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EUA: consolidação da base industrial de defesa

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Linha de montagem do caça F-16 nos anos 1980

O desenvolvimento tecnológico nos Estados Unidos da América tem sido historicamente relacionado com as políticas industriais de defesa. Às vezes, as novas tecnologias relacionadas à defesa levaram ao desenvolvimento de produtos que alimentaram o crescimento de um amplo espectro de indústrias comerciais. Em outras ocasiões, o estabelecimento militar dos EUA concentrou seus recursos em tecnologias especializadas com pouca ou nenhuma aplicabilidade a outros mercados.

O aumento das indústrias modernas de alta tecnologia (por exemplo, semicondutores, computadores, elementos-chave dos sistemas de comunicação modernos, aeronaves e tecnologia espacial e biotecnologia) foi estimulado pelo investimento estatal pós-Segunda Guerra Mundial em (1) pesquisa e desenvolvimento (P&D) para fortalecer a defesa nacional dos EUA e (2) a educação de cientistas qualificados, engenheiros e técnicos para trabalhar nessas novas indústrias. No entanto, nestas indústrias, as vendas de novos produtos comerciais deslumbrantes logo bloquearam as vendas de produtos de alta tecnologia para clientes militares. Durante a Guerra Fria, cerca de dois terços da P&D dos EUA foram financiados pelo governo federal, principalmente pela defesa. Hoje, essa porcentagem foi revertida, com dois terços da P&D dos EUA financiada pelo setor privado.

A Base Industrial de Defesa
Apenas um punhado de indústrias dos EUA são agora dominadas por gastos de defesa (as chamadas indústrias de defesa) e a maioria delas produz produtos “exclusivos para a defesa” (por exemplo, munições, tanques e veículos blindados, navios, veículos aeroespaciais e tecnologias, pesquisa e navegação eletrônica, e alguns tipos de instrumentos ópticos) para os quais o setor militar é o principal cliente. O maior setor de defesa é a eletrônica militar, que representa quase 50% mais de vendas do que as aeronaves. A relação entre o estabelecimento de defesa e essas indústrias é simbiótica – os militares dependem deles por sua vantagem técnica, que é o cerne da doutrina de segurança dos EUA, e as indústrias dependem das Forças Armadas dos EUA como seu principal cliente.

Apesar das origens militares dos computadores e da microeletrônica, essas indústrias não estão na lista das indústrias de defesa. Mesmo que os militares ainda sejam um importante financiador de tecnologias específicas e de ponta nestes campos (por exemplo, supercomputadores e dispositivos de sistemas microeletromecânicos, a demanda comercial por esses produtos superou os requisitos das forças armadas.

O gráfico abaixo mostra como foi a consolidação, através de fusões e compras, da base industrial de defesa e aeroespacial dos Estados Unidos a partir do ano 1980.

FONTE: Flamm, Kenneth — Post-Cold War Policy and the U.S. Defense Industrial Base

56 COMMENTS

  1. Não tem fonte.

    Parece texto de professor universitário querendo verba pra mamar em tetas de governo.

    Só uma pergunta para a fonte do texto: qual a fonte desse autor aonde ele diz que o governo americano financiava educação de cientistas, engenheiros e técnicos??

  2. TukhMD,
    .
    Acredito que a intenção é instigar a busca por mais informações sobre o assunto e fomentar um futuro debate sobre a importância da “base industrial de defesa”.
    Por essa razão perguntei quem era o autor (ou fonte).
    O gráfico é sobre a consolidação da indústria aeronáutica de defesa nos Estados Unidos da América. Aqueles que já viraram meio século acompanharam estes acontecimentos. Um ‘MAPA’ das fusões e aquisições no final do século passado.
    .
    Sds.,
    Ivan, o Antigo.

  3. Eu concordo com o texto. Infelizmente temos até presidente que tem orgulho de ser analfabeto. Lamentável alguém ainda dizer que ser professor é mamar no governo.
    E tem muito aqui neste texto que estávamos discutindo lá sobre a venda da Embraer, sobre a formação de engenheiros e profissionais para indústrias de ponta.
    Os EUA colhem o que semearam décadas atrás.

