França e Alemanha desenvolverão novo avião de combate europeu

França e Alemanha desenvolverão novo avião de combate europeu

4561
55
Ilustração do conceito do Airbus Future Combat Air System

PARIS — A França e a Alemanha revelaram planos nesta quinta-feira para desenvolver um avião de combate europeu, enterrando rivalidades passadas como parte de uma série de medidas para fortalecer a cooperação em defesa e segurança.

O movimento para desenvolver um novo avião de guerra acelera os passos que se esperam que dê forma ao futuro da indústria europeia de combate e seus três programas existentes — o Eurofighter, o Rafale e o Gripen da Suécia.

A mudança também reflete os esforços para dar um novo impulso às relações franco-alemãs após a decisão da Grã-Bretanha de deixar a União Europeia e foi descrita pelos especialistas em defesa como um desafio para o poder militar líder da Europa.

A França e a Alemanha procuram criar um roteiro até meados de 2018 para desenvolver o novo avanço em conjunto para substituir as frotas de aviões de combate rivais existentes, de acordo com um documento emitido após uma reunião do gabinete franco-alemão em Paris.

“Hoje, existem muitos padrões e qualificações europeus e, às vezes, há concorrência entre os europeus internacionalmente”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em uma coletiva de imprensa, acompanhado pela chanceler alemã Angela Merkel.

“Posso confirmar que esta é uma revolução profunda, mas não temos medo quando são realizadas de forma pacífica, de forma estruturada e ao longo do tempo”, disse Macron.

França e Alemanha disseram que seu novo sistema de combate, que os analistas dizem que poderia envolver uma mistura de aeronaves tripuladas e não tripuladas, substituiria o Rafale e o Eurofighter, jatos rivais que competem ferozmente pelas vendas globais.

Isso marcaria o fim de uma divisão de décadas, desde que a França se retirou do projeto Eurofighter na década de 1980 para produzir seu avião de combate Rafale com a Dassault Aviation.

Os especialistas da indústria da defesa disseram que o anúncio é um revés para o Reino Unido e sua principal contratada de armas, BAE Systems.

“É um sinal para os britânicos. Isso significa que você está saindo da UE e estamos a avançar. Não estamos mais interessados ​​em você bloqueando a defesa da UE”, disse à Reuters um alto funcionário da indústria de defesa alemã.

Concepção do FCAS

Grã-Bretanha no limbo?

A declaração conjunta não indicou o papel que, se for caso, a Grã-Bretanha desempenharia no desenvolvimento liderado por franco-alemães. O país é o maior em gastos de defesa da Europa e um parceiro no projeto Eurofighter, ao lado da Alemanha, Espanha e Itália.

A França e o Reino Unido — ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com estreitos vínculos de defesa e segurança — concordaram em cooperar em tecnologia nuclear e mísseis em 2010, mas algumas autoridades francesas expressaram sua preocupação com o impacto do Brexit na defesa.

Alguns analistas e autoridades de defesa disseram que o empenho franco-alemão para criar um novo caça poderia conduzir a Grã-Bretanha em direção à cooperação industrial e de defesa com os Estados Unidos.

Atualmente, a Grã-Bretanha tem um pé em ambos os campos através do Lockheed Martin F-35 e uma participação do programa Eurofighter através da BAE.

“É quase inevitável que o Reino Unido considere uma nova parceria com a América para a próxima geração de caças”, disse Alexandra Ashbourne-Walmsley, colega associada do Royal United Services Institute, um grupo de estudos com sede em Londres.

“O Reino Unido aceitou que não pode construir outro caça por conta própria, tanto como uma evolução natural do programa F-35 e também por economias de escala, uma vez que ter uma pequena parte de um projeto dos EUA vale mais do que um programa Franco-Alemão.

No entanto, a declaração de quinta-feira também é vista por alguns como apenas o movimento de abertura em uma longa e imprevisível negociação europeia que afeta as empresas de defesa, incluindo a BAE e seus parceiros Airbus e Leonardo do Eurofighter.

Paris e Berlim também concordaram em criar um quadro de cooperação para o próximo modelo do helicóptero de ataque Airbus Tiger e para mísseis táticos ar-terra.

Além disso, eles trabalharão juntos na aquisição de sistemas terrestres, incluindo tanques pesados ​​e artilharia e disseram que um contrato deve ser assinado antes de 2019 para o projeto militar “Eurodrone”, que também inclui a Itália.

