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Especialista indiano usa o F-X2 brasileiro para atacar a negociação do Rafale na Índia

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Rafale em apresentação - foto Armée de l´air

Texto de especialista indiano em política e estratégia destaca a rejeição do Rafale no programa F-X2 do Brasil e compara os custos para ambos os países, afirmando que a intenção da Índia comprar o Rafale é ‘um grande erro’

Na sexta-feira, 25 de julho, o jornal indiano publicou coluna de Bharat Karnad, professor do Centro para Pesquisas Políticas, de Nova Deli, atacando fortemente a intenção da Índia comprar o caça francês Rafale, da Dassault. Com o título “Why Rafale is a Big Mistake” (porque o Rafale é um grande erro), o artigo já inicia com uma pergunta contundente: Por que a Índia deveria comprar o avião de combate Rafale, rejeitado por todos os outros países interessados – Brasil, Canadá, Holanda, Noruega, Coreia do Sul, Cingapura, Arábia Saudita e Marrocos?

Karnad afirma que o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, teve como principal objetivo em sua agenda na recente visita à Índia selar a venda do Rafale, um caça que aparentemente se encaixa na ideia da Força Aérea Indiana de um avião de combate multitarefa de porte médio (MMRCA). Isso dentro da classificação única da força, que também inclui caças “leves” e “pesados”, e que não é utilizada por nenhuma outra força aérea no mundo, segundo o autor. Após o ministro da Defesa anterior, A K Antony, manter o contrato parado no estágio de negociação de preço ao sentir o primeiro cheiro de corrupção no ar, Laurent Fabius pretendia desvencilhar a questão.

O desespero francês é compreensível. Sem o acordo com a Índia, a linha de produção do Rafale vai fechar, o futuro de seu setor aeroespacial se tornará obscuro e todo o setor de pesquisa e desenvolvimento industrial francês, engajado em tecnologias de ponta e baseado em empresas pequenas e médias – uma versão do modelo “Mittelstand” alemão de enorme sucesso – poderá sair dos trilhos e rebaixar a França para a segunda categoria das potências tecnológicas.

Rafale com armamento ar-solo - foto Armee de lair

No curto prazo, isso levará a um grande aumento nos custos unitários do caça – um acréscimo entre 5 a 10 milhões de dólares nos valores para a Força Aérea Francesa – levando os franceses a limitar as encomendas. Sem clientes internacionais e com a França incapaz de pagar pelo caro Rafale, a indústria aeronáutica militar francesa estará numa encruzilhada. Assim, para a França há muito em jogo e a Índia foi considerada um alvo fácil, um país desejoso de pagar excessivamente por um avião que a Força Aérea Indiana pode passar muito bem sem ele.

A respeito dos valores envolvidos, pode-se usar o exemplo do Brasil, parceiro da Índia nos BRICS. Para 36 caças Rafale o custo de aquisição, de acordo com a mídia brasileira, era de 8,2 bilhões de dólares, com 4 bilhões adicionais para contratos de manutenção de curto prazo, o que levaria o custo unitário dos caças, nesse pacote, a cerca de 340 milhões de dólares – ou aproximadamente US$ 209 milhões por cada Rafale sem apoio de manutenção. O Brasil insistiu em transferência de tecnologia (ToT) e recebeu a resposta de que teria que pagar um grande valor extra para a mesma, assim como pelas armas para seus caças Rafale. Porém, a Força Aérea Brasileira tinha dúvidas sobre a qualidade dos radares AESA (varredura eletrônica ativa) em mudar rapidamente dos modos ar-ar para ar-solo em voo, e sobre o visor montado no capacete. Em suma, era muito custo para muito problema, o que convenceu o governo da presidente Dilma Rousseff de que o Rafale não valia os problemas e o dinheiro, levando o Brasil a optar pelo caça sueco Gripen NG.

