DOT&E FY16AR: modificações na família Super Hornet

DOT&E FY16AR: modificações na família Super Hornet

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O programa F/A-18E/F Super Hornet e EA-18G Growler apresenta tecnologias já bastante maduras e testadas, mas que ainda necessitam de melhorias pontuais.

(Feb. 07, 2017) Sailors assigned to the “Kestrels” of Strike Fighter Squadron (VFA) 137, perform checks on an F/A-18E Super Hornet before flight operations on the aircraft carrier USS Carl Vinson (CVN 70) flight deck. The ship and its carrier strike group are on a regularly scheduled Western Pacific deployment as part of the U.S. Pacific Fleet-led initiative to extend the command and control functions of U.S. 3rd Fleet. U.S. Navy aircraft carrier strike groups have patrolled the Indo-Asia-Pacific regularly and routinely for more than 70 years. (U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class Sean M. Castellano/Released)

por Guilherme Poggio

Os relatórios do Escritório de Testes Operacionais e Avaliações do Pentágono (DOT&E) se ocupam mais com sistemas de combate que estão em pleno desenvolvimento. Outros sistemas que já passaram por grandes avaliações e são objetos de pequenas melhorias acabam recebendo menos atenção.

A complexidade de determinado programa, assim como a quantidade de deficiências do mesmo, pode ser medida através do número de páginas que o DOT&E se dedica ao tema. Por exemplo, no auge do desenvolvimento do F/A-18E/F Super Hornet, por volta de 1999/2000, os relatórios dos DOT&E sobre esse tema não passaram de seis páginas.

Programas muito mais complexos e caros como o do JSF/F-35 acabam por merecer mais páginas. Só que neste caso o aumento de páginas tem ocorrido em escala logarítmica (ver imagem abaixo), o que não é um bom sinal.

F-35_DOT&E_annual_report_stats
F-35_DOT&E_annual_report_stats

No mais recente relatório do DOT&E (FY 2016 publicado em fevereiro de 2017) o programa F/A-18E/F Super Hornet e EA-18G Growler foi abordado em três páginas. Este é mais ou menos o número de paginas que o DOT&E tem utilizado para este programa nos últimos anos.

Traduzindo em poucas palavras, isto mostra que este é um programa com tecnologias já bastante maduras e testadas, mas que ainda necessitam de melhorias pontuais.

A Marinha dos EUA tem se empenhado em aprimorar o pacote de configuração de sistemas (System Configuration Set – SCS) dos seus caças dessa família. Anteriormente era a versão H8RE. Agora a frota está equipada com o pacote H10 e testes operacionais para a versão H12 já estão em andamento.

Cada uma dessas versões do sistema possui pequenas melhorias sobre a anterior e permite explorar melhor os sensores e a fusão dos dados provenientes deles. Um dos campos que tem recebido melhorias (e também críticas) e o do radar de varredura eletrônica (Active electronically scanned array – AESA) AN/APG-79.

Segundo o relatório, esta versão do sistema (H10) é a que melhor apresenta confiabilidade em relação ao radar AESA desde a sua introdução em 2006. No entanto, está confiabilidade ainda está aquém das exigências.

Embora o AESA forneça um desempenho melhorado comparado aos radares de varredura mecânica, o DOT&E avaliou o radar como não operacionalmente apropriado desde os testes de 2006 por causa da baixa estabilidade do software e do desempenho do BIT (built-in test).

AESA-upgrade
AESA sub-system

A funcionalidade de identificação e isolamento de falhas melhorou, mas a taxa de alarmes falsos do AESA permanece elevada. Isto acaba resultando numa grande quantidade de horas de manutenção desnecessárias.

Uma novidade que apareceu no relatório deste ano (e, portanto, não havia sido informada anteriormente) causou certa surpresa, pois podeira ser considerado dado confidencial. A performance do radar do Growler (que emprega o mesmo radar do Super Hornet) é degradada quando o casulo do sistema de interferência eletrônica ALQ-99 irradia na mesma frequência, afetando a eficácia operacional do avião.

O DOT&E continua martelando num ponto específico em relação ao desempenho ineficaz do  F/A-18E/F em alguns ambientes de guerra aérea. No entanto esta informação continua a ser classificada. Embora o SCS H10 tenha começado a resolver algumas dessas deficiências de longa data, o Super Hornet precisa de mais melhorias.

No mais, o relatório insiste no contínuo melhoramento da confiabilidade do radar AESA.

170221-N-MH057-643 PACIFIC OCEAN (Feb. 21, 2017) An F/A-18E Super Hornet assigned to the "Vigilantes" of Strike Fighter Squadron (VFA) 151 prepares to break the sound barrier above the aircraft carrier USS Nimitz (CVN 68). The ship is underway conducting fleet replacement squadron carrier qualifications. (U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist Seaman Apprentice Cody M. Deccio/Released)

2 COMMENTS

  1. “desempenho ineficaz do F/A-18E/F em alguns ambientes de guerra aérea.”
    A muito tempo se sabe que o Super Hornet deixa a desejar em desempenho cinético. O modelo anterior nunca foi um prodígio da aceleração transônica e capacidade de curva sustentada, características que não melhoraram no modelo maior. Fica fácil observar que, tendo o mesmo peso vazio do F-15E, o F-18E/F tem menos potência nos motores, principalmente se comparado com as últimas versões vendidas à Coreia do Sul e Cingapura, que contam com o GE F110.
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    Não é a toa que a USN está sondando junto a General Eletric versões de maior potência do GE F414.
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    A chegada de adversários com radar AESA e melhorias no RCS, vindos da China, deve estar por trás da preocupação da USN com melhorias no desempenho do radar.

  2. Todas as aeronaves tem soluções de compromisso. Exemplo, se o interferidor do Growler atrapalha o AESA quando na mesma frequência, qual seria a alternativa? Ou mudar de frequência (o que não sei se seria possível) ou abandonar o interferidor, o que evidentemente desvirtuaria o propósito da aeronave.
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    Projetos são assim mesmo. Inclusive os do F-35 (A/B/C).
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    E se o problema foi relatado publicamente é porque ou não possui relevância ou a solução já foi encontrada.

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