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Vídeo: Gripen pega a estrada

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O caça Saab Gripen é projetado para decolagens e aterrissagens curtas. No vídeo, um Gripen C da Força Aérea Sueca usa uma estrada pública de 800 metros de comprimento e 16 metros de largura como pista de pouso e decolagem durante o exercício Aurora 17.

Durante a Guerra Fria, sabendo que no primeiro dia de guerra com a União Soviética suas bases aéreas provavelmente seriam neutralizadas, os suecos desenvolveram a estratégia de dispersão, desdobrando suas unidades aéreas pelo país, empregando rodovias como pistas de pouso e decolagem e usando as grandes florestas de coníferas como camuflagem, para ocultar edifícios de comando e comunicações e depósitos de combustível e munições.

A atividade demonstrou que é possível realizar operações aéreas com aeronaves Gripen a partir de um grande número de estradas e os suecos continuam a desenvolver esta forma de treinamento.

22 COMMENTS

  1. Por causa da propaganda sueca em cima do Gripen, fica-se com a impressão que só os suecos praticavam isso durante a guerra fria, mas na verdade isso era doutrina vigente na OTAN durante o período. Aqui um exercício num rodovia alemã durante os anos 80:
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  2. Nesse video a seguir, in informativo da Luftwaffe de onde as imagens do vídeo acima foram tiradas. É mais completo e mostra mais aeronaves:
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  3. E no final desse vídeo aqui, se vê porque muitas forças não tem muito entusiasmo em treinar pousos e decolagens fora da base:
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  4. Obviamente, se os “porcos capitalistas” precisam de uma “luxuosa” rodovia de asfalto para operar fora da base, os comunistas não vão perder a oportunidade de fazer melhor:
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  5. pousar em pistas improvisada da enorme vantagem tatica por um simples motivo:

    o inimigo fica sobrecarregado com as possibilidades de operacoes areas que tem de prever e praticamente fica sem poder planejar um ataque de qq tipo

    por isto o grippen foi uma escolha adequada e o kc390 tb

    o que falta agora e um poderoso sistema de artilharia antiaerea e costeira para complementar o sistema de armas naval (aerea e antinavio)

  6. O Gripen foi escolhido por uma série de fatores que ultrapassam, em muito, a característica de poder operar em “pista improvisada”. Ele não foi escolhido “por isto” somente.

  7. Ateu, se você assistir o segundo vídeo que eu postei, verá que praticamente tudo que a USAF operava taticamente nos anos 80 estava praticando operação fora da base, incluindo o A-10, F-15 e F-16, os dois últimos dificilmente entram numa lista que a maioria dos entusiastas iria imaginar, de 10 caças capazes de operam fora da base.

  8. Alfredo, os motores do Su-25 (derivados dos usados no MiG-21) até podem usar diesel como combustível numa emergência. Não sei por quanto tempo nem se tem que fazer reparo depois, mas curiosamente é algo previsto pelo fabricante.

  9. Clésio, ótimos vídeos.
    Mas, por outro lado, não se pode deixar de lembrar que, no caso dos caças suecos, esse tipo de operação era levado em conta no próprio projeto, com algumas características específicas para pousos mais curtos.

    O Viggen por exemplo inovava com o uso do reverso, combinado às superfícies de controle dianteiras para afundar mais o nariz na parte final da frenagem:

    https://m.youtube.com/watch?v=4IaWn7kX4Es

    Obviamente o Gripen não dá essa “ré” pra mudar a direção, mas após o pouso curto auxiliado pelos canards como freios aerodinâmicos adicionais aos da cauda, ele dá um belo cavalo de pau na pista, praticamente rodando sobre o próprio eixo, o que pude ver pessoalmente e relatei aqui para os leitores do Poder Aéreo:

    http://www.aereo.jor.br/2016/05/18/show-aereo-do-gripen-c-antes-do-roll-out-do-gripen-d/

  10. Olá Nunao,

    Será que tem algum aspecto do projeto para lidar com FOD? Ou os suecos confiam na qualidade e limpeza de suas estradas?

    Os russos pensaram nisso no MIG-29 com os defletores na tomada de ar, para a operação em pistas sujas.

