reestruturados. No entanto, ele vê um resultado global positivo. “A reestruturação atual das forças irá, no longo prazo, apoiar o nosso negócio”, pois levará a clientes saudáveis.

No entanto, ele observa que “temos de gerenciar os efeitos imediatos, interinos.”

A Alemanha pode ter cortes significativos em suas forças armadas como, também, enfrenta problemas com orçamento.

Gallois sugere que o foco sobre os serviços poderá contribuir para atenuar as pressões orçamentais de curto prazo. “Eu acho que podemos propor soluções inovadoras para permitir aos governos economizar dinheiro, mas, ao mesmo tempo, proporcionando a capacidade que precisamos.”

Enquanto isso, o Ministério da Defesa da França enfrentará um corte de curto prazo de 3,5 bilhões de Euros, durante os próximos três anos, para ajudar a reduzir o crescente déficit do país. Embora este corte seja inferior àquele de 5 bilhões de Euros inicialmente previsto, ele será orientado diretamente ao hardware. Além disso, um desempenho econômico inferior ao esperado poderá aumentar este montante mais tarde, alertam executivos do setor.

O consenso é de que pelo menos algumas compras de alto valor serão adiadas, e programas existentes terão prazos dilatados.

O ministro da Defesa francês, Herve Morin, disse a uma Assembléia Nacional de Defesa, em 7 de julho, que o programa para o reabastecedor multitarefa (MRTT); a modernização dos Mirage 2000D; a atualização do sistema de comando e controle aéreo (SCCOA); juntamente com a rede de satélites de inteligência de sinais CERES, estariam entre os programas suscetíveis de adiamento.

Todos esses sistemas são cobertos pelo plano plurianual de gastos de defesa 2008/2013 e pelo livro branco de defesa de 2007 no qual aquele se baseia.
Funcionários da Defesa insistem que o Ministério vai fazer todo o possível para preservar as prioridades do livro branco e informam que a decisão final não é esperada antes de setembro/outubro, quando a proposta de orçamento para o próximo ano deverá ser apresentada.

A Força Aérea Francesa diz que a modernização do Mirage 2000D, que se destina a fornecer à aeronave uma capacidade ar-ar e prolongar a sua vida para 2025, é necessária para manter a capacidade mínima de aeronaves de combate. Apenas 83 caças de nova geração Rafale estarão disponíveis em 2013 e em torno de 130 no final da década.

Um atraso no MRTT pode ser politicamente muito sensível, pois pode afetar a capacidade da França para reabastecer seus aviões de ataque nuclear.

FONTE: Aviation Week / TRADUÇÃO: Justin Case

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Rio de Janeiro – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje (26) que há grandes vulnerabilidades nas operações de defesa das Forças Armadas brasileiras. A constatação foi feita durante acompanhamento dos exercícios militares da Operação Atlântico 2, que reúne Marinha, Exército e Aeronáutica desde o último dia 19 na costa brasileira.

O ministro pediu aos comandantes do exercício que preparem um relatório completo sobre as principais deficiências dos militares. “Nossas vulnerabilidades são grandes. Nós não podemos ter operações noturnas, por exemplo. Não temos mísseis antisubmarinos que possam ser lançados de aviões (sic). Há uma série de coisas”, disse o ministro, no Rio de Janeiro.

A Atlântico 2, que reúne 10 mil militares e se encerra no próximo dia 30, é uma das operações conjuntas rotineiras que as Forças Armadas fazem para preparar o emprego do Exército, da Marinha e Aeronáutica em caso de ameaças externas. Entre os exercícios realizados está a defesa de instalações estratégicas, como o Complexo Nuclear de Angra dos Reis.

Ainda durante a visita ao Rio de Janeiro, o ministro disse que conversará nesta semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Lula sobre o programa de renovação da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB), o chamado F-X2. Três tipos de aviões disputam a concorrência da FAB: o francês Rafale, o sueco Gripen NG e o americano F-18 Hornet.

Até o momento, o governo não anunciou o resultado da disputa. A Aeronáutica acredita que o anúncio da escolha só será feito depois das eleições de outubro.

FONTE: Agência Brasil / COLABOROU: Justin Case

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Em 1967, assumiu o Ministério da Aeronáutica o Ministro Márcio de Souza e Mello. Logo depois, foi criada a CEPAI (Comissão Especial para o Projeto Aeronave de Interceptação). Essa comissão trataria dos estudos relativos à escolha de uma aeronave pura de interceptação, nova (sem ser usada) e supersônica.

A CEPAI estruturou seus trabalhos em projetos: Projeto USA, Projeto França, Projeto Inglaterra, Projeto Itália e Projeto Suécia, cada uma com uma equipe diferente de pilotos. A ideia era avaliar, respectivamente, as aeronaves F-5A/B, Mirage III, Lightning Mk.55, F-104 e Saab Draken.

Para tanto, consultas formais, a nível de Governo, foram iniciadas com vistas a enviar equipes de avaliação a esses países.

Surpreendentemente, o governo americano colocou-se contrário à avaliação de aeronaves supersônicas por parte do Brasil já que, sem sua concepção, aeronaves dessa performance estariam vetadas aos países latino-americanos, por desequilibrar “o balanço do poder ao Sul do Rio Grande”. Isto posto, a avaliação do F-5A/B foi eliminada.

Durante a avaliação das demais aeronaves, o governo americano insiste que o Brasil envie uma equipe para voar o F-5A/B, embora permanecessem as restrições de exportação.

A contragosto do Ministro Márcio (pressão política?), a CEPAI montou uma nova equipe para a missão USA.

A análise posterior dos relatórios, foi feita pelo GABAer/EMAer e resultou na escolha do Mirage III, em detrimento de outras aeronaves.

Aquisição do Mirage III

Para apresentar a solução ao Presidente, a CEPAI elaborou um substancioso relatório que seria encaminhado ao Presidente Costa e Silva para a necessária aprovação, o que foi feito.

Há um fato curioso (presenciado pelo Chefe da CEPAI), no que tange à análise presidencial do relatório. O Ministro Márcio, em despacho pessoal, apresentou o Relatório da CEPAI indicando o Mirage III e seu arrazoado. O Presidente Costa e Silva ouviu atentamente o Ministro Márcio e, ao final dos esclarecimentos, teria declarado:

- “Ministro Márcio, estou com um problema político com o governo inglês e seus bancos no que se refere ao financiamento para as obras da Ponte Rio-Niterói. Muito me ajudaria se a solução da FAB fosse o Lightning”.

O Ministro Márcio retirou-se e convocou o Chefe da CEPAI e instruiu:

- “Onde estiver escrito Mirage nesse relatório, APAGA e põe Lightning”. O que, a contragosto, foi cumprido. E o relatório BRAINGLA (Brasil-Inglaterra) recebeu o aprovo por escrito do Presidente Costa e Silva, que dias depois adoeceu, vindo a falecer.

Passaram-se alguns meses. Quando já empossado o Presidente Médici, o Ministro Márcio retorna ao assunto fazendo o retrospecto histórico do processo. Após tudo ouvir, o Presidente Médici acrescentou:

- “Ministro Márcio, não temos mais o problema financeiro citado pelo meu antecessor. Se a escolha técnica da FAB foi o Mirage francês, que o seja”.

FONTE: Estória Informal da Aviação de Caça – Crônicas e Causos… – Associação Brasileira de Pilotos de Caça – 2003

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