Durante a governo do Partido Congressista a Índia não se abalou com as perspectivas da conta do Rafale, que mais do que dobrou dos 10 bilhões de dólares de 2009 para cerca de 22 bilhões hoje e que, conforme estimativas realistas, poderá exceder US$ 30 bilhões, ou 238 milhões de dólares por aeronave, no mínimo. Mas a Índia,  por alguma razão desconhecida, é aparentemente um país extremamente rico, com dinheiro para queimar. Enquanto isso, o Reino Unido, aparentemente um país mais pobre ou mais cuidadoso com seu dinheiro, está pálido ante uma conta de 190 milhões de dólares por cada um dos 60 caças Lockheed Martin F-35B de uma geração à frente do Rafale (e de decolagem vertical, tecnologicamente mais complexos do que a versão para forças aéreas) que pretende adquirir para o primeiro de seus navios-aeródromos classe Queen Elizabeth de 65.000 toneladas.

Rafale - elemento - foto Armee de lair

O custo proibitivo do avião francês aparentemente deixou apreensivo o ministro das finanças e da defesa (cargos atualmente acumulados) Arun Jaitley. Há rumores de que ele fez a coisa certa, revisando a encomenda para uma quantidade menor de caças Rafale, caindo de 126 para 80 aeronaves. Como precaução, a Força Aérea Indiana concordou, para salvar o acordo. Porém,  se essa mudança foi afetada pela esperança de reduzir o custo proporcionalmente, está fadada a ser enganosa. Em contratos que envolvem aviões de combate de alto valor, o tamanho da encomenda não afeta muito o preço unitário, o custo de de peças de reposição e o de apoio, além da transferência de tecnologia. Isso fica evidente nas estimativas aproximadas do custo por avião para o Brasil, de 209 milhões de dólares para cada um de 36 caças Rafale, comparado aos 238 milhões para cada um de 126 aviões do mesmo tipo para a Índia.

Devido ao fato a Índia se inclinar a fazer do país uma “grande potência” militar baseada em armamentos importados – uma política que beneficia estados fornecedores já que gera empregos e tecnologias nesses países e sustenta suas indústrias de defesa, uma autoridade francesa disse a Bharat Karnad, referindo-se a um outro contrato, que “a Índia vai pagar o preço”. Considerando os diversos pontos negativos do acordo proposto e os interesses nacionais de longo prazo, o ministro Jaitley faria bem em cancelar completamente o negócio do Rafale.

caça Rafale volta da Líbia - foto Armee de lair

O esforço burocrático da Força Aérea Indiana a leva a exagerar ameaças erradas e a falar em capacidade declinante na aviação de caça. Mas ela não vai falar ao ministro da Defesa sobre o inferno logístico que os esquadrões de linha de frente enfrentam rotineiramente em operações, devido à assustadora diversidade de aviões de combate no seu inventário, um problema que a aquisição do Rafale só vai exacerbar e, consequentemente, não falará sobre a urgente necessidade de racionalizar a estrutura da força, idealmente com caças Su-30 e os aviões desenvolvidos localmente, como o Tejas Mk-1 para a defesa de curto alcance, o Tejas Mk-II como MMRCA (caça médio) e o Su-50 PAK FA como caça de quinta geração.

A Força Aérea Indiana também não vai dizer às autoridades de produção do Departamento de Defesa para que expliquem a Jaitley que as provisões de transferência de tecnologia, em contratos de armas, são uma farsa fraudulenta, porque enquanto o fornecedor estrangeiro embolsa bilhões de dólares, nenhuma tecnologia fundamental, como os códigos-fonte (milhões de linhas de programação) e leis de controle de voo, é transferida. E também que a indústria de defesa local, monopolizada por unidades de defesa do setor público (DPSUs – defence public sector units) são incapazes de absorver e inovar em tecnologias do tipo já que, de fato, as repassa pois apenas faz a montagem de aeronaves a partir de kits importados.

