Home Noticiário Nacional Avião não tripulado poderá fiscalizar favelas brasileiras

Avião não tripulado poderá fiscalizar favelas brasileiras

1096
13

MARCELO MIRANDA BECKER

Considerados pelo governo fundamentais na estratégia de monitoramento das fronteiras brasileiras para coibir o tráfico de drogas e armas, dois veículos aéreos não tripulados (Vant) devem entrar em operação no País até o fim do ano. Essa não será a primeira vez que o Brasil utilizará um Vant em ações especiais. Desde 2006, uma versão mais barata da aeronave, de fabricação nacional, é utilizada pela Marinha em ações no Haiti. O sucesso em um ambiente urbano pode representar o primeiro passo de uma verdadeira revolução no setor de segurança pública no Brasil.

Conheça o Carcará, o avião-espião brasileiro

A robustez, a portabilidade e a discrição do Carcará, nome do Vant de apenas 1,6 m de envergadura projetado pela empresa carioca Santos Lab e usado pela Marinha, permitem seu uso futuro em operações policiais nos grandes centros urbanos brasileiros. “Há a possibilidade de que, futuramente, as aeronaves sejam empregadas em ações nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, que contam com apoio logístico da Marinha”, adianta o engenheiro alemão responsável pela atualização do projeto brasileiro, Tin Muskardin.

Movido por um rotor traseiro alimentado por três baterias, o Carcará pode voar por até uma hora, enviando imagens de um raio de 15 km, em tempo real, a uma estação de controle portátil, que cabe em uma pequena mochila. “A Marinha usa o Carcará em missão de paz no Haiti para monitorar as favelas, em missões de reconhecimento para acompanhar o que está acontecendo antes de alguma incursão”, relata o engenheiro alemão, que há dois anos trabalha no novo Vant verde-amerelo, o Carcará II. “A segunda versão é desenvolvida respeitando as necessidades da Marinha, ainda está em fase de testes. Ele é um pouco maior – mede 2 m – e tem o dobro de autonomia. Tudo isso pesando apenas 4,3 kg”, afirma.

O Carcará é lançado manualmente pelas tropas e é equipado com câmeras de alta definição e sistema GPS, que permite ao controlador estabelecer previamente a rota, ou alterá-la clicando com o mouse sobre um ponto específico da imagem captada pelo aparelho. A estação de controle, semelhante a um laptop, é uma estrutura robusta e leve, que pode ser levada dentro de navios e veículos em movimento durante a operação. “A estação também pode ser conectada a um GPS, o que permite ao avião reconhecer a movimentação dela e responder aos comandos da mesma forma”, diz Muskardin.

“É possível controlar até quatro aviões ao mesmo tempo com apenas uma estação de controle. Na prática, isso permite a realização de operações contínuas de monitoramento. A autonomia de um avião é só de duas horas, no caso do Carcará II. Depois de uma hora e meia é possível acionar um segundo avião, e fazer o primeiro voltar para fazer a recarga de baterias, mantendo a ação ininterrupta”, diz o engenheiro. “As baterias podem ser recarregadas no carro ou em uma tomada comum. Há ainda a possibilidade de troca da bateria, como ocorre com um aparelho celular, por exemplo”, completa.

Baixo custo é trunfo do modelo brasileiro

O Carcará é vendido em kits com três aeronaves e uma estação de controle, cujo custo varia entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, dependendo das especificações dos aparelhos, segundo Muskardin. O Carcará II deve entrar em operação a um preço entre R$ 500 mil e R$ 600 mil cada kit, podendo contar com o emprego de câmeras com zoom ótico e sensor infravermelho.

Em testes com o Carcará II, a Marinha estuda a utilização do Vant na identificação de alvos para serem neutralizados pela artilharia. “No vídeo em tempo real você pode pegar as coordenadas de algum alvo e mandá-las para a artilharia, e o avião fica próximo ao alvo. Após a ação da artilharia, o avião volta ao local e verifica se o alvo foi atingido. Caso contrário, pode repetir o processo”, relata o engenheiro.

O Carcará II possui um sistema inovador que lhe permite um pouso quase vertical, exigindo pouco espaço para a operação. “Tanto o Carcará quanto o Carcará II são desmontáveis, então você chega com uma mochila muito leve em qualquer lugar. Você pode lançar a aeronave manualmente do topo de um prédio e recuperá-lo no mesmo local, o que amplia a área de atuação do Vant”, diz.

Silencioso em decorrência de seu motor elétrico, o Carcará pode ser facilmente confundido com uma ave quando visto do solo. “A cor acinzentada do aparelho foi escolhida justamente para se parecer com o céu, dificultando a visualização por parte do inimigo. A partir de uma altura de 100 m, já não é mais possível ouvir o som do motor”, diz o engenheiro. “Em algumas situações de pouso, mesmo para quem está operando o aparelho tem dificuldades para enxergar o Carcará. É muito difícil vê-lo”, relata.

O tamanho reduzido e o pequeno potencial de estragos provocados por uma eventual queda também contam a favor do Carcará. “O Vant é feito de polipropileno expandido, o mesmo material utilizado na fabricação dos para-choques dos carros. É um material robusto e seguro. Mesmo ao cair, a chance de machucar alguém é muito pequena, muito menor do que a de um avião feito com fibra de carbono ou plástico”, garante.

O modelo que deverá ser empregado nos próximos meses pela Polícia Federal possui semelhanças com o Carcará. É, porém, 10 vezes maior e tem autonomia de voo superior a 40 horas. Os aviões Heron foram adquiridos junto ao governo israelense, que emprega as aeronaves em ações de vigilância em áreas de confronto com palestinos.

