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‘Foxes on the run’: como andam os F-5F comprados da Jordânia

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Nesta edição 2011 do “Domingo Aéreo” do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), três aeronaves pintadas com o “primer” esverdeado chamavam a atenção no hangar 3, onde são realizadas as grandes revisões dos caças F-5 da FAB. Eram os três “Foxes” (código para “F”, no plural), ou F-5 F, bipostos, adquiridos usados da Jordânia. Na matéria anterior – no alto da lista de links ao final desta – já falamos brevemente dos F-5 bipostos da FAB. Outros artigos do Poder Aéreo, também acessíveis nos links ao final, trazem mais informações.

O que faltava era mostrar as fotos mais detalhadas dos “novos” F-5F da FAB que, pelo andamento dos trabalhos, em breve deverão ser mandados à Embraer para receberem as modificações e os novos sistemas que os transformarão em “Mikes” (código para “M”, de modernizado, no plural).

Clicando nas fotos para ampliar, pode-se perceber o estado atual dessas células, após as diversas substituições de chapas e componentes, de tratamentos anticorrosivos e outras intervenções que são feitas antes de se aplicar a tinta esverdeada (pré-pintura, ou “primer”) que serve de base para a futura aplicação da pintura final, a camuflagem verde e cinza que caracteriza hoje a maior parte das aeronaves de combate (e de transporte tático) da FAB. Áreas como as baias para os trens de pouso e os freios aerodinâmicos, encaixe das asas (que formam uma peça inteiriça) e outras já receberam a pintura definitiva em alumínio.

Passando o cursor sobre as imagens antes de clicar para ampliá-las, você pode conferir as legendas que as identificam como um dos três futuros F-5F que vão operar na FAB: 4810, 4811 ou 4812.

Obviamente, isso é apenas uma parcela visível do trabalho realizado. As partes estruturais mais internas não aparecem nas imagens, mas é certo que também foram objeto de atenção. Componentes diversos como trens de pouso, sistema hidráulico, pneumático e outros seguiram para diversas instalações dentro do PAMA-SP, para avaliação, reparo e recuperação. Outros itens, como os motores, foram testados em bancos de ensaios e, conforme os resultados e o tempo decorrido desde a última revisão, foram mandados para a empresa que realiza seu “overhaul”, a Focal.

Outras oficinas do PAMA-SP e os bancos de ensaios de motores serão mostrados em outras matérias desta série.

Na última das quatro imagens logo abaixo, podem ser vistos dois conjuntos de asas (que formam uma peça integral) de F-5F. Como adiantamos na matéria anterior, elas são facilmente reconhecíveis pelas “fences” instaladas na parte superior das asas. Trata-se de aletas que evitam que o fluxo de ar se desvie para as pontas, de forma a gerar mais sustentação e controle e compensar o maior peso e o desequilíbrio gerado pelo “bico” maior do modelo biposto (comparado ao F-5E monoposto que não tem essas aletas nas asas). Bem ao fundo, vê-se uma seção posterior da fuselagem, que é destacável para facilitar a retirada dos motores, e que tem parte da sua construção em titânio (conforme informações de publicações sobre o F-5).

Pode-se entender um pouco mais sobre a dimensão deste trabalho olhando as fotos realizadas pelo Poder Aéreo há dois anos, e que mostram dois desses F-5F comprados da Jordânia. Clique nas imagens para ampliar. Um desses “Foxes”, em 2009, havia passado apenas pela retirada de alguns componentes para avaliação inicial, pois ainda ostentava a pintura original jordaniana. Já outra aeronave mostrava ter passado pela fase de retirada da pintura e de todos os componentes, além da marcação dos locais onde era necessário fazer intervenções, como substituição ou recuperação de peças. Numa das fotos, um “close” no estabilizador vertical permite ver claramente essas marcações de trabalhos a serem feitos.

Finalizando, um pouco de música para justificar o título da matéria e combinar com o trabalho realizado até o momento nesses “Foxes”. Assim como o F-5F, a banda inglesa “Sweet”, do clipe abaixo, é um genuíno produto dos anos 1970, embora com raízes nas décadas anteriores. A música “Fox on the run” marca claramente uma transição do Sweet, saindo um pouco da fase “bubblegum pop”, ou rock comercial adolescente de músicas compostas pelos “hitmakers” Chinn e Chapman (que também compuseram para Suzy Quatro), para um hard rock mais original, com músicas compostas pelos próprios integrantes da banda. Fox on the run também é uma resposta aos críticos que malhavam o grupo.

