QG Airsoft

Sarkozy que espere

Continua emperrada aquela velha compra de aviões da FAB no exterior.
Fica para o próximo governo.

FONTE: coluna do Anselmo Gois

COLABOROU: Camilo

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Cruzex V: e a Venezuela?

A Operação Cruzeiro do Sul (CRUZEX) é um exercício aéreo multinacional de grande porte que reúne meios de diversas as Forças Aéreas seguindo o “modus operandi” empregado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Neste exercício de dupla-ação, baseado em um conflito simulado de baixa intensidade, as Forças Azuis (Forças da Coalizão) combatem as Forças Vermelhas (Forças Opositoras). As Forças Aéreas dos países convidados compõem a Força de Coalizão no País Azul, contra a Força Oponente, sediada no País Vermelho.

Como nenhum país da América do Sul faz parte da OTAN, esta é uma excelente oportunidade para que as Forças Aéreas destes países tomem contato com as doutrinas e os procedimentos utilizados por aquela orga nização militar, a mais poderosa do planeta. Deve-se destacar que a operação ganha muito com a participação de dois paises membros da OTAN: França e EUA.

Dentre os países sul-americanos que costumam participar da Cruzex temos: Brasil (país sede e organizador), Argentina, Chile, Uruguai e Venezuela. Além deles, outros países comumente mandam observadores.
Entre os dias 3 e 7 de maio ocorreram as reuniões preparatórias da V Operação Cruzeiro do Sul (CRUZEX). Naquela oportunidade, além dos planejadores dos países participantes, incluindo os representantes da Venezuela, estavam presentes três oficiais generais, sendo um deles o General de Brigada Luis Rafael Viana España da Aviación Militar Bolivariana.

Porém, durante a execução da fase final de planejamento (Final Planning Conference), ocorrida entre os dias 16 e 18 de agosto, nenhum representante da Venezuela compareceu. Ao final da reunião, a ata foi assinada por representantes do Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, França e EUA. E a Venezuela?

Inicialmente estava programada a vinda de caças F-16A venezuelanos para a Cruzex V, como ocorrido em edições anteriores. Mas também fica a pergunta: por que os Sukhois nunca participam? Só para exemplificar, este ano o Chile estreará seus F-16 Block 50 em um exercício internacional fora do país e pela primeira vez por nestas bandas será visto um Rafale.

Acreditamos que a ausência da Venezuela será sentida por todos e o exercício perderá com este desfalque. Mas o maior prejudicado será mesmo a própria Força Aérea da Venezuela, que perderá a oportunidade de estreitar os laços com países amigos e tomar ciência de técnicas, conceitos e procedimentos no estado da arte com a participação de importantes países do cenário global. Deve-se frisar que exercícios desta natureza no continente sul-americano são escassos e no mesmo nível da Cruzex temos a Salitre no Chile, onde a Venezuela não costuma participar.

LISTA DE AERONAVES PARTICIPANTES
- A-4AR FAA
- KC-130 FAA
- A-29 Super Tucano FAB
- AMX A-1 FAB
- R-99 A AEW FAB
- Mirage-2000 FAB
- F-5 BR FAB
- F-16 C/D USAF
- KC-135R USAF
- F-16 C Block 50M FACH
- F-16 D Block 52+ FACH
- KC-135E FACH
- Dassault Rafale M Armée d´l Air
- Mirage 2000-5F Armeée d´l Air

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F-X2: cada um escreve o que achar melhor

Duas reportagens publicadas em dois grandes jornais do país no mesmo dia mostram visões completamente distintas para a decisão final

Jobim prepara anúncio do Rafale

Viviane Vaz

Desde 15 de julho um dia depois da festa nacional da Queda da Bastilha , os franceses comemoram antecipadamente a compra de 36 caças Rafale para a Força Aérea Brasileira (FAB), supostamente ratificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério da Defesa informou à reportagem que a exposição de motivos técnicos e políticos pelo ministro Nelson Jobim deve sair nos próximos dias. O relatório, segundo adiantado no fim de junho pelo Correio e pelo site Inforel (especializado em notícias internacionais), resume em 40 páginas as mais de 20 mil geradas em documentos dos comandos da FAB e da Marinha sobre a compra dos caças. Com o Rafale, a francesa Dassault lideraria a preferência sobre o F/A-18 Super Hornet, da americana Boeing, e o Gripen NG, da sueca Saab, depois de uma alteração com base na nova Estratégia Nacional de Defesa (END), que mudou os pesos da avaliação e deu mais valor à transferência de tecnologia, reduzindo a importância dos custos de aquisição e manutenção da aeronave.

Também há rumores de que Lula já estaria estudando o relatório desde maio e junho.

Espero tranquila e serenamente, o anúncio ou a declaração do presidente Lula prevista para o mês de julho, declarou o ministro francês da Defesa, Hervé Morin, ao canal de TV LCI, em meados do mês passado. O Brasil é um sócio estratégico maior e decidiu refazer seu exército com a indústria francesa, anunciou ainda o ministro.

