O primeiro disparo de míssil ar-superfície Brimstone da MBDA por um Eurofighter Typhoon foi concluído com sucesso, como parte do trabalho de desenvolvimento em andamento para melhorar significativamente a capacidade da aeronave. O ensaio faz parte do trabalho para integrar o pacote P3E (Enhanced Phase 3 Enhancement) para o Typhoon, que também fornecerá mais atualizações do sistema de sensores e de missão.

O pacote P3E faz parte do Project Centurion — o programa para assegurar uma transição suave das capacidades do Tornado GR4 para o Typhoon para a Royal Air Force.

O IPH do Reino Unido (Aeronave de Produção Instrumentada) 6 Typhoon realizou o lançamento com o apoio do Ministério da Defesa do Reino Unido, MBDA, QinetiQ, Eurofighter GmbH e as empresas parceiras Eurofighter – Airbus e Leonardo. Ele foi projetado para testar a separação da arma Brimstone de alta precisão quando é lançada. No total, serão realizados nove disparos para expandir as capacidades de lançamento e alcance.

O disparo inicial segue a conclusão de uma série de cerca de 40 testes de voo no início deste ano, alguns deles realizados ao lado de pilotos do Esquadrão 41 (R) da Royal Air Force — o Esquadrão de Teste e Avaliação — em uma abordagem de Equipe de Teste Combinada.

MBDA Brimstone

Volker Paltzo, CEO da Eurofighter Jagdflugzeug GmbH, disse: “A conclusão bem-sucedida deste teste é um passo importante para a integração da arma na aeronave. A Brimstone fornecerá ao piloto do Typhoon a capacidade de atacar precisamente alvos rápidos no alcance, aprimorando ainda mais os já potentes recursos ar-superfície da aeronave”.

Andy Flynn, Eurofighter Capability Delivery Director da BAE Systems, acrescentou: “Através do trabalho dedicado de nossas equipes, e com o apoio de nossos parceiros, conseguimos alcançar esse marco em um curto espaço de tempo. Agora continuaremos trabalhando ao lado da Royal Air Force e de nossas empresas parceiras em uma abordagem conjunta para garantir que possamos entregar este pacote de aprimoramentos ao serviço”.

Andy Bradford, Diretor de integração do Typhoon da MBDA, disse: “Este primeiro disparo é um importante marco para os programas Brimstone e Typhoon. A Brimstone e o Typhoon fornecerão à Royal Air Force e outras nações que operam o Eurofighter uma capacidade de ataque mundial além de 2040.”

O teste bem sucedido segue a conclusão no início deste ano do programa de ensaios de voo para a arma ar-superfície da MBDA Storm Shadow e o míssil ar-ar MBDA Meteor ‘além do alcance visual’. Os testes operacionais e a avaliação dessas capacidades estão em curso com a Royal Air Force antes da entrada em serviço em 2018.

FONTE: BAE Systems

22 COMMENTS

  1. caramba, 14 “mísseis” sob a asa…
    sera que sao os árabes bancando o desenvolvimento desse misses ?? ja que o eurofighter “esta com os dias contados”…

  2. Pois é, eu acho impressionante a capacidade de carga do Typhoon, assim como do Rafale. Sem querer comparar, mas ja comparando, na versao digamos “full stealth”, o F-35 leva bem menos sortimento de carga.

  3. Nada demais.
    Um SH embarcado leva 12 mísseis ar ar…
    E aviação naval é um nicho bem mais exigente e restrito para as aeronaves.

    No mais, toda essa carga só é utilizada quando há amplo domínio no espaço aéreo inimigo.
    O arrasto e o rcs não ajudam nos demais TO

