O Comando da Aeronáutica repudia veementemente o teor da reportagem do jornalista Walmir Salaro, levada ao ar no Fantástico deste domingo, sete de agosto, e no Bom Dia Brasil desta segunda-feira, oito de agosto.
A matéria em questão parte de princípios incorretos e de denúncias infundadas para passar à população brasileira a falsa impressão de que voar no Brasil não é seguro. A reportagem contradiz os princípios editoriais da própria Rede Globo ao apresentar argumentos com falta de Correção e falta de Isenção, itens considerados pela própria emissora como sendo atributos da informação de qualidade.
O jornalista embarcou em uma aeronave de pequeno porte (aviação geral), que tem características como nível de voo, rota, classificação e regras de controle aéreo diferentes dos voos comerciais. A matéria trata os voos sob condições visuais e instrumentos como se obedecessem as mesmas regras de controle de tráfego aéreo, levando o espectador a uma percepção errada.
O piloto demonstra espanto ao avistar outras aeronaves sobre o Rio de Janeiro e São Paulo, dando um tom sensacionalista a uma situação perfeitamente normal e controlada que ocorre sobre qualquer grande cidade do mundo. Nesse sentido, causa estranheza que a reportagem tenha mostrado a proximidade dos aviões como algo perigoso para os passageiros no Brasil. As próprias imagens revelam níveis de voo diferenciados, além de rotas distintas.
Além disto, o piloto que opta por regras de voo visual, só terá seu voo autorizado se estiver em condições de observar as demais aeronaves em sua rota, de acordo com as regras de tráfego aéreo que deveriam ser de seu pleno conhecimento. Mesmo assim, o piloto receberá, ainda, avisos sobre outros voos em áreas próximas.
Foi exatamente o que ocorreu durante a reportagem, que mostra o contato constante dos controladores de tráfego aéreo com o piloto. Desde a decolagem foram passadas informações detalhadas sobre os demais tráfegos aéreos na região, sem que houvesse qualquer perigo para as aeronaves envolvidas.
A respeito da dificuldade demonstrada em conseguir contato com o serviço meteorológico, é interessante lembrar que há várias frequências disponíveis para contato com o Serviço de Informações Meteorológicas para Aeronaves em Voo (VOLMET), que está disponível 24 horas por dia em todo o país. Além destas, há frequências de ATIS (Serviço Automático de Informação em Terminal) que fornecem continuamente, por meio de mensagem gravada e constantemente atualizada, entre outros dados, as condições meteorológicas reinantes em determinada Área Terminal, bem como em seus aeroportos. Como, aliás, é o caso da Terminal de Belo Horizonte, incluindo os aeroportos da Pampulha e de Confins.
Ressalte-se que, a despeito da operação de tais serviços, todos os pilotos têm a obrigação de obter informações meteorológicas antes do voo pessoalmente nas Salas de Informações Aeronáuticas dos aeroportos, por telefone ou até pela internet.
Ao realizar o voo sem, possivelmente, ter acessado previamente informações meteorológicas, o piloto expôs a equipe de reportagem a uma situação de risco desnecessário. Tratou-se, obviamente, de mais um traço sensacionalista e sem conteúdo informativo.
A respeito do momento da reportagem em que o controle do espaço aéreo diz que não tem visualização da aeronave, cabe esclarecer que o voo realizado pela equipe do Fantástico ocorreu à baixa altitude, em regras de voos visuais, uma situação diferente dos voos comerciais regulares.
Na faixa de altitude utilizada por aeronaves como das empresas TAM e GOL, extensamente mostradas durante a reportagem, há cobertura radar sobre todo o território brasileiro. Para isso, existem hoje 170 radares de controle do espaço aéreo no país. Como dito acima, é feita uma confusão entre perfis de voos completamente diferentes. Dessa forma, o telespectador do Fantástico ficou privado de ter acesso a informações que certamente contribuem para a melhor apresentação dos fatos.
No último trecho de voo da reportagem, o órgão de controle determinou a espera para pouso no Aeroporto Santos-Dumont. O que foi retratado na matéria como algo absurdo, na realidade seguiu rigorosamente as normas em vigor para garantir a segurança e fluidez do tráfego aéreo. Os voos de linhas regulares, na maioria das vezes regidos por regras de voo por instrumentos, gozam de precedência sobre os não regulares, visando a minimizar quaisquer problemas de fluxo que possam afetar a grande massa de usuários.
