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Caça F-35 vai precisar de 50 horas de manutenção por hora de voo

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F-35A - foto 2 Lockheed Martin

Por Giovanni de Briganti

Quatro anos após o início de sua carreira operacional, espera-se que os caças F-35 exijam entre 41,75 e 50,1 homem-hora de manutenção (MMH) por hora de voo, ou cerca de três vezes mais do que a maioria das aeronaves de caça atualmente operadas pelas forças aéreas ocidentais.

Esta extremamente elevada relação MMH por hora de voo é extrapolada de uma solicitação de 1 de dezembro feita pelo US Naval Air Systems Command (Navair), que afirma que a frota mundial em serviço de F-35 vai exigir 17 milhões de homens-hora de manutenção e apoio nos anos fiscais FY 2018 e FY 2019.

A solicitação “Sources Sought” da Navair, publicada no site Federal Business Opportunities (FBO), estima que a frota de F-35 incluirá 597 aeronaves no final do ano fiscal de FY18 e 760 no final de FY19 (setembro de 2019).

O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) declarou a Capacidade Operacional Inicial (IOC) para seu F-35B em julho de 2015, e a Força Aérea dos EUA fez o mesmo com o seu F-35A em agosto de 2016, então naquele momento a aeronave estará em serviço por três a quatro anos, dependendo da versão.

A tabela a seguir resume o tamanho da frota em serviço do F-35 esperada pelos operadores, conforme declarado pelo Navair em sua solicitação. Estes números estão obviamente sujeitos a alterações, mas dado que o ciclo de produção do F-35 é de três anos, a maioria destas aeronaves já está em produção e, portanto, menos susceptíveis de mudança.

f-35-fy2019

O número de aeronaves em serviço – 597 no final do FY18 e (597 + 163 = 760) no final do FY19) implica que o total solicitado de 17 milhões de homens-hora de apoio equivale a 12,527 por aeronave por ano, ou cerca de 1.043 horas por aeronave por mês.

Dado que a aeronave de combate F-35 deve voar em média 250 horas por ano, a aritmética simples mostra que o Navair espera que o F-35 exija, em média, 50,1 homens-hora de manutenção por hora de voo – teria exigido 41,75 MMH se fizesse 300 horas de voo, como planejado originalmente.

A Força Aérea dos EUA originalmente planejava fazer seus F-35 voarem 300 horas por Primary Aircraft Inventory (PAI) por ano. Posteriormente, reduziu as horas de voo do F-35A de 300 a 250 horas de voo por PAI.

Isso representa várias vezes mais horas de manutenção do que os atuais jatos da linha de frente operados pelos serviços dos Estados Unidos e também bem mais do que o F-22 Raptor, que “estava obrigado a atingir 12 horas de manutenção diretas por hora de voo DMMH/FH) na maturidade do sistema, que devia ocorrer quando a frota de F-22 acumulasse 100.000 horas de voo”, de acordo com uma resposta da US Air Force Association a uma reportagem do Washington Post.

Fatos: Em 2008, o F-22 alcançou 18,1 DMMH/FH que depois melhorou para 10,5 DMMH/FH em 2009. É importante reconhecer que esta métrica deveria ser atingida na maturidade do sistema, que estava projetada para ocorrer no final de 2010. Assim, o F-22 estava melhor do que a exigência bem antes da maturidade.

Claramente, no FY2018, o F-35 só terá estado em serviço “operacional” por três ou quatro anos (IOC em meados de 2015 e meados de 2016) e, portanto, ainda muito longe da maturidade, mas um número tão elevado de horas de manutenção vai fazer explodir os custos operacionais para seus operadores, que foram informados há muito tempo que o F-35 seria barato de operar.