FONTE: New York Times/Reuters

55 COMMENTS

  1. Só foi eu dar a ideia no outro post, os europeus compram a ideia…
    É muito mais prático para eles.
    E a BAE não vai perder nada com isso. Os typhoons continuarão voando e a BAE continuará com sua parte no projeto.
    A não ser que o brexit preveja isso expressamente.
    Não dá é para cada país da união europeia perder sua soberania, ter que aceitar imigrantes porque um grupo em Bruxelas decidiu assim.
    França e Alemanha só têm a ganhar com essa parceria, da qual só a França não participava. Sugiro incluir o Japão nessa… Reduziria muito os custos…

  2. Kfir, trata-se do novo e futuro caça de combate. O f35 deles…
    Imagino que continuarão com rafale e typhoon enquanto for possível. Década de 2030, 2040.
    Pode ser que daqui a 10, 20 anos estejam totalmente obsoletos.
    Mas isso depende do andar da carruagem…
    A princípio parece que nem França precisa de novos rafales nem a Alemanha de novos typhoons.
    Se bem que nenhum deles têm caça furtivo. E desenvolver um novo poderia sair em no máximo 6 anos se quisessem.
    Sugiro incluir Japão e talvez Israel e Coreia.
    Quem sabe Saab e Itália, talvez Brasil.
    Mas alguns desses apenas para ajudar nos custos. Nada de ficar dependendo deles…
    Já imaginou a Índia emperrando um processo desses?

  3. A Coréia esta projetando junto com a Indonésia o seu caça de 5 geração, o KFX, a Grã Bretanha esta muito bem obrigado, ajudando a Turquia a projetar o seu caça de 5 geração, o TFX e recentemente assinou um acordo para junto com o Japão tentar projetar um caça de 5 geração, o F-3 para substituir os seus F-2(versão japonesa do F-16). Resumindo, a Grã Bretanha não ficou de braços cruzados, pegou a mala e foi fazer negócios mundo a fora, se quiser poder escolher no futuro entre dois projetos para substituir os seus Typhoons, se não quiser pelo menos ganha um dinheirinho e ainda mantém seus engenheiros aeronáuticos ocupados

  4. Nonato

    OBRIGADO pela gentileza de responder
    eu imaginei o custo do Rafale, contra o custo do F35 e de quanto pode custar o o novo vetor…
    ,
    então pra que comprar mais rafale, não é melhor ir de gripem até o novo sair?

  5. Pena o Brasil não se intere$$ar em entrar nestes projetos conjuntos com países sérios como Alemanha, França, Inglaterra, Japão, etc.
    .
    SE o Reino Unido realmente bancar um projeto conjunto com os EUA, os demais membros europeus vão procurar suas próprias soluções conjuntas, fora a Suécia que tem projetos próprios. E temos ali também Russos com certo domínio na sua área com clientes fiéis de equipamentos russos, mas com a China começando a fazer presença.
    .
    O Brasil teria tranquilamente meio$ para bancar desenvolvimento conjunto com muitos destes grupos citados, mas nossa incapacidade de ação e desinteresse total pela área de segurança dos nossos políticos desde sempre é imperativo.
    É uma pena.
    .
    O mundo está migrando para alguns poucos “blocos” de desenvolvimento deste tipo de soluções??

  6. Qdo franceses e alemães trabalham juntos, podem ter certeza que saira algo de muito bom. Isso ja aconteceu na área de helicópteros, misseis, entre outros produtos. Uma pena os ingleses nao participarem, pois poderia acrescentar e muito ao projeto.

  7. Se isso for considerado uma sucessão do Rafale + Eurofighter até pode dar certo, dentro de uma premissa de que a nova aeronave substituirá estas aeronaves, e não apenas uma delas. O ideal seria ter a Inglaterra no programa também, para ganhar escala, mais ideal ainda seria agregar a Suécia, o que seria bom até para o Brasil, mas a doutrina de segurança escandinava tende sempre para projetos próprios.

    Se bem que a Inglaterra opera os Eurofighters, o que pode atraí-la ao projeto.

    Acredito que é projeto para 20 ou 25 anos.

  8. Será que vem ai uma nova geração de aviação de hangar? Já temos o Rafale e o typhoon.

    Esperava que a Alemanha se juntasse à Suécia no FS2020.

    Será que é viável um projeto europeu com apenas Alemanha e França? É claro que não dá para esperar sentado o F35 dar certo. Mas, caso o F35 mostre ser 70% do que foi almejado, não seria mais inteligente os dois grandes europeus irem nesse sentido? Pois dessa vez, seriam só os dois…já que os outros grandes europeus tomaram outro rumo.