  4. Rui chapéu 9 de Janeiro de 2018 at 18:02

    Só uma pergunta para a fonte do texto: qual a fonte desse autor aonde ele diz que o governo americano financiava educação de cientistas, engenheiros e técnicos??
    _____________________________________________________
    E a fonte da fonte é:

    References
    Bureau of Economic Analysis. 2005. National Income and
    Product Accounts Tables. Available online at:
    http://www.bea.gov/bea/dn/nipaweb/Index.asp.

    Flamm, K. 2002. Failures of Defense Industrial Policy Reform
    and Likely Consequences for the Bush Defense Buildup. Pre-
    sentation to the Council on Foreign Relations, New York,
    March 8, 2002. Available online at: http://www.cfr.org/
    public/GeoEcon_Military/KFlamm_paper.doc.

    Flamm, K. 1999. Redesigning the Defense Industrial Base.
    Pp. 224–246 in Arming the Future: A Defense Industry for
    the 21st Century, edited by A. Markusen and S. Costigan.
    New York: Council on Foreign Relations.

    GAO (General Accounting Office). 1998. Defense Industry:
    Consolidation and Options for Preserving Competition.
    Washington, D.C.: General Accounting Office.

    Office of the Under Secretary of Defense (Comptroller).
    2001. National Defense Budget Estimates for FY 2002.
    Washington, D.C.: U.S. Department of Defense.

    Office of the Under Secretary of Defense (Comptroller).
    2004. National Defense Budget Estimates for FY 2005.
    Washington, D.C.: U.S. Department of Defense.

    Undersecretary of Defense for Acquisition and Technology.
    2000. Annual Industrial Capabilities Report to Congress.
    Washington, D.C.: U.S. Department of Defense.

    Undersecretary of Defense for Acquisition and Technology.
    2001. Annual Industrial Capabilities Report to Congress.
    Washington, D.C.: U.S. Department of Defense.

    U.S. Department of State. 2002. World Military Expenditures
    and Arms Transfers, 1999–2000. Washington, D.C.: Bureau
    of Verification and Compliance, U.S. Department of State.

  5. A base da riqueza americana é a liberdade econômica, sendo de fato o primeiro país a constituir uma classe média com capacidade de compra. Todo o restante decorre dai. O investimento em defesa é apenas uma justificativa para não se ter limites nos gastos. Poder-se-ia investir em outros setores, mas o de defesa garante que você pode suportar atritos com outros países.

  6. O artigo vem muito a contribuir com o debate da venda ou não da Embraer. A Embraer é relevante para a indústria de defesa? A resposta é: não! O Brasil é um país que não investe em defesa, aliás, não investe em nada.

  7. A Embraer nasceu com o Bandeirante, depois fabricou entre outras aeronaves civis, mais de 100 jatos Xavante para a FAB, o treinador Tucano, o avião de ataque AMX, o Super Tucano, modernizou os F-5 da FAB e agora vai produzir o Gripen E. A empresa é essencial para a Defesa do Brasil.

    O Brasil investe em Defesa, mas não como os EUA, por motivos óbvios.

  8. Eu acho a Embraer, dentre muitas outras, uma empresa que eleva o nível do ensino e dos profissionais. Essas empresas criam necessidades e também oportunidades.
    Claro que para um país do porte do Brasil, isso deveria ser muito maior, com centenas de empresas e não somente meia dúzia.

  9. Essa matéria, ilustra bem o acerto da FAB (guardadas as devidas proporções é claro) na escolha do GRIPEN. A FAB não escolheu apenas uma aeronave e sim todo um complexo conjunto de requisitos que trarão benefícios ao Brasil, não apenas à EMBRAER, mas tambem a muitas industrias que serão subfornecedoras de serviços e produtos em uma cadeia enorme de atividades. Esta sendo um salto de conhecimentos que dificilmente será repetido em tão pouco espaço de tempo. Quando falam que o AMX foi um divisor de águas e permitiu o desenvolvimento dos jatos comerciais, com o Gripen, aquilo vai parecer brincadeira de crianças em termos de projetos, metodologia de gerenciamento de projetos, integrações, desenvolvimento de fornecedores em nível global, definições de sistemas, interrelação entre projetos futuros, novos conceitos, tudo com participação de profissionais brasileiros, enfim um desdobramento enorme que só o tempo poderá mostrar sua verdadeira dimensão. É óbio que uma Boeing sabe disso. É óbvio que a Embraer precisa de investimentos para realizar o que pretende.
    Para a nossa Defesa é fundamental claro, mas não podemos ser hipócritas e sucumbir deixando a história se encarregar do arrependimento. Os responsáveis pelas negociações devem ser cuidadosos claro, na medida de ponderar os interesses do Brasil (FAB) e do caixa da empresa, mas não podemos deixar passar em branco.
    Abraços