Luis Alexandre Fuccille, pesquisador da Facamp, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, considera que a confirmação do Rafale seria uma boa decisão. Esse projeto vem sendo postergado há muito tempo, desde o governo do presidente Fernando Henrique, que acabou deixando para Lula, e estamos no fim do governo Lula sem nenhuma decisão tomada sobre um projeto que é para ontem importantíssimo para a defesa da nossa independência e soberania nacional e, sobretudo, para esse maior protagonismo que o Brasil busca na cena internacional, analisa Luis Alexandre.

Meu único senão seria talvez com relação à conveniência de uma decisão tão importante faltando menos de seis meses para o fim do mandato, aponta o pesquisador, pois a conta e as implicações ficarão para o governo seguinte. Teria sido desejável que tivesse sido antes.

Enquanto os franceses comemoram a decisão do governo brasileiro pelo Rafale e sua parceria estratégica, os suecos comemoram este mês um ano de trabalho com a indústria brasileira. “Estamos há um ano projetando com empresas brasileiras a fuselagem, intermediária, traseira, parte das asas e portas do trem de pouso para o Grippen Mundial”, diz Begt Janer, da assessoria assessoria da SAAB.

Bateu asas e voou

E os novos caças da FAB, hein? Estão voando por aí, ninguém sabe, ninguém viu.

Eliane Cantanhêde

Lula anunciou a escolha do Rafale francês em 7 de Setembro de 2009, antes do relatório oficial da Aeronáutica sobre preços, logística, qualidades técnicas, transferência de tecnologia e coisas assim. Dado o vexame, voltou atrás.

Quando o relatório ficou pronto, foi aprovado pelo Alto Comando da FAB no dia 18 de dezembro e enviado por ofício a Nelson Jobim em 5 de janeiro. Criou-se o impasse: o Rafale ficou em último lugar, atrás do Gripen NG sueco (em primeiro) e do F-18 americano (em segundo). E Jobim passou a fazer um relatório paralelo, resumindo as mais de 2.000 páginas em meia centena, para mostrar, por “a” mais “b”, que o Rafale era melhor.

Em todo esse tempo, há inúmeras declarações do ministro e de outras autoridades brasileiras anunciando a escolha oficial do vencedor para daí a algumas semanas, ou dias. Até agora, nada.

Jobim perdeu um momento espetacular para divulgar o resultado: a combinação de Copa do Mundo com recesso parlamentar, quando só se criticava o Dunga e a vuvuzela. Quem iria gritar contra se fosse o Rafale, o Gripen, ou o F-18? Agora, no meio da eleição, fica tudo muito mais complicado. Qualquer anúncio que Lula faça, ganhe quem ganhar, irá fatalmente dar munição para a oposição.

É provável que o presidente tenha considerado os riscos de optar pelo francês entre a Copa e a eleição e/ou tenha se aborrecido com o aliado Nicolas Sarkozy, que lhe puxou o tapete na negociação do acordo nuclear com o Irã.

O fato é que o projeto FX-2 (dos caças) bateu asas e voou. Possivelmente, até passar a eleição.

FONTE: Correio Braziliense e Folha de São Paulo, via Notimp

NOTA DO BLOG: as duas reportagens tratam do mesmo assunto, mas abordam visões totalmente antagônicas. Agora cabe ao leitor optar por uma ou por outra.

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MMRCA: só mais um chute?

Um participante do fórum de discussão do site Pakistan Defense disse ter informações privilegiadas sobre os caças que foram eliminados na concorrência indiana MMRCA. Segundo ele, jornalistas e especialistas de defesa asiáticos montaram a seguinte lista:

Eliminados:

  • Saab Gripen NG
  • Dassault Rafale
  • Lockheed Martim F-16I

Melhor posicionados:

  • Boeing F/A-18 Super Hornet
  • MiG-35

Foram levantadas dúvidas sobre o Eurofighter Typhoon e o seu programa fragmentado por diversos países europeus.

O comentário ainda encerra com a possibilidade da encomenda passar para 144 aeronaves.

FONTE: Pakistan Defese

NOTA DO BLOG: essa pode ser apenas mais uma informação destes “insiders” que dizem saber tudo e não acertam uma. Mas o que realmente poderia mudar para o Brasil caso o Rafale, o Gripen e também o Super Hornet não entrassem para a “short-list” do MMRCA?

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O reequipamento da Força Aérea Brasileira

Opinião de um piloto de caça no ano 2000, mas que continua bem atual

Quando discutimos o reequipamento da Força Aérea a conversa flui por duas vertentes, e muitas vezes atenua as questões de fundo que envolvem esse tema, particularmente no que diz respeito ao vetor de superioridade aérea/defesa aérea.

Uma delas é a que diz que devemos desenvolver os nossos próprios aviões para aproveitar a capacidade tecnológica que já possuímos ou para desenvolvê-la mais ainda e darmos carga de trabalho à jovem indústria aeronáutica brasileira. Essa vertente é ainda carregada de um viés nacionalista e alega questões de soberania.

