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Programa do avião-tanque KC-46 da USAF tem mais problemas

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  • Problemas adicionais de alto perfil surgiram com o novo avião-tanque da USAF, o KC-46 Pegasus.
  • Eles contribuem para outras questões que afetam o programa, que está sendo desenvolvido pela Boeing.
  • A Boeing já registrou bilhões em custos antes dos impostos devido a atrasos e problemas técnicos.

O programa de aviões reabastecedores KC-46 da Boeing, há muito tempo cercado por problemas técnicos, enfrenta agora mais deficiências de “categoria um”, aumentando os problemas que o fabricante deve consertar e que vão comprometer ainda mais o prazo de entrega do avião.

Na quinta-feira, a USAF disse que dois outros problemas surgiram, um envolvendo o sistema de visão remota, que é usado pelo operador do “boom” para guiá-lo até o receptáculo de combustível da aeronave que está sendo reabastecida.

O sistema de visão remota não está atendendo aos requisitos da Força Aérea, de acordo com o Defense News. Os problemas com o RVS impedem que “a capacidade do operador de boom de reabastecimento para guiá-lo até o receptáculo da aeronave receptora”, disse a editora do Aviation Week Pentagon, Lara Seligman, no Twitter na quinta-feira.

Questões com o RVS também contribuíram para a probabilidade do boom do KC-46 ser arrastado contra a superfície externa da aeronave receptora – um problema de categoria um anteriormente divulgado que pode danificar aeronaves furtivas. A Boeing está trabalhando em uma atualização de software que espera corrigir o problema do RVS, acrescentou Seligman.

A outra questão envolve o sistema drogue de linha central, o outro sistema de reabastecimento do KC-46, que em testes desconectava inesperadamente da aeronave que recebia combustível. A Força Aérea e a Boeing “estão realizando a análise de engenharia de sistemas necessária para determinar a causa raiz e o caminho a seguir”, disse Seligman. O problema não apresenta nenhum risco de segurança “imediato”, de acordo com o Defense News.

A USAF não tem um cronograma definido para quando esses novos problemas serão resolvidos, disse a porta-voz da Força Aérea, Ann Stefanek, ao Defense News.

Além do problema relatado anteriormente com o boom e a aeronave receptora, o programa KC-46 também foi perseguido por problemas com seu rádio de alta frequência, que usa a fuselagem do avião-tanque para transmitir e pode causar faíscas e incêndios, e com a próprio boom estendendo-se sozinho ao desconectar-se de uma aeronave em reabastecimento.

Essas duas questões foram recentemente rebaixadas para deficiências da categoria dois, no entanto.

KC-46 e F-16

A Boeing perdeu um prazo auto-imposto para entregar o primeiro KC-46 à USAF até o final de 2017, e a Força Aérea disse no início deste mês que espera que o fabricante perca a janela de entrega esperada na primavera de 2018, apresentando o primeiro avião no final deste ano.

A Boeing é obrigada a entregar 18 dos novos KC-46 à USAF até outubro, mas o serviço agora espera que os aviões cheguem na primavera de 2019. No entanto, Stefanek disse ao Defense News que as recentes deficiências não levaram a Força Aérea a mudar sua projeção de entregas.

“O cronograma para a primeira entrega foi modificado com base nos riscos conhecidos e nos impactos previstos associados às certificações de aeronavegabilidade e à execução de testes de voo mais lentos que o esperado”, disse Stefanek ao Defense News. “Embora essas deficiências não tenham sido explicitamente explicadas, o potencial de descobertas técnicas adicionais foi contabilizado na avaliação de risco do cronograma.”

A falta do prazo de outubro provavelmente sujeitará a Boeing a penalidades financeiras adicionais.

Devido à maneira como o contrato KC-46 é estruturado, a Força Aérea não é responsável por custos além do compromisso de US$ 4,82 bilhões. A Boeing já foi atingida com quase US$ 3 bilhões em custos adicionais antes dos impostos.

A USAF atualmente planeja comprar 179 aviões KC-46. Assim que eles começarem a chegar, o serviço começará a retirar seus aviões KC-10 mais antigos. Ela manterá até 300 de seu KC-135 – que têm em média 55 anos de idade.

Perguntado sobre o status do programa de aviões-tanque durante uma audiência na Câmara na quarta-feira, o chefe de aquisição da Força Aérea, Will Roper, disse que a velocidade com que a Boeing corrige problemas será “métrica chave” na avaliação do programa no futuro.