  10. Não dá para negar que a indústria da defesa é um grande indutor de P&D, mas o Brasil centralizador e (ainda) não desenvolvido, não garante a escala que esta indústria precisa.. Pequenos e inconstantes pedidos, além da imprevisibilidade de cada governo, impedem que este setor decole e ganhe fôlego. Por isso a cada crise empresas trocam de dono, não tem escala para se manter. Felizmente a Embraer não depende do setor militar para sobreviver, as vendas para o setor civil vão bem obrigado.

  11. O Brasil tem gastos em defesa similares aos da Austrália e próximo ao da Itália, mas quanta diferença.
    A Austrália, em sua três forças, possui 60 mil homens, sendo que o sistema previdenciário é privado.

  12. Quem critica o “guverno”, quem diz todo o tempo a culpa é do “guverno”..o guverno… é sempre culpa dos políticos… esse guverno…
    Não esqueçam que a reforma trabalhista que a duras penas foi implantada no Brasil, ainda é muito, muito tímida diante de como funciona o mercado de trabalho norte americano, lá é bem mais duro e flexível as normas, e a previdência deles, o cara só para de trabalhar depois de bem velho, já com pouco tempo de vida pela frente…. para aproveitar o que lhe resta …o IR nos EUA é pancada, muito mais alto…
    Então antes de colocar todo o tempo a culpa no “guverno” e exaltar os EUA.. seria interessante saber se estão dispostos aos mesmo sacrifícios da sociedade deles…
    No Brasil, tem juiz que diz que não vai cumprir o que estabelece a nova lei da reforma trabalhista… e fica por isso mesmo, nem preso vai… lembrando que essa reforma é uma norma constitucional, nem lei é… é CF mesmo….. a reforma da previdência tem um monte de gente contra, a começar por altos cargos do serviço público de Brasília, os mesmos paladinos da justiça que tocam o terror contra os políticos…
    Culpa do guverno… orrra meu…. sem que todo mundo dê sua cota de sangue… a culpa sempre será dos “políticos”… caboco não paga o IPVA e já deixa 50 mangos separados junto com o documento do carro….. e tasca fora isso e aquilo…
    Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país… John F. Kennedy…
    Mas aqui seria pedir demais….

  13. andrepoa2002 9 de Janeiro de 2018 at 20:51

    Não dá para negar que a indústria da defesa é um grande indutor de P&D, mas o Brasil centralizador e (ainda) não desenvolvido, não garante a escala que esta indústria precisa.
    _________________

    Poucos países teriam escala para manter uma indústria de defesa unicamente para o mercado interno e, mesmo aqueles que teriam esta capacidade estimulam e apoiam a sua indústria de defesa a exportar. A importância da indústria de defesa é tamanha que durante o FX2 o governo brasileiro recebeu a visita do presidente da França, do vice-presidente dos EUA e – se não em engano, do primeiro ministro da Suécia atuando claramente como lobistas dos produtos de sua indústria local – o mostra no que tange a mercado de defesa, não há espaço para dogmas liberais: o apoio governamental é fundamental.
    A Embraer compreendeu isto desde cedo e não se contentou com as encomendas da FAB, competindo pelo mercado externo sempre que percebesse uma chance de sucesso. Defender a indústria de defesa nacional é a regra do mercado – inclusive em países liberais – quer os liberais gostem disto ou não. E a indústria brasileira para sobreviver precisa exportar e, para isso, precisa do apoio explícito do governo brasileiro – quer empresas e governo gostem disto ou não.
    Não se ganha mercado vendendo empresas.

  14. Marcos 9 de Janeiro de 2018 at 21:10
    Trabalham até 95 anos, foi o que eu soube… general italiano e australiano é parece aqueles Papais Noéis de Shopping…

  15. Apenas com financiamento privado nunca teriamos ido a Lua. Porém esse empreendimento alavancou vários setores. Gasto público e não poderia ser diferente. Não é um problema o Estado gastar. O problema e fazê-lo mal.

