Home Aviação de Caça Avançam os trabalhos nos quatro últimos F-5E ‘ex-Jordânia’ que estão no PAMA-SP

Avançam os trabalhos nos quatro últimos F-5E ‘ex-Jordânia’ que estão no PAMA-SP

774
40

F-5E 4884 e 4883 ex-Jordânia no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto 3 Nunão - Forças de Defesa

Preparação das últimas células pelo PAMA-SP, que precede o envio para modernização na Embraer, mostrou um avanço significativo nos últimos meses

Fernando “Nunão” De Martini

vinheta-exclusivoO Poder Aéreo vem mostrando aos leitores, com frequência, o andamento dos trabalhos de revisão / revitalização no PAMA-SP (Parque de Material Aeronáutico de São Paulo) das onze células de caças F-5E/F adquiridos usados na Jordânia, em 2008. Esses trabalhos precedem o envio às instalações da Embraer em Gavião Peixoto / SP, onde as aeronaves recebem os itens de modernização. Ao que parece, o ritmo tem se acelerado nestes últimos meses do ano, dentro de um avanço geral perceptível desde o final do ano passado.

Apesar de já termos tratado do assunto por diversas vezes (veja matérias anteriores na lista de links ao final), é sempre bom relembrar que o PAMA-SP, localizado na Zona Norte da capital paulista (no Campo de Marte) é a organização da FAB responsável pelas revisões de nível parque nos caças F-5 (IRAN – Inspection and Repair As Necessary – inspeção e reparo quando necessários). Os caças são inteiramente desmontados e seus diversos componentes seguem para vários edifícios do PAMA-SP responsáveis por cada área (trens de pouso, testes de motores etc). Suas células, formadas pelas estrutura e revestimento de fuselagem e superfícies alares / de comando, passam por uma avaliação completa para identificar sinais de fadiga e corrosão, incluindo uso de raio-x, recuperando-se ou substituindo-se partes desgastadas ou condenadas.

No caso dos onze exemplares adquiridos na Jordânia, os componentes retirados e que não fazem parte do pacote de modernização contratado à Embraer, como motores e sistemas hidráulicos entre inúmeros outros, são instalados de volta às aeronaves após serem revisados ou substituídos. Então os caças seguem de carreta da capital paulista para Gavião Peixoto (cerca de 320 km de distância), onde a Embraer instala itens como o novo radar (que demanda alteração estrutural no nariz da aeronave, o que é feito pela empresa), aviônicos diversos, telas multifuncionais e tudo o mais que transforma um velho F-5 E/F num F-5EM/FM.

PAMA-SP 2012 - células de F-5E e F ex-Jordânia com pintura primer - foto Nunão - Poder Aéreo
Células de F-5E e F ex-Jordânia com pintura primer estocadas no PAMA-SP, em 2012

Até meados do ano passado, a revitalização dos onze caças “ex-Jordânia”, que compreende três F-5F (bipostos) e oito F-5E (monopostos), vinha num ritmo um pouco mais lento. Há que se ponderar que, até aquela época, ainda havia os últimos caças F-5 dos lotes originais da FAB em modernização na Embraer (o último só foi entregue em março deste ano). Algumas poucas células do lote jordaniano, principalmente os bipostos, já apareciam revitalizadas e com pintura “primer” (esverdeada) instalada, mas não seguiam para a linha de montagem para instalação dos componentes como motor, trem de pouso etc, permanecendo estocadas no PAMA-SP – veja imagem acima. Apenas dois bipostos já estavam iniciando a montagem de componentes

A maioria das demais células passou vários anos sem sequer ter suas pinturas originais da Jordânia retiradas para iniciar os trabalhos, como se pode ver na imagem abaixo, do final de 2011. Apenas estavam com vários de seus componentes retirados, embora nem todos. Entre elas, pode-se ver na foto três das que estão bem mais adiantadas nesse processo, hoje, como falaremos a seguir.

