terça-feira, setembro 21, 2021

Gripen para o Brasil

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AEWCS e AWACS, os olhos indianos no céu

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Guilherme Poggiohttp://www.aereo.jor.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Embora o programa indiano AEWCS tenha participação da indústria aeroespacial brasileira (através do fornecimento das plataformas ERJ-145), muito pouco sobre o tema é divulgado do Brasil. O Poder Aéreo traz com exclusividade a tradução de um texto escrito pelo major brigadeiro do ar (Ref) V.K. Bhatia sobre o programa. Em sua versão original, o texto foi publicado pelo periódico indiano SP’s Aviation.

O sistema aerotransportado indiano de alerta aéreo antecipado e controle (localmente conhecido como AEWCS – Airborne Early Warning and Control System) está sendo integrado aos aviões Embraer ERJ-145. As três aeronaves levarão as AAAU (Active Array Antenna Units) e um radar de varredura eletrônica desenvolvido pela DRDO. O DEAL (Defence Electronics Application Laboratory) está desenvolvendo os sensores primários, o sistema de comunicação e os enlaces de dados (data link). o DARE ( Defence Avionics Research Establishment) esta produzindo os sistemas de auto-proteção, suítes de guerra eletrônica e sistema de apoio às comunicações enquanto o radar virá da LRDE (Electronics & Radar Development Establishment). A integração do sistema, o computador da missão, displays e gerenciamento dos dados está sendo feito pelo CABS (Centre for Airborne Systems).

A primeira tentativa da indústria aeroespacial indiana em colocar um “olho no céu” com o propósito de expandir a capacidade de defesa aérea da Força Aérea Indiana (IAF) foi denominada ‘Projeto Airavat’. O projeto, que era essencialmente um demonstrador de tecnologia, envolvia a instalação de um domo rotativo na porção dorsal da fuselagem de um turboélice Avro HS-748 da própria IAF. Após três anos de esforços da CABS, com o desenvolvimento de dois protótipos, o programa terminou tragicamente quando uma das aeronaves caiu perto de Arkkonam em janeiro de 1999, matando cinco cientistas e três membros da tripulação. Após o desastre, o programa foi encerrado.

Somente em julho de 2008 o ‘Projeto Airavat’ foi retomado, quando a Índia formalizou um acordo com o Brasil para desenvolver conjuntamente um AEWCS para a IAF. O programa, avaliado em US $415 milhões, recebeu ‘luz verde’ do CCS (Cabinet Comittee on Security) em setembro de 2004, sendo o início das entregas dos três ERJ-145 esperado para 2011 com todas as modificações para a instalação de uma AAAU desenvolvida pela CABS. O desenvolvimento e a integração de vários dos subsistemas como o radar de vigilância primário e secundário, as contra medidas eletrônicas, as comunicações e os enlaces de dados (data links) com o ERJ-145 modificado ficaram a cargo do DRDO. A IAF e o DRDO serão responsáveis conjuntamente pelo programa de testes, que deverá ocorrer em 2012.

Paralelamente ao projeto da DRDO, a IAF assinou em março de 2004 um acordo com a empresa israelense Elta e com a Rússia para a produção de três sistemas tipo AWACS (Airborne Warning and Control System). Estes sistemas são baseados no radar Falcon montado sobre a plataforma russa Ilyushim Il-76 (A-50). O primeiro e o segundo avião foram entregues à IAF em maio de 2009 e março de 2010 respectivamente.  Acredita-se que outras seis plataformas AWACS sejam encomendadas nos próximos três-cinco anos.

Com a introdução do AWACS complementados pelos AEWCS, surgirá uma mudança qualitativa na capacidade de vigilância da IAF que ocasionará um grande impacto nas táticas, nas estratégias e nas doutrinas da guerra aérea. Embora as capacidades operacionais precisas do AEWCS indiano serão determinadas durante os ensaios, os dados referentes ao sistema permanecerão, muito provavelmente, classificados. No entanto, sistemas semelhantes como o sueco Saab 2000 Erieye fornecem cobertura de 300 graus em azimute e possuem um alcance efetivo de 350km em média altitude. O AEWCS baseado na plataforma ERJ-145 deverá ter uma capacidade semelhante, mas em função da altitude mais elevada que o jato da Embraer pode atingir frente ao turboélice sueco o resultado final deverá ser melhor. No entanto, o radar Phalcon do Il-76 AWACS deverá fornecer alcances maiores.

Estas plataformas são capazes de detectar aeronaves decolando de aeródromos inimigos que estão situados muito além do alcance de detecção, varredura simultânea de centenas de alvos e capacidade de controle de múltiplas interceptações pelos caças de defesa aérea. Elas também podem servir como plataformas de comando e controle sem as limitações impostas pelas estações terrestres e detectar ameaças aéreas voando em baixas altitudes. Além disso, elas são relativamente menos vulneráveis a contra medidas eletrônicas. Além da função defensiva, o sistema pode apoiar missões de ataque, fornecer assistências às forças no campo tático e interceptar e anular emissões de radares e de comunicações de forças não amigas. Equipados com sistemas de enlaces de dados estes sistemas se integram eficientemente em um ambiente centrado em redes e elevam a eficiência operacional de outras plataformas como aeronaves de combate, UAV e satélites. Complementarmente, as plataformas AWACS e AEWCS pode se provar os mais potentes multiplicadores de forças para a IAF.

NOTA DO PODER AÉREO: algumas pessoas podem perguntar por que a Índia está investindo no ERJ-145 AEW&C uma vez que já possuem o Il-76 (A-50) AWACS. Na verdade existem áreas de atuação onde ocorre sobreposição das atividades. Em alguns casos o programa russo-israelense leva ampla vantagem por ser uma plataforma muito maior (mais estações de trabalho, maior autonomia, teto operacional mais elevado, etc). Porém, em função da complexidade do campo de batalha, ambas as aeronaves atuarão de forma conjunta, dividindo as tarefas e funções, sem sobrecarregar os sistemas e os operadores. Mas o programa AEWCS, além da grande capacidade Sigint e Elint da aeronave, também fornece a possibilidade da Índia desenvolver uma capacidade de produção e integração local que apenas poucos países dominam nesta área. Diferentemente do Brasil, a Índia resolveu importar uma plataforma e desenvolver todo o “recheio” da aeronave.

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