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Segundo o Engineering News Online da África do Sul, é cedo ainda para dizer se a Denel Saab Aeroestructures (DSA), empresa sul-africana, será envolvida na fabricação de componentes para os 22 caças Saab Gripen que a Suíça divulgou ter intenção de adquirir. A DSA é parte do grupo estatal de defesa Denel e, apesar do nome, não tem mais a sua propriedade compartilhada com o grupo aeroespacial e de defesa sueco.

Segundo um representante da Saab, que falou nesta sexta-feira ao Engineering News Online sob a condição de anonimato, “a Saab ainda deverá consultar a Denel, mas fará isso quando o contrato de aquisição dos suíços tiver sido negociado. No estágio atual, a Suíça apenas anunciou a seleção do Gripen”.

A DSA produz o trem de pouso principal e a parte inferior da fuselagem posterior, além dos pilones para cargas externas das versões  JAS 39C (monopostos) e JAS 39D (bipostos) do Gripen. Porém, a Suíça selecionou uma versão de nova geração do caça, que agora vem sendo referida mais formalmente como JAS 39E e JAS 39F (variantes monoposta e biposta, respectivamente). Os JAS 39E/F terão um motor mais potente, o General Electric F414 e serão equipados com um radar de última tecnologia (de varredura eletrônica ativa – AESA).

A Suíça anunciou a escolha do Gripen na quinta-feira. O Gripen derrotou o Dassault Rafale e o Eurofighter Typhoon, ambos bimotores e, consequentemente, maiores e mais pesados que o caça monomotor sueco. As autoridades suíças informaram que a aquisição custará até 3.1 bilhões de francos suíços (aproximadamente 3,5 bilhões de dólares). Destacaram também que o Gripen teria custos de operação menores que seus competidores, toranando-o acessível no médio e longo prazos.

A Suíça e a Saab agora vão negociar o contrato, que incluirá um programa de compensações de 100% para a indústria suíça. Levando em conta as necessárias aprovações do parlamento, é pouco provável que o contrato final seja assinado antes de 2013.

A Suíça se tornará o quinto cliente de exportação do Gripen, após a África do Sul (o primeiro país além da Suécia a selecionar o caça, mas não o primeiro a recebê-lo), a República Tcheca, a Hungria e a Tailândia. O Gripen também ~e usado pela mundialmente renomada “Empire Test Pilots’ School”, a escola de pilotos de teste do Reino Unido.

FONTE: Engineering News (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTO: Saab/Gripen International

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A Rolls-Royce, empresa global de sistemas de energia, fechou contrato de US$ 350 milhões com a companhia aérea americana Hawaiian Airlines para fornecer turbinas Trent 700 para equipar cinco aeronaves do tipo Airbus A330. O pedido também inclui a prestação de serviços de manutenção de longo prazo TotalCare®.

Essas novas aeronaves, com previsão de entrega entre 2013 e 2015, serão somadas à atual frota da Hawaiian Airlines de cinco A330, equipados com os motores Trent 700, além de outras 12 unidades a serem entregues.

Mark Dunkerley, presidente e CEO da Hawaiian Airlines, disse: “Essa parceria representa mais um importante marco no crescimento do nosso negócio e em nossa frota de longo alcance. Os motores Rolls-Royce Trent 700 oferecem altos níveis de desempenho operacional e eficiência de consumo de combustível. Trata-se do motor mais silencioso a equipar o Airbus A330 – o que é muito relevante para a Hawaiian Airlines.”

Mark King, presidente da divisão de Aviação Civil da Rolls-Royce, comentou: “Estamos muito satisfeitos que mais uma vez a Hawaiian Airlines tenha escolhido nossa tecnologia de turbinas de classe mundial, além dos nossos serviços de manutenção TotalCare®. Continuamos empenhados em fortalecer nossa importante relação com a Hawaiian Airlines, fazendo com que a companhia aérea possa tirar o máximo proveito da tecnologia Rolls-Royce.”

O Trent 700 é o único motor especificamente projetado para o Airbus A330 e é o mais eficiente em consumo de combustível, o mais limpo e o mais silencioso a equipar esse modelo de avião. O motor incorpora tecnologia dos motores Trent 900 e Trent 1000, posteriores a ele, que possuem eficiência de consumo de combustível um por cento maior.

Mais de 1.400 motores Trent 700 estão atualmente em serviço ou encomendados e nos últimos três anos o motor conquistou mais de 75 por cento do total de encomendas do segmento.

