O caça IAI Kfir

O caça IAI Kfir

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IAI Kfir

Enquanto o Nesher estava se tornando operacional na Força Aérea de Israel, a então Israel Aircraft Industries (IAI) voltou sua atenção para corrigir as deficiências da aeronave, a maior delas sendo o motor Atar 9C. A ideia inicial era fazer um Nesher com novo motor, então o General Electric J79 foi selecionado, já que ele propulsava os Phantom F-4E que estavam em serviço em Israel há alguns anos.

Em 21 de setembro de 1970 (antes do primeiro voo do Nesher), a IAI realizou o primeiro voo de um demonstrador para comprovar que o motor J79 poderia ser integrado à célula do Mirage. Este demonstrador era um Mirage IIIBJ biposto chamado Technolog. O programa de teste de voo do Technolog foi usado para descobrir quaisquer problemas com o uso do J79 na célula do Mirage.

A nova aeronave de produção que usaria o J79 em uma estrutura do Nesher foi chamada Kfir (כְּפִיר – Filhote de Leão) e o protótipo voou pela primeira vez em 4 de junho de 1973. As entregas dos primeiros Kfirs foram interrompidas pela Guerra de Outubro do Yom Kippur naquele ano, mas nos testes verificou-se que o Kfir ainda necessitava de ajustes para alcançar uma melhor performance,

IAI Kfir

A correção para a melhoria no desempenho foi aerodinâmica e aplicada aos Kfirs subsequentes: um “dente de cão” foi adicionado ao bordo de ataque que aumentou a corda da asa e criou um vórtice que energizou o fluxo de ar e atuou como uma cerca para reduzir a indução de arrasto. Em seguida, canards foram adicionados acima e atrás das entradas de ar do motor, que ajudaram a controlar o fluxo de ar sobre a asa e tornaram o Kfir mais ágil.

Por fim, foi adicionado um par de strakes na ponta extrema do nariz, que ajudou a suavizar o fluxo de ar sobre as asas e canards. Esta configuração tornou-se conhecida como Kfir C2 e foi o modelo de produção definitivo, que também acrescentou pontos duros para mais armas.

O primeiro Kfir de produção foi entregue em 14 de abril de 1975. Um dos convidados de honra da cerimônia foi Alfred Fraunknecht, engenheiro suíço que havia passado anos antes os planos de engenharia dos motores Atar 9C a Israel para o programa Nesher.

Ilustração de IAI Kfirs da caixa do kit em escala DML/Dragon 1/144

Em serviço

68 caças Kfir C1 foram encomendados em 1974 e entregues a partir de abril de 1975, sem canards. Todos foram posteriormente adaptados ao padrão C2 e empregados como caça-bombardeiros.

Depois foram encomendados 89 Kfir C2, com entregas iniciadas em julho de 1976. Equipados com canards, borda de ataque com dente de cão e aviônica melhorada.

A US Navy arrendou 12 aeronaves entre 1985-88 e mais 13 aeronaves foram arrendadas pelo USMC entre 1986-1989 para emprego como adversário sob a designação F-21A.

F-21A Kfir da Marinha dos EUA

Posteriormente foram produzidos 30 Kfir C7 com pilones adicionais montados sob as entradas de ar do motor, cockpit HOTAS e aviônica atualizada. A versão de treinamento de dois assentos, Kfir-TC2, voou pela primeira vez em fevereiro de 1981 e doze foram construídas (incluindo 2 para o Equador). A produção de dez novos aviões C2 para o Equador trouxe o total de produção para 212 aeronaves.

Usado principalmente como caça-bombardeiro, 10 exemplares monopostos foram exportados para o Equador em 1982, 12 para a Colômbia em 1989 e 5 para o Sri Lanka em 1996.

Kfir da Colômbia

38 células foram fornecidas à África do Sul para o programa ‘Cheetah’. Exemplares de dois assentos foram fornecidos ao Equador e também um para a Colômbia e outro ao Sri Lanka (o último em 1996).