A reportagem também errou ao mostrar que Traffic Collision Avoidance System (TCAS) é acionado somente em caso de acidente iminente. O fato do TCAS emitir um aviso não significa uma quase-colisão, e sim que uma aeronave invadiu a “bolha de segurança” de outra. Essa bolha é uma área que mede 8 km na horizontal (raio) e 300 metros na vertical (raio).
Cabe ressaltar ainda que a invasão da bolha de segurança não significa sequer uma rota de colisão, pois as aeronaves podem estar em rumos paralelos ou divergentes, ou ainda com separação de altitude, em ambiente tridimensional.
A situação pode ser corrigida pelo controle do espaço aéreo ou por sistemas de segurança instalados nos aviões, como o TCAS. Nem toda ocorrência, portanto, consiste em risco à operação. O TCAS, por exemplo, pode emitir avisos indesejados, pois o equipamento lê as trajetórias das aeronaves, mas não tem conhecimento das restrições impostas pelo controlador.
Todas as ocorrências, no entanto, dão início a uma investigação para apurar os seus fatores contribuintes e geram recomendações de segurança para todos os envolvidos, sejam controladores, pessoal técnico ou tripulantes. É esse o caso dos 24 relatórios citados na reportagem. A existência desses documentos não significa a ocorrência de 24 incidentes de tráfego aéreo, e sim uma consequência direta da cultura operacional de registrar todas as situações diferentes da normalidade com foco na busca da segurança.
A investigação tem como objetivo manter um elevado nível de atenção e melhorar os procedimentos de tráfego aéreo no Brasil, pois é política do Comando da Aeronáutica buscar ao máximo a segurança de todos os passageiros e tripulantes que voam sobre o país. Incidentes e acidentes não são aceitáveis em nenhum número, em qualquer escala.
Sobre a questão dos controladores de tráfego aéreo, ao contrário da informação veiculada, o Brasil tem atualmente mais de 4.100 controladores em atividade, entre civis e militares. No total, são mais de 6.900 profissionais envolvidos diretamente no tráfego aéreo, entre controladores e especialistas em comunicação, operação de estações, meteorologia e informações aeronáuticas.
Para garantir a segurança do controle do espaço aéreo no futuro, o Comando da Aeronáutica investe na formação de controladores de tráfego aéreo. A Escola de Especialistas de Aeronáutica forma anualmente 300 profissionais da área. Todos seguem depois para o Centro de Simulação do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), inaugurado em 2007 em São José dos Campos (SP). Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, o ICEA ampliou de 160 para 512 controladores-alunos por ano, triplicando a capacidade de formação e reciclagem.
Vale salientar que a ascensão operacional dos profissionais de controle de tráfego aéreo ocorre por meio de um conselho do qual fazem parte, dentre outros, os supervisores mais experientes de cada órgão de controle de tráfego aéreo. Desse modo, nenhum controlador de tráfego aéreo exerce atividades para as quais não estejam plenamente capacitados.
A qualidade desses profissionais se comprova por meio de relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). De acordo com o Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira, dos 26 tipos de fatores contribuintes para ocorrência de acidentes no país entre 2000 e 2009, o controle de tráfego aéreo ocupa a 24° posição, com 0,9%. O documento está disponível no link:
http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/19/PANORAMA_2000_2009.pdf
A capacitação dos recursos humanos faz parte dos investimentos feitos pelo DECEA ao longo da década. Entre 2000 e 2010, foram R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão somente a partir de 2008. O montante também envolve compra de equipamentos e a adoção do Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional (SAGITÁRIO), um novo software nacional que representou um salto tecnológico na interface dos controladores de tráfego aéreo com as estações de trabalho. O sistema tem novas funcionalidades que permitem uma melhor consciência situacional por parte dos controladores. Sua interface é mais intuitiva, facilitando o trabalho de seus usuários.
Os resultados desses investimentos foram demonstrados pela auditoria realizada em 2009 pela International Civil Aviation Organization (ICAO), organização máxima da aviação civil, ligada às Nações Unidas, com 190 países signatários. A ICAO classificou o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro entre os cinco melhores no mundo. De acordo com a ICAO, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.
Sem citar quaisquer dessas informações, para realizar sua reportagem, a equipe do Fantástico exibe depoimentos sem ao menos pesquisar qual a motivação dessas fontes. O Sr. Edileuzo Cavalcante, por exemplo, apresentado como um importante dirigente de uma associação de controladores, é acusado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, motim e incitação à indisciplina, e responde por essas acusações na Justiça Militar.