  16. Essa do governo americano pagar formação de engenheiros, técnicos e cientistas é nova pra mim.
    Ao menos é isso que deu a entender o “investimento estatal na formação…” Ali.
    Eu dei uma olhada nas referências por cima e ainda não achei nada que conte algo a respeito.
    Vou procurar com mais tempo, pq eu nunca tinha ouvido falar nisso.

    No mais, os EUA são o que são em potência bélica não porque eles criaram a indústria de defesa e ficaram ricos com isso.
    Foi a liberdade econômica que criou a riqueza e com a necessidade de proteção dessa riqueza que são o que são hoje em termos bélicos.

  17. Raul deixa eu te dizer uma coisa: lá no MIT, o qual está há uns seis kilometros da minha casa e no qual estive fazendo um treinamento em laboratório em 1995, recebe verbas tanto do Pentágono, quanto da DARPA.

    Todas as pesquisas científicas com potencial militar recebem dinheiro para cobrir os custos operacionais dos projetos em andamento, e também a subvenção acadêmica.

  18. Rui Chapéu.
    Não sei o motivo da dúvida.
    Grosso modo, durante a guerra fria foi patente a escalada da corrida armamentista entre EUA e a União Soviética.
    Isto é, os dois governos gastaram bastante para não ficar para trás.
    Nos EUA, provavelmente treinaram muita mão de obra, inclusive cientistas e engenheiros.
    Já vi um vídeo relativo ao cientista soviético que foi convidado a dar uma palestra sobre uma especialidade sua, sem desconfiar do objetivo.
    Na época, ele nem os russos sabiam no que aquele resultaria.
    Era a teoria que levou ao desenvolvimento de aviões stealth…
    Na sua palestra, havia centenas de cientistas americanos, provavelmente, tudo gente do governo já com a bala na agulha…

  19. O organograma de aquisições acima, das principais empresas de defesa americanas, deixa bem claro muita coisa já discutida aqui…
    Os grandes engolindo, engolindo, engolind…

    Pois é… O governo federal, a Embraer e seus executivos que até agora foram sempre cuidadosos, que não se deixem enganar por verdadeiros cantos de Sereia…
    Que quando terminam vc está sem vida lá no fundo de um escuro e frio oceano, junto das suas ilusões de felicidades com a tal Sereia.

    Boeing, Titio Sam, Formigas Pirateiras de olhinhos puxados etc, como amam a concorrência.
    São só boas intenções. rsrsrs!
    Parceria pode ser. Mas venda = Fim.
    E até agora não ficou claro a tal parceria, pelo contrário foi ventilada a notícia que a Boeing quer é a compra da Embraer.
    Sai fora Sereia.

  20. Pois é. O figura deixa insinuações no ar mas nem uma citação, como disseram, sobre a liberdade em fazer negócios é a proximidade às máquinas que a América sempre teve, daí seu desenvolvimento, não só na indústria bélica, nem seu governo teve milindres em utiliza-lá para derrotar seus inimigos e garantir seu crescimento. Em tudo difrente de bananolandia, o Lar dos bananas enquanto lá é o lar dos bravos.

  21. “os militares dependem deles por sua vantagem técnica, que é o cerne da doutrina de segurança dos EUA, e as indústrias dependem das Forças Armadas dos EUA como seu principal cliente.”

    – Esse trecho resume bem como ocorre a consolidação do setor de defesa. Não faz sentido uma indústria gastar milhões de dólares no desenvolvimento de novas tecnologias se não tiver quem compra, e geralmente o cliente principal deve ser o governo do próprio país na qual ela está alocada. Quando a Engesa se aventurou no desenvolvimento do Osório ela cometeu um grave erro. Gastou milhões de dólares para criar um dos melhores blindados da época mas sem a garantia de compra por parde do governo brasileiro, que na época lidava com uma das maiores crises econômicas da nossa História, e acabou pregando o último prego no seu caixão. É preciso manter o equilíbrio entre o governo e compra e a empresa que desenvolve o produto. Só depender de clientes externos é fria e aprendemos da pior forma isso.