A outra, um pouco mais pragmática, é a que diz que não há mais tempo para desenvolvermos nada, pelo menos nesse momento, devido ao estado de obsolescência do nosso material aéreo. E, também, não acreditam que a nossa competência atual, na área tecnológica, seja capaz de materializar o atual estado da arte em matéria de vetor aéreo de alta performance.

As duas se baseiam em premissas semelhantes mas com leituras diferentes. Ambas acreditam que a compra pura e simples nos deixa na dependência das políticas dos países vendedores e a mercê de um mercado muito incerto.

A corrente que preconiza o desenvolvimento de projeto próprio de aeronaves de combate de alta performance, que podemos chamar de desenvolvimentista, acredita que as barreiras que serão impostas pelos países do G-7 liderados pelos Estados Unidos sejam grandes e permanentes, mas não são intransponíveis, ou incontornáveis.

E se jactam disso com a concretização do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Mas não lembram que este projeto vem consumindo esforços há mais de vinte anos e está sendo lançado no final desse século já com tecnologia de domínio comum, longe de ser a última palavra das tecnologias que incorpora.

Mas também é de se reconhecer que poderá cumprir a função para a qual foi concebido. Entretanto, a capacidade da Força Aérea cumprir a sua função constitucional de defender a pátria não seria colocada em risco independentemente do seu sucesso ou não. O país, como um todo, certamente ganhou com a concretização desse empreendimento, mas a Força Aérea continuou com as mesmas demandas que tinha quando o primeiro traço foi dado na prancheta do projeto VLS. Podemos deduzir que conquistas no campo das ciências e tecnologias não andam, necessariamente, pari passu com as necessidades de defesa. Aquelas são estratégicas, de longo alcance, projetos de Estado, e essas são imediatas e permanentes.

Outro fato que conspira contra o desenvolvimento de um projeto próprio é a nova concepção de emprego do avião como plataforma de armas. A aeronave de combate, enquanto pilotada por um ser humano, parece que atingiu limites definitivos. Nada mais pode ser feito em sua perfomance que não ultrapasse os limites físicos e fisiológicos dos pilotos. As tecnologias que hoje podem ser incorporadas a qualquer plataforma em uso atualmente é que fazem a diferença.

Mudou-se o conceito de quantos aviões são necessários para destruir um determinado alvo para quantos um único avião é capaz de destruir. Quer dizer, a “roda” já está inventada. Como fazer o melhor uso dela é onde está o problema. É por isso que não existe embargo para a venda de praticamente qualquer tipo de aeronave no mundo, exceto as de tecnologia “stealth” que em termos de perfomance, não diferem das demais.

Outros aspectos que também merecem ser levados em conta são o da inserção internacional do país e a viabilidade econômica de um projeto de desenvolvimento militar autônomo. O Brasil vive um continente pacífico em termos de ameaças externas e o equilíbrio militar dessa região do mundo é desejado pelos países de cúpula mundial que farão de tudo para bloquear qualquer pretensão maior em termos militares. Este quadro, em verdade, pode estar servindo também de cortina para encobrir outro, que é o de manter o mercado latino-americano de armas reservado para as indústrias dessas potências mundiais.

Se esse bloqueio não for alcançado de maneira direta, certamente o será pela via econômica, ou por embargos específicos a produtos brasileiros de toda natureza (e isso não sabemos se o pais está em condições de suportar neste momento), ou impedindo que os produtos militares brasileiros encontrem colocação significativa em algum lugar do mundo. Mesmo que nada disso acontecesse, estaríamos competindo num mercado cada vez mais saturado e altamente competitivo, sem nenhuma vantagem comparativa. E o desenvolvimento de qualquer projeto, somente para as forças armadas brasileiras, seria extremamente caro.

A corrente pragmática preconiza a compra direta de tudo o que, necesitamos com duas alegações.

A primeira é a de que o desenvolvimento de uma plataforma moderna, se decidida hoje, manteria a Força Aérea por pelo menos uns cinco a dez anos sem renovar os seus aviões de combate, não considerando os imprevistos das fases de negociações políticas, obtenção de recursos e de implantação do projeto no acervo.

A segunda é a de que a energia que gastaríamos para “reinventar a roda” poderia para fazer aqui o que não nos vendem, isto é, que se compre o que nos vendem e que desenvolvamos o que não nos vendem. Aliás esse raciocínio acompanhou todo o desenvolvimento do VLS onde até a “roda” nos obrigaram a reinventar. Esta corrente também se refere ao passado recente e alega o medo de, novamente, ficarmos ancorados num projeto cujo prazo de conclusão não temos controle, e assistirmos mais uma vez a rarefação dos parcos recursos que poderiam estar sendo direcionados para a manutenção dos níveis de estoque de suprimento ou para a renovação/atualização de equipamentos.

