Home Aviação de Transporte Avião da FAB resgata 14 pessoas em ilha atingida pelo furacão Irma

Avião da FAB resgata 14 pessoas em ilha atingida pelo furacão Irma

2012
31
VC-2

Aeronave presidencial pousou em Brasília por volta de 1h30min desta quarta-feira (13/09) com 14 pessoas a bordo

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), o presidencial VC-2 (Embraer 190), resgatou 14 pessoas na ilha de São Martinho, no Caribe, que ficou destruída após a passagem do furacão Irma. A aeronave pousou em Brasília (DF) na madrugada desta quarta-feira (13/09), por volta de 1h30min, trazendo a bordo sete brasileiros, quatro holandeses, dois venezuelanos e um americano que não haviam conseguido deixar a ilha após o desastre no último dia 6.

Segundo um dos brasileiros resgatados, o paulista Ricardo Passarelli, residente na ilha há mais de um ano, 95% do local ficou destruído. Ele explica que, nos primeiros dias, só aeronaves militares eram possibilitadas de descer no aeroporto da ilha – que possui em torno de 95 mil habitantes. Como o saguão foi destruído, montaram-se tendas para que as pessoas pudessem esperar pelo próximo voo. “Eu estava em um quarto de hotel equipado com um bunker [abrigo] subterrâneo e, mesmo assim, entrou água até as canelas. O teto da casa em que eu morava não existe mais. Onde o furacão passou, derrubou tudo”, conta Ricardo.

Outro brasileiro que chegou à capital federal nas asas da FAB foi o paranaense Helton Laufer, que morava em São Martinho há nove meses. Como era um dos poucos moradores da ilha que tinha acesso a sistemas de comunicação, ele foi o elo entre quem precisava de ajuda e o Itamaraty – órgão que mapeou as necessidades de apoio e acionou as estruturas governamentais para a execução da missão. Ele explica que apesar dos avisos das autoridades locais, muitas pessoas acharam que o furacão não causaria tantos estragos e optaram por não evacuar a ilha. “O brasileiro não tem experiência com esses fenômenos. Pensamos que se todos estavam ficando na ilha, poderíamos ficar também. Se soubéssemos o quão forte seria, teríamos ido embora antes”, diz Helton.

O brasileiro diz que a ajuda da FAB foi essencial, pois as pessoas perderam tudo e não têm nem acesso a bancos, o que inviabiliza a viagem. Outra dificuldade é que as operações comerciais no aeroporto estão sendo retomadas aos poucos e não há voos para o Brasil e, mesmo aqueles para outros países, partem lotados. “Quando a Força Aérea chegou, foi um grande alívio”, afirma.

O furacão também causou danos à estrutura aeroportuária, trazendo desafios à tripulação da aeronave, comandada pelo Tenente-Coronel Gregore Denicoló. Ele explica que, devido à falta de energia elétrica os órgãos de controle de tráfego aéreo não estavam funcionando – havia apenas uma coordenação feita por militares americanos. “Após o pouso foi que realmente tivemos contato com a realidade da ilha. Conseguimos visualizar aviões de ponta cabeça, a área em torno do aeroporto completamente destruída”, conta o Tenente-Coronel Denicoló.

Apesar das condições, foi possível pousar com segurança e cumprir a missão conforme o previsto. “Resgatamos todo mundo, não deixamos ninguém para trás. Isso foi muito gratificante para a tripulação: ter conseguido ajudar. Com certeza isso fez a diferença para eles”, avalia o piloto.

FONTE: Força Aérea Brasileira

31 COMMENTS

  1. Eu não vou dizer que é o caso dos que foram resgatados, mas muitos brasileiros, se pudessem, não soltavam um centavo para a defesa. Mas na hora que os desastres naturais ocorrem, não tem quem não se alegre de se beneficiar dos serviços prestados pelas forças armadas.

  2. É mais ou menos isso Clésio. Penso que seja, em grande parte, por conta do período militar mais recente. Mas uma coisa é aquilo e outra o serviço, a missão, a defesa do país que inclui prestar socorro aos cidadãos e defender terra, mar e ar.