  22. Antônio Sampaio – 09/01 – 21:18
    “o IR nos EUA é pancada, muito mais alto…” – Antônio, nos EUA o IR federal é de 7,05% mais o IR estadual cobrados em alguns estados, não é maior que o nosso. Sobre o Consumo (ICMS), a tarifa mais alta é no Tennessee 9,46%. Dê uma olhada na sua conta de luz, é possível que os impostos sejam mais caros que o valor da energia consumida. Lá o IPVA de um Toyota Hibrido 2017 custa $ 104 – para 2 anos!! Sem falar em IPI, Cofins, taxa licenciamento, INSS, etc… Em minha primeira viagem joguei minhas roupas fora e comprei tudo lá, sapato, creme barbear, calça etc… pela diferença nos preços e pela organização das cidades impossível não se sentir roubado. Abraço! Segue links das fontes:
    http://www.diariodoaco.com.br/ler_noticia.php?id=225&t=os-impostos-nos-estados-unidos-da-america
    https://taxfoundation.org/state-and-local-sales-tax-rates-in-2017/
    https://taxfoundation.org/state-individual-income-tax-rates-and-brackets-2015

  23. Acho engraçado falarem de liberdade economica de um dos paises mais protecionistas do mundo
    A liberdade economica com USA funciona a nvl interno entre eles, o que me parece correto e a nvl externo somente quando les interessa.

  24. Nunao
    Esqueceu do kc390.
    Mas a Embraer só é relevante graças as aeronaves comerciais. Se dependesse só do setor de defesa, quando muito, seria uma Avibras, se não tivesse virado uma Engessa.
    Aliás, quase virou.

  25. Tadeu Mendes 9 de Janeiro de 2018 at 22:41

    Ok, mas isso entraria na parte de P&D.

    O que eu nunca vi, nem ouvi falar até hoje é o governo americano pagando formação acadêmica de alguém.

    E isso é o que dá a entender dessa parte do texto: “foi estimulado pelo investimento estatal pós-Segunda Guerra Mundial (…) (2) a educação de cientistas qualificados, engenheiros e técnicos para trabalhar nessas novas indústrias.

    Isso eu estou indo atrás para ver se existe alguma “bolsa indústria de defesa” lá.

    Ou o autor expressou mal, ou eu interpretei errado.
    —————————————————————————————————–
    Gil 10 de Janeiro de 2018 at 6:21

    Para de mentir. Cade a sua fonte para afirmar algo assim?

    Eles estão em 17 lugar no ranking de liberdade econômica, em comparação o Brasil está na posição 140, atrás de grandes países como Laos, Togo e Kenya.

    Fonte: coloqueoswatéaqui-heritage.org/index/ranking

  26. Ao amigo que citou que liberais podem não gostar da industria bélica, eu garanto que gostamos sim! Gera riqueza, tem o efeito de permear novos conceitos, processos e tecnologias industriais. Alem disso suponho ser a ponta da piramide industrial. Dito isso, informo aos amigos que os anos 80 estão pedindo os conceitos do estado indutor e controlador do desenvolvimento de volta. E antes que pensem que sou inimigo na trincheira informo que trabalhei no laboratório da Aeroeletrônica antes da queda da URSS, no tempo da família Barreto no comando. Participei dos protótipos dos primeiros aviônicos do AMX e testei muitas unidades para o T-27. Portanto sou fã incondicional desta industria. Mas o mundo gira e as empresas, acionistas e funcionários tem o dever de buscar o lucro de forma incessante, afinal o período das vacas magras é sempre maior que as gordas.

  27. Rui Chapéu 10 de Janeiro de 2018 at 7:23

    “E isso é o que dá a entender dessa parte do texto: “foi estimulado pelo investimento estatal pós-Segunda Guerra Mundial (…) (2) a educação de cientistas qualificados, engenheiros e técnicos para trabalhar nessas novas indústrias.”

    Possivelmente incentivos em pós-graduação, em qualquer nível.

  28. André Bueno 10 de Janeiro de 2018 at 7:51
    Rui Chapéu 10 de Janeiro de 2018 at 7:23

    Completando:

    Se um sujeito, ou grupo de sujeitos, pesquisa algo que possa conduzir a novas aplicações militares ou aperfeiçoamento das já existentes, o governo deve oferecer algum tipo de patrocínio.