O Sr. Edileuzo Cavalcante foi afastado da função de controlador de tráfego aéreo em 2007 e recentemente excluído das fileiras da Força Aérea Brasileira. Em 2010, também teve uma candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.
Quanto à informação sobre as tentativas de chamada por parte do controlador de tráfego aéreo, Sargento Lucivando Tibúrcio de Alencar, no caso do acidente ocorrido com a aeronave da Gol (PR-GTD) e a aeronave da empresa Excel Aire (N600XL) em 29 de setembro de 2006, cabe reforçar que elas não obtiveram sucesso devido à aeronave da Excel Aire não ter sido instruída oportunamente a trocar de frequência e não a qualquer deficiência no equipamento, conforme verificado em voo de inspeção. Durante as tentativas de contato, a última frequência que havia sido atribuída à aeronave estava fora de alcance, impossibilitando o estabelecimento das comunicações bilaterais.
Já quando foi consultar o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a equipe de reportagem omitiu o fato que trataria de problemas de tráfego aéreo. Foi informado que se tratava unicamente sobre a evolução do tráfego aéreo de 2006 a 2011.
Por fim, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ressalta que voar no país é seguro, que as ferramentas de prevenção do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro estão em perfeito funcionamento e que todas as ações implementadas seguem em concordância com o volume de tráfego aéreo e com as normas internacionais de segurança. No entanto, este Centro reitera que a questão da segurança do tráfego aéreo no país exige um tratamento responsável, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, pessoais ou políticos.
Brasília, 9 de agosto de 2011.
Brigadeiro-do-Ar Marcelo Kanitz Damasceno
Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

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Sempre que há um post tratando de manipulação de informação pela imprensa eu tenho me manifestado aqui na trilogia. Eu reafirmo que a maioria dos veículos de comunicação nacionais (principalmente os maiores) que juntos são denominados “imprensa brasileira”, perderam completamente os valores que deveriam nortear a sua atuação.
A isenção e o direito constitucional de informação da população dentre outros são valores frequentemente deixados de lado em nome de sensacionalismo, patrocínio, verbas comerciais, lobbies, etc…
Hoje em dia se forja uma boa matéria, acredito que por falta de habilidades jornalísticas, falta de bons profissionais. Qualquer pessoa que entenda tecnicamente de alguma área deve ficar revoltada ao ver uma matéria que utiliza-se de artifícios para ludibriar os leigos. Se usa índices errados, omitem-se os índices aceitos mundialmente como parâmetro tecnicamente correto. Jornalistas leigos dão opinião sobre tudo, sem ao menos demonstrarem ter estudado sobre assunto. Foi-se o tempo dos jornalistas especializados, das editorias técnicas, etc…. É uma pena não saber usufruir da liberdade.
Agora vá a FAB entrar na justiça pedindo direito de resposta, vão dizer que é atitude ditatorial e censura.
Deviam era falar mal dos preparativos da Copa de 2014, da CBF e seu presidente. Reportagem totalmente parcial. Me lembra de uma outra tempos atrás quando diziam que o controle de tráfego aéreo utilizava computadores de 30(!) anos atrás(?). Alguém ainda usa Apple II ou IBM PC de 1981? FALA SÉRIO! Até Pentium III é difícil de encontrar hoje em dia. É lixo tecnológico. E ainda entrevistam pessoas tendenciosas.
Desde 2003, quando o Lula começou essa estória de desarmamento civil, que eu fiquei com os dois pés atrás com a maioria dos veículos de comunicação de massa, especialmente as Organizações Globo. Eles possuem um enorme exército de jornalistas e artistas paus-mandados e maria-vai-com-as-outras para fazerem lavagem cerebral na cabeça do povo brasileiro. Felizmente, cada vez aumenta mais o poder da internet, contra os sociólogos mal-intencionados de plantão. Perderam o referendo de 2005 e perderão todos os outros, se houver!
O que um certo povinho vermelhuxo que detesta o CAPITALISMO não entende (e não irá entender nunca) é que a Globo, a Veja, a Folha, o Estadão, o Globo, e até o Correio Braziliense (?) vivem da sua PROPAGANDA. E propaganda vem da sua AUDIÊNCIA.
