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O F-X2 está morto, vida longa ao F-XL…

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caças Gripen suecos e F-16 noruegueses em formação - foto Saab

…L de ‘leasing’

por Guilherme Poggio e Fernando “Nunão” De Martini

vinheta-opiniao-aereoConforme análise que desenvolvemos e publicamos ontem aqui no Poder Aéreo, as chances do programa F-X2 morrer são grandes diante da conjuntura nacional. Enquanto isso, parte da atual aviação de caça da Força Aérea Brasileira (FAB) praticamente agoniza na UTI com os Mirage 2000 que defendem o Planalto Central dando os seus últimos voos antes do pouso definitivo previsto para dezembro deste ano.

É claro que essa data final de voo dos chamados F-2000 poderia ser adiada com expedientes como a diminuição gradual da frota e consequente canibalização de exemplares desativados para manter outros voando, e até mesmo com a renovação de contratos de apoio logístico e de manutenção, realizando-se também as necessárias revisões para mantê-los em condições de voo. Mas a conta pode ser salgada, com benefícios questionáveis por serem caças que, apesar de terem o melhor desempenho no binômio velocidade / agilidade de todos os caças da FAB, contam com um conjunto radar / aviônicos / armamentos ultrapassado. Vale lembrar que vieram como “tampões”, como soluções temporárias decididas há cerca de oito anos.

Como será muito difícil que a população do Brasil saia às ruas para exigir do Governo uma atitude responsável pela defesa do espaço aéreo nacional, e assim pressionar os tomadores de decisão deste país por uma solução definitiva do programa, tudo leva a crer que mais uma vez surgirá a solução provisória. Em outras palavras, o “tampão” do “tampão” pode estar a caminho.

Deve-se levar em conta, porém, que apesar de um eventual cancelamento do programa F-X2 gerar um problema que novamente estouraria no médio / longo prazo, quando pensamos no curto prazo a solução provisória ou Plano “B” poderia agradar a “gregos e troianos” (neste caso seriam os “fabianos”). Primeiramente agradaria ao Comando da Aeronáutica e demais setores das Forças Armadas, pois demonstraria empenho do Governo para com a proteção do espaço aéreo, principal missão constitucional da Força Aérea Brasileira e que deveria justificar sua existência antes de qualquer outra missão.

Em segundo lugar, a decisão pelo Plano “B” passaria a impressão para o público em geral de que o Governo está ciente do problema da defesa aérea, mas que não gastará seus limitados recursos com a compra de novos caças, algo que muitos poderiam definir como gastos não prioritários. De certa forma, estaria “jogando para a torcida”.

Gripen tcheco e F-16 da Dinamarca na base de Siuliai na Lituânia - foto MD Rep Tcheca

Diante disso, surge o que nós denominamos de “Programa F-XL”. O F-XL seria o substituto do F-X2 e, ao contrário do anterior, poderia visar a aquisição de caças de segunda mão por leasing, modalidade escolhida no passado recente por vários países vivendo situação semelhante: um desses países sendo até um exemplo de nação com tradição aeronáutica e que participa de programas de caças, a Itália (um dos casos mostrados a seguir).

A aquisição pura e simples de mais um “caça tampão” é uma opção que se mostrou demasiadamente cara, como ficou evidente com a compra dos Mirage 2000 quando se leva em conta um período de tempo relativamente curto. A aquisição de caças através de leasing possui vantagens econômicas, pois não há o gasto com a aquisição do avião, e sim com um “aluguel” anual.

Nessa modalidade, valores para garantir a operação anual dos caças, por determinadas horas de voo por ano, podem ser previamente definidos no contrato, cobrindo assim “surpresas desagradáveis” que eventualmente podem aparecer, como caríssimas revisões de motores. Por último, contratos de leasing podem ser prorrogados conforme acordo entre as partes, sem que haja gastos de grande monta. Por um lado, pode haver restrições ao uso das aeronaves em determinadas situações e conflitos, conforme o contrato, mas por outro, até mesmo compensações industriais e outros “offsets” podem fazer parte do contrato.

Explicados os pontos principais dessa modalidade de aquisição de caças, o próximo passo seria definir quais seriam as opções de aeronaves disponíveis para leasing.

Russos

A Rússia já propôs o leasing de caças Su-27 ou MiG-29 para países em desenvolvimento e esses jatos poderiam ser opções. A grande capacidade de carga de combate e características destacadas de desempenho, particularmente do caça da Sukhoi, seriam vantagens.

