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Discurso de despedida da COPAC

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Passagem COPAC

Maj Brig Ar Carlos de Almeida Baptista Jr

 

vinheta-destaque-aereocopacComo já tive oportunidade de colocar aos meus comandados da COPAC, tenho uma admiração especial por um poema do mestre Carlos Drummond de Andrade – cortar o tempo – no qual ele registra seu respeito por quem “anualizou” o tempo. Ensina-nos o poeta que o período de um ano nos leva ao limite da exaustão, sendo suficiente para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Entretanto, é nesta hora, em que mais um ciclo anual se completa, que ocorre o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente. É a esperança se renovando.

Neste 4 de abril, ao completar exatos dois anos da minha assunção como presidente da COPAC, não haverá outro número para simbolizar este novo ciclo… Pelo menos pra mim, nesta posição.

Mas um novo período estará sim começando, dentro de poucos minutos, sob a liderança, a experiência e as convicções do brigadeiro Crepaldi, oficial que reuniu, nos seus onze anos como membro desta comissão, todas as condições técnicas e de personalidade para a desafiadora missão de presidi-la. Parabéns, amigo. Que não lhe falte sabedoria para as decisões difíceis, saúde em todos os momentos e os recursos necessários para o cumprimento das atribuições. Seja muito feliz neste novo período de sua vida, juntamente com seus familiares. Conte sempre comigo.

Voltando à questão do tempo, preciso voltar no tempo e agradecer, mesmo que brevemente, para respeitar o tempo, àqueles que me apoiaram nesta difícil e empolgante tarefa.

Tenente Brigadeiro Saito – além do permanente apoio, de suas orientações e total confiança no meu trabalho, agradeço pela amizade pessoal com que fomos distinguidos, eu e minha família, em mais este período. Por diversas vezes o senhor compartilhou comigo seus pontos-de-vista, estratégias e apreensões sobre diversos assuntos da Força, e isto me facilitou na escolha dos melhores caminhos e na superação dos obstáculos acerca dos projetos a cargo da COPAC. Obrigado comandante, por tudo que recebi do senhor nestes dois anos, e que tenho certeza não me faltará como comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro.

Com a mesma gratidão, registro meus agradecimentos ao Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Azevedo, igualmente decisivo nas vitórias da COPAC neste período do meu comando. A experiência em diversas áreas, inclusive como presidente da COPAC por mais de três anos e meio, a capacidade de v. Exa. para escutar a todos, ponderar e emitir as diretrizes mais adequadas são uma escola permanente para todos nós, líderes e liderados que temos o privilégio do seu convívio. Muito obrigado pelo seu apoio, como Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica, chefe do EMAER e meu amigo.

Ao meu comandante direto, Tenente-Brigadeiro Pohlmann, Diretor-Geral de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, agradeço pela compreensão sobre minhas limitações e excessos, e pelo fácil relacionamento pessoal. Entendo não ser fácil, comandante, ter nesta estrutura tão hierarquizada uma organização militar como a COPAC, que exige, para o bom cumprimento de sua missão, o desenvolvimento e manutenção de relações que em muito extrapolam esta cadeia hierárquica. Neste sentido, sua confiança no meu trabalho veio através do seu envolvimento nas questões realmente relevantes, deixando-me exercer, na plenitude, este comando. Muito obrigado.

Neste ponto, aproveito para agradecer, também, a todos os homens e mulheres da estrutura organizacional do DCTA, sem os quais nossa missão não pode ser cumprida.

A todos os integrantes dos órgãos de direção geral, setorial e de assessoria do Comando da Aeronáutica, deixo meu reconhecimento pelos esforços que uma organização como a COPAC exige. Sem seus apoios, não teríamos os recursos pessoais e materiais, a capacitação profissional indispensável ao nosso efetivo, as orientações logísticas, técnicas e operacionais a serem consideradas nos sistemas sob nossa responsabilidade. Sem cada um dos apoios que recebemos dos senhores e senhoras, não teríamos realizado nossa missão. Muito obrigado.

Da mesma forma, deixo aqui registrado meu agradecimento a todos os órgãos, públicos e privados, que apoiaram o cumprimento da nossa missão. Somos parte de uma corrente, trabalhando por uma Força Aérea e um Brasil mais forte e seguro.

Fazendo parte integrante desta estrutura de desenvolvimento, aquisição e implantação de sistemas para o comando da Aeronáutica, ocupa lugar especial a Indústria de Defesa, constituída por diversas empresas com as quais trabalhamos rotineiramente, muitas delas representadas nesta solenidade. A vocês dedico meus agradecimentos pela cordialidade, sentido de parceria e profissionalismo. A vocês, também, peço que me acompanhem em uma reflexão.

Desde sua criação, a Força Aérea Brasileira identificou a necessidade de dispor de uma indústria aeronáutica forte, instalada no Brasil e suportada por uma estrutura de formação e aperfeiçoamento autóctone. Nesse sentido, estabelecemos parcerias, priorizamos nossos recursos e verificamos com orgulho seus resultados. Temos em cada uma das empresas verdadeiras parceiras, e esperamos tê-las conosco por longo prazo.

Em que pese seus objetivos passarem por expressões como ativos, passivos, margem de lucro, ebitda etc e nós preferirmos outras tais como capacidade operacional, pkill, sobrevivência, ecp, nossa parceira não sobreviverá ser não for estabelecida e mantida uma relação ganha-ganha, que jamais despreze que é a necessidade operacional a origem da aplicação dos recursos que nos são disponibilizados.

A guisa de exemplo identifico, com tristeza e preocupação, que as possibilidades de transferência de tecnologia para nossa indústria – verdadeiras ou não, praticáveis ou inviáveis – assumiram posição de destaque no processo de seleção do projeto F-X2, e que em muito contribuíram para que a decisão final ainda não tenha sido tomada, e que a necessidade operacional ainda não tenha sido atendida.

Já como comandante da Defesa Aeroespacial do Brasil, cargo que assumi há três dias, ratifico a importância de priorização deste tema, não apenas por vislumbrar os grandes eventos que ocorrerão em nosso país, mas por julgar que nosso povo merece um adequado nível de segurança, todos os dias, independente do que uma competição esportiva possa significar de exposição ou de ameaça.

De forma alguma, registro esta minha opinião para culpar a indústria pela não decisão sobre o projeto F-X2, mas apenas para enfatizar que é a falta de uma capacidade operacional, e não qualquer outro aspecto, o ponto fulcral do problema. A capacidade será trazida por um sistema de armas, e todo o resto, inclusive lucro e transferência de tecnologia, serão consequências.

Meus amigos e amigas:
Em minhas passagens de cargo anteriores, muitos dos senhores e senhoras testemunharam algumas figuras de linguagem que usei para me dirigir à minha família. Lembro-me, com destaque, da escalada de uma montanha, e mesmo de ter enfatizado para eles que somos os únicos profissionais que seguidamente pedimos desculpas pelas ausências do lar, mas que jamais prometemos mudar este comportamento.

Na passagem de hoje, entretanto, este aspecto familiar não me soa tão lúdico, embora meu sentimento de agradecimento à Cristiane, Priscilla e Bruno seja talvez o mais forte já vivido.

Em toda minha vida profissional, a proteção de minha mulher e filhos foi para mim um norte. A exemplo do que nutro por meus pais, esforço-me para que eles tenham no meu comportamento um farol que os leve a um futuro vitorioso e feliz, com base na ética e na honestidade.

Infelizmente, nesta passagem como presidente da COPAC não me foi possível mantê-los afastados de meus problemas profissionais. Possivelmente não acreditando que haja alguém capaz de executar mais de três bilhões de reais, em dois anos, sem se beneficiar disto, um mau profissional é capaz de calúnias e difamações. Talvez ele, acostumado com as notícias que semanalmente vê publicadas, desconheça que é possível gerir recursos com probidade e responsabilidade. Aqui, nesta instituição militar, temos muitos exemplos.
Cristiane, Priscilla e Bruno – mais uma vez obrigado pelo apoio e por terem aceito o alto preço para que eu continuasse nesta missão, até o final. Quando não mais conseguirem, jamais duvidem da minha prioridade: será hora de partirmos para nossa próxima montanha. Amo vocês.