  4. O míssil Brimstone da MBDA é uma solução inglesa para um problema europeu:
    Parar uma coluna blindada avançando em terreno aberto, como as planícies da região norte e central da Polônia e Alemanha, ou como os desertos do norte da África e Oriente Médio.
    .
    Brimstone é um míssil do porte do Hellfire, usado contra alvos táticos móveis (como carros de combate em movimento), com uma ogiva na faixa dos 9kg. Seu sistema de guia, dependendo da versão, combina radar de onda milimétrica com laser semiativo. Assim sendo, pode ter seus alvos designados pelo radar da aeronave ou por um pod laser.
    .
    Usando o radar de onda milimétrica dos Brimstones é possível para uma aeronave em uma passagem lançar vários mísseis em salva contra uma coluna de tanques.
    Imaginem um Tornado lançando em salva 9 (nove) ou o Typhoon lançando 6 (seis) Brimstone em salva a uma distância de 5 (cinco) milhas (8 km) dos alvos.
    .
    Já foi postado no AEREO fotos do Tornado com 9 (nove) mísseis distribuídos em 3 (três) pontos sob a fuselagem, com o 4º (quarto) ocupado por um pod designador laser.
    .
    No Typhoon o pod designador ficaria em uma das 4 (quatro) estações de mísseis ar-ar (Meteor ou AMRAAM), com os “cachos” de mísseis sob as asas.
    .
    Observando a foto que ilustra a matéria e em face da capacidade de fogo em salva, penso que seria mais interessante dispensar aquelas duas bombas guiadas do pilone interno das asas e armar mais meia dúzia de Brimstone.
    .
    Na verdade, minha configuração antitanque do Typhoon seria a seguinte:
    – Pilone lateral direito sob a fuselagem com um pod designador de alvos a laser LITENING III;
    – Demais pilones laterais sob a fuselagem com mísseis ar-ar Meteor ou AMRAAM (total de 3);
    – Pilones internos e externos sob as asas, no total de 4 (quatro), armados cada um com 3 (três) mísseis Brimstone;
    – Pilones centrais sob as asas, no total de 2 (dois), com tanques externos de combustível para 1.000 litros;
    – Um par de mísseis ar-ar de curto alcance ASRAAM ou IRIS-T, um em cada extremidade das asas;
    – Como eu não poderia deixar de incluir (rsrss…) um canhão automático de 27 mm Mauser BK-27.
    .
    Claro que, se possível, substituiria um ou dois dos mísseis ar-ar Meteor ou AMRAAM por mísseis antirradar ALARM (inglês).
    .
    Nesta configuração, em duas passagens, um único elemento de Typhoon (duas aeronaves), poderia por fora de combate um esquadrão de tanques.
    (Hoje esta capacidade está com um elemento de Tornado GR4.
    .
    Sds.,
    Ivan, um antigo infante.

  5. Ivan, o casulo no Typhoon fica no pilone central, no lugar do tanque ejetável. Existem figuras mostrando ele no lugar de um dos mísseis BVR dianteiros, mas o que está homologado para uso é o do pilone central.
    .
    Além da posição do míssil (como no F-4) existe também um espaço entre o trem dianteiro e o míssil (como no F-15E), mas nenhuma das duas opções é utilizada. É por essas e outras que se percebe que o ataque ao solo é coisa que não recebeu prioridade no projeto do Typhoon, ao contrario do Gripen e do Rafale, que contam com local pré-definido para o casulo designador desde o começo do projeto.

  6. Clésio,
    .
    Obrigado pela correção.
    Efetivamente um casulo na estação dianteira direita dos mísseis ar-ar na fuselagem aparentemente ficaria comprometida pela carga no pilone interno da asa direita… ou não.
    .
    Uma solução que poderia ser interessante para o Typhoon como caça-bombardeiro seria criar um tanque ventral com a parte frontal ocupada por um designador laser de alvos.
    Mas como tudo é muito caro lá pelas bandas da Europa Ocidental, ficaria inviável até para os ingleses.
    .
    Mesmo assim, com um pod designador de alvos a laser LITENING III na estação ventral, ainda acredito que a carga ‘ideal’ seria um dúzia de mísseis tipo Brimstone distribuídos em 4 (quatro) pilones sob as asas.
    .
    Nesse caso, o uso de mísseis antirradiação ALARM nas estações dianteiras do mísseis Meteor/AMRAAM poderia ser uma opção interessante.
    .
    Uma aeronave que pode estar armada com mísseis contra radar criam uma variável importante na luta entre baterias antiaéreas e aviões de ataque. Mas seria outro debate.
    .
    Abraço,
    Ivan.

  7. Gostaria de ver um pega pra capar entre Typhoons, Rafales e Gripens NG e Sukhois 27,30 e 35. Eu aposto em leve vantagem européia.