Você pode até reclamar que a música é velha e datada, mas os nossos “Foxes” também são! E, como o Sweet de meados dos anos 1970, esses F-5F estão passando por uma transição para um novo estilo, original e bem mais poderoso, dando uma boa sobrevida antes da merecida aposentadoria. Afinal,  tanto na música quanto na tecnologia aeronáutica, a fila anda.

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29 COMMENTS

  1. Parabéns ao pessoal da “funilaria” da FAB. 🙂

    Conseguir pegar os F-5 jordanianos e deixa-los “quase-como-novo” é um feito. Tróféu Chip Foose para eles .

    []’s

  2. Rapaz só esta aproveitando a carcaça o resto é tudo novo, e pior que a carcaça é a parte mais fácil de produzir porque sera que não fazemos uma aeronave de treinamento avançado ?

    • “andersonrodrigues1979 em 19/10/2011 as 13:00”

      Anderson, na verdade o que você está vendo é a “carcaça”, embora o termo mais apropriado seja célula / fuselagem. Diversos outros componentes (motores, sistema hidráulico, pneumático, elétrico, trens de pouso entre muitos outros) não estão instalados, pois são recuparados / reparados / revisados em outras oficinas. Ou substituídos quando é o caso. Vou mostrar alguns desses componentes em outras matérias.

  3. Parabéns aos mecânicos e engenheiros da FAB pela trabalho. Um senhor trabalho para colocar tudo em ordem.

    Uma observação nada agradável. Putz, o chão do PAMA-SP parece uma oficina de carros velhos, daquelas de subúrbio. A sujeira, as poças no chão e o desgaste do piso são coisas degradantes. Fazer um trabalho destes nestas condições demonstra cada vez mais que a FAB vai tirando da onde não tem. Incrível!!!

    • “ricardo_recife em 19/10/2011 as 16:48”

      Bem reparado, Ricardo. Neste ano, não deixei de notar o estado do piso do hangar, que visito praticamente todo ano e vi diversas vezes em condições muito melhores do que essa. Assim como o telhado, responsável pelas goteiras que geram as poças.

      Vale lembrar que a área central do hangar, onde são realizadas a maior parte das atividades, está em melhores condições. As laterais (onde se vê o piso maltratado) servem mais para armazenar (embora também se trabalhe nelas).

      Ambos precisam de um cuidados, mas… Contingenciamento de verbas de custeio costuma aparecer nesses detalhes mais visíveis. Os invisíveis é que são o problema

      Já a sujeira é mais decorrente da chuva e do público que do ambiente normal de trabalho por lá.

  4. Rapaz….. FOX ON THE RUN do Sweet !!!!!!!!!!!!

    Fazem ao menos uns 25 anos que não ouvia isto….. acho que desde a morte do Brian Conelly….. Recomento a guitarra da música deles em “Love is Like Oxigen”….. hehehehe… velhos tempos, eu nem “jedi” ainda era…hahahaha.

    Quanto aos FOX -5…. que trabalho de reparação bem feito, parabéns ao PAMA e aos editores …tanto pela matéria como pelo gosto musical.

    Sds.

  5. Baschera,

    E aí?

    Vc era da época do Sweet?
    Músicas como Action, The Ballroom Blitz e até mesmo Cockroach (talvez alguma ligação com Dr.?).
    Do Led Zepelin?
    Da guitarra do Santana?

    Colecionou LP’s, tocados em pick up Pioneer e gravados nos toca-fitas Technics, com ou sem mixagem?
    Tudo analógico é claro.

    Quem tinha grana ouvia no RoadStar, que tinha menos no TKR, com os idefectíveis aplificadores Infinty…

    Putz! Isto é do tempo do Bosco… e do meu tempo de garoto…

    Sds,
    Ivan, o antigo.

  6. Recuperar e atualizar avião usado (ou qualquer outra arma) é uma prática inteligente e demanda conhecimento da força armada.

    Israel, que é um exemplo de sucesso militar (em que pese os deslizes políticos), é um exemplo do que se pode fazer com caças, carros de combate, helicópteros e canhões usados.

