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O que os pilotos chineses pensam sobre os seus J-20

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Tela capturada do vídeo dos J-20 que voaram no desfile dos 90 anos do Exército de Libertação Popular — PLA

Por Henri Kenhmann

Pela segunda vez desde o seu primeiro voo há seis anos e meio, o J-20, a última geração de aviões de combate chineses, ficou oficialmente em frente ao grande público no domingo, 30 de julho, desfilando no Centro de Treinamento de Zhurihe por ocasião do 90º aniversário da fundação do Exército de Libertação Popular da China (PLA).

Três aeronaves, pintadas em dois tons digitalizados, voaram pelos céus da Mongólia interior em frente ao presidente chinês XI Jinping e os 12 mil soldados que participaram do desfile militar.

Além das imagens feitas por outras aeronaves, as câmeras instaladas dentro do cockpit do J-20 também enviaram imagens tanto interessantes quanto inéditas.

De acordo com o comentarista do desfile transmitido ao vivo a milhões de telespectadores chineses, o J-20 é “uma aeronave de combate supersônica furtiva de 4ª geração*, capaz de enganar radares (inimigos) e realizar manobras em muito baixas altitudes e destruir inimigos antes mesmo que eles o vejam.”

Uma definição oficial que destaca duas das características de aeronaves desse tipo — muito baixa observabilidade e alta manobrabilidade — e também a principal tática do J-20, ou seja, usar sua furtividade para lançar um ataque além do alcance de detecção de aeronaves inimigas.

Mas se esses comentários pareceram algo banais, embora oficiais, os elementos dados por dois pilotos do J-20 que foram entrevistados nos permitirão entender mais este avião previamente mantido em segredo.

“Sua manobrabilidade é muito melhorada em comparação com a aeronave da geração anterior, pode-se dizer que é ágil como um coelho”, disse ZHANG Hao (张昊), piloto de J-20 em fase avançada de treinamento, “seu desempenho no regime subsônico não é ruim, e uma vez no regime supersônico, ele entra em seu reino”.

“Graças aos muitos sensores de bordo da aeronave e à fusão avançada de dados, o nível de automação do J-20 é muito alto”, acrescenta ZHANG, “o campo de batalha tornou-se cada vez mais transparente para nós”.

O jovem piloto ZHANG, Tang Hai Ning (汤海宁), diz que os pilotos de J-20 de hoje são capazes de voar em três tipos diferentes de aviões de combate de nova geração.

Hoje, o esquadrão de J-20 também está equipado com outros modelos de caças, como o novo bombardeiro J-16 e o ​​avião de combate J-10C. Esta mistura promove o “brainstorming” dos pilotos, o que torna possível ajustar as táticas de combate aéreo entre si.

Quando TANG fala sobre o J-20 voando nas condições climáticas um pouco peculiares na Mongólia interior, lê-se através de suas palavras que a aeronave é sensível e muito receptiva, forçando os pilotos a manobrar até mais do que o normal.

Além desses testemunhos diretos de pilotos de caça, a reportagem televisiva do desfile também revelou vários detalhes interessantes.

Capacete TK-31

O primeiro diz respeito ao capacete utilizado pelos pilotos J-20, que é diferente daqueles atualmente em serviço em outros aviões chineses.

Na verdade, o capacete de proteção leve TK-31 desenvolvido pela subsidiária ALI do fabricante de aviões chinês AVIC, já foi exposto na última exposição de aviação de Zhuhai.

Sabendo que este capacete também é usado por pilotos estudantes que voam em novas aeronaves de treinamento avançado chinesas, como JL-9 e JL-10, é provável que o TK-31 seja apenas o capacete de treinamento do J-20 e não do tipo HMDS, uma tecnologia já amplamente utilizada nos aviões de combate J-10x e J-11x, por exemplo.

Além dos capacetes dos pilotos, também notou-se que os J-20 voando em Zhurihe, o maior centro de treinamento integrado na Ásia com seus 1.066 quilômetros quadrados de área e localizado a 200 km da fronteira da Mongólia, estavam sempre equipados com lentes Lüneberg, projetadas para aumentar significativamente a seção reta radar do avião.

