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Akaer: meio milhão de horas dedicadas ao Programa Gripen

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Cerca de 100 profissionais já atuaram nos projetos das fuselagens traseira, central e de armamentos do Gripen durante o processo de desenvolvimento da aeronave de caça que será entregue para a Força Aérea Brasileira

A Akaer, empresa especializada em gestão de projetos, foi a primeira companhia brasileira parceira da Saab. Escolhida em 2009 para atuar no projeto de desenvolvimento da fuselagem do caça – antes mesmo de a Saab ser selecionada para fornecer as aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira –, a Akaer está prestes a completar meio milhão de horas de trabalho no programa de desenvolvimento do Gripen.

Nesse período, cerca de cem profissionais já atuaram no projeto das fuselagens traseira, central e de armamentos do Gripen. A equipe tem, desde o início da parceria, Lister Pereira da Silva como chefe de engenharia e diretor do programa na Akaer. O engenheiro mecânico, com 16 anos de experiência no segmento aeronáutico, trabalha na Akaer desde 2002 e, por conta da parceria com a Saab, teve a oportunidade de viver na Suécia durante cerca de um ano, em períodos de até quatro meses seguidos.

“O desenvolvimento de uma aeronave de caça é uma oportunidade única tanto para os profissionais envolvidos, como para a Akaer e o Brasil”, disse Silva. “As tecnologias dessa aeronave não existem hoje no Brasil e, por isso, o programa de transferência de tecnologia é tão importante”, complementou.

A empresa, com sede em São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo, conta com uma equipe multidisciplinar focada no programa Gripen. São profissionais alocados em engenharias de estruturas, projeto de estruturas e instalação elétrica, manufatura, industrialização, recursos humanos, gestão de qualidade e planejamento.

“As características dos profissionais que fazem parte dessa equipe incluem, além de sólidos conhecimentos sobre aeronáutica, fluência em inglês, flexibilidade, facilidade de adaptação e formação acadêmica diferenciada. Mas, o que é mais importante: todos são tecnicamente acima da média”, explicou Silva.

Marcelo Xavier é um desses profissionais. O engenheiro, que acompanhava os desdobramentos do programa FX-2 de longe, tinha um objetivo em mente quando se inscreveu para uma vaga na Akaer: trabalhar no desenvolvimento do Gripen. Contratado em 2009, pela empresa de São José dos Campos, em 2010 passou a atuar no programa do caça como líder de engenharia de estruturas, quando teve a primeira oportunidade de viajar para a Suécia. Depois, foram mais cinco viagens.

“O que me motiva a trabalhar nesse projeto é o aprendizado, que na indústria aeroespacial é constante, pela vida toda”, contou Xavier. “Eu transformei minha forma de liderar a partir da relação com a Saab e os suecos. Busco uma liderança mais colaborativa, acreditando sempre na contribuição das pessoas”.

Flavio Teramoto ingressou na Akaer em 1998 e, em 2009, passou a ser parte da equipe do programa Gripen como projetista-chefe de estruturas. Desde então, já viajou mais de dez vezes para a Suécia e se diz feliz com o trabalho.

“Ser selecionado para participar do desenvolvimento do caça já foi uma grande emoção. A assinatura do programa FX-2 e o primeiro voo do Gripen E, na Suécia, foram outras. Agora, a expectativa é ver a aeronave no Brasil”, apontou Teramoto.

A relação com a Akaer é também muito valiosa para a Saab, que está constantemente em busca de novos parceiros para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
“Essas empresas parceiras se tornam parte da cadeia de suprimentos mundial da Saab. Além disso, estarão capacitadas para participar de outros projetos no Brasil e no exterior”, explicou Luis Hernandez, diretor de cooperação industrial Gripen Brasil. “O programa de transferência de tecnologia tem sido um sucesso, e, certamente, um dos fatores que tem ajudado muito é a qualidade dos profissionais brasileiros, que estão dedicados ao aprendizado”, finalizou Hernandez.

DIVULGAÇÃO: Saab do Brasil

33 COMMENTS

  1. A participação de uma empresa brasileira e de seus funcionários no desenvolvimento de um projeto de ponta, como o caça Gripen, enche-nos de orgulho. A vida desses profissionais jamais será a mesma. O horizonte da empresa já está mais do que ampliado, o quintal do ‘vizinho’ é logo ali… Parabéns!

  2. Okay. Assim que eu ganhar na Uber Sena eu vou contratar esse pessoal para fazer os cálculos estruturais do meu projeto de caça.

  3. É comum na Europa pequenas empresas que projetam, fabricam e vendem um único produto com altíssima tecnologia, no estado da arte, e em ambiente global.

  4. off topic
    Essa última semana tudo foi muito corrido e ficou meio esquecido que o segundo protótipo do E195-E2 fez seu primeiro voo.