Além da frota atual de A330, a Hawaiian Airlines também opera 18 Boeing 717, equipados com motores Rolls-Royce BR715, e seis Airbus A350 encomendados, cujos motores também serão Rolls-Royce, do tipo Trent XWB.

 

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Nota oficial da Saab sobre versão do Gripen para a Suíça

Ontem, autoridades suíças declararam a seleção da aeronave Gripen E/F. A versão oferecida inclui radar AESA e motor mais potente, o General Electric (GE) F414. A aeronave possui também resistência e carga útil maiores do que a versão avaliada pela Suíça em 2008.

A capacidade do Gripen é constantemente atualizada para que permaneça sempre na vanguarda da tecnologia e para que cumpra todas as exigências, tanto as atuais quanto as que possam ser previstas para o futuro. A Saab, a Suécia e nossos parceiros estão comprometidos com o desenvolvimento em andamento do Gripen e vemos isto como um processo natural e contínuo. O protótipo do Gripen NG é a plataforma utilizada para testar e desenvolver tecnologias e características que serão incorporadas no Gripen E/F.

A seleção da aeronave ocorreu por meio de uma avaliação minuciosa de autoridades suíças. A Saab e a Suécia iniciarão, agora, negociações com a Suíça para otimização do pacote completo.

SAIBA MAIS SOBRE O GRIPEN E SUA HISTÓRIA:

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Decisão do Departamento de Defesa Suíço pelo Gripen repercurte na mídia suíça e sueca. Parlamento sueco também discute o desenvolvimento de dez Gripens E/F, que são as novas versões do caça

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A foto acima, tirada há pouco mais de um mês no Vaticano, talvez estivesse mais à vontade no site das Forças Terrestres, ao invés do Poder Aéreo. Mas a imagem do sonolento integrante da famosa “Guarda Suíça” apoiado em sua tradicional alabarda, combina melhor com as palavras pronunciadas pelo ministro da Defesa da Suíça do que a foto de qualquer caça, seja ele considerado o melhor do mundo ou não.

A frase do ministro da Defesa da Suíça Ueli Mauer (na verdade chefe do Departamento Federal de Defesa, Proteção Civil e Esporte – DDPS), que colocamos no título, foi pronunciada na coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, em que foi confirmada a intenção do Governo Suíço em adquirir 22 caças Gripen, da sueca Saab. A coletiva e a nota oficial a respeito repercutiram em diversas mídias entre ontem e hoje, e trazemos aqui para os leitores do Poder Aéreo alguns trechos de matérias. A frase destacada no título é do Swiss Info.

O sueco The Local destacou outra frase de Mauer, que para alguns leitores do Brasil, talvez os de mais idade, deve trazer algumas lembranças de frase similar dita por autoridade brasileira há muitos anos (embora num contexto totalmente diferente e referindo-se a outra nação): “O que é bom para a Suécia e outros países deve também ser bom para a Suíça“. De acordo com Mauer, foram as qualidades e o preço, assim como as relações industriais com o o Grupo Saab de Defesa que resultaram na decisão.

Mauer também afirmou que “a compra do Gripen pode não significar que teremos o melhor avião de caça na Europa. Mas teremos uma aeronave que atende às nossas expectativas – e não estamos planejando quebrar nenhum recorde mundial nessa área.”

Críticos à decisão alegam que o Gripen não se saiu bem em dois dos testes realizados na Suíça. Os defensores do caça sueco argumentam que a aeronave, anteriormente, se saiu melhor, e que é o desempenho geral que conta. Porém, os críticos concordam que o preço foi o fator preponderante.

Mas o The Local também traz a repercussão da notícia entre os suecos, numa matéria com o título “Suécia deve desenvolver super jatos”, referindo-se às novas versões E/F do Gripen.

Segundo o jornal, caso a compra suíça se concretize, a Suécia deverá desenvolver dez unidades do novo e avançado modelo E/F, conhecido como  “Super-Jas”, de acordo com uma proposta do comitê de defesa (na foto acima, o demonstrador NG das futuras versões do Gripen, fotografado na Suécia pelo Poder Aéreo). Cecilia Widegren, parlamentar do grupo moderado e que está à frende dessa proposta, diz que “a decisão será levada ao comitê em 15 de dezembro”, sendo que a maioria do comitê chegou a um acordo a respeito, na condição de que “o Brasil ou qualquer outro país” faça uma encomenda do caça.

