E-190 AEW&C - proa - imagem Embraer

vinheta-especialDentre os produtos que a Embraer Defesa & Segurança (EDS) deverá divulgar durante a LAAD 2013 estão as novas aeronaves da família ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance – Inteligência, Vigilância e Reconhecimento). A família está dividida em três categorias.

ISR AEW&C

A primeira delas e a mais conhecida é a categoria AEW&C (Airborne Early Warning and Control – Aerta Aéreo Antecipado e Controle). Estas plataformas multimissão cumprem as seguintes missões:

  • Alerta Aéreo Antecipado
  • Vigilância Ar e Mar
  • Gerenciamento do Espaço Aéreo
  • Alocação de Caças e Controle de Interceptação
  • Alocação de Recursos
  • Inteligência Eletrônica (ELINT)
  • Vigilância de Fronteiras
  • Coordenação de Busca e Salvamento
  • Vetoramento de Caças e Aviões-tanques

As plataformas ISR AEW&C possuem radar multimissão com tecnologia AESA (Antena de Varredura Eletrônica Ativa) multimodo pulso Doppler, permitindo a detecção e rastreamento de alvos aéreos operando a baixas altitudes, sob todos os tipos de “clutter” de radar (detecções indesejáveis).

Também possuem capacidade para gerenciamento tático e defensivo das forças. O sistema de Comando e Controle (C2) de arquitetura aberta integra processos e dissemina informação por meio de sistemas de Comunicações Táticas, Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica, Sistema de Identificação Automática e Sistema de Autoproteção, entre outros.

Além dos sensores e sistemas de missão, as plataformas Embraer ISR AEW&C poderão ser equipadas com um sistema de comunicação tática composto de enlace de dados de banda larga com capacidade BLOS (além do campo visual) e/ou WLOS (dentro do campo visual), processados em tempo real.

EMB-145 AEWC configuracao interna

 

O membro mais conhecido é o EMB-145 AEW&C, baseado na plataforma da aeronave comercial ERJ-145. Atualmente ele é utilizado pelas Forças Aéreas do Brasil (conhecido como R-99 na FAB), Grécia, México e futuramente da Índia. Há também interesse na Argentina na aeronave (veja link da lista ao final). A imagem acima mostra uma configuração interna típica.

A grande novidade está no possível oferecimento de uma versão AEW&C que empregaria a plataforma comercial E-170/190, como mostra a imagem abaixo divulgada pela Embraer. O emprego de uma plataforma maior apresenta diversas vantagens que vão desde o aumento da autonomia até uma quantidade maior do número de estações de trabalho, podendo gerenciar muito mais dados e informações ao mesmo tempo.

E190 AEWC

O perfil da plataforma apresentada pela Embraer apresenta diversas modificações externas como a redução do número de janelas no que antes era a cabina dos passageiros, bem como mudanças aerodinâmicas nos estabilizadores horizontais em função da adição da carenagem da antena do radar sobre a fuselagem (possivelmente um Erieye).  Também podem ser observadas diversas antenas espalhadas por toda a fuselagem, principalmente no dorso e no ventre. O desenho não apresenta sonda de reabastecimento fixa.

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ISR MP

A segunda categoria, designada como ISR MP (Maritime Patrol), está dedicada a plataformas que atuam principalmente sobre ambiente marítimo. Estas aeronaves cumprem as seguintes missões:

  • Patrulha Marítima (MP)
  • Busca e Salvamento (SAR)
  • Repressão ao Contrabando, Pirataria e Narcotráfico
  • Vigilância de Zonas Econômicas Exclusivas (EEZ)
  • Guerra Eletrônica (EW), Inteligência Eletrônica (ELINT)
  • Inteligência de Comunicações (COMINT)

EMB-145 MP interno

As plataformas Embraer ISR MP são capazes de voar em altas velocidades e altitude durante missões de vigilância e patrulha, o que permite reduzir o tempo de reação quando necessário. Também podem voar em baixa altitude, dentro dos limites operacionais para cumprirem missões SAR.

Além dos sensores de inteligência, as plataformas Embraer ISR MP poderão ser integradas com um sistema de comunicação tática composto de enlace de dados de banda larga, com capacidade BLOS (além do campo visual) e/ou LOS (dentro do campo visual), processados em tempo real.