F-5E ex-Jordânia com indicações das matrículas na FAB - PAMA-SP 2011 - foto Nunão - Poder Aéreo
Células de F-5E ex-Jordânia ainda com pintura original e matrículas FAB pintadas na cauda, em 2011

 

Então, em meados de 2012, finalmente os primeiros “jordanianos” começaram a aparecer na linha de montagem de componentes, no caso os bipostos, e passaram a ser mandados para a Embraer, um após outro. Na virada para 2013, restavam no PAMA-SP apenas os modelos monopostos  “ex-Jordânia” no PAMA-SP, compartilhando espaço no hangar com os F-5M já em uso na FAB, que passam pelas revisões periódicas.

Veja os links para matérias anteriores mais abaixo, para relembrar todo esse processo envolvendo o lote adquirido na Jordânia.

Ao longo deste ano, pudemos constatar que mais células já haviam passado pelo processo de revisão e mandadas à Embraer, restando no final de setembro apenas quatro exemplares de F-5E ainda no início de processo, em que se podia observar marcadas sobre o metal as áreas da estrutura e revestimento que necessitam de intervenção para reparo ou substituição de partes.

F-5E 4884 ex-Jordânia fotografado no PAMA-SP no final de setembro de 2013

Pouco mais de dois meses depois, neste início de dezembro, já se percebe um grande avanço em duas daquelas quatro células derradeiras. Por exemplo, a que traz a matrícula 4884, e que em setembro ainda era vista com o metal aparente e cheia de marcações de áreas para intervenção (clicar na imagem acima para ampliar), agora já está com a pintura “primer” aplicada, o que demonstra que foi completamente revisada e reparada, como se vê nas duas imagens abaixo e na foto de abertura desta matéria. Ainda coberto com plástico transparente, no final de novembro o FAB 4884 já ocupava um espaço na linha de montagem dos componentes do Hangar 3 “Major Santos”, do PAMA-SP. Ao seu lado, estava também o FAB 4883.

F-5E 4884 e 4883 ex-Jordânia no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto Nunão - Forças de Defesa

F-5E 4884 e 4883 ex-Jordânia no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto 2 Nunão - Forças de Defesa

Já na área do hangar destinada à desmontagem, e com a maior parte da pintura original jordaniana retirada, encontravam-se no começo de dezembro as derradeiras células de F-5E “ex-Jordânia” ainda a revisar / revitalizar, com as matrículas 4885 e 4879, esta última ainda no início do processo, como se vê nas próximas duas imagens.

F-5E 4885 ex-Jordânia no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto Nunão - Forças de Defesa

F-5E 4879 ex-Jordânia no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto Nunão - Forças de Defesa

Se o ritmo que vimos na célula 4884 se repetir nestas duas últimas e nenhum problema de maior monta for encontrado (pelo que já conversamos com pessoal do PAMA-SP, nas unidades adquiridos da Jordânia não foi encontrado nenhum problema realmente grave de estrutura) , é bem provável que nos primeiros meses de 2014 ambas também já estejam ocupando seus lugares na linha de montagem, marcando a fase final dos trabalhos do PAMA-SP nos onze jatos adquiridos da Jordânia.

Daí para a frente, só deverão voltar ao “Hangar Major Santos” como “mikes” – denominação fonética para os F-5M, de modernizados – quando alcançarem o número de horas de voo (cerca de 1.200) para revisão completa nível parque. Estarão entre os “mikes” da última foto abaixo, que periodicamente frequentam o PAMA-SP, e poderão ser distinguidos facilmente em relação aos dois lotes anteriores da FAB pelas suas matrículas, que vão de 4810 a 4812 para os bipostos e 4878 a 4885 para os monopostos.

F-5EM e FM em revisão no PAMA-SP no final de novembro de 2013 - foto Nunão - Forças de Defesa

VEJA TAMBÉM:

40 COMMENTS

  1. Ué,

    Se a compra de caças novos não avança, alguma coisa tem que avançar no lugar.

    Vale a pena ler também as matérias dos links ao final. Mostram muitos outros aspectos dessa história, deixando claro o quanto a primeira linha da FAB vai depender da disponibilidade do F-5M nos próximos anos. Esse reforço de 11 “ex-jordanianos” é fundamental para que a Aviação de Caça da FAB não entre em colapso por falta de aeronaves supersônicas disponíveis.