  3. Pergunta que não quer calar.
    O governo federal enviará boletos para as embaixadas da Holanda, EUA e Venezuela, custearem as passagens de suas cidadãos?

  4. Daniel

    Estes países já prestaram outros serviços semelhantes aos brasileiros em situações parecidas como essa, em outros lugares do planeta. Uma mão lava a outra. Hoje somos nós que bancamos. Amanhã podem ser eles que nos ajudarão.

  5. Daniel, tirando os venezuelanos, os demais estrangeiros eram conjuges dos brasileiro(a)s resgatado(a)s que optaram por acompanhar-los para cá.
    No mais, países amigos costumam ter esse tipo de acordo de ajuda nessas situações. O Brasil já resgatou estrangeiros (lembro de um caso na Bolívia) e brasileiros já foram resgatados por outros países.
    Tenho um amigo de faculdade que, em viagem turística, ficou hospedado um dia numa base americana no Zimbábue, quando houve conflitos internos e ainda ganhou uma carona escoltada, junto com vários estrangeiros e americanos, até a fronteira com a África do Sul. Só precisou mostrar o passaporte brasileiro e não pagou nenhum centavo por isso.

  6. Olá Clesio. Não concordo com sua afirmação. Desconheço que alguma pesquisa de opinião tenha sido feita com esta pergunta direta, mas existem muitas outras sobre quem a população confia ou admira, e as forças armadas sempre aparecem muito bem avaliadas. Eu apostaria o contrário, que a maioria da população aprovaria o uso de recursos para a manutenção das forças armadas, principalmente quando são consideradas as ações humanitárias tanto no exterior quanto no caso de catástrofes no Brasil.

  7. André Bueno. 13/09. 10.37

    ” mas uma é aquilo….” Aquilo. Ou seja o periodo militar que o Brasil teve. Foi o que de melhor aconteceu para este malfadado país. Todos que foram combatidos se transformaram em deputados, senadores, presidentes, fora os que receberam altas idenizações. Todos estão sendo processados por corrupção.

  8. Presta atenção no detalhe, o aeroporto seria fechado em 15 minutos, ou seja, se tivessem enviado o C-130 a missão não teria sido cumprida e sabe-se lá onde estariam agora, no mínimo mais uma noite de agonia.
    Eu iria sugerir o 767, grande autonomia e capacidade, mas como o efetivo de resgatados era pequeno, fez bem a FAB em mandar um E-190, não sei se esse VC-2 é estilo Lineage 1000, com autonomia de 8.334 Km.
    Eu já fiz essa observação aqui, o KC-390 voa mais alto e mais rápido que o C-130, e essa é uma diferença que faz toda a diferença na hora de cumprir uma missão, ou simplesmente fracassar. Voar mais alto é também voar em maior segurança.
    Um avião que voa relativamente baixo e a uns 200 nós, é o que eu vejo no fligt, o velho quadrimotor capegando nos céus, contra uma máquina que voa a 36.000 pés com velocidade sustentada de 470 kts ou 870 Km/h, não tem comparação.

  9. Olá Camargoer.
    .
    Veja que eu não falei em maioria, mas disse muitos.
    .
    Agora, a população ter mais confiança nas forças armadas do que em outras instituições, não significa que eles apoiem o gasto com elas. Não acho nada improvável que se fizessem uma pesquisa onde a pergunta fosse se o entrevistado apoia o desvio de verbas das forças armadas para a saúde e educação, a maioria absoluta apoiaria. Afinal, a resposta invariavelmente seria “para que gastar com defesa se não estamos em guerra”…
    .
    Imagine você que, conversando com um colega que fez NPOR, esse soltou resposta muito parecida com a infame frase acima, e olha que se trata de um sujeito bem educado, com curso universitário e que trabalha como bancário. Já quando questionado por sua posição, se ele toparia ir na linha de frente em caso de guerra portanto equipamento obsoleto por causa da falta de verba que ele mesmo apoiou, rapidamente foi contra…
    .
    Para mim, esse é o ponto de vista de muitos: acha bonito as forças armadas, especialmente no 7 de setembro, gosta de usufruir dos seus serviços, mas não quer pagar por elas.