A plataforma mais conhecida dessa família é o EMB-145MP. Atualmente o México é o único usuário desta vesão, tendo adquirido dois exemplars em 2004. O principal sensor do avião é um radar Raytheon SeaVue, além de um FLIR AAQ-22 StarSafire. Mas a plataforma pode ser equipada outros sensores, de procedências diversas.

EMB 145 MP

Plataformas de menor porte

Agora, além da plataforma EMB-145, a Embraer também está oferecendo plataformas menores, baseadas nos jatos executivos Phenom 300 e Legacy 600/ERJ 135.  Esta é a primeira vez que o Phenom 300, o maior dos jatos executivos da família Phenom, aparece “de uniforme”. A princípio, as modificações externas parecem ser pequenas. A mais visível é um sensor tipo FLIR na seção ventral, logo atrás da asa. Pelo desenho apresentado (abaixo), não houve alteração nas janelas.

Phenom 300 MP

Já a plataforma baseada no Legacy 600/EMB-135 possui mais alterações e assemelha-se às modificações introduzidas no EMB-145 MP. Há um sensor tipo FLIR na proa e uma carenagem entre as asas para, provavelmente, abrigar a antena de um radar de vigilância marítima. Boa parte das janelas foi removida.

EMB-135 MP

ISR Multi Intel

A terceira e última categoria de plataformas ISR da Embraer foi denominada “ISR Multi Intel”. Essas aeronaves voam em altitudes elevadas, em qualquer condição meteorológica, dentro ou fora do teatro operacional. Sua função é apoiar operações civis ou militares em solo, como por exemplo:

  • Apoio Tático Direto
  • Inteligência Estratégica
  • Operações Especiais
  • Operações Antiterrorismo
  • Monitoramento Ambiental
  • Busca e Salvamento (SaR)

Além dos sensores de inteligência, as plataformas Embraer ISR Multi Intel poderão ser equipadas com um sistema de comunicação tática composto de enlace de dados de banda larga, com capacidade BLOS (além do campo visual) e/ou LOS (dentro do campo visual), processados em tempo real.

EMB-145 Multi intel interno

Duas plataformas foram propostas. A primeira está baseada no EMB-145, cujo aspecto externo assemelha-se muito ao do EMB-145 MP. A disposição interna é apresentada no desenho acima. A segunda plataforma ISR Multi Intel emprega o jato executivo Phenom 300 e possui o mesmo arranjo externo do proposto para a categoria MP.

Embraer plataformas ISR

IMAGENS: adaptadas a partir de originais da Embraer

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O Diretor-Geral do DECEA, Ten Brig do Ar Marco Aurelio Gonçalves Mendes, explica a infraestrutura do controle de Tráfego Aéreo, a formação dos controladores, a preparação do DECEA para as Olimpíadas e a Copa do Mundo.

 

FONTE: Comando da Aeronáutica

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Treinamento de guerra aérea lembra caças duelando no ar, bombas, mísseis, velocidades supersônicas. Mas o que acontece na arena de combate é resultado de decisões tomadas em terra, com base nos objetivos, estratégias, inteligência e até impactos nos meios de comunicação. É esse o objetivo da CRUZEX C2 2012: treinar os Comandantes de uma guerra aérea. C2, no caso, é uma referência à “Comando e Controle”, dois dos maiores desafios em um conflito moderno.

Diferentemente das cinco edições anteriores, a CRUZEX deste ano não terá aeronaves – todo o treinamento acontecerá de forma virtual. Ao contrário do que pode parecer, no entanto, este nova forma de conduzir o exercício proporciona melhores condições de treinamento. “No modelo virtual não há limite de meios. Ou seja, é possível colocar um número praticamente ilimitado de aeronaves voando. Isso torna o exercício muito mais flexível, trazendo novos desafios para as equipes de C2”, afirma o Major Brigadeiro Antônio Carlos Egito, diretor da CRUZEX C2 2012.