  2. Quem não tem Raptor caça com qualquer outra coisa, de Rafale a F-5, de F-16 a MiG-21, de Typhoon a Gripen, de Mirage a Su-35.

    Afinal, Raptor só existe na USAF.

  3. Parabéns pela matéria Nunão esta perfeita, e já que não teremos mais a definição do fx2, a FAB deveria sair por ai garimpando mas 36 células de F-5 para fazer um FX1/5, todos modernizados pela embraer, afinal não temos nenhum cenário de confronto com nossos vizinhos e também pq continuamos quintal subserviente de comódites.

    • “Parabéns pela matéria Nunão esta perfeita”

      Hamadjr, obrigado.

      É fato que tenho enorme apreço pelo F-5, um caça que fez história pelo mundo ao permitir que muitas forças aéreas tivessem um supersônico que podiam manter, e do qual a FAB tira tudo o que pode e mais um pouco.

      Mas a matéria, a meu ver, está longe de ser algo “perfeito” para quem gosta de cobrir esse tipo de assunto.

      Uma matéria sobre revitalização e modernização estaria realmente perfeita se falasse não de F-5, mas de caças como F-16 e Mirage 2000, que eventualmente tivessem sido adquiridos pela FAB (mesmo que fosse uma dúzia ou pouco mais) na virada dos anos 80 para os 90, apenas para citar exemplos de aeronaves que dois vizinhos do Brasil já operavam novos de fábrica naquela época, quando nós estávamos comprando sobras de F-5 nos EUA para recompor a frota.

      Ou mesmo de usados desses modelos que tivéssemos adquirido antes do final da década passada, quando compramos esses onze F-5 jordanianos para novamente recompor a frota. Por um lado, há uma satisfação em ver o pessoal do PAMA-SP fazer esse trabalho fundamental, que antecede a modernização na Embraer, que deixa os caças ainda competitivos no nosso cenário. Por outro, dá uma angústia em não ver uma luz no fim do túnel para a substituição mais do que merecida dos F-5 da FAB, que já deveria estar pra começar, numa época em que vizinhos voam versões avançadas de ícones como o F-16 e Su-30.

    • Parabéns pela matéria Nunão esta perfeita, e já que não teremos mais a definição do fx2,

      Calma “Hamadjr”

      Enquanto há luz, há esperança. Ninguém morre na véspera. Dia 18 é a data do enterro (ou da sobrevida).

  4. Não sou pró e nem contra os americanos, franceses suecos ou seja lá quem for. Sou é pró BRASIL.

    Prometi a mim mesmo que não comentaria mais nada, porém, acompanhando os comentários de quem mais entende, algumas questões me aguçaram a curiosidade e apelo a quem possa ajudar, que me responda:

    Alguns são contra o caça americano por temer ficar nas mãos deles, mesmo nós hoje sermos capazes de virar o F-5 pelo avesso. Mas no caso dos propulsores, nós fabricamos peças para eles ou compramos nos EUA ? Ainda fabricam ou são peças canibalizadas ?

    No caso dos Franceses sempre precisamos deles, pelo que me consta, para fazerem as revisões nos reatores à jato na frança. Corrijam-me se eu estiver errado.

    Agradeço desde já os esclarecimentos.

  5. Ernaniborges,

    Os motores de F-5 ainda têm peças de reposição sendo fabricadas por fornecedores espalhados pelo mundo, pois há diversas versões desses motores em uso não só em caças mas também em outros tipos de aeronaves. Sem falar na frota de T-38 da USAF. Além disso, as revisões desses motores são feitas no Brasil.

    Não que essa situação vá durar muito, mas ao menos por mais uns dez anos ainda será possível encontrar peças de reposição para esses motores, no mundo, sem desespero de causa.

  6. Nunão a matéria esta coerente no que diz respeito a abordagem das celulas dos F-5 comprados da Jordânia, ela situa espaço e tempo os fatos apresentados então esta coerente com os fatos, infelizmente quanto a discussão de outros caças na FAB que poderiam ser objeto de debate vai ter que esperar, não sei se feliz ou infelimente.
    Guilherme como todo muslim seja por convição seja pelo dogmátismo islamico eu devo cultivar a paciência e por consequência ser otimista, mas tem hora que a dúvida assola essa convicção.
    E Ernani, permita uma provocação, avião não tem ideologia, avião tem tecnologia rsrsrs

  7. Hamadjr,

    Eu entendi o elogio e agradeço mais uma vez.