A atual falta de familiaridade com caças russos, além da ainda pouca tradição no apoio logístico de aeronaves russas no Brasil poderiam ser problemas – porém, seria o caso de estabelecer um contrato baseado em disponibilidade e em determinado número de horas de voo. Além disso, gradativamente a FAB tem se familiarizado com o apoio logístico e de manutenção da Rússia, com a operação dos helicópteros AH-2 Sabre (Mi-35) adquiridos novos.

Americanos

A opção norte-americana mais provável seria o F-16, caça operado mundialmente em grandes quantidades e com exemplares estocados nos Estados Unidos, país que já têm a experiência de oferecê-los por leasing. A Itália recentemente finalizou seu contrato de leasing, considerado bem-sucedido no seu custo-benefício, de caças norte-americanos F-16. O acordo denominado “Peace Cesar” veio depois de um arrendamento considerado muito custoso, para caças “tampão”, de jatos  Tornado da versão de defesa aérea, provenientes do Reino Unido. Os caças Tornado arrendados e depois os F-16 cobriram na Itália a lacuna entre a desativação dos últimos caças F-104 produzidos localmente e a ativação de novos jatos Eurofighter Typhoon nos esquadrões da Aeronautica Militare.

Gripen sueco e F-16 norueguês - foto via Militaryphotos

Também de origem norte-americana é o F/A-18 E/F Super Hornet, mas não há excedente deste nos EUA e, com os atrasos no programa do F-35, estas aeronaves vêm se tornando cada vez mais importantes e “insubstituíveis” no inventário da Marinha dos EUA (USN). O mesmo pode se dizer dos “legacy” Hornet, termo usado para as versões mais antigas do caça, cujo uso vem sendo esticado ao máximo na USN – isso porque deveriam ser substituídos por jatos F-35 mas, na prática, acabam dando lugar a novas encomendas de Super Hornet. Há exemplares de legacy Hornet estocados no Canadá, mas não é conhecido o interesse daquele país neste tipo de negociação.

Franceses

Deve-se levar em conta também modelos da família dos atuais “tampões”. Não há grande disponibilidade de caças Mirage 2000 mais modernos, ao menos nos estoques franceses. O  Mirage 2000-5 poderia ser interessante, caso seja disponibilizado em breve (mas considera-se que jatos Mirage 2000N de ataque nuclear estejam na frente da fila para substituição pelo RAfale), mas os “traço cinco”  franceses não são necessariamente aviões de pouco uso: são velhos modelos C modernizados na década de 1990.

Os jatos mais novos da família em operação na França são os  Mirage 2000D, dedicados a missões de ataque e que deverão passar por modernização para torná-los multifuncionais, para continuar em serviço no Armée de l’air lado a lado com o Rafale. Nesse caso, ou não teriam serventia para as necessidades mais urgentes da FAB (por serem hoje aviões dedicados a ataque) ou só estariam disponíveis, modernizados, muito à frente. O que poderia estar “sobrando” na França seriam exemplares das mesmas versões C e B que o Brasil opera, provenientes de esquadrões recentemente desativados ou ainda operando num esquadrão de conversão operacional francês (de onde já vieram os que hoje são usados na FAB). Mas seria trocar “seis por meia dúzia”, caso estejam com horas de voo disponíveis antes de grandes revisões – e é justamente prevendo esses momentos que normalmente se organiza a desativação de caças.

Suecos

O que se tem conhecimento é de que a Suécia pratica a modalidade de leasing e tem disponíveis caças do modelo Gripen C/D para “alugar”. Por decisão do Governo Sueco, a Força Aérea daquele país reduziu em muito o tamanho de sua aviação de caça, gerando excedentes de aeronaves. Parte delas foi arrendada para as Forças Aéreas da Hungria e da República Checa (embora jatos novos tenham feito parte dos pacotes, conforme o caso). A República Tcheca e a Hungria operam 14 aeronaves cada (sendo duas do modelo biposto e 12 do monoposto).

Notícias desmentidas recentemente davam como certo o leasing de caças Gripen para a Malásia. Mas o que se sabe realmente é que uma proposta de leasing de oito caças Gripen foi feita no final do ano passado para a Croácia . Porém, a falta de orçamento do país levou a uma decisão de modernizar seus velhos jatos MiG-21. De qualquer forma, as recentes ofertas demonstram a existência de aeronaves para leasing.