Meus comandados:
É tempo de partir. É tempo de deixá-los, embora um pedaço meu fique aqui… E um pedaço de cada um de vocês parta comigo.

Nestes dois anos aprendi muito: gestão de projetos sim – foram vinte e dois; de recursos também – mais de três bilhões de reais pagos. Mas aprendi, mesmo, foi gerir pessoas competentes e conhecimentos acumulados nos nossos corredores, em cada processo administrativo, em cada seleção de fornecedores, em todos os recebimentos de etapas e em cada linha dos documentos que vocês produziram.

Aprendi que a COPAC é respeitada por todos, nacional e internacionalmente, pelo alto grau de comprometimento e profissionalismo de cada um de seus membros, de hoje e do passado.

Aprendi que a perfeição é um objetivo permanente desta organização militar, que a humildade não impede o sucesso continuado e que neste lugar todos os princípios da administração pública são observados e respeitados.

Aprendi, nas palavras da nossa consultora jurídica-adjunta – minha querida amiga Dra. Jurema, que a confiança na competência da COPAC foi construída com muita dedicação de todos que aqui trabalharam.

Aprendi com meu vice-presidente e amigo, Coronel Paulo Henrique, que somos constituídos por “gente que faz”, e que não importa o limão que tenhamos em mãos, faremos uma deliciosa limonada.

Foi uma honra e um privilégio ter sido seu comandante.

Finalmente, e com a certeza de que vocês prestarão ao Brigadeiro Crepaldi a mesma consideração, apoio e amizade que me emprestaram, deixo, nesta minha última ordem do dia, meu desejo de que sejam muito felizes.
Muito obrigado.

Brasília, 4 de abril de 2013.

Maj-Brig-Ar Carlos de Almeida Baptista Junior
Presidente da COPAC – Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate

NOTA DO EDITOR: os destaques (negrito) no texto original são do Poder Aéreo

42 COMMENTS

  1. Pelo menos ele está fazendo a parte dele, e não ficando em silêncio.
    E ele aponta as razões do fracasso do FX-2 até agora….

    Parabéns Brigadeiro!

  2. Meu respeito e admiração ao trabalho do Brig. Baptista Junior.

    Mas… entendí direito ou não… é a indústria ou o GF que impede a escolha de um dos shortlistados ??

    Sds.

    • Baschera, pelo que entendi, o brigadeiro não colocou a culpa na indústria. Ele deixou isso claro. Mas não vi citação alguma ao Governo, então isso seria colocar palavras na boca dele.

      A culpa seria da inversão do foco (e de quem insiste em inverter a prioridade): as possibilidades (ou impossibilidades) de transferência de tecnologia, que são importantes, ganharam uma importância maior do que a necessidade operacional.

      E, por isso, o operacional, que no fim das contas é o mais importante (afinal, se nada for feito vamos ficar sem caças) fica em segundo plano.

      Ao menos é minha interpretação do discurso. Então, se alguém inverteu esse foco, esse alguém poderia ser um “culpado”. Mas aí é questão de quem interpreta.

      Curioso é que a ordem de prioridades onde o operacional viria primeiro e a transferência de tecnologia em seguida é algo que os editores do Poder Aéreo sempre insistiram em opiniões, comentários e editoriais, desde o início do site e do próprio F-X2, em 2008.

      E, por causa disso, frequentemente recebemos críticas exacerbadas (e olha que, nesse contexto, a palavra “exacerbadas” é um eufemismo e tanto). E lá se vão anos e anos e nem transferência de tecnologia nem atendimento a necessidades operacionais.

  3. Caro Baschera,

    “possibilidades de transferência de tecnologia para nossa indústria – verdadeiras ou não, praticáveis ou inviáveis –”

    Entendi que as ToTs não eram por si só capazes de fazer milagres para a nossa indústria e além disso, muitas das promessas na prática não resultariam em ganhos. Ou seja pouca coisa da ToT valia a pena mesmo. E no fim, essa ToT acabou mais prejudicando do que ajudando.

    []’s

  4. E somando-se a isso, vem aquela frase de que “Tecnologia não se compra, se conquista, se desenvolve”. Ou seja quer saber fazer caças? Manda a Embraer começar a tarefa. Comprar um pronto e falar que toda a tecnologia irrestrita dele é vai ter tornar autônomo/independente é ilusão.

    []’s

  5. “Manda a Embraer começar a tarefa.”

    Não!!! Ná, ná ní, ná, não; de jeito e maneira!!!

    Deixa a Embraer de lado, em um canto, fabricando seus jatos regionais e executivos, que é só prá isso que ela serve.
    De resto, fortaleçamos a aviação geral, criemos condições dignas p/ o restante da indústria aeroespacial se desenvolver e deixemos de privilegiar somente um único grupo.

    #embraerforadofx2

    É bom p/ a FAB, e melhor ainda p/ o Brasil!!!

  6. Belo discurso do Brigadeiro; menciona os superiores, agradece os subordinados, elogia a FAB e familia e ainda dah um recado sobre o FX-2; dificil um texto melhor que este.

    Quanto a ToT sendo prioritaria aos objetivos operacionais; recordo que estas tinham um pequeno percentual apenas, mas como o sujeito aquele (NJ) costumava dizer, a selecao dos cacas deveria estar alinhada com a nova estrategia nacional de defesa.

    A nova END jah estah velha? No Brasil offsets nao funcionam por causa da excessiva politizacao do tema? Qual seria o mix ideal?

    Novamente, um discurso bem estruturado e com conteudo.

    []s!

  7. Senhores, um belo e contundente discurso. No que toca ao FX2, acho que o ponto colocado pelo Brigadeiro é que antes de tudo é preciso atender a necessidade operacional da FAB. Todo o resto não deixa de ser importante mas é consequência.

    Apesar do contexto ser o FX2, para mim esta distorção é mais evidenciada na compra dos EC-725, onde o nefasto ex-ministro da Defesa declarou que “estamos comprando não um helicóptero mas um pacote tecnológico”. Não havia nenhuma necessidade operacional e a escassa verba foi gasta em uma suposta transferência de tecnologia.

    No caso do FX2 a mesma manobra foi tentada, felizmente sem sucesso mas que acabou atrasando um processo que estava sendo tratado de forma tranquila pela COPAC e pelo Comando da FAB. Talvez venha daí a frustração expressa pelo Brigadeiro.

    Bonita a menção à família, deve ser duro fazer um trabalho sério e ainda ser atacado em matéria paga de revista de quinta categoria.

  8. Nick disse:
    5 de abril de 2013 às 8:37

    pois é…está ficando cansativo ler isso. Acho que ele preferiria que a Embraer não existisse e comprássemos tudo de fora. A propósito segue link de vídeo que mostra a capacidade da engenharia da Embraer em desenvolver tecnologia de ponta:
    http://www.youtube.com/watch?v=H3IP4V1KzuY
    Abraços.

  9. Nenhuma menção aos civis, da cupula do GF, só a milícada e aos que trabalham. ” Quem tem tempo de falar, não tem tempo de fazer! “.
    Parabéns. Diretamente alinhado.

  10. O discurso do Brigadeiro Baptista Júnior é pólvora pura, mas foi tão sutil que parece que passou despercebido.

    O que temos que analisar no discurso todo é essa parte:

    “A guisa de exemplo identifico, com tristeza e preocupação, que as possibilidades de transferência de tecnologia para nossa indústria – verdadeiras ou não, praticáveis ou inviáveis – assumiram posição de destaque no processo de seleção do projeto F-X2, e que em muito contribuíram para que a decisão final ainda não tenha sido tomada, e que a necessidade operacional ainda não tenha sido atendida.

    Já como comandante da Defesa Aeroespacial do Brasil, cargo que assumi há três dias, ratifico a importância de priorização deste tema, não apenas por vislumbrar os grandes eventos que ocorrerão em nosso país, mas por julgar que nosso povo merece um adequado nível de segurança, todos os dias, independente do que uma competição esportiva possa significar de exposição ou de ameaça.

