F-X3 da Coreia do Sul: faltam poucos dias para acabar o leilão ‘quem dá menos’

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    F-15 Silent Eagle - foto Boeing

    O próximo dia 28 de junho será decisivo para o programa de mais de US$ 7  bilhões, que visa comprar 60 novos caças

    Segundo matéria publicada no site Defense News no sábado passado, 22 de junho, o programa F-X3 da Coreia do Sul entrou em sua fase final, com as últimas ofertas a serem submetidas até 28 de junho. Deverá ser o ponto culminante de 10 dias de manobras dos três competidores, a Lockheed Martin com o F-35A, a Boeing com o F-15 SE (Silent Eagle) e a EADS com o Eurofighter Typhoon.

    O F-X3 é a terceira e última etapa do longo programa “F-X” que visa incorporar 120 jatos de combate avançados até 2020, substituindo antigos caças F-4 Phantom II. Nas duas etapas anteriores, o vencedor foi o F-15, que vem sendo entregue à Coreia do Sul na versão F-15K.

    Nesta fase final do F-X3, os competidores devem submeter os preços de seus caças e sobressalentes à Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) da Coreia do Sul. O processo termina no dia 28 de junho, quando os competidores deverão reenviar ofertas várias vezes por dia, segundo o porta-voz da DAPA, Baek Yoon-hyung.

    Segundo Baek, “a linha de base é se os ofertantes fizerem propostas de preços acessíveis, abaixo do orçamento alocado de 7,4 bilhões. Ainda que um competidor ofereça um preço dentro do orçamento, a DAPA poderá requisitar que eles submetam preços mais e mais vezes, para encorajar a competição”.

    Segundo observadores ligados à indústria, nas fases de avaliação operacional e de propostas de offset, os competidores correram cabeça a cabeça, e  acredita-se que o F-35 tenha atingido pontuações maiores nos requerimentos de furtividade, enquanto o  F-15SE tem como pontos fortes sua grande capacidade de carregar armas, além da compatibilidade com a frota existente de F-15K. Já o Typhoon oferece uma renomada capacidade ar-ar e a EADS, que desenvolve a aeronave, oferece propostas atrativas para ajudar no programa de desenvolvimento de um caça sul-coreano.

    Eurofighter Typhoon número 100 para a Força Aérea Alemã - foto Eurofighter

    Porém, essa fase final de ofertas de preço, que inclui tanto os custos de aquisição quanto os operacionais, responde por 30% do total da avaliação. E é justamente nessa questão de garantia de preços do concorrente F-35, de modo a evitar possíveis flutuações, que a DAPA vem travando uma espécie de “cabo de guerra” com o Governo dos EUA para que garanta um preço fixo por aeronave, segundo uma fonte da DAPA.

    Por seu lado, a Lockheed Martin minimiza essa preocupação. Dave Scott, executivo ligado ao programa do F-35 para clientes internacionais, afirmou que na maioria das vezes os preços finais relativos a acordos FMS (vendas militares ao exterior) com a Coreia do Sul ficaram abaixo do estimado inicialmente.

    Especula-se que a Boeing tenha uma vantagem no quesito preço, devido à infraestrutura já estabelecida na Coreia do Sul para o F-15, o que diminuiria os custos operacionais e de manutenção. Alguns especialistas dizem, porém, que o F-15 Silent Eagle poderá se tornar um jato caro, pois depende de muitas modificações e há poucos países interessados no programa, que depende de investimentos internacionais. Mas segundo Howard Berry, vice-presidente para vendas da Boeing, foi feita uma oferta muito acessível e atrativa ao país.

    Já o Typhoon é visto como atrativo em preço, segundo especialistas, pois é o único modelo dos três atualmente em produção, tendo sido exportado para outros países. Isso daria mais estabilidade ao preço. Porém, questiona-se os custos de apoio logístico para a Coreia do Sul, que raramente operou aeronaves europeias. Por seu lado, o diretor executivo do consórcio Eurofighter, Alberto Gutierrez, listou a concorrência sul-coreana entre os alvos primários do grupo.

    F-35 - foto Lockheed Martin

    Quanto aos offsets, os competidores oferecem propostas industriais, destacando-se alguns itens. Por parte da Lockheed Martin, estão o apoio aos esforços sul-coreanos para desenvolver e lançar um satélite de comunicações militares, além de um sistema de simulação de campo de batalha no estado da arte para os aviadores, chamado LVC (live virtual constructive).