Outro conflito, que tem assolado a questão do reequipamento, é a chamada crise da decisão. Há os que dizem que a Força Aérea nunca conseguiu comprar o que ela realmente precisa, que nenhum estudo sobre o assunto que tenha sido concluído pelo Estado-Maior foi concretizando vis-a-vis às necessidades estratégicas extraídas de uma concepção de emprego do Poder Aéreo, que sempre foram compradas aeronaves atreladas a uma disponibilidade orçamentária ou a um critério político, etc. E há os que dizem que muitas boas oportunidades foram perdidas pela lentidão das decisões ou a ausência delas.

Toda essa discussão acontece sem que se perceba que ela será interminável, pois a solução dessa questão está fora da Instituição, ou não lhe pertence. Por melhor que sejam os estudos elaborados para a escolha de um vetor e por maior que seja o consenso em torno desse, a compra sempre estará submissa à vontade do poder político e, enquanto este não considerar a defesa como um tema prioritário, os recursos financeiros que sobrarem de outras demandas nacionais é que serão carreados para a defesa. O que não é um fato surpreendente, porque as Forças Armadas são aquilo que a Nação pode ter. Os políticos não têm como concordar com a existência de um poder militar dissociado de outras realidades sociais do pais.
Talvez os militares tenham falhado nesse diálogo com o Poder Político. Talvez tenha-lhe faltado o poder de convencimento para dizer que é mais caro para a Nação a manutenção de uma sucata ineficiente, do que a compra de poucos mas modernos equipamentos. Talvez tenham caído na tentação de condicionar a existência da Força Armada aos equipamentos que deva possuir e não a uma consistente concepção estratégica de defesa.

Brigadeiro do Ar Delano Teixeira Menezes
Piloto de Caça – Turma 1975

FONTE: Site da ABRA-PC – Associação Brasileira de Pilotos de Caça / FOTO: Arquivo de Aparecido Camazano Alamino

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BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre esse e outros assuntos no ‘Xat’ do Poder Aéreo, clicando aqui.

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Os Esquadrões de Caça da FAB

Você conhece os Esquadrões de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira? Onde eles ficam localizados? Que aeronaves possuem?

Na sua opinião, com quais aeronaves você equiparia cada um destes Esquadrões nos próximos 10 anos? Mudaria a base de algum deles? desativaria alguma unidade? Criaria mais algum esquadrão?

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A hora da verdade para o Rafale

Andrei Netto

A França espera receber a qualquer momento uma confirmação de Brasília sobre a compra dos 36 caças que equiparão a Força Aérea Brasileira (FAB). Depois dos constantes adiamentos, o Ministério da Defesa francês trabalha com a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispõe de todos os estudos técnicos relativos ao Dassault Rafale e aos seus concorrentes, o norte-americano Boeing F-18 Super Hornet e o sueco Gripen NG, realizados pelo Ministério da Defesa brasileiro.

Segundo Hervé Morin, ministro da Defesa, a resposta é aguardada nas próximas duas semanas. “Eu espero tranquila e serenamente o anúncio ou a declaração do presidente Lula, que ele havia previsto para o mês de julho”, revelou.

Em 15 de maio, durante uma viagem da comitiva presidencial a Doha, no Catar, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, informou que na semana seguinte entregaria os documentos ao Palácio do Planalto. A partir de então, ficaria nas mão de Lula bater o martelo e encerrar a novela FX-2.

Sobre o desfecho do folhetim, Morin está certo de que a escolha do Brasil deve mesmo recair sobre a aeronave francesa, como o presidente Lula indicou em setembro de 2009. “O Brasil é um parceiro estratégico maior e decidiu de refazer suas forças armadas em especial com a indústria francesa”, afirmou.

Parte desse contrato, como revelou a reportagem de Roberto Godoy, publicada pelo Estado no domingo, já está em curso. Três dos 50 helicópteros EC-725, fabricados pela Eurocopteur/ Helibras e adquiridos pelo governo brasileiro para equipar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, já estão em fase final de montagem.

O mesmo acontece com os submarinos Scorpène, que entraram em linha de montagem em um estaleiro do sul da França neste ano.

Falaremos mais sobre os negócios militares do Brasil e da França nos próximos dias.

FONTE: estadao.com

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Um motor só será suficiente?

Canadá anuncia compra do F-35 e debate volta à questão monomotor X bimotor

O F-35 Lightning II – que em breve será designado CF-35 no Canadá – foi, de fato, a única escolha possível do país para um novo avião de caça. Mas ele está cercado de críticas e muitas perguntas não respondidas sobre a sua adequação a uma grande nação setentrional.

Ele foi acusado de ser demasiadamente caro, demasiadamente lento (no ar, e no seu desenvolvimento), não furtivo o suficiente e possivelmente até mesmo incapaz de se defender contra avançados caças russos. Em suma, os críticos argumentam que o F-35 não é “o melhor avião que podemos oferecer aos nossos homens e mulheres de uniforme”, como ministro da Defesa, Peter Mac Kay disse ao anunciar a compra ontem (16-07).

A questão crucial para o Canadá é o fato do F-35 ter um único motor. A Força Aérea Canadense, que historicamente optou por caças bimotores, acredita que eles tenham uma melhor chance de sobrevivência para patrulhar o vasto território do Canadá.