    Apenas aproveitei a deixa para esclarecer que, apesar de já ter escrito bastante sobre os F-5 da FAB, e apesar do fato de que provavelmente continuarei escrevendo mais ainda sobre eles (até por gosto e apreço), a verdade é que o mundo dos caças estaria “mais perfeito” para mim, como pesquisador de temas militares e editor do site, se pudesse escrever sobre um supersônico da espinha dorsal da caça da FAB que não fosse mais o velho F-5.

    Mas vários presidentes seguidos que poderiam ter me “feito esse gosto” não fazem, pois simplesmente não decidem nada, um após outro, há uns 15 anos.

  8. Excelente matéria, muito interessante !

    Parabéns ao editor e parabéns ao pessoal do PAMA !

    Ei, mas nós quase que dominamos tudo do F 5, com exceção da produção das turbinas em si, será que realmente não valeria a pena a Embraer pegar licença com a Northrop para fazer nossas próprias células ??

    Até o Irâ conseguiu !

    Ou ao menos poderiamos, como eu ja falei meses atras, comprar uns 20 F 5s da Suíça ou Arábia Saudita, realmente iria ajudar bastante, já que o F x 888 não sairá agora…

    Não é uma coisa impossivel a compra de umas 20 celulas novas, e iria ajudar bastante !

    Mais os Darter… huum, não estariamos tão ruim assim.

    Lembrando que nossos vizinhos estão beeeem piores.

    Vcs acham que o Peru sabe fazer tudo isso com seus Migs 29 ??? Sabem nada… o Brasil ao menos sabe cuidar do avião, nossos vizinhos sequer conseguem isso.

    E para aqueles que ficam sonhando com F 22 e se lamentando por isso, sugiro que acordem : F22 é para orçamento norte americano.

    Essa visao de que tudo é lixo perto do Raptor, é uma visão arrogante e estreita. O mundo da aviação não se resume aos Raptor ou mesmo a 5ª geração.

  9. “Ei, mas nós quase que dominamos tudo do F 5, com exceção da produção das turbinas em si, será que realmente não valeria a pena a Embraer pegar licença com a Northrop para fazer nossas próprias células ??”

    “Com certeza a PAMA+Embraer+elbit fariam um F-5 muito melhor que o Iraniano.”

    Wagner e Nick,

    É fato que a FAB e a indústria aeronáutica brasileira dominam bastante coisa, mas dizer que dominam “tudo” do F-5 ou mesmo metade desse “tudo”, talvez seja um exagero.

    O que se domina é a manutenção da maior parte dos componentes / célula e a execução de trabalhos-chave, assim como a produção de equipamentos-chave para sua operação (incluindo parte dos aviônicos, que trazem componentes israelenses).

    Esse domínio atingido se dá por uma combinação de questões de nacionalização / estratégia com questões econômicas. Muitas partes ainda são importadas, porque o custo-benefício favorece isso. Ninguém vai gastar tempo e dinheiro com algo que não seja necessário. Ao menos, não deveria.

    Feita a ressalva, de fato pode-se dizer que dominamos muito do que é necessário para manter e operar o F-5M. Daí a construir um caça com esses conhecimentos / pessoal / maquinário / processos, é uma outra história.

  10. Caro Nunão,

    Acredito que no caso do F-5, se falta alguma coisa para fabricar o mesmo por aqui, é muito pouco mesmo.

    Por exemplo, não sei se é verdade, mas a FAB ou a Embraer já fizeram testes de stress no F-5E para poder instalar seus misseis já que a Northrop se negou a ceder os parâmetros. Em termos de materiais, podemos até fazer um F-5E em composite, e colocar um GE-404 ou um motor do Typhoon. E por ae vai. Vai haver gargalos? Com certeza vai. Mas é ae que o aprendizado teórico se transforma expertise. 🙂

    []’s

  11. Na boa a FAB, deveria comprar mais um lote de F5, pois, a dotação de Manaus é ridicula,os jordanianos vão tampar o buraco de Anápolis,as demais bases terão F5M dando baixa logo, e o FX2 não vai chegar a tempo,para cobrir essas baixas, a não ser que todos os 36 sejam fabricados no país de origem, agora se forem fabricados aqui,já era…Precisamos de mais F5 F, uma ve que o governo não tem planos para um treinador tão cedo!