  10. Queimei a língua (ou os dedos no caso), comentei num outro post que o 190 não iria ser utilizado (apesar que estavam falando em 60 pessoas) pois é um avião VIP.
    Não vejo qualquer problema em trazer estrangeiros, nada de mandar a fatura. É uma situação de emergência.

  11. Conheço a ilha, estive lá algumas vezes.
    Na verdade, o tráfego aéreo é um tanto complicado, a aproximação (radar) é feita por San Juan envolvendo todo o tipo de tráfego aéreo na região, só quando na longa aproximação final é que o controle é passado para a torre do Princesa Juliana, o aeródromo propriamente dito, no período de férias chega a ser terrível, a fraseologia (fonia), com a mistura de sotaques, fica difícil, e a qualquer momento você pode ser orientado a fazer coisas não muito comuns, como fazer uma curva de 360 graus na final de pouso, só para que a aeronave à frente possa livrar a pista.
    O aeródromo, como boa parte dos aeroportos de cidades turísticas, tem restrições de horário, mas não é algo que seja impossível de se resolver, caso haja uma necessidade.
    .
    Parabéns Força Aérea Brasileira, parabéns ao comandante e à tripulação do voo.

  12. Olá Clesio, mas se você fizesse esta pergunta para mim, eu seria contra mesmo. riso. Ainda mais “desviando” né? Além de ser inconstitucional que se use recursos da saúde e educação em outros setores (poderiam ser usados pelo serviço médico e pelas instituições de ensino, respectivamente, mas nas atividades de saúde e educação, lógico). A gente gasta muito do nosso tempo aqui debatendo a eficiência ou não dos gastos militares, inclusive alguns questionam os contratos baseados em ToT por serem mais caros. Aliás, usar os recursos do MinD em situações de calamidade é um excelente exemplo de uso eficiente e integrado dos recursos públicos. Primeiro vem a necessidade, então defini-se a missão e então aloca-se os melhores recursos disponíveis para cumprir a missão com segurança e economia.

  13. Camargoer, de um modo geral poucos entendem que defesa não é algo que se constrói da noite pro dia, que é algo que custa caro e leva tempo para desenvolver. Nós entusiastas sabemos disso, mas o povo de modo geral não.

  14. Clésio Luiz
    Pior e que parte do povo acha que investimentos na defesa só são necessários em tempos de guerra. Sempre quando sai uma noticia de compra militar em algum site de noticia famoso aparece algumas pessoas reclamando, dizem que o Brasil não tem que gastar com armas pois falta educação e saúde. Muitas dessas pessoas não entendem a importância da segurança pra um pais, não só a interna mas também a externa, um bom exemplo e o Japão e a Coreia do Sul, dois países excelentes mas se o louco da Coreia do norte acertar uma bomba la ou a China resolver invadir ai o paraíso acaba. Obs: No meu exemplo so contei com a própria defesa dos dois paises, sem a ajudinha dos Eua.

  15. Pensando bem meus exemplos nao foram os melhores.. Mas o ponto principal continua, nao adianta construir um castelo se o vento puder derrubar ele

  16. Caro Clesio. O MinD tem uma péssima política de comunicação social ao ponto daqueles que o defendem terem como exemplo as forças armadas de outros países. O MinD não consegue nem convencer aqueles que já o apoiam, então como será possível convencer os outros que sua existência é importante e necessária no contexto de outras necessidades urgentes? Não é possível defender a manutenção de forças armadas caras tomando como exemplo cenários de uma guerra com a Argentina ou Venezuela por causa de território. Aliás, quem de nós conseguiria listar as ameaças que o MinD realmente tem por prioridade para o planejamento e estruturação das forças armadas? Por que o EB e a FAB não fizeram um documento ou uma coletiva para justificar os velhos sherpa ao invés do uso integrado dos atuais meios da FAB? Onde está o estudo do MinD apontando as alternativas e as razões para a esta decisão e não outra?

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here