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Prefeito de São Paulo pede à FAB para acabar com aviões no Campo de Marte

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PAMA-SP 2012 - 22set - Tucanos do EDA -  foto 3 Nunão - Poder Aéreo

vinheta-clipping-aereoPara viabilizar a construção dos prédios do Arco do Futuro, projeto urbanístico que foi sua promessa de campanha, o prefeito Fernando Haddad (PT) quer tirar os aviões do Campo de Marte e transformá-lo apenas em heliporto. Um pedido formal da Prefeitura chegou nesta semana ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica.

Hoje, o entorno do Campo de Marte não pode ter prédios altos, sob risco de interferir na segurança de pousos e decolagens de aviões. Segundo Haddad, isso “comprometeu o desenvolvimento da zona norte de São Paulo”. “Essa área (do aeroporto) vai ser cedida para um novo planejamento urbano. Não teremos mais aviação geral, apenas o heliporto do Campo de Marte. Já estamos negociando com a Presidência da República a retirada da chamada asa fixa do aeroporto”, disse o prefeito há alguns dias, durante lançamento das audiências públicas do Plano Diretor.

Como a movimentação apenas de helicópteros dispensa o espaço reservado para aproximação dos aviões (conhecido como “cone”), a ocupação da vizinhança passaria a ser mais flexível. “Não é um projeto apenas da cidade. Afeta toda a zona metropolitana. Nós abriríamos um espaço de desenvolvimento da zona norte, que ganharia muito em qualidade de vida.”

O Decea ainda não deu um parecer definitivo à Prefeitura, mas pilotos e usuários do Campo de Marte são contra a restrição. “Com a atual estrutura, é inviável. O Campo de Marte conecta São Paulo a mais de mil cidades brasileiras, enquanto a aviação comercial voa a 140 destinos. Sem ele, a cidade perde muito da sua capacidade de negócios”, diz Rodrigo Duarte, presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe).

O Campo de Marte recebe, em quantidade de voos, mais operações do que um aeroporto internacional como o de Viracopos, em Campinas. Em 2012, foram 143 mil pousos e decolagens, ante 115 mil em Viracopos.

Opções

Para fechar o Campo de Marte, Haddad sugere viabilizar projetos de aeroportos na Grande São Paulo que absorveriam a demanda da aviação executiva. Por enquanto, nenhum saiu do papel, mas pelo menos dois são oficiais e têm projetos protocolados na Secretaria de Aviação Civil.

Um, provisoriamente chamado de Aeródromo Privado Rodoanel, seria em Embu-Guaçu, perto do Trecho Sul do Rodoanel. O outro, da JHSF, é previsto para São Roque, a 70 km da capital. “Isso aumentaria ainda mais o uso de helicópteros, porque você teria de voar do aeroporto até o centro de São Paulo. No Campo de Marte, é só sair de carro “, diz o engenheiro aeronáutico Jorge Leal Medeiros.

Disputa

Como se não bastasse a polêmica de uso, o Campo de Marte ainda é alvo de uma disputa judicial que se arrasta há 55 anos. Prefeitura e União alegam ser donas da área de mais de 2 milhões de m² do aeroporto, que teria sido tomada do Município pelo governo federal na Revolução de 1932. Só em 1958 a briga foi parar nos tribunais e, em 2005, o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3) afirmou que o terreno pertencia à União. A Prefeitura recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ganhou. A União recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, desde o ano passado, a disputa aguarda o parecer final dos ministros do Supremo.

Campo de Marte - Infográfico Agência Estado

FONTE / MAPA: O Estado de S.Paulo (reportagem de André Cabette Fábio e Nataly Costa)

NOTA DO EDITOR: é possível que a restrição do Campo de Marte para aeronaves de asa fixa, permitindo apenas o uso de helicópteros, inviabilize a continuidade de boa parte das atividades do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), organização da FAB responsável pelas grandes inspeções de aeronaves F-5M e C-105 Amazonas, além da fabricação e revisão, em conjunto com o CELOG (Centro Logístico da Aeronáutica, localizado no mesmo lado da pista do aeroporto civil), de uma grande quantidade de peças e sistemas de várias aeronaves da Força Aérea.