“O fato de que há questões sobre o programa é menos preocupante para mim. O que me preocupará durante este ano é se as questões não forem resolvidas rapidamente”, disse Roper aos legisladores, segundo a Defense News.

Durante uma visita em 14 de março à unidade de produção e modificação do KC-46 da Boeing em Everett, Washington, o Subsecretário da Força Aérea Matthew Donovan elogiou a empresa, mas encorajou a empresa a “dobrar o esforço” para “levar o programa para a linha do gol”.
“Eu fui um cara que aparecia atrás de um avião-tanque em um monoposto, com pouco combustível, a 500 milhas acima do Círculo Ártico, a 800 milhas sobre o Atlântico Norte, ou em áreas hostis como no Iraque”, disse Donovan. “O reabastecimento aéreo é uma missão que não pode falhar.”

FONTE: Business Insider

65 COMMENTS

  1. Olá.
    Implicância? Com certeza não.
    Parece que os EUA “desaprenderam” a fabricação de avião… E também não é isso.
    Em tempos de verbas mais “curtas” para o setor militar, é prometido o que não se pode cumprir, por um preço que não se paga.
    SDS.

    • Sinceramente, não estou surpreso, o que esperar de uma empresa que ganhou esse contrato no tapetão. A praga jogada pelo pessoal do Alabama na Boeing pelo visto foi pesada

  2. O detalhe desse texto é que não parece ser o mesmo tipo de contrato como o f-35, que quem paga é a USAF, nesse caso todo custo vai ficar com a Boeing.

    E USA não saber fazer avião, ainda mais a Boeing? Olha o dreamliner e os 737 Max antes de falar que eles não sabem fazer aviões.

    • O problema é que, ultimamente, na área de atuação do 737 só encontramos notícias de encomendas par a Airbus.
      De 737, só notícias de conversão para cargueiros.

        • 2017?
          Mesmo assim, ano passado, a Airbus contabilizou 1100 a 900 contra a Boeing.
          Estou falando de 2018.
          Apesar das encomendas terem caído muito para todos, a grande maioria é Airbus.
          Ano passado, como escrito, é passado.
          Mire em 2018.

          • Antonio, ano passado a Boeing vendeu mais aeronaves comerciais do que a Airbus, aqui mesmo no Aereo tem as noticias e só vc procurar e depois somar os numeros

          • Estou falando de encomendas e não de entregas.
            A Boeing entregou mais, é certo, mas as encomendas foram significativamente menores que da Airbus.
            Isso se reflete na expectativa de produção na linha de montagem, sendo que isso rebate no planejamento futuro da empresa.
            Para a Boeing, no ritmo atual, seria de cerca 4 a 5 anos.
            Na Airbus, cerca de 7 a 8 anos de trabalho.
            Correto?
            Agora, é de se destacar que os anúncios de encomendas caíram muito este ano para todas as empresas.

          • Eu não disse que a Boeing ganhou da Airbus, o que quis questionar foi a sua fala de que do 737 MAX só vem notícia de conversão para cargueiro. Até porque para mim se a Airbus estiver melhor que a Boeing ou o contrário nada muda, afinal, não sou acionista de nenhuma das duas.

          • Que bobagem, não se avalia duas linhas de produção com 50 e 30 anos de existência, e com alguns milhares de encomendas a entregar, pelo resultado de dois meses de 2018. Isso é coisa de “fanboy”.

          • Não, Antonio, não é em entrega que a Boeing ficou na frente, mas sim em pedidos! Leia o texto, a Airbus tem essa vantagem que todos falam por pedidos antigos, antes de 2017 que ainda estão na carteira e por intenções de compra embutidas nesses pedidos. Mas falando em 2017, ordem de pedidos, a Boeing ficou na frente. Reveja seus dados!

    • Detalhe essencial:
      “O detalhe desse texto é que não parece ser o mesmo tipo de contrato como o f-35, que quem paga é a USAF, nesse caso todo custo vai ficar com a Boeing.”
      .
      O contrato do Boeing KC46 Pegasus NÃO é Cost Plus. Assim sendo, o fabricante tem que acertar os erros por sua conta e risco, dentro do valor estipulado. Ótimo para o contribuinte americano e um real estímulo a fazer o certo de primeira.

  3. O interessante é que a força aérea italiana e a JASDF operam versões tankers do 767 sem apresentar problemas. Inclusive os exemplares da AMI recentemente ajudaram no translado dos F-35 para os EUA sem problema algum.