Rafale-foto-2-armee-de-lair

Acabar com o contrato do Rafale causará uma interrupção, porém é mais importante mandar uma mensagem aos militares, às DPSUs, à burocracia do Ministério da Defesa e às empresas estrangeiras, que salivam pelos contratos unilaterais, que o governo de Narendra Modi está determinado a fazer um novo começo e conduzir os negócios de defesa de maneira diferente.

O professor e pesquisador Bharat Karnad, conceituado professor do Centro de Pesquisas Políticas da Índia  CPRIndia), é autor de diversos livros sobre a política nuclear e estratégica indiana, sua política externa e, mais recentemente, sobre o porquê do país não ser ainda uma grande potência. Fez parte do primeiro conselho consultor de segurança nacional, do grupo de delineamento da doutrina nuclear, do conselho de segurança nacional do governo da Índia, sendo também consultor de gastos de defesa da comissão financeira indiana. Também foi professor visitante na Universidade de Princeton, Universidade de Pennsylvania e Universidade de Illinois (EUA), entre outras instituições, e ministrou cursos para oficiais generais das três armas da Índia sobre orientação estratégica nuclear, além de conduzir o primeiro jogo de guerra nuclear indiano interagências.

Rafale trio - foto Armee de lair

FONTE: The New Indian Express (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTOS: Força Aérea Francesa

NOTA DO EDITOR: apesar de aparentemente fazer algumas comparações de custos discutíveis, por pegar de um lado um valor de pacote de venda do Rafale incluindo manutenção, e outro em que deixaria de lado esse item, o autor indiano toca num ponto importante: numa força que já é equipada com uma grande diversidade de modelos de caças, o acréscimo de outro modelo de avião para cumprir o papel de MMRCA, e estrangeiro, representa uma continuidade dessa política que traz problemas logísticos.

A  ironia é que o Rafale, na França, foi criado justamente para racionalizar a aviação de caça francesa, substituindo diversas aeronaves (Mirage F1, Mirage 2000, Jaguar, Super Etendard) ao mesmo tempo em que oferece capacidades superiores. Vale dizer que, no Brasil, a função do Rafale (assim como será a do Gripen, que acabou sendo o escolhido no F-X2 após o Rafale ocupar por muito tempo a preferência governamental) também seria semelhante ao modelo francês de racionalizar, substituindo gradativamente três tipos de aeronaves de combate (Mirage 2000, F-5M e A-1M), ou mesmo quatro, se pensarmos no jato naval A-4. Já na Índia, conforme analisa o autor, o Rafale será mais um caça entre outros (aos quais também se somará o Sukhoi PAK FA, de quinta geração), numa força que foge da racionalização e tende a lidar com diversas cadeias logísticas e capacidades sobrepostas, ao contrário da tendência de boa parte dos países. Bharat Karnad já defendeu em artigo publicado em outro jornal (veja primeiro link da lista abaixo) que o futuro caça Tejas Mk-II deveria cumprir o papel que se pretende para o Rafale na Força Aérea Indiana.

VEJA TAMBÉM:

25 COMMENTS

  1. Interessante o comentário do autor sobre ToT, quando fala sobre as leis de controle de voo. Esse é um item importantíssimo do ToT que o NG proporcionará à EMBRAER.
    O Rafale proporcionaria a um custo altíssimo, e, quanto ao SH, nem pensar!

  2. Artigo contundente.

    Mostra o que acontecerá com o parque aeroespacial francês se o Rafale não for comprado pela Índia.

    Para sorte dos franceses, e como o próprio artigo diz, os indianos gostam de jogar dinheiro pela janela.

    Confesso que estou curioso.

    O que será que o amigo Jean-Marc Jardino irá dizer agora?

  3. EDITORES:

    “Durante a governo do Partido Congressista a Índia não se abalou com as perspectivas da conta do Rafale, que mais do que dobrou dos 10 milhões de dólares de 2009 para cerca de 22 bilhões …..”

    De 10 mi para 22 bi ? Está correto ?

    • De 10 mi para 22 bi ? Está correto ?