    • Caro nunes neto

      Nem isso. Numericamente, o número de “jordanianos” é inferior ao número de M-2000 da FAB (11×12) e temos que considerar que a quantidade de bipostos entre os “jordanianos” é maior (não que isso seja um impedimento, mas a FAB considera os bipostos meramente unidades de conversão operacional).

  12. Na prática, 1 ou 2 a menos é detalhe ,pois mesmo sendo onze esses conseguem cobrir o alerta aéreo,normalmente ficam 2 sempre de prontidão,se não me engano!

  13. Como disse mais alguns seriam necessários a n ser q o tampax do vencedor do fx2,chegue logo ,ai os jordanianos, iriam parte para Manaus e os demais para outras bases

  14. “Nick
    14 de dezembro de 2013 at 13:24 #
    Caro Nunão,

    Acredito que no caso do F-5, se falta alguma coisa para fabricar o mesmo por aqui, é muito pouco mesmo.

    Por exemplo, não sei se é verdade, mas a FAB ou a Embraer já fizeram testes de stress no F-5E para poder instalar seus misseis já que a Northrop se negou a ceder os parâmetros. Em termos de materiais, podemos até fazer um F-5E em composite, e colocar um GE-404 ou um motor do Typhoon. E por ae vai. Vai haver gargalos? Com certeza vai. Mas é ae que o aprendizado teórico se transforma expertise.”

    Por enquanto:

    O conjunto completo do ferramental, seja dentro de casa ou fora tem que estar disponível, mas vão “fabricar” o quê? O q já existe. Será q o q está fora será cedido ou vendido “de boa” ? Produzirão como “fornecedores”? Não. Para “atualizar” essa célula com uma nova produção, a lá Embraer e outros muitos, ou seja ter uma cadeia de “sistemistas” levará anos, não é tão simples assim. Mas digamos q no papel pudesse e repito pudesse sair algo muito bom na relação custo x beneficio e atualizado ok ? O “mundo” cairia em cima, ninguém vai querer concorrente que possa apresentar algo dessa natureza.
    A montagem desse “quebra cabeça” envolve empresas e tecnologias de outras nações e seus governos, que em geral “tem política de Estado”, entendeu ? Serão muitos atores e autores. Fora o custo dos novos ferramentais.
    Tente um dia fazer uma visita programada nas unidades da Embraer, todas, se conseguir veras….
    Fora de questão essa ideia.

  15. Caros

    Montar uma linha de produção para um supersônico turbojato projetado na década de 50? Se fosse um tigershark f-20 já seria um tiro duvidoso. E os motores? Os J85 do tigre de bengala estão aqui porque existem muitas versões “civis” dele que compartilham em torno de 90% das peças dele, bem como, já falou anteriormente o Martini, existe uma frota de Talons operacionais nos EUA. Mas reproduzir esse motor em qualquer outro lugar custa grana de licenciamento industrial mais um ferramental monstruoso que ninguém tem no brasil.

    Soluções usadas e muito mais atraentes do que frabricar f-5 existem aos montes (kfirs, f-16 israelenses e AMARG, f-4 alemães, israelenses e logo japoneses, Mig 21 (J7) chineses, mirages 2000c franceses, etc.). O que falta e faltou durante todo esse tempo foi interesse em resolver o problema.

    Deu baixa no mirage 2000 bem dada, porque do jeito que ele está (sem mísseis de média distancia compatíveis) células precárias em tempo de se transformarem nos xavantões que outrora os mirage III foram no fim. E se vierem mais f-5 desses, virão de bom grado, porque o super tucano não pode fazer defesa aérea, e o AMX é outro tipo de aeronave…

  16. Caros Carlos Alberto e Ivany,

    Realmente existem algumas questões a se considerar em tomar uma decisão de se fazer um “clone” atualizado do F-5E. Por exemplo as implicações politicas, industriais, etc…

    Usar o sistema “cara-de-pau” como os chineses fizeram no J-11, uma versão do SU-27 sem licença? Podemos fazer algo parecido, mas com as devidas autorizações para evitar melindres.