O Tenente-Coronel da Reserva Billy Allen, instrutor do Royal Military College, disse que no caso de uma falha em um dos motores durante, digamos, uma missão sobre o Ártico, o piloto e o avião teriam alguma chance de voltar à base – um cenário muito melhor do que um avião acidentado e um o piloto lutando pela sua sobrevivência na tundra.

“Se um motor apagar, você ainda pode voltar para casa”, afirmou o Tenente-Coronel Allen. “No Canadá, isto é considerado importante. A meta era recuperar os aviões e repará-los, porque só tínhamos [138], um número muito pequeno se comparado a outras naçõess que voam o F-18.”

Os outros concorrentes que dizem que dois motores são mais vantajosos são a Boeing, fabricante do F/A-18 E/F Super Hornet, um “primo avançado” do atual CF-18, e o consórcio Eurofighter, desenvolvedor do Typhoon. Ambos queriam que o Ministério da Defesa Nacional optasse por um dos dois caças bimotores, como foi feito durante a década de 1970 quando o Canadá escolheu o F/-18 no lugar do F-16.

A vantagem de se ter dois motores “é muito evidente”, disse o diretor do programa Super Hornet em entrevista ao Post.

Os defensores do JSF dizem que a tecnologia do motor do avião é muito avançada e que as taxas de atrição do monomotor F-16 são comparáveis às do F-18.

Aqueles que apoiam o JSF também apontam o fato do F-35 ser o único caça de 5a geração disponível no mercado aos países da OTAN (ou compra-se o JSF ou você vai para os russos). O Brigadeiro da reserva Paul Hayes, ex-piloto, disse em uma entrevista ao Post de ontem que o F-35 “é realmente um passo a frente de toda a tecnologia existente atualmente. Não há nada igual a ele no mercado”.

Todos os potenciais concorrentes ao F-35 – o Typhoon, o Super Hornet, o sueco Saab Gripen, para não mencionar o Rafale da França (muito caro para ser considerado) – representam, para a maioria dos observadores, a tecnologia de 10 anos atrás. Apesar de suas respectivas empresas informarem o oposto, o consenso nos círculos militares é de que nenhum desses aviões formará a linha de frente em 2030. Nenhum deles são verdadeiros aviões stealth, enquanto o F-35 tem uma assinatura radar do tamanho de uma bola de golfe.

Embora a Austrália tenha decidido comprar o Super Hornet, a compra foi feita com o propósito de preencher a lacuna entre os seus próprios F-18 Hornet e seu futuro F-35. O Canadá acabou pulando uma geração.

De qualquer forma, o F-35 foi a única opção viável para o Canadá. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Itália, a Austrália e Israel já tinham feito as suas escolhas em relação ao JSF como próximo caça, o que significa milhares sairão da linha de montagem nos próximos anos (incluindo mais de 2.400 para a US Navy , USAF e USMC).

A falta de opções para os membros da OTAN tirou do Canadá a chance de optar por qualquer outra aeronave e pode explicar em grande parte a polêmica escolha do JSF. Mas pelo menos garante a possibilidade da nossa força aérea pedir emprestado os mesmos sobressalentes dos nossos aliados quando operarem em bases aéreas comparilhadas nas próximas décadas.

FONTE: National Post

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aéreo

As opiniões expressas no texto não refletem, necessariamente, as opiniões do Poder Aéreo.

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Eduardo Siqueira Brick*

vinheta-opiniao-aereoO Brasil está por fazer um investimento de grande porte em 36 aeronaves de combate para a FAB. Trata-se de uma aquisição que comprometerá, por um longo tempo, sua capacidade aeroespacial, tanto operacional, quanto produtiva.

Apesar de ser assunto de grande relevância, o mesmo não tem sido adequadamente debatido, principalmente no que diz respeito à identificação dos objetivos prioritários, aos critérios de decisão mais adequados a esses objetivos e à análise das várias soluções de compromisso possíveis.

Em primeiro lugar cabe a seguinte questão: Qual é o maior benefício que o Brasil deveria esperar desse investimento?

O principal benefício está na contribuição que ele pode dar ao credenciamento do Brasil como um país com forte capacidade industrial, baseada em Ciência, Tecnologia e Inovação.

Não há alternativa para a soberania, a independência e o desenvolvimento econômico e social, que não seja essa, pelos seguintes motivos:

a) garante competitividade no mercado internacional para produtos com maior valor agregado (O Brasil, perigosamente, vem se transformando em um país exportador de commodities com baixo valor agregado);

b) proporciona empregos de melhor qualidade e renda; e

c) é componente importantíssimo do Poder Efetivo do país, principalmente do militar, sem o qual o Brasil não conseguirá dissuadir ameaças nem defender com eficácia, e com custos reduzidos, seus interesses nos fóruns internacionais, onde decisões que o afetam são tomadas.