    Se a “solução” de 5º geração dessa década não enche os olhos de dois dos três maiores players europeus, não é burrice dizer que a 4º geração esta chegando no fim? Vejo que a 4º geração segurará o piano na Europa, pelos próximos 20 anos, no mínimo. E tem gente dizendo que o Gripen NG já nasce obsoleto. Vejo que é o contrário. É justamente o Gripen que dará tranquilidade para a Suécia desenvolver e produzir o FS2020 nas duas próximas décadas. Já Alemanha e França não terão tanta tranquilidade, pois possuem aves formidáveis, mas caríssimas de operar numa época em que a ordem do dia é diminuir custos. E aí, ou continuam nesse caminho e apressam o tal combatente europeu, ou se rendem à solução americana.

    Quanto ao FS2020, pensando em ter algo para daqui duas décadas, já passou da época de ter algum movimento na FAB pensando na participação nesse projeto. Pena que mal sabemos se teremos os gripens planejados.

  9. Pena que o Brasil não tem grana (ter tem, mas não sabe usá-la) nem credibilidade para entrar em um projeto de longo prazo como este.

  10. Os Rafales estao recebendo atualizacoes, em 2018 serao entregues as versoes F3-R, que irao operar ate 2030, e para 2020 ja esta previsto no orcamento a versao F4, que devera voar ate 2040, qdo devera estar entrando em servico esse novo caca europeu, que provavelmente sera de Sexta Geracao. Os Typhoons nao estao recebendo tanta atualizacoes, estao sofrendo com falta de pecas de reposicao, prejudicando assim suas operacoes. a Austria ja planeja em 2020, aposentar seus Typhoons, por custarem caro de mais suas operacoes.

  11. Previsível. O Uk mergulhou no projeto JSF, então não faz sentido jogar dinheiro do contribuinte em algo que eles já possuem.
    Quem deveria entrar nesse programa é a Suécia. Dificilmente terão bala na agulha pra desenvolver isoladamente o sucessor do Gripen.
    Tudo indica que o governo sueco mude a postura atual, já que há algum tempo atrás nem exportar material militar eles queriam.
    A França, por sua vez, poderia assumir um programa caro e longo diluindo custos com os alemães, principalmente na parte de propulsão.
    O resto (Brexit e UE) são conjecturas circunstanciais.

  12. É, acho que o problema principal de o Brasil entrar nessa seria a credibilidade à menos que seja algo bancado pela própria EMBRAER. Acho que nem aceitariam uma parceiria com o governo brasileiro, dado sua instabilidade em prover financiamento de projetos de Defesa. Se atrasamos financiamento de projetos de grande visibilidade como o KC-390 e nem ao mesmo conseguimos tocar adiante financiamento para projetos menores como os KC-2 da MB, que dirá no desenvolvimento de uma aeronave de 5a geração…

  13. Eu adoro esse tipo de matéria que fica fazendo associação entre acordos internacionais pelo mundo e o Reino Unido, imputando todos os problemas do mundo ao BREXIT kkkkkk
    Poderiam muito bem ter feito uma associação diferente, exemplo: BAE e Leonardo, BAE e mitsubishi, BAE e SAAB etc…mas não, a associação tinha que ser BAE x França/Reino Unido, para alegar que o problema do mundo é o BREXIT.
    Aliás, a BAE até alguns anos atrás era uma das donas da SAAB (20% das ações e 38% das ações votantes). Ou seja, ambas as empresas são próximas.
    Outro exemplo, AgustaWestland (anglo-italiana) empresa do grupo Leonardo, produziu um dos melhores helicópteros do mundo: AW101 (EH101) Merlin.
    Será que é tão difícil para alguns membros da Europa aceitarem as decisões da população inglesa? Os ingleses não querem a União Europeia!!! Agora alguns querem acabar com o BREXIT de qualquer forma e não sabem como…daí ficam com esse choro.
    Aliás, o Reino Unido não ia acabar por causa do BREXIT?
    Tempo atrás a Japonesa SoftBank comprou a ARM do Reino Unido. A mídia disse que a culpa foi do BREXIT kkkkk sendo que estava negociando a compra a 4 anos.
    O que o Reino Unido quer com outro caça de 5 geração se eles já fazem parte do projeto do F-35? Outra coisa, há rumores que a linha de produção do F-22 pode voltar a funcionar, diante disso, bem conversado o Reino Unido pode muito bem negociar com os EUA a sua inclusão para baratear a volta do F-22.
    A França e a Alemanha precisam acordar que em vez de comprar caças agora eles precisam comprar fraldas para os filhos de imigrantes (mais de 1 milhão). Talvez saibam isso e estão indignados com os ingleses kkkkkk
    Quanto ao caça de 5 geração da França/Alemanha, o F-35 com os membros: Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Holanda, Austrália, Canadá, Itália, Dinamarca, Noruega, Turquia e de outros compradores, como Israel…já custa o olho da cara, imagina dividir os custos com 2 países que não querem gastar nem os 2% do PIB com as forças armadas (norma da OTAN).
    Abraço!