      Versão original do texto

      During the Congress party’s rule the Indian government did not blink at the prospective bill for the Rafale, which more than doubled from $10 billion in 2009 to some $22 billion today, and which figure realistically will exceed $30 billion, or $238 million per aircraft, at a minimum.

    • “Carlos Alberto Soares
      em 26/07/2014 as 1:59
      EDITORES:
      “Durante a governo do Partido Congressista a Índia não se abalou com as perspectivas da conta do Rafale, que mais do que dobrou dos 10 milhões de dólares de 2009 para cerca de 22 bilhões …..”
      De 10 mi para 22 bi ? Está correto ?”

      Obviamente, não está correto. Erro de digitação, corrigido agora.
      Obrigado por avisar.

  4. Wow wow wow!!!

    Alvíssaras! Há gente que pensa com a cabeça na Índia! Confesso que já estava a achar que isso não existia por lá!

    O Rafale será um desastre logístico para a Índia, que JÁ VIVE tal desastre. E do ponto de vista financeiro ele é um completo disparate, como percebe claramente o autor do texto.

    O artigo contém constatações interessantes. Constatações estas que aliás não são segredo nenhum para nós aqui.

    O Rafale é um caça meramente regular. Tem uma boa performance cinética, mas não tem HMD, tem um radar de pouca potência e alcance, suas armas custam muito caro e sua tecnologia já está defasada frente aos últimos avanços da concorrência, notadamente a americana; sem falar que a transferência de tal tecnologia pelos franceses é um sonho de uma noite de verão. Ele custa mais do que entrega e entrega menos do que a sua fabricante anuncia.

    Não acho que um artigo como esse tenha o poder de influenciar em nada a negociação. Mas certamente vai colocar uma pulga na orelha do novo governo hindú.

  5. Pessoal, bom dia.
    Se o Rafale, em que pese ser uma excelente aeronave (proibitivamente cara, exuberantemente bela – Pangloss), ela tem alguns problemas como os já mencionados: o radar AESA, o visor montado no capacete e por aí vai.
    Como é possível ser tão cara! Sinceramente, não consigo entender, mesmo a grosso modo (sou leigo neste assunto) quais poderiam ser as explicações para esse valor tão alto? Em termos básicos, existe tanta alta tecnologia a mais no Rafale que o ponha acima (em valor) do tal do F-35B, por exmplo? Ou a mão-de-obra é tão especializada assim? Ou os materiais empregados na construção são tão diferenciados?
    Será que não existe “uma mão pesada nessa planilha de cálculo” do valor do Rafale?

  6. eparro
    26 de julho de 2014 at 11:30 #

    Acredito que o valor citado em relação ao F-35 seria apenas para países da panelinha ( países que desenvolvem o caça). No caso, se a índia fosse comprar o F-35 pagaria muiiito mais caro.

    O que me deixa na dúvida sobre alguns argumentos do autor do texto é o fato dele desconsiderar a capacidade do Rafale carregar os nukes. Que na minha opinião, é o fator decisivo pelo qual o MD indiano inciste no Rafale.

    No mais, eu não tinha idéia dos “problemas” do Rafale como o tempo de mudança nos modos AR-AR / AR-SOLO e no capacete como diz o texto. Não me lembro de ter lido nada referente a isso.. principalmente sobre o AESA do Rafale. Pelo contrário, li em alguns espaços damídia que eram superiores ao Raven. To confuso agora!!! Rrssss

    Senhores editores, vale uma publicação comparativa dos radares entre os caças de 4º geração? E se já existe, por favor me indiquem.

    • No mais, eu não tinha idéia dos “problemas” do Rafale como o tempo de mudança nos modos AR-AR / AR-SOLO e no capacete como diz o texto. Não me lembro de ter lido nada referente a isso..

      Caro Intruder

      Esta celeuma surgiu a partir de uma entrevista dada pelo GDA Alain Silvy (Vice-chefe de planos-programas do estado-maior da Força Aérea Francesa naquela época) à publicação francesa DCI.