No modelo Comando e Controle, todas as missões aéreas são virtuais e servem apenas para gerar os eventos necessários para o andamento do exercício. Para tornar o ambiente virtual mais parecido com uma guerra real, há ataques inimigos e planejamento de missões inesperadas. Além disso, são introduzidas no cenário simulado variáveis presentes em conflitos reais, como campos de refugiados, problemas humanitários e restrições políticas. No modelo virtual, é possível treinar até as reações dos Comandantes no caso de fracasso em missões, aeronaves derrubadas ou acidentes. O resultado de cada missão também interfere no objetivo da manobra seguinte.

“Uma ordem dada de forma propositadamente errada, se não for revisada, pode levar a uma falha na missão. Todos esses detalhes têm que ser percebidos pelas equipes que participam da estrutura de Comando e Controle. A intenção é fazer com que as células decisórias trabalhem mais”, afirma o Coronel Antônio Lorenzo, coordenador do Exercício. A Força Aérea da Coalizão simulada terá toda a estrutura semelhante à empregada pela OTAN, com um Comandante e Chefes de setores como Inteligência, Operações, Planejamento, Logística e Comunicação, dentre outros.

Todo o “Ciclo Decisório” acontece exatamente como ocorreria em um conflito real: as equipes têm que combinar estratégias e capacidades para executar cada missão de ataque ou defesa. Além de escolher alvos estratégicos, terão que definir como atacá-los, superando as defesas do país inimigo. As informações iniciais, simuladas, são fornecidas pela Direção da CRUZEX e os voos das unidades aéreas também acontecem somente em simulação. No meio dessas duas fases, os processos de tomada de decisão são reais.

A guerra aérea simulada acontece a partir de um conflito fictício envolvendo a invasão do país Amarelo por tropas do país Vermelho e a posterior intervenção de uma coalizão liderada pelo país Azul. O cenário criado é muito parecido com conflitos recentes, como os que aconteceram nos Balcãs e no Oriente Médio nos anos 90. As forças aéreas aliadas têm que operar de forma coordenada, como em missões autorizadas pelas Nações Unidas. Desde as reuniões de planejamento até a discussão dos resultados de cada missão, a CRUZEX é conduzida de acordo com procedimentos adotados pela OTAN.

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CRUZEX chega aos dez anos como marca no treinamento da Força Aérea Brasileira

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A história dos exercícios simulados no Brasil se divide entre antes e depois de 2002. Naquele ano, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, foi realizada a primeira edição do Exercício Cruzeiro do Sul, a CRUZEX I, que contou com a participação de cerca de 50 aeronaves das Forças Aéreas do Brasil, Argentina, Chile e França.

A novidade não era os F-5E da FAB, ainda antes das modernizações, combaterem de forma simulada os Mirage 2000 franceses – exercícios semelhantes já haviam acontecido na década de 90. A diferença é que pela primeira vez o Brasil organizava um exercício onde as ações de Comando e Controle tinham destaque. Ainda sem seus E-99, a FAB via os E-3 da Força Aérea Francesa cumprirem o papel de centros de controle no céu, uma novidade que hoje, dez anos depois, faz parte do dia-a-dia das operações brasileiras.

Entre muitos acertos e erros no mundo simulado – e também no mundo real – a CRUZEX trouxe ensinamentos e mostrou a necessidade de uma nova edição, repetida já em 2004. Dessa vez, o cenário mudou: do Sul, a CRUZEX II aconteceu no Nordeste, e a Base Aérea de Natal se tornou ponto principal de apoio para os caças do Brasil, França, Argentina e Venezuela.

“A operação foi evoluindo a cada edição e, aos poucos, foram inseridas outras aviações, equipamentos e novos cenários no exercício. Também foram incluídas missões SAR (busca e resgate), reconhecimento eletrônico, transporte de tropa e resgate de não combatentes”, explica o Major-Brigadeiro Antônio Carlos Egito, Diretor da CRUZEX C2 2012. No caso da CRUZEX II, pela primeira vez, helicópteros foram envolvidos em um cenário fictício que incluiu o treinamento de resgate em ambientes hostis (C-SAR).