FONTE: Terra

13
Deixe um comentário

avatar
13 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
6 Comment authors
Tadeu MendesJokerLuppusFuriusMauricio R.edcreek Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Vader
Visitante
Member

Bacana. Parabéns à equipe do Carcará.

Mas alguém pode me explicar porque, se já possuímos a tecnologia nacional para construir VANTs, fomos comprar (PF) os Heron de Israel?

Será que com essa grana paga não dava pra pesquisar/produzir um similar nacional?

Ou será que, realmente, a tal END é só balela jobiniana? 😉

edcreek
Visitante
edcreek

OLá, Vader me pareçe que o Carcará II é menor é mais um tipo de aeromodelo com camera, não que isso seja ruim, se for só para sobrevoar, filmar e passar a posição, isso já serve em areas hostis internas(favelas por exemplo). O Hernes é bem maior e capaz com muita autonomia, imagimo que o Vant Israelense fica com as fronteiras maiores e com bases estabelecidas e o Carcará II em areas menores de atuação, com maior portabilidade, ao meu ver um complementa o outro, claro se eles virem um dia a trabalhar juntos, já que um está na Marinha… Read more »

Mauricio R.
Visitante
Member
Mauricio R.

Já existe um projeto da FAB, nesse sentido: “The Falcao’s first flight will launch the second phase of Project VANT (the Portuguese-language acronym for UAV). In the two-year-long first phase, the Brazilian air force’s department of aerospace science and technology (CTA) completed 59 flights with 1980s-vintage Acaua and Harpia UAVs. Phase one validated the centre’s navigation software, said Flavio Araripe, the CTA’s Project VANT co-ordinator, speaking at the Latin America Aerospace and Defense 2011 show in early April. For the second phase, the Falcao UAV will demonstrate the CTA’s autonomous take-off and landing system, Araripe says.” (http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=5&ved=0CEUQFjAE&url=http%3A%2F%2Fwww.flightglobal.com%2Farticles%2F2011%2F04%2F18%2F355661%2Fbrazil-reveals-uav-strategy-with-avibras-falcao.html&rct=j&q=acau%C3%A3%20uav&ei=ZMEITvvAMMa00AH_n4n7Cg&usg=AFQjCNFa8jllAOlAMj14KXFhs1HKb0y8Gg&cad=rja) Se não me… Read more »

edcreek
Visitante
edcreek

Olá,

Aqui tem uma imagens dele sendo segurado por uma pessoa, fica bem claro na imagem que não é nada mais que um aero moldelo-avançado.

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5200892-EI306,00-Aviao+nao+tripulado+podera+fiscalizar+favelas+brasileiras.html#tphotos

Como dinha tido antes, se cumprir a missão, não é demerito está valendo!!!!

Abraços,

Mauricio R.
Visitante
Member
Mauricio R.

São tipos distintos de UAV’s; um tático e outro MALE (média altitude, longa autonomia).

LuppusFurius
Visitante
LuppusFurius

Alvo “prús mano”….

Vader
Visitante
Member

Me desculpem os amigos Edcreek e Maurício R., mas no fundo um UAV é isso aí mesmo: um aeromodelo melhorado e que “cumpre a função”. Não tem sequer os requisitos de segurança que um mísero ultraleve, por ser tripulado, tem. Nem sequer tem regulamentação para sua operação (lembrando que, a princípio, o que não é proibido é permitido…). O que quero dizer é: um VANT (ainda) pode ser construído quase que “de qualquer jeito”. Se eu inventar uma turbina que funciona a xurume e enfiá-la num VANT, posso sair voando. Se eu pegar esse treco aqui (http://start.d-dalus.at/), enfiar uma câmera… Read more »

edcreek
Visitante
edcreek

Olá, Vader não é bem assim, podem pareçer semelhantes mas não são, Hermes é bem mais capaz os maiores destaques são: 30 Horas de voo ineterruptas; sistemas eletro-ópticos; Designadores laser; Sensores de inteligência eletrônica; Elançe de dados seguros com alcançe de até 250 Km; Ele é bem mais elaborado que o Carcara, se fosse assim tão simples teriamos duzias de fabricantes de grandes Vants, e sabemos que não é bem assim. Sobre os entreves burocraticos, é necessario fazer essas correções, mas acho que o Brasil está no caminho certo, agora é adquirir um numero maior de vants, de grande e… Read more »

edcreek
Visitante
edcreek

O site da empresa para consulta, tem até um video feito por um vant para ter uma ideia….

http://www.uav.com.br/?gclid=CMO8pba72KkCFQp75QodqimGPw

Abraços,

Vader
Visitante
Member

Ed, poderíamos comprar os sistemas e montar um VANT com fuselagem e motorização (?) nacional. A Embraer por exemplo é mestre nisso de botar sistemas dos outros nos aviões dela.

Mas falta mesmo é interesse. É mais interessante comprar pronto do que desenvolver nacionalmente.

Ou seja: a tal END é uma bela balela. Um engodo feito sob medida pra comprar Rafales e outras porcarias francesas, dando vazão assim ao antiamericanismo latente do governo PeTralha.

Joker
Visitante
Joker

Antes de começar a troca de farpas entre alguns colegas tem uma publicação do DECEA que acredito ser interessante dar uma olhada:

http://publicacoes.decea.gov.br/download.cfm?d=3499

Joker
Visitante
Joker

Antes q eu me esqueça artigo bom sobre emprego e vants ao contexto brasileiro.

http://www.eceme.ensino.eb.br/eceme/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=90&Itemid=64

Tadeu Mendes
Visitante
Member
Tadeu Mendes

A solucao ideal para a favela seria o Blue Thunder.

Alguem se lembra dessa maquina?????

comment image