Portanto, a motivação principal não é somente a defesa do país, em curtos e médios prazos, mas sim a sua capacitação tecnológica industrial para enfrentar um futuro incerto, tanto do ponto de vista de competitividade no mercado internacional quanto de defesa.

Um investimento desse porte não será feito talvez nos próximos trinta anos. Não se pode perder esta oportunidade. A falta de ameaças presentes é um argumento a mais a favor.

Assumindo que o objetivo síntese acima delineado – a obtenção de autonomia tecnológica industrial – represente o principal benefício desse investimento, cabe agora analisar os critérios de escolha, que podem ser classificados em cinco categorias.

Importância Estratégica: Sob este critério, a melhor proposta é aquela que mais contribua para credenciar o Brasil como um país capaz de desenvolver Ciência, Tecnologia e Inovação em alto nível e para o fortalecimento de uma indústria competitiva a nível internacional, tanto para uso civil como militar.

É sabido que a maneira mais eficaz de absorver tecnologia é participar ativamente do desenvolvimento, na mesma medida em que não há transferência de tecnologia para quem não sabe desenvolver. Licenças de fabricação ou “off-sets” não relacionados à concepção, projeto e desenvolvimento do sistema principal não contribuem muito para este fim.

Política: A Estratégia Nacional de Defesa prevê, entre outras coisas, a opção pela capacitação da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira e sinaliza com a possibilidade de se estabelecerem alianças estratégicas com outros países.

Entretanto, é necessário ter alguns cuidados, pois não se pode confiar cegamente na durabilidade das parcerias entre estados, porque as situações mudam. Por esta razão, a parceria estratégica com qualquer dos candidatos (França, Suécia e EUA) deve ser analisada sob o ponto de vista do objetivo principal de avançar com a maior celeridade possível na direção de uma grande autonomia tecnológica para defesa.

Ao fazer uma opção também é bom observar o problema de assimetria entre parceiros. Em tese, quanto mais vulnerável e/ou equivalente for o parceiro, maior a possibilidade de uma parceria que envolva desenvolvimentos conjuntos, fornecimento de componentes críticos e acesso ao mercado internacional. No fundo é isso que realmente importa.

Eficácia operacional: Este é o nível puramente militar do problema. Evidentemente é o MD quem deve definir se as alternativas atendem às necessidades de defesa do Brasil. Cabem apenas duas considerações:

a) Já houve uma pré-seleção das alternativas. Evidentemente, apenas aquelas que atendiam às necessidades do Brasil passaram no crivo inicial;

b) O Brasil dispõe de um tempo razoável para “perder” no desenvolvimento de uma solução com grande dose de participação da indústria brasileira. Este tempo nos é ofertado pela falta de ameaças relevantes nos curtos e médios prazos.

Eficiência/Custo: Aqui é importante chamar a atenção para o fato de que o custo que interessa não é apenas o de aquisição das aeronaves. O que vale é o custo de posse por toda a vida útil. Este envolve os custos de concepção, desenvolvimento, fabricação, operação, manutenção, modernização e desativação.

O custo de aquisição, para sistemas desse tipo, é muito inferior aos demais. A imagem que se usa para ilustrar este fato é a do iceberg. A parte visível do iceberg é o custo de aquisição. A parte imersa, muitíssimo maior, representa os demais custos.

Ignorar essa realidade é receita segura para um cenário de indisponibilidade de recursos para custear a operação e de meios parados por falta de manutenção ou sucateados.

Logística: Um aspecto que se deve ressaltar é o fato que uma aeronave militar moderna depende de muitos componentes críticos que, hoje, sofrem grande cerceamento por parte dos países que detém essas tecnologias.

A Embraer alcançou grande competitividade internacional, mas sua cadeia de suprimentos está localizada majoritariamente no exterior, principalmente para esses itens críticos.

A dependência de componentes críticos representa uma grande vulnerabilidade. O Brasil não pode ter a ilusão de que obterá os itens críticos de que necessitar no mercado internacional em todas as situações, principalmente aquelas de crises internacionais.

De qualquer forma, qualquer que seja a escolha entre as três alternativas disponíveis, este investimento não vai resolver todos os problemas. Sua solução requer medidas novas e mais abrangentes. Este também é um longo processo que não pode mais ser postergado sob pena de comprometimento irremediável do futuro da nação.

*Professor do Departamento de Engenharia de Produção e coordenador-adjunto do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF).

FONTE: Monitor Mercantil

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Para que técnica?

Edgar Lisboa

vinheta-clippingA decisão sobre a compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) pode sair ainda em junho. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), após recebimento do parecer do Conselho de Defesa Nacional, o presidente Lula escolherá o modelo. Sim, nosso maior especialista em aeronaves militares fará a escolha. Às favas com que pensam os técnicos aeronáuticos, quem entende bem de avião é Lula, que ao que me lembre, nunca pilotou nem teco-teco. O presidente tem reforçado que ele dará a palavra final na compra dos caças, como se isso não fosse um acintoso disparate.

