quinta-feira, outubro 21, 2021

Gripen para o Brasil

Embraer lucra com ‘retrofit’ de aviões

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Empresa tem contratos de US$ 1 bilhão para modernizar jatos militares das Forças Armadas brasileiras, e fechou acordo na Colômbia

Roberto Godoy

Em tempo de dinheiro curto, soluções criativas. Esse ambiente está abrindo para a Embraer Defesa e Segurança (EDS), um novo viés de negócios – o da revitalização tecnológica de aeronaves militares, que pode movimentar algo como US$ 2 bilhões.

Metade disso é o tamanho estimado da demanda externa para esse tipo de serviços, segundo o analista americano Rick Austin, da Universidade da Califórnia. A outra metade, a empresa fatura executando três contratos nacionais – dois da Aeronáutica e um da Marinha.

A Colômbia é o primeiro cliente internacional. A Embraer fará a modernização de 12 aviões Tucano, de treinamento de pilotos da força aérea, produzidos há cerca de 25 anos. O pacote completo abrange 126 aeronaves que serão trabalhadas na fábrica de Gavião Peixoto, a 300 quilômetros de São Paulo.

No Brasil, a empresa está atualizando um total de 57 supersônicos F-5 e mais 43 bombardeiros leves AMX, todos da FAB. A encomenda da Marinha envolve 12 jatos combate Skyhawk, embarcados no porta-aviões São Paulo. A estimativa dos dois comandos é de que, na nova configuração, os seus esquadrões possam ser mantidos em operação até 2025. A EDS tem como parceira a israelense Elbit.

Segundo um especialista dessa companhia, que não quer ser identificado, a característica dos programas “é a sua notável capacidade de fazer dos velhos caças, novos caças; não somente reformados, mas sim virtualmente reconstruídos, dos rebites ao novo radar de longo alcance”.

Para o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, “há 250 Emb-312 Tucano em operação em 20 países usuários, passíveis de revitalização e, na mesma situação, ao menos 70 supersônicos F-5”. O fabricante original, a americana Northrop, produziu cerca de 1.350 jatos nos anos 70. Resistentes, com considerável poder de fogo, boa parte deles ainda está em operação, todavia, modernizados.

Novo é novo. Aguiar destaca que “a revitalização, opção de baixo custo, é alternativa frente à necessidade de substituição de frotas envelhecidas e à baixa disponibilidade de orçamento. Sob essa ótica, a atividade passa a ser uma oportunidade de mercado, ainda mais para nossa empresa, comprovadamente capacitada a atender essa demanda”.

O executivo considera a extensão da vida útil dos jatos de combate da Marinha e da Aeronáutica “um fator positivo”. Entretanto, Aguiar salienta que, “cada um a seu tempo, terão de ser, paulatina e inevitavelmente, substituídos pelos novos caças de superioridade aérea, os F-X2, previstos no plano de reaparelhamento”.

Um objetivo do projeto é aplicar na recuperação conhecimento avançado próprio, principalmente na integração de sistemas e de software embarcado. “Atingimos, com isso, o mesmo patamar operacional dos mais avançados aviões de combate existentes no mercado”, diz Aguiar.

PARA ENTENDER

O preço da juventude recuperada no programa de revitalização custa, em média, US$ 6,5 milhões, considerados caças como o F-5 e o AMX. Na saída, ganham no nome a letra M, de modernizado. A configuração básica do miolo eletrônico cobre sistemas de navegação, ataque, pontaria por meio do capacete, de guerra eletrônica, transmissão de dados criptografados, autodefesa inteligente, computadores integrados e um poderoso radar Scipio, nacional, com alcance para localizar alvos entre 40 e 80 km.

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Giordani RS

E a embraer tem de agradecer a quem? A quem? A queda do Muro de Berlim!
Bem que a embraer faz! Está mais do que certo! isso gera MO especializada, para MO especializada é preciso escolas técnicas e por aí vai, um efeito dominó…melhor mesmo seria construir em casa, mesmo que fosse um F-5M made in tupiniquim…só assim se aprende a ter tecnologia, porquê transferência de tecnologia non ecxiste…

edcreek

Olá,

Ai está o real custo dos up-grade 1 bi de doletas, me pareçe salgado, não é a toa que a Embraer não pareçe tão preocupada assim com FX-2 entrando uma grana é que vale, o importante é o lucro.