F-16 Peace Cesar - cerimônia de final do programa - foto Aeronautica Militare

E quanto custa um leasing de caças? A resposta depende muito de cada aeronave e o que estes acordos incluem (no caso da proposta para a Croácia houve até a possibilidade de compra de estaleiro croata pela Saab). Mas, tomando-se como base alguns acordos já feitos, como o caso do leasing húngaro, o valor pode chegar a 104 milhões de dólares anuais para um esquadrão. Para saber mais sobre esses acordos (incluindo “Peace Cesar” italiano veja os links ao final).

Quantos caças teríamos que alugar e por quanto tempo? Depende do que se espera para um “tampão do tampão”. Caças provisórios são pensados justamente para cobrir lacunas antes de novas aquisições, “definitivas”, chegarem para o serviço. Há casos em que contratos de dez anos de duração são renovados por outros tantos, constituindo-se até numa solução praticamente definitiva. A Hungria recentemente renovou o leasing de seus jatos Gripen, e a República Tcheca, apesar de negociar duramente com os suecos, caminha para o mesmo sentido. Mas nem um país nem outro tem um programa estabelecido, ou pelo menos visto seriamente pelo mercado, para adquirir novos caças, e suas necessidades vêm sendo cobertas por apenas um esquadrão cada um.

A Itália recebeu por leasing caças F-16 para equipar mais de um esquadrão e, conforme as entregas de Typhoons tornaram-se suficientes, devolveu parte dos jatos aos Estados Unidos e, por fim, todos eles. Nos casos citados, então, houve uma manutenção ou diminuição dos números com o tempo. E no caso do Brasil? Talvez o inverso tenha que ser necessário, se nenhum outro programa de aquisição “definitiva” se apresente. Isso porque há uma urgência para reequipar o 1º GDA de Anápolis, mas os esquadrões que voam atualmente o F-5EM/FM também terão que dar baixa em parte de seus caças daqui a alguns anos (e, no médio prazo, em todos eles). Assim, o leasing de uns 12 jatos (dotação atual do 1º GDA) seria solução provisória para apenas parte do problema. Talvez venha a necessidade de ir na “contra-mão” dos exemplos de outros países e alugar cada vez mais caças, ao invés de cada vez menos, se uma solução de leasing “pegar”. Nesse sentido, pode-se questionar se a aquisição de soluções “provisórias” via leasing seria adequada, por haver grandes chances (ou necessidades) do caça provisório virar permanente e se multiplicar pelos esquadrões.

Para quem acha que o leasing de aeronaves de caça é uma opção pouco provável para o Brasil, lembramos que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, esteve na República Tcheca em 2011 visitando exatamente um esquadrão de Gripen e avaliando o programa de leasing daquele país do Leste Europeu. E, já naquela época, o Poder Aéreo alertava sobre o caso. Em nota, foi dito o seguinte: “os Mirage 2000 da FAB só vão operar até 2012 (sic). Será que poderemos ter Gripen C/D no Planalto, antes do F-X2?” Hoje, a pergunta poderia ser: será que poderemos ter algum caça via leasing após o cancelamento do F-X2?

Como tratamos mais de exemplos recentes e conhecidos envolvendo leasing de caças Gripen e F-16, optamos por ilustrar esta matéria com fotos dessas duas aeronaves. Mas exemplos citados como o Su-27 , Mirage 2000 ou mesmo outros que possam ser levantados pelos leitores, devem ser discutidos. Por fim, deixamos claro que o Poder Aéreo não deseja, com essa matéria, defender a opção de equipar a FAB com caças via leasing e muito menos defender algum tipo específico de caça nessa modalidade. Desejamos apenas fazer algumas perguntas incômodas, que precisam de respostas num momento de possível morte do F-X2. Aos nossos leitores, desejamos um bom debate em busca dessas respostas.