      Nós publicamos uma tradução dessa entrevista aqui no Poder Aéreo quatro anos atrás (2010) e gerou muita discussão. Abaixo eu transcrevi apenas o trecho que trata desse assunto, mas sugiro a leitura completa da entrevista (lembrando que muita coisa evoluiu de lá para cá no projeto do Rafale). Os comentários sobre a entrevista também são muito bons.

      E sobre a exigência dos EAU de ter um radar RBE2 mais poderoso, poderia isso responder a alguma expectativa para a Força Aérea?

      GDA Alain Silvy: A Força Aérea está interessada em ter um RBE2 com uma antena ativa. Está agora interessada na poderosa antena AESA que irá equipar nosso Rafale Tranche 4. O que os Emirados estão pedindo é muito mais complexo: eles querem, além da AESA, ter novas funcionalidades no seu Rafale, como GMTT/GMTI (detecção e rastreamento de alvos móveis em terra), o entrelaçamento entre os modos ar/ar e ar/terra, etc. Mesmo que isso não seja para nós uma necessidade urgente, o ganho operacional obtido poderia eventualmente nos interessar.

      http://www.aereo.jor.br/2010/08/16/entrevista-com-o-almirante-alain-silvy-sobre-o-estado-das-negociacoes-do-rafale-com-o-eau/

  7. “…dúvidas sobre a qualidade dos radares AESA (varredura eletrônica ativa) em mudar rapidamente dos modos ar-ar para ar-solo em voo, e sobre o visor montado no capacete.”

    Bela roba, trocaram essas “dúvidas” pela aviônica de tela única da Elbit, que nem empresa estratégica de defesa é pois se trata de uma multinacional.
    Ah, esqueçam da AEL, pois como diz o ditado:

    “Saco vazio não para em pé.”

    Alem de nem ser parte integrante do projeto original do Gripen NG.
    Enquanto isso a Rockwell Collins, cuja aviônica É parte do projeto original do Gripen NG e tem 40 anos de Brasil, foi deixada de lado.

    “E também que a indústria de defesa local, monopolizada por unidades de defesa do setor público (DPSUs – defence public sector units) são incapazes de absorver e inovar em tecnologias do tipo já que, de fato, as repassa pois apenas faz a montagem de aeronaves a partir de kits importados.”

    Troque “público” por “privado” e isto passa a se aplicar a Embraer, AEL, Avibrás e outros lixos da BID.

    “Interessante o comentário do autor sobre ToT, quando fala sobre as leis de controle de voo.”

    O “interessante” que se aplica a nós Brasil, é outro:

    O FCS já existe e está em teste de voo na Suécia.

    Então pq raios temos que replicá-lo no Brasil e ainda por cima em uma empresa privada, que não manja nada desse riscado???

    Não temos simples assim, basta que um governo realmente comprometido c/ o progresso do país exerça sua autoridade.

    “Esse é um item importantíssimo do ToT que o NG proporcionará à EMBRAER.”

    É um programa de Estado pois deverá atravessar diversos governos, assim novamente pq raios somente uma única empresa, privada ainda por cima, será privilegiada???
    E o restante da indústria??? E a DCTA???
    Seriam entes de segunda classe frente aos compromissos de campanha, do atual governo???
    Parece que sim, pois só pode ser for Embraer.

  8. Não é só o professor que tem essa opinião. Vários fóruns internacionais tem indianos que entendem que a IAF deveria racionalizar sua força, basicamente com os SU-30 + Tejas. E futuramente o PAKFA+Tekas MKII/III.

    O MMRCA deveria ser basicamente mais M-2000, mas acabou virando o Rafale.

    []’s

  9. Essa força aérea é uma bagunça e o MD local não fica mto atrás não.
    No momento além da Le Jaca encruada, os hindús montam o Su-30 sob licença, reformam ou irão reformar o Mig-29, o M-2000, o Jaguar e o Mig-27, fabricam o Tejas e tem 2 projetos de aeronaves de 5ª geração.
    Uma racionalização de meios se faz necessária, p/ ontem.