J-20 com lentes de Lüneberg para aumentar a seção reta radar

Esta é uma medida de segurança, para evitar que a assinatura do radar J-20 seja medida por um terceiro nesta localização muito remota na China, ou uma medida por necessidade, já que o controle de tráfego aéreo não pode detectar a aeronave a uma distância maior?

O último detalhe diz respeito ao campo de visão do piloto do J-20. Como uma aeronave de configuração delta com canards, como o J-10, a primeira comparação não rigorosa mostra que o piloto de J-20 tem um melhor campo de visão para a parte traseira lateral do que o J-10. Isto é devido aos canards que são instalados no mesmo plano que a asa, em forma diédrica ligeiramente positiva para preservar a vantagem aerodinâmica de tal configuração.

Embora o combate WVR (Within Visual Range — Dentro de Alcance Visual) não pareça ser a estratégia preferível do J-20, a visibilidade ainda contribui para a consciência situacional do piloto, e, portanto, a capacidade de sobrevivência como um todo.

(*) A 4ª geração na classificação chinesa equivale à 5ª geração dos EUA e Rússia.

FONTE: East Pendulum / Tradução e adaptação do Poder Aéreo / COLABOROU: Almir Ricardo

22 COMMENTS

  1. Interessante, todos em bom som expressaram que o caça representa um salto diante dos antecessores, contudo não diminuiram as capacidades dos 4G ( ou 3G pros orientais), deixaram implícito que o J-20 é mais do que uma mera casca como muitos diziam, é a expressão física dos avanços da industria bélica chinesa, e inclusive, pelo tempo de projeto e produção, passaram os americanos e russos no que diz respeito a eficiência de tempo e produtividade, apenas 6 anos pro caça nascer do zero e voar…enquanto isso nada fazem os EUA em relação ao F-22, único caça realmente operacional no cenário dos furtivos e a ponta da lança, e seu detrimento ocorre perante um projeto cheio de problemas que tem como título o mais caro da história…

  2. Que comecem a depreciação…
    Mas solta peça, blá blá blá, o fato que estão evoluindo, se vão superar os ocidentais eu não sei, mas que estão correndo a passos largos estão..

  3. Bom, “Uma Bost@!” eles não vão dizer né.
    Não confio muito no depoimento de quem é “da casa”, eles sempre irão falar que “e´perfeito” e etc… Por que tambem se falar que tem uma “falhinha” ali acolá é fim da carreira de piloto.

    Quero ver no mundo real como ele realmente se sai.

  4. Concordo plenamente com o Renato Carvalho como disse uma vez ” Soichiro Honda
    “Muitas pessoas sonham com o sucesso. Para mim, o sucesso somente pode ser atingido através de repetidos fracassos e da introspecção. De fato, o sucesso representa aquele 1% de seu trabalho que resulta exclusivamente dos 99% que são chamados de fracassos.” Caça Chin ling ou não , eles estão caminhando para a evolução.

  5. Interessante a parte que ele fala da agilidade da aeronave: “seu desempenho no regime subsônico não é ruim, e uma vez no regime supersônico, ele entra em seu reino”. Ou seja, com a mesmo tipo de disposição dos canards que o Typhoon (canards afastados das asas), ele também é um caça feito para desempenhar melhor em regimes supersônicos, diferente da dupla Gripen/Rafale, que prioriza o combate em regime subsônico com canards próximos as asas.

  6. É bem bonito o avião, com esses grandes canards ele parece ter dois pares de pequenas asas.
    Sei que a fuselagem dos aviões também gera sustentação, mas no caso do J-20 devem ter explorado essa capacidade ao máximo possível.
    As reais capacidades e RCS como é óbvio, é uma incógnita que não vamos ficar sabendo.
    Mas gostaria de saber pelo menos o básico, como velocidade, autonomia e capacidade de carga, ahaha..
    Interessante a afirmação do piloto quanto a manobrabilidade, para um caça enorme como esse. Será mesmo? Se for, os chinas estão bem..

