sábado, outubro 23, 2021

Gripen para o Brasil

Nota do Departamento de Defesa da Suíça sobre a escolha do Gripen

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

O Conselho Federal aprova a compra de 22 jatos Gripen (30/11/2011)

O Conselho Federal decidiu adquirir 22 caças Gripen da Saab para substituir a frota obsoleta de F-5 Tiger. O projeto de aquisição será proposto ao Parlamento no âmbito do Programa de Armamento 2012.

Durante a última sessão de outono, o Parlamento aprovou as diretrizes para o desenvolvimento do exército. Para financiar um efetivo de100 000 militares, preencher as lacunas em equipamentos e permitir a reabilitação de imóveis, a Assembleia Federal decidiu aumentar para 5 bilhões de francos por ano o orçamento militare a partir de 2014. Enquanto isso, o Parlamento encarregou o Conselho Federal para começar, até o final de 2011, a compra de novos caças. O Conselho Federal cumpriu essa tarefa na sessão de quarta-feira decidindo pela aquisição de 22 jatos Saab Gripen, em substituição da frota obsoleta de F-5 Tiger.

Para a seleção do novo caça a jato da Suíça estavam competindo três candidatos: o Rafale da fabricante francesa Dassault, o Eurofighter do consórcio europeu EADS / Cassidian e Gripen da empresa sueca Saab. Os três modelos foram submetidos pelo DDPS a uma avaliação global plurianual, durante a qual todos os candidatos demonstraram preencher os requisitos para a seleção do novo caça da Suíça.

A aquisição de um novo caça é um componente do desenvolvimento do exército. O DDPS acredita que, como tal, essa compra também deve ser sustentável a médio e longo prazo. Mesmo no caso do aumento do orçamento militar para 5 bilhões de francos anuais, a economia adicional continuará a ser essencial, e não podem ser adiadas as medidas necessárias para corrigir o mais rapidamente possível as lacunas de equipamento e para implementar projetos reabilitação dos imóveis: assim, as considerações financeiras desempenharam um papel decisivo na escolha do novo caça.

Ao escolher o Gripen, o Conselho Federal optou por umavião de combate que, ao mesmo tempo, atende às necessidades militares e também é financeiramente sustentável a médio e longo prazo para o DDPS e o exército. Em comparação com os outros dois modelos, o caça da Saab apresenta não apenas custos significativamente mais baixos de aquisição, mas também de operação. A escolha do modelo sueco permite a compra de um jato de combate capaz de um potente desempenho e garante que a substituição dos obsoletos F5 Tiger não resultá em perda financeira para outros setores das forças armadas e os equipamentos que eles necessitam.

Com esta decisão, o Conselho Federal revela-se disposto a investir na segurança do país, sem se afastar dos imperativos da política financeira e tendo devidamente em conta a sustentabilidade financeira de todo o sistema. O Conselho Federal decidiu conscientemente não posicionar a Suíça, no que se refere ao desempenho de um novo caça a jato, no nível máximo existente na Europa.

Como os outros candidatos na disputa, a Saab se comprometeu a compensar 100% do valor do contrato, mediante compromissos  com a indústria suíça. Tal compensação de negócios no país permitirá à indústria do país ascender a um elevado conhecimento (know how) tecnológico e estabelecer novas relações comerciais a longo prazo. O Conselho Federal confia portanto que a aquisição de novos caças também envolve importantes estímulos importantes para o parque industrial e a pesquisa na Suíça.

O Conselho Federal determinou ao DDPS que defina, com a Saab e o governo sueco, os detalhes precisos da aquisição prevista de 22 caças Gripen e  avaliar a possibilidade de otimizar ainda mais o pacote contratual completo. Em fevereiro de 2012, o DDPS apresentará ao Conselho Federal uma gama de variantes para a aquisição proposta. O projeto será então proposto ao Parlamento no âmbito do Programa de Armamento 2012.