    Com relação ao fato de a célula ser da década de 50, é claro que uma versão para o sec 21 teria de rever alguns itens como a área das asas, remotorização, tanques internos, aviônicos, etc. O resultado poderia ser um F-20 atualizado com as tecnologias atuais, e poderia ser competitivo na faixa de entrada (caças leves/treinador avançado).

    Enfim, é claro que para um empreendimento desse porte tem haver um certo comprometimento do governo, mais ou menos como no caso do KC-390. E claro poderia se seguir um modelo parecido também em termos de parcerias para se aumentar o nº de encomendas.

    Mas é claro tem que ter ambição, e não se contentar com caças de prateleira ou dos estoques da USAF, AdlA ou Flygvapenet.

    []’s

  17. Srs

    Periodicamente surge a proposta, para sair da armadilha do FX, de se fabricar o F5 ou seu sucessor, morto da infância, o F20.
    Sintomaticamente, vêm os argumentos contra, desqualificando a capacidade técnica dos profissionais brasileiros, a qualidade em si do avião, o fato dele ser um projeto antigo e, portanto, obsoleto, a falta de escala, o que tornaria o seu custo elevadíssimo.
    Portanto, tal idéia é inviável e até tola.
    Mas, evitando os preconceitos, vamos ver, com frieza, os argumentos mais usuais:
    Qualidade dos profissionais brasileiros: a Embraer é a terceira fabricante de aviões do mundo, e sua simples existência gerou uma boa disponibilidade de mão de obra para todas as fases de projeto e produção de aviões, aviões comerciais, certamente, mas aviões. Além disto, produziu o AMX em parceria com os italianos, fez o upgrade dos F5 e está fazendo dos AMX e dos A4, o que implica na formação de uma boa base tecnológica. Além disto, existe o CTA e toda a estrutura industrial que surgiu no país conseqüente da evolução da indústria aeroespacial.
    Qualidade do avião: o F5 está em uso até hoje, em uma grande quantidade de forças aéreas, a maioria das quais, não classificáveis como de países pobres e sem tradição e exigência quanto a seus aviões (USA, Coréia, Suíça, etc.). isto já, por si fala sobre a qualidade do avião. As principais razões para esta longevidade são: Design (É pequeno, o que o reduz seu RCS, tem boa aerodinâmica e é ágil) e simplicidade, o que resulta numa grande virtude, custos baixos de operação. Como caça em si, seu maior pecado é a falta de maior disponibilidade de potência, o que prejudica sua capacidade de manobras, pois apesar de ágil, perde energia rapidamente em manobras cerradas. As maiores críticas vão para seu alcance e capacidade de transportar carga, porém, para as missões de defesa aérea, nenhum interceptor opera com grande carga de mísseis, pois isto compromete sua velocidade e capacidade de manobra e o alcance sempre é limitado pelo compromisso com o tempo para interceptação. Quanto a capacidade de carregar bombas, isto nem cabe quando a função é defesa aérea.
    Projeto antigo e obsoleto: os modernos caças do FX2 são de concepção da década de 70 e 80. O mais moderno caça em uso, hoje, é o F22, projeto que começou na década de 80. Toda a linha de frente das principais forças aéreas são de aviões que nasceram nas décadas de 70 e 80 ou são evolução de um projeto desta época. O fato é que um bom projeto é longevo, e sua evolução é prática comum, vide os SU27/SU30/SU35. O F20 não foi derrubado por ser um mau projeto, mas sim por representar uma ameaça de mercado ao F16. Isto sem considerar que, desde a década de 80, a obsolescência de um caça está muito mais na eletrônica de bordo do que nas capacidades intrínsecas de vôo. Um caça mais antigo, se dotado com eletrônica de bordo mais atual é mais efetivo do que um caça relativamente mais novo, mas com eletrônica desatualizada.
    Falta de escala: se aplicarmos este argumento, a maioria dos projetos hoje em andamento sofrem de tal problema, o que, aliás, é lógico, pois caças não são produto de consumo, mas sim máquinas desenvolvidas para um fim indesejado, guerra. Uma versão repaginada do F20, com sistemas último tipo seria competitiva? Provavelmente, do ponto de vista técnico seria; mas do ponto de vista comercial, mesmo sendo um bom produto para países periféricos, precisaria de um esforço enorme para vender, por estar sendo oferecido por um país periférico. A lógica para uma produção local teria que se fundamentar na estratégia do país em ter um produto próprio, COTS para o custo ficar baixo, e com uma produção de, no mínimo, umas 150 unidades. A venda para outros países teria que ser vista como um bônus, possível, mas não certo.
    Muitos outros argumentos podem ser colocados pró e contra a idéia de dar nova vida ao projeto do F5, sendo o resumo acima apenas uma contribuição para o debate.