Um exemplar foi convertido no padrão Kfir C10 batizado de “Kfir 2000” para promover vendas de exportação a clientes em potencial. O Kfir finalmente foi retirado de serviço em Israel em 1999, mas 60 exemplares foram armazenados em Ovda.

Cockpit do Kfir Block 60
Kfir C12 Block 60 com radar AESA

Seis Kfirs atualmente são usados pela empresa americana Airborne Tactical Advantage Company (ATAC), uma contratada civil de defesa que fornece serviços de aeronaves táticas adversárias para as Forças Armadas dos EUA. A ATAC oferece treinamento tático no ar, simulação de ameaças e auxílio em pesquisa e desenvolvimento.

No início da década de 1990, a IAI tentou exportar 40 caças Kfir para Taiwan em um acordo estimado entre US$ 400 milhões e US$ 1 bilhão, mas sem êxito.

Em 2013, a Força Aérea Argentina iniciou negociações com Israel para a aquisição de 18 caças Kfir Block 60 como alternativa a outro acordo para 16 caças Mirage F1 da Espanha.

Jatos Kfir F-21 operados pela empresa ATAC

 Especificação Israel Aircraft Industries Kfir
 Tipo Caça de ataque ao solo multifunção
 Propulsão Um turbojato IAl Bedek-built General Electric J-79-J1E
 Desempenho Velocidade máxima: Mach 2 acima de 11 mil metros (36 mil pés); razão de subida: 233 m/s; teto de serviço: 58 mil pés; alcance: 768 km (em perfil hi-lo-hi, com sete bombas de 250 kg, dois AAMs, dois tanques de 1.300 litros)
 Pesos Vazio: 7.285 kg; máximo de decolagem: 16.200 kg
 Dimensões Comprimento: 15,65m; envergadura: 8,22m; altura: 4,55m
 Armamento 2 canhões DEFA 30 mm e até 5.775 kg (12.730 libras) de cargas externas em nove pontos duros, incluindo bombas da série Mk.80, LGBs Paveway, Griffin e SMKBs, TAL-1 OR TAL-2 CBUs, BLU-107 Matra Durandal, pods de reconhecimento e tanques externos

 

FONTE: Aviation Classics: Dassault Mirage III/5, Issue 17. “Vultures and Young Lions” by David G. Powers, Wikipedia, DML/Dragon Models

13 COMMENTS

  1. O engraçado foi ver o projeto do Mirage III praticamente igualhar a capacidade de armas do muito mais avançado Mirage 2000, embora o último seja mais potente e incomparavelmente mais ágil.
    .
    Seria interessante ver uma comparação de desempenho entre o Kfir e o Mirage 50, este último com a melhor versão do Atar 9 e possuindo quase a mesma potência dos J79 usados no Kfir.
    .
    Uma das imagens mais icônicas do Kfir, que apareceu em inúmeras publicações durante os ano 80:
    http://www.oocities.org/capecanaveral/launchpad/6556/kfir11.jpg

  2. Os programas Nesher e Kfir foram sem dúvida o grande laboratório de pesquisa no desenvolvimento aeroespacial Israelense. Eu tenho um carinho especial pelo projeto Kfir pelo empenho dos inúmeros técnicos e engenheiros, bem como da vontade dos políticos, de transformar um projeto que caminhava para a obsolescência em um vetor de incontestado desempenho, provado em combate, e vivo até hoje.

    De todas as alternativas apresentadas à Argentina, sem dúvida a do Kfir Block-60, somada um interessante pacote de armamentos (Phyton V, Derby-ER) é a melhor opção. Uma dúzia desses Kfirs bem armados garantiria uma condição mínima aceitável de defesa aérea. A despeito da classificação de aeronave de ataque, o Kfir cumpre muito bem o papel de interceptador.

  3. Está de parabéns o “Poder Aéreo” pela reportagem sobre a aviação israelense. Mas seria bem interessante ver comentários de caças experimentais que a IAI produziu como a versão do F-16. Pode ser?

  4. Eu fiquei umas dúvidas: Os Cheetah eram Kfir C7 modernizados? O C7 foi a última versão nova de fábrica? Quando terminou a produção do Kfir?