Em 2004, a FAB estreava na CRUZEX seus E-99 (na época ainda designados R-99A), ao lado de modelos que hoje já não voam mais, como os F-103 Mirage e AT-26 Xavante. Já a Venezuela trouxe seus F-16 e Mirage 50. A Argentina mais uma vez trouxe seus A-4AR e os franceses seus Mirage 2000C/B/N. Além das Bases de Natal, Recife e Fortaleza, as cidades de Campina Grande (PB) e Mossoró (RN) também serviram como bases de desdobramento.

Dois anos depois, a CRUZEX III tinha um novo cenário: o Centro-Oeste. Sete países iriam participar com aeronaves: Argentina, Brasil, Chile, França, Peru, Uruguai e Venezuela. Lamentavelmente, um A-37 da Força Aérea do Peru caiu em Porto Velho (RO) no deslocamento para Anápolis (AN), e o país andino cancelou a participação de suas aeronaves. O mesmo modelo, no entanto, entrou em ação nas cores uruguaias.

O destaque dessa edição foi a estrutura de barracas montada em Anápolis (GO), onde funcionava a sede da Força de Coalizão simulada. Pela primeira vez, a FAB também empregou seus caças F-5EM, modernizados, que simulavam combates além do alcance visual (BVR) com mísseis Derby. Outra marca da renovação da frota foi o emprego dos turboélices A-29 Super Tucano.

As CRUZEX IV e V, em 2008 e 2010, marcaram a volta para o Nordeste. Na IV, o Brasil pela primeira vez utilizou seus F-2000, modelos semelhantes aos empregados pela França. Já na V, os franceses voaram pela primeira vez por aqui os seus caças Rafale, um dos modelos mais modernos empregados hoje no mundo. Os Estados Unidos também participaram pela primeira vez em 2010, com caças F-16.

FONTE: Cruzex C2 2012

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Para entender que conversa é essa, clique aqui para ver matéria no Poder Naval

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Segundo o jornal indiano The Hindu, o ‘olho no céu’ será entregue à Índia em junho

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Segundo reportagem publicada pelo jornal The Hindu  na quarta-feira, 4 de abril, foi realizado o primeiro voo do segunda aeronave totalmente modificada, pela brasileira Embraer, para o sistema desenvolvido na Índia de Alerta Aéreo Avançado e Controle (Airborne Early Warning and Control – AEW&C). O voo ocorreu no mesmo dia em São José dos Campos / SP, com um modelo simulado da antena instalado sobre a aeronave, conforme informações do jornal.

A aeronave deverá ser entregue à Índia em junho deste ano, para que outros sistemas de missão sejam integrados e os testes de voo possam começar em novembro. A primeira aeronave do tipo realizou seu voo primeiro voo em 6 de dezembro do ano passado, no mesmo local. A terceira deverá ser recebida em meados do ano que vem para ser equipada com o sistema AEW&C.

O Centro de Sistemas Aeroembarcados (Centre for Air-borne Systems  – CABS) de Bangalore, na Índia, está executando o sistema com a parceria de outros laboratórios da DRDO (Organização para Pesquisa e Desenvolviemento de Defesa – Defence Research and Development Organisation) à qual está subordinado. O CABS já desenvolveu aproximadamente 1.000 componentes do sistema de missão para o programa.

As antenas AESA (de varredura eletrônica ativa), que são os sensores primários do sistema AEW&C, foram desenvolvidas por outro laboratório da DRDO em Bangalore, o estabelecimento de desenvolvimento de radar e eletrônicos ( Electronics and Radar Development Establishment). Segundo o jornal, o sistema pode varrer 240 graus rapidamente, com um alcance de 350 km, acompanhando simultaneamente mais de 500 alvos.

São duas antenas instaladas uma de costas para a outra (votada para os lados da aeronave) na parte superior do avião, cobrindo 120 graus de cada lado. O sistema de vigilância secundária é um identificador amigo-inimigo (Identification of Friend or Foe – IFF), também desenvolvido pelo CABS.

Segundo V.K. Saraswat, o consultor científico do Ministério da Defesa Indiana e diretor-geral do DRDO, a aeronave modificada voou bem. Já o Dr. Christopher, que é diretor de programa para o sistema AEW&C System, disse: “O sistema AEW&C System vem sendo desenvolvido num modelo de consórcio com a ajuda de laboratórios da DRDO e parceiros industriais indianos. À parte os sistemas externos de missão desenvolvidos localmente e instalados nessa aeronave, os demais sistemas internos serão integrados após a chegada à Índia. A DRDO foi contratada para adquirir três aeronaves EMB 145 da Embraer (para terem os sistemas AEW&C instalados).

