terça-feira, abril 20, 2021

Gripen para o Brasil

Tornados e Typhoons da RAF, há 70 anos Parte 2

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

O Hawker Typhoon

A especificação F.18/37, como escrevemos na parte 1 desta matéria, previa dois modelos, conforme o tipo de motor. O Typhoon foi o protótipo desenvolvido para o “Tipo N”, cujo motor deveria ser o Napier Sabre, um 24 cilindros em H. Esse motor pôde ser desenvolvido com relativamente mais sucesso que o Vulture e, após o voo do primeiro protótipo em 24 de fevereiro de 1940, uma linha de produção foi estabelecida para o Typhoon, a cargo da Gloster.

O primeiro exemplar de produção do lote inicial de 105 caças, equipados com o motor Sabre I de 2100hp e com 12 metralhadoras (havia uma escassez de mecanismos alimentadores do canhão de 20mm) voou em 27 de maio de 1941. Nos lotes seguintes, já pôde ser padronizado o armamento de quatro canhões de 20mm, assim como as versões seguintes do Sabre, a IIA de 2.180hp, o IIB de 2.200hp e IIC de 2.260hp, e o caça entrou em serviço nos esquadrões no mês de setembro de 1941.

Porém, desapontou na função original, de interceptador. Sua taxa de ascenção era ruim, assim como seu desempenho em altitude – e não ajudou a fraqueza da estrutura da fuselagem traseira. Assim, acabou “relegado” à função de caça-bombardeiro de baixa altitude. Colocamos “relegado” entre aspas porque foi justamente nessa função que a aeronave se distinguiu na Segunda Guerra Mundial, especialmente nos anos de 1943 e 1944, levando grande destruição às forças de ocupação alemãs na Europa Ocidental, antes e após os desembarques na Normandia.

Além do forte armamento de tubo, a capacidade de carregar duas bombas de 1.000 libras (454kg) ou oito foguetes de 27kg dava um grande poder de ataque ao Typhoon, sendo o equivalente britânico (embora sem o desempenho em altitudes elevadas) do norte-americano P-47 Thunderbolt, que também nasceu como interceptador, mas cuja vocação como caça-bombardeiro robusto foi logo comprovada pela USAAF e também pela FAB.

O Typhoon tinha 12,67 metros de envergadura e 9,73 metros de comprimento (dez centímetros a menos de envergadura que seu “irmão” Tornado, sendo também trinta e sete centímetros mais curto). Já o peso máximo carregado chegava a 6.341kg na versão MkIB, podendo chegar a 652km/h a 5.485 metros de altitude. Esse caça-bombardeiro teve 3.315 exemplares  de produção entregues antes de ser suplantado pelo seu sucessor, o Tempest.

Amanhã, na última parte desta série, reviva junto com Pierre Clostermann, piloto francês nascido no Brasil, a sensação de voar um Hawker Typhoon pela primeira vez.

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Mauricio R.

Sobre Dieppe os “Typhoons” eram confundidos c/ os “FW-190” alemães, pelos pilotos de “Spitfire” da RAF.
Pierre Clostermann, piloto de “Tempest” lá pelo fim da guerra na Europa, mostra em seu livro, um tanto a mais de respeito e temeridade pelo “nariz cumprido” o FW-190D, do que pelo jato Me-262.

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