Assim, o Governo Sueco deverá decidir em 2012 sobre o desenvolvimento dessas dez aeronaves, no caso da encomenda suíça se encaminhar com sucesso. Porém, o Partido Verde sueco quer que o país modernize os caças Gripen existentes e arqumenta que o novo modelo E/F seria muito caro.

O porta-voz do partido para assuntos de defesa, Peter Rådberg, disse que é bem capaz que um “Super-Jas” seja o que a Suíça quer, o que influenciaria a decisão sueca sobre sua futura defesa aérea. Ele acrescenta que a Suíça está pagando 22 bilhões de coroas suecas (3,29 bilhões de dólares) pela encomenda, o que indicaria um custo de um bilhão de coroas suecas por caça. Para Rådberg, “isso é muito mais caro (que as aeronaves existentes). Cálculos anteriores estimaram por volta de meio bilhão (de coroas suecas) por aeronave, portanto isso indica que eles (os suíços) estão pedindo por modelos E/F, mas precisamos checar. Não temos todas as informações no momento. O desenvolvimento de dez aeronaves vai custar grandes quantias aos contribuintes.”

Por outro lado, parlamentares do Partido Social Democrata têm uma visão positiva sobre o desenvolvimento de dez super caças, caso a encomenda suíça se concretize. “Conseguir a encomenda, nesse momento, é bom para a Suécia. É importante para as Forças Armadas e para a Suécia como nação. Mostra que o Gripen é um caça e um sistema de defesa que ganhou respeito internacional, disse o social democrata Peter Hultqvist, que está à frente do Comitê de Defesa.

A Saab preparou propostas tanto das versões C/D quanto E/F do Gripen para a Suíça. De acordo com a agência TT, citada pelo The Local, foi a versão E/F que se discutiu na coletiva de imprensa suíça da quarta-feira.

Já a Radio Sweeden destacou que um referendo suíço poderá parar o processo de venda dos caças suecos. Isso porque diversos dos maiores partidos de oposição, incluindo o Partido Verde e o Social Democrata pretendem coletar as 100.000 assinaturas necessárias para garantir um referendo nacional sobre a venda. O porta-voz Social Democrata Evi Alleman disse à rádio que “nós não precisamos de nenhum avião de guerra novo, é um luxo desnecessário” (nota do editor: pelo visto, há dissenções no próprio partido, que tem um social democrata encabeçando o Comitê de Defesa da Suécia, segundo o The Local). Mas outros partidos de oposição deram seu apoio ao acordo, que deverá custar bilhão de dólares a menos que as ofertas dos competidores Eurofighter e Rafale.

O Swiss Info e o 24 heures citaram outros meios para destacar outras críticas ao jato sueco.

Uma das maiores críticas ao jato, mostrada nos jornais de ontem e hoje mas que vem de longa data, é que o caça ainda está na fase de protótipo, e pode não conseguir clientes em número suficiente para garantir que esteja (assim como suas peças) disponível quando necessário. Matéria do jornal Tages-Anzeiger, citada pelo Swiss Info, opina que um país fica “atado a um fabricante por 40 anos quando adquire uma aeronave. Mas o Gripen pode ser descontinuado se houver muito poucas encomendas.”

O jornal Der Bund, ecoando as preocupações do Tages-Azeiger, diz que “ainda que sejam resolvidas as questões parlamentares, é incerto que os 22 caças Gripen cheguem um dia a pousar na Suíça.”

O jornal La Liberté chegou a publicar uma charge mostrando Maurer perdido em meio a ferramentas, instruções e caixas de componentes do Gripen, dando a entender que os jatos poderiam não ser a pechincha que aparentam (veja abaixo). O Le Temps publicou uma charge similar.

O Le Temps descreveu Maurer como hábil pela decisão de selecionar a opção mais “modesta e módica”, destacando que o Rafale teria sido abatido por seu preço “excessivo” e devido aos “ataques verbais e à arrogante atitude de líderes franceses em relaçao à Suíça”.