Abraços,

Observador

Não é bem assim… Vejamos: 57 F-5EM somados a 43 A-1 são cem aeronaves. Ao preço médio de US$ 6,5 milhões, temos um custo de US$ 650 milhões para a FAB. Quantos caças de primeira linha e respectivos armamentos seriam comprados por esta quantia? Meia dúzia? Para os doze A-4 da MB a serem modernizados são US$ 140 milhões. Quantos aviões novos poderiam ser comprados por tal valor, podendo ser operados sem restrições no São Paulo? Nenhum? A relação custo-benefício destes aviões justifica o investimento. O erro é não ter pelo menos mais um esquadrão de vetores modernos para a… Read more »

Tadeu Mendes

Caro Observador, A relcao custo/beneficio esta muito boa quem vai pagar a conta (o governo). Continua sendo lucro para a Embraer e outros fornecedores, mas para o mundo da aviacao de combate, nao passam de reliquias maquiladas, com um upgrade aqui outro ali…mas na hora do quebra pau mesmo, sera a FAB e quem vai pagar conta derradeira, com o suor, com o sangue e com a vida de nossos pilotos. Que ficaram bonitos ficaram…mas eu quero ver a perfomance na hora do combate, do dogfight, do desgaste… Para que ser potencial mundial, ainda nem consegue ser potencia regional. Pelo… Read more »

Luis

Existem opções de aeronaves usadas no mercado que, apesar de mais caras e não tão boas como novas, são melhores do que refitar peças de museu, especialmente os F-5 e A-4. São os M2000-5, F-16, F18C, JAS39A/B, EF2000 Tranche 1, Tornado GR4, etc.

Mauricio R.

Ah, o autor da matéria, é o Godoy… Qnto é que está sendo a facada, pelo update dos F-5 ex-jordanianos??? Não está somente, em 6,5 milhões USD, não. Duvide-o-dó que a restauração desses Skyhawks ficará somente em 140 milhões USD, especialmente depois que se descobriu que o “main spar”, dessas aeronaves está comprometido. Ao contrário do F-5, o fabricante original dos A-4 não existe mais, e antes que algum incauto mencione a Embraer; esta sabe menos ainda de A-4 do que de F-5. Assim como não há mais peças ou partes, além daquelas que possam ser recuperadas através da canibalização.… Read more »

Vader

Pessoal, gostemos ou não, a verdade é que os F-5M, os A-1M e os A-4M cumprirão as respectivas funções muito bem, para nosso cenário regional. De fato, o F-5M como um interceptador tático de curto alcance é perfeito para nós: não há nada semelhante a ele na América do Sul e ele é moderno o sufriciente para prover defesa aérea ao centro-sul do país, mantendo ao mesmo tempo as equipes adestradas. É uma aeronave com uma ótima capacidade de manobra e que, bem armada, com apoio de um AWACs eficiente, e com pilotos adestrados, é um adversário páreo para qualquer… Read more »

Vader

Mas realmente me pergunto se hoje a Embraer não teria a capacidade de projetar e construir um caça nacional, ainda que em parceria com uma ou mais empresas estrangeiras. Algo nos moldes do que foi feito no Ching Kuo (http://vaderbrasil.blogspot.com/2011/06/aidc-f-ck-1-ching-kuo-o-f-16-chines.html).

Se o governo quer mesmo fazer a indústria bélica nacional renascer, o caminho ÚNICO é esse: gastar, gastar e gastar. Não existe almoço grátis.

Tendo a achar que estaríamos prontos para um salto desses.

Storm Rider

Agora se “moderniza” pra enviar pro museu?

Ivan

Mi Lord Vader,

A resposta para sua última pergunta já foi dada a algum tempo, quando os suecos perceberam a oportunidade de juntar o conhecimento e experiência deles em aeronaves militares com nosso imenso potencial e expertise comercial da Embraer.

Tem até nome e sobrenome, Gripen NG.

Basta termos seriedade para levar adiante.

Respeitosamente,
Ivan, o Gripeiro persistente. 🙂

Vader

Ivan disse: 17 de setembro de 2011 às 9:34 Grande Ivan, me referia à própria Embraer SD bancando um projeto desses, pro mercado externo, sem a participação, ingerência ou promessas de compra do GF, até porque sabemos que “desse mato não sai cachorro”: tudo o que tem o dedo público no Brasil acaba dando m… 😉 Acho que a Embraer já tem gordura, tamanho e principalmente CONTATOS e CREDIBILIDADE o suficiente para pensar em algo assim: projetar e fabricar, em associação ou com assessoramento de empresas estrangeiras (como por exemplo a Elbit, a Lockheed-Martin, a Northrop-Grumman, a Boeing, a KAI,… Read more »