Enquanto toda a administração, no Brasil e no mundo, tanto pública, quanto privada, caminha para licitar todos os contratos de aquisição de bens e prestação de serviços, diminuindo sensivelmente a corrupção nestes procedimentos, nosso estadista diz que a compra de aviões é uma decisão política. Comprar aviões é decisão técnica, por mais que nosso governante possa insistir no contrário. Toda essa polêmica gerada por essas declarações vergonhosas, já fizeram com que a compra dos aviões fosse interrompida três vezes, e a FAB teve que se contentar com 12 Mirages 2000 usados para substituir os velhos Mirage III. Tem mais: caso o governo petista perdure, também serão substituídos, até 2014, nossos Hércules C-130, com mais uma decisão política, é claro. Para que técnica quando se tem a maior aprovação popular da história?

FONTE: Jornal do Comércio, via Notimp

NOTA DO BLOG: o “clipping” publicado acima é a opinião de um jornalista e não reflete necessariamente a opinião do blog

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Mais uma boa oportunidade perdida

Rafale 03

Depois de tanto tempo aguardando o desfecho do Programa F-X da FAB na sua versão 2.0, a data de hoje – Dia da Aviação de Caça, seria uma ótima oportunidade para o Presidente Lula acabar logo com o sofrimento e ansiedade de muitos brasileiros que se preocupam com o assunto. Mas não foi desta vez.

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O emprego dos ‘Sabres’ e a ‘Lei do Abate’

Os Mi-35M da FAB podem complementar os Super Tucanos e, até mesmo, executar melhor as etapas finais de interceptação de aeronave ilícitas

Barra de Cinco Pixels

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Por Guilherme Poggio

vinheta-exclusivoOs helicópteros da família Mi-24/35 (conhecidos na OTAN como “Hind”), desenvolvidos e produzidos na Rússia, são únicos em sua categoria. Eles representam um híbrido entre um helicóptero de transporte de tropa e um helicóptero de ataque.

No Ocidente optou-se pela separação entre helicópteros de ataque e helicópteros de transporte. Eventualmente estes últimos são configurados com armamento coaxial ou de tiro lateral, mas nenhum deles é comparável ao “Hind”.

O Mi-24 foi a resposta soviética à família Huey Cobra norte-americana. No entanto, os soviéticos rejeitaram a ideia de construir um helicóptero de ataque puro e acabaram criando uma nova classe que muitos classificam com “helicóptero de assalto”, sendo capaz de transportar tanto um pequeno grupo de combatentes como dar cobertura ao mesmo através de um fantástico poder de fogo.

Estas características o tornaram único também em uma outra tarefa, o policiamento do espaço aéreo brasileiro contra aeronaves ilícitas. Nenhuma outra aeronave do inventário da FAB (ou de qualquer outra Força) possui as características e os recursos que o AH-2 Sabre (como são chamados os Mi-35) possui para a execução dessa missão.

Desempenho comparado

É óbvio que o desempenho em voo de uma aeronave de asas rotativas é sempre inferior ao desempenho das aeronaves de asas fixas. No entanto, neste caso específico deve-se comparar o desempenho da aeronave com a execução da missão como um todo. Desta forma, ver-se-á ao final deste texto, que a aeronave de asa fixa não só é menos adequada para as etapas finais do processo de interceptação, como as suas características (ou melhor, a ausência de algumas) podem comprometer a operação.

Como era esperado, o Sabre possui alcance e velocidade inferiores ao Super Tucano. A velocidade do Sabre é muito inferior à velocidade do Super Tucano, mas extremamente compatível com a velocidade da grande maioria das aeronaves que fazem voos não autorizados sobre território brasileiro.

Toma-se como exemplo um monomotor tipo Cessna 172, um dos aviões mais produzidos no mundo. Este pequeno avião é largamente empregado em ações ilícitas por uma série de razões incluindo: baixo custo de aquisição (muitas vezes produto de roubo ou furto em fazendas), robustez, fácil pilotagem e manutenção e características STOL (Short Take Offa and Landing).

Foram fabricados mais 43.000 exemplares do Cessna 172 com diferentes características, mas, em geral, eles possuem velocidade máxima inferior a 160 nós (300 km/h) e alcance de menos de 1000 km em altitude ideal. Deve-se frisar que quando empregado em ações ilícitas, a capacidade de carga interna é muitas vezes extrapolada e o voo ocorre em baixas altitudes. A associação dessas duas características reduzem o desempenho geral da aeronave, trazendo-a para o envelope de voo natural do AH-2 Sabre.

Se o Super Tucano pode partir de uma base distante e rapidamente interceptar a aeronave, o Sabre pode estar melhor posicionado (ou “desdobrado” a partir de sua base principal). Basta que o Sabre permaneça posicionado próximo às rotas principais de aeronaves ilícitas, previamente levantas em trabalhos de inteligência policial.

Emprego do armamento para tiros de advertência

Feita a interceptação e os procedimento iniciais com uma aeronave Super tucano, o Mi-35 passa a ser uma aeronave muito mais versátil, precisa e adequada para a etapa seguinte, onde há a possibilidade do emprego do armamento. Por contar com um tripulante encarregado do sistemas de armas, o piloto pode permanecer totalmente concentrado no voo, deixando essa tarefa para o artilheiro.