Na coletiva de imprensa de quarta-feira, Maurer disse que o Gripen foi, de longe, a opção mais barata entre os três competidores, com um custo da frota de 22 aeronaves ao redor de 3,1 bilhões de francos suíços (3,4 bilhões de dólares). Sem questionar as capacidades dos outros dois caças, Maurer destacou que os custos extras dos mesmos deixariam pouca margem de manobra no orçamento de defesa como um todo, que também tem que cobrir a operação de um exército de 100.000 militares e a modernização do equipamento. Ele disse que “o melhor exército do mundo não consiste no melhor caça do mundo mais alabardas’

O Governo Suíço pretendia vetar a compra dos caças enquanto procurava por um método para financiá-los, mas ficou sob pressão do parlamento para tomar uma decisão.

Maurer disse que o Gripen foi escolhido não porque fosse o “mais recente e mais avançado caça”, mas porque era o que “mais se encaixava” para a Suíça. Mas ele acrescentou que, nas avaliações realizadas, o Gripen se saiu melhor em algumas áreas do que os outros competidores, sem dar detalhes – o Governo não pode divulgar esses dados devido a um acordo feito com os três fabricantes da disputa.

Apesar de se dizer que o Gripen que a Suíça vai comprar só existe no papel, ele será desenvolvido com base nos jatos já existentes, e é possível que a linha de montagem final seja estabelecida na Suíça.

Os que se opõem a qualquer compra de caças querem que a decisão seja levada aos eleitores suíços. Se necessário, os pacifistas do  “Grupo para uma Suíça sem um Exército” (Group for Switzerland without an Army – GSoA) e os Verdes lançarão uma iniciativa para declarar uma moratória à compra.

Uma declaração do Partido Verde alega que é “um segredo aberto” que o Gripen era o último da lista para a maioria dos membros da Força Aérea Suíça. Segundo o partido, “é concebível que o Governo, que não deseja comprar qualquer caça no momento, tenha escolhido o Gripen porque é a opção menos favorecida no parlamento.”

FONTES: The Local, Radio Sweden,Swiss Info, 24 heures, La Liberté, Le Temps, Tages-Anzeiger, Der Bund (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

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A Suíça anunciou ontem a compra dos aviões de caça Gripen da sueca Saab em detrimento dos Rafale franceses. Para o jornal Le Monde, esse novo fracasso é a prova de que a estratégia comercial da aeronáutica militar francesa vive de “miragens”.

 

Em editorial na capa da edição do Le Monde desta quinta-feira, o jornal francês faz uma constatação dramática: o caça francês Rafale, assim como o Concorde na aviação civil, “é um avião que nunca foi exportado”. O texto culpa o governo francês e a fabricante Dassault por não conseguirem concorrer com no mercado internacional com os modelos similares F-18 (da americana Boeing), Gripen (da sueca Saab) e o Eurofighter (produzido por um consórcio da Itália, Alemanha, Espanha e Itália).

Desde o lançamento do programa Rafale, nos anos 80, a Dassault só enfrentou dissabores nas exportações. A lista de clientes que desistiram da compra do modelo francês é extensa: Holanda, Coreia do Sul, Cingapura, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e até Líbia sob o regime de Muammar Kadafi. E, para o jornal, a maior decepção foi o Brasil.

Em entrevista ao Le Monde há dois anos, o presidente da Dassault, Charles Edelstenne, afirmou que o Rafale poderia, enfim, se livrar do rótulo de avião que “nunca havia sido exportado”, já que dava como quase certa a venda de 36 exemplares para o Brasil. A promessa de compra brasileira, porém, dissipou-se “como uma miragem”, diz o editorial. Agora, a fabricante aposta todas as fichas em uma “vaga” esperança na Índia que pretende comprar 126 caças para suas forças armadas. Essa pode ser uma das últimas chances para salvar a reputação da aeronave.

Em um texto nas páginas econômicas, o jornal continua a analisar o caso e avalia que o Rafale é “caro demais”. Para justificar sua escolha do governo suíço, por exemplo, indica que “os argumentos financeiros foram determinantes “.

Por enquanto, a Dassault terá que se consolar com o mercado interno. O exército do ar francês (Armée de l’air – Força Aérea Francesa) vai comprar 180 Rafale até 2021, podendo chegar a adquirir 286 aeronaves. A encomenda terá um custo de 40 bilhões de euros. Para o jornal, em tempos de austeridade, é questionável que o governo francês financie, sem discutir o preço, uma empresa privada.