  5. Na minha opinião esses fatos comprovam a cada fase que a escolha da FAB pelo GRIPEN foi correta. Se fosse o SH ou o Rafale não nos beneficiariamos de nada disso e ainda é só o começo.

  6. Um dos desafios será manter essa equipe junta no futuro por conta de eventuais quebras no programa ou convite de outras empresas.

  7. 220 horas por mês x 100 funcionários = 22.000 horas
    22.000 x 23 = 500.000.
    Dá uns 2 anos de dedicação.
    Não vou nem dizer nada porque sei que são profissionais e estão se dedicando para fazer um bom produto.
    Mas eu acho tempo demais.
    Tudo isso meio que só em treinamento.
    De certo modo o avião já estava feito, pois é apenas uma evolução do gripen C.
    Por outro deve ter sido a própria SAAB que desenvolveu, projetou.
    Então, esses dois anos devem ter sido de treinamento.
    Acredito que fabricar uma fuselagem não deve demorar muito.
    Provavelmente uma máquina corta o aço.
    Se for material composto provavelmente há uma forma coloca-se o material dentro e pronto.
    Ótimo para o país e para a empresa.
    Mas vejo muitos casos de empresas que exibem orgulho nacional porque fabricam o parafuso da porta do armário do toalete…
    Ou o pino da fivela do cinto dos passageiros.
    Claro que cada especialidade tem sua importância.
    Quem fabrica os freios, os pneus, o assento ejetavel.
    Mas acho que o pessoal complica demais nesses projetos.

  8. Caramba Antônio… Você não entende nada mesmo do que este pessoal faz. E muito menos de como se fabrica um avião.
    Depois quer criticar o trabalho dos outros.

  9. Eu fico muito feliz quando vejo um projeto como o F-39 gerar toda uma cadeia de benefícios ao BR.
    Mas sempre penso que tambêm é uma arma, que deve ser feita para lutar e vencer.
    Por isso critico se vai encomendar em quantidade suficiente, se vai haver armamento suficiente, se vai ter outro caça para fazer high/low ou não criar dependência.
    Afinal cada dia traz a sua agonia, o que se estabelece hoje daqui a algum tempo não mais se sustenta, e novas tecnologias são criadas e anteriores descartadas em ciclos cada vez menores.

  10. Luiz Fernando, isso aí é só fabricar, não é desenvolver.
    Imagine a fuselagem de um rafale.
    Você acha que um funcionário fica lá o dia todo para dar a forma arredondada do avião ou há uma máquina?
    Diferente de um artesão que passa meses talhando madeira para fazer uma escultura.
    Detalhe por detalhe…

  11. Esses que foram para a Suécia foram escolhidos a dedo, são só a nata, então é provável que seu grau de comprometimento com a empresa seja muito maior, é improvável que sejam dispensados da Akaer ou que possam ser instados a saírem, por vários motivos.
    Mesmo que saiam, não podem revelar conhecimento algum que tiveram contato durante essa aprendizagem na Suécia, o contrato do Brasil com a Suécia exige total confidencialidade das tecnologias do Gripen repassadas ao Brasil e a FAB, no caso de um funcionário, em primeiro lugar existe a questão ética, em segundo, a questão é legal, nada impede que a SAAB mande abrir um procedimento contra alguma empresa, se suspeitar que sua tecnologia está sendo repassada de maneira indevida por um destes possíveis ex funcionárias da Akaer, mas é improvável que isso ocorra. No final das contas, vão passar o resto da vida orbitando entre as indústrias de defesa brasileiras no campo aeroespacial, tudo indica que sua carreira na Akaer será longa.
    Tão pouco aprendem tudo, acredito que cada um deles se especialize em algo particular, e o todo, só com a reunião do grupo de trabalho que teve contato com o caça.
    Nenhum! repito, nenhum país da América Latina tem capacidade levar a cabo algo assim….
    Para aqueles que entram aqui e salivam quando podem fazer comparações totalmente absurdas e descabidas, entre a China e o Brasil, ou entre algo como direi, vamos ver, o Tu-95 Bear e o F5M por exemplo, bem, para estes infelizes, isso deve ser um tirombaço nos gêmeos de baixo.
    E me vem com o migué de “Terceira força”… kkkkkkkk…

  12. A Akaer desenvolveu a fuselagem do novo Gripen, mesmo antes dele ter sido escolhido pela FAB.
    Por isso tantas horas de projeto.

  13. Antônio… Para se produzir uma aeronave são muitos meses, com o trabalho de muitas pessoas e muitas máquinas.
    E sim… Fazer uma fuselagem demanda muitas pessoas e muitos dias de trabalho para ir dando forma a mesma.
    E estou falando de uma aeronave já em produção seriada.

  14. Meus mais sinceros parabéns aos envolvidos.

    Não é absolutamente nada fácil alcançar o nível de profissionalismo para se produzir aeroestruturas para aeronaves de caça. É trabalho e perseverança e são poucos que conseguem.