  5. Do livro “DO SHAHAK AO KFIR – a história dos deltas na Força Aéres Israelense” (no prelo)
    .
    Na verdade havia sim muita informação desencontrada e (boa parte devido aos serviços israelenses de contrainformação), mesmo após a revelação do Kfir, nada foi dito em público sobre o projeto do Nesher e nem sobre a remotorização dos Mirage IIIC com motor Atar 9C. Somente um ano depois (abril de 1976) a revista oficial da FAI revelou a existência do Nesher, e que parte deles havia participado da Guerra do Yom Kippur.
    .
    Ou seja, muitos veículos de informação acabaram por noticiar que alguns Kfir participaram da Guerra de 1973, quando na verdade quem participou foi o Nesher (mas isso não podia ser revelado). Esse erro se propagou além da década de 1970 e mesmo publicações mais recentes (como a própria Aviation Classics – fonte para o texto acima) ainda se baseiam em informações errôneas publicadas pela grande mídia daquela época.

  6. Zmun
    .
    Os Cheetah eram Mirage III da SAAF profundamente modificados na África do Sul com o auxílio e a experiência israelense e com tecnologia do Kfir. A principal diferença do Kfir para o Mirage é o motor J79 e os Cheetah mantiveram os motor Ata 9 francês. No entanto, o Cheetah C tinha motor Atar 9K, o mesmo motor da família Mirage F1.

  7. Como ficaria o Kfir Block 60 com um motor F414 ou EJ200?
    EJ200
    Type: turbofan
    Length: 4 m (160 in)
    Diameter: 737 mm (29.0 in)
    Dry weight: 990 kilograms (2,180 pounds)[14][N 1]
    Components
    Compressor: 3-stage LP, 5-stage HP
    Combustors: annular
    Turbine: 1-stage LP, 1-stage HP
    Performance
    Maximum thrust: 60kN (13,500lbf) dry thrust; 90kN (20,250lbf) with reheat[15]

    F 414
    General characteristics
    Type: Afterburning turbofan
    Length: 154 in (391 cm)
    Diameter: 35 in (89 cm)
    Dry weight: 2,445 lb (1,110 kg) max weight[26]
    Components
    Compressor: Axial compressor with 3 fan and 7 compressor stages
    Combustors: annular
    Turbine: 1 low-pressure and 1 high-pressure stage
    Performance
    Maximum thrust:
    13,000 lbf (57.8 kN) military thrust
    22,000 lbf (97.9 kN) with afterburner

    GE-J79-J1E

    License-built in Israel by Beit Shemesh Engines Ltd. (BSEL)[citation needed] with 18,750 lbf (83.40 kN) afterburning thrust for the IAI Kfir.

  8. Deve ter um erro nesse texto, ou no texto do tópico “O Programa Lavi”.
    Ambos citam como “leãozinho”, as palavras Kfir e Lavi… rs
    Afinal, quem é o leãozinho ? O Kfir ou o Lavi ?

  9. Após alguns anos de vitórias sucessivas(1966-70) ,utilizando táticas de combate aéreo de curta distância”dog fighting” , explorando as vantagens aerodinâmicas dos mirage 3/5, os israelenses notaram que sirios e egipcios estavam aprendendo rápido. Os abates estavam mais difíceis. Sabiam da presença de consultores e mercenarios russos e do leste europeu. Os mig 21 iriam em breve receber ajuda de mig 23s. Com radares e misseis mais avançados .Os Phantom não eram confiáveis ainda para o combate aéreo. Para permitir o transporte de mais mísseis e radar no bico, mantendo ou melhorando txa de giro, razão de subida e recuperação dinâmica, os mirage 3 deveriam sofrer uma profunda modificação.Resultado: um belo produto que continuou mantendo a supremacia área de israel em 1973 -75 até a chegada dos F 15. Um grande marco na história da família mirage, permaneceu décadas como um caça competitivo graças a indústria aeronáutica israelense. Excelentes matérias. Parabéns aos elaboradores.

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