  4. O problema é o novo sistema de operação remota com automação, onde o operador administra o sistema ao invés de efetuar manualmente o reabastecimento.
    Teoricamente o novo sistema é mais seguro e deveris ter menos falhas, mas tem que ser melhorado ainda, não estava pronto para ser usado ainda.
    Temos mais um capítulo de tecnologias não maduras sendo vendidas, sem estar ainda prontas para ser utilizadas.

    • Eu iria falar exatamente isso Walfrido! Começo a achar que a origem desse problemas não está nos fabricantes mas sim no Pentágono, que insiste em tecnologias ainda não maduras o suficiente.

      • A culpa é mais da empresa do que do Pentágono, o mesmo pede o avião com tecnologias x/y e z, a empresa ao invés de falar a verdade, ou seja, que é possível integrar tais tecnologias na aeronave, mas elas não estão maduras o suficiente ainda, simplesmente dizem amém para o pentágono com medo de perder o contrato e o resultado é isso ai que todos estamos presenciando, seja no F-35, no KC-46 e não se surpreendam se começar a dar xabu no novo bombardeiro da USAF

        • Jr eu acho que no B-21 não serão cometidos os mesmos erros, até porque duvido muito que o B-21 seja tão mais complexo do que o B-2.

  5. É….quanto mais justo ou apertado se quer chegar nas tolerâncias, no discreto, no mais enxuto, no eficiente, no inovador….se esbarra em coisas que antes já haviam sido superados….
    Com o mais robusto, mais aparente, com redundâncias, mais eficaz e mais conservador….
    Como podem estar enfrentando tantas dificuldades? Parecem equipes de ginásio que cada uma desenvolve um negócio sem saber exatamente sua finalidade e como vão operar em conjunto com os outros grupos!!

  6. O que acho incrível é o fato de estarmos informados sobre todos os problemas da maior força militar do mundo. Os inimigos dos EUA nem precisam mais de espionagem. Há boletins semanais.

    • Isso é uma crítica que acho importante. É preciso que os EUA reveja a liberação de informações sobre seus projetos. Acredito que o KC-46 não chegaria a precisar de um maior nível de confidencialidade. Porém, projetos mais delicados como o F-35 ganhariam – e muito – com um maior sigilo por parte do governo americano.

      • Me parece que a transparência não é algo novo, e pelo que posso notar, data pelo menos da época de Kennedy e McNamara, já que todos os problemas (e não são poucos) dos programas desde aquela época são muito bem documentados na imprensa. Então não é algo novo. E mesmo assim eles ganharam a “primeira” Guerra Fria.

  7. O pentágono e as empresas americanas estão com algum problema sério de ingerência, só pode. Toda semana ouvimos notícias de projetos que atrasam e apresentam graves problemas. No caso de projetos extremamente inovadores como o Zumwalt e do F-35 ainda dá para tentar entender (embora seja difícil compreender como que com a quantidade de dinheiro colocada eles ainda apresentem problemas), mas um avião tanque? Os EUA projetam, fabricam e utilizam aviões tanques a mais tempo do que ninguém e em uma escala muito maior do que a de qualquer outra força aérea do mundo e ainda assim tem esse tipo de problemas? Isso sem contar que o avião nem está sendo desenvolvido do zero, é baseado em uma aeronave que já foi produzida às centenas.

    • Bruno, acho que o problema não está nas empresas e sim no Pentágono que tem insistido na adoção de várias tecnologias ainda não suficientemente amadurecidas. Veja o caso desse sistema de visão remota para a probe de reabastecimento em vôo.

      Ps: não alimente o Troll do ParTido! Com um placar desfavorável de 9×0 [o juiz de piso (1×0), TRF4 (3×0) e STJ (5×0)] eles estão desesperados com a inelegibilidade do heptarréu nesse ano eleitoral. Então a ordem do diretório do ParTido foi para tumultuarem todos os espaços onde o perfil dos comentaristas é diferente do deles. Basta ver que ele não vai ao Plano Brazil.

  8. Quem ganhou o KC-X2 foi a Airbus/Northrop Grumman. Com seu A330 MRTT. Mas, a Boeing fez chilique…jamais iam admitir um avião da Airbus na USAF hoje estão pagando o preço.

  9. Podiam ter modernizado os KC-137 com novos motores e bons aviônica, pelo menos dois que teríamos reabastecedores estratégicos na força.