F-5F ex-jordânia FAB 4812 em carreta no PAMA-SP em 1dez2012 - foto Nunão - Poder Aéreo cópia

Apesar dos caças F-5M que passam por revisão nas instalações do PAMA-SP não decolarem nem pousarem de sua pista (para isso, utilizam as pistas do Aeroporto Internacional de Guarulhos / Base Aérea de São Paulo e são transportados de carreta para o Campo de Marte – vide foto acima), o Parque também realiza as grandes inspeções nos aviões de transporte C-105 Amazonas da FAB (na foto abaixo, uma aeronave do tipo parcialmente desmontada para revisão, no interior de um hangar), que para isso pousam e decolam de sua pista. Além disso, o transporte rápido de peças tanto para o PAMA-SP quanto deste para unidades operacionais da FAB é comumente realizado por aeronaves de transporte da Força Aérea, o que também poderia ser inviabilizado.

C-105 em revisão no PAMA-SP 2011 - foto Nunão - Poder Aéreo

Vale acrescentar que existem planos de mudança do PAMA-SP para outra localidade, o que incluiria a unificação de mais de um PAMA no novo local. Porém, como diversos outros projetos para mudanças de unidades da FAB (tanto operacionais quanto de apoio) para outras localidades, essa proposta incorre em altos custos, precisando de alocação de verbas que são necessárias, por hora, em outros programas.

Evidentemente, com o fim dos voos de aeronaves de asa fixa no Campo de Marte, eventos de Portões Abertos com exibição da Esquadrilha da Fumaça e outros aviões não contariam mais com a sua pista para decolagens e pousos, assim como para passagens baixas.

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16 COMMENTS

  1. Esse é o problema de se permitir financiamento de campanhas por particulares. Depois de eleito, o político tem que fazer valer o “investimento” que fizeram nele. No caso desse prefeito aí, está mais que claro quem foi que o financiou.

  2. Impossível comentar sem politizar o assunto.

    Li hoje que esse mesmo prefeito vai permitir que aumente a lotação nos ônibus de São Paulo de 5 passageiros por m² para 6 e, isso não era a promessa de campanha mas sim aumentar o conforto e nº de ônibus porém, está preocupado com “projetos urbanísticos” que ficam acima da terra pois esse é do tipo que dá votos. E ter a coragem de dizer que o aeroporto vem atrapalhando o desenvolvimento da zona norte de São Paulo é muita cara de pau.

    Por outro lado, eu quero mais é que o povo em geral se dane cada vez mais; pode ser que assim algum dia aprendam como votar.

  3. Não resisto, se os editores quiserem cortar fiquem à vontade mas, preciso lembrar da nomeação do novo ministro da “pequena e média empresa” do tipo “ministério da pesca”.

    Mais um ministério para acomodar aliados, com orçamento pífio (R$ 7 milhões) que teriam mais valia para outras coisas muito mais urgentes, cujo ocupante se elegeu pela oposição a este mesmo GF mas, que afirmava a “presidenta” ser um piloto de teco-teco que recebeu um Boeing para comandar mas, agora afirma que a “presidenta” aprendeu rápido e ainda, acumula o cargo de vice-governador onde o estado é comandado pela oposição!!!! E tudo isso passa pela “opinião pública” e consolidado a cada eleição.

    No Brasil só existe esquerda e “centrão” …….

  4. off topic

    Paul Hellyer, ex Ministro da Defesa do Canadá, afirmou, em audiência pública em Washington, reconhecer ao menos quatro espécies de seres extraterrestres que habitariam o planeta e que alguns estão trabalhando para os EUA. (Terra)

    Aguardo a palavra de Lord Vader!!!

  5. Precisamos de mais aeroportos e que estes sejam bem estabelecidos e não perdê-los.

    O pior não seria os “prejuízos o PAMA” mas a perda de um local apropriado a operação de aeronaves executivas e de turismo. Congonhas paga pela falta de politicas que o deixassem ser mais amplo e seguro. Este aeroporto surgiu na década de 30 e hoje é um porta-aviões! Se tivessem feito a coisa certa desde sempre, poderia hoje ser um aeroporto com operações muitíssimo mai seguras.

    Marte foi pelo mesmo caminho e agora querem matá-lo. Já li que poderia até receber voos regionais. Mas porque querer trazer soluções para a comunidade em geral se uns poucos podem ser favorecidos?

  6. É a velha estória…
    O aeroporto chega primeiro
    A população vem construir perto do aeroporto
    Agora o aeroporto é um transtorno
    Tiram o aeroporto do lugar (no caso castram ele)

    Sou contra.

  7. Uma parcela dos moradores da Barra já se encontra pedindo a desativação do Aeroporto de Jacarepaguá (que fica na Barra pra quem não conhece).