Gripen no Báltico- foto D Schreier - Forças Armadas da República Tcheca

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21 COMMENTS

  1. Olhando o artigo concordo não ser a melhor situação para a resolução do problema, mas é uma solução a ser considerada.
    Apesar de não concordar, também sou a favor de comprar esses caças estocados pela Suécia (JAS 39 C/D) ou EUA (F-16 C/D) para equipar o GDA até que definam o que realmente fazer.
    A adoção de caças russos não acho viável visto a total mudança de doutrina e equipamento, principalmente devido ao alto custo de operação. Se está difícil manter o F-5 voando, imagine um SU-27 ou MIG 29?
    Um caça monomotor nesse momento é a melhor solução economicamente viável.
    Quanto aos caças franceses, creio que não vamos ter nenhum ganho com o leasing ou compra deles. Pelo contrário, visto que o 2000 já tem a fama de ser custosa sua operação e aumentar sua vida aqui seria aumentar ainda mais nossos gastos de um dinheiro que já é curto.
    Talvez (TALVEZ mesmo) a opção que poderia ser considerada dos 2000 seria a compra dos 2000-9 da EAU, que são aeronaves modernas e que dotaria nossa defesa aérea por uns 20 anos ao menos. Teriamos 60 unidades para equipar ao menos 4 esquadrões.
    http://www.aereo.jor.br/2010/09/26/e-se-os-mirage-2000-9-dos-emirados-viessem-para-a-fab/
    Vamos ver como será o andamento dos próximos capítulos.

  2. Amigos, tive que viajar e não comentei no outro post, o sobre o “fim” do FX2, então vou deixar para fazer meu comentário nesse aqui.

    A premissa desse e do outro post é de que dados os protestos contra os gastos públicos, o anúncio de uma compra de caças novos se teria tornado inviável, qualquer que fosse o escolhido. E isso com as propostas se vencendo ao final do ano, possivelmente sem perspectiva de renovação por um ou até mesmo dois dos candidatos.

    Entretanto ouso discordar da quase unanimidade. E faço isso por alguns motivos.

    O FX2 não é um programa de governo, é um programa de ESTADO. Não é o PT que precisa dos caças, é o Brasil, a nação brasileira. O reaparelhamento da Força Aérea é uma necessidade impreterível após quase 15 anos, e não é um caça tampão ou qualquer outra solução paliativa que irá resolvê-lo. O Brasil não precisa de meros 12 caças pro GDA, precisa de pelo menos 36 para diversos esquadrões até 2020, e pelo menos 120 até 2030.

    O governo está andando sobre o fio da navalha. Muita gente nesse momento está a pedir a cabeça dos petistas e do governo do PT. Multidões nas ruas estão fazendo ameaças sérias aos políticos e aos governos (federal, estaduais e municipais). Daí para se pedir a cabeça da chefe do executivo basta um pretexto.

    Por outro lado, o alto comando da FAB, leia-se Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, colocou TODO seu prestígio nesse programa. Ele não foi mantido pelo terceiro governo do PT no poder, e se manteve à disposição, mesmo após poder ter se aposentado faz tempo, no comando da FAB à tôa. Ele deve ter tido garantias pessoais de que o FX2 sairia, da forma como a FAB o planejou.

    Nesse sentido, penso que tudo que o governo do PT nesse momento NÃO precisa é de uma crise na alta cúpula militar. A alta cúpula petista fará de tudo para evitar nesse momento ter contra si uma das Forças Armadas.

    Porquê? Porque se a coisa feder ainda mais do que já está fedida, e dados os reveses seguidos da economia isso tem tudo para acontecer, são eles, os militares do alto-comando das Forças Armadas, FAB inclusa, que irão “segurar a onda” e manter a ordem democrática constitucional e o governo que, cabe lembrar, foi eleito democraticamente (embora pela minoria, dadas as falhas de nosso processo eleitoral), no poder.

    E tem mais, e aqui tenho que concordar com o Justin Case: a FAB possui uma missão constitucional, que é definida na nossa Carta Maior. Ao governo cabe disponibilizar os meios para que a FAB cumpra suas missões, e isso inclui a aviação de combate a jato de alta performance.

    Não fazê-lo poderia configurar crime de responsabilidade e, tudo que o governo do PT também não precisa é de uma oposição no Congresso se aproveitando do FX2 para iniciar um processo de impeachment da Comandante em Chefe das Forças Armadas por crime de responsabilidade.

    De modo que, amigos, penso que o FX2 irá sair, e do jeitinho que o alto comando da FAB quer e sempre quis: com a vitória do Boeing F/A-18E-F Super Hornet.

    A cidadã Dilma Rouseff ainda é a presidente eleita do Brasil. Ainda é a Comandante-em-Chefe das Forças Armadas. A cidadã Dilma Roussef ainda irá aos Estados Unidos nos próximos meses, representando o Brasil em uma visita com honras de chefe de Estado.