    De forma alguma, registro esta minha opinião para culpar a indústria pela não decisão sobre o projeto F-X2, mas apenas para enfatizar que é a falta de uma capacidade operacional, e não qualquer outro aspecto, o ponto fulcral do problema. A capacidade será trazida por um sistema de armas, e todo o resto, inclusive lucro e transferência de tecnologia, serão consequências.”

    Como as palavras possuem sentido, o que o Brigadeiro disse em suma foi PRECISAMENTE o seguinte:

    “É com tristeza e preocupação que vejo que as mentiras propaladas por um dos concorrentes a respeito da transferência de tecnologia “irrestrita”, mesmo sendo estas FALSAS e INVIÁVEIS, assumiram tamanha posição de destaque junto ao governo federal que este deixou de lado considerações operacionais, as que realmente importam à FAB, motivo pelo qual a decisão ainda não foi tomada pelo GF.

    Ao contrário do que pensa o governo federal, os caças têm que vir não por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, mas para suprir as necessidades de segurança do dia-a-dia da nação.

    Por fim, registro que a culpa não é da indústria, e sim do governo federal, que não entendeu que a capacidade operacional é pressuposto do qual transferência de tecnologia e lucro são consequências.”

    OU SEJA: o Brigadeiro disse o que já cansamos de dizer aqui, há muito tempo:

    1. A culpa da indecisão é do GOVERNO FEDERAL e apenas dele;
    2. A MENTIRA e o lobby francês sobre a ToT “irrestrita” atravanca o FX2, porque confunde o GF sobre o que é mais importante para o país;
    3. O GF está mais preocupado em fazer bonito na Copa e Olimpíada do que na segurança do país;
    4. A FAB está preocupada é com sua operacionalidade, e não com a indústria ou com o lucro desta;
    5. Só se pode fazer a transferência da tecnologia DO QUE A FAB PEDIU! Não se pode transferir o que a empresa transferidora não possui, o que não temos capacidade de absorver, ou o que – ainda que transferido – não tem serventia para nós.

    O discurso é claro. Basta saber interpretar texto.

    Por fim, dou meus parabéns ao Brigadeiro e sua família. Só Deus sabe o que ele deve ter passado nestes dois anos no cargo. Missão cumprida e boa sorte no novo posto.

    Saudações.

  11. Amigos, bom dia.

    Eu não ouso interpretar o discurso do Brig. Baptista Jr, pois não tenho a mesma base de conhecimentos e também não estou ciente dos seus objetivos.
    Sobre o assunto, minha opinião é que as condicionantes industriais, de offset, as transferências de tecnologia não são causas da indecisão. Se não estivessem listadas nos requisitos do projeto ou nos objetivos do Governo, o problema seria exatamente o mesmo.
    O programa é grande demais para estar restrito à FAB. Há interesses comerciais, de relações exteriores, políticos e até ideológicos.
    No meu entender, se fosse uma compra puramente “de prateleira”, provavelmente estaríamos no mesmo ponto de indecisão do Governo, e ainda teríamos a indústria nacional brigando para obter algum retorno do investimento em Defesa.
    O problema é só a incapacidade de decidir, de assumir ônus para obter bônus.
    Abraços,

    Justin

    • Justin, o problema é se pensar em 8 ou 80, só prateleira ou só transferência de tecnologia, só operacional ou só o que deixa o programa “grande demais para estar restrito à FAB”. É se apegar a frases pomposas como “acabou-se a fase de compras de prateleira” (e sabemos que não acabou depois da frase) para justificar, muito mais do que uma decisão, a indecisão.

      A cada mês e ano de indecisão, esse “grande demais” fica imenso e mais difícil de se definir. Vira um monstro cada vez maior. E quem mais perde é a parte operacional em primeiro lugar, e com ela a nossa dissuasão. Os bônus e ônus são simplesmente empurrados com a barriga. E haja barriga, porque o monstro F-X2 fica mais gordo a cada dia.

      Quanto aos bônus, eu concordo com o brigadeiro, e desde muito tempo, que o primeiro deles precisa ser a operacionalidade, e só essa palavra já engloba questões industriais e de tecnologia mais do que suficientes para tornar complexa a decisão, sem entrar nos salamalekes internacionais, geopolíticos e ideológicos (escrevi salamalekes porque em parte são vistos assim, sem estofo, só fachadas bonitas e bravatas feias, em busca de uma grandeza na inserção internacional que não pode prescendir de um mínimo de capacidade militar, no tempo certo e não quando a transferência de tecnologia assim o quiser)

      A ironia disso tudo é que o brigadeiro que estava à frente da COPAC vai agora para o Comando de Defesa Aeroespacial, ou seja, caso o F-X2 já tivesse sido decidido por volta do final de 2009 ou começo de 2010 (e a COPAC trabalhava para isso), o novo comando dele estaria, por agora, tomando as medidas para implantar a aeronave. Mas, no meio do processo, o Governo Federal não soube lidar direito com o tema, fez lambança no final de 2009 (não precisava ter feito para tomar a decisão que queria e, se tivesse tomado direito, teríamos um caça em implantação) e depois se lambuzou ainda mais nas idas e vindas. Estamos nisso até agora. Timing errado num momento, fazendo o timing certo de uma decisão se perder.

  12. As falas do brigadeiro são cristalinas e derrubam todos os argumentos do governo federal e de alguns foristas de blogs de defesa no Brasil pro Tot inexistente. Estas duas frases definem todo o processo:

    “identifico, com tristeza e preocupação, que as possibilidades de transferência de tecnologia para nossa indústria – verdadeiras ou não, praticáveis ou inviáveis – assumiram posição de destaque no processo de seleção do projeto F-X2, e que em muito contribuíram para que a decisão final ainda não tenha sido tomada, e que a necessidade operacional ainda não tenha sido atendida”

    “enfatizar que é a falta de uma capacidade operacional, e não qualquer outro aspecto, o ponto fulcral do problema. A capacidade será trazida por um sistema de armas, e todo o resto, inclusive lucro e transferência de tecnologia, serão consequências”.

    Acabou a conversa, o que importa não é o tal discurso de “transferencia irrestrita de tecnologia”, mas a capacidade que um sistema que armas possui (e claro a logistica oferecida pelo fabricante) , todo o resto são conseqüências. O que o Lula e o Jobim fizeram no mínimo um crime de lesa-patria para defender um determinado país contra os interesses nacionais.

    Parabéns Brigadeiro!

    Abs,

    Ricardo

  13. Este foi o FULCRO da divergência do Comando da Aeronáutica com o GOVERNO desde que este optou politicamente pelo Rafale e pela priorização da TOT, TOT, TOT…

    SEMPRE disse que o pessoal da FAB não dá a mesma prioridade a Transferência de Tecnologia, vê o operacional em primeiro lugar e adotar o Super Hornet significa operacionalidade imediata e consequente maior relacionamento e mais próximo com a USAF (TUDO que os aviadores de caça e brigadeiros dali originados SEMPRE QUISERAM).

    Entendo o raciocínio e e compreendo o desejo, mas a decisão não pertence ao Comando da Aeronáutica, o governo decidiu pela TOT e pelo Rafale e o Comando da Aeronáutica foi CONTRA. E vem desde então se opondo de todas as maneiras, uma delas está na fala onde DUVIDA da capacidade de recebermos tecnologia e por isso advoga a prioridade operacional.

    Argumento FALHO, a COPAC no seu trabalho disse ao oferecer ao governo a short-list que tanto Super Hornet, Gripen NG e Rafale cumpriam os requisitos operacionais do certame e cabia e CABE ao governo federal e as lideranças CIVIS decidir o vencedor e aos militares cumprir sua missão da melhor maneira possível com o sistema e os recursos alocados.

    É assim nos EUA, Suíça, França e em qualquer lugar civilizado e democrático.

    Se os fabianos estivessem tão preocupados com a operacionalidade ACEITASSEM a escolha do Rafale e o operassem da melhor forma possível.