    O motivo que eles alegam, é o ruído dos S76, S92, Esquilos e Robsons o dia todo. Deram abitz para uma construtora levantar um espigão de 20 andares a 2Km da cabeceira da pista. Mais uma tragédia anunciada.

    Daí colocamos nossa aviação executiva onde? Nova Iguaçu? Devem estar brincando.

  8. “asbueno disse:
    10 de maio de 2013 às 13:56
    Precisamos de mais aeroportos e que estes sejam bem estabelecidos e não perdê-los.
    O pior não seria os “prejuízos o PAMA” mas a perda de um local apropriado a operação de aeronaves executivas e de turismo.”

    Asbueno, apenas lembrando que a nota do editor citou a questão do PAMA-SP pois esta não é abordada na matéria original, que trata de alguns dos problemas que traria a perda do aeródromo para aviões executivos e de turismo.

    Senhores,

    Quanto à politização do tema, sei que é difícil evitar ligar o assunto à política e à sua ligação com a especulação imobiliária, mas esse lenga-lenga e queda-de-braço em relação ao Campo de Marte vem de bem antes da administração do atual prefeito, como mostra a própria matéria (e não estou querendo defender o Haddad com essa observação, deixo bem claro).

    Eu gostaria que a discussão fosse mais para os eventuais prejuízos à aviação, seja executiva, de turismo e militar, assim como alternativas viáveis, se é que existem. Isso porque, seja lá qual for o prefeito, esse é um assunto recorrente.

  9. Nunão, eu apenas quis ser irônico com a situação mencionando o PAMA.

    Neste país pensa-se, via de regra, em soluções complexas para resolver a maioria dos problemas. Extinguir Marte e criar aeroportos distantes do centro de sampa não parece ser bom. Pensa-se no “desenvolvimento urbano” e não no aeroportuário (proprietários e usuários do sistema).

    Construiu-se Cumbica na década de 80, uma época com políticos menos nocivos, embora a iniciativa tenha sido de Maluf… Haviam planos para ampliação de Viracopos, com posição muito mais favorável, meteorologicamente falando, mas não. A questão das pistas muito próximas também é uma piada. recentemente o Galeão teve ampliação em sua estrutura sendo que Cumbica é que exigia tal reforma.

    Com relação a Congonhas, Marte, Pampulha… tivessem estabelecido um perímetro de, sei lá, 10 km, estes aeroportos estariam vivíssimos hoje, valorizados e extremamente úteis. AInda são.

    Só o interesse fe pessoas ou de grupos de pessoas/empresas é que explica. Pobres de nós, à mercê de políticos medíocres e/ou bandidos.

  10. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    10 de maio de 2013 às 21:25

    Nunão, pois eu acho que tem mais é que fechar mesmo.

    O povo de São Paulo num elegeu o PT?

    Então São Paulo não está nem aí pros “ricaços” que andam de avião e helicóptero. Não está nem aí pros empresários, pros diretores, executivos e consultores de grandes empresas e conglomerados, etc.

    E assim as empresas vão aos poucos se mandando pra Barueri… pra Osasco… pra Jundiaí… pra Sorocaba… e pra minha Campinas e região que, ainda bem, tem inúmeros aeroportos disponíveis pra vôos regionais, além de um internacional!!! 🙂

    A cidade de São Paulo não quer os empresários, diretores, consultores e executivos voando por perto deles?

    Ok, fiquem com os “nóia” e os funkeiros então…

    A gente cá em Cps aceita os empresários, diretores, executivos, etc… 😉

    Sds.

  11. Um dos problemas de prefeituras é que elas pensam o micro.

    Em outras cidades o mesmo problema acontece. Em Curitiba por exemplo vôos regionais estão proibidos no aeroporto Bacacheri. O motivo? Medo de um avião cair nos bairros adjacentes.

    Do lado emocional os moradores se sentem seguros, na prática é muito mais fácil um avião particular, comandado por um piloto de final de semana e mantido em uma oficina fundo de quintal, cair por lá do que um ATR de uma empresa regular.

    Campo de Marte representa o futuro da aviação em SP, com melhorias ele pode absorver parte do trafego executivo de Congonhas, tornando a solução boa para todos os lados, mas prefeitos em seu microcosmos de construtoras, vereadores, secretários de obra, lideres comunitários vão na contra mão do racional.

    Sempre digo: Se você quer conhecer a mentalidade politica do Brasileiro, não olhe para a esplanada dos ministérios e sim para as prefeituras. Lá a verdadeira cultura politica do cidadão brasileiro esta representada!

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