  10. Particularmente espero que o contrato seja cancelado, todo ele.

    Um dia manifesto tim tim por tim tim os motivos da minha opinião.

  11. Muito interessante.

    Vejamos: tenho como premissa que um comandante de força aérea não conseguiria manter custos elevados e indisponibilidade elevada em um MD. Ao menos por muito tempo.

    Eu gostaria de saber qual é a análise de riscos que o MD elaborou para embasar e manter essa grande variedade de caças. O que é que existe de tão desafiador e especializado no cenário de defesa nacional (ou projeção de poder) que requeira, ao mesmo tempo, um SU-30, MIG 29 e M2000? (mais o Rafale!)

    Cabe lembrar que esta política (light, medium, heavy) também se estende para outras funções, como no transporte aerotático. Eles voam de Antonov até Lockheed…

    É estranho? Sim, claro. Mas por quê eles fazem isso? Obviamente eles sabem, e vivem, os problemas dessa escolha. Mantê-la requer mais do que apenas vontade da caserna ou ineficiência pública.

  12. Sinceramente não entendo, se a India quer substituir os MiG-21 por caças modernos (Rafael foi o escolhido), seria melhor terem escolhido um caça mais barato. Eu não entendo a lógica indiana, com seus milhares de modelos de aeronaves.

  13. O contrato do MMRCA indiano me causava espanto, em razão dos valores envolvidos, em razão do grande número de aeronaves a ser adquiridas, sob preço unitário altíssimo.
    Até que o Poggio, comentando um outro posto sobre o mesmo tema, teve a misericórdia de lançar luz sobre as trevas da minha ignorância: a chave da escolha do Rafale seria a possibilidade de emprego de armamento nuclear, algo que nenhuma outra aeronave ocidental igualaria, na proposta para a Índia.
    Se tal explicação estiver correta – e eu creio que está – o Rafale, para os indianos, não tem preço.
    O único fator a frear o preço cobrado pelos franceses é o princípio da preservação da saúde da galinha dos ovos de ouro. Mais nada.
    Voltando ao tópico, esse “especialista” indiano, ao escrever contra o Rafale, cometeu um erro capital. Argumentos não lhe faltariam, mas, ao invés de considerar as variáveis incidentes no caso da Índia, resolveu fazer um paralelo com a escolha brasileira, que observou circunstâncias completamente diferentes – e muito favoráveis ao Brasil, que não tem inimigos dotados de capacidade nuclear confrontando nossas fronteiras.
    Aqui, depois de muita demora, sob a névoa dos lobbies inconfessáveis, escolheu-se a opção mais barata.
    Mas qualquer um serviria. Nossos caças só são empregados nos desfiles de 7 de setembro, e para quebrar umas vidraças de vez em quando. Para isso, até F-5 serve.
    O Brasil se comportou como aquele pangaré que vive pendurado em dívidas, mas vê a vizinhança trocar de carro na onda do “IPI reduzido”, lê que já integra a classe média – e isso lhe é contado pelo IBGE, repositório universal da verdade – e, mesmo vivendo modestamente, toma coragem e vai até algumas concessionárias, para “tomar o pulso do mercado”.
    Pode comprar um VW Gol 1.0 (quem quiser, pode chamar de “Gripen”), pagando em 60 “suaves” prestações, para ir ao supermercado todo sábado, e eventualmente correr com a sogra para o posto de saúde mais próximo. Assim, poderá gritar para a vizinhança que a máquina está “operacional”.
    Pode, ainda, comprar um Chevrolet Cobalt 1.4 (preferindo, chamem de “Super Hornet”), também em 60 prestações, para adornar a garagem. Desse modo, pode dizer que tem o melhor equipamento do quarteirão – omitindo que falta-lhe até a gasolina, no tanque.
    E pode, também, aventurar-se a adquirir um Renault Fluence Turbo (de apelido “Rafale”), em 60 prestações cujo fim ele não conhecerá, pois muito antes disso o banco que fez a loucura de conceder-lhe financiamento já lhe terá tomado o carro de volta, via alienação fiduciária.
    No momento atual, o Brasil está na concessionária da VW, barganhando para ver se consegue “de grátis” que seu Gol/Gripen venha com uns tapetes de borracha, insulfilm nos vidros, e, quem sabe, IPVA/2015 pago e tanque cheio. O que vier, é lucro.

