Link BR2: braço da Odebrecht cria sistema de orientação de caças para...

Link BR2: braço da Odebrecht cria sistema de orientação de caças para a FAB

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F-5M A-1 e A-29 - foto FAB

Empresa tem também diversos contratos com Exército e Marinha

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ClippingNEWS-PAUm caminhão fortemente armado ataca um posto militar. Um soldado avisa sobre a situação com um tablet. A centenas de quilômetros dali, os dados são processados em um centro de controle que envia para o avião de combate mais próximo do ataque orientações para localizar e destruir o veículo agressor.

No avião, o piloto recebe numa tela essas informações, confirma a operação, desliga o radar para não ser localizado por outra aeronave e segue guiado pelo centro de controle. Minutos depois, ele comprova visualmente a situação, recebe autorização do para destruir o veículo agressor e dispara um míssil ar-terra.

Na verdade, tudo isso aconteceu apenas virtualmente. O “piloto” era o próprio repórter da Folha e o “soldado” que inseriu os dados no tablet era o engenheiro André Brummer, diretor de contratos da Mectron, em São José dos Campos (SP), divisão da Odebrecht Defesa e tecnologia.

A Mectron está testando a forma final do LinkBR2, um sistema que a empresa desenvolve para a FAB para integrar e processar em tempo real informações entre aeronaves e centros de controle.

Assinado em dezembro de 2012, o contrato no valor de R$ 193 milhões, com dispensa de licitação, prevê até julho de 2017 a conclusão do sistema, desenvolvido por 91 técnicos sob o comando de Brumer, que estima haver pouco mais de cinco países que utilizem essa tecnologia.

“O projeto envolve o desenvolvimento integral no Brasil. É uma oportunidade para a indústria nacional adquirir novas tecnologias”, defende o brigadeiro-do-ar José Augusto Crepaldi Affonso, presidente da Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate).

Segundo ele, o LinkBR2 será instalado inicialmente em quatro caças supersônicos F-5M, quatro turbohélices nacionais Supertucano A-29, dois aviões-radar Embraer E-99M e em estações de solo.

E-99 - R-99 - A-1 - A-29 e F-5 - foto FAB

A Mectron também produz mísseis de diversos tipos para o Exército, a Marinha e a FAB, além de radares de bordo para aviões e sistemas de eletrônica embarcada para foguetes do programa espacial brasileiro e dos satélites Cbers, feitos em parceria com a China. Fundada em 1991, a empresa teve seu controle acionário adquirido em 2011 pela Odebrecht Defesa e tecnologia.

A empresa também participa de programas da Marinha, como o Prosub, de fabricação de quatro submarinos de propulsão convencional em parceria com a empresa francesa DCNS e do primeiro de propulsão nuclear brasileiro.

FONTE: Folha de São Paulo (reportagem de Maurício Tuffani), via Notimp

FOTOS: FAB (em caráter meramente ilustrativo)

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12 COMMENTS

  1. wwolf22,

    Começou com a Embraer (protocolo de comunicação de dados), e numa nova fase visando conectividade com mais meios, passou para a Mectron (em 2012)

  2. Nunao,

    então a Embraer foi contratada apenas para a 1a fase e as demais iriam para a Mectron ?? esses demais meios que vc diz seriam os mísseis ???
    podemos dizer que a Embraer fez o “grosso” e o “acabamento” ficou por conta da Mectron ??

  3. woolf22, grosso modo é isso, mas a coisa é bem mais complexa, no histórico e nos detalhes. Dê uma olhada em matérias anteriores, na lista ao final da matéria, para montar um pouco desse histórico.

    Quanto a “mais meios”, me referi simplesmente a mais aeronaves e estações em terra. Uma versão do Link BR2, por exemplo, foi instalada nos primeiros jatos A-1 modernizados, e a versão mais completa, em finalização, visa mais aeronaves (citadas no texto). Foi só a isso que me referi.

    Outros colegas podem contribuir com mais detalhes, no momento me falta tempo.

  4. Nunao,

    eu li todos os links no final da materia… confesso que fiquei um pouco confuso…
    lembro que and foi dito que o Brasil iria fabricar o Link BR2 estava definido que seria a cargo da Embraer…
    nao sei se seria o mais correto deixar tudo com a Embraer ao invés de ficar fatiando os projetos afim de agradar os padrinhos, quer dizer as empreiteiras envolvidas…
    desculpe tomar seu tempo…

  5. wwolf22,

    De fato, não é uma história simples de se entender.

    Abaixo, um link de artigo do site da Associação Brasileira de Pilotos de Caça, bastante crítico em relação ao histórico de desenvolvimento de datalinks pelo Brasil.

    Pode ser que ajude, mas pode ser que te confunda ainda mais…

    http://www.abra-pc.com.br/index.php/artigos/forum/547-39-nos-temos-data-link.html

    (PS – por falta de conhecimento detalhado sobre o tema, não posso nem concordar nem discordar do artigo, muito pelo contrário…)

  6. Interessante foi a citação dos E-99M…

    Já há previsão de quando ficará pronta a primeira unidade modernizada ?

    A última coisa que ouvi foi que a modernização dos E-99 estava ameaçada/parada pelo contingenciamento orçamentário…

    Antes do F-X2 foi comentado inclusive que a SAAB não mais autorizaria a venda do seu radar Erieye para vendas em sistema integrado a plataforma Embraer (a não ser para o Brasil) o que matou novas vendas do E-99 para clientes externos.

    Será que a postura da SAAB com o E-99 mudou com a escolha do Gripen para o F-X2 e a Embraer para co-desenvolvimento do Gripen F ???

  7. O que “matou” a matéria da Folha, que está certinha, levando-se em consideração o fato de ter sido escrita para o público leigo, foi esse título, que transformou o sistema de enlace de dados em “sistema de orientação”. Conheço o Maurício Tuffani, um excelente jornalista, que capturou bem o que é um datalink para descrever para o público em geral. O problema foi o editor que fez o título. Com certeza, não foi ele…

  8. Depois desta devassa do petrolão que a PF e Justiça Federal estão fazendo na Petrobras as relações de fornecedores de serviço para o Estado vai colocar a credibilidade de muito contrato por ai.

  9. Verdade, inclusive fiquei sabendo que tem ordenador de despesas da MB que não está dormindo faz alguns dias, só na base do Lexotan….Acho que teremos novidades em breve….

    Grande abraço

    PS A modernização do E 99 encontra-se parada por falta de aporte recursos necessários…..

  10. O data link nada mais é que um chat criptografado.
    A EMBRAER desenvolveu o protocolo. Acredito que a MECTRON tenha desenvolveu a camada de aplicação, que é bem mais complexa. Por isso a demora.
    O link BR2 será TDMA (Time Division Multiplex Access), e o E-99M será o máster. As demais aeronaves serão slaves.

  11. […] No pacote negociado, também estão sistemas de Rádio Definido por Software (RDS) e outros sistemas de comunicação, além, claro, de todos os contratos vigentes da Mectron com as Forças Armadas brasileiras. Nesse grupo está incluído, entre outros, um contrato de R$ 193 milhões com a Força Aérea Brasileira, assinado em 2012 e ainda vigente, para a produção de um moderno e inovador sistema de comunicação entre caças e torres de comando (projeto Link BR-2). […]

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