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Embraer aposta pesado na ousadia

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Em 2012, empresa vai investir US$ 450 milhões em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia

Roberto Godoy

A nova família de aeronaves da Embraer, o maior e mais bem defendido segredo estratégico da empresa, pode já estar voando – dentro de uma sala grande e escura na fábrica de São José dos Campos, onde engenheiros cobrem o rosto com grandes óculos com capacidade tridimensional, não gostam de dizer seus nomes e veem coisas que, a rigor, ainda não existem: o grupo de novos jatos, por exemplo.

O Centro de Realidade Virtual (CRV) é uma ferramenta moderna, sim, mas é também um recurso fundamental no processo de viabilização das ações ousadas da companhia. Em uso desde 2000, o CRV é empregado intensamente – com ele, a Embraer completou o desenvolvimento do modelo Emb-170 em apenas 38 meses.

Antes disso, o ciclo da engenharia do birreator Emb-145 consumiu 60 meses utilizando procedimentos convencionais. Os resultados são bem consistentes. Até 30 de junho, a carteira de pedidos firmes a entregar batia em US$ 12,9 bilhões, considerada apenas a aviação comercial, uma frota de 200 unidades.

Competir é inovar. A Embraer credita à inovação o fator determinante no seu posicionamento competitivo. “Essas verdades ganham dimensões especiais na indústria aeronáutica, em que inovação e desenvolvimento tecnológico são as questões da sobrevivência, e não apenas de diferenciação competitiva”, posição da companhia revelada em nota formal da diretoria.

A política de aplicação de novidades, definida pelo presidente, Frederico Curado, ocorre em quatro dimensões transversais à cadeia de valor: 1) inovações de produtos e serviços; 2) inovações dos processos; 3) inovação de marketing; e 4) inovações empresariais.

A mais recente ousadia do grupo está na área militar. Como reflexo do desenvolvimento do espetacular cargueiro e reabastecedor de combustível, o KC-390, a empresa criou uma coligada dedicada, a Embraer Defesa e Segurança (EDS), que nasceu rica, dona de uma fábrica em Gavião Peixoto, a 300 km de São Paulo, e da maior pista de decolagem e pouso da América Latina – 5 mil metros de asfalto cercados de monitores e sensores eletrônicos.

É lá que é produzido o A-29 Super Tucano, um sucesso em sete países clientes por causa da inovação: o sistema digital embarcado equivale ao dos caças pesados supersônicos, mas o avião é um turboélice – e de custo reduzido. Uma hora de voo do Super Tucano, sai por R$ 1.500, quase seis vezes menos que a de um jato de combate.

O A-29 é o único turboélice do mundo configurado para missão de contrainsurgência. Provado em combate em cenários do tipo da floresta colombiana, ele está disputando na pole position o grande prêmio da escolha, no Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de uma série de 20 aeronaves de ataque leve para forças do Afeganistão. Esse contrato é avaliado em US$ 355 milhões. Tem mais: conta com boas possibilidades de servir na aviação americana. Nesse caso, o negócio chegará a US$ 1 bilhão.

O KC-390 é o único jato de sua classe oferecido no mercado mundial. Segundo o presidente da EDS, Luiz Aguiar, o segmento representa 700 cargueiros médios a serem encomendados até 2025 – um viés de US$ 50 bilhões. O KC-390 leva 20 toneladas de carga, tropa equipada e blindados. Cerca de 60 deles estão na carteira internacional de pedidos. O primeiro voo real está previsto para 2014.

FONTE: Estadão

IMAGENS: Embraer (também via FAB)

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Baschera
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Baschera

Fora a parte que entrega o ouro sobre um possível novo avião de pax…. o resto é só mais um pouco de encheção de linguiça…..

Claro, lembrando que nem tudo é céu azul para a EMB, pois sua carteira de pedidos já chegou a ser de Us$ 20 bilhões ou mais em passado recente…..então Us$ 13 bilhões não é pouco, mas é melhor abrir o olho…..

E por fim, pelo que tenho visto, fora o projeto de engenharia e mais umas “cadeiras de palha” tupiniquins ….. tudo o mais neste KC-390 será de origem “extra terrestre”…..

Sds.

Mauricio R.
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Mauricio R.

Qndo a FAB precisou de inovação, esta veio por obra e graça da Elbit.
No mais, somente a mesma megalomania destemperada de sempre.

Nick
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Nick

O Godoy é um jornalista PR 🙂

Sobre a matéria, apesar do KC-390 ser o único jato na sua classe, que é dominado pelo C-130 em suas várias versões, não será único por muito tempo, já que terá a companhia do Hindu-russo MTA.

Acredito no potencial como produto do KC-390 (que nascerá praticamente com tudo que tem de melhor no mercado), mas a briga não será fácil com os lobbies americanos a favor do (C-130J e X), e europeu (A-400M). E para o mercado não alinhado, o MTA deverá preencher a lacuna.

Sobrará para o KC-390 o que? Esta é a pergunta.

[]’s

glaison
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glaison

Ja anunciaram quais serão os motores do KC390?

champs
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champs

“Sobrará para o KC-390 o que? Esta é a pergunta.”

Acho que o KC-390 tem muitas chances aonde o A-400 é um produto caro e acima das necessidades, provavelmente perderá muitas concorrências por causa do lobbie americano mas o fato de ser um projeto novo também vai tornar a balança menos desigual.
Se deste mercado de 700 aeronaves a Embraer conseguir 180 encomendas firmes o projeto será vitorioso.

Baschera
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Baschera

Cento e oitenta….. para o bem e para o mal… 60 já estariam no forno !!

Não é nada não é nada mas representaria 33% disto…. para um avião que só existe na tela… já seria um bom começo.

Mas o mar é encapelado…. então veremos…. a começar pelo preço flay-away….. a meu ver o próximo passo importante.

Sds.

Soyuz
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Soyuz

O KC-390 é uma ousadia? Totalmente financiado pelo contribuinte a risco zero para a Embraer. Não vejo “ousadia” alguma neste programa. Antes que me critique não sou contra avião de transporte. Apenas acho que um avião que segundo as previsões do fabricante “vai vender tanto” não deveria ser totalmente financiado pela FAB. Existe uma duzia de tecnologias e produtos que ao meu ver seriam prioritários na aplicação de recursos públicos. Ousadia de fato foi o programa ERJ-170/195 esta família de jatos permitiu a Embraer ultrapassar a Bombardier e colocar a categoria de 70 a 110 assentos em outro patamar de… Read more »

Marcos
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Marcos

O KC 390 é uma ousadia na medida que incorporará novos materiais, novos sistemas, novas soluções. Vão ter de quebrar a cabeça para solucionar os problemas que forem aparecendo. Foi assim com o Bandeirante, com o Xingú, com o Brasilia, com a família ERJ e com os E-Jets, bem como está sendo um imenso desafio o Legacy 450/500. No que toca ao financiamento, não conheço desenvolvimento de avião militar que não seja via financiamento público: C-17, A-400M, C-295, CX-2 e por ai vai. Prefiro o Estado investindo em uma Embraer, que ao longo de décadas tem trazido divisas para o… Read more »

Soyuz
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Soyuz

Não estou defendendo dinheiro pra empreiteira, ONG ou coisa que o valha.

Apenas acho que dentro da área de defesa existiriam outra forma melhor de investir este dinheiro em outros tipos de tecnologia.

Eduardo RA
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Eduardo RA

Não sei se é inocência minha, mas acho que o 390 pode incomodar no mercado.
O oferecimento de parceria da Boeing não foi de graça. Ou estão querendo morder “uma ponta” no negócio; ou estão querendo colocar “uns componentes” yankees pra ter voz (poder de veto) na hora de comercializar o produto ou ambas as hipóteses anteriores.

mateus018
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mateus018

O KC-390 já tem um monte de componentes americanos, como, por exemplo, aviônicos da Rockwell Collins. Não precisaria da Boeing para os americanos poderem vetar alguma coisa.

Vader
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Soyuz disse: 16 de outubro de 2012 às 0:01 “Apenas acho que um avião que segundo as previsões do fabricante “vai vender tanto” não deveria ser totalmente financiado pela FAB.” Precisamente. Se vai vender tanto, porque a Embraer precisa da grana da FAB? Muito curioso isso aí… E outra: qual é a ousadia da Embraer no episódio? Esse Godoy tá gagá… _____________ Eduardo RA disse: 16 de outubro de 2012 às 4:21 “ou estão querendo colocar “uns componentes” yankees pra ter voz (poder de veto) na hora de comercializar o produto ou ambas as hipóteses anteriores.” Parceirão, deixa eu te… Read more »

champs
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champs

“Precisamente. Se vai vender tanto, porque a Embraer precisa da grana da FAB?” Porque é um projeto militar e projetos militares geralmente são financiados pelos governos, é assim no mundo todo. Nem todas as empresas tem capacidade de buscar financiamentos de grande vulto no mercado, sem o financiamento da FAB não seria possível fazer o projeto no nível que ele esta hoje, veja que o projeto antes das exigências da FAB era bem diferente, quase um avião civil adaptado para cargueiro militar. Talvez a pergunta correta seria porque 100% financiados pela FAB e não 60% ou 50%…? O que a… Read more »

Mauricio R.
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Mauricio R.

“Porque é um projeto militar e projetos militares geralmente são financiados pelos governos, é assim no mundo todo.”

Não é bem assim, não…
O desenvolvimento do C-130J foi bancado exclusivamente pelo investimento da LM, nem a USAF foi o “launch custumer”.
A aeronave é vendida como um avião civíl, tipo B-737 ou A-320.
No caso do Brasil, o que faltou foi é concorrência.

“…exigir que a Embraer também desenvolva projetos da FAB que não sejam tão rentáveis como um KC-390, tem…”

Não!!!
De jeito e maneira.
A O-B-R-I-G-A-Ç-Ã-O do Estado, é incentivar o setor indústrial como um todo e não bancar somente uma única empresa.

