Unidades Aéreas da FAB iniciam atividades em 2017 em novas sedes

Unidades Aéreas da FAB iniciam atividades em 2017 em novas sedes

5064
22
p-95b-fab
P-95B

Mudanças seguem planejamento que visa modernizar a instituição até 2041, quando completa cem anos

Por Tenente Flávio Nishimori

Ano novo, tudo novo. Assim tem sido o início de 2017 para vários esquadrões de voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que foram remanejados de suas antigas sedes e passam agora a ocupar outras instalações em novas localidades. Essas mudanças das unidades aéreas fazem parte do processo global de reestruturação da FAB, que deve ser implementada até o ano de 2041, quando a instituição completa 100 anos.

Dentre as unidades aéreas que iniciam as atividades em nova casa está o Esquadrão Phoenix (2º/7º GAV). Com uma trajetória de 34 anos em Florianópolis (SC), desde que foi ativado no dia 15 de fevereiro de 1982, o Phoenix passa a operar agora em Canoas (RS), onde estará subordinado à Ala 3.

reestruturacao_mapa_transparente

O 2º/7º GAV compõe, juntamente com mais dois esquadrões (Netuno e Orungan), a Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira, responsável por monitorar uma área equivalente a aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados sobre o mar territorial brasileiro.

Além da missão de patrulha marítima, que garante inclusive a segurança das jazidas de petróleo do pré-sal, o Esquadrão Phoenix se destaca nas missões de interferência eletrônica, PDATAR, e principalmente na missão de busca. As unidades da Aviação de Patrulha também integram o sistema de busca e salvamento conhecido como SISSAR, responsável pela localização e resgate de tripulantes de aeronaves e embarcações desaparecidos na área de responsabilidade brasileira.

“Com a transferência para Canoas, o Esquadrão Phoenix incrementará a operacionalidade da Ala 3, trazendo para o Rio Grande do Sul o profissionalismo dos patrulheiros”, ressalta o comandante do Esquadrão Phoenix, Tenente-Coronel Aviador Marcus Vinícius Venâncio da Penha.

r-35-fab
R-35A Learjet

Anápolis – Do nordeste para a região central do Brasil. Quem também deve operar em uma nova sede a partir de 23 de janeiro é o Esquadrão Carcará (1º/6º GAV). A transferência de Recife (PE) para Anápolis (GO) foi marcada por uma solenidade militar em meados de dezembro do ano passado.

O comandante do Carcará, Tenente-Coronel Aviador João Gustavo Lage Germano, ressalta os ganhos operacionais e estratégicos da mudança de sede. “Anápolis fica no centro do País e isso possibilita que em cerca de duas horas e meia de voo as aeronaves do esquadrão consigam se deslocar para qualquer localidade do País”, explica.

O Esquadrão Carcará, em seus 65 anos de existência, esteve sediado na Base Aérea do Recife, tendo atuado em ações de reconhecimento aéreo e busca e salvamento em todas as regiões do Brasil.

Operou as lendárias aeronaves B-17, as Fortalezas Voadoras, o RC-130 Hércules, R-95 Bandeirantes e, na atualidade, opera o R-35A/AM Learjet, realizando missões de reconhecimento por imagens e reconhecimento eletrônico.

H-36 Caracal
H-36 Caracal

Rio de Janeiro – Quem já está operando desde setembro de 2016 em nova sede é o Esquadrão Puma (3º/8º GAV). Antes localizado na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), agora o esquadrão finca raízes na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro, no antigo hangar do Esquadrão Adelphi (1°/16° Grupo de Aviação), desativado em dezembro do ano passado.

Criado em 9 setembro de 1980, o Esquadrão Puma opera atualmente o helicóptero H-36 Caracal. A aeronave é capaz de realizar voos a qualquer hora do dia ou da noite para cumprir missões de busca e salvamento, resgate em combate, operações especiais, evacuação aeromédica, transporte especial, transporte logístico e apoio às comunidades nos casos de calamidades públicas.

“A reestruturação reservou ao Esquadrão Puma uma volta às origens, remetendo-nos ao lendário Terceiro Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque na Base Aérea de Santa Cruz (3° EMRA). O sentimento geral é de esperança de que o esforço despendido leve a Força Aérea Brasileira para um futuro de excelência administrativa e operacional”, destaca o Comandante do Esquadrão Puma, Tenente-Coronel Eduardo Barrios.