  29. “Marcos10 10 de Janeiro de 2018 at 6:22
    Nunao
    Esqueceu do kc390.”

    Na verdade eu esqueci de comentar nessa matéria. Acho que vc está se referindo a um comentário do Galante.

  30. Diogo de Araujo Carvalho 10 de Janeiro de 2018 at 8:40

    Obviamente não. O que interessa a uma empresa, Boeing, e não ao complexo industrial, é, possivelmente, criar um atalho que a permita concorrer diretamente com sua antagonista, a Airbus. Também possivelmente adquirir um grupo de engenharia competente e criativo.

  31. Cara, esses “neoliberais” de internet estão um saco mesmo. A indústria americana é fruto de um projeto desenvolvimentista, isso é fato, só ignorante que não entende isso. O pós guerra americano foi financiado pelo Estado e se estende até hoje, olhem os gastos do PIB com a industria de defesa… A dívida pública americana é de 30 trilhões, 30 TRILHÕES. Isso tudo é gasto do ESTADO bixo papão feioso do país que se vende como liberal. E os caras estão se lixando, vão continuar gastando, se desenvolvendo e implantando políticas protecionstas enquanto vendem pros outros países a austeridade e abertura dos mercados pros estrangeiros. É o neo colonialismo. E vem esses caras repetindo discurso de adolescente de internet .

  32. Marcos Thomas 10 de Janeiro de 2018 at 11:38

    “implantando políticas protecionstas”

    Cite quais.

    Novamente. Eles estão na posição 17 de abertura econômica. O Brasil em comparação está em 140.

  33. Rui, em 1944 o governo americano passou a G.I. Bill. Basicamente expandia o pacote de benefícios dos veteranos da Segunda Guerra Mundial, e bancou milhões e milhões de matrículas nas mais diversas universidades americanas, bem como educação técnica, básica, etc. Essa é uma das causas, na minha opinião, do boom que ocorreu no desenvolvimento tecnológico durante a década de 1950, fora os polpudos orçamentos militares após 1950, que providenciavam uma boa quantia para se perseguir as mais estapafúrdias idéias (o que não acho errado, diga-se de passagem). Então, sim, o governo deu um belo pontapé inicial no investimento em recursos humanos para o desenvolvimento de tecnologia de ponta para a área de Defesa. De novo, não acho que isso esteja errado, mas não era mamata de maneira alguma, mesmo que tenha sido bolado e implementado ainda na era Roosevelt e continuado por Truman, ambos democratas. Truman inclusive é o democrata que mais respeito, entre poucos hehehehe.

    Imagine o quanto de desenvolvimento científico/tecnológico, a NASA não contribuiu? Os desafios enfrentados por ela, uma agência do governo, eram inimagináveis quando começou suas atividades (A NASA, de 1958, foi a continuação da NACA, de 1915!). E com o orçamento que tinha, absorvia algumas das melhores mentes disponíveis, muitas delas recém formadas com a ajuda da GI Bill, e a própria NASA criava demanda para empresas privadas desenvolverem tecnologia ao mesmo tempo. Hoje em dia, o acesso à computação é tão fácil, tão corriqueiro, que a NASA tem um orçamento diminuto e vai ficar relegada em breve apenas à missões de exploração de longo alcance, para Marte, ou seja lá qual local. A exploração comercial e científica da órbita próxima, e provavelmente em breve até a lua, vai ficar à cargo de empresas privadas. Hoje em dia, na costa oeste americana, existem algumas empresas tentando desenvolver um sistema de transporte pessoal aéreo, que funcionaria como algo próximo à ‘taxis voadores’ e imaginam que em coisa de uma década a uma década e meia, já poderiam entrar em operação. O maior entrave enxergado por esse pessoal, seriam as agências regulatórias, porque a tecnologia envolvida seria questão de tempo. Aqui isso seria considerado loucura. E pode parecer loucura, mas são muito bem financiados, dinheiro totalmente privado, por pessoas que acreditam que esse processo de inovação e desenvolvimento tem que continuar.