  14. Nem tanto ao céu ou ao inferno.

    Como foi dito anteriormente, o Gripen possui capacidades reais de superioridade ao rafale tanto quanto o reverso. Por estas capacidades existem pessoas que defendem o caça sueco independentemente do custo benefício (faço parte dessa ala de opinião que começou com um grande contingente de militares do Canadá).

    A eletrônica e o armamento do Gripen virão “destravados”, ou seja, a entrega do código fonte para integração do armamento. No melhor dos cenários, dentro do pacote de armas poderá vir o IRIS-T como míssil IR e Meteor como míssil radar, mas nos permitirá utilizar os Piranhas, o A-Darter, o Derby, ou qualquer outro equipamento que nos apetecer, e, de base, o rafale só usaria as armas para ele homologadas, uma vez que ele não vem com o código fonte aberto;

    Os radares Thales são reconhecidamente temperamentais. Pergunte o que Israel fez com os radares cyrano dos mirage III. Leia o depoimento dos “xavantões” dos oficiais da FAB (mirage III), da lentidão do RDI dos mirage 2000c para, dentro do mesmo modo ar-ar, modificar a preferência do armamento de míssil IR, Radar e canhão… Segundos preciosos que determinam a vida e morte no campo de batalha, e, acima de tudo, o cumprimento ou não da missão.

    Sob o aspecto do ToT, o que sobraria para fazer no brasil seria a fuselagem e computadores de bordo, e olhe lá. O Snecma m88 estava fora da nacionalização, software idem, programação idem, radar nem pensar, enfim, o que seria efetivamente ToT seriam capacidades próximas do nosso Know-how. O Gripen traz a possibilidade de montar o Raven (assim como a metron montou o Scipio), as turbinas F-414 ou EJ-2000 caso o pentágono tenha um surto de “Putinhesa” (assim como o Spey), a programação do hardware dos sistemas de bordo que também será fabricado aqui, a fuselagem supersônica do avião com menor RCS dos delta-canards (0.1m²), entre outras coisas…

    Enfim, não acredito que o comparativo de carros que o Pangloss utilizou esteja a altura da competição aqui. Caso fossem carros eu acredito que seria assim:

    Gripen = Porsche 911 Turbo -> reconhecidamente entre os esportivos de primeira linha como o que entrega mais emoção e desempenho a um custo menor, dentre as melhores marcas, trazendo sempre inovação tecnológica que se traduz em melhor experiência ao consumidor.

    Super lobby = corvette z01 -> a velha fórmula americana do “quanto maior, melhor”. Se vai consumir mais, não há problema, desde que o objetivo seja atingido. A fábrica está praticamente falida (segmento de caças da boeing) e foi salva pelo capital chinês, pós-crise de 2008 (tanto GM quanto boeing sofreram inundações de capital chinês).

    Rafale = Ferrari 599 GTB -> bela, potente, tradicional e capaz, porém, em custo benefício fora da realidade, apesar de ser uma legítima representante de um legado, a fábrica está fora do segmento de híbridos e elétricos, foi comprada pela FIAT (leia-se Airbus), só transmite mesmo status e têm problemas crônicos de embreagem (radar) e vedação.

    Abraço a todos.

  15. Ivany, obrigado pela paciência em responder às bobagens que eu escrevo aqui, mas meu comparativo só se baseava em custos.
    E tive que improvisar um sucedâneo de carro para o Gripen, fugindo à sua origem, porque da Suécia nós só recebemos os Volvo, que poria a perder qualquer analogia sobre custos.

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