terça-feira, outubro 19, 2021

Gripen para o Brasil

Fumaça 50 anos – isso mesmo que você leu, 50 anos

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

A penúltima matéria da série sobre os 60 anos da “Esquadrilha da Fumaça” é, na verdade, sobre outra grande festa que ficou marcada na memória de muita gente, há 10 anos: os 50 anos do EDA, comemorados nos dias 17, 18 e 19 de maio de 2002, na Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga – SP. Três dias de muitas atrações, quebra de recorde, e que também marcaram de vez a volta do EDA aos voos com a nova pintura, trazendo as cores da Bandeira Nacional – foi no início daquele ano de 2002 que a “Fumaça” voltou a voar após um período sem apresentações, enquanto seus T-27 Tucano recebiam reforços estruturais.

Naquele aniversário, o EDA trouxe duas novidades que chamaram a atenção. Uma foi a escrita no céu com as aeronaves em formação, montando letras e números como se os aviões fossem uma impressora. Com um belo céu azul de fundo, os Tucanos escreveram “EDA 50 ANOS” sobre Pirassununga. Outra novidade foi o recorde de aeronaves em formação em voo invertido. Onze Tucanos decolaram para quebrar a marca anterior, que pertencia ao próprio esquadrão.

 

 

Como na festa deste ano, estiveram presentes os “Halcones” chilenos, mostrando manobras arrojadas e precisas com seus acrobáticos Extra 300 – entre elas, a formação da estrela chilena, que também foi feita na festa do mês passado (mas que, infelizmente, não saiu boa nas nossas fotos, ao contrário desta abaixo, que teve um típico céu azul pirassununguense de fundo).

 

 

Os caças e jatos de ataque da FAB também marcaram presença no solo e em voo. Nas imagens abaixo, podemos ver um A-1 taxiando, ainda com a camuflagem em tons de cinza e a marcação da base na deriva (SC indicando Santa Cruz, base de onde operam os A-1 do 1º/16º Grupo de Aviação). Pode-se reparar também na grande área pintada em preto no nariz, que ultrapassa e muito a região do radome. Segundo fontes da época, essa área pintada de preto visava tornar o jato mais visível a aves como urubus, que poderiam evitá-la com mais facilidade – até mesmo a parte frontal de tanques externos recebia a pintura preta. Um F-5E do 1º Grupo de Aviação de Caça, ainda sem modernização, pode ser visto exibindo seus mísseis Python 3 e MAA-1 Piranha de manejo.

 

 

A Marinha do Brasil também compareceu à festa, com dois helicópteros e um caça de sua Aviação Naval. Um Super Lynx exibiu sua ótima capacidade de manobra e um Sea King demonstrou a operação antissubmarino, baixando o seu sonar quando em voo pairado. E um jato AF-1 do esquadrão VF-1 realizou passagens de demonstração, com o interessante detalhe de estar com mísseis AIM-9 Sidewinder de manejo sob as asas. Na foto abaixo à direita, pode-se ver os mísseis sendo instalados.

 

 

E uma presença muito especial foi o saudoso coronel Braga, o mais famoso “fumaceiro” de todos os tempos. Com sua saúde já debilitada, ele voou no posto traseiro do T-6 pintado em cores históricas da Fumaça, que realizou os tradicionais rasantes sobre a pista. As fotos abaixo, além de mostrarem o T-6 de Braga e a exibição dos Halcones chilenos no ar e no solo, mostram o futuro da FAB, principalmente na Amazônia (Sivam), sendo representado com um A-29 Super Tucano (que ainda não havia entrado em operação) e um avião-radar E-99 (à época R-99A, do qual se vê um “winglet”). Já a Aviação de Transporte da FAB foi representada por um C-115 Buffalo, e a da Força Aérea do Chile por um C-130, que podem ser vistos ao fundo em algumas das fotos selecionadas para esta matéria.

 

Por muitos anos, o 50º aniversário do EDA ficou na lembrança de quem compareceu na AFA naqueles três dias de maio de 2002. E nos 60 anos, mesmo com a lembrança mais recente do barulho de jatos F-18 Hornet e Super Hornet, além do Mirage 2000 que há 10 anos era só uma promessa de aeronave nova do ainda vivo “F-X1” (representado pelo Mirage 2000BR, oferecido pela Dassault e pela Embraer), e que hoje é uma aeronave adquirida usada, continua na memória como um grande evento. Hoje, novos “fumaceiros” voam os T-27, e outros pilotos voam os jatos de primeira linha da FAB, alguns desses aviões aguardando atualização, outros já modernizados. A modernização de caças, de aviões de transporte, sem falar na substituição do C-115 Buffalo pelo C-105 Amazonas e outras novidades mudaram bastante o panorama da FAB nesses 10 anos. Já a espera por renovações mais profundas continua, como há 10 anos.

 

 

Há uma década, também não existia o Poder Aéreo – e este editor tirou as fotos que você vê aqui como um entre tantos entusiastas do assunto. O Poder Naval Online já existia há uns cinco anos e já era acompanhado por muitos dos leitores atuais (o que inclui este editor), mas ainda não tinha o formato de Blog que tem hoje. Uma revista como a “Forças de Defesa” ainda era um sonho a ser gestado. Enfim, muita coisa mudou na discussão de defesa nos últimos dez anos. E o que vai mudar nos próximos? Que venham os 70 anos do EDA para a gente descobrir!

Não perca a última matéria da série “Fumaça 60 anos” nesta segunda-feira, trazendo também links para todas que já publicamos sobre esse grande evento.

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3 Comments

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Guilherme Poggio

Bela lembrança Nunão.

Alexandre Galante

Do fundo do baú, parabéns!

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