    Então por mais que o governo americano tenha dado o pontapé e criado demanda aonde ela não existia, como a criação da NACA/NASA por exemplo, que é sim papel do governo ainda mais se considerarmos a necessidade de Defesa Nacional, a grande diferença é que existe a INICIATIVA por parte de indústrias privadas em absorverem essa mão de obra qualificada e com a tecnologia desenvolvida para o setor militar, muita coisa poderia ser feita para o mercado civil, como a matéria mesmo diz. A NASA, teve seu papel diminuído uma vez que empresas particulares começaram à ter capacidade de operar aonde a NASA opera. E eu não enxergo essa capacidade de inovação e exploração de lacunas comerciais por parte da indústria privada brasileira. Aqui todos dependem do governo, que não fomenta essa iniciativa, não cria demanda, e é instável em relação à seus investimentos tanto na área tecnológica quanto em Defesa. Receita do desastre e principalmente do desperdício.

    Marcos, não cara, você está razoavelmente enganado quanto à isso. Dê uma olhada no quanto os gastos do Estado americano foram multiplicados na era Obama e o quanto ele cortou de gastos com Defesa. Vai perceber que houve um aumento significativo em ajuda externa, em programas sociais, em aparelhamento do Estado em si, benesses, e uma diminuição constante no orçamento militar. Então o que você diz não faz lá muito sentido.

  34. Ah sim, há outra também, Rui. Quando você se alista nas FFAA dos EUA, você pode tentar diversos tipos de contratos. Inclusive você pode fazer eles bancarem seu nível superior em troca de mais tempo de serviço naquela especialidade após formado. Eu acho isso genial, sinceramente e ainda acredito que isso tem o potencial de economizar dinheiro na formação de oficiais. Mas enfim… isso merece uma análise própria.

  35. Leandro Costa 10 de Janeiro de 2018 at 13:06
    A NASA, no auge da corrida espacial – meados da década de 60 – tinha um orçamento que representava mais de 4% do PIB dos EUA. Na época, o orçamento da NASA era superior ao orçamento de muitos países….

  36. Sim, Jacinto, assim como o SAC tinha lá no início da década de 1950 até a década de 1960. Boa parte dessa grana serviu para bancar projetos, tanto em relação à NASA quanto em relação ao SAC. Essa grana ia para empresas privadas desenvolverem tecnologia para que esses órgãos atingissem seus objetivos, ou seja, criavam demanda para engenheiros, etc. E por aí vai. Mas lá a coisa era séria. Selecionavam (selecionam) o cara pelo que ele produzia, pelo que ele era capaz de fazer e o crescimento pessoal que enxergavam nele e o quanto se dedicava à determinada área de pesquisa/trabalho. Havia muito recrutamento na academia. Não tinha (não tem) esse negócio de concurso público, por exemplo.

  37. Leandro Costa 10 de Janeiro de 2018 at 13:06

    Muito bom!
    Vou ver melhor esse GI Bill que nunca tinha ouvido falar, já achei alguns artigos sobre isso.

  38. É bem mais fácil fomentar ou ser desenvolvimentista quando há iniciativa privada já exibe uma elevada produtividade. No Brasil gasta-se um bocado de dinheiro na discussão de como será dividida a riqueza que não foi e provavelmente não será gerada.

    Delfim Neto estava certo, é preciso primeiro crescer mesmo que com desigualdades para então criar as condições para maior equidade social. Seus críticos adoraram, mas o tempo mostrou que ele estava certo.

  39. Leandro Costa 10 de Janeiro de 2018 at 13:31

    Muito bem escrito, Leandro.
    Eu gostaria de relatar um conhecimento que possuo. É específico, mas servirá como exemplo.
    Na FAA (ANAC norte americana), quando eles precisam de um novo Inspetor, eles selecionam aqueles que possuem a devida experiência (em um determinado modelo ou classe de aeronave, para certificação ou para fiscalização). A vida profissional e pessoal é analisada previamente.
    Essas pessoas são convidadas a participar do processo.
    As pessoas que se interessam pela oportunidade participam da seleção de acordo com o cargo.
    Desta forma evita-se o acesso de pessoas não devidamente qualificadas para a função e a adaptação à nova colocação é maior.
    A chance de dar certo, o funcionário contratado se manter (satisfeito) no cargo oferecido, é muito maior do que nos nossos concursos públicos.