    O Comando da FAB COLHE os frutos do que ela mesma plantou ao longo do processo FX-2…

    Este discurso do Brigadeiro Batista Junior só reforça a visão que sempre tive do FX-2…

    • Entendo o raciocínio e e compreendo o desejo, mas a decisão não pertence ao Comando da Aeronáutica, o governo decidiu pela TOT e pelo Rafale

      Prezado Gilberto Rezende

      Parece-me que esta foi uma opinião do governo anterior e não do atual governo.

      Eu vejo um grande equilíbrio entre os três candidatos atualmente.

      O Comando da FAB COLHE os frutos do que ela mesma plantou ao longo do processo FX-2…

      A FAB (ou o comando dela como você preferir) não pode criar um motim ou ir contra o desejo do Governo Federal. Isto seria insubordinação e a Presitente, sem sombra de dúvida, removeria o atual comandante do seu posto da noite para o dia. Por muito menos ela cortou cabeças de ministros. O Jobim que o diga.

  14. Poggio

    O governo é do mesmo partido, a decisão pela TOT continua vigente e a decisão do MD do Brasil que a aeronave vencedora do FX-2 deverá mobiliar os futuros NAes da MB TAMBÉM continua em vigor.

    Neste momento o que obsta a conclusão do FX-2 é a oposição ABERTA do Comando da Aeronáutica ao Rafale (que não é obstáculo REAL, apenas opção política de não exercer esta opção, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo) e a situação orçamentária atual onde, PARA A POLÍTICA que ocupa por hora o cargo de Presidente da República, o problema operacional da FAB não tem prioridade necessária e suficiente para implementação imediata podendo ser postergada por outras prioridades consideradas mais urgentes NA VISÃO DELA.

    Posição política que por ÓBVIO divirjo da nossa PRESIDENTA, o problema dos caças é mais que urgente, é crítico.
    Mas a decisão não é minha é dela.

    O Comando da Aeronáutica paga pela sua aposta POLÍTICA de não ter concluído o FX-2 no governo anterior quando queriam decidir a favor do Rafale, e está mais que documentado que o Brigadeiro Saito jogou todas seu prestígio junto ao ex-presidente Lula para que ele deixasse a decisão do FX-2 para o seu sucessor.

    Só que o sucessor não foi o que ele e seus comandados esperavam…

    Amigo os vazamentos da COPAC e as matérias que a FAB alimentou a imprensa PIG antes da eleição da Presidenta foram um MOTIM DE FATO que o Presidente Lula optou não confrontar para não prejudicar a campanha da sua sucessora. SE o presidente tivesse EXERCIDO seu direito legal de fechar a compra do Rafale ainda no seu governo teria fornecido vasto material para campanha eleitoral e os caças franceses só chegariam ao país DEPOIS da eleição. O raciocínio político foi ÓBVIO, não confrontar e quem perde são os próprios militares que PRECISAM das aeronaves.

    MEU CARO, a Dilma estava ali perto TODO TEMPO, e sabe o quanto o Comando da Aeronáutica SE ESFORÇOU para adiar o FX-2 para o mandato dela, tem ciência das ameças feitas no governo anterior que se o governo fechasse a compra do Rafale a FAB “botaria a boca no trombone” na campanha eleitoral (e não seria para elogiar o PT pela escolha do Rafale), e SABE que o Comando da Aeronáutica pediu o adiamento visando que com a eleição de José Serra a compra do caça AMERICANO seria favas contadas, assim e portanto, só se ela fosse uma parva completa a Presidenta ATUAL daria ao Comando da Aeronáutica o Super Hornet.

    Politico cortar cabeça de político, por motivo político é coisa da natureza.
    O governo do PT fazer um expurgo no meio militar vira um levante na imprensa de DIREITA.

    A COPAC e o Comando da Aeronáutica podem falar e se auto elogiar o quanto QUISEREM mas não podem fugir da realidade HISTÓRICA do que EFETIVAMENTE FIZERAM, uma short-list DIRECIONADA, onde por medo do governo de ESQUERDA retiraram a força do certame o tecnicamente favorito caça russo por uma caça de papel SUECO sob argumentos frágeis para ser DELICADO.

    Não há argumento técnico que estabeleça o Gripen NG naquela época mesmo com a configuração de fantasia original como uma aeronave superior ao Sukhoi-35. A ironia final da COPAC e do Comando da Aeronáutica é que a época o ARGUMENTO CENTRAL para desclassificação do caça russo foi, foi, foi…

    QUE A RÚSSIA NÃO DARIA GARANTIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA !!!

    Neste caso a gloriosa COPAC impoluta do brigadeiro Saito desconsidera ABSOLUTAMENTE os parâmetros OPERACIONAIS imensamente superiores da aeronave RUSSA por causa de uma TOT que ela SEMPRE desconsiderou e não considera prioritária.

    UMA POSIÇÃO EXPLICITAMENTE HIPÓCRITA.

    Colocaram um caça de PAPEL sueco, junto com um francês supostamente de custo proibitivo junto como seu americano favorito do coração…

    Quando a coisa não saiu ao seu gosto pirou… ESTE É O FATO.

  15. MEU CARO, a Dilma estava ali perto TODO TEMPO, e sabe o quanto o Comando da Aeronáutica SE ESFORÇOU para adiar o FX-2 para o mandato dela, tem ciência das ameças feitas no governo anterior que se o governo fechasse a compra do Rafale a FAB “botaria a boca no trombone” na campanha eleitoral (e não seria para elogiar o PT pela escolha do Rafale), e SABE que o Comando da Aeronáutica pediu o adiamento visando que com a eleição de José Serra a compra do caça AMERICANO seria favas contadas, assim e portanto, só se ela fosse uma parva completa a Presidenta ATUAL daria ao Comando da Aeronáutica o Super Hornet.

    Caro Gilberto Rezende, me explica então porque a presidente Dilma Roussef após ganhar a eleição resolveu pedir ao brigadeiro Saito para permanecer como Comandante da Aeronáutica? E teve que ser convencida pelo ex-presidente Lula a manter o ministro Nelson Jobim, a quem ela mandou depois para casa na primeira oportunidade que pôde?

    Me explica porque a presidente Dilma Roussef não decidiu o FX-2 pelo Rafale após a mudança de governo? Aliás o que é que a FAB diria “no trombone” sobre o processo do FX-2 que atrapalharia a eleição dela?

    Para mim a sua versão da história não se sustenta diante dos fatos mais básicos.

  16. Gilberto Rezende disse:
    5 de abril de 2013 às 12:46

    “decisão do MD do Brasil que a aeronave vencedora do FX-2 deverá mobiliar os futuros NAes da MB TAMBÉM continua em vigor”

    Mentira!

    Não há planos para novos NAes na MB e a Marinha também não tem requisito algum para compra de caças. Aliás, ainda que tivesse algum plano nesse sentido, e ainda que fosse fechado HOJE um NAe para a MB, este só seria entregue para lá de 2025/30, não servindo portanto a aeronave FX2 para operar nele a contento.

    Isso aí é mais uma trollagem do tal “jornalista especializado”, que a súcia PeTralha adora espalhar aos quatro ventos.

    “Neste momento o que obsta a conclusão do FX-2 é a oposição ABERTA do Comando da Aeronáutica ao Rafale”

    Mentira!

    Não há oposição alguma a aeronave nenhuma por parte da FAB. Como você adora dizer, a decisão cabe ao governo e autoridade civil. Portanto, basta decidir, que a Força Aérea acatará de um ou outro jeito; aliás, ela nem sequer teria opção alguma senão acatar.

    Essa é outra trollagem do tal “jornalista especializado” et caterva, que acabou sendo considerado “persona non grata” na FAB exatamente por trollagens desse gênero.

    “que não é obstáculo REAL, apenas opção política de não exercer esta opção”

    Mentira!

    A opção da FAB por – até onde possa evitar – não tornar a operar caça francês é uma REALIDADE. A FAB sabe muito bem o que passou com os Mirage-III e 2000.