  14. Se a gente consideras os quatro principais aviões para cenários ar-ar na segunda guerra, isto é, o Bf-109, Mitsubishi A6M Zero, Supermarine Spitfire, North American Aviation P-51 Mustang, temos mais de 81.000 aviões produzidos.
    Se somarmos os dois principais jatos da guerra o Gloster Meteor e o Messerschmitt Me 262 e o em 1945 algo como 5000 deles estavam em operação. Se a gente consideras os quatro principais aviões para cenários ar-ar na segunda guerra, isto é, o Bf-109, Mitsubishi A6M Zero, Supermarine Spitfire, North American Aviation P-51 Mustang, temos mais de 81.000 aviões produzidos.
    Se somarmos os dois principais jatos da guerra o Gloster Meteor e o Messerschmitt Me 262 e o em 1945 algo como 5000 deles estavam em operação.
    Os jatos eram menos de 6% dos aviões de combate ar-ar em 1945, então tiveram pouco impacto no resultado do conflito, mas qualquer analisa militar em 1945 sabia que o futuro era dos jatos que o avião a pistão, aquele que ganhou a guerra seria pouco relevante no futuro.
    Quando os primeiros jatos projetados após a segunda guerra entraram em combate na guerra da coreia, os analistas militares sabiam que embora o Sabre e o Mig-15 tivessem decidido o conflito nos ares o futuro era dos aviões supersônicos e pouco tempo depois ambas aeronaves seriam menos relevantes nos cenários ar-ar, como foram uma década e meia depois no Vietnã e oriente médio.
    Hoje, quando a gente soma os terceira e quarta geração produzidos operação mundo a fora temos mais de 12.000 aeronaves, que representa apenas uns 3% das células de caças de quinta geração a até agora produzidos.
    A situação é análoga ao de 1945, hoje os aviões convencionais são importantes numericamente no curto e parte no médio prazo, mas menos irrelevantes em cenários simétricos no longo prazo.
    Porem hoje algumas variáveis são diferentes
     Os cenários simétricos são raros. A OTAN não perde um avião em combate ar-ar há mais de 25 anos.
     Os custos e prazos de programas de caças de primeira linha estão cada vez mais proibitivos
     Há menos nações com capacidade técnica de produzir um avião de primeira linha em relação a meio século atrás.
    O resultado disto é que a migração para o avião furtivo caminha mais lentamente do que a migração de gerações no passado, mas ela está acontecendo, não tem como fechar os olhos.
    Acredito que os países europeus têm duas opções claras, ou fecha com o F-35 (talvez seja esta a visão inglesa) ou desenvolvem algo em cooperação (a visão desta notícia) o que não podem é fechar os olhos para a evolução da tecnologia.
    Outra coisa sobre aviões furtivos é que eles são complicados, representam riscos de engenharia maiores que os habituais. Os EUA estão há 40 anos trabalhando com aviões furtivos, os rivais bem menos que isto. E como toda tecnologia crítica, idealmente deve-se começar com um demonstrador de tecnologia, foi assim com o Lockheed Have Blue que depois evoluiu para o F-117 e as coisas foram sendo criadas como uma curva de aprendizagem.
    Os chineses e sua sabedoria milenar já entenderam isto, hoje os caças chineses furtivos são na verdade demonstradores de tecnologia que irão lentamente migrarem para aviões operacionais, não tem como pular etapas.
    Os russos, estes sim foram grandes lambões nesta corrida pela quinta geração. Produziram nos últimos 20 anos (quando todos sabiam que o futuro seria furtivo), dois protótipos inúteis o Project 1.44 e o Sukhoi Su-47 Berkut, aviões manobráveis, “diferentes”, mas que levaram a indústria russa de nada a lugar algum. Tivesse a indústria russa produzido um avião com linhas furtivas, e desenvolvido o conceito nas últimas duas décadas talvez teriam hoje algo para apresentar melhor que o T-50 que é um avião cujas dúvidas sobre sua real furtividade sempre existirão.
    Quando aos europeus, a minha maior curiosidade é sobre o tempo que eles vao levar para produzirem um avião cujo desenvolvimento é naturalmente mais demorado, onde primeiro se precisa validar conceitos que são novos fora dos EUA-Rússia-China e finalmente desenvolver a aeronave. Em um continente que demorou mais de 15 anos entre o primeiro voo de avioes como o Rafale e EF2000 e a entrada em serviço, e convenhamos são caças equivalente as atualizações de caças anteriores, um avião furtivo europeu pode ser algo apenas para depois de 2040.

