“Sentar a Púa: lançar-se contra o inimigo com decisão, golpe de vista e vontade de aniquilá-lo. Quem vai sentar a púa não tergiversa. Arremete de ferro em brasa e verruma o bruto”.

P-47s da FAB da Esquadrilha Azul do 1º Grupo de Caça prestes a decolar para uma missão na Itália
Emblema do Primeiro Grupo de Aviação de Caça

O 1ºGAVCA (1º Grupo de Aviação de Caça ou 1st Brazilian Fighter Squadron – 1st BFS) foi formado em 18 de dezembro de 1943. Seu comandante era o Ten. Cel. Av. (Tenente Coronel Aviador) Nero Moura. O grupo tinha 350 homens, incluindo 43 pilotos. O grupo foi dividido em quatro esquadrilhas: Vermelha (“A”), Amarela (“B”), Azul (“C”) e Verde (“D”). O CO do grupo e alguns oficiais não estavam ligados a nenhuma esquadrilha específica. O 1ºGAVCA possuía pilotos com experiência, como Alberto M. Torres, que tinha pilotado um PBY-5A Catalina que afundou o submarino alemão U-199, quando este operava ao largo da costa brasileira.

Entre os 48 pilotos da Unidade Brasileira que realizaram missões de guerra, houve um total de 22 perdas; cinco dos pilotos foram mortos por fogo antiaéreo, oito tiveram seus aviões derrubados e saltaram sobre território inimigo, seis tiveram que desistir de operações de voo por ordens médicas, depois de sofrerem colapso nervoso, e três morreram em acidentes de voo.

O grupo treinou para o combate no Panamá, onde 2º Ten. Av. Dante Isidoro Gastaldoni foi morto em um acidente de treinamento. Em 11 de maio de 1944, o grupo foi declarado operacional e tornou-se ativo na defesa aérea da Zona do Canal do Panamá. Em 22 de junho, o 1ºGAVCA viajou para os EUA para fazer a conversão para o Republic P-47D Thunderbolt.

Em 19 de setembro de 1944, o 1ºGAVCA partiu para a Itália, chegando a Livorno em 6 de outubro. Integrou o 350th Fighter Group da USAAF, que era parte da 62nd Fighter Wing, do XXII Tactical Air Command, da 12th Air Force.

Elemento de P-47 decola para mais uma missão contra os alemães na Itália

Os pilotos brasileiros inicialmente voaram a partir de 31 de outubro de 1944, como elementos individuais de esquadrilhas de outros esquadrões do 350th Fighter Group, em voos de ambientação e progressivamente participando de missões mais perigosas. Menos de duas semanas depois, em 11 de novembro, o grupo iniciou suas próprias operações voando de sua base em Tarquinia, usando seu indicativo tático Jambock. As estrelas da Força Aérea Brasileira substituíram a estrela branca dos EUA no cocar dos Thunderbolts da FAB.

O 1ºGAVCA iniciou sua carreira de combate como uma unidade de caça-bombardeiro, nas missões de reconhecimento armado e interdição, em apoio ao US Fifth Army, ao qual a FEB – Força Expedicionária Brasileira estava ligada. Em 16 de abril de 1945, o Quinto Exército dos EUA iniciou sua ofensiva ao longo do Vale do Pó. Até então, a força do Grupo tinha caído para 25 pilotos, alguns tendo sido mortos e outros abatidos e capturados. Outros haviam sido afastados de operações por razões médicas devido à fadiga de combate. O grupo dissolveu a Esquadrilha Amarela e distribuiu os pilotos sobreviventes entre as outras esquadrilhas. Cada piloto voava em média duas missões por dia.

Pilotos do 1st Brazilian Fighter Squadron (1ºGAVCA) do 350th Fighter Group da USAAF seguem em um jipe para a linha de voo

Em 22 de abril de 1945, as três esquadrilhas restantes decolaram em intervalos de 5 minutos, começando às 8h30 da manhã, para destruir pontes, barcaças e veículos motorizados na região de San Benedetto. Às 10h da manhã, uma esquadrilha decolou para uma missão de reconhecimento armado ao sul de Mântua. Eles destruíram mais de 80 tanques, caminhões e veículos. Até o final do dia, o grupo tinha voado 44 missões individuais e destruído centenas de veículos e barcaças. Neste dia o grupo voou o maior número de surtidas da guerra; consequentemente, o Brasil comemora o dia 22 de abril como o Dia da Aviação de Caça.