  11. Aerococus, reza a lenda que os indianos tiveram problemas com seus Fulcrum (foram os primeiros operadores fora da URSS se não me engano). A famosa placa que vedava a entrada de ar não jogava para fora os objetos que impactavam nela, ficando retidos no lábio inferior da tomada de ar. Quando a roda do nariz deixava de ter contato com a pista (durante a rotação da decolagem) a placa retraia e os objetos iam de encontro com o motor…
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    Foi preciso alguns anos até a Mikoyan fornecer uma modificação que corrigiu o defeito.

  12. Nunão, acho que na pratica a maioria dos caças táticos ocidentais (com exceção talvez do F-16) levava a sério operações fora da base. Afinal, sempre foi um requerimento manutenção fácil e rápido turn-around. Alguns levaram isso mais a sério que outros:
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    – O F-5, apesar da aparência, possuía trem robusto que permitia operar em pistas de terra semi-preparadas, além de permitir manutenção praticamente sem precisar de escadas ou plataformas. O piloto podia subir/descer da aeronave sem apoio (coisa que o Gripen carece!!). O armamento também não precisava ser muito erguido do solo, sendo a maioria podendo ser colocada nos pilones na base do músculo;
    – O Jaguar e o Mirage F.1 com aqueles trem de pouso de trator;
    – O AMX possui os mesmos predicados do F-5, como escada orgânica, aviônica disponível na parte de baixo da aeronave, trem de pouso robusto para pouso “naval”;
    – Até o F-15, com aquele tamanho todo, possui escada integrada e ouve um grande esforço para que se diminuísse a manutenção em comparação ao F-4 (embora no fim fosse mais caro de operar…);
    – E até o curioso caso onde o Mirage III derrotou o Draken na concorrência suíça, entre outros fatores demonstrando inclusive um melhor desempenho de pista, que era um requerimento sueco e a razão de ser da asa de duplo delta.

  13. Concordo Clésio, mas acho que a capacidade de pouso curto se sobressai mais do que vários dos elementos bem lembrados por você – a maioria dos quais presentes também no Viggen e Gripen. No caso do Gripen, além da capacidade de pousos mais “duros” há várias características pra agilizar o tempo para rearmar e reabastecer, menos a escadinha, que já causou muita polêmica por aqui…

  14. Nunão, não se esqueça do canopi que abre do lado errado… Pilotos são cavaleiros e cavaleiros sobem na montaria do lado esquerdo. Pergunta pro Rinaldo de que lado ele entra no E-99 🙂

  15. O Gripen foi projetado com canards maiores para auxiliar na distância de decolagem e pouso. Ele foi projetado para uma equipe de apoio fora da base de apenas 4 homens para armar, reabastecer e fazer as checagens em apenas 10 minutos quando se trata de armamento ar-ar e quando se tratar de armamento ar-solo em até 20 minutos. Aliás, o Pres. da COPAC disse que era o caça do FX2 que tinha o menor turn around.
    A Flygvapnet determinou que um dos requisitos para o Gripen E seria o de ter o mesmo ferramental que os Gripens anteriores, cujos ferramentais são relativamente poucos em comparação com outros caças de mesma geração.
    O trem de pouso também é mais reforçado para lidar com pistas ordinárias (palavra usada Flygvapnet)
    O Gripen tem um conjunto de fatores que facilitam as operações fora da base com pouco apoio. E um conjunto desses não é comum por aí. O pessoal mencionou o F-15 que é capaz de operar fora da base. Claro que ele opera. Mas com o custo de hora-voo que ele tem (F-15C), semelhante ao que tinha o F-14, este que para cada hora voada precisava ficar em média 29h no chão em manutenção, mostram que até podem operar. Mas com uma pegada logística enorme, dificultando o apoio a operações fora de base.

  16. Excelentes comentários sobre à aeronave. Informações maravilhosas. Esta do canopi do lado direito e a história sobre os “cavaleiros” e entrada à esquerda e mais o que à aeronave pode fazer valem e muito para quem deseja aprender. Parabéns ao site.

  17. Tio entendeu a importância estratégica da possibilidade de decolar um caça de uma estrada ‘ordinária’ ao lembrar da saudosa Guerra do Seis Dias, quando a aviação de Israel depenou os árabes em seus aeroportos! Porém, filosofando com profundidade e pensando nas estradas do Brasil, mais esburacadas que queijo suíço! Teriam que trocar as rodas do trem de pouso por lagartas de trator…

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