Segundo a “Lei do Abate”, caso o piloto da aeronave suspeita não atenda às medidas de intervenção, a aeronave da FAB será autorizada a passar para o nível 3, que consiste na realização “de tiros de advertência, com munição traçante, lateralmente à aeronave suspeita, de forma visível e sem atingi-la.”

Este detalhamento da Lei foi feito tendo-se em mente uma aeronave de asas fixas dotada de armamento de tiro axial. Com o Sabre e o seu armamento orgânico de dois canhões de 23 milímetros, montados em uma torre móvel frontal, os tiros de advertência podem ser dados não necessariamente pela lateral como também abaixo e à frente da aeronave interceptada.

Esta parte da Lei pode e deve ser modificada, pois daria à aeronave da FAB uma maior liberdade de movimento e posicionamento, sem afetar o propósito maior da legislação.

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Uma aeronave de asa fixa que emprega metralhadoras que disparam no sentido axial, como é o caso dos Super Tucanos, existe a necessidade da mesma manobrar para adquirir um melhor posicionamento e poder efetuar os disparos. Esse tipo de manobra pode “roubar” um tempo precioso, dando uma chance maior à aeronave interceptada fugir para o espaço aéreo vizinho.

O tiro de destruição

Ainda segundo a “Lei do Abate”, o tiro de destruição consiste na realização de disparo de tiros, feitos pela aeronave de interceptação, com a finalidade de provocar danos e impedir o prosseguimento do voo da aeronave transgressora. Ou seja, o tiro de destruição não é exatamente aquilo que se imagina dele, pois a aeronave não deve ser destruída, como alguns podem imaginar.

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Neste ponto o Sabre leva ampla vantagem. Tanto o Super Tucano como o Sabre possuem armamento orgânico com calibres de uso militar (.50″ e 23 mm respectivamente) que, independentemente do local do impacto, farão um estrago enorme na aeronave considerada hostil, podendo derrubar a mesma ou torná-la incontrolável.

Mas o Sabre, por ser um helicóptero de assalto, pode transportar uma equipe dotada de armas de mão na sua cabina principal. O emprego do armamento de mão, além de possuir um poder de fogo muito menor, também causará avarias de pequena monta na aeronave considerada hostil, sendo muito mais adequado para o propósito de provocar danos e impedir o prosseguimento do voo.

Toda a família “Hind”, desde os modelos mais antigos até os mais recentes, permite que ocupantes da cabina principal façam uso do seu armamento, mesmo com a aeronave em voo. Isto faz com que o “tiro de destruição” torne-se um “tiro de precisão”, atingindo todos os objetivos do mesmo.

Em solo

UH-1_vertical_foto-FABApós o tiro de destruição a aeronave hostil ficará impedida de prosseguir o seu voo e o seu piloto procurará o melhor local para o pouso. Com a aeronave no solo, a missão do Super Tucano estará concluída, e uma equipe de terra dará prosseguimento.

O problema é que, por diversas vezes, este hiato entre o pouso da aeronave hostil e a chagada de uma equipe de terra permitiu que o piloto ou qualquer outro ocupante da aeronave perseguida evadisse.

Com o Sabre o pouso da aeronave hostil é apenas o começo da história. Por ser um helicóptero, o mesmo poderá pousar em qualquer local próximo à aeronave hostil. Mesmo que ela tenha feito um pouso forçado em local desprovido de condições seguras para o pouso do helicóptero (como por exemplo em uma mata fechada ou no rio), o Sabre poderá, através de técnicas verticais tipo ‘Fast-roping’ descer uma equipe em solo para deter o piloto e fazer as primeiras averiguações do conteúdo transportado pela aeronave. Ainda no ar, o Sabre pode fornecer cobertura aérea para a equipe de terra, além de documentar toda a ação e manter comunicação constante com a base ou o centro de operações.

Comentários Finais

Definitivamente o emprego do Mi-35 em ações de policiamento do espaço aéreo brasileiro pode vir a ser uma realidade e tornar-se mais uma das várias atividades que esses versáteis helicópteros podem executar. O Sabre será uma excelente ferramenta no fechamento das fronteiras brasileiras.

O seu papel poderá complementar a ação dos Super Tucanos , deixando para estes as ações iniciais de acompanhamento e interceptação. Já nas etapas finais do processo o Sabre pode executar melhor a missão conforme demonstrado acima.

Deve-se lembrar que o primeiro (e até o momento único) esquadrão a empregar os Sabres (2º/8º GAV – Esquadrão Poti) dividirá a mesma base com os Super Tucanos do 2º/3º GAV (Esquadrão Grifo). Portanto, o estabelecimento de uma relação produtiva entre as duas unidades no estabelecimento de novas doutrinas conjuntas ainda está por vir e muitas lições serão tiradas.

FOTOS: AICG, Rondoniaovivo, FAB

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