    Os jatos eram menos de 6% dos aviões de combate ar-ar em 1945, então tiveram pouco impacto no resultado do conflito, mas qualquer analisa militar em 1945 sabia que o futuro era dos jatos que o avião a pistão, aquele que ganhou a guerra seria pouco relevante no futuro.
    Quando os primeiros jatos projetados após a segunda guerra entraram em combate na guerra da coreia, os analistas militares sabiam que embora o Sabre e o Mig-15 tivessem decidido o conflito nos ares o futuro era dos aviões supersônicos e pouco tempo depois ambas aeronaves seriam menos relevantes nos cenários ar-ar, como foram uma década e meia depois no Vietnã e oriente médio.
    Hoje, quando a gente soma os terceira e quarta geração produzidos operação mundo a fora temos mais de 12.000 aeronaves, que representa apenas uns 3% das células de caças de quinta geração a até agora produzidos.
    A situação é análoga ao de 1945, hoje os aviões convencionais são importantes numericamente no curto e parte no médio prazo, mas menos irrelevantes em cenários simétricos no longo prazo.
    Porem hoje algumas variáveis são diferentes
     Os cenários simétricos são raros. A OTAN não perde um avião em combate ar-ar há mais de 25 anos.
     Os custos e prazos de programas de caças de primeira linha estão cada vez mais proibitivos
     Há menos nações com capacidade técnica de produzir um avião de primeira linha em relação a meio século atrás.
    O resultado disto é que a migração para o avião furtivo caminha mais lentamente do que a migração de gerações no passado, mas ela está acontecendo, não tem como fechar os olhos.
    Acredito que os países europeus têm duas opções claras, ou fecha com o F-35 (talvez seja esta a visão inglesa) ou desenvolvem algo em cooperação (a visão desta notícia) o que não podem é fechar os olhos para a evolução da tecnologia.
    Outra coisa sobre aviões furtivos é que eles são complicados, representam riscos de engenharia maiores que os habituais. Os EUA estão há 40 anos trabalhando com aviões furtivos, os rivais bem menos que isto. E como toda tecnologia crítica, idealmente deve-se começar com um demonstrador de tecnologia, foi assim com o Lockheed Have Blue que depois evoluiu para o F-117 e as coisas foram sendo criadas como uma curva de aprendizagem.
    Os chineses e sua sabedoria milenar já entenderam isto, hoje os caças chineses furtivos são na verdade demonstradores de tecnologia que irão lentamente migrarem para aviões operacionais, não tem como pular etapas.
    Os russos, estes sim foram grandes lambões nesta corrida pela quinta geração. Produziram nos últimos 20 anos (quando todos sabiam que o futuro seria furtivo), dois protótipos inúteis o Project 1.44 e o Sukhoi Su-47 Berkut, aviões manobráveis, “diferentes”, mas que levaram a indústria russa de nada a lugar algum. Tivesse a indústria russa produzido um avião com linhas furtivas, e desenvolvido o conceito nas últimas duas décadas talvez teriam hoje algo para apresentar melhor que o T-50 que é um avião cujas dúvidas sobre sua real furtividade sempre existirão.
    Quando aos europeus, a minha maior curiosidade é sobre o tempo que eles vão levar para produzirem um avião cujo desenvolvimento é naturalmente mais demorado, onde primeiro se precisa validar conceitos que são novos fora dos EUA-Rússia-China e finalmente desenvolver a aeronave. Em um continente que demorou mais de 15 anos entre o primeiro voo de aviões como o Rafale e EF 2000 e a entrada em serviço, e convenhamos são caças equivalente as atualizações de caças anteriores, um avião furtivo europeu pode ser algo apenas para depois de 2040.

  15. Interessante que a partir do final da Segunda Guerra a Alemanha foi “doutrinada” pelos EUA a abandonarem qualquer pretensão de voltar a ser uma potencia militar. Em troca os EUA se ofereciam como “guardiães” da segurança alemã/europeia. Agora os EUA (leia-se Trump) estão dizendo aos alemães que eles terão de se virar sozinhos na área de defesa. Não sei não, mas algo me diz que a meio/longo prazo isso é um tremendo erro estratégico dos americanos