Eduardo RA
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Eduardo RA

Milord, não tenho nenhuma “doce ilusão” a respeito da venda do 3-9-0. Pelo contrário!
Acho que a cumpanherada bolivariana tem mais é que…
Só acho que o problema de ter tanto “parceiro” num negócio, ainda mais um como esse, que tem inimigo em todo canto, pode restringir o mercado.

Vader
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champs disse: 16 de outubro de 2012 às 8:37 “Porque é um projeto militar e projetos militares geralmente são financiados pelos governos, é assim no mundo todo.” Caro champs, obrigado pela resposta, mas o amigo está a confundir causa com consequência (ai ai a lógica aristotélica, sempre ela, essa malvada…). Senão vejamos: Causa: projetos militares são intrinsecamente caros (no mundo todo) e a maioria das empresas não tem dinheiro para financiá-los. Consequência: os governos financiam o projeto. No caso do KC-390, SEGUNDO A EMBRAER, o projeto venderá mais que água encanada, motivo pelo qual a empresa, terceira maior fabricante (“fabricante”?)… Read more »

Mauricio R.
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Mauricio R.

Série em 5 partes a respeito do A-400M, segue o link da parte 1:

(http://www.thinkdefence.co.uk/2012/09/the-airbus-a400m-atlas-part-1-background-progress-and-c130j-or-c17-options/)

Lembrem-se, o que o C-130, c/ tdos os seus defeitos não carrega, o KC-390 c/ tda a sua novidade, tb não.

Marcos
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Marcos

O que financia, por exemplo, os C-130 Hércules, são a enorme e imensa quantidade de encomendas feitas pelo governo americano.

aldoghisolfi
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aldoghisolfi

ET DIXIT VADER: “a FAB vá auferir royalties com as vendas da Embraer: claro, o investidor busca sempre o LUCRO; o que de certa forma, por outro diapasão, significa nada mais nada menos que “estatizar” um pedaço e/ou um produto da Embraer”. Che, acho que a FAB não pode receber royalties, exatamente por não poder ser investidora e nem detentora de algum tipo de patente industrial. Lucro é a remuneração do capital de risco e, SMJ, entendo que a FAB constitucionalmente está impedida desse tipo de operação no mercado/sistema financeiro nacional. Ou qualquer outra operação desse quilate. Esse lucro, especificamente,… Read more »

Vader
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Aldo, exatamente por isso que digo que a Embraer está superestimando suas vendas.

champs
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champs

Vader, Seu exemplo foi logo em quem? A toda poderosa Lockheed Martin. Veja que no meu comentário ressaltei: Nem todas as empresas tem capacidade de buscar financiamentos de grande vulto no mercado… Mas seu exemplo foi logo na que tem mais condições para isso. “O KC-390 não venderá o que querem os propagandistas do “Bravfil-Putênfia”!” Infelizmente seus comentários são contaminados pelo viés ideológico. Foi a frase que você mais destacou no texto inteiro. “Mais a mais pontuo que, em primeiro lugar, não é verdade que todos os projetos militares do mundo sejam financiados por governos.” Eu não escrevi isso, escrevi… Read more »

Vader
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champs disse: 16 de outubro de 2012 às 22:40 “Seu exemplo foi logo em quem? A toda poderosa Lockheed Martin.” Prezado, troque o exemplo. Coloque a Boeing. A EADS. A BAe. A proposição continua válida. “Veja que no meu comentário ressaltei: Nem todas as empresas tem capacidade de buscar financiamentos de grande vulto no mercado…” Amigo, dizer que a Embraer, com uma carteira de pedidos em US$ 20 bilhões, não consegue financiamento pra novos projetos, o camarada está brincando comigo. Parceiro, se a Embraer levanta um dedo forma FILA de banqueiro na frente, querendo emprestar a ela. Ora, pare com… Read more »

Mauricio R.
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Mauricio R.

“Acho que o KC-390 tem muitas chances aonde o A-400 é um produto caro e acima das necessidades, provavelmente…” Aí o cara compara, pensa e compra o Hércules!!! Esse ac da Embraer está em um posição bastante difícil, no mercado. Prensado entre o A-400M e o C-130J Super Hércules. Sem oferecer a capacidade de carga e o alcance do primeiro e tendo custos de aquisição e operação superiores ao do outro. Pois apesar da opinião contrária de uns e outros, o ac da Embraer ainda não converteu nenhuma das 60 “intenções de venda”, enquanto o ac da Lockheed já vendeu… Read more »

champs
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champs

Eu sei que será uma concorrência dura, mas nesta previsão de 700 aeronaves a serem substituídas podem conviver o A-400 e o KC-390 pois são classes diferentes em nível de carga, acho que eles não concorrem diretamente, o C-130 e o MTA é que serão os concorrentes diretos. Se o KC-390 for um bom avião ele pode conseguir esta meta que é ter 25% do mercado, seria a consequência de um bom projeto no meio de concorrentes de peso, aí concordo com o que Vader disse acima, não é um projeto de lucro certo, é um projeto arriscado pelo alto… Read more »