    Senhores: os gastos do FX2 serão a conta-gotas, e futuros. Algumas inserções bem feitas da FAB na imprensa televisiva, mostrando os caças novinhos em folha recebidos, e o povo irá esquecer qualquer protesto contra tais gastos, até porque trata-se da proposta de melhor custo-benefício das três restantes.

    Portanto, esqueçam essa de “Plano B”. Não existe “Plano B”: ou a FAB fecha o FX2, ou ela acaba como Força Aérea. E dado que o Brasil não possui uma artilharia antiaérea poderosa, isso significaria dizer que nossas Forças de Terra e Mar estariam totalmente desprotegidas e desguarnecidas de qualquer aventureiro externo.

    Algumas alas do PT e da esquerda radical podem até sonhar com isso, mas tenho a impressão que os militares, mesmo os de hoje em dia (que não são nem sombra do que já foram em outros tempos), não permitiriam que a coisa chegasse a este ponto.

    Saudações a todos.

  3. Felipe,

    tive uma opinião parecida, mas de outra forma.

    Coloquei isso em um post anterior, e vou repetir aqui: a Dilma não tem para onde correr.

    Se fecha a compra – e eu acredito que vai fechar, pois estão sendo firmados compromissos políticos de longo prazo com os Estados Unidos, pois estes precisam de alguém no Sul que os auxiliem a barrar a China – a oposição virá mordendo a jugular. Mas em outubro de 2014, tudo estará esquecido, pois há coisas muito mais graves a caminho, vide a investigação em curso do MP em uma das estatais.

    Mas se deixar o FX-2 cair de podre, com todas as consequências que isso trará, fiquem certos que a oposição adorará saber que não há caças para defender a capital. Adorará saber que caças de 40 anos estarão defendendo os céus das sedes da copa. Adorará angariar o apoio da classe militar. E fará de tudo para provocar uma crise do PT com a alta cúpula.

  4. Concordo com você Vader, mas temos que incluir na equação a questão do medo do governo (partidos governistas) de plantão em perder ainda mais apoio.

    Alguém escreveu em outro post uma comparação, muito boa, penso, que a compra dos caças é como substituir viaturas policiais. Ou as polícias ficam décadas com as mesmas viaturas?

    Em outro post cometei sobre a forma de comunicar isso à sociedade, explicando a necessidade, os ganhos e a forma de pagamento. Creio, inclusive, que a questão do pagamento deverá ser expressa no DOU.

    Enfim, é uma necessidade e é dever do Governo realizar a compra e, se necessário, defendê-la.

  5. Concordo com o Vader (caramba, a que ponto a coisa chegou, estou concordando com ele!!!! Brincadeira…).

    Ou escolhemos logo o F-18 ou fechamos os 9 Esquadrões de primeira linha.

  6. PELO FIM DO GTE!!!

    Vou bater nessa tecla atééé…. Bem, concordo com o Vader, acho que a dilmandona, num momento desses, nao vai querer arrumar mais sarna pra se coçar, e logo com os militares. E tenho pra mim que essas manifestações, INFELIZMENTE (pelo lado cívico da coisa), irão arrefecer e acabar em no maximo uns 30 dias, ate pq a Copa das Confederações ja acabou e os olhos do mundo não estão mais no Brasil, no momento (O Egito tá pegando fogo). Então, somando os palitinhos, realmente ainda temos grandes chances da “comandanta em chefa” (né assim que os petralhas querem que chamemos??), na visita a titio Obama, anunciar a vitoria dos Vespões.

  7. Pois é… E nós aqui discutindo sobre o estado deplorável da defesa aérea e seu futuro lúgubre e sombrio… E em uma galáxia não muito distante daqui o que realmente preocupa ao establishment político dessa galáxia… Deve ser horrível viver num mundo assim…

    http://oglobo.globo.com/pais/presidente-da-camara-diz-que-foi-um-equivoco-ter-dado-carona-sete-pessoas-para-jogo-no-maracana-8898346

    Em 2014, só tenho uma certeza do que estarão nas alturas: os estádios de futebol e o GTE…

  8. ASBUENO:

    Pior sou eu concordar com o Vader!!!
    Se ele desconfiar a minha origem política!!! rs