FONTE: The Hindu (foto DRDO via The Hindu)

Tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo

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Nesta segunda parte, as apresentações sobre o emprego do CDC (Centro de Desenvolvimento de Capacidades) na África do Sul, desenvolvendo soluções principalmente para as Forças Armadas e para as necessidades da Copa de 2010

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Como parte da apresentação do“Centro de Desenvolvimento de Capacidades”(CDC – Capability Development Centre), ferramenta que a sueca Saab e o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) planejam instalar no Brasil, foi feita a apresentação do general reformado Piet Verbeek, das Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF).

Na apresentação realizada na tarde de quinta-feira passada, 24 de novembro, Verbeek mostrou o uso do CDC para desenvolver soluções governamentais do setor de segurança, por parte da Saab Systems Grintek. O sistema foi usado como ferramenta para demonstrar conceitos e cenários aos clientes governamentais, estabelecendo bases para integração, testes e avaliações, como blocos que vão sendo montados conforme a necessidade. Ele mostrou a arquitetura do CDC sul-africano, como um showroom, com ambiente de laboratório e de sessões de planejamento. Foi constituído, com o sistema, um Centro de Projeto e Validação (DAV – Development and Validation), usado como fonte de conhecimento para desenvolver soluções ao longo do ciclo de vida de produtos e apresentar operações (militares, por exemplo) a representantes de organizações do governo e das Forças Armadas, em auditório instalado a milhares de quilômetros de distância do local da ação.

Outra iniciativa sul-africana que utilizou o CDC para sua concretização foi o IDE do Governo da África do Sul (Interoperability Development Enviroment – ambiente de desenvolvimento de interoperabilidade) apresentada por Hennie Harris, com foco na criação de parcerias para dirigir e examinar novas soluções em sistemas e serviços de informação e comunicação. O IDE é utilizado, por exemplo, pelas Forças de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF), para a tomada de decisões de vários níveis relativas a novos produtos de defesa, indo da plataforma em si ao plano estratégico, passando pelo tático e o operacional.

O objetivo do IDE é alinhar doutrina e desenvolvimento de sistemas, de forma que todos os envolvidos compartilhem o mesmo cenário, a mesma situação. Foi citado o “spin off”(benefício gerado) de que a Força Aérea Sul-Africana pôde começar a estabelecer sua doutrina no produto antes mesmo que ele estivesse pronto, o que contribuiu para evitar erros que poderiam gerar gastos de milhões.

Especificamente em relação à implantação do CDC para desenvolver sistemas como o IDE, Johan Swart da Saab ressaltou que, quanto mais cedo a ferramenta envolve o futuro usuário, melhor. Lembrou de quando foram desenvolvidas as primeiras telas sensíveis ao toque para aviões de caça, quando o futuro usuário (piloto) não havia sido envolvido logo no início do projeto. Depois, houve dificuldades básicas devido ao uso de luvas pelos pilotos. Afirmou que, com a ferramenta CDC, o usuário poderia ser envolvido de forma mais participativa desde o início, em reuniões com projetistas e outros tomadores de decisão.

Em relação ao desenvolvimento de sistemas de comando e controle para a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, foi desenvolvido com o auxílio do CDC o “Sistema de Visualização Operacional Conjunta” (JOPS – Joint Operating Picture System). O CDC foi utilizado para demostrações à FIFA e a outros atores envolvidos, assim como para o desenvolvimento do JOPS.

Com o desenvolvimento gradual do JOPS, de forma a se adequar à “contagem regressiva” para a Copa das Confederações de 2009 e a Copa do Mundo do ano seguinte, foram realizados exercícios, mostrando a diferença entre o tempo normal para se entender uma situação de crime e a necessidade de perceber isso em tempo real, para uma reação imediata, baseado em informações trazidas por diversas fontes. A reação precisa ser imediata num evento do tipo, para evitar, por exemplo, que uma aeronave que represente potencial ameaça entre no espaço aéreo restrito de um estádio de futebol, quando já é tarde demais para uma ação que evite danos colaterais (abater a aeronave nas proximidades de um estádio pode ter conseqüências trágicas para o público no solo).