E para conseguir audiência muita gente faz coisa muito pior e mais nojenta ou danosa por aí. Como por exemplo, viver de DINHEIRO PÚBLICO através do patrocínio “camarada” das empresas publicas/”economia mista” controladas pelos “cumpanhero”, como umas TVs (?) por aí, e uma ou outra revistinha chulé rastaquera que só idiota esquerdopata teleguiado lê. Isso quando a tal “mídia” não vive do dinheiro das esmolas que os pobres-diabos dos fiéis doam nas igrejas e cultos por aí…
A Globo? A Globo na pior das hipóteses TENTA informar, e não desinformar ou dar o viés que o pastor ou o político de plantão desejam. Diga-se de passagem, o faz com uma qualidade técnica elevadíssima, amplamente reconhecida pelo povo brasileiro e internacionalmente como um “benchmark” das comunicações (e estou a anos-luz de ser um seu telespectador assíduo)…
Com efeito, a Globo não é o que é à tôa. Como não o são a Folha, o Estadão, o Globo, a Veja, e acho que até o Correio Braziliense…
Mas eu não vejo esquerdopata algum querendo fechar uma certa “Marda Capital” ou uma certa “TV Brasuca” (algo assim), que dão traço no Ibope, nem lutando pra impedir que se invista dinheiro dos fiéis em redes de TV, rádios, etc. Ninguém faz nada pra fechar os madraçais do esquerdismo que grassam por aí (claro, os inimigos da liberdade de informação são “elles”).
O que demonstra bem que a bronca de certa caterva asquerosa é mesmo contra a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, e não a favor da qualidade de imprensa.
Jamais vi um tal de PHA, ou um tal de “Minos Carga” fazerem alguma reportagem nem de longe com tamanha qualidade técnica e isenção como a feita pelo Fantástico. E não me venham dizer que falta dinheiro: com o que certas “mídias” por aí arrecadam de dinheiro público e dos fiéis poderiam desbancar a Globo, a CBN, a CNN, a CBS, a FOX e a BBC juntas…
_____________________
Feito o aparte, em bom tempo, a reportagem foi mesmo um pouco sensacionalista e pecou pela falta de correção técnica. Talvez tenha faltado uma consultoria mais aprofundada, mais técnica. Talvez tenha faltado entrevistar algumas pessoas mais “isentas”, por assim dizer. Não tem nada de mais em ter várias dezenas de aeronaves voando no mesmo espaço aéreo, por exemplo, contanto que este seja controlado à perfeição.
O que NÃO ACONTECE, como todo mundo que conhece algo da aviação está cansado de saber (aliás muito longe disso).
Portanto, que me perdoe o ilustre subscritos, mas há em minha modesta oipinião algumas bobagens monumentais no arrazoado. Vamos a elas:
“O Comando da Aeronáutica repudia veementemente (…)”
Pra começo de conversa não entendo o porque de tamanha veemência. Quem não deve não teme. Se a reportagem estava errada, aponte os erros. Peça direito de resposta à justiça, se entende o caso, oras! A FAB não tem corpo jurídico? A AGU não serve para nada?
A impressão que dá é que a FAB não gosta que se fale do controle aéreo nacional, como se este fosse a sétima maravilha do mundo… a última cocada do tabuleiro da baiana… Oras…
Parece medo de se descobrir algo, de se abrir alguma “caixa-preta”, postura esta que não se coaduna com a Força democrática (em suas relações com outros órgãos do Estado e a Sociedade) que todos queremos…
“O jornalista embarcou em uma aeronave de pequeno porte (aviação geral), que tem características como nível de voo, rota, classificação e regras de controle aéreo diferentes dos voos comerciais.”
Entendi direito ou a nota trata os vôos de pequeno porte como algo que não precisa de segurança, ou cuja segurança é secundária em relação à aviação regular? Será mesmo que um vôo de pequeno porte não merece todo o apoio dos órgãos de controle de tráfego, da tecnolgia disponível, das regras de segurança, etc?
Que me desculpe a nota, mas s.m.j. todo vôo paga as suas respectivas taxas, e merece tratamento isonômico no que diz respeito à segurança.
“A matéria trata os voos sob condições visuais e instrumentos como se obedecessem as mesmas regras de controle de tráfego aéreo, levando o espectador a uma percepção errada”
Não notei isso não. Mas se a reportagem fosse explicar as diferenças entre VFR e IFR teríamos no mínimo uma reportagem de algumas horas, o que evidentemente fugiria do propósito da matéria.
“O piloto demonstra espanto ao avistar outras aeronaves sobre o Rio de Janeiro e São Paulo”
De novo, não achei isso não. Achei até que o Comandante mostrou bem como é que funciona, quando disse por exemplo que “a aeronave tal fez uma curva pra esquerda para não passar na nossa região de vôo”. De novo, como espectador isento, entendo que improcede a crítica.