    O nosso problema é que estamos trabalhando em um caça quarentão, com desenho cinqüentão, curto alcance e que sempre teve desempenho limitado.

    É incrível o que a FAB e a Embraer estão fazendo com os Bicudos, mas gostaria que estes mesmos mágicos da “funilaria” estivessem realizando um “overhauling” nos F-16 A/B Fighter Falcon que sobraram pelo mundo.
    Quem sabe até recebendo o ferramental que ficou parado nas linhas de diversos países.

    Sds,
    Ivan.

  7. Ivan disse:
    19 de outubro de 2011 às 18:20

    Ivan, na época eu era adolescente…ou aBorescente…rssss.

    Sim….. tudo isto : Prato Tchnics e Gradiente, TKR, fitas, Sony Fita Rolo, bolachões, Infiniti Mark II, aplificadores Gradiente e Pionner (ainda tenho um mixer de 8 canais analógico) globo de espelhos, Luz negra, estroboscópica, gelo seco, bolinhas de sabão….

    Tinha e tenho quase todos os Pink Floyd (LP’s) Kiss, Emerson, Lake and Palmer, Yes, Led, SuperTramp, The Knac, Sweet, BTO, Alan Parsons, etc…. e tenho uma porrada de coisas da era disco… tudo dancante.

    Já ví shows ao vivo de Eric Clapton (1991, 2001) Kiss (2000), Roger Waters (2007), Rush (2005) …..

    Bons tempos…..

    Abraço.

    • Ehehehe, Baschera e Ivan…

      Quando decidi “musicar” a matéria eu imaginei que ia conseguir caçar um ou outro sujeito mais velho que os F-5 da FAB. Posso dizer que tive sucesso.

      “Fox on the run” eu conheço desde criança, meados dos anos 70. Coletânea “20 top pops” comprada pela irmã mais velha, em meio a 19 hits de discoteca, estava esse hit do Sweet, que era o que eu gostava mais de colocar na vitrola.

      Ironia do destino: hoje eu toco muito mais sons “disco” do que hard rock!

  8. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    19 de outubro de 2011 às 19:44

    Boa Nunão….. vc chegou a ter aquelas “vitrolas” coloridas que se destacava as duas tampas superiores e que viravam duas “caixas de som” ?? Vixe….. “semo” velho “mermo”…. tchê !!

    Te recomendo musicar a próxima matéria com o hit “Love Is Like Oxigen” também do Sweet….. vc acha fácil no You Tube… mas cuidado, tem que ser de antes de 1978, pois as versões mais recentes não tem o vocal do Brian Conelly, escosês, que morreu no início dos anos 80′.

    Grande pedida…..

    Sds.

  9. Baschera,

    Quando tiver uma matéria sobre o sistema de geração de oxigênio, vou pensar na sua sugestão!

    A vitrola vermelha de duas partes era a oficial em casa, em meados dos anos 70… O aparelho de som mais completo, da Sansui, só veio quando a situação financeira melhorou, ainda no rescaldo daquele tal de “milagre econômico” que permitiu também a compra da primeira TV colorida e de mais umas coletâneas de “20 top pops” e “Excelsior, a Máquina do Som”.

    Mas eu era só uma criança, deixo bem claro…

    Mas no momento estou com uma música bem mais bizarra do Sweet na cabeça, daquelas que eles eram “obrigados” a gravar (e por isso mesmo soltavam as frangas do hard rock de autoria própria nos lados B, dos quais alguns dos meus preferidos são Need a lot of Lovin’, puro Led, e Rock and roll disgrace)

    http://www.youtube.com/watch?v=6T16Ps3z3tQ

    Música de homenagem ao inventor do telefone é dose!!! É Chinn & Chapman na veia! (apenas para os incautos não acharem que Sweet também não era uma banda de tremendas bolas foras. Aliás, as caras dos sujeitos no clipe deixam bem claro o quanto eles gostavam de gravar essas bizarrices)

  10. Baschera, Ivan e Fernando “Nunão” De Martini .

    Caramba, tinha coisa que eu nem lembrava mais. “Luz globo de espelhos, Luz negra, estroboscópica, gelo seco, bolinhas de sabão”. Se for assim vamos longe. Camisa de Venus, Ultrage a Rigor, Nenhum de Nós, Heróis da Resistência. O nome das bandas era ótimo!!!