FONTEwww.defense-aerospace.com

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Guilherme Poggio
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Que os caças furtivos demandam mais horas de manutenção não há dúvida. O problema é o seguinte: “Vendeu-se” a ideia de que a furtividade do F-35 era mais robusta e menos complexa e por este motivo seria de manutenção mais simples (principalmente se comparada com a do F-22). Mas estamos vendo exatamente o contrário!
.
Não tem como ele ser um caça barato se o custo de manutenção é elevado. Num ciclo operacional de longo prazo não se olha apenas o preço de aquisição. Manutenção pesa e muito. Vários clientes colocarão isso na balança (o Canadá que o diga).

carvalho2008
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Pois é….noves fora….um caça para ser usado pontualmente…porque em larga escala fica quase inviavel…

Rinaldo Nery
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Rinaldo Nery

Kkkkk. E tinha gente achando que FAB devia ter embarcado no projeto. Santa ingenuidade. Cade os americanofilos de plantão? Não pagaram pra postar? E disseram que na COPAC só tem incompetente. Como diz o Juarez, o tempo foi o senhor da razão.
By the way, o míssil BVR do F-39 será o Meteor.

Bosco
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Bosco

Pessoal,
Homens hora não é o mesmo de horas de manutenção.
Havendo 10 homens trabalhando no caça por 5 horas subtende-se que foram trabalhados 50 homens hora.
Digo isso porque deve ter gente pensando que a cada 1 hora de voo o caça precisa ficar por 50 horas de manutenção, o que daria umas 200 horas para cada missão de 4 horas, e sabemos que não é assim.
Para uma missão de 4 horas ele teria que passar por uma manutenção de 200 homens hora, o que pode muito bem ser 10 homens trabalhando por 20 horas. Ou 20 homens trabalhando por 10 horas.

carvalho2008
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Perfeitamente ciente disto mestre Bosco o entendimento é este mesmo
.
Vale lembrar que o Tom cat era um Gastão de manutenção operacional, um baita de um avião e mesmo assim foi substituído por outro porque sua escala de uso quebrava os orçamentos, daí veio o F18. …Não dá para assimilar que um f35 opere de forme mais cara que o próprio f 22. ..

Edcarlos
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Edcarlos

‘carvalho2008 9 de dezembro de 2016 at 7:15
Não dá para assimilar que um f35 opere de forme mais cara que o próprio f 22’

Se isso realmente acontecer imagina a USAF com mais de três mil no inventario. Somando com a Marinha e Fuleiros o numero total dessas aeronaves pode chegar a quanto?

Saudações!

Bosco
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Bosco

Ed,
Estão planejados 1763 F-35A para a USAF, 340 F-35B e 80 F-35C para o USMC (total de 420) e 260 para a USN.
O total de F-35 operados pelos EUA será de 2443.

Mauricio Silva
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Mauricio Silva

Olá. Prezado Bosco, tem um detalhe no seu raciocínio em relação a “unidade de trabalho” homem-hora: há um limite de pessoas que podem trabalhar ao mesmo tempo. Também há o problema de que algumas atividades dependem de outras. Ou seja, para que algo possa ser feito, é necessário que outra atividade tenha sido completada previamente. Assim, embora não mostre o tempo que dura a manutenção obrigatória, a “quantidade” de H-H do F-35 é bastante elevada, implicando num bom espaço de tempo entre missões (imaginando que haja obrigatoriedade de manutenção entre cada pouso/decolagem, o que nem sempre é verdade). Acredito que… Read more »

carvalho2008
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Esta quantidade de hh do F-35 é similar a do antigo F-14……o qual a propria Navy não aguentou e resolveu implementar o F-18 e depois o SH…. . A estimativa de uso é superior as quantidades historicas do F-14…então o problema que viam antes, será multiplicado…. . Mauricio, realmente não são horas lineares, são em paralelo e devem existir de fato algumas situações em que uma atividade deva imperativamente preceder a outra….mas quando soma-se esquadrões inteiros, a tendencia sempre será a mesma….voce tera de gastar 50 hh por hora voada de cada avião no esquadrão…..isto quebra a espinhaça….o custo e… Read more »

Mauricio Silva
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Mauricio Silva

Olá.
carvalho2008 12 de dezembro de 2016 at 17:45

Sem dúvida alguma, fica muito difícil para qualquer força armada manter um aparelho com tal necessidade de manutenção. Mas…
Pelo andar da carruagem, a escolha já foi feita e os contratos assinados. Então, a “realidade” é essa: aparelhos com tempo de manutenção elevadíssimos em relação a utilização.
A não ser que o Donald Trump “jogue tudo para cima” (literalmente)…
SDS.