  7. “seu desempenho no regime subsônico não é ruim, e uma vez no regime supersônico, ele entra em seu reino”. isso já diz muito.
    O fato da lente Lüneberg é para esconder o quão ele é stealth, nada mais. Estão mantendo sigilo total do caça ainda, as aparições são sempre em ambientes totalmente controlados e etc… Nenhuma feira internacional e afins.
    Avião fantástico, parabéns para China.

  8. Projetar, e tornar operacional, um caça stealth, é uma tarefa hercúlea. Os americanos tiveram a experiência com o F117 e com o B2, e mesmo assim demoraram de 1991 até 2005 para tornar o (caça) F-22 operacional. Quanto ao F-35 são dispensados maiores comentários.

    Além de uma infinidade de outros fatores, qual é uma das principais questões ? Tem que ser stealth “verdadeiro”. E o que seria isso ? O avião tem que sumir no clutter, tornando-o indistinguível. Aves e o sobrevôo em áreas poluídas tem RCS maior que de um caça furtivo americano. Ahhh mas com a tecnologia de hoje, hipersupermegafodástica, um radar poderia saber que um pássaro a 900 km/h não é um pássaro… blá blá blá… Um plot (retorno radar, ou contato) desses, tão fraco, simplesmente não permitiria que fossem apurados parâmetros mais precisos.
    Esse parece ser o pulo do gato. Porque se fizer caça “stealth” com RCS acima desse limite, o avião irá aparecer mesmo para os fracos radares dos caças, e aí babau vantagem tática.
    O avião chinês, na minha visão, não passa ainda de um protótipo. Ninguém sabe se a lente de Lüneberg está ali para realmente aumentar a RCS ou para tentar projetar poder: olhem, temos um verdadeiro caça stealth… O tempo logo dirá.
    Abraços

  9. O que dá pra notar como leigo, é que tanto a China como a Rússia tem um conceito de um stealth digamos, “soft” em que eles buscam “apenas” reduzir a assinatura radar da aeronave ao mínimo necessário.

    Já o norte americano tem um conceito de “full” stealth onde eles procuram “zerar” a assinatura radar ao máximo que der a ponto de adentrar em território inimigo…

    Tudo vai depender dos avanços em termos de radar para ver qual linha vai ser a mais proveitosa.

  10. Pelo simples fato de falarem em 4ª geração (equivale à 5ª ocidental) já leva a crer que eles não querem fazer propaganda. Acredito que a busca por superioridade aérea deles é séria.

  11. Apenas por puro achismo, penso que os Russos estão satisfeitos com os SU-35 portanto a entrada do T-50 pode ser preterida, já os Chineses precisam ter uma capacidade diferenciada em relação ao Russos e E.U.A.

  12. Penso que este avião nasceu bom e é bom, mais ainda vira a ser excelente, os Chineses estão no caminho certo e ainda o vão desenvolver muito…. 1º o desing correto e depois a elevação das capacidades e táticas… Um avião com ainda muitos “up grade” pra frente, Ao caminho contrário do F-22 que embora superior atualmente, até que se prove o contrário não é mais fabricado, e toda vanguarda americana agora esta na mão do F-35 … Falei muita “merda” ? hahaha

  13. Não me manifestarei sobre a qualidade do avião, até porque os chineses fazem coisas boas e bem acabadas quando querem.

    Apenas questiono se os pilotos são realmente livres para falar aquilo que quiserem.

  14. Quando ele colocou na frase que a aeronave em regime subsônico não é ruim ele, mesmo sem querer, disse que a(s) missão(ões) para o qual o J-20 foi desenvolvido é(são) interceptação e ataque com armamento de precisão/inteligente em profundidade. Que é o que eu venho afirmando aqui já algum tempo. Se tiver TVC, ainda poderá ter uma boa manobrabilidade, mas nada que se iguale aos caças de 4ª geração multifunção. Se tivessem feito menos cumprido, ou mais curto, poderia ter sido um lutador e tanto, ainda mais se equipado com TVC. É o que eu penso.
    .
    Até mais!!! 😉

  15. Os chineses estão investindo pesado em suas Forças Armadas, fico imaginando daqui 30 anos como estará .
    E o mais notável que estão levando muito a serio,não dá para falar que estão fazendo porcaria.

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