  40. Rui, é bastante interessante. Teria sido muito interessante se o Brasil houvesse feito exatamente a mesmíssima coisa na época da Guerra. Penso nos incontáveis veteranos de Guerra brasileiros que poderiam ter tido um futuro totalmente diferente daquele que tiveram se tivessem tido a mesma oportunidade. E pessoas como eles que arriscaram incontáveis vezes e tiveram experiências inimagináveis no teatro de guerra, poderiam ter contribuído de maneira singular para a nossa sociedade, sem contar que estavam recebendo uma quantia boa em dinheiro para a qual não tiveram nenhuma orientação sobre como poupar e gastar da melhor forma possível. Enfim, uma pena o que fizeram com os integrantes da FEB após a guerra.

  41. Os EUA já eram uma potência econômica na virada do século IXX para XX, não a toa que o Imperador Pedro II trouxe o telefone dos EUA para o Brasil.

    Existe nos EUA um sistema que identifica jovens talentos, que são direcionados a se desenvolverem mais rapidamente.
    No Brasil tentou-se criar um sistema semelhante, mas houve uma imensa gritaria por parte dos (des) educadores.
    Assim seguimos sendo um país de burros.

  42. Marcos,
    O maior detalhe é o país possuir demanda por trabalhadores especializados, aí os melhores serão disputados mesmo.
    Eu tive a sorte de ver isto acontecer, com naturalidade, aqui. Ainda que tenha sido uma fase pequena da nossa História… Anos 70 e 80.
    Alunos que estavam para se formar nas Escolas Técnicas Federais, na USP, Unicamp e outras boas universidades, eram disputados pelas estatais e multinacionais. Muitas vezes no penúltimo ano o aluno já sabia onde iria trabalhar, cidade, estado e empresa. E quando se formava podia ainda se dar ao luxo de escolher a empresa… Telepar, CEEE, Petrobrás, Embratel, Votorantin, Sadia, Bayer e muitas outras.
    Bons tempos!

  43. Todos reclamam da previdência, leis trabalhistas, etc.
    Só que esquecem que mais de 42 por cento do orçamento brasileiro, ė para pagar juros e rolagem da dívida de 1 trilhão de reais, por isto e pela corrupção, não sobra dinheiro. 20.000 famílias do Brasil recebem quase metade do orçamento.
    http://www.auditoriacidada.org.br/blog/2016/11/09/explicacao-sobre-o-grafico-do-orcamento-elaborado-pela-auditoria-cdada-da-divida/
    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,quanto-custa-o-bolsa-rentista-imp-,766920

  44. Mas o KC-390 não é um projeto do governo?
    O Gripen E também não é projeto de governo?
    O S-Tucano também não foi um projeto de governo?
    O AMX não foi um projeto de governo?
    O Brasil tem suas carências (e também a parte “deles”) e um cenário geopolítico de paz…
    O que vocês esperam que se invista US$3 Trilhões por ano?

  45. Tiger 777 11 de Janeiro de 2018 at 0:57
    ——
    Muito bem lembrado Tiger 777
    Quando se fala de déficit público, o nosso vilão não é aposentadoria dos trabalhadores privados e muito menos o bolsa família, as poucas aposentadorias de militares e funcionários públicos que consomem a maior parte dos recursos da previdência pública tem um peso significativo neste problema previdenciário…
    Mas o monstro destruidor da nossa economia é taxa de juros da dívida pública, isso sim deveria ser discutido abertamente e ninguém fala nada, ficam de mimimi com a merreca (se comparada a divida publica) da bolsa família….
    E claro que há outras questões tão importante quanto, que é a falta de uma política industrial de estado, e não de governo, governo passa, o estado permanece, a falta de investimento na educação de base (em primeiro lugar), falta de investimento em ciência, e mais um tanto de coisa …
    Criar mecanismo de integrar pesquisa acadêmica com a indústria e fazer com que nossos pesquisadores/cientistas abram os olhos para o mercado, e fazer dinheiro com suas descobertas. Pesquisar sobre a “Influencia da baba do Camarão-de-patas-brancas sobre os arrecifes de corrais no Atlantico sul” e não fazer dinheiro com essa porra não adianta nada…
    E temos que deixar de lado o pensamento cristão/romano que ganhar dinheiro, é crime… digo, ganhar honestamente …

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