    “O Comando da Aeronáutica paga pela sua aposta POLÍTICA de não ter concluído o FX-2 no governo anterior quando queriam decidir a favor do Rafale”

    Mentira!

    O governo anterior saiu do “pudê” com 80% de aprovação popular, ampla maioria no Congresso, e com uma oposição mixuruca. Se o governo REALMENTE quisesse decidir a favor do Rafale, já teria decidido. Não decidiu porque ELE, GOVERNO, não quis, como NÃO QUER o Rafale.

    Quem quer o Rafale são os radicais antiamericanos do PT, tais como MAG e Celso Amorim. O governo e a presidanta em si não tem preferência alguma por esta jaca.

    “está mais que documentado que o Brigadeiro Saito jogou todas seu prestígio junto ao ex-presidente Lula para que ele deixasse a decisão do FX-2 para o seu sucessor”

    Mentira cabeluda!

    Já que está devidamente documentado lanço aqui um DESAFIO PÚBLICO: eu, Felipe “Vader”, DUVIDO de que haja ou tenha havido QUALQUER manifestação tácita ou expressa do Cmt Saito e desafio o Sr. Gilberto ou qualquer cidadão do país a me provar aqui, publicamente, tal fato.

    Quero ver UM, APENAS UM documento provando isso que você afirmou.

    “Amigo os vazamentos da COPAC e as matérias que a FAB alimentou a imprensa PIG antes da eleição da Presidenta foram um MOTIM DE FATO que o Presidente Lula optou não confrontar para não prejudicar a campanha da sua sucessora”

    Mentira!

    Os vazamentos que ocorreram se deram apenas e tão somente porque a ANTA do seu ex-presidente querido e sol-da-humanidade foi abrir a bocarra cheia de cachaça antes mesmo da COPAC/FAB entregar seu relatório, no 7 de setembro de 2009. Quem traiu a FAB, o AC da FAB e a COPAC foi ELLE! Se aquele verme tivesse ficado de boca fechada, provavelmente já estaríamos com o Rafale hoje e ninguém teria nem ficado sabendo que a escolha havia sido ideológica.

    Portanto prezado, se quiser culpar alguém por não ter vingado a jaca ou qualquer outro, culpe o “amor da sua vida e luz do seu mundo”.

    “quem perde são os próprios militares que PRECISAM das aeronaves”

    Mentira! Ahahahahaha…

    Meu caro, e porque diabos “os militares” precisariam das aeronaves? Parceiro, o salário cai na conta do mesmíssimo jeitinho, estando o piloto tomando cafezinho no hangar ou não! Quem perde com a ausência das aeronaves? O PAÍS! Não os militares.

    “uma short-list DIRECIONADA”

    Mentira!

    Se a short-list tivesse sido direcionada o Rafale não estaria nela.

    Entenda uma coisa amiguinho: a FAB NUNCA MAIS irá aceitar de bom grado um caça francês. Na verdade, tem muita gente na FAB que preferia SIM o Su-35 quando da RFI; mas pouquíssimas, repito, POUQUÍSSIMAS pessoas lá dentro apoiam o Rafale. Normalmente quem o apóia está na folha de pagamentos da Dassault.

    “onde por medo do governo de ESQUERDA retiraram a força do certame o tecnicamente favorito caça russo”

    Ué, não entendi! Mas se o governo em 2008, quando foi lançado o FX2, era LULA, e assim supostamente DE ESQUERDA, porque o tirariam do certame? Não faz o menor sentido essa sua afirmação… aliás como todo o resto de baboseiras…

    Cabe sempre lembrar ainda o que o VICE-PRESIDENTE DO GOVERNO DO PT disse da Sukhoi: “nessa fábrica eu não fabricaria um parafuso”!

    Não foi “asdireita”. Não foi “upig”. Não foi “usamericanu”. Foi uma autoridade DO PRÓPRIO GOVERNO DE ESQUERDA DO PT quem disse isso. Diga-se de passagem uma autoridade que foi até lá e viu IN LOCO a fábrica da Sukhoi.

    “Não há argumento técnico que estabeleça o Gripen NG naquela época mesmo com a configuração de fantasia original como uma aeronave superior ao Sukhoi-35”

    Mentira!

    Você mesmo não acabou de dizer que a escolha dependia da ToT e não do caça em si? Ora, contraditório né?

    O caça russo foi eliminado por não oferecer a ToT pedida, e não por ser “pior” que o caça sueco.

    “QUE A RÚSSIA NÃO DARIA GARANTIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA !!!”

    O que aliás é um FATO! Há inúmeras matérias aqui da época da short-list com dirigentes RUSSOS falando que não iriam oferecer tudo que a FAB pediu. Isso porque certas tecnologias os russos NÃO TRANSFEREM. E não é pro Brasil: é para qualquer um!

    Agora, se o critério era, como é objetivo, e os russos não preencheram os critérios, foram eliminados. Simples assim.

    “Neste caso a gloriosa COPAC impoluta do brigadeiro Saito desconsidera ABSOLUTAMENTE os parâmetros OPERACIONAIS imensamente superiores da aeronave RUSSA por causa de uma TOT que ela SEMPRE desconsiderou e não considera prioritária”

    Não trolla cidadão: os parâmetros operacionais só foram ser analisados e classificados na segunda fase da competição. Graças às exigências de ToT do SEU governo de esquerda, não houve análise de parâmetros antes da long-list, vale dizer: se o SEU governo do PT de esquerda não tivesse estabelecido a mofina ToT como condição PRIMÁRIA do certame, o ac russo provavelmente ainda estaria na disputa.

    Ou seja: oficialmente a FAB aceita QUALQUER UM da short-list. Inclusive a JACA, se assim for determinado pelo PT/GF.

    Mas espero que venha alguma autoridade um dia desmentir esse monte de imundícies que você falou.

    • Ou seja: oficialmente a FAB aceita QUALQUER UM da short-list. Inclusive a JACA, se assim for determinado pelo PT/GF.

      Caro Vader

      Acredito que se a FAB colocou o Rafale na short-list é porque existiam criérios para isso.

      Veja bem. A short-list foi feita com base nas informações fornecidas pelas empresas que responderam ao RFI. Se determinada empresa cumpre tudo aquilo que foi pedido, então ela vai logicamente receber uma nota alta e poderá entrar na short-list.

      Ocorre que, até a formação da short-list, é praticamente tudo “papel”. Na etapa seguinte as aeroaves são voadas, as instalações serão visitadas, dados que estavam no papel serão confrontados e questionados. E assim a FAB terá argumentos para confrontar tudo aquilo que estava inicialmente só no papel. Ou seja, é aí que realmente aparecerão os prós e contras de cada ofertante/aeronave.

      Portanto, existem duas razões principais para a FAB incluir o Rafale na short-list:
      – as informações fornecidas pelo fabricante estavam em acordo com o solicitado pelo cliente (a FAB)
      – as informações fornecidas pelo fabricante somaram mais pontos que outras propostas que ficaram de fora do short-list

