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A frase resume o espírito da segunda metade do painel ‘Novas Parcerias e Transferência de Tecnologia Aeronáutica e Espacial’, do III Fórum de Inovação e Tecnologia França-Brasil. Acompanhe a última parte desta matéria exclusiva do Poder Aéreo.

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Após as apresentações de nomes de peso no mercado internacional como EADS, Embraer, Thales e Arianespace, Bruno Gallard, presidente da EADS América do Sul e moderador do painel, fez uma afirmação bastante reveladora para quem representa uma grupo do porte da EADS: “Grandes empresas passaram a ser grandes integradoras, e o potencial de crescimento da cooperação tecnológica e da inovação Brasil – França está nas pequenas empresas. É nelas que se deve buscar o necessário para inovar, com subcontratados de alto padrão”.

Foi a deixa, logo após a apresentação de um nome com presença importante no mercado aeroespacial, a Hutchinson, para que se iniciassem as apresentações de polos de competitividade que reúnem várias empresas de alta tecnologia do setor – todas de origem francesa e que procuraram mostrar onde está a inovação em suas atuações e nas oportunidades conjuntas com o mercado brasileiro. De maneira breve, vamos mostrar os pontos principais apresentados pela Hutchinson e pelos polos de competitividade Pégase, Optitec e ViaMéca.

Hutchinson Aeroespace – apresentação do vice-presidente Norbert Langlois

Boa parte da apresentação de Langlois buscou mostrar a visão da empresa em agregar valor, transformando materiais básicos em produtos competitivos em sua principal área: revestimentos acústicos e térmicos de aeronaves.

Embora não seja tão simples pensar em inovação nesse segmento, ela pode ser feita nos processos de integração vertical e horizontal. Nesse caso, a empresa entende a inovação não só no produto instalado numa nova aeronave, mas no seu ciclo de vida, ou seja, continuar inovando no produto já entregue, com suporte de alcance mundial.

Segundo Langlois, o que a empresa teria a oferecer na cooperação com o Brasil seria, principalmente, essa maneira de colocar a inovação no ciclo de vida de aeronaves.

 

 

Polo de competitividade Pégase – apresentação do diretor François Boisson

O polo Pégase envolve 3 “clusters” aeroespaciais franceses, combinando 18.000 empregos e tem como objetivo ampliar o trabalho conjunto para um crescimento de longa duração que gere outros 10.000 postos de trabalho. O foco é desenvolver aeronaves novas para novos usos, como helicópteros para operar em áreas hostis, minidrones para inspeção de prédios, dirigíveis para cargas pesadas, aviões que utilizam o efeito solo e aeronaves leves de propulsão elétrica.

No Brasil, o polo busca pesquisa e desenvolvimento conjuntos, para criar uma cadeia de geração de valor, colocando a inovação na construção rápida de parcerias, de forma “plug and play”.

Polo de competitividade Optitec – apresentação da diretora Kátia Mirochnitchenko

Localizado no sul da França, o polo Optitec é uma referência em pesquisa e desenvolvimento em ópticos: nada menos que 30% da P&D francesa é feita no polo. São 5.000 pesquisadores e engenheiros, em uma rede de 120 empresas, 40 laboratórios públicos, 7 universidades, e 3 escolas de engenharia.

No setor aeroespacial e de defesa, o polo trabalha com a Thales, DCNS e Eurocopter, entre outros nomes de peso no mercado. Sistemas ópticos de resolução extremamente alta, ativos e adaptativos estão entre os produtos, para aplicações civis e militares. Mais do que as formas de inovar, o polo destacou sua coopeeração já realizada com parceiros no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo (São José dos Campos, Campinas, São Paulo e São Carlos).