FONTE: FAB

22 COMMENTS

  1. A ALA 2, Anapolis, será ativada no próximo dia 18. Nessa nova estrutura, o comandante de UAE perderá muita autonomia, passando, quase, a ser um “chefe de seção”. Nas Bases Aéreas o comandante da Base não possuía autoridade operacional sobre a UAE sediada. Essa autoridade era exercida pela FAE respectiva. Na nova estrutura, o comandante da ALA definirá o Programa de Instrução e Manutenção Operacional (PIMO) das suas UAE subordinadas. E poderá voar naquela UAE onde tiver qualificação. No caso de Anapolis, o seu comandante, operacional em F-5EM, poderá voar no 1° GDA. O GSB foi substituído pelo GAP, chefiado por oficial intendente. Foi ativada a figura do Chefe do Estado-Maior, o qual assumirá grande parte das atividades das UAE, tal como a gerencia de pessoal. A Inteligência Institucional e segurança orgânica (BINFA) estarão subordinadas ao comandante da ALA. Bem como o GELOG (Grupamento Logístico), que assumirá todas as atribuições de manutenção de todas as UAE. A ALA será comandada por Brigadeiro (duas estrelas), com 3 Coronéis (CHEM, GAP e GELOG). A atividades de operações continuam com as UAE. A Inteligência Operacional sobe de nível e passa pro COMPREP e pro COMAE.
    A estrutura assemelha-se às WING da USAF, porém, não conseguem, ainda, ser autônomas como aquelas. Há muitos fios soltos que precisam ser ligados. Vamos ver no que vai dar. Haverá um aumento no número de Brigadeiros, e uma diminuição no número de Majores Brigadeiros. Os cargos privativos de oficiais generais são definidos por Decreto Presidencial. Os decretos ainda estão na Casa Civil.

  2. Quando foi noticiada essa “reforma” na organização da FAB, acreditei que ela seria mais profunda, com um menor número de Alas (na verdade, entendi errado e pensei que uma Ala comandaria mais de uma Base Aérea).
    .
    Não seria possível (e até desejável) uma Ala comandar as Bases de Anápolis e Brasília, por exemplo e, assim, enxugar mais cargos administrativos? Existem 5 Alas para apenas um esquadrão (1, 7, 13, 14 e 15) e que poderiam ter destino semelhante.
    .
    De qualquer forma, parabéns a FAB por buscar melhorias e implementá-las.

  3. A reestruturação não pode ser dieta para etíope. “Enxugar” com relação ao tamanho é equívoco. Se a FAB diminuir mais vai virar força auxiliar do EB. Que aliás, junto com a MB, está se fingindo de morto. Cadê a Segunda Esquadra em São Luiz? O que a FAB quer é focar na missão fim, com vetores mais capazes. Em maior número, se possível.
    Outras mudanças virão. Até 2018 o COMGAP será transformado em Departamento Logístico, com sede no prédio do COMAR IV (que será extinto), no Ipiranga.

  4. Quanto ao 2°/7° GAV, o último P-95M (modernizado), está sendo concluído no PAMAAF. Essa modernização aumentou a capacidade da aeronave dando uma sobrevida à mesma, além de permitir à FAB cumprir com mais eficiência a missão de Esclarecimento Marítimo. Que no futuro, será realizado por ARP. As missões anti submarino e anti superfície passam pra MB (como deveria ser desde sempre).

  5. Rinaldo, quando eu disse enxugar me referia aos quadros administrativos, principalmente ao alto escalão. Não me referi a enxugar o número de aeronaves (que eu até acho cabível no caso do GTE).
    .
    Na minha visão de leigo, a Ala 1 poderia se fundir com a Ala 2 e ela ser comandada por apenas 1 Brigadeiro, com uma redução também de alguns subordinados. Não quero dizer que o pessoal da Ala 1 daria conta de comandar a Ala 1 mais a Ala 2, mas, sim, que uma quantidade intermediária de oficiais das duas Alas conseguiriam comandar as duas bases, caso fossem comandadas por uma mesma Ala “maior”, mas não tão grande quanto ao soma das duas. Isso valeria para as outras Alas menores. A Ala 12 poderia absorver a Ala 13, por exemplo.
    .
    Se tem uma coisa que eu defendo é que a FAB tenha mais aviões de combate, pois essa é a razão de ser da FAB. Torço para que o Gripen chegue a 108 unidades. Menos que 72 considero um absurdo.
    .
    E longe de mim querer que a FAB seja mera auxiliar do EB. Aliás, a culpa por ela ter que prestar serviços à MB e ao EB é dela própria, quando conseguiu o monopólio da asa fixa, que aos poucos vem caindo. Mas é claro que conforme a MB e, quem sabe, o EB passem a ter sua própria aviação de transporte, a FAB deverá ter menos aviões de transporte, já que deixará (ou diminuirá) a prestação de serviços a eles. E concordo que a patrulha marítima por aeronaves ou ARPs deve ser repassada à MB (que o senhor já comentou que ela não quis, por não ter capacidade de cumpri-la) o mais breve possível.
    .
    Quanto à 2ª frota da MB esqueça. A MB não tem sequer uma frota decente e o grosso dos seus navios de guerra (fragatas e corvetas) está dando baixa sem reposição. A MB vai piorar muito antes de melhorar e duvido que venha ter uma 2ª frota, submarinos nucleares e NAes novos, pois não cabem no seu orçamento. Seria o mesmo que a FAB querer B-2, F-35 e uma base nova, no Norte do país. Ou seja, um delírio.