  16. JT8D 13 de julho de 2017 at 19:40
    Segundo diversas fontes, ocorre exatamente o oposto, desde o final da segunda guerra mundial a maior parte da população alemã é contra investimento militares, ou melhor, qualquer coisa relacionado as forças armadas, especialmente o uso de militares em ações no exterior. A própria população tem grande desconfiança das forças armadas. Ou seja, O maior empecilho é a própria população que acaba por definir algumas pautas políticas.
    Sinceramente não vejo os EUA nas últimas décadas vendendo essa ideia de guardiã da Europa (exceto na guerra fria). Curiosamente eu tenho a impressão oposta, parece que muitos países europeus tem repulsa a gastos militares e com o fim da guerra fria baixaram a guarda (acabou! Ufa). A própria situação cômoda de saber que os EUA podem socorre-los direcionou alguns países a restringir a força militar. Curiosamente a outra ponta os países europeus continuam com marcas consolidadas nesse mercado: Leonardo, Dassault, Saab, Bae, Krauss-Maffei-Wegmann, Nexter, Airbus Defence and Space, Navantia, Naval Group, FN Herstal entre várias outras.
    Não podemos afirmar que os países europeus são importadores de armas do EUA.
    Eu acho excelente os países europeus investindo nas forças armadas, infelizmente nos últimos anos os presidentes europeus são verdadeiros bambis pacifistas do John Lennon (imagine)…
    Abraço!

  17. Ivan BC 13 de julho de 2017 at 20:05
    O que eu acho é que a médio/longo prazo os EUA deixarão de ter uma Alemanha dependente em termos de defesa e passarão a ter um concorrente formidável. Mas isso é problema dos americanos. Eu , particularmente, acho ótimo

  18. É bom lembrar, tanto o EF-2000 quanto o Rafale foram projetados na época da Guerra Fria, o tempo passou e o que temos de realidade é totalmente diferente daquilo para que projetaram estes aviões, embora estejam ocorrendo atualizações, para não perder a corrida tecnológica, seria interessante um novo vetor para enfrentar os desafios num futuro não muito distante…..

  19. Eu gosto sempre de lembrar que certos resultados de eleições ou referendos devem ser vistos de maneira mais abrangente, não é simplesmente fulano ou o sim ( ou o não ) venceu, portanto a ‘nação’ quer isso ou aquilo. Quando vc tem um resultado de 50,01 x 49,99 temos na prática um empate técnico, ou seja a nação está dividida, no caso Brexit foi quase isso ( 51,9 x 48,1 ) – sem considerar as abstenções que poderiam facilmente mudar o resultado – então dizer que a população do Reino unido não quer a União Europeia passa a ideia que isso é consenso daquele povo, mas na verdade é apenas o que acha uma parte da população e que é só um pouco maior do que a outra ( lógico que democraticamente devemos aceitar esse fato ). O que eu quero dizer é que especificamente nesse caso, se as coisas não andarem muito bem a situação pode inverter e poderemos ter um retorno – a cada dia vemos que não há mais verdades absolutas, imutáveis. O saudoso Joelmir Beting dizia que o orgão mais sensível do ser humano é o bolso.

  20. First, apologies for posting in English, not Portuguese: I can read Portuguese, but not write Portuguese!

    This report is strange, in terms of its refence to the UK. Months ago, Tokyo announced – and London has never denied – that Japan and the UK were to jointly develop a “sixth generation” combat aircraft. This announcement seems to have stimulated France and German to try and develop a partnership, to avoid being left behind.

  21. Vai ter que ser um bicho que não conhecemos hoje.

    Estamos falando aqui certamente de um avião de sexta geração, para daqui a uns 20 anos. E este novo sistema de armas terá de considerar tecnologias como:
    – furtividade
    – inteligências artificiais e enxames de drones autômatos
    – comando autônomo ou remoto
    – altíssima saturação eletrônica e guerra cibernética
    – internet das coisas
    – severas restrições de custos
    – uso de novos e nem inventados materiais
    – enfrentar cenários com adversários cada vez mais furtivos por um lado e do outro defesas cada vez mais refinadas

    Politicamente terá que driblar desafios como:
    – querer fazer tudo para todos
    – um mercado de armas com menos consumidores e produtos cada vez mais caros
    – ter soluções high com lowcost. Isto porque não adianta ter sistemas de armas de bilhões cija hora de vôo vale mais que qualquer alvo (guerras assimétricas)

  22. Quanto aos tipos de guerra. Creio que serão como têm sido nos últimos 60 anos:

    A- Potencias nucleares x Potencias nucleares : não existe aqui muita chance de guerra convencional. A tendência é que rapidamente os conflitos desabem para nukes. Assim, tanto faz ter 10.000 F35 se do outro lado o inimigo tem nukes para fritar seus país. Os russos e chineses têm desenvolvido armas não para enfrentar a OTAN, por exemplo. Mas outros adversários periféricos.

    B- Grandes potências x nanicos: é o mais comum. Aí caímos no atual problema de caças onde apenas a hora de vôo custa 2 ou 3 vezes mais que 90% dos alvos encontrados. Não é aqui que um caça de altíssima tecnologia fará diferença.