  8. O “problema” do Brimstone é que ele tem um envelope de utilização que o deixa vulnerável a armas de médio alcance. Ou seja, ele é muito bom para neutralizar alvos táticos móveis mas é preciso que a área esteja “livre” de sistemas SAM de médio alcance. Seu alcance quando lançado de um caça a média altitude não passa de 25 km.
    Uma arma que deve liderar esse segmento é a bomba planadora americana SDB 2, que irá ampliar a capacidade stand-off das armas ar-sup táticas contra alvos móveis até quase o limite da capacidade de um moderno radar embarcado operando no modo SAR/GMTI. Uma SDB-2 poderá ser lançada a mais de 100 km dos alvos quando lançada de grande altitude.
    Os britânicos estão se esforçando para desenvolver a SPEAR 3, que será mais ou menos um Brimstone DM (MMW + LSA) com propulsão por turbojato e que terá alcance de uns 150 km, com a vantagem de poder ser lançada de qualquer altitude já que é propulsada.
    *A variante Brimstone 2 com o dobro do alcance “ainda” não entrou em operação e é pouco provável que o faça tendo em vista o programa Spear 3.

    Mudando de pato pra ganso e falando da mesma coisa, existem lançadores com 3 Brimstones próprios para ficarem atrás dos lançadores convencionais (retos). Estes têm seus trilhos inclinados para baixo de modo a poderem ser lançados sem problemas. http://u0v052dm9wl3gxo0y3lx0u44wz.wpengine.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2014/05/RAF-Tornado-GR4-Brimstone-and-ALARM.jpg

  9. A FAB buscava kits de precisão (GPS/Laser) para bombas burras de aplicação, a meu ver, distinta dessa. Portanto, as perguntas insolentes:
    1) Qual a arma de uso semelhante a essa (anti-carro) disponível para a FAB hoje (A1, A29, F5) e num futuro próximo (F39), em caso semelhante ao proposto pelo Ivan (digamos, a contenção de uma coluna blindada)?
    2) Existe ou já existiu algo em desenvolvimento na indústria nacional nesse sentido?
    3) Ouvi (a tempos) em outro site algo como a adaptação do Missil MSS-1.2 AC do EB/Mectron para função semelhante. Isso lhes parece crível?

  10. A Spice250, que é praticamente uma cópia da SDB-2 da Raytheon, tem a capacidade anticarro em movimento. Ela tem algoritmos capazes de identificar e locar alvos em movimento, definindo um melhor ângulo para impacto.
    A propósito: consta no pacote de armamento comprado para o GripenNG.

  11. Satyricon,
    Hoje, a única arma contra alvos táticos (móveis, blindados) guiada lançada do ar a partir de caças é o kit Lizard (salvo engano a Lizard 2) para bombas burras de 250 quilos.
    Para o F39, se confirmada a aquisição, haverá a opção da Spice 1000 e Spice 250 (esta é semelhante à SDB 2). Ao que se sabe ambas podem atingir alvos móveis em terra e no mar.
    Quanto a uma versão do míssil MSS-1.2, era o chamado MAS 5.1. Tudo indica que foi cancelado mas de qualquer forma ele seria para ser utilizado a partirde helicópteros, sendo muito semelhante ao Kornet russo e teria uns 5/6 km de alcance.

  12. No pacote de USD 246 milhões em armamento que a FAB comprou para o Gripen NG também há kits da Spice 1000.

  13. No tocante ao Meteor:
    O Brig Crepaldi, em entrevista à revista Air Forces Monthly, edição de julho de 2016, na página 11, citou os armamentos requeridos pela FAB para o GripenNG, dentre eles estava o Meteor. No caso deste míssil estava à espera de fundos para a assinatura do contrato (o Meteor foi negociado à parte, não estava no pacote de USD 246 milhões).

  14. Vale salientar que alvos táticos podem ser fixos ou móveis e estes podem estar estáticos ou em movimento. Os que estão em movimento podem estar se movimentando lentamente (abaixo de 50 km/h) ou rapidamente (alvos a 180 km/h já foram atingidos).
    Nem toda arma ar-sup tática está apta a atingir alvos em movimento e menos ainda estão aptas a atingir alvos em movimento rápido. Por exemplo, a Paveway II GBU-12 destruiu muitos carros de combate nas guerras do Golfo mas todos estavam estacionários. Aliás, muitos foram destruídos sem um impacto direto mas apenas com a força da explosão nas proximidades. Apesar de serem capazes de atingir alvos em movimento lento (haja vista a versão antinavio propulsada AGM-123 Skipper) as Paveway II não foram desenvolvidas com esse objetivo, que como bem disse o Manuel Flávio, precisam dentre outras coisas do software necessário para ter tal capacidade.
    Já as Paveways III e “Enhanced Paveway II” são plenamente capazes de atingir alvos em movimento.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here