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Na quarta-feira passada, 23 de novembro, a Saab apresentou o caça Gripen como exemplo de inovação sueca, na Arena de Pesquisa e Tecnologia do Open Innovation Seminar (evento realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo). O Poder Aéreo esteve presente à exposição feita pelo diretor de Tecnologia da Saab, Pontus de Laval, num painel que contou também com apresentações da IBM e da agência sueca Vinnova.

Foram apresentadas as inovações da Saab no desenvolvimento de aviões de caça ao longo do tempo, e de Laval procurou deixar bem claro, desde o início, que a empresa não é um gigante como a norte-americana Lockheed Martin, mas que conta, em compensação, com um sistema denominado “Triple Helix” para garantir a inovação nos seus produtos.

O Gripen é, segundo o diretor da Saab, um exemplo de aplicação do “Triple Helix”, em que a primeira parte envolvida é o público (na forma de agências e governo), que entende as necessidades do país. A segunda parte é a indústria, que busca suprir essas necessidades com tecnologia, cumprindo os requerimentos estabelecidos. E a terceira é a academia, que pesquisa o desenvolvimento tecnológico (por exemplo, um novo conceito de radar) e o aplica em simulações e na prática com a indústria. A aplicação do “Triple Helix”está, segundo de Laval, no cerne da proposta da Saab para o programa F-X2 da FAB, em que é oferecida a nova geração (NG) do Gripen. Trata-se de um convite ao Brasil para desenvolver uma nova geração do Gripen em conjunto com a Suécia.

O diretor da Saab afirmou que a capacidade de desenvolver o caça no Brasil é a chave da proposta. Não se trata apenas da produção de partes e componentes, mas de desenvolvimento conjunto agora e ao longo do ciclo de vida da aeronave. Ele apresentou brevemente os principais pontos da proposta sueca para o programa F-X2 do Brasil, organizados em três grandes conjuntos:

1 – Produtos e serviços do Gripen NG

  • 36 caças Gripen NG, capazes de voar em supercruzeiro (velocidade supersônica sem uso de pós-combustor) e equipados com radares AESA de última geração.
  • Pacote com armamentos brasileiros e de países não alinhados.
  • Total apoio operacional e o menor custo comprovado ao longo do ciclo de vida.
  • Centro de simulação de combate em rede.

2 – Transferência de tecnologia, desenvolvimento e produção

  • Parceria Suécia-Brasil em marketing, desenvolvimento e fabricação, com até 40% do desenvolvimento do Gripen NG feito no Brasil.
  • Até 80% das células dos caças Gripen NG serão produzidas no Brasil, com linha de montagem completa no País.
  • Offsets (compensações) de mais de 175% do valor do contrato e cooperação no KC-390.
  • Capacidade total para manutenção, reparo e revisão, incluindo o motor.

3 – Compromissos do Governo Sueco

  • Transferência garantida de tecnologia, incluindo desenvolvimento conjunto de data link
  • Treinamento de pilotos e pessoal de apoio (Engineer), com desenvolvimento conjunto de táticas
  • Comprometimento com o Gripen NG em linha com as entregas para a FAB.
  • Avaliação de aquisição do KC 390 e do Super Tucano.
  • Financiamento total do contrato.

Outro aspecto destacado por Pontus de Laval é que, dentro desse sistema de desenvolvimento e pesquisa (Triple Helix), consegue-se um retorno em valor da tecnologia (technology spillover) que pode ser calculado. No caso do Gripen, o cálculo comprovado é que para cada dólar investido no projeto houve um retorno de 2,6 dólares. Entre os benefícios aplicados em outras áreas, está a tecnologia de aparelhos celulares da Suécia.

Por fim, os benefícios do desenvolvimento conjunto, segundo de Laval, vão além do caça. Isso porque há muitas oportunidades no Brasil que podem beneficiar ambos os países. Como exemplo, citou a tecnologia de radares e de sistemas de segurança. Para o diretor da Saab, a abertura da Suécia a esse tipo de cooperação envolve tanto indústrias quanto a academia. Dentro dessa visão é que foi inaugurado o Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro – CISB – na cidade paulista de São Bernardo do Campo. O CISB está conectado (link) ao sistema de inovação sueco em Gothenburg.