Implicações financeiras

Para permitir a compra de caças novos, o financiamento de um exército de 100.000 militares, a eliminação de lacunas de equipamentos e renovação de imóveis, em 29 de Setembro de 2011 o Parlamento incumbiu o Conselho Federal de aumentar para 5 bilhões, a partir de 2014, o limite de gastos para o exército, o que corresponde a um aumento de cerca de 600 milhões em relação ao plano financeiro final da legislatura 2013-2015.

Para financiar esses recursos adicionais, será necessário criar mais receita no montante de 600 milhões de francos ou decidir uma economia da mesma quantia. Por esta razão, o Conselho Federal instruiu o DFF para enviar, no início do próximo ano, o necessário embasamento para as decisões. Quando for adotado o Programa de Armamento 2012, o Conselho Federal pretende proceder de maneira simultânea com as decisões materiais pelo financiamento do aumento do  limite  dos gastos militares e enviar o dossiê para processo de consulta.

A mensagem relacionada, portanto, pode ser submetida à Câmara federal e aprovada pelo Parlamento no final de 2012 ou início de 2013. Um eventual programa de economia, que seria conectado em termos legais com o decreto referente ao crédito para a compra de aviões de combate, será emitido somente na forma de projeto submetido a referendo. Uma ordem  juridicamente vinculativa aos caças ocorrerá somente após a conclusão do processo de desisão parlamentar e eventual voto popular.

FONTE: DDPS (Departamento Federal de Defesa, Proteção Civil e Esporte da Suíça)

Tradução e adaptação: Poder Aéreo

FOTO: Armasuisse (avaliação do Gripen pela Suíça)

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Invincible

Caramba! A Suíça tem 42 mil Km² e 8 milhões de habitantes. Um PIB de US$ 315 bi. Eles estão cercados de países amigos no meio da maior aliança militar do mundo e são um país sem saída para o mar. Já este em meio a duas guerras mundiais e conseguiu se manter neutra, além de passar a guerra fria do mesmo jeito. Eles não tem de fato NENHUMA ameaça externa e possuem forças armadas extremamente bem estruturadas para seu tamanho. Talvez alguns digam que esse é o motivo de sua hegemonia neutra. Se for é um bom exemplo para… Read more »

DrCockroach

“Em comparação com os outros dois modelos, o caça da Saab apresenta não apenas custos significativamente mais baixos de aquisição, mas também de operação”

E no Aviation Week o Ministro da Defesa fala que os custo de operacao, ao longo de 30 anos, sao, disparadamente, mais baixos que os outros dois concorrentes.
http://www.aviationweek.com/aw/generic/story_channel.jsp?channel=defense&id=news/awx/2011/11/30/awx_11_30_2011_p0-400145.xml&headline=Gripen%20Beats%20Rafale,%20Typhoon%20for%20Swiss

Estah ai um pais com gente com discernimento e responsabilidade.

[]s!

Vader

“Ao escolher o Gripen, o Conselho Federal optou por um avião de combate que, ao mesmo tempo, atende às necessidades militares e também é financeiramente sustentável a médio e longo prazo para o DDPS e o exército. Em comparação com os outros dois modelos, o caça da Saab apresenta não apenas custos significativamente mais baixos de aquisição, mas também de operação. A escolha do modelo sueco permite a compra de um jato de combate capaz de um potente desempenho e garante que a substituição dos obsoletos F5 Tiger não resultá em perda financeira para outros setores das forças armadas e… Read more »

Mauricio R.

Parece, não:

(http://www.defensenews.com/story.php?i=8406994&c=EUR&s=TOP)

“…wanted, in the general interest, to separate the operational needs of the Armed Forces from the industrial policy considerations,” the amendment text said.”

Aliás diria que essa frase não serve somente p/ a Dassault, mas p/ a Embraer tb.

Corsario137

Enquanto isso na Índia…

FUEN, FUEN, FUEN, FUEEEEENNNN.

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