  6. Rinaldo Nery 10 de janeiro de 2017 at 13:12

    Pois é meu caro Rinaldo Nery, mais uma vez a FAB mostrando que entendeu o recado e está reorganizando, com agilidade, a sua estrutura funcional. Com os limões que tem, fez uma limonada. Espero que, em breve, consigam “amarrar as pontas que faltam”.
    E não precisou de nenhum novo equipamento ou nenhum “dinheiro novo”, fez com o orçamento que tem.
    Lembrando dos tempos do Itamar, quando ele anunciou que o país precisava de num novo carro, econômico, familiar de baixo custo, a VW entendeu reviver o Fusca e a FIAT lançou o Uno. Independente dos “sucessos automobilísticos (ou não)” o que conta, a meu ver, é a atitude face a um desafio. E os herdeiros do “Senta a pua” mostram-se mais aptos e atentos.

    Espero que a reestruturação chegue a bom termo.

    Saudações.

  7. Rafael, nada é definitivo. Sua idéia de uma Ala comandar mais de uma Base poderá ser a solução lógica no futuro. Uma das Ala deveria ser “projeto piloto”, mas o TB Rossato, preocupado com 2018, atropelou tudo.

  8. Entendi, Rinaldo. Obrigado pelo esclarecimento.

    Matheus, pelo jeito será problema da Marinha que poderá ou não adquiri-lo, assim como a FAB preferiu o P-3 ao avião da Embraer, no passado.

  9. Santo Deus…
    Nem os EUA, com a marinha mais poderosa do mundo, vai fazer esclarecimento marítimo só com drones. E olha que eles têm o MQ-4 nem o melhor drone de esclarecimento marítimo por aí consegue operar sozinho. Ele precisa do P-8. SDS!!

  10. Problema é da FAB em acabar com a aviação de MP. Mas aqui não tem dinheiro pra tudo né? é o país da incerteza

  11. Interessante, mas nas marinhas do Japão, dos EEUU, da França e da Alemanha, por exemplo,
    o esclarecimento marítimo parece ser feito pela Marinha, pois ela que detém os modelos de aviões para esta função.

    Kawasaki P-1 Japão Patrulha marítima
    Lockheed P-3 Orion Japão Patrulha marítima, SIGINT, Reconhecimento
    P-3C Orion Lockheed EEUU Patrulha marítma
    Breguet Br.1150 Atlantic França Patrulha marítima de longo alcance
    Lockheed P-3C Orion – CUP Alemanha Patrulha marítima

    Entretanto, na Itália, a responsabilidade da patrulha marítima é da força aérea.

    Breguet Atlantique Itália Patrulha marítima
    ATR 72 Itália Patrulha marítima

    No Reino Unido era responsabilidade da RAF, mas atualmente não tem mais aeronaves de patrulha marítima e depende de unidades da França e da Alemanha.

  12. A FAB ativou, na ultima sexta feira, o Comando de Preparo e Emprego (COMPREP), que, juntamente com o COMAE, serão os Comandos mais importantes da Força. Dessa forma, atendendo à Lei Complementar 97/99, o preparo e o emprego da FAB foram separados. O COMPREP permitirá dimensionar e, também, definir os custos, do preparo e da qualificação da Força. Todas as ALA estarão subordinadas ao COMPREP, que terá 43% do efetivo da FAB.
    À sua frente estará, na minha opinião, um dos oficiais generais mais qualificados da FAB, que entende e pensa a guerra, TB Egito. Tive a oportunidade de te-lo como instrutor de Doutrina, na ECEMAR, e como chefe direto na III FAE.

  13. Apesar do nome, o COMPREP será responsável pelo preparo, enquanto que o emprego será responsabilidade do COMAE (antigo COMDABRA).

  14. Rinaldo, COMPREP vem sendo divulgado apenas como Comando de Preparo.De acordo com o site da FAB.
    .
    Conheça os Grandes Comandos:
    .
    Comando da Aeronáutica (COMAER)
    Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER)
    Comando de Preparo (COMPREP)
    Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE)
    Comando-Geral de Pessoal (COMGEP)
    Comando-Geral de Apoio (COMGAP)
    Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA)
    Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA)
    Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)

LEAVE A REPLY