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Lockheed F-16V e Saab Gripen competem na Eslováquia

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Lockheed Martin F-16V

Por Giovanni de Briganti

A fabricante norte-americana Lockheed Martin entregou no dia 10 de abril uma oferta de aviões de combate F-16V à Eslováquia, que está na fase final de sua busca por um novo caça para substituir os obsoletos MiG-29 ainda operados por sua força aérea.

O F-16V, a última versão do venerável caça dos EUA, está competindo com o Gripen da Saab pela encomenda eslovaca. O ministro da Defesa, Peter Gajdoš, apresentará sua recomendação ao gabinete eslovaco até 29 de junho de 2018, de acordo com as informações da imprensa local.

A Eslováquia quer um caça moderno, de motor único, com menor consumo de combustível do que o bimotor MiG-29. A Eslováquia também quer substituir esses caças  para se libertar da dependência de manutenção e peças de reposição pela Rússia. Além disso, sua disponibilidade é inaceitavelmente baixa: enquanto a Eslováquia tem 12 MiG-29, apenas três a quatro são capazes de voar ”a qualquer momento, disse o analista de defesa Jaroslav Nad ao site DennikN.

Dada a semelhança geral entre o F-16 e o ​​Gripen – ambos são caças monomotores, com capacidades amplamente comparáveis ​​–, os custos de aquisição e operação provavelmente serão o critério de seleção dominante. A principal diferença de capacidade é que o F-16V está sendo oferecido com o radar APG-83 de varredura eletrônica ativa (AESA), enquanto o Gripen C oferecido pela Suécia possui um radar de varredura mecânica.

Uma diferença notável entre os dois concorrentes é que a versão “V” do F-16 não entrou em produção, e não estará disponível para entrega até 2022, no mínimo, enquanto o Gripen está em produção e, se a Eslováquia optar por um arrendamento como a Hungria e a República Tcheca, os Gripen C da Força Aérea Sueca podem ser entregues dentro de dois anos.

Caça Saab JAS 39D Gripen da Força Aérea Tcheca

Custos provavelmente ​​vão determinar a escolha

A oferta da Lockheed, conforme descrito em uma notificação do Congresso em 4 de abril pela Agência de Cooperação de Defesa, compreendendo 14 aeronaves F-16 Block 70/72 V com um pacote de armas relativamente modesto, custa US$ 2,91 bilhões, ou cerca de US$ 208 milhões por aeronave. incluindo armas, treinamento e apoio.

“O acordo proposto para a aeronave F-16 será capaz de competir com a aeronave Gripen sueca e fará parte de um pacote que inclui treinamento e armamento”, disse o representante Michael Kelley da Lockheed à agência de notícias local TASR, mas se recusou a especificar o custo real pois a venda ainda está em negociação. Ele também se recusou a especificar os custos das horas de voo, dizendo apenas que “embora o custo do Gripen possa ser menor, sua vida útil seria menor que a dos F-16”, relatou a TASR.

A porta-voz do MoD eslovaco Danka Capakova disse na semana passada que, na realidade, “o preço do F-16 será cerca de um bilhão de euros mais baixo, já que pelo menos na primeira fase a Eslováquia não irá para o pacote completo”, disse o site eslovaco da DennikN em 10 de abril.

O preço do Gripen não foi divulgado e, além disso, depende se a Eslováquia compraria os Gripens ou os alugaria. A República Tcheca está atualmente pagando 50 milhões de euros por ano para arrendar 14 Gripens, acrescentou.

Um porta-voz da Saab não pôde fornecer informações sobre a oferta da empresa para a Eslováquia até o final do prazo e disse em um e-mail de 12 de abril que “quando se trata de preços e tal, normalmente não divulgamos informações detalhadas por razões competitivas”. Um receio que o governo dos EUA e a Lockheed Martin obviamente não compartilham.

No entanto, é do conhecimento público que a Força Aérea Tcheca opera 14 Gripen por arrendamento sob contrato de 10 anos assinados em 2004 e que custam 19,6 bilhões de coroas checas (atualmente avaliados em US$ 770 milhões). Este acordo foi prorrogado por mais 12 anos em maio de 2014.

Com base na locação original, o custo do Gripen chega a 77 milhões de euros por ano às taxas de câmbio atuais, embora o custo provavelmente tenha aumentado quando a locação foi renovada.