    C- Países medianos e países pobres: conflitos entre esta turma é com o que tem. De maneira geral armas de 1 a 3 gerações anteriores. cenário futurista aqui não conta.

    D- Grandes x Médios: Aqui sim tecnologias de ponta fazem diferença. Quando EUA ou Rússia vão enfrentar uma Síria ou Irã da vida. Um caça de alto desempenho entrará num conflito convencional e entra para ganhar. Mesmo nestes conflitos a tendência é que em poucas semanas a grande potência já tenha alcançado a superioridade aérea. A quantidade de aviões só faz sentido a depender da quantidade de teatros de operação de interesse. China, Rússia e EUA tem milhares de km e dezenas de regiões de interesse. Aí precisam de grandes frotas.

  23. Mr. Campbell, and what about Italy and Spain, that share the Thyphoon with UK and Germany? Will they keep jointly with France and Germany for a new fighter when their Typhoon will need replacement?

  24. Adriano,não tem engenharia reversa coisa nenhuma, a Alemanha não é a China, e Tio Sam não é Rússia, o que há é o seguinte:

    Os Alemães já tomaram no ra…de fio a pavio com diversos projetos eurobambi, uns que não funcionam, como A 400 e NH 90 e outros impagáveis para operar como o Typhoon. Já chegaram a conclusão que é melhor comprar algo que vai estar operacional de duas dúzias de forças aéreas mundo afora, com custo bem definidos do que entrar em outra furada com os emaconhados do mundo dos faz de conta em que vivem os europeus.

    g abraço

  25. Kfir, o Typhoon é mico, o Rafale é um caça plenamente operacional.
    .
    Os alemães se tocaram, só agora, qual parceiro é mais confiável e que melhor entendeu de estabelecer requisitos operacionais plenos. Na OTAN, depois dos EUA, a França é o país que pode defender seus interesses sem depender da benevolência dos outros.
    .
    Por maiores problemas que possam ter (e têm) os projetos conjuntos europeus (A400M, NH-90, A330MRTT, TIGER, no futuro MPA, etc…), os franceses foram os únicos que ficaram e estão do lado dos alemãs. É igual a casamento, na alegria e na tristeza. Rsrsrs
    Com saída do Reino Unido da UE, aí é que os gauleses e germânicos se aproximarão mais ainda. Azar dos britânicos, que se tornaram mais e mais importadores do que desenvolvedores.
    .
    Até mais!!! 😉

  26. Juarez, eu concordo. Estava brincando. Mas até que a experiência de operar um caça de sexta geração pode vir a ajudar na nova empreitada.

  27. O último caça desenvolvido totalmente pela indústria aeronáutica britânica foi o Lightining há 50 anos. De lá pra cá foram ou desenvolvidos com ajuda dos europeus(alemães e franceses principalmente) ou aquisição direta dos EUA: Jaguar, F-4, Tornado, Typhoon, F-35. A indústria aeronáutica do Reino Unido não tem mais capacidade técnica/financeira de desenvolver sozinha um sistema completo e complexo que é um caça moderno. Aliás, poucos países têm. A união da Alemanha e França será justamente para isso: rateio de custos,riscos e esforço de pesquisa e desenvolvimento. A Alemanha vem de 2 projetos de caça: Tornado e Typhoon em que a complexidade e capacidade são crescentes, cujo desenvolvimento está separado por apenas 20 anos , e a França do Rafale que é um dos caças mais modernos e letais da atualidade. Em suma, existe potencial para um produto de ponta, mantendo viva a indústria aeronautica européia.

  28. Por isso tem que bater palmas para os Russos que tem um orçamento menor entre as potencias militares e sempre consegue fazer muito com pouco , fico imaginando o mesmo montante gastado com o F 35 na mão dos Russos o que eles não fariam , teriam os melhores equipamentos brincando .

  29. Falo assim pelo custo dos equipamentos Ocidentais , pelo gasto deveria ser infinitamente superiores a equipamentos orientais mas na verdade não são .

  30. Tambem acho que os alemaes terao uma boa oportunidade de usar os dados operacionais obtidos do F-35 para melhorar as especificacoes para o novo aviao franco-alemao. Lembrando que sao apenas dados sobre capacidades operacionais e nao dados de projeto, que sao secretos. Nao creio que irao comprar os F-35, so vejo como possibilidade em numero pequeno e se esse projeto conjunto for demorar demais para entrar em operacao, e para substituir a capacidade que irao perder quando os Tornados derem baixa.