  10. Notar um detalhe:
    “Questões com o RVS também contribuíram para a probabilidade do boom do KC-46 ser arrastado contra a superfície externa da aeronave receptora – um problema de categoria um anteriormente divulgado que pode danificar aeronaves furtivas. “
    Trocando em miudos: se a lança roçar no RAM que esta ao redor do bocal de acoplamento, o revestimento stealth pode ser danificado….
    Outro ponto: o RVS tem que ir corrigindo a trajetoria da extremidade da lança, automaticamente, ate obter êxito na acoplagem (sem arranhar RAM…); o sistema de controle requer feedback de posiçao de ambas aeronaves, da translaçao axial da lança, ete,etc,etc. Para quem trabalha no seu dia a dia, com controles automaticos, sabe a extrema dificuldade que os seus projetistas estao enfrentando. Detalhe, hein: os avioes stealths, com suas superficies aerodinamicas nada amigaveis, requerem controles ainda mais extremamente complicados, tornando essa questao exponencialmente mais complexa no reabastecimento de um F35 do que quando um KC 46 estiver matando a sede de um mero oldfashioned A10.
    Moral desta historiazinha: muito mais do que um problema criado pela Boeing, ha um outro vilão, chamado……F35.
    Nas condiçoes da FAB, despretenciosamente, digo que, felizmente, o sistema “cesta” é muito melhor do que “lança”. Mais rudimentar? Sim. Muito mais demorado para transferir combustivel? Tambem sim. Depende de operadores habilitados e com experiencia? Sim ,como tudo na vida!!!! A USAF deveria mudar tudo para “drogue”? Nao, claro que não, mas ai é outra historia….
    Abs
    .

    • Srs
      Pelos informes, o problema do KC46 é no sistema de controle do boom de reabastecimento e no sistema de visão, ambos dependente de softwares. E os maiores problemas do F35 também são de software. Parece que está havendo um sério problema no desenvolvimento de softwares na Boeing e na LM.
      Sds

  11. Maúricio silva estava com o mesmo pensamento os EUA,não sabem como fazer uma avião de primeira mais, fazem um e vão sanando problemas que aparecem,o conserta ele na próxima série,isto era valido para a segunda guerra,mas hoje em dia não é mais.Quem sabe com a parceria com a Embraer não era pelo patrimônio intelectual e não comercial,os os dois.Quem faz ônibus espaciais,submarinos nucleares não estão conseguindo o avião de reabastecimento.

    • Olá.
      Como escrevi no meu comentário, o problema não está na falta de verbas. Se assim fosse, projetos como o F-35 e o B-21 não teriam nem começado.
      O que acontece agora é que o “inimigo” não está tão evidente para a população americana em geral. E mesmo quando todo americano sabia quem era o inimigo, o “custo” de uma guerra sempre foi objeto de questionamento (vide Vietnã).
      Assim, o contribuinte local está “menos tolerante” com as verbas destinadas as forças armadas. Por isso, “dia sim, dia também” tem alguma reportagem falando da escalada de gastos com o F-35.
      A Boeing deu “uma virada de mesa” com o projeto do novo avião tanque americano: prometeu o que não tinha condições de cumprir com os custos anunciados. Até ai, nada de novidade; este é quase que o “modus operandi” do setor de armamentos.
      Mas como a “tolerância” está baixa, a mídia em geral está “caindo de pau” em cima desse tipo de “deslise”.
      SDS.

  12. Problemas muito mais simples que os do F-35. Vão resolver, mas não será tão bom quando o A330 MRTT (na minha opinião que não vale muita coisa).

  13. Ao que tudo parece é que os engenheiros aeronáuticos estão perdendo a mão na hora de projetar aviões e complicando demais aquilo que deveria ser simples, e não é só nos Estados Unidos não. A Europa também faz das suas. Ou já se esqueceram dos problemas que a Airbus enfrentou com os motores do A400 ? E não é só na aviação não, na parte naval também estão tomando um baile, como os seríssimos problemas de propulsão enfrentados pela classe Daring de destróieres ingleses.
    A exceção, graças a Deus, parece ser os suecos!

  14. Qual empresa que trabalha com produtos de alta tecnologia não enfrenta problemas. Acho que andam sendo transparentes demais. Tem avião aí sem motor, que se diz de quinta geração mas com capacidade stealth equivalente a um elefante voador, assim como outros mantidos dentro da geladeira para não estragar, e não vejo os engenheiros de plantão aqui fazendo piadas, críticas e etc…

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