  17. Caros Amigos do Poder Aéreo
    Este é o único ambiente de discussões do qual me proponho a participar, e por razões muito simples: tenho pouco tempo para atividades extra-profissionais, gosto de saber da opinião geral do público especializado, penso ser o blog mais respeitado sobre assuntos de Força Aérea, gerenciado por um profissional respeitado (Alexandre Galante) e mediado por outro grande profissional (Fernando “Nunão”). As pessoas daqui são ponderadas, respeitam as idéias contrárias e demonstram maturidade e conhecimento.
    Os últimos dias foram de intensa emoção pra mim, deixando a presidência da COPAC e assumindo o Comando do COMDABRA. Portanto, minha opinião, que pensei estar esgotada nas minhas palavras de despedida da COPAC, talvez ainda precisem ser mais desenvolvidas nos próximos dias. Espero que consigamos fazer isto com maturidade, imparcialidade e dentro dos limites de sigilo aos quais estou submetido.
    Inicialmente, agradeço as palavras de reconhecimento ao trabalho que desenvolvi como presidente da COPAC nos últimos dois anos, atividade de grande importância para a FAB e para o País, e que me exigiram no limite de minhas capacidades intelectual, física e técnica.
    Dentre os 22 projetos atualmente gerenciados pela COPAC, escolhi falar sobre o F-X2 por dois motivos: por ser o único que não teve qualquer evolução neste período, e pela “ironia” de ser o mais necessário na minha atual missão: Comandante da Defesa Aeroespacial do Brasil. Logicamente, este sentimento de frustração é algo sentido dentro do “BJ” profissional, Piloto de Caça, Comandante do COMDABRA .
    Escrevo apenas neste espaço do Poder Aéreo porque vejo aqui pessoas comprometidas e interessadas, mesmo que tenham opiniões divergentes das minhas.
    Escrevo aqui, mas me permito não entrar em aspectos partidários, de governos ou quaisquer matizes políticos, até porque seria impróprio para um militar, funcionário do Estado Brasileiro, e não de qualquer Governo.
    Inicialmente, e com respeito ao meu discurso, pensava que a mensagem central tenha sido clara, qual seja a importância de sanarmos uma deficiência opercacional, em prol da segurança do nosso povo, não para os interesses da FAB. Isto, para mim, é o que importa.
    Podemos conversar muito sobre todos os aspectos aqui discutidos, alguns dos quais penso desnecessários, mas aos quais empresto meu respeito; isto poderia tirar o foco da necessidade de uma decisão tempestiva sobre este problema, que se arrasta há 12 anos.
    Sobre o processo seletivo, a FAB/COPAC utiliza processos científicos reconhecidos internacionalmente, não se sujeitando a interferências de qualquer matiz.
    As decisões finais, como sempre acatadas pela FAB, serão de caráter político, o que não pode significar um completo distanciamento dos aspectos analisados (Operacional, técnico, industrial, logístico e de compensação), pois correríamos o risco de serem mal utilizados os recursos, o que contrariaria os princípios da administração pública. Decisão política não pode dar margem a desvios, preferências pessoais de gestores públicos ou riscos à operação futura destes complexos sistemas de armas.
    O que eu quis dizer foi exatamente o que foi dito, com certas reservas já muito bem interpretadas por alguns participantes deste blog, e apenas em prol do que penso ser melhor para o País.
    Sou um oficial general de 3 estrelas, fiel aos princípios que jurei defender como cadete: coragem, lealdade, honra, dever e Pátria …. e que continuo fiel aos princípios da disciplina e hierarquia.
    Presentes à passagem de comando, os três concorrentes do Projeto F-X2 me parabenizaram pelo discurso: Donna Hrinak (Boeing – F-18), Jean-Marc Merialdo (Dassault Rafale) e Bengt Janér (Gripen-SAAB), compreendendo perfeitamente as teses e críticas que levantei, que logicamente não foi recado indireto para qualquer participante.
    Disse o que achei correto e sou o único responsável por isso. Disse de forma direta, mas não posso me responsabilizar por interpretações individuais.
    Um abraço deste leitor assíduo do Poder Aéreo

    BJ

  18. Guilherme Poggio disse:
    5 de abril de 2013 às 15:36

    Poggio, concordo integralmente. O Rafale não está na short-list à tôa, o que disse foi justamente o contrário: que se a imunda acusação do Gilberto de que a short-list foi “dirigida” fosse verdade ele não estaria ali.

    Da mesma forma que o Su-35 não foi excluído da short-list à tôa.

    _____________________

    Baptista Jr disse:
    5 de abril de 2013 às 16:12

    Exmo. Sr. Brigadeiro Batista, só nos resta agradecer a participação e os esclarecimentos de Vossa Excelência.

    Acho sensacional especialmente essa informação, para acabar com imundas e levianas acusações de uns e outros:

    “Sobre o processo seletivo, a FAB/COPAC utiliza processos científicos reconhecidos internacionalmente, não se sujeitando a interferências de qualquer matiz.”

    Novamente obrigado e boa sorte no novo posto.

  19. Caro Brigadeiro Baptista Jr,

    Grato pelos esclarecimentos adicionais, e sorte no novo comando. E que brevemente um novo caça venha a ser incorporado à FAB, porque não dá para ficar desse jeito.

    []’s

  20. Cada um defende SEU ponto de vista, afinal como disse ENTENDO o ponto de vista da FAB. A escolha do short-list foi feita num passado anterior ao do Brigadeiro Batista Jr. Se ele concorda ou não é um problema de foro íntimo pessoal.

    O Brigadeiro defende seu comando, mas com TODO respeito, sou ex-militar e esse discurso “científico” é para consumo externo. TODAS as forças tem sua política e grupos internos que defendem suas visões de qual a missão da sua instituição.

    Negar que existe uma preferência CLARA de uma grande parte de oficiais aviadores de origem na CAÇA pelos modelos americanos pela majoritária tendência política de nossos militares, pelas possibilidades amplas de cursos e treinamento nos EUA disputadíssimos pelos servidores militares (infelizmente não tão bem pagos quanto DEVERIAM) é um fato da NATUREZA que não dá para brigar ou dizer que não existe nas Forças Armadas que integrei de 1978 a 1993, na FAB e MB.

    NÃO EXISTE ISENÇÃO ABSOLUTA pois somos todos humanos.

    Como SEMPRE disse, O Comando da Aeronáutica e a COPAC TEM, PODEM TER e DEVEM TER uma opinião própria de qual a aeronave melhor para a sua missão, mas elas NÃO DECIDEM. Nesta democracia o poder CIVIL dentro dos seus parâmetros é que cabe a decisão.

    A FAB fez o que podia na época devida, desclassificou o Su-35 do short-list. Se a desclassificação se deu por “critérios científicos” como diz o Brigadeiro para o povo aqui de fora só foi dito que os russos não garantiam a TOT. O SU-35 está voando e o Gripen NG não e terá uma configuração FINAL BEM DIFERENTE do que consta nos documentos do FX-2.

    Na minha opinião, IRRELEVANTE para a COPAC e Comando da Aeronáutica, foi um ERRO MONUMENTAL de avaliação técnica, histórica e militar desclassificar o SU-35 em favor da miragem sueca.

    Mas afinal é SÓ uma opinião para enfurecer o VADER…

    Ganhei meu dia…

  21. Qualquer processo de compra de equipamento militar é uma decisão política. As questões centrais são: Qual é fase da decisão política? Qual é a fase técnica? As respostas são: A compra em si, a quem são oferecidos as solicitações de informação (RFI), os critérios comerciais gerais, os mecanismos de financiamento e compra são decisões políticas. Depois disto o problema da escolha de um avião militar se torna uma questão técnica dentro dos parâmetros estabelecidos pela força (que avião quer, tipos de missões, etc…), inclusive se houver critérios de short list ou não. Políticos decidem e compram, militares dizem o que comprar. Os políticos podem vetar a compra até no último instante! É prerrogativa deles, foram eleitos para isto, mas não devem ou não deveriam dizer o que comprar.

    Acredito que a paralisia do processo não ocorreu apenas por causa de uma “imaginada rebeldia do COPAC” em defender sua escolha técnica, mas sim aos “descompassos” da política externa engajada. Como o governo francês se posicionou de forma diferente do que desejava o governo federal em relação ao caso nuclear do Irã, produziu-se forte irritação com o governo Sarkozy. Como simplesmente não dava para voltar atrás na escolha foi preferido o adiamento “ad eternum”. Aparentemente há noticias que a atual governante nunca apreciou o processo de reaparelhamento das forças, inclusive e especialmente os valores de compra do equipamento militar francês (Jornal do Brasil). Hoje questões orçamentárias e fiscais podem ser justificativas reais ou não para a decisão, pelo meu conhecimento de finanças públicas há espaço para a compra dos 36, mas não tanto quanto se imagina. Comprar significa inclusive manter operacional. Não se deve comprar o que não se tem condições de manter.