    Sds

    • De fato, Control. Há diversos argumentos pró e contra uma possibilidade como essa, de se fabricar uma espécie de F-5 melhorado aqui.

      Eu sou da opinião que, em que pese o domínio que se tem hoje sobre o F-5 (e que se teria sobre outro caça caso fosse a espinha-dorsal da FAB ao invés dele) se houvesse disposição para nacionalizar ou, numa palavra menos bonita, piratear um caça, melhor seria gastar tempo e dinheiro com algo menos velho.

      Os chineses fizeram isso com gerações sucessivas de caças russos inicialmente licenciados, nos anos 60, 70 e 80, até chegar aos seus caças próprios. E eles tentavam buscar, para piratear, algo competitivo em sua época ou apenas um pouco atrasado (MiG-19, depois MiG-21, entre outros) e não uma aeronave atualmente limitada e com cerca de 50 anos desde o projeto inicial, como é o F-5.

  18. “Iväny Junior
    15 de dezembro de 2013 at 1:44 # ”

    Concordo 100%

    “Nick
    15 de dezembro de 2013 at 7:05 #”

    É, “caiu a ficha” em parte(parcialmente).

    “Control
    15 de dezembro de 2013 at 7:22 #”

    1.- Aponte-nos qual parte algum de nós desqualificou a Embraer ou qualquer outro possível protagonista ?

    2.- Idem as qualidades pontuais do vetor ?

    3.- “Tola” ? As réplicas são técnicas, comerciais, políticas e por ai vai ….

    4.- Sim, os possíveis atores e autores citados tem capacitação em muito bom grau de se envolverem num bom projeto nacional, sozinhos não, mas integrados com outros protagonistas. Procure alguém com a capacidade, integridade, conhecimento, capacidade de liderança e montagem de time reitero time e não equipe, capacidade de desenvolver parceiros, visão de longo prazo etc …. de um Coronel e Engenheiro ITA chamado Ozires Silva e terás sucesso. Mas infelizmente ele não tem mais idade e nem saúde para tal, então façamos o seguinte: Vamos procura-lo e pedir a ele que nos indique nomes e caso seja possível, que ele seja o conselheiro Mor dessa empreitada. Não temos ‘Política de Estado”, não temos atualmente perspectiva de sucessores a altura de liderar um amplo processo “A la Pacto de Moncloa” para termos uma tal Política e portanto um verdadeiro Projeto Nacional, sobre todos aspectos, todos mesmo.

    5.- “Qualidade”, mais uma vez, O Nunão, eu e creio que a maioria somos admiradores desse vetor, é só coloca-lo no tempo e espaço correto. Outras variáveis já foram mencionadas aqui e em outras inúmeras ocasiões.
    Ninguém desqualificou nada. Veja o vídeo recente postado do F 5 Suíço, por sinal valeu Editores.

    6.- “Projeto antigo e obsoleto: ” Concordamos 100%, parte da sua afirmação já mencionei em minha intervenção anterior.

    7.- “Falta de escala:” Concordamos em 100%, apenas que 150 exemplares “A venda para outros países teria que ser vista como um bônus, possível, mas não certo.”,
    vamos ter que ter um parceiro(s) no negócio. Sem papo de UNASUL “pelo amor ao Ozires”.