    Concordo com tudo o que ele disse!!! É o fim do mundo!!!
    Brincadeiras a parte,
    VADER, vc foi coerente em tudo o que falou.
    Tudo o que a Dilma não precisa é um problema com as FA’s.
    Nem ela, nem ninguém. Não é temer as FA’s, mas é assegurar a tranquilidade na caserna.
    Quanto ao parágrafo sobre a Dilma, Vader você foi direto e prático, mandou mensagem a alguns que insinuam a queda da presidenta. Quer alguns queiram, quer não, foi eleita democraticamente através do voto direto. Simples.
    Não é interessante pra ninguém uma crise institucional agora e nem depois.
    Acredito piamente que em breve teremos a solução para os caças.
    Setembro sim, acham que a Dilma vai gastar essa bala na agulha?
    Acredito que não…
    Enfim…
    É esperar para ver…

    Dilma: me aposenta!!!

  9. Vader,
    você está coberto de razão. Disse mais ou menos isso em outro post sobre o tema. Pode não ser o FX-2 da forma que foi colocado ou na quantidade que foi colocado, mas alguma sai este ano. E já.

  10. dez anos atras, o Presidente da Lockheed Martin disse que o FX nao saia (nunca) – e nao vai sair nunca, jamais vai haver uma ‘conjuncao astral’ correta para a sua compra, deveriamos ter comprado o Rafale quando podiamos, o que vem e’ outro leasing ou compra de oportunidade, o FX3 fica para 2023.

  11. Acredito que, no final das contas, o governo vai mesmo adotar um leasing de caças dos EUA ou utilizar os F-5 no GDA. Na minha opinião é jogar dinheiro fora no caso do leasing. Em nosso país, tudo que não é de interesse do governo não é feito e, nesse caso a substituição dos caças, pois se fosse para resolver já teria resolvido – essa história tem pelo menos 15 anos!!!!
    Assim , vou dizer algo: o governo não quer substituir a defesa aérea do país e está a cada dia deixando isso mais claro.
    Um abraço a todos.

  12. Senhores,

    I want believe too!

    Infelizmente não dá.

    E, para rebater os argumentos do Vader, penso o seguinte:

    Primeiro, vocês acham que a Incompetenta, com a casa pegando fogo, vai pensar em resolver o FX-2? Para a nossa desgraça, não houve nenhuma passeata reivindicando a solução para o FX-2, então, geladeira para ele.

    Segundo, o GF não está nem aí para o apagão da aviação de caça; tantos outros assuntos mais sérios foram tratados com desleixo, preguiça e leniência, então porque haveria competência e interesse para resolver um problema da FAB?.

    Terceiro, o Brasil não é o Egito; o risco da tropa sublevar-se, na atual situação, é zero, vindo ou não os novos caças. Os militares só sairiam dos quartéis para derrubar o governo se houvesse sério risco à ordem institucional, e se este risco fosse causado pela própria presidente, o que não é o caso.

    Quarto, o FX-2 não é, nunca foi e nunca será prioridade para o governo do PT e por isto até hoje não foi resolvido. Para tanto, inventaram-se as mais diversas desculpas, como todos aqui bem acompanharam. A verdade é que antes a prioridade era a reeleição; agora, é impedir que o barco afunde. E para isto, dá-lhe atender as reivindicações das ruas, ou, no máximo, fingir que se atende.

    A FAB, se quiser permanecer com uma aviação de caça digna deste nome, terá que buscar uma solução pelos seus próprios meios. Espero que seja através do leasing dos Gripen.

  13. Observador disse:
    3 de julho de 2013 às 17:27

    Amigo Observador, a FAB e as FFAAs em geral não precisam “derrubar” o governo para criar o caos, em caso de uma crise militar. Há mil coisas que as forças podem fazer para botar o governo no mato com onça e sem cachorro.

    Basta por exemplo que elas se recusem a fazer o serviço de segurança durante a Copa do Mundo do ano que vem, por exemplo. Ou vc acha que a Tarso Air Force e a Gestapo do PT darão conta de segurar os protestos que IRÃO ocorrer?

    Você acha que a gringaiada para a qual será realizado tal evento irá vir se souber que o pau tá comendo e o Exército tá nos quartéis?

    Basta que a FAB, por exemplo, comece a fazer operação padrão no controle de tráfego, e acabou a Copa do Mundo.

    De modo que insisto: tudo que o governo do PT não precisa agora é de uma confusão com os milicos.