Os custos de operação e manutenção do Gripen também são muito inferiores aos do F-16. Embora nenhum dado oficial esteja disponível, o semanário de defesa Jane’s diz que os custos da hora de voo do Gripen estão em torno de US$ 4.700, comparado a US$ 7.000 do F-16.

No entanto, o F-35 Selected Acquisition Report lançado em 19 de março e que compara os custos operacionais e de suporte F-35 e F-16C/D, fixa o custo por hora de voo do F-16C/D em US$ 26.000, dos quais US$ 6.000 para manutenção, US$ 2.000 para sustentar o apoio e US$ 10.000 para mão-de-obra no nível de unidade. As operações da unidade (US$ 6.000) e as melhorias contínuas do sistema (US$ 2.000) elevam o total para US$ 26.000.

Embora as comparações de custos diretos não sejam possíveis sem o conhecimento detalhado de ambas as ofertas, as ordens de grandeza entre o F-16V e o Gripen diferem suficientemente para que o saldo se incline para o segundo.

Mas um porta-voz da Lockheed sugeriu 12 de abril que “esperamos ver o que está na resposta do governo dos EUA, quando submetida, já que o preço real de ambos os licitantes dependerá de treinamento, logística, suporte de armas e não apenas da plataforma”. Ele acrescentou que “chamaria sua atenção para nossa afirmação de que teremos um preço competitivo em relação ao concorrente.”

MiG-29 da Eslováquia

Entregas de F-16 só em 2022

Michael Kelley, da Lockheed, disse à agência de notícias TASR que o F-16V não seria entregue antes de 2022, aparentemente para dar tempo à Força Aérea da Eslováquia de modernizar sua infraestrutura, acrescentando que os quatro primeiros F-16Vs deveriam ser entregues à Eslováquia na época.

O fato de a versão “V” do F-16 ainda não estar em produção provavelmente não está desconectado do prazo de entrega de quatro anos.

Isto significa que a Eslováquia teria de operar o MiG-29 por pelo menos mais cinco anos, o que provavelmente custará caro – estima-se que custem entre 200 e 250 milhões de euros – e alguns meios de comunicação eslovacos temem que, sendo secreto, este contrato poderia permitir algumas práticas comerciais obscuras e incentivar a corrupção.

O Gripen pode ser entregue mais rapidamente, informou a TASR. A Saab afirma que pode entregar os primeiros caças dentro de dois anos, o que permitiria à Eslováquia evitar o prolongamento do contrato de manutenção do MiG-29 com a Rússia, que termina no final de 2019.

“A diferença de alguns meses até a entrega dos novos caças  poderia ser superada pela cooperação com a República Tcheca, que poderia cuidar do nosso espaço aéreo”, disse Nad à DennikN.

FONTE: www.defense-aerospace.com

49 COMMENTS

  1. A balança pareça pender para o Gripen – já usam o caça, conhecem seu custo de voo e manutenção e a entrega de novas unidades seria bem mais rápida. Mas há o enorme peso político dos EUA que pode mudar este jogo via FMS e acordos de compensação comercial abrindo o mercado americano para produtos eslovacos.

    • A Eslováquia não usa o Gripen quem o utiliza é a República Checa (Tchecoslováquia foi um Estado que existiu na Europa Central entre 1918 e 1992). Se a desvantagem esta no radar AESA poderiam esperar pelo E até 2019. Pelos valores divulgados parece que seria competitivo com Viper. Se a questão é preço o leasing parece sair mais conta.

    • Visão estratégica da empresa. Para ela não interessava e, portanto, não cumpriu com as exigências da FAB. Resultado – não passou do primeiro round. Já a Boeing a história era outra. Ela tinha todo o interesse em levar a concorrência. Cumpriu os requisitos da FAB e no campo político jogou pesado. Mas no final acabou perdendo por pouco.

    • Amigo, O F-16 foi uma aeronave estudada para entrar no programa da FAB na década de 80(no lugar do AMX). Nem de longe esse caça faria frente aos atuais F-18, Rafale, ou aos novos Gripen(E/F).

      Na reportagem o F-16 esta sendo comparado a versão anterior do Gripen(Versão C).

    • Groo, a única coisa em comum nos 3 candidatos do short-list era eles oferecerem radar AESA. Na época nem F-16, Typhoon ou Su-35 ofereciam esse tipo de radar. Pelo menos assim eu penso.

    • Havia boatos, de receosos na FAB com relação à tomada de ar ventral dos F-16, que poderia admitir detritos indesejados em pistas de pouso sujas ou não-pavimentadas BR afora.

    • O desinteresse da LM faz algum sentido, não ofereceram uma versão baseada no block 60 dos EAU ou no F-16V (block 70), com AESA, IRST, etc que não fica nada a dever aos Gripen, Rafale e SH. Ofereceram, pelo que me lembro, o block 52. É que o F-16, em suas versões avançadas, é o avião mais próximo do Gripen escolhido. Só é meio estranho uma empresa não ter interesse em uma venda. Se bem que o programa FX demorou tanto que chegou a irritar os participantes e, provavelmente, alguns acreditavam que não ia sair. Lembro dessa história da tomada de ar ventral, aspirador de pó… Mas acho que é um mito.

  2. Desculpe-me, mas parece que quem usa o Gripen é a República Tcheca e não a Eslováquia. No passado recente eram um único pais, hoje são dois independentes. E muito bonitos para se visitar, diga-se de passagem.
    Mas, realmente, o peso político dos EUA é considerável na região hoje.

  3. Sou mais o F-16 que já foi amplamente provado em combate com bastante sucesso, ir de Gripen ao invés de F-16 é trocar o certo pelo duvidoso : (

      • Eu troco se escolherem esse gripen c ao invés do F-16 com radar AESA, eles querem um caça mais moderno e o radar é fundamental.

        • Pode até ter um radar AESA, e isso para mim faz toda diferença;
          Mas estamos falando da Eslováquia, um Pais que possui pouco mais de 5 milhões de habitantes(metade da República Checa), e um PIB que não chega a US$ 100 bilhões(que também é metade da República Checa). Esse pais faz fronteira com outros 5 países. O minimo que se possa esperar é que o caça tenha uma operação/manutenção viável.
          A Suiça por exemplo possui um PÍB 4,5x maior e tem F5 até hoje.

    • Um novo F16 tem tantas incertezas quanto um novo Gripen.

      Fico com o argumento do Poggio: um saindo de produção e outro entrando. O f16 é um projeto soberbo, um dos grandes caças do século XX, mas o projeto está em fim de linha.

      Na prática o F16 novo é a trigésima versão do Gol: uma esticada.

  4. Ainda que seja a versão C/D, a SAAB provavelmente vai disponibilizar modernizações com aesa e afins para estes no futuro próximo. (lei-se quando o programa gripen NG estiver na fase que não de desenvolvimento). A SAAB disse, no passado, que isso iria ocorrer eventualmente.
    Sendo assim, vale muito a pena pelo custo x beneficio… sair de mig-29 em suas primeiras versões para ir de Gripen C é um salto gigantesco e uma queda de custo exorbitante.
    F-16 é bom, na versão V é sensacional, mas é caro de adquirir e mais caro de operar que o Gripen seja o C, seja o E… e sempre tem a sombra de alguns equipamentos possam ser vetados. Vá de gripen e vá ser feliz.

  5. Com o orçamento disponivel e o fantasma do embargo, acredito q o F-16 seria um risco. O Gripen seria uma opção mais viavel. MAS dentro das condições em serão empregados e as necessidades da Força aérea eslovaca, acredito q o NG e não o C/D seria a melhor opção. Talvez valesse à pena esperar um pouco mais.

  6. Anderson.
    A melhor resposta seria de alguém que tivesse voado os dois aviões, o que, agora, evidentemente é impossível. Talvez pudéssemos saber algo aproximado, se existisse, por exemplo, um piloto da Força Aérea Tailandesa, que já tivesse voado operacionalmente os dois modelos que existem agora.
    O aviador militar americano gosta muito de empregar a palavra “capability”, o que se traduz em nossa língua como – capacidade – . É uma palavra pouco usada por nós, e que portanto, dificulta quando queremos compreender e comparar aviões.
    Eu diria que essa capacidade tem como principais pontos na aeronave de combate, a carga de armamento transportada, o alcance e os recursos da aeronave (eletrônicos e outros sistemas).
    A eletrônica é tremendamente variável, você pode ter uma aeronave dos anos sessenta com o melhor que existe. Já a carga de armamento e o desempenho (alcance), não.

  7. Dependendo da escolha da da Eslováquia irá nos dar uma pista de que a nossa escolha pelo Gripen foi acertada ou não. Perdi a conta de quantas concorrências ” pequeno gafanhoto” sueco já perdeu. Isso nos dá um sinal claro que ele não está a altura dos seus concorrentes diretos. F-16, Eurofighter e MIG-35. Até hoje não conseguimos mensurar as reais capacidades dele. Tudo ficou somente em ótimos vídeos promocionais, opiniões nem sempre parciais e nada mais. Acredito que ainda dá tempo de cancelar o contrato e buscar opções mais aderentes as nossas dimensões continentais.

    • Desculpe, mas é mujita informação errada num comentário só…
      .
      A Eslováquia vai de Gripen C/D, possivelmente arrendados, num contrato semelhante ao da Rep. Tcheca. Possivelmente no máximo de 12 aeronaves. A Eslováquia já pediu informações sobre o contrato tcheco, e recebeu informações muito boas. A escolha deles, não tem nada a ver com a nossa.
      .
      Quanto às aeronaves atuais, que deve estar comparando com o Gripen E/F, é melhor vc dar uma procurada melhor sobre as capacidades do novo caça. E não consigo entender este papo furado de dimensões continentais.

      • “Até hoje não conseguimos mensurar as reais capacidades dele”
        Ele terá muitas oportunidades de mostrar suas capacidades na Terceira Guerra Mundial que, acredito, se tudo continuar como está, irá ocorrer em até 5 anos; podendo se iniciar pela Síria ou num confronto entre Japão x China ou Coréia do Sul x Coréia do Norte.

    • Kkkkkkkkkkkk de onde surgiu esse cara pra falar tanta besteira?

      “Acredito que ainda dá tempo de cancelar o contrato…”

      Isso, podemos abrir o FX3 e ver no que dá.

  8. Escolha de aviões de combate nunca são somente técnicas. Resultados de concorrências dizem pouco sobre as capacidades operacionais das aeronaves.

  9. Não concordo de que o resultado dessa concorrência possa mostrar qual é o “melhor caça”. As duas variáveis que talvez desempenhem o maior papel nessa disputa não tem nada a ver com o desempenho dos aviões: a principal vantagem dos suecos é o baixo custo e o maior trunfo dos americanos é sua influência política

    • Influência política e baixo custo o Grispen é vencedor é o melhor, já venceu o Rafale e o Super Hornet.
      Só que isso não vence guerra, não mata o inimigo. O F-16 vai até o meio do país inimigo, destrói e volta.
      Simples.

  10. “14 aeronaves F-16 Block 70/72 V com um pacote de armas relativamente modesto”.
    Considerando que o Urso está com uma hibernação inquieta e pode acordar mal-humorado, é pouco.

  11. Torcer para o Gripen levar essa, mesmo sendo nas versões C/D já vai ajudar em muito a SAAB e consequentemente nos ajduando também, pois quanto mais sucesso em exportações do Gripen, mais chances de outros países se interessarem também, sem contar que qualquer peça em comum com a versão E/F, já entra na conta da escala de produção.

  12. Lembrando que a SAAB continuará vendendo o J-39C/D, com vários aperfeiçoamentos do F-39E/F.
    A Eslováquia não precisa da versão E/F pois seu pequeno território dispensa o alcance estendido e o motor F414.
    Os J-39C/D com aviônica dos E/F serão mais que suficientes.

  13. Posso estar enganado, mas quando você compra caças (que é em tese o melhor que um pais fabrica em termos de aviões) de uma potencia, está sinalizando que no mínimo está tendo um bom relacionamento com o pais OU que está alinhado com o mesmo.
    Quando compramos um caça da Suecia, mostra que o pais não é alinhado, em menor grau o Rafale ou Typhoon vai pelo mesmo caminho.
    Quando compra um caça Chines, Russo ou Americano, significa que sim, no mínimo tem uma boa relação com eles. A compra do F-16 pode ser um sinal para a Russia (e os seus cidadães) que estão definitivamente alinhados com os Americanos, pode ser um sinal que eles desejam a proteção dos malvados gringos.
    A compra de caças é técnico? Raramente é, existem outras variáveis como o financeiro e político da coisa. Exemplos? India deseja caças mais baratos, por que não Chineses? É factível o Japão comprando caças Russos ou Chineses?
    Existem exceções em outros tipos de armas, mas caças não me lembro. A existência de F-14 no Irã ou F-16 na Venezuela, são heranças de outros tempos.

    • Mas o custo conta muito, operar adquirir e operar uma caça como o F-16 block 70/72 pode ser salgado para um país como a Eslováquia, um Gripen C ali faz mais sentido.

  14. Passando pra deixar meu voto no gripen, entendo que é uma plataforma robusta, moderna e com certeza capaz de atender todos os requisitos e ir além.
    Alugar parece um bom negócio!

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