    “Fernando “Nunão” De Martini
    15 de dezembro de 2013 at 8:25 #”

    Concordamos em 90%.

    Tens meu pedido sobre o F 5 “narigudo” ?
    Foto(s) ou texto?

    • “Tens meu pedido sobre o F 5 “narigudo” ?
      Foto(s) ou texto?”

      Carlos Alberto,

      Preciso que seja mais específico. Eu não entendi até agora o que exatamente você está pedindo.

  19. “Tens meu pedido sobre o F 5 “narigudo” ?
    Foto(s) ou texto?”

    Desculpem-me, já esta postado na matéria dos F 5 Suíços.
    Obrigado.

  20. Uma pergunta me ocorreu ao ler a longa lista de comentários: caso se fosse escolher, neste momento, como solução mais adequada para a FAB, levando-se em consideração que dificilmente serão adquiridas aeronaves da lista estabelecida pelo FX-2 (em minha opinião, já morto, apenas não enterrado). Dentre as três hipóteses abaixo:
    1- adquirir mais uns 50 F-5E/F usados (sejamos generosos com o número…). Pelas contas, com pase em pesquina na Rede, em bom estado, existe bem mais do que o dobro disso – o que não sei é se estariam em bom estado ou disponíveis para aquisição;
    2- adquirir algo como 36 F-16 novos. Não sei quanto ao preço dos b.50/52, mas certamente é bem menor do que o dos caças listados, inclusive o do outsider SU-35. Com um radar PESA integrado a essa aeronave, ela ofereceria um salto, relativamente ao SCP-01 (visto q essas “perguntas” são mera especulação, que se despreze o fator “implicância com os EUA”);
    3- investir no desenvolvimento de uma solução nacional, através da compra de um projeto já pronto, como os chineses fizeram com o Lavi israelense. Haveria algum projeto disponível para aquisição? A indústria aeronáutica nacional teria condições de embarcar num projeto desses sem um parceiro?

  21. Esses F-5 jordanianos são um lixo. Perguntem ao TB Bueno e ao TB Brito por que não compraram os suíços. Não me venham com essa justificativa de células biplace.

  22. Caros

    Sempre que esse assunto vem a baila aqui (produção de caça nacional) eu fico me perguntando muitas coisas. Seria ótimo projetar caças no brasil? Provavelmente sim. Mas temos falta de aporte de tecnologia que inviabilizam qualquer projeto por causa do tempo que seria levado para implementar e pelos custos, uma vez que o estado não tem intenção de prover recursos.

    Ao que me consta não existem fabricantes de motores a reação (turbojato ou turbofan) aqui no país. E daí já sairia do perfil nacional a planta de força do avião.

    Projeto de caça, em termos de avião em si, acredito piamente que a Embraer tenha capacidade de desenvolver. Até 5ª geração, sem problemas, em tese. E a aviônica? Não adianta planejar o avião sem que se tenha uma indústria de radares, armamentos e sensores desenvolvida minimamente (a Mectron está aí, mas…). Então vamos às suposições:

    O projeto que a Embraer desenvolveria compatível com o Rolls Royce Spey (pra padronizar um pouco com o AMX) de um caça multirole Mach 1.8~2;

    Aviônica e armamentos israelenses (elta 2032 AESA, Mísseis DERBY E PYTHON 5, chaff, jamming e flare à livre escolha).

    Depois de tudo isso somado, fica bem mais simples comprar vetores usados e aplicar a aviônica israelense, não? É bom lembrar que alguns phantoms ingleses utilizaram o Spey e melhoraram a performance significativamente.

    Os f-5 dispõem atualmente de uma aviônica regular. Se implementado o datalink completo e compatível com os R-99 e E-99, a vantagem técnica no T.O. volta, em tese, para a FAB. O problema é que os j85 logo devem parar de ser produzidos, bem como o desgaste dos quarentões tigres de bengala é implacável e mina a cada dia a sua vida útil. Aí pode estar a jogada: Embraer usinar a estrutura do caça em si. Mas investir num vetor dos anos 50?

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here