Dois dos três concorrentes em licitação atuam em coalizão contra Muammar Gaddafi

Após o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano, o Planalto de fato tirou a compra dos 36 caças pela FAB (Força Aérea Brasileira) da sua lista de prioridades. Prova disso é que nem o Ministério da Defesa e nem o Palácio do Planalto estão aproveitando o conflito na Líbia para observar a performance das aeronaves em uma guerra.

Na última quinta-feira (24), o almirante americano William Gortney disse que, ao todo, 350 caças participam da operação contra Muammar Gaddafi na Líbia. Desses, metade é da Força Aérea dos Estados Unidos, que possui, entre outros, o Super Hornet FA-18 da Boeing, concorrente na licitação brasileira.

A França, um dos maiores incentivadores aos bombardeios na Líbia, também participa da coalizão com seus caças Rafale – os preferidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vencer a concorrência.

Os suecos Gripen – que também competem na licitação do Brasil -, não participam da operação contra Gaddafi.

Ministério diz que observação é desnecessária

De acordo com o Ministério da Defesa, a observação das aeronaves não é necessária porque o ministério já finalizou os pareceres técnicos sobre os modelos, o que inclui a posição dos comandantes da Marinha e da Aeronáutica sobre a aquisição. Os pareceres já foram enviados à Presidência, e à Defesa, portanto não caberia mais nada a ser feito, neste momento.

Já o Planalto deixa claro que os planos de austeridade fiscal não abrem espaço para a compra de 36 aeronaves, que consumiria, de acordo com estimativas, cerca de R$ 10 bilhões. O valor supera o que foi cortado em gastos de custeio da Defesa. O corte da pasta soma R$ 4 bilhões.

Uma fonte do governo disse ao R7 que a presidente Dilma Rousseff está focada neste momento em cortar gastos e lançar programas sociais. A Rede Cegonha, que será lançada na próxima segunda-feira em Belo Horizonte, é um desses projetos. A fonte sinalizou que este não é o momento de se pensar na aquisição das aeronaves.

A compra dos 36 caças pela FAB era tratada como prioritária pelo governo Lula, mas acabou não concretizada pela análise criteriosa de qual seria o melhor negócio.

De acordo com o Ministério da Defesa, a compra não é uma simples aquisição de aeronaves. O negócio precisa contemplar a transferência de tecnologia e a capacitação profissional dos brasileiros para o uso dos caças. (Mariana Londres – Brasília)

FONTE: R7

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Fotógrafo e Analista de Redes Sociais do Grupo Aeronaval Comunicação (Forças de Defesa- Poder Aéreo). É nas horas vagas e spotter e ouvinte de controle aéreo (App) de aviação civil e militar.

16 Responses to “Com compras suspensas, Brasil ignora desempenho de caças na Líbia” Subscribe

  1. ZE 28 de março de 2011 at 12:14 #

    Eu já disse milhares de vezes e volto a repetir:

    A Dilma está certa em não comprar caça coisa nenhuma agora !

    Primeiro, ela tem que botar a casa em ordem, pois o Lula gastou o que tinha e o que não tinha no último ano de seu mandato.

    Em segundo lugar, todas essas revoltas foram acesas por causa dos altos preços dos alimentos (NÃO estou falando que o mesmo irá se dar no Brasil).

    Como justificar ao público brasileiro, que está vendo o mundo ao seu redor derretendo, a compra de BILHÕES em material bélico (caças) ?

    Quando ela colocar tudo em ordem, irá comprar os caças.

    Aliás, NÃO haverá nenhum prejuízo para o Brasil no já certo adiamento da compra dos vetores.

    A FAB já disse que só irá precisar deles em 2016 !

    Ademais, NÃO EXISTE PAÍS NO MUNDO capaz de invadir e ocupar o Brasil (com a exceção do Tio Samuel Wilson. Na verdade, nem ele pode mais).

    Na RIDÍCULA suposição da invasão americana, nós não poderíamos fazer nada, ainda que a FAB contasse com 200 Super Hornet, Rafale, Gripen, Sukhoi, ou o escambau a quatro.

    Não seria o Suriname, Bolívia…que iria invadir o Brasil !

    Nem sequer o Chile (economia/capacidade de sustentar uma guerra, pequenas e com um gasto planejado de 20 bilhões de dólares para reconstruir o país do terremoto do ano passado).

    Aliás, o exemplo do Chile é anedótico, pois nem fronteira com o Brasil ele faz !

    O “PIOR” que pode acontecer ao Brasil por ter adiado a compra dos caças é adquirir o novo Super Hornet com motor melhorado e otimizado para se gastar MENOS nas horas voadas (revisões do motor mais espaçadas…), além de um cockpit com novos aviônicos, maior alcance, sistemas integrados…

    Ou calhar com a finalização do Gripen NG !

    Sobre o Nelson Jobim…É melhor nem falar.

    [ ]s

  2. tplayer 28 de março de 2011 at 12:19 #

    Ze, ou então o Brasil pode acabar comprando o Silent Hornet. Apesar que não seria muito indicado por não poder levar por padrão os tanques extras.

    Seria com a compra dos caças agora? Sim, seria. Porém não vai sair como não saiu até agora.

    A única coisa que pode mudar o jogo é o crescente interesse dos EUA em ter o Brasil como um parceiro mais intimo.

  3. Justin Case 28 de março de 2011 at 12:24 #

    ZE disse:
    28 de março de 2011 às 12:14

    .”Eu já disse milhares de vezes e volto a repetir:
    A Dilma está certa em não comprar caça coisa nenhuma agora !

    A FAB já disse que só irá precisar deles em 2016 !”

    ZE, bom dia.

    E, de acordo com sua experiência, PARA TÊ-LOS EM 2016, precisamos ter uma DECISÃO QUANDO?

    Abraço,

    Justin

  4. ZE 28 de março de 2011 at 12:33 #

    tplayer disse:
    28 de março de 2011 às 12:19

    Tplayer, o Silente Hornet leva mais combustível internamente. Eles fizeram um trade off e parece que compensou.

    A compra vai sair. Só não será hoje, nