segunda-feira, agosto 8, 2022

Gripen para o Brasil

F-X2: transferência de tecnologia na pauta do encontro da Boeing em SJC

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Boeing traz fornecedores de seu jato ao Brasil

Doze fornecedores principais do caça supersônico F-18 Super Hornet, produzido pela americana Boeing, entre eles a Raytheon, Northrop Grumman e GE, se reuniram ontem em São José dos Campos com 67 empresas brasileiras do setor aeroespacial brasileiro.

Um dos objetivos do encontro, realizado no Parque Tecnológico do município, foi estabelecer acordos de parceria industrial para a fabricação de partes e sistemas do F-18, caso o avião seja selecionado pelo governo brasileiro para ser o novo caça de combate da Força Aérea Brasileira (FAB).

A diretora de Estratégias e Parcerias Internacionais da Boeing, coordenadora do encontro, Susan Colegrove, disse que as empresas americanas têm interesse em identificar oportunidades de negócios com as companhias brasileiras, não só no contexto do programa F-X2, mas também na área de aviação comercial.

“Já temos um memorando de entendimento assinado com mais de 25 empresas brasileiras do setor aeroespacial e de defesa visando o estabelecimento de parcerias duradouras, a exemplo do que já fizemos com a Embraer “, comentou.

Nos últimos dois meses, Boeing e Embraer assinaram dois acordos de cooperação, um para o programa de desenvolvimento do avião de transporte militar KC-390 e o outro para o fornecimento de sistemas de integração de armamento para a aeronave Super Tucano.

O diretor da Parker Aerospace, Guilherme Bonatto, disse que a direção da empresa nos Estados Unidos tem planos de instalar no Brasil um centro de reparos, modernização e de testes de componentes e, numa segunda etapa, uma fábrica para atender seus clientes. A Embraer seria o principal deles, pois todos os sistemas de combustível, hidráulicos e de comando de voo dos jatos 170/190 são fornecidos pela companhia americana.

O contrato mais recente da Parker com a Embraer, segundo Bonatto, foi para o jato executivo Legacy 500, que está em fase final de desenvolvimento. “As companhias Aéreas Gol e Azul também são clientes da Parker e o novo centro de serviços atenderia ao crescimento da demanda das companhias Aéreas que atuam no mercado brasileiro e da América Latina.”

A Parker também é fornecedora de sistemas para o F-18. “Caso tenhamos uma fábrica no Brasil, provavelmente ela seria instalada em São José dos Campos onde já temos uma unidade industrial que atende outros mercados”, explicou o diretor. O projeto do centro de serviços, de acordo com Bonatto, ainda não tem data definida, mas deverá ser implementado no médio prazo.

O diretor da divisão Sistemas Embarcados e Espaciais da Raytheon, que foi a empresa integradora do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), Larry Seeley, disse que já assinou memorandos de entendimento com dez empresas brasileiras e que o governo americano autorizou a companhia a transferir tecnologia na área de radares e de sistemas eletrônicos que equipam o caça F-18.

“Estamos oferecendo a possibilidade das empresas brasileira fornecerem diversos componentes dos nossos sistemas aviônicos mais avançados, usados atualmente pelo F-18 da Marinha americana, como o radar APG 79 AESA (da sigla em inglês Varredura Eletrônica Ativa) e o ATFLIR (sistema de rastreamento e visualização de alvos por infravermelho)”, explicou.

Segundo Seeley, na terça-feira a companhia conversou com executivos da Mectron, empresa do grupo Odebrecht, especializada em mísseis e sistemas eletrônicos, sobre a possibilidade de a brasileira vir a fabricar alguns componentes do sistema ATFLIR. “Pelo contato que já tivemos até agora, as empresas brasileiras estão muito interessadas em adquirir conhecimento dessas tecnologias de sistemas da Raytheon”, disse.

O gerente-geral de Soluções para Aeronaves Comerciais da BAE, Todd Rash, disse que a companhia pretende explorar oportunidades de parceria não só na área de defesa, para o F-18, mas também na área de aviação comercial e citou como exemplo as negociações que vem mantendo com a TAP, na parte de manutenção e reparo de aeronaves.

No fim deste mês, segundo ele, a BAE também espera fechar o contrato de fornecimento dos sistemas eletrônicos de controle de voo para o avião de transporte militar KC-390, para o qual a empresa também terá que assinar compromissos de “offset” (compensação e transferência de tecnologia). A BAE foi selecionada pela Embraer para o projeto do KC-390 em 2011. O valor do contrato está estimado em US$ 36 milhões.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp (reportagem de Virgínia Silveira)

NOTA DO EDITOR: o título da matéria foi uma escolha da editoria do Poder Aéreo. O título original, do Valor Econômico, é o subtítulo.

VEJA TAMBÉM:

- Advertisement -

31 Comments

Subscribe
Notify of
guest
31 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
marciomacedo

Tem um gostinho de F-18 no ar. A atuação da Boeing e suas parceiras faz acreditar até que o avião já foi selecionado pelo governo federal.

Tadeu Mendes

Senhores, A Boeing esta entrando com tudo nessa parada, e agora acaba de trazer a artilharia pesada para o Brasil. Americano nao brinca em servico. Devemos nos perguntar o porque de tanto interesse e comprometimento com o programa FX-2. Nao creio que seja por uns miseros 36 Super Hornets. Eles gostam de dinheiro, mas nao estao com a barriga na miseria; de jeito nenhum. Tem algo mais nisso ai. Ou o GF ja escolheu o SH e pediu a Boeing para montar evidencias em solo brasileiro, ou a Boeing esta absolutamente segura de que vai sair favorecida. Apesar de gostar… Read more »

edcreek

OLá,

Isso não vai dar em nada, denovo….

Não é culpa da Boing, nem do consorcio Rafale, muito menos da Anglo-Sueca SAAB….

A culpa é nossa, somos incapazes de efetuar essa compra, ainda mais com os desvios de verba das eleições para prefeitos….

Coisa de republica bananeira…

Abraços,

Hamadjr

Mas alguém ainda tem dúvida que ser a compra acontecer será por esta aeronave?
O acordo para compra vai sair depois de acertado com os credores uma diminuição do superávit primário, resolvendo esse entrave o negócio se concretizar.

Nick

Partindo do princípio que esse FX-2 não morreu, e será decidido no final do ano, a ofensiva da Boeing veio forte. 🙂

Igualou as ofertas de ToTs dos franceses e como tem um caça mais barato(aqusição e operação) está em vantagem. Tecnicamente já venceu. Só não leva porque afinal das contas, é o caça do grande Satã Imperial do Norte… 😀

[]’s

ernaniborges

Caros companheiros.

Disse em outro tópico e torno a dizer:

Acredito que a decisão já foi tomada e a finalização das negociações para a assinatura do contrato está sendo feita, sem alarde, como aconteceu com a MB.

Retrucaram dizendo que não havia motivos para negociação secreta.

Eu afirmo que há.

Além de ser ano eleitoral (o assunto pode ser explorado por opositores), acredito que enquanto não publicarmos nossa decisão, haverá espaço para se conseguir mais vantagens de todos os competidores e, caso dê algo errado na negociação com o preferido, pode-se mudar a preferência, sem ônus político.

Mauricio R.

Eí Raytheon, melhor não terceirizar…

RA5_Vigilante

Caro Tadeu

“…ficassem situadas um pouco mais longe da costa. Essa area e muito vulvneravel.”

Qual seriam os paises da AL que teriam capacidade de projeção para atacar SJC por mar? Se não da AL, qual país entao?

Saudações

Mauricio R.

“Deveriam mandar essas companias para a area metropolitana de Belo Horizonte, que alem de possuir excelente infra-estrutura e base academica, estariam…”

A “base acadêmica” em SJC se chama ITA, qual seria a “base acadêmica” em BH???
Mas se SJC é assim “tão vunerável”, São Carlos, que tem universidades estadual e federal; poderia ser uma alternativa.

Tadeu Mendes

Caro RA5-Vigilante, Respondendo a sua pergunta: A Russia; a nao ser que a US Navy feche a Atlantico Sul para os russos. Na AL no momento ninguem, mas o futuro e imprevisivel. ,Ate mesmo a Inglaterra e a OTAN poderiam ser os adversarios, dependendo de quanto o Brasil e Unasul estariam dispostos a combater ao lado da Argentina, por causa das Malvinas. Mauricio R. Nao fique magoado comigo. Rsrsrsrsrs… BH tem base industrial, possui boas universidades como a UFMG, UEMG, PUC, o Instituto de Eletronica de Itajuba nao esta muito longe. Ate mesmo a Google se instalou em BH. O… Read more »

AlexJ

Tadeu, se tem que ser interior e com base industrial, por que não São Carlos? USP, inclusive com graduação em Eng. Aeron. e UFSCar. Sem falar que a pouca distância estão a Unicamp e a UNESP.

champs

Tadeu Mendes disse:
2 de agosto de 2012 às 21:33

Respondendo a sua pergunta: A Russia; a nao ser que a US Navy feche a Atlantico Sul para os russos.

A Russia??? Por qual motivo os russos atacariam o Brasil?

Sobre a Boeing não vejo nada além de torcida nos comentários, na minha opinião se os franceses não baixarem o preço pode até ser que ganhe o Gripen mas o Super Hornet, considerando a posição ideológica deste governo, é quase impossível.

champs

Complementando: Se na decisão sobre o FX-2 não houver fator político-ideológico para mim será uma verdadeira surpresa, tanto é verdade que o Rafale por pouco não escolhido antecipadamente.

Vader

O curioso é que a Boeing, que se manteve até certo ponto quieta e até um pouco distante nos princípios dessa longa novela chamada FX2, decidiu fazer e acontecer nos últimos meses. Mostrou seu produto, mostrou seus parceiros, mostrou suas intenções, mostrou suas enormes vantagens, tintim por tintim. Independente do resultado, isso demonstra que a empresa e seus parceiros lá e cá não irão admitir tranquilamente um resultado que não seja baseado nos fatores técnicos e econômicos, mas sim nos ideológicos. Quem se lembra do escândalo SIVAM-Thales sabe do que estou a falar. Já disse e reafirmo: o Brasil passou… Read more »

RA5_Vigilante

Prezado Tadeu

Fala sério, heheh. A Rússia atacar o Brasil? Com o que? TU-160, Bear, PA? Se for por ar, BH está mais próximo da Rússia que SJC. Mandar um PA pra atacar o Brasil? E onde fica a USN e nossa marinha?

OTAN? Pra atacar interesses da Boeing? Tio Sam deixaria?

Td bem puxar sardinha pra BH, mas forçar argumento não dá né?

Saudações

marciomacedo

Se confirmada a opção pelo SH, tomara que o governo federal consiga incluir no negócio, além de alguma ToT, equipamentos que permitam diminuir o gap tecnológico das FA, enquanto executa projetos estratégicos como o Sisfron, o Proteger e o de vigilância da Amazônia Azul. Um esquadrão de helicópteros de ataque, por exemplo, daria uma nova dimensão à aviação do Exército.

edcreek

OLá,

Senhores voltem a realidade, não haverá compra,

Abraços,

Guilherme Poggio

Caro edcreek

Compra haverá. Basta saber quando e o que.

Observador

Senhores, Nem tanto à terra e nem tanto ao mar. É necessário passar o período eleitoral – lá e cá – para que este assunto tenha uma definição. Se o Obama se mantiver no Poder, a coisa anda; se for o republicano, muito do que foi negociado terá que ser confirmado ou renegociado. Ficando o democrata, acredito inclusive em um desfecho favorável à Embraer no LAS, esquentando ainda mais as possibilidades da compra dos aviões. Para ajudar o SH, a parte americanófila do governo anda desacreditada (Marcos Aurélio Garcia, Celso Amorim, Antônio Patriota) depois da bola nas costas que levaram… Read more »

Observador

Em tempo:
…esquentando ainda mais as possibilidades da compra dos aviões no FX-2.

Baschera

Eu já disse isto aqui…..” Habemus Papam”….

Entâo porque não anunciam ??

Isto não sei responder…..

Sds.

Tadeu Mendes

Champs, Nao foi a torcida do SH quem obrigou a Boeing a trazer a Raytheon, a Northop Grumman e a GE ao Brasil. So nao ve, quem nao quer. Acho que a pedra ja esta cantada. Aos amigos do ABC paulista, Eu nao tenho nada contra, e reconheco o alto nivel academico e industrial da regiao. Ainda que Sao Carlos esteja no interior, eu penso que a topografia de Minas Gerais (bastante montanhosa) dificultaria em muito, um ataque vindo por mar. O Vigilante propos alguns vetores para o ataque, mas eu estou pensando em Cruise Missiles. Tanto os cruzadores russos… Read more »

champs

Tadeu Mendes disse:
3 de agosto de 2012 às 21:30

“Minha maxima geopolitica e a seguinte: Pensar no impessavel, para que pelo menos se faca a preparacao necessaria e proprocional ao tamanho da ameaca.”

Pô Tadeu se você consegue imaginar a Russia atacando o Brasil então você me permite imaginar os EUA e a Otan tomando a Amazônia.
Pelo menos naquele caso houve declarações de personalidades americanas e européias.
E olhe que acho isso impensável, mas capacidade expedicionária e de ataques de cirurgicos só EUA e a Otan tem.

Tadeu Mendes

Champs, Tudo e possivel, inclusive o que voce esta pensando. Mas a pergunta seria: para que??? Da mesma maneira que a Russia poderia decapitar a infra-estrutura industrial brasileira, sem precisar de desembarcar soldados em terra, o mesmo principio se aplica aos EUA e/ou a OTAN. Nesses casos citados, estamos falando de capacidade logistica e belica, o que diferencia um do outro, seria a motivacao. Mas quanto a ocupar a Amazonia; seja por quem seja, o custo politico seria alto demais, os dividendos economicos poderiam ser, ou nao ser rentaveis, se comparados a magnitude da operacao. O ambiente amazonico e demasiadamente… Read more »

Mauricio R.

Marte, ataca!!!

RA5_Vigilante

Prezado Tadeu “Na minha tese, eu deixava bem claro que os russos poderiam atribuir ao Brasil um papel importantissimo na resconstrucao dos Estados Unidos no periodo pos-guerra.” Então o motivo do ataque ao seria evitar a reconstrução dos Estados Unidos? Tem um furo na sua tese ai: se a Russia conseguisse destruir os EUA e ainda tivesse capacidade bélica para ainda atacar o Brasil (bem improvável sobrar algo depois de confronto com EUA), não seriam alguns quilômetros a mais que faria a Russia destruir a infra estrutura brasileira. Misseis de cruzeiro há muito tempo têm capacidade de seguimento de terreno,… Read more »

Penguin

Boeing, Super Hornet Suppliers Present Prospects for Brazilian Industry At Porto Alegre and São José Dos Campos Conferences (Source: Boeing Co.; issued August 2, 2012) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, Brazil — Boeing and a dozen of its F/A-18E/F Super Hornet suppliers highlighted opportunities available to Brazilian industry at conferences on July 31 in Porto Alegre and Aug. 1 in São José dos Campos. A wide-ranging industrial participation program is part of Boeing’s Super Hornet offering in Brazil’s F-X2 fighter competition. “The participation of so many Super Hornet team members in these conferences and the opportunities presented demonstrate the commitment of… Read more »

Tadeu Mendes

RA-5 Vigilante, Voce esqueceu que uma outra vantagem de BH sobre SJC: a capital mineira possui uma vida noturna excelente, com cerca de 11 mil bares espalhados pelca cidade. Rsrsrsrsrs….Minha despedida do Brasil foi la em BH. Os Tomahawk sim possuem essa capacidade de navegacao, obedecendo os contornos topograficos durante a trajetoria ate ao alvo. Essa tecnologia e dos anos 80. Mas o que eu nao sei, e se os misseis de cruzeiro russos possuem essa capacidade com o mesmo nivel de precisao que os Tomahawk. Quanto a minha tese, se a mesma estiver furada, entao melhor para o Brasil.… Read more »

Tadeu Mendes

Para quem leu esse post do Penguin, ha de concordar comigo de que nao existe e nem existira no FX-2, FX-3 etc. etc… nenhum concorrente que possa bater a Boeing.

champs

Pelo visto acabaram-se as dúvidas sobre o custo de operação da FAB em relação ao FX-2. O Super Hornet esta muito mais para o Rafale do que para o Gripen em relação a custo. A FAB tem condições de ter 72, 80, 120 caças bimotores médio-pesados? Pra mim não, por isso é necessário se discutir a decisão da FAB em ter um único caça padrão e ainda sonhar que esse caça chegue a 120 unidades, não passarão do primeiro lote. O HI-low é uma necessidade, o Gripen como caça tático de menor custo e operando em raios menores (Canoas, Santa… Read more »

Observador

Senhores: Sempre achei que o Gripen era a cara da FAB: um avião barato para adquirir, manter e voar,o substituto natural da espinha dorsal da aviação de caça brasileira: o F-5. Porém, se for para ter um caro caça bimotor, prefiro aquele que estará voando daqui a trinta anos. Sem falar na vantagem de ser convertido em um Growler, o único avião capaz de ter chance real de sobrevivência (ou seja, sem contar com o fator SORTE) frente aos caças de quinta geração. E, se querem falar de cenários de possíveis futuros ataques, não falem dos EUA nem da Rússia.… Read more »

Últimas Notícias

USAF avalia lançamentos de mísseis do F-15EX para verificar capacidade de combate

BASE DA FORÇA AÉREA DE NELLIS, Nevada (AFNS) — Os membros da equipe do Destacamento 6 do Centro de...
Parceiro

LAAD 2023

- Advertisement -
- Advertisement -