    A Boeing, além da promessa de fornecer um LVC, também oferece participação de US$ 1,2 bilhão em projeto, desenvolvimento e fabricação de partes, além do estabelecimento de instalações de manutenção, reparo e revisão de aviônicos no país, atendendo também à frota atual de F-15K.

    A EADS prometeu investir 2 bilhões no desenvolvimento do caça KF-X sul-coreano, e propôs também que a Coreia do Sul monte 53 dos 60 caças Typhoon, além de oferecer transferência de tecnologias que incluem a do míssil ar-ar Meteor, da MBDA.

    FONTE: Defense News (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

    FOTOS: Boeing, Eurofighter e Lockheed Martin (por ordem alfabética de fabricante)

    NOTA DO EDITOR: enquanto a Coreia do Sul chega aos momentos finais de decisão de seu programa F-X3, no qual concorre até mesmo um caça de quinta geração, no Brasil a fase final e decisiva do programa F-X2 de caças de quarta geração se arrasta há anos. E tudo isso com um agravante: enquanto os programas sul-coreanos “F-X” e “F-X2” efetivamente chegaram a decisões e levaram à compra de caças, o nosso F-X original foi cancelado sem qualquer decisão ou aquisição e as ofertas dos três finalistas do F-X2 chegam perto do limite em que ainda podem ser revalidadas, com as fases anteriores de avaliações técnicas já cumpridas há vários anos.

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    Soyuz
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    Soyuz

    Os Sul Coreanos se propõe a pagar R$ 7bi por 60 caças. Os brasileiros receberam propostas na faixa de US$ 6 por 36 caças o que dá 43% a mais que os Sul Coreanos, que estão analisando três caças que na minha opinião estão um pouco acima dos finalistas do FX, especialmente o F-35. Ironicamente a desculpa para o FX ser tão caro é a “transferência de tecnologia”, os sul coreanos parece que não estão muito preocupados com isto, querem maximizar o seu orçamento. Eles compram de prateleira e nós com ToT esta é a diferença? De forma alguma. A… Read more »

    Justin Case
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    Justin Case

    Soyuz, boa tarde. As coisas evoluem. Existe uma necessidade, vêm os requisitos, faz-se um estudo de viabilidade e, dele, imagina-se a necessidade de recursos. Isso acontece no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia e também vai acontecer na Coreia. No Brasil, imaginava-se gastar US$ 700 milhões no F-X1 e US$ 2 bilhões no F-X2. Qual a média dos pacotes ofertados? Nos Estados Unidos, quanto se esperava despender com os F-35? E a Índia? Esperava gastar US$ 10 bilhões com o MMRCA e provavelmente irá precisar do dobro. A Coreia também vai cair na real quando chegarem as ofertas e forem… Read more »

    Soyuz
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    Soyuz

    Concordo com a visão Justin de que requisitos evoluem. Mas discordo do diagnóstico do porque os preços sobem. A questão para mim é mais politica do que tecnológica ou comercial. Fabricantes de armas e governos se entendem e os preços disparam, o motivo? Bem, todos nós seja do meio seja entusiastas sabemos bem qual é. Eu acredito que a Coréia do Sul esta fazendo o correto, leiloando para baixo. Como os suecos também habilmente conseguiram manter preços sobre controle na execução do programa Gripen. Eu estava lendo tempos atrás um material russo sobre o programa da Classe Yassem. O preço… Read more »

    Justin Case
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    Justin Case

    Soyuz, Quanto ao crescimento dos custos durante a execução, há vários fatores que posso imaginar (SEM CITAR OS ILEGÍTIMOS, ILEGAIS, ANTIÉTICOS), a maioria deles ligada à longa duração dos projetos, que podem passar de uma década de produção. 1. Alterações nos requisitos para se adequar à melhor tecnologia disponível. Ninguém quer ter sistemas já superados quando for receber a aeronave/produto. Muitas vezes decide-se fazer, pelo menos, uma provisão em hardware para novas soluções que vão surgir. 2. Atrasos nas encomendas. Manter uma linha ativa com cadência de produção inferior à prevista aumenta os custos, principalmente quando o produto envolve uma… Read more »

    Justin Case
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    Justin Case

    Soyuz,

    Esqueci um detalhe. Em vários países é comum e legal aplicar recursos extras para a conclusão do contrato. No Brasil, o normal é 25%, mas, para reformas ou modernizações, pode chegar a 50%.
    Abraço,

    Justin

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    Observador

    Pois é.

    Nós não resolvemos o FX-1, não vamos resolver o FX-2 e eles já estão para bater o martelo no seu FX-3! 😀

    País desenvolvido é isto aí!

    Eta “nóis”…