Um contraponto irreverente da IBM

A apresentação mais “bem comportada” de Pontus de Laval foi seguida pela palestra irreverente do cientista-chefe do laboratório brasileiro da IBM, Fábio Gandour, provocando risadas e surpresas na plateia e entre os palestrantes, com várias piadas dirigidas aos representantes da Saab e da Vinnova. Aproveitando o gancho da apresentação da Saab, Gandour destacou, entre outros aspectos, o esforço de seis anos que teve para implantar o laboratório brasileiro, convencendo a IBM de que o Brasil era a “bola da vez”. E que, por isso mesmo, merecia a instalação de um novo laboratório que não ficasse preso ao velho sistema de adaptar os produtos da matriz, e sim que contribuísse com inovações brasileiras.

Logo de início, Gandour provocou de forma bem humorada o diretor da Saab dizendo que, após sua apresentação, estaria torcendo para a vitória do Gripen na disputa dos caças da FAB: justamente porque quer ver a inovação sair do “powerpoint” e virar realidade. A pergunta-chave a esse respeito, e que para Gandour pode ser estendida à relação de outros países com o Brasil é: para quem interessa mais a inovação nesse relacionamento entre os dois países, à desenvolvida Suécia ou ao Brasil em desenvolvimento? A resposta a essa provocativa pergunta fica para os leitores do Poder Aéreo.

Vinnova, a agência governamental sueca para sistemas de inovação

A apresentação final do painel ficou a cargo do Dr Ciro Vasques, que gerencia o programa de cooperação bilateral entre a Suécia e o Brasil na Vinnova.

A Vinnova tem seu foco em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento envolvendo universidades e pequenas empresas, visando o longo prazo e buscando parcerias internacionais. Aproveitando a questão levantada pelo executivo da IBM, Vasques lembrou que a Suécia é um dos países com a maior quantidade de grandes empresas de projeção mundial per capita, tendo apenas 9 milhões de habitantes. Isso mostra que suas empresas tradicionalmente olham para fora do país, buscando oportunidades de mercado, de desenvolvimento e de inovação em conjunto com outros países.

Mas, segundo Vasques, não existe uma resposta única para o desenvolvimento de todos os países. Diversas inovações não vêm de grandes empresas, mas de pequenas iniciativas, e o Brasil é uma grande inspiração para muitas empresas e países europeus. No caso da cooperação entre Brasil e a Suécia, que está dentro do escopo da Vinnova, o objetivo é encontrar e explorar complementaridades.

Nesse contexto, foi lembrada a realização em Estocolmo, em 9 de novembro, do “Terceiro laboratório de aprendizado de inovação”. O evento, que é uma mesa redonda de discussão e de relacionamento de profissionais, atraiu mais de vinte participantes brasileiros e sessenta suecos.

O objetivo do encontro foi investigar futuras oportunidades de cooperação entre empresas, instituições e organizações brasileiras e suecas, prosseguindo uma cooperação estratégica industrial, para inovação e alta tecnologia, iniciada em 2009 pelos governos dos dois países. Pelo Brasil, a responsabilidade é da agência ABDI e pela Suécia é da Vinnova.

Entre as áreas de negócio abordadas no encontro para conecção de organizações interessadas, estavam os parques científicos e incubadoras de negócios de serviços e de desenvolvimento de tecnologia da informação, com foco na Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil. Também as áreas de saúde e farmacêuticos, além de cooperação industrial, estiveram no foco do evento.

VEJA TAMBÉM:

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Rafale International está surpresa com a escolha do Conselho Federal Suíço

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A equipe Rafale observou devidamente a escolha das Autoridades Suíças a respeito da aquisição de seu futuro avião de caça. A equipe lamenta que o Conselho Federal Suíço, como declarou oficialmente, “conscientemente decidiu não posicionar a Suíça no nível máximo da Europa no que se refere ao desempenho do novo avião de caça”.

As capacidades do Rafale permitiriam à Confederação Suíça atingir seus requerimentos operacionais com uma menor quantidade de aeronaves a um preço equivalente ou menor, como foi demonstrado durante as avaliações da Força Aérea Suíça.

O Gripen “adaptado à Suíça” existe apenas no papel. Seus riscos de desenvolvimento e produção aumentam significativamente os esforços financeiros requeridos pelas Autoridades Suíças para cumprir com o programa de aviões de caça do país.

A Rafale International estende seus sinceros agradecimentos às 250 empresas suíças que tomaram parte nas parcerias industriais do projeto nos 26 cantões da Confederação Suíça.

Berna, 30 de novembro de 2011

Rafale International

FONTE: Dassault Aviation

FOTO: Armasuisse (Rafale durante as avaliações para o programa “Tiger Partial Replacement”)

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