    Genius e Cubo Mágico. TK 2000, Fita K7, Tocador, Rolo de Fita, Kodak, Polariod. Gibis da Editora EBAL.., que maravilha.

    Eita…. Super Tramp, Frank Zapa, Alan Parson Project, Kiss, Queen, Van Halen, Genesis, Rush, Styx, Vangelis, Wax, etc…

    A pergunta que não tem resposta: Deckard era ou não um replicante?

    Bateu a mofolandia. Vou catar meu DVD do Oitovo Homem.

  11. ricardo_recife disse:
    19 de outubro de 2011 às 20:37

    Hehehe…. benvindo ao clube….. também lembra do Nacional Kid ??

    Deckard era replicante !!

    Abraço.

  12. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    19 de outubro de 2011 às 20:32

    Sim…. tinha sempre o famigerado lado B, com umas bizarrices…. como “Tom Tom Turn Around”…putz.

    Fora aquelas roupas bizzaras também….. KKKKK.

    Sds.

  13. Meu só tem tiozinho aqui mesmo…kakakakaka

    Sweet foi apelar demais em Fernandinho

    Boa lembrança do Baschera: Love is Like Oxigen

  14. Quanto aos F-5 na recauxutagem…somos a 7 economia do mundo, mas estamos reformando jatos usados por paises do terceiro mundo.

    Que vergonha…it sucks. Isso me da raiva e sinto desprezo por essa cambada de governantes miopes. screw them.

  15. Ricardo Recife,

    Minha filha mais velha (22 anos) esta noiva do neto do Frank Zappa.
    O genro e musico tambem e nasceu na California.

    Quanda ela estava em gestacao, e colocava musica do Pink Floyd para que ela escutasse. Deu no que deu…noiva de musico. rsrsrsrrs.

  16. Nunão:

    Senão a melhor, uma das melhores matérias da história da Trilogia (sem dúvida a sua melhor matéria). Claro que o tema e o furo exclusivo ajudam, mas a escrita, a editoração e o “enredo” estão perfeitos.

    Pode pedir aumento pro “chefe” ( 🙂 )porque essa matéria foi simplesmente magistral. Parabéns.

    Quanto ao som: não me lembro de muita coisa antes do “The Number”. Mesmo assim, lembro-me a contragosto (e sem muitas saudades) de várias das velhices citadas (nossa, a da vitrola vermelha foi “flórida”).

    Caras, e eu que achava que tava velho, ahahahaha…

    Abraços.

  17. Esse pessoal todo é recente. A minha “XUXA” era a Hebe Camargo, que apresentava o programa diario infantil “PIM-PAM-PUM Estrela” às 18hrs., acho que na RECORD, e a Auxiliar de palco era Cidinha Campos (a mesma deputada carioca). Óbvio, a tv era P&B e não tinha “video-type”.
    Abraços a criançada.
    Parabens pelo enfoque. Taí uma matéria excelente para a Memória Paulistana- não a Hebe é claro -mas ao Parque, que era da brigada aérea da Força Publica do Estado de S.Paulo e antes ainda da cavalaria.

  18. Putz…

    E eu, que na minha infância vi “Shazam e Xerife” e “Vila Sézamo” com quase adolescente Sônia Braga, estava achando que era um dos vovôs desta turma aqui do Blog.

    Ledo engano.

    Já, já aparece algum fã do “Vigilante Rodoviário”…

  19. Prezado Observador,

    Aqui estou…rsrsrsrsrs.

    Tambem assistia Vigilante Rodoviario, com o patrulheiro Carlos e seu fiel pastor alemao.

    Como eu tenho 57 anos, assisti muitos seriados na TV (preto e branco) daquela epoca.

    Sim…tambem assitia National Kid, Jonny Quest, Herculoids, Bonanza, Bat Masterson, Perdidos no Espaco, Tunel do Tempo, Terra de Gigantes…a lista e grande.

    Portanto; parece que eu sou o mais adulto deste grupo, e se antiguidade e posto, ja devo ter a patente de General do Poder Aereo. rsrsrsrsrs.

  20. Sergio,

    Nasci no dia 2/5/54, portanto se voce nasceu no dia 02/03/54, voce tem o direito, por posto e antiguidade, de ficar com a patente de General de Exercito, me sobrou o posto de General de Divisao. rsrsrsrsrs

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