“de acordo com as regras de tráfego aéreo que deveriam ser de seu pleno conhecimento”
Aqui se nota de novo o viés “belicista” da nota. A nota parece querer desqualificar o piloto, como se ele não tivesse conhecimento das regras visuais, o que não me parece o caso.
Estranha essa “contundência” reiterada da FAB…
“A respeito da dificuldade demonstrada em conseguir contato com o serviço meteorológico, é interessante lembrar que há várias frequências disponíveis para contato com o Serviço de Informações Meteorológicas para Aeronaves em Voo (VOLMET)”
A nota se contradiz. Há ou não dificuldades com o VOLMET? Tem várias frequências? Menos pior, considerando-se que a info meteorológica bem passada a tempo pode salvar vidas.
Bem, o fato é que uma dessas frequências FALHOU na hora e momento em que foi demandada!
Espero que, a despeito das “várias frequencias”, se investigue o porquê. Um serviço desses não pode falhar NUNCA. Independente do número de frequências disponíveis.
“Além destas, há frequências de ATIS”
Salvo melhor juízo, o ATIS atende à TMA. Ora, o sujeito está no Rio, saíndo da TMA, entrando na proa de BH, e quer saber o clima na chegada, o ATIS vai ser captado por ele? Creio que não…
“Ressalte-se que, a despeito da operação de tais serviços, todos os pilotos têm a obrigação de obter informações meteorológicas antes do voo pessoalmente nas Salas de Informações Aeronáuticas dos aeroportos, por telefone ou até pela internet.”
Olha aí, de novo. A nota aparenta estar duvidando das capacidades do piloto.
Insisto: estranho esse belicismo demonstrado na nota, essa ânsia, essa gana de querer desqualificar…
“Ao realizar o voo sem, possivelmente, ter acessado previamente informações meteorológicas, o piloto expôs a equipe de reportagem a uma situação de risco desnecessário”
Pra não dizerem que estou pegando no pé: será que o piloto fez isso mesmo, conscientemente? Será que o piloto iria arriscar seu equipamento, as vidas dos ocupantes da aeronave, pra não falar do próprio pêlo, pra fazer parecer mais sensacionalista a reportagem?
Oras, tenha paciência… É EVIDENTE que piloto nenhum no mundo faria uma barbaridade dessas, por mais bem pago que fosse.
E mais: se a Força tem PROVAS disso, que tome as providências contra o piloto homessa!
A nota “pisa no tomate” sem dó. Começa a ficar lamentável o tom belicista utilizado…
“A respeito do momento da reportagem em que o controle do espaço aéreo diz que não tem visualização da aeronave, cabe esclarecer que o voo realizado pela equipe do Fantástico ocorreu à baixa altitude, em regras de voos visuais, uma situação diferente dos voos comerciais regulares”
Voltemos ao ponto: NENHUMA aeronave deveria voar “às cegas” do controle no Espaço Aéreo Brasileiro, seja ela um Ultraleve ou um Cruzador Imperial!!!
Oras bolas, pra que diabos temos os CINDACTAs integrados com a Força Aérea Brasileira mesmo? É pra controlador brincar de mexer pauzinho na tela? Oras, se é pra isso que se dê um Atari pra cada um deles que sai muito mais barato…
Tenha dó! Se o Controle do Espaço Aéreo é da FAB, existe uma razão pra isso! É para a FAB ter… CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO! Se uma aeronave de pequeno porte então quiser voar baixo até a Bolívia e voltar pro RJ sem aparecer no radar, sem fazer contato, sem dar as caras então pode?
Oras inacreditável! Isso é admitir a própria incompetência! É quase locupletamento com a própria torpeza!