Ivan

MiLord Vader, O mercado já tem uma boa série de caças leves, monomotores e de custo relativamente baixo, todos em comum o fato de ser desenvolvido e produzido para atender suas forças aéreas nacionais no sentido de completar seus meios, permitindo alguma indepedência de ação e fomentando a estratégica indústria de defesa nacional. Segue alguns exemplos: AIDC F-CK-1 Ching-kuo (Taiwan); PAC JF-17 Thunder (Paquistão), ou na visão chinesa seria CAC FC-1 Xiaolong; Chengdu J-10 (China); HAL Tejas (India); IAI Kfir (Israel); IAI Lavi (Israel); Mitsubishi F-1 (Japão); Mitsubishi F-2 (Japão); KAI FA-50 Golden Eagle (Coreia do Sul); e por que… Read more »

Vader

Ivan disse: 17 de setembro de 2011 às 12:30 Ivan, entendi o que você disse e até concordo em termos, mas vejo as coisas sob outra perspectiva: A FAB não tem interesse/necessidade de ser uma desenvolvedora aeronáutica. Já fez isso no passado (e ainda faz, com o KC-390). Deu na Embraer. Chega: a FAB já cumpriu esse papel, aliás de forma brilhante, e a Embraer e o AMX (e futuramente o KC-390) estão aí pra quem quiser ver. O que a FAB precisa e deseja é um avião voando. Um avião pronto. Que cumpra a missão de defender o espaço… Read more »

Sagran Carvalho

Amigos Vader e Ivan, belos e informativos comentários. Porém faço um pequeno adendo: realmente o Gripen NG seria a solução ideal para uma parceria entre Embraer e Saab, sendo o melhor dos mundos. Como disse o Vader, a Embraer realmente teve seu crescimento fermentado a partir do momento em que deixou de lado o Governo Brasileiro como cliente preferencial, partindo para o mercado civil de aviação regional, com novos e modernos produtos que vieram do aprendizado com o AMX. Mas não acredito que ela agiria da mesma forma para o mercado militar. A Embraer sempre teve a FAB como vitrine… Read more »

Ivan

Sagran, Na linha de produto militar o cliente preferêncial será sempre a Força Aérea (ou Aeronaval) nacional. A possível exceção a regra, o FC-1 Xiaolong e seu clone o JF-17 Thunder, desenvolvido inicialmente na China mas adotado pelo Paquistão, termina por confirmar esta visão. A Embraer não é exceção, como podemos observar com Tucanos, Super Tucanos e o futuro KC-390. Todos são demandas da FAB, em que pese um mercado externo interessante. Assim sendo, persiste a preocupação do Lord Vader quanto a continuidade de investimentos do governo federal em uma linha de produto de alto valor e alta tecnologia, como… Read more »

Sagran Carvalho

Concordo…o cavalo está selado só esperando o cavaleiro…e o cavaleiro ( FAB ) quer, mas o dono da fazenda não tem muito interesse em investir nesta manada. Inclusive, o dono antigo tinha preferência por um haras francês ( não há explicação lógica ), e deixou isto bem claro a nova proprietária no momento em que entregou as chaves da fazenda. Nisto perdem, o cavaleiro, a fazenda e os fornecedores da fazenda! Seria o cavalo ideal para nossa fazenda, mas como o ideal as vezes não é possível…torço apenas para que o haras francês também não se torne o fornecedor de… Read more »

Observador

Caro ivan, Se fossemos um país sério, o Gripen seria sem dúvida a melhor opção. Como não somos, mesmo que o Gripen seja escolhido, o investimento será feito à conta-gotas, criando um avião mutilado, como fizeram com o AMX. E sobre o FX-2, o grande problema é que quem realmente entende do riscado não participou nem participará da decisão. E retificando o que eu disse acima, não apenas o pessoal da FAB, mas o empresariado em geral, que absorveria a tecnologia prometida deveria ser ouvido. O atual ministro da defesa sempre disse que a questão técnica era de menor relevância,… Read more »

ricardo_recife

A Embraer é uma empresa privada, tem que dar lucro a seus acionistas. Mesmo que seja uma empresa estratégica para o setor de defesa, ela tem que pensar em termos comerciais. O setor de modernização de sistemas de defesa é um importante filão comercial. Todas as grandes indústrias de defesa possuem programas de modernização. Os programas de modernização do F-5, AMX e A-1 têm se revelados bastantes exitosos. Por mais críticos que sejamos da atual situação da FAB, a decisão de modernizar estes vetores é completamente racional. Modernizar 100 aviões por 650 milhões de dólares é uma pechincha. Concordo completamente… Read more »

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