No total, a 1ºGAVCA voou 445 missões, 2.550 saídas individuais, e 5.465 horas de voo de combate, de 11 de novembro de 1944 a 6 de maio de 1945. O XXII Tactical Air Command reconheceu a eficiência do Grupo observando que embora voasse apenas 5% do total das missões realizadas por todos os esquadrões sob seu controle, realizou uma porcentagem muito maior da destruição total realizada.

Em junho de 1945, após o fim das hostilidades na Europa, o 1ºGAVCA voltou para casa, onde muitos dos homens continuaram a servir na FAB.

DADOS OPERACIONAIS DO 1º GRUPO DE CAÇA NA ITÁLIA
Total de missões 445
Total de saídas ofensivas 2.546
Total de saídas defensivas 4
Total de horas voadas em operações de guerra 5.465
Total de horas voadas 6.144
Bombas incendiárias 166
Bombas de fragmentação (260 lb) 16
Bombas de fragmentação (90lb) 72
Bombas de demolição (1.000lb) 8
Bombas de demolição (500lb) 4.180
Total de tonelagem de bombas lançadas 1.010
Munição calibre .50 (12,7 mm) 1.180.200
Foguetes ar-superfície 850
Total de gasolina, em litros 4.058.651
Republic P-47 da Esquadrilha Verde do 1º Grupo de Caça da FAB, em fevereiro de 1945
Tenente Coronel Nero Moura comandante do 1º Grupo de Caça dá instruções da missão aos seus pilotos
À esquerda, major Walter Maciey, um oficial de ligação americano com o Primeiro Grupo de Caça brasileiro, discute o alvo do dia com o capitão Francisco Dutra Sabroza
À esquerda, o Capitão Lafayette Souza, líder de esquadrilha, e o Capitão Oswaldo Pamplona Pinto, Oficial de Operações do Primeiro Grupo de Caça
O pessoal médico anexado ao Primeiro Grupo de Caça na Itália. O homem à Direita é Luthero Vargas, filho do Presidente do Brasil e encarregado da unidade médica
Quando os pilotos do Primeiro Grupo de Caça voltaram aos Estados Unidos, passaram a maior parte de seu tempo livre no hotel Waldorf Astoria. Na Itália, eles deram o mesmo nome para sua barraca
A cantina do Primeiro Grupo de Caça
No caminho para a linha de voo, os pilotos brasileiros na Itália fumam cigarros e conversam
Pessoal de armamento do Primeiro Grupo de Caça equipa um dos Republic P-47 para uma missão
P-47 Thunderbolts do Primeiro Grupo de Caça recebem combustivel para a próxima missão
Segundo Tenente Marcos Coelho Magalhaes de 21 anos de idade, junto ao seu P-47. Na bomba lê-se “Um souvenir da FAB”
Segundo Tenente Helio Carlos Cox, natural do Rio de Janeiro, em seu Republic P-47

Segundo Tenente Jorge E.P. Taborda, natural do Rio de Janeiro
Tenente Raymundo da Costa Canario, natural do Rio de Janeiro
Republic P-47 da FAB aquecem os motores antes da missão
A bandeira brasileira tremula enquanto uma esquadrilha retorna de uma missão
Mecânicos trabalham em um P-47
Cabo Augusto Cesar de Araujo, natural da Bahia, especialista em armamento do Primeiro Grupo de Caça
Sargento Gean Bourdon, natural do Rio de Janeiro, “Flight Chief” do Primeiro Grupo de Caça
Mecânicos trabalham nos P-47 do Primeiro Grupo de Caça

À esquerda, soldado Nilo Lopes, natural do Rio Grande do Sul, e o soldado Urbano Bento, do Rio de Janeiro, inpecionam o buraco feito pela flak alemã, em um P-47 da FAB
Um membro do Primeiro Grupo de Caça inspeciona uma metralhadora ponto 50 do P-47
Um grupo de armamento do Primeiro Grupo de Caça brasileiro prepara um Republic P-47 para o combate
Um mecânico do Primeiro Grupo de Caça remove a hélice de um P-47 em um aeródromo em algum lugar da Itália
Tenente Rui Moreira Lima no cockpit do seu P-47
Tenente Othon Corrêa Netto
Tenente Coronel Nero Moura, Comandante do Primeiro Grupo de Caça
Pilotos do Primeiro Grupo de Caça discutem sobre a missão que acabaram de realizar
Pilotos e membros do Primeiro Grupo de Caça descansam em frente à Torre de Pizza

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