  31. Fabiano martins 15 de julho de 2017 at 11:26
    Deve-se dar sempre um desconto nos custos alegados pelos russos, pois ao contrário do ocidente, a imprensa e a população não têm acesso confiável a essas informações, afinal a democracia do Putin é ‘bolivariana’ …

  32. Ha quando se fala em equipamentos militares , não gosto muito de misturar com assunto de politica (odeio politica) tanto faz se é direita esquerda , mas é apenas uma humilde opinião minha e não condeno a quem faça , alias quem sou eu para condenar isso .

  33. Fabiano martins 15 de julho de 2017 at 17:11
    Meu comentário não teve viés político, me referi apenas a questão da transparência, onde a imprensa e população não têm livre acesso a informação, não dá p/ confiar em dados oficiais vindo de governos ditatoriais de direita ou esquerda, incluindo aí as pseudo-democracias ( Rússia, Venezuela, Turquia, etc. ).

  34. LucianoSR71 15 de julho de 2017 at 17:59
    Boa noite , é que eu não sou fã de politica , não quis julgar seu comentário .
    Um abraço.

  35. JJJ
    Concordo.
    Os USA comemorarão, England volta a ser um satélite no campo militar.
    Itália deve entrar no bolo, talvez España.
    Suécia continua como opção independente (?).

  36. Primeiro para que este projeto tenha alguma chance de prosseguir com sucesso será convencer Serge Dassault a cooperar num projeto que visa encurtar a vida operacional de seu principal produto o Rafale…

    Não existe cooperação francesa em projeto de caça, existe a Dassault. PONTO.
    Duvido que Monsieur Serge aceite este disparate de apontar uma escopeta no seu próprio pé e muito menos cooperação com uma AirBus que ainda inclui uma parte significativa inglesa.

    Outro efeito previsível do Brexit e de uma Força Militar européia (sem UK) implica necessariamente, mais cedo ou mais tarde, da saída dos britânicos da AirBus seja por razões comerciais de concorrência como seja de segurança militar e tecnológica.

    Não está claro o padrão de furtividade deste futuro projeto europeu já que a tendência atual projetada para daqui a 15/20 indica mais uma evolução dos meios de detecção que amanutenção “supremacia” absolutamente não comprovada em combates reais da afamada 5ª geração. O sucesso ou o fracasso operacional do F-35 será determinante se esta “ondinha” vai levar para a aposta mais alta da 6ª geração ou a um refluxo de um 4ª geração semi-furtiva. O tempo dirá.

    Continuo a espera das reações dos militares e industriais franceses a iniciativa POLÍTICA de Emanuel Marcon, ainda acho cedo afirmar que OS FRANCESES abandonaram o Rafale.

    Até este projeto ver a luz do dia e o voo de seu primeiro protótipo ainda vai correr muita água debaixo desta ponte entre França e Alemanha e vai correr muita água por cima do Eurotúnel entre o Reino Unido colônia insular Yankee e a Europa de verdade.

  37. Erratas:

    Emmanuel Macron

    Não está claro o padrão de furtividade deste futuro projeto europeu já que a tendência atual projetada para daqui a 15/20 indica mais uma evolução dos meios de detecção que a manutenção da “supremacia” (absolutamente não comprovada em combates reais) da afamada 5 ª geração.

  38. Reportagenzinha mequetrefe tentando linkar o problema dos caças continentais europeus com o BrExit. Em suma, apenas chororô da mídia globalista-socialista…
    Ponham algo em sua cabeça: a França está totalmente F-A-L-I-D-A, e a Alemanha irá pelo mesmo caminho até 2025. Ambos os países foram invadidos por hordas e mais hordas de imigrantes ilegais que pressionam mais e mais a cada dia que passa seu “wellfare state”.
    As regulações socialistas da União Européia são tão lixo, os comunas de Bruxelas tão sacanas e incapazes, e tão estúpidos do que seja economia, que esta união apenas sobrevive mediante impressão de bilhões de euros para dar pros grandes conglomerados e contração de dívida pública exorbitante. Como toda dívida, na hora em que um credor achar que o cara não vai pagar, ele quebra.
    A Europa Continental tá lascada. O UK fez o melhor que podia pra si mesmo e caiu fora dessa joça antes que fosse tarde.
    Esse caça eurobambi ou não sairá do papel ou será uma bela bosta.
    Aliás, pra ser bem honesto acho muito provável que a Alemanha vá de F-35 e a França morra com mais um mico na mão, como a aventura Rafale…

  39. Isso tem mais cara de política do que defesa .
    Se isso acontecer, quem perderá no final das contas são os contribuintes dos dois paises que terão que bancar por algo que já sabemos que não poderá acompanhar a bipolaridade tecnológica antagônica e inevitável que, dominarão os céus no futuro. T-50 vs f-22/35

    Sabe Ferris!

LEAVE A REPLY