  15. Certos comentários justificam as diferenças entre alguns brasileiros (infelizmente) e outros países mais conscientes. Enquanto uns trabalham, produzem, mostram resultados e se esforçam para que o Brasil seja respeitado no âmbito das nações, outros ficam confortavelmente criticando sem produzir nada mais do que flatulência. É de rasgar o s….

  16. Essa empresa, assim como outras envolvidas no projeto do F-39 estão capacitando seus técnicos no estado da arte, mas os benefícios vão muito mais além, pois na verdade estamos recuperando uma massa considerável do nosso acervo de técnicos aeronáuticos. Para um país que perdeu a “nata” do setor criativo aeroespacial no acidente de Alcântara e que levaram décadas para serem preparados, entendo que o projeto do F-39 é uma nova era do setor aeroespacial. É a oportunidade do “aprender, projetar, fazer e operar”. Pergunto: quanto custaria “comprar” tudo isso já que ninguem vende?
    Abraços

  17. Antônio 24 de novembro de 2017 at 22:15
    Ola Antonio,
    Acho que sua percepção sobre o trabalho de desenvolvimento de estruturas está incompleta. Deixa eu tentar colocar o que eu conheço. Não sou especialista em estruturas, mas convivo com eles em minha profissão (caso algum esteja online, favor me corrigir/completar):
    1. O time de engenharia/projeto de estruturas recebe o lofting (forma externa) e demais interfaces da estrutura com outros componentes relevantes;
    2. Recebe também as cargas aerodinâmicas, inerciais, dinâmicas, etc, calculadas pelo time de engenharia aeronáutica (flight sciences como se chama em algumas empresas);
    3. Recebe requisitos de vida em fadiga, tolerâncias aerodinâmicas (deformações permissíveis), tolerância a danos, requisitos de peso, materiais, etc, sem mencionar os requisitos de certificação;
    4. Com todas estas informações, realiza o projeto estrutural e a análise estrutural para definir as longarinas, cavernas, reforçadores, revestimento entre outros elementos da estrutura;
    5. Projeta também o ferramental para a fabricação da estrutura;
    6. Fábrica a estrutura, e por aí vai…

    Não é trivial. Os OEM costumam terceirizar este processo em alguns (various) componentes da estrutura. Isso é comum no meio aeronáutico. A Aker foi terceirizada pela Saab para fazer este processo da mesma forma que a Embraer no passado foi terceirizada para desenvolver os flaps do MD11, ou a AERO Vodochody foi terceirizada pela Embraer para desenvolver diversos componentes do KC390, ou a Boeing terceiriza a Mitsubishi para fazer inclusive as asas do 787…
    Palmas para a Akaer, devemos ter orgulho dela!

  18. EMB39… Bichão tá voando agora, típico voo de testes, saiu de Jacksonville, voando baixinho e dando muitas voltas sobre a pista de Melbourne.
    Americano deve olhar e pensar… “Deve ser algum novo modelo da Boeing encomendado pela USAF”.

  19. Antonio de Sampaio 25 de novembro de 2017 at 10:50
    Complementando: eles nos respeitam enquanto técnicos, nada a ver com nossos dirigentes (Aí a coisa “pega” feio, pois seriedade passa longe)

  20. Parabens ao pessoal da Akaer e seu jovem grupo de tecnicos altamente qualificados. Esses representam o que o Brasil poderia ter sido se…………….

  21. Aerococus 25 de novembro de 2017 at 10:46

    […] a Boeing terceiriza a Mitsubishi para fazer inclusive as asas do 787… […]

    Não era a Mitsubishi que teria uma unidade junto à Embraer em Gavião Peixoto, creio que para fabricar a asa, e “não deu conta do recado”, com a própria EMB assumindo a tarefa?

  22. Lembro de comentários anos atrás, sobre o offset do Gripen, “nós não temos condições de absorver nada”….
    O tempo é o senhor da razão. Aliás, ultimamente tenho usado bastante esse cliché.

  23. Ola André,
    Era a Kawasaki mesmo. Ou melhor, a Kawasaki Heavy Industries (KHI). Lembro bem do pessoal fazendo trocadilhos com o acrônimo…
    Contudo, desconheço os motivos que levaram à ruptura.

  24. Parabéns à AKAER e seus profissionais! Voces sao a parcela brasileira que nos orgulha e ajuda a sustentar essa turba de ignorantes. Dificil!

  25. Parabens à Akaer. Os brasileiros se orgulham muito de cada um de vocês . Estão tentando destruir nossa elite cultural.O orgulho do Brasil , a Petrobras , perdeu um pouco de seu brilho. Mas vocês permaneceram firmes , comprovando que nossos cérebros continuam presentes na vida nacional. E O Brasil continuará adiante em busca de seu verdadeiro valor.

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