    Quando houve a escolha do Gripen na Suiça quem fez a defesa do resultado não foi um político, mas o comandante da Força Aérea Suíça, brigadeiro Marcus Gygax. Isto não é resultado do acaso. A Schweizer Luftwaffe fez a escolha e o governo encampou o resultado. O mesmo ocorre em outros lugares do mundo. Há o espaço da técnica e a local da decisão política. O mesmo ocorreu na Índia com o Rafale, a decisão do escolhido foi da Bhartiya Vāyu Sena, e não do Primeiro Ministro, a este coube no final concordar ou não e garantir os recursos da compra.

    Existe um livro muito interessante chamado ‘A Marcha da Insensatez’ e ele demonstra claramente o que pode acontecer quando decisões técnicas são abandonadas em prol apenas das escolhas puramente políticas (quando digo políticas refiro-me as conveniências não republicanas de qualquer governo), um imenso desatre.

    Parabéns ao Brigadeiro Baptista Jr pelo exelente trabalho no COPAC e espero que tenha o mesmo sucesso em suas novas funções.

    Abs,

    Ricardo

    • “ricardo_recife em 05/04/2013 as 17:11”

      Ricardo, seu comentário levantou alguns pontos interessantes sobre a escolha técnica, a política e a mescla de ambas, onde uma acaba e a outra começa. Apenas acrescento que, embora elas acabem se interagindo (não são estanques) é fato que existem fases no processo.

      O mais louco disso tudo é pensar que a fase técnica terminou em algum momento entre o final de 2009 e o início de 2010.

      Daí pra frente, veio a fase da escolha política.

      São três anos desde então!

      Mesmo para os mais ferrenhos críticos da fase técnica, não dá pra ficar apertando a mesma tecla, colocando a culpa na fase técnica da coisa se esta já tem mais de três anos de finalizada.

      Alguma decisão deveria ter sido tomada, mesmo que fosse a decisão de não concordar com o que foi feito e começar tudo de novo, se houvesse desacordo total. Mas levar três anos para adiar uma decisão política é vergonhoso para todos os decisores que tiveram a papelada na frente da mesa após o final do relatório técnico da FAB, com todo o respeito que se deva ter pelas autoridades e pelo peso das decisões. É um atestado de que esse problema está longe de ser considerado prioritário pelos decisores finais.

      Justificativas para não tomar decisão não podem ser mais importantes do que as de decidir.

  22. Gilberto Rezende disse:
    5 de abril de 2013 às 16:56

    Não não cidadão. Você não me enfurece não. 🙂 Ao contrário, você me diverte! E você nem imagina o quanto! 🙂

    Você, ao insistir (“trollar”) na sua leviana acusação de que a COPAC/FAB teria “dirigido” a concorrência FX2 para favorecer o Gripen ou prejudicar ou Su-35, mesmo tomando “pito” público da autoridade que até há três dias atrás dirigia o processo, só consegue cobrir de vergonha a si mesmo!

    Para sujeitos como você, o tal “jornalista especializado”, a galerinha de trolladores do fórum “Disney Brasil”, meia dúzia de russófilos tôscos do blog do maluco que pregava que o Brasil tinha que construir – com a Rússia, lógico – um porta-aviões ao mesmo tempo voador e submarino, para a molecada imberbe do PB e alguns dos mais exaltados do Cvk, não adianta NADA vir EM PESSOA o ex-comandante da COPAC e dizer que a comissão utilizou-se e utiliza-se de critérios CIENTÍFICOS para suas conclusões.

    Como vocês medem o mundo por sua própria régua, todo mundo é desonesto para vocês. Todo mundo é sem-vergonha. Todo mundo é picareta, salafrário.

    Enfim, que se há de fazer? Trata-se de uma questão de visão de mundo, quando não de caráter.

    Mas não se preocupe, que vc não me enfurece não, ao contrário: rio muito contigo.

  23. Gilberto Resende:
    Como é de praxe seus argumentos são desonestos e mentirosos. Mais uma vez você tenta vender aos amigos daqui que o pobrezinho do ex-rei sol teria sido vítima dos inescrupulosos e americanizados oficiais da FAB, capitaneados pelo seu próprio comandante. Nada mais falso. Como até as pedras sabem o ex-rei sol fez a sua escolha “político-etílica”antes da própria FAB ter enviado o relatório final ou seja, o iluminado de noves dedos desrespeitou frontalmente o disposto na Lei 8.666/93 e no decreto regulamentador acerca da dispensa de licitação para compra de material de defesa.

    Ocorre que, lambança feita, ainda havia tempo de salvar o processo e escolher o Rafale. Bastava o Apedeuta convocar o Conselho de Defesa Nacional e justificar a sua escolha. Mas aí entrou areia, iraniana, na coisa. Como também é igualmente sabido, a França votou no CS da ONU contra o acordo fajuto de Teerã e, como reage mal ao ser contrariado, o ex-rei sol jogou a batata quente no colo da sua sucessora.

  24. Como assim ?

    A FAB é uma virgem vestal e a oposição a decisão do Presidente anterior veio do NADA ou não existiu ???

    Acho que já disse claramente que a decisão do FX-2 só não foi feita pela prioridade política de fazer seu sucessor.

    Se vocês querem continuar fingindo que mais de 90% dos militares da Aeronáutica são de direita e detestam o PT e que eles são absolutamente isentos e nunca puxaram contra a escolha do Rafale continuem neste mundo de fantasia.

    SE o Comando da Aeronáutica realmente não se opusesse ao Rafale POLITICAMENTE (e o presidente anterior já o tinha ESCOLHIDO) NADA poderia obstar o fim do FX-2 no mandato anterior.

    O Lula tinha uma DECISÃO, ele era o comandante em chefe, ele só não impôs SUA decisão porque a prioridade dele era política e foi a própria FAB que preferiu arriscar o adiamento do FX-2 para o mandato seguinte do que aceitar a decisão do Presidente anterior.

    Tireless as coisas não são tão simples como você coloca, se assim fosse feito as “forças” contra a escolha teriam feito um inferno na eleição.

  25. Sobre o processo seletivo, a FAB/COPAC utiliza processos científicos reconhecidos internacionalmente, não se sujeitando a interferências de qualquer matiz.
    As decisões finais, como sempre acatadas pela FAB, serão de caráter político, o que não pode significar um completo distanciamento dos aspectos analisados (Operacional, técnico, industrial, logístico e de compensação), pois correríamos o risco de serem mal utilizados os recursos, o que contrariaria os princípios da administração pública. Decisão política não pode dar margem a desvios, preferências pessoais de gestores públicos ou riscos à operação futura destes complexos sistemas de armas.

    Senhores, nestes dois parágrafos o Brigadeiro escreveu um tratado. Irretocável.

    Da minha parte, apenas o orgulho de ter oficiais deste naipe na nossa Força Aérea.

  26. Vejo a manifestação do Brigadeiro Batista Jr. numa preocupação com a necessidade operacional CRÍTICA e procedente do COMDABRA pelo deslinde urgente do FX-2.

    Só que o Comando da Aeronáutica (e ele no seu discurso) INDUZ o pensamento que é o objetivo da TOT deveria ser deixada de LADO em alguma medida ou amenizado (por suas dúvidas expressas de sua exequibilidade) em favor da necessidade premente da NAÇÃO de ter sua Defesa Aeroespacial…

    O presidente Lula PODERIA responder ao Brigadeiro Saito e a todos que se opuseram a sua decisão à época na FAB pelo Rafale que seria muito bom que eles tivessem pensado na urgência da OPERACIONALIDADE a uns dois anos atrás….

    Quando se opuseram a sua decisão pelo caça francês…

  27. Favor não zombar da inteligência alheia meu caro Gilberto! Se o ex-rei sol tivesse feito o que se esperava dele ou seja, que houvesse cumprido o que dispõe a Lei 8.666/93 no que tange à compra direta de material de defesa, nada teria ocorrido. Talvez houvesse alguma reclamação mas o processo iria seguir em frente.