    E acredite-me: “elles” sabem disso.

    Sds.

  14. Observador disse:
    3 de julho de 2013 às 17:27

    “Primeiro, vocês acham que a Incompetenta, com a casa pegando fogo, vai pensar em resolver o FX-2? Para a nossa desgraça, não houve nenhuma passeata reivindicando a solução para o FX-2, então, geladeira para ele.”

    Isso quem resolve não é ela, é a FAB. Ela apenas assina o cheque. E volto a afirmar, muito mais m#$%@ vai boiar nesse lago, então o FX-2 já estará esquecido em 2014. Ainda considero essa a hora.

    “Segundo, o GF não está nem aí para o apagão da aviação de caça; tantos outros assuntos mais sérios foram tratados com desleixo, preguiça e leniência, então porque haveria competência e interesse para resolver um problema da FAB?.”

    A partir do momento em que houver compromissos com uma outra potência, far-se-á necessário um pouco mais de ação. Ou será que a Dilma irá ser recebida em Washington com honras de chefe de estado apenas por mera formalidade?

    “Terceiro, o Brasil não é o Egito; o risco da tropa sublevar-se, na atual situação, é zero, vindo ou não os novos caças. Os militares só sairiam dos quartéis para derrubar o governo se houvesse sério risco à ordem institucional, e se este risco fosse causado pela própria presidente, o que não é o caso.”

    Pode ser, mas será mais um fator de desgaste para o PT, do qual a oposição poderá tirar proveito, caso fique evidente a insatisfação do CAer.

    “Quarto, o FX-2 não é, nunca foi e nunca será prioridade para o governo do PT e por isto até hoje não foi resolvido. Para tanto, inventaram-se as mais diversas desculpas, como todos aqui bem acompanharam. A verdade é que antes a prioridade era a reeleição; agora, é impedir que o barco afunde. E para isto, dá-lhe atender as reivindicações das ruas, ou, no máximo, fingir que se atende.”

    Repito minha segunda resposta.

    “A FAB, se quiser permanecer com uma aviação de caça digna deste nome, terá que buscar uma solução pelos seus próprios meios. Espero que seja através do leasing dos Gripen.”

    Espero que não precise.

    [ ]’s!

  15. Amigos,

    Meu comentário foi parar no artigo errado. Sorry! 😳
    Aqui está:

    A opção de leasing existe, mas há vantagens e desvantagens. O Nunão apresentou alguns exemplos em que isso foi realizado, mas acho que posso acrescentar algumas observações.
    Obviamente, leasing de avião de caça não é o mesmo que leasing de avião comercial ou de veículo automotor. Essas diferenças são importantes.
    Também podemos considerar que os aviões não serão comprados ao final da operação de leasing, pois não nos interessa ficar com esses aviões já “encostados” pelo país de origem, alguns por obsolescência, outros devido ao inadequado custo/benefício.
    1. Um avião de caça exige uma infraestrutura especial para a operação e para a manutenção, além de treinamento. Isso requer investimento. Qualquer investimento para essa operação terá custo semelhante ao de uma compra, e isso não poderá ser “devolvido”.
    2. Os aviões não estão disponíveis para pronta entrega (necessitam de revisão e adaptação), o que também requer investimento e exige tempo.
    3. Se os aviões vão ser devolvidos, que tipo de modificação seria aceitável pelo país fornecedor? Poderiam ser alterados os equipamentos de comunicação, por exemplo, para incluir um data-link nacional?
    4. Leasing normalmente exige que se pague seguro. Qual o valor de seguro para operações de treinamento? E para operações de guerra?
    5. Quando não se tem a propriedade do bem, o país proprietário (é país, não empresa, no caso de avião de caça) tem direito a controlar o uso que é feito do bem cedido. Quando deve ser solicitada uma autorização formal do país proprietário?
    – para inserir modificações?
    – para alterar metodologia de manutenção ou contratar outra empresa para efetuar grandes serviços?
    – para efetuar uma operação conjunta com outro país ou no exterior (risco de vazamento de segredos do projeto)?
    – para fazer guerra ou qualquer uso militar (contra quais “inimigos” internos ou externos o avião pode ser usado)?
    – para aumentar o número de horas que cada célula está autorizada a voar?
    6. O que fazer ao término do período de leasing?
    – teremos que desfazer as modificações?
    – teremos que entregar os aviões completos e revisados (isso não é comum quando se desativa uma frota)?
    – se quisermos prorrogar o período de leasing, isso será autorizado?
    – quanto custará o novo período (lembrar que estaremos amarrados à solução, pelos investimentos feitos)?
    7. Com opção por leasing ou compra de TAMPAX, veremos que isso tira a urgência e a pressão por um avião de caça decente (para o Governo). Isso nos leva a crer que isso só seria vantajoso se esse fornecimento estiverno mesmo contrato de compra das novas aeronaves F-X e se houver certeza de que os investimentos na infraestrutura de operação poderão ser adequadamente aproveitados pela nova aeronave F-X.
    Há outras observações referentes a tempo de implementação da solução, que vou deixar para outro comentário.
    Abraços,

    Justin

  16. Amigos, continuando então…

    Sobre o tempo de implementação de um TAMPAX, segundo nossa experiência prévia:
    TAMPAX F-5M Jordanianos: contrato de compra em 2007 – disponibilização para a FAB em 2015(?). Incluindo a modernização, 8 anos requeridos.
    TAMPAX F-2000: contrato em julho de 2005 – disponibilização da última aeronave em outubro de 2008. Incluindo a negociação, 4 anos.
    1. No tempo necessário para para implementar uma solução TAMPAX, estimamos:
    – Processo de seleção, com visitas e inspeções (se houver): seis meses
    – Processo decisório (caso não esteja atrelado a um contrato de F-X): três meses
    – Negociação contratual: seis meses
    – Apenas com adequação e revisão das aeronaves: três meses por aeronave = três anos para doze aeronaves.
    – Com revisão e modernização das aeronaves: desenvolvimento, ensaios e industrialização (três anos) + produção (três anos) = seis anos
    2. Verificamos então uma previsão de quatro anos para TAMPAX no estado e sete anos para TAMPAX modernizado.
    3. O problema do tempo de revisão (que eu estimei em três anos) é devido a:
    – Os aviões a serem disponibilizados para cessão certamente não são os que acabaram de fazer revisão maior e que têm grande disponibilidade de horas.
    – O Brasil não iria querer trazer os TAMPAX com menos horas disponíveis do que as necessárias para cumprir o mandato tampão, pois isso iria requerer um aumnto significativo na infraestrutura, no suprimento de spare parts para as grandes revisões e no treinamento.
    – Quem faz as inspeções no exterior normalmente é a Força Aérea, embora alguns países contratem empresas para essa tarefa.
    – Independentemente do caso, as linhas de revisão estão dimensionadas para realizar as inspeções das aeronaves ativas. Isso tanto na capacidade de trabalho como na previsão de spare parts.
    – As forças aéreas não vão interromper suas revisões programadas para incluir doze aeronaves brasileiras. Elas seriam intercaladas na fila, numa razão que não prejudicasse os trabalhos para a força aérea local.

    Vemos então que a implementação de um TAMPAX externo é inadequada, a não ser que se imagine receber os F-X daqui a mais de oito anos, pois não se poderia recuperar o investimento feito.
    No caso de F-X Super Hornet ou Rafale, que podem entregar aviões três anos após o contrato, TAMPAX é inútil. Temos que resolver o problema com os meios locais (F-2000, F-5M ou A-29, embora esse último não possa ser considerado solução para o policiamento do espaço aéreo).
    A única opção que requer TAMPAX (que poderia ter status operacional em três anos) é a do Gripen. Teria que ser tomadas precauções extras para a possível extensão do período tampão, pela incerteza no desenvolvimento da aeronave. Ainda faltaria decidir o que fazer com o GDA nos três primeiros anos, até que pudéssemos receber o indesejado TAMPAX.
    Isso tudo, é claro, se o Governo e a Sociedade ainda quiserem ter Força Aérea. Se não houver F-X, acho que se pode providenciar a mudança da Constituição e da missão da FAB.
    Obs.: É opinião.

    Abraços,

    Justin

    • Caro Justin

      Mais um comentário irrefutável. Com muitos dados técnicos e cronograma sensato.

      Mas a questão é a seguinte: o governo brasileiro já enrolou por mais de 15 anos para ter caças novos. E só Deus sabe quando é que uma decisão será tomada.

      Se tivéssemos um TAMPAX em três anos, ainda sairíamos no lucro (se é que se pode chamar isso de lucro).

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