PAMA-SP 2011: um F-5B com roupa de ‘Mike’

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    Nesta penúltima matéria da série focada no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), na esteira do “Domingo Aéreo 2011” realizado por esta organização da FAB no último 16 de outubro, vamos mostrar uma “ave rara”: um velho e desativado F-5B com o padrão de camuflagem que normalmente só é visto nos “novos” e modernizados F-5E e F, os chamados “Mikes”.

    Como já mostramos em matérias anteriores (clique aqui para acessar uma delas), a FAB recebeu seis exemplares de bipostos F-5B (versão com dois postos de pilotagem do monoposto original F-5A) junto com o primeiro lote de caças F-5E, os “Echos” adquiridos novos e entregues em 1975 – à época, a versão biposta F-5F (“Fox”), que incorporava os diversos aprimoramentos da versão “Echo”, ainda estava sendo desenvolvida.

    Em meados dos anos 1990, os cinco remanescentes dos modelos “B” foram desativados e estocados. Chegaram a receber, quando preservados no PAMA-SP, uma pintura integral em cinza. Recentemente, encontraram seus  destinos em museus e um deles, o 4803 (que na foto abaixo, de 2009, é visto com a pintura cinza citada), foi destinado a ser exposto na entrada principal do PAMA-SP, como mosta a imagem que abre esta matéria.

    Mas, ao invés de receber a camuflagem “Southeast Asia” em tons de verde, cinza e marrom com a qual operou na FAB (como foi o caso do 4800, preservado no Musal e que pode ser visto na imagem ao lado) o F-5B 4803 foi pintado com o novo padrão de camuflagem tática da força, em verde e cinza!

    Mas por que? Após algumas conjecturas, seguidas de perguntas aqui e ali, ficou fácil entender. Há vários anos que o PAMA-SP não revisa e devolve aos esquadrões (trabalho que inclui a pintura final) caças F-5 da FAB no padrão não modernizado. Essas aeronaves, numa época em que os primeiros “Mikes” ainda faziam seus testes de voo, ainda eram entregues aos esquadrões nas camuflagens padrão “Southeast Asia” que por muitos anos caracterizaram as aeronaves do 1º GAVCA, em Santa Cruz, ou cinza de superioridade aérea, dos caças do 1º/14º GAV, de Canoas.

    Com o tempo, todos os F-5 que saíam do PAMA-SP após a revisão nível parque passaram a ser mandados para modernização à Embraer e não mais aos esquadrões, e a pintura padrão de entrega tornou-se o primer esverdeado – com marcações de limites das cores da nova camuflagem, como pode ser visto nas duas fotos abaixo, de 2004, que mostram um F-5E praticamente pronto para entrega. Encerrado esse ciclo, começaram as revisões dos próprios “Mikes”, com repintura no novo padrão cinza e verde.

     

    Um dos últimos aviões do tipo a receber o padrão original deve ter sido o F-5B mandado para o Musal. E pode-se intuir que o estoque de tintas no padrão “Southeast Asia”, com o qual operaram todos os F-5B da FAB, terminou por essa época. Essa tese sobreviveu a várias perguntas feitas ao pessoal do PAMA-SP, então é uma forma de explicar o porque de pintar a aeronave com as cores que são usadas nos F-5 “Mike” revisados na organização (e não só os F-5, já que os C-105 Amazonas também frequentam o Parque e usam as mesmas cores na camuflagem).

    Sendo ou não o motivo principal, é fato que o novo padrão de camuflagem dos “Mikes” simboliza todo o processo de modernização da aeronave e, de certa forma, da FAB (sendo que outras aeronaves novas, modernizadas ou em modernização também utilizam esse novo padrão). Ainda que evidenciando um anacronismo e podendo dar margem a alguma confusão, o F-5B com “roupa de Mike” em exposição na porta do PAMA-SP ajuda a mostrar melhor, ao público leigo, o trabalho do Parque, revisando aeronaves modernizadas que formam a espinha dorsal da frota de caças a jato da FAB.

    Não perca, amanhã, a última matéria desta série exclusiva do Poder Aéreo!

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