    Quanto aos aspectos internos do FX-2, no que tange às propostas em si, é sempre bom lembrar a farsa sustentada pela Dassault. Prometeu ToT irrestrita quando as fatos na Índia estão se encarregando de mostrar que é uma retumbante mentira, e ainda prometeu ajudar no desenvolvimento do caixão das asas do KC-390 quanto não tem experiência com aeronaves de pequeno porte tampouco cargueiros militares. Por seu turno a Boeing permaneceu na sua durante todo o certame, comprometendo-se a transferir exatamente aquilo que a FAb pediu, e agora oferece ao país o que ele precisa ou seja, parceria no desenvolvimento de tecnologias, e não o escambo de trocar pau brasil por espelhinhos como proposto pelos franceses.

  28. Caro HMS Tireless,

    Escrevi mais ou menos nestas linhas de seu post dois dias atrás….em outro espaço.

    Realmente é o lógico e segundo eu soube, o que de fato aconteceu, ou seja, uma decepção política de quem esperava o cumprimento de acordos verbais entre dois presidentes no cargo.

    No entanto, soube mais…. o ex-presidente também teria ficado aborrecido ao saber que a “ToTs” oferecidas pela França não seriam repassadas conforme o entendimento que este tinha a época…. ou seja, nem tudo, nem todos, nem tanto… e que o que fosse transferido de fato iria custar muito mais do que este tinha de informação de que poderia custar.

    Além do mais, também pesaram na decepção os rumos das negociações no âmbito da rodada Doha… sobretudo por parte dos franceses em negar maiores concessões no acesso aos mercados agrícolas dos países desenvolvidos, que queriam uma entrada maior para seus bens industriais no resto do mundo…… justamente o que o ex-presidente estaria fazendo se escolhesse o vetor europeu .

    Para finalizar, Lula teria jogado a toalha (em relação aos aspectos politico/estratégicos do FX-2) quando o governo americano, conjuntamente com o governo francês, vetou o inusitado acordo mediado por Brasil e Turquia sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã.

    Sds.

  29. “Fernando “Nunão” De Martini disse em 5 de abril de 2013 às 18:06″.

    A avaliação técnica terminou a três anos, quanto tempo ela ainda estará válida? Este é um ponto interessante. Não sei quanto tempo mais, mas tudo tem data de validade, inclusive o relatório da COPAC.

    “Baschera disse: 5 de abril de 2013 às 18:37”

    Concordo com suas afirmações por completo e destaco que no final de 2010 o Poder Aéreo apresentou um post (tradução de uma reportagem de um jornal francês colocando em questão os limites da famosa e propalada tot). O jornal Le Républicain Lorrain afirmava com todas as letras que havia limites a este processo e ele estava longe de ser irrestrito. http://www.aereo.jor.br/2010/11/09/rafale-no-brasil-os-limites-da-transferencia-tecnologica/

    Abs,

    Ricardo

  30. Só mesmo a santa ingenuidade acreditar que o alto oficialato esta imune a concepção política ideológica, é nítido a opção pelo SH, seja pela razão muito bem colocada pelo Gilberto seja também pelo alinhamento nem sempre concordante com o tio sam.
    No entanto a questão central é que não tem ainda a decisão de um caça para substituir os F-2000 e nesta altura do campeonato me parece que não teremos tão cedo, e nem sei se é possível calcular a perda a claudicante indecisão da escolha.

  31. Se o problema era eleger a Dilma, por que o Lula não resolveu o certame no final do seu mandato, depois das eleições e antes de passar a faixa?

    É Gilberto, seu argumento não se sustenta.

  32. Almeida e outros colocaram o ponto que sempre defendi: o ex-rei-sol poderia ter anunciado o Rafale como vencedor logo depois das eleições; tinha 80% de aprovação, a oposição estava na toca lambendo as feridas e tinha elegido a sucessora, ou seja, não havia riscos do sucessor anular a compra ou levantar suspeitas sobre o porque da escolha.

    No entanto, a bomba-relógio do fim da aviação de caça da FAB foi passada para o colo da sucessora. Esta também podia ter anunciado o Rafale no início do seu mandato, quando os problemas da economia ainda não eram tão fortes e contava com ampla aprovação e com a certeza de uma oposição calada depois da derrota eleitoral.

    No entanto, novamente não se anunciou o Rafale. Ou melhor, não se anunciou avião algum, só novos adiamentos.

    Na verdade, a lua-de-mel com a França passou e os equipamentos franceses perderam o encanto, ou melhor, seus padrinhos, o ex-presidente e o ex-ministro da defesa.

    Como ficou evidente (até para o GF) que o avião francês é caríssimo, fora de nossa realidade, e como os outros dois são ou um produto americano ou um produto com componentes americanos, a ideologia burra que hoje peermeia Brasília prefere é deixar o FX-2 na geladeira até cair no esquecimento.

    Por isto sonho que a FAB entre em tratativas com a Suécia e faça um leasing de uns 12 gripens A/B para substituir os semi-aposentados Mirage 2000. Creio ser a solução mais palpável para esta Força hoje.

  33. Ops, me desculpem, não era para ter saído esse último comentário (tecla errada). Se puderem, por favor apaguem-no. Grato.

    NOTA DOS EDITORES: APAGADO.

  34. Agora sim:

    Gilberto Rezende disse:
    5 de abril de 2013 às 18:03

    “oposição a decisão do Presidente anterior veio do NADA ou não existiu ???”

    Exatamente. Oficialmente a FAB continua na mesma posição de dezembro de 2009: qualquer um dos três vetores lhe servem.

    A oposição que houve, velada, não foi à suposta “DECISÃO” do ex-presidente. A oposição foi ao fato de ele EXPOR publicamente a FAB, seu alto-comando e a COPAC, ao anunciar o “vencedor” antes de se entregarem os relatórios.

    “SE o Comando da Aeronáutica realmente não se opusesse ao Rafale POLITICAMENTE (e o presidente anterior já o tinha ESCOLHIDO) NADA poderia obstar o fim do FX-2 no mandato anterior. O Lula tinha uma DECISÃO, ele era o comandante em chefe, ele só não impôs SUA decisão porque a prioridade dele era política e foi a própria FAB que preferiu arriscar o adiamento do FX-2 para o mandato seguinte do que aceitar a decisão do Presidente anterior.”

    Cara, pare com esse nhém nhém nhém PeTralha de quem mandava em quem, e entenda de uma vez por todas, se é que há espaço nessa sua cabeça: o Lula poderia ter escolhido quem ele quisesse; ele era o comandante em chefe; ele poderia “fazer o diabo” como gosta de dizer sua sucessora.

    Ele só não poderia escolher o vencedor ANTES DA FAB ENTREGAR SEU PARECER!!!

    Porque? Porque embora ele seja o apedeuta, o nonedáctilo que nunca sabia de nada, embora ele seja semi-imputável, NEM ELE pode passar por cima dos princípios da administração pública, que são CONSTITUCIONAIS! Ao anunciar o “vencedor” antes da FAB entregar seu relatório ele rasgou a Constituição, desautorizou o trabalho da COPAC, o AC da FAB e mesmo o Min Def. Ao ponto deste mesmo Min Def, o nefando Nelson Jobim, ter vindo três dias depois desmentir o PR.

    Repito: se ele tivesse ficado de boca fechada, esperado a FAB entregar o relatório e escolhido o Rafale, provavelmente este já estaria sendo entregue! Poder-se-ia até criticar a escolha do fornecedor, mas nunca a FORMA como foi escolhido. Estaria tudo dentro da lei!

    Ao abrir a boca antes do tempo, o que o Lula conseguiu fazer foi torpedear o FX2 e sua própria escolha. Como trata-se de um sujeito muito do espertalhão, não é crível que ele isso tenha feito por pura burrice: ele fez mesmo foi para jogar a m. no ventilador e enterrar de uma vez o FX2.

    A reação da FAB, vazando para a imprensa as conclusões do relatório, foi a justa reação de quem viu sua missão de avaliar as aeronaves ser solapada justamente por quem a havia determinado.

    Ainda assim, o apedeuta teve todo o tempo do mundo para decidir como quisesse, APÓS a entrega do relatório; como sua sucessora também teve. Não o fizeram porque entrou areia na opção francesa, como relatado pelos amigos acima.

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