O ponto básico do desenvolvimento do JOPS, a partir do CDC, é que não havia tempo hábil para se desenvolver novos sistemas e produtos de defesa do zero, então era necessário utilizar sistemas existentes e de procedência diversa para compor o cenário comum (common picture) de terra, ar e mar. Outro ponto destacado é que o uso do CDC em um país é muito mais interessante quando se tem uma necessidade real para a qual devem ser desenvolvidas e testadas soluções, como foi o caso da Copa de 2010.

Ao final, um exemplo diferente de sistema para compartilhar informações e tomar decisões, desenvolvido por uma universidade sueca

Finalizando as apresentações daquela tarde, foi feita a exposição de uma ferramenta que vem sendo desenvolvida pela Universidade Chambers de Tecnologia, em Gothenburg, na Suécia. Trata-se do sistema “Collaborative Tabletops”(literalmente, mesas colaborativas). Apesar de também focar a visualização e interação de grandes cenários por várias pessoas, não foi mostrado como um sistema diretamente ligado ao CDC. Porém, representa uma das oportunidades de parceria de desenvolvimento conjunto de pesquisadores suecos e brasileiros – a Chambers foi uma das instituições que assinaram carta de intenção, naquele mesmo dia, para a viabilização de bolsas de estudo na Suécia para pesquisadores do Brasil, trabalho que vem sendo intermediado pelo CISB.

Segundo o responsável pela coordenação do projeto na Chambers, Morjen Fjeld, as “Collaborative Tabletops” procuram retomar os princípios das grandes “situation rooms” (salas de situação) dos sistemas de comando e controle utilizados desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1970, que utilizavam miniaturas e hastes de controle sobre grandes mesas (clique nas imagens acima para ampliar). Era o caso, por exemplo, da grande mesa onde se visualizava a disposição dos esquadrões de caça ingleses e dos atacantes alemães durante a “Batalha da Inglaterra”, em 1940.

Esses sistemas “analógicos” e de interação física foram sobrepujados pelo desenvolvimento da informática e seus monitores verticais para visualização individual, mas a Chambers procura trazer de volta o princípio de interação horizontal para que as pessoas possam monitorar situações e coordenar ações, agora com o uso da informática.

A principal utilidade prevista é de Defesa Civil, na coordenação de resposta para desastres, monitoramento de situação em grandes eventos etc, com a interação de atores que podem estar em salas a quilômetros de distância. Os princípios básicos de projeção, acompanhamento da movimentação das mãos sobre a tela sensível ao toque, num ambiente tridimensional que também pode ser projetado e oferecer interação na vertical (como “lousas”) já foram provados como conceito em protótipos. Agora, a Chambers está testando novas ferramentas de interação e o barateamento do sistema, usando componentes “de prateleira” e até projeção por meio de aparelhos celulares.

NOTA DO EDITOR: mais uma vez, informamos que o objetivo desta série de matérias mostrando algumas das apresentações realizadas no “Open Innovation Seminar” de São Paulo (para o qual fomos a convite da Saab) é colocar o leitor do Poder Aéreo “por dentro” do que é discutido e apresentado em eventos que focam em parceiras entre outros países e o Brasil, na área de Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. Eventos ligados principalmente ao setor aeroespacial e para os quais apenas uma pequena parcela dos milhares de leitores deste site tem acesso.

Foi o caso, também, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil, em que estivemos presentes ao painel “Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial” a convite da Thales / Omnisys. São assuntos como esses que queremos continuar a divulgar e promover a discussão, nos três sites e na revista Forças de Defesa, como mais um dos diferenciais na nossa linha editorial. Para ver outras matérias já publicadas sobre esses eventos, clique nos links a seguir. Boa leitura a todos.