Essa foi a “mãe de todas as bobagens” que já li sobre aviação nos últimos tempos…
“Na faixa de altitude utilizada por aeronaves como das empresas TAM e GOL, extensamente mostradas durante a reportagem, há cobertura radar sobre todo o território brasileiro”
O que nos leva a crer que para as aeronaves pequenas então “tá tudo liberado”. É o “Mundo de Marlboro” instituído… O “faroeste”… Oras bolas…
“Dessa forma, o telespectador do Fantástico ficou privado de ter acesso a informações que certamente contribuem para a melhor apresentação dos fatos”
É só pedir pra Globo da próxima vez fazer uma reportagem de quatro horas explicando pra Velhinha de Taubaté, pro Chico Bento e pro Menino da Porteira como funciona o sistema de controle-radar brasileiro, o que é nível de vôo, quais as especificações de cada radar, como funciona um transponder, etc…
Oras, é cada uma… Juro que eu tô tentando ser isento com a nota, mas tá difícil…
“O que foi retratado na matéria como algo absurdo, na realidade seguiu rigorosamente as normas em vigor para garantir a segurança e fluidez do tráfego aéreo. Os voos de linhas regulares, na maioria das vezes regidos por regras de voo por instrumentos, gozam de precedência sobre os não regulares, visando a minimizar quaisquer problemas de fluxo que possam afetar a grande massa de usuários”
Um blábláblá danado pra reafirmar o que a reportagem quis dizer: que o país não tem aeroportos condignos com o crescimento da aviação (óóóóó, fez-se a luz….). Porque uma aeronave de pequeno porte demorar vinte minutos ou meia hora para receber autorização para pouso ou decolagem em SBRJ (como já ouvi de amigos pilotos) é um ABSURDO aqui, nos EUA, na Malásia, na Tailândia, em Marte, em Coruscant, etc…
“É esse o caso dos 24 relatórios citados na reportagem. A existência desses documentos não significa a ocorrência de 24 incidentes de tráfego aéreo, e sim uma consequência direta da cultura operacional de registrar todas as situações diferentes da normalidade com foco na busca da segurança.”
Penso eu que a reportagem não quis dizer nada além disso. A nota de novo se equivoca em sua interpretação.
“Desse modo, nenhum controlador de tráfego aéreo exerce atividades para as quais não estejam plenamente capacitados”
Há controvérsias. Basta procurar no youtube que vai se encontrar pelo menos uma meia dúzia de controladores despreparados e destemperados em lances bizarros, dignos de Stanislaw Ponte Preta…
“O Sr. Edileuzo Cavalcante, por exemplo (…)”
De novo, um estranho argumento ad hominem. Coisa esquisita…
Ataque o que o sujeito falou, e não quem é ele, oras! Contradiga-o! Desminta-o! É isso que o povo e quem vive da aviação aérea mais deseja, oras!
“Durante as tentativas de contato, a última frequência que havia sido atribuída à aeronave estava fora de alcance, impossibilitando o estabelecimento das comunicações bilaterais”
Então houve uma falha do ATS correto? Não dá para remediar tal falha? Não dá pra trabalhar nisso?
“Já quando foi consultar o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a equipe de reportagem omitiu o fato que trataria de problemas de tráfego aéreo. Foi informado que se tratava unicamente sobre a evolução do tráfego aéreo de 2006 a 2011″
Porquê? Qual o problema? Muda muita coisa falar dos “problemas” para falar da evolução? Ou será que falar bem “póóóódi”, e falar mal não? Ou será que não se fala nos problemas quando se fala na evolução? Ou será que tratar de problemas na FAB é um tabú? Homessa, mais do que a reportagem, isso sim é espantoso!
Dá a impressão que a FAB está escondendo algo, que quando se fala da evolução se pode dizer, quando se fala dos problemas não.
Isso não se coaduna com o Estado Democrático de Direito. Sinto muito.
“Por fim, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica ressalta que voar no país é seguro, que as ferramentas de prevenção do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro estão em perfeito funcionamento e que todas as ações implementadas seguem em concordância com o volume de tráfego aéreo e com as normas internacionais de segurança”
Isso aqui foi a assessoria jurídica que mandou dizer, à guisa de impugnação específica. Faz parte; falaria o mesmo para um meu cliente. Mas não sei até que ponto fica bem para a Assessoria de Imprensa da FAB. Não é um processo judicial.
“No entanto, este Centro reitera que a questão da segurança do tráfego aéreo no país exige um tratamento responsável, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, pessoais ou políticos.”
Enfim, chegamos ao ponto fulcral da coisa: parece que alguém andou metendo o dedo em alguma ferida; mexeu com alguns interesses. Que podem ou não ser os interesses da nação (a se ver).
E como já foi hábito (e não deveria mais ser – ao menos desde 1984), a Assessoria de Imprensa da FAB nos brinda com um espetáculo de incongruência e falta de moderação. Uma lástima. Para produzir isso, melhor seria nada dizer.
A nota é lamentável. Diria mesmo, com todo o respeito que a autoridade signatária merece, PROFUNDAMENTE INFELIZ.
Saudações a todos.