 

Polo de competitividade ViaMéca – apresentação do coordenador de P&D internacional Philippe Bertrand

A última apresentação foi do polo ViaMéca, que reúne diversas empresas, universidades, escolas de engenharia e laboratórios franceses da área mecânica. São pesquisadas e aplicadas inovações em materiais metálicos, cerâmicos e termoplásticos e desenvolvidas novas tecnologias em compostos e ligas leves (inovações não só nos materiais, mas também nos processos de fabricação e de projeto).

Bertrand mostrou alguns dos principais projetos desenvolvidos, com dados de orçamento (e a porcentagem de fundos públicos) e duração dos mesmos, assim como parceiros envolvidos, entre os quais destaca-se a Airbus. Perguntado por Bruno Gallard da EADS quais seriam os limites que colocariam freios à cooperação e parcerias, Bertrand respondeu que o desafio é conectar melhor os diversos polos de inovação, o que é complexo por envolver partilhas de tecnologias. Assim, o foco deve ser explorar negócios em conjunto, para viabilizar essa partilha tecnológica.

O painel chegou ao fim com uma última fala de Gallard, ressaltando a grande disposição da França nessa cooperação com o Brasil e, principalmente, o grande interesse pelo país como parceiro, devido às oportunidades brasileiras.

Com essa visão geral do evento, o leitor tem agora a oportunidade de comparar as visões de todos esses representantes do setor aeroespacial francês (clique nos links abaixo para ver as duas partes anteriores) e tirar suas próprias conclusões sobre o futuro dessa cooperação. Esse foi o nosso objetivo, ao procurar colocar o leitor “por dentro” desse evento, em companhia do Poder Aéreo.

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About Fernando "Nunão" De Martini

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Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

2 Responses to “‘Grandes empresas aeroespaciais viraram grandes integradoras – inovação está nas pequenas’” Subscribe

  1. sergiocintra 17 de novembro de 2011 at 9:55 #

    Nunão

    Qdo. se fala de franceses, cada vez mais fico preocupado com o tipo de atuação, em relação ao proposto, pois existem oficiais da defesa, efetuando cursos onde denominaram “ViaMeca”, e a sensação dos mesmos é que estão mais para turistas, do que para estudantes. O curso pagos por nós e sem proficiência. Isto é reclame geral.
    Os mesmos comentam que os desenvolvimentos nos centros de pesquisa brasileiros, contribuem mais no conhecimento profissional do que aquilo que sonharam qdo. foram para fora. Assim sugiro aos editores se aprofundarem em matérias/ reportagens para divulgação desses polos, que embora estejam focados no meio militar, mas com a coexistência de entidades civis, engajadas nos projetos, muitos dos resultados são voltados para ambos os mercados, e as resultantes são de grande entusiasmo entre os participantes, inclusive com a abertura de mercado, para os pesquisadores militares darem continuidade em pesquisas após suas reservas, e não sómente virando professores. Isso já está acontecendo. Dicas: Deped, Ctex, pólo de S.Carlos, e por aí.

    Aproveitando o enfoque desenvolvimento, como estão a preparação dos novos oficiais, qdo passamos por um período, onde saímos do analógico e entramos no digital. Como andam as instituições de ensino. Quem aprendeu em A-27 e tem que ir p/ o A-29. Como era estar no f-5 e estar no f-5m. Qual é a palavra interna da força para essa transição, dentro da doutrina de ensino. Pauta p/ os editores.
    Desculpe o “pitaco” mas as matérias do f-5 nível parque, acendeu a curiosidade e o nivel de informação que sempre procuramos. Abraços.

  2. Fernando "Nunão" De Martini 17 de novembro de 2011 at 22:10 #

    Sergio,

    Muito boas as sugestões. Procuraremos manter as antenas ainda mais ligadas para os assuntos dos polos de pesquisa.

    Quanto aos de instrução de novos oficiais, treinamento operacional, conversão, também tem estado na nossa pauta de discussões há tempos, embora com matérias pontuais. É nossa intenção torná-las mais frequentes.

    Saudações!
    Nunão

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