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Para demonstrar o potencial de um CDC (Centro de Desenvolvimento de Capacidades) como uma ferramenta para o Brasil, assim como os sistemas que podem ser desenvolvidos com sua ajuda, foi simulado o uso de um sistema de comando e controle no combate a uma ameaça assimétrica

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Um veículo suspeito se aproxima perigosamente do perímetro de segurança de um aeroporto. Um controlador aéreo avançado, em terra, identifica a ameaça como terrorista. Todo o cenário é visto em um centro de comando e controle a milhares de quilômetros dali, onde várias telas mostram tanto o mapa das forças terrestres envolvidas na segurança externa do aeroporto, como também imagens geradas pelo controle do espaço aéreo e por um caça Gripen em patrulha sobre a área. Em tempo real, informações de vários sistemas de origens diferentes são trocadas num link seguro, a ordem é dada e o caça destrói a ameaça terrestre com um míssil ar-solo.

A simulação acima, chamada “Projeto de comando e controle conjunto”, foi feita na tarde de quinta-feira passada pela Saab, no evento promovido pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) para apresentar a ferramenta “Centro de Desenvolvimento de Capacidades”(CDC – Capability Development Centre). Os eventos do CISB fizeram parte da agenda do “Open Innovation Seminar” realizado no Grand Hyatt Hotel da cidade de São Paulo entre 23 e 25 de novembro.

Apesar da simulação ser de um sistema de comando e controle, o CDC não é exatamente um sistema do tipo, ou mesmo um pacote fechado dessa categoria de sistemas que se pretenda oferecer ao Brasil. Segundo a Saab, o CDC é uma ferramenta que permite desenvolver sistemas próprios que permitam a troca de informações entre sistemas civis e militares de procedências diferentes. A ferrramenta CDC, que já é utilizada na Suécia e na África do Sul, permite tanto o desenvolvimento local desses sistemas (como, por exemplo, de comando e controle e planejamento de contingências) como a própria apresentação de suas potencialidades a clientes e futuros operadores, para que possam trabalhar em conjunto no seu desenvolvimento.

Para entender melhor como funciona, voltemos à simulação de operação aérea contra uma ameaça assimétrica descrita brevemente no início desta matéria (afinal, esse é um assunto costuma agradar mais aos leitores de um site como o Poder Aéreo). A operação era simulada, mas o fato de se estar sendo coordenada a milhares de quilômetros de distância era real, segundo a equipe que apresentou o CDC (liderada pelos representantes Johan Swart e Jakob Turnikov, da Saab).

A foto logo acima, à esquerda, mostra sistemas de procedências diferentes que estavam sendo conectados em tempo real, entre a Suécia e o Brasil, e que eram mostrados em telas de apresentação cujas imagens podiam ser compartilhadas num país e no outro. A foto da direita mostra a conectividade dos sistemas civis e militares que estavam sendo simulados a partir de computadores no Brasil e na Suécia. É a tela central que pode ser vista na foto que abre esta matéria. As outras quatro telas maiores vistas na foto de abertura, duas à esquerda da central e duas à direita, são mostradas em mais detalhes nas fotos abaixo.

A foto da esquerda mostra as duas telas que eram geradas por sistemas instalados na Suécia: mais à esquerda, a que simulava o controle do tráfego aéreo e, mais à direita, a de um simulador de caça Gripen “em voo”.

No Brasil, eram geradas as imagens das telas mostradas na foto à direita. A tela da esquerda é do sistema que gerava as ameaças da simulação e a da direita era do controle das forças terrestres envolvidas na segurança de um aeroporto. No caso, um dos aeródromos da cidade Sueca de Linköping, a mesma que o autor desta matéria “sobrevoou”, no dia anterior, com o simulador do Gripen que foi trazido pela Saab ao seminário – clique aqui para acessar matéria a respeito.

Numa tela menor, mais à esquerda das cinco telas grandes instaladas na sala, era mostrado em tempo real um outro integrante da equipe, em uma sala em Estocolmo (foto abaixo, à esquerda). Ele interagia com os apresentadores no Brasil e, no momento em que foi autorizado o “ataque” do Gripen que orbitava a área simulada do aeroporto, assumiu os controles do simulador da aeronave instalado no fundo de sua sala na Suécia (clique na imagem para ampliar). Todas as telas com as imagens eram compartilhadas no Brasil e na Suécia, sendo de sistemas de procedência diferentes conectados para a apresentação do CDC. Mas vale ressaltar que o sistema trabalha numa arquitetura em que os outros sistemas conectados, representando também organizações de defesa civil, bombeiros etc, fornecem dados ao comando e controle simulado pelo CDC, e este distribui as informações conforme o nível de segurança permitido a cada usuário: por exemplo, os bombeiros não precisam receber as informações compartilhadas pelo caça.

Vale ressaltar mais uma vez que, apesar de representar uma sistema de comando e controle empregado numa situação de combate a uma ameaça assimétrica, a ferramenta CDC pode ser usada para diversas finalidades, desde o desenvolvimento local ou conjunto de um sistema do tipo comando e controle para a segurança de eventos ou realização de operações militares, até de defesa civil, reuniões de planejamento entre universidades e indústrias separadas por milhares de quilômetros, apresentação para clientes e usuários de futuros sistemas, entidades governamentais etc. Está nos planos da Saab e do CISB o investimento para instalação do CDC no Brasil, na mesma cidade paulista de São Bernardo do Campo onde o CISB funciona desde que foi inaugurado, em maio deste ano.

Segundo informações fornecidas pelo diretor do CISB, Bruno Roldani, está previsto um investimento de 10 milhões de reais em infraestrutura para o CDC, numa parceria envolvendo a Saab, a prefeitura de São Bernardo do Campo e a Universidade Federal do ABC. Em cinco anos, está prevista a injeção de um total de 50 milhões de reais no CISB, para promover trabalhos conjuntos entre os governos e as indústrias e academias do Brasil e da Suécia. Ficou claro que uma grande oportunidade para usar a ferramenta do CDC seria o desenvolvimento conjunto de soluções para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além de outros usos que interessem ao Governo Brasileiro – a apresentação descrita no alto da matéria chegou a ser feita duas vezes naquela tarde, aproveitando uma rara oportunidade de juntar representantes de várias entidades governamentais na mesma sala para conhecer o CDC.

E foi para mostrar oportunidades ligadas a esses eventos que foram apresentadas, também, as experiências da África do Sul com o seu CDC (instalado no país dentro de um contexto de cooperação entre suecos e sul-africanos que incluiu a aquisição do Gripen pela Força Aérea da África do Sul), e que foi usado como ferramenta para planejar e desenvolver soluções e sistemas de comando e controle para a Copa de 2010, realizada no país.

A experiência sul-africana com o CDC será mostrada na segunda parte desta matéria, amanhã.

NOTA DO EDITOR: o objetivo desta série de matérias mostrando algumas das apresentações realizadas no “Open Innovation Seminar” de São Paulo (para o qual fomos a convite da Saab) é colocar o leitor do Poder Aéreo “por dentro” do que é discutido e apresentado em eventos que focam em parceiras entre outros países e o Brasil, na área de Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. Eventos ligados principalmente ao setor aeroespacial e para os quais apenas uma pequena parcela dos milhares de leitores deste site tem acesso.

Foi o caso, também, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil, em que estivemos presentes ao painel “Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial” a convite da Thales / Omnisys. São assuntos como esses que queremos continuar a divulgar e promover a discussão, nos três sites e na revista Forças de Defesa, como mais um dos diferenciais na nossa linha editorial. Para ver outras matérias já publicadas sobre esses eventos, clique nos links a seguir. Boa leitura a todos.

VEJA TAMBÉM:

Nesta segunda-feira, 3 de outubro, a Saab divulgou nota sobre uma encomenda que recebeu da Força Aérea Real Tailandesa, referente à extensão de um Sistema de Comando e Controle Aéreo. O contrato deverá ser realizado entre 2011 e 2013.

Não foram divulgados detalhes sobre equipamentos, apenas que a Saab irá estender o sistema que entregou à Força Aérea Real Tailandesa em 2010, e que é parte de um sistema de defesa aérea que consiste no caça Gripen e no sistema de alerta aéreo antecipado Saab 340 Erieye AEW (ambos vistos na imagem acima). O valor divulgado para a encomenda é de 104 milhões de coroas suecas, que correspondem a aproximadamente 15,2 milhões de dólares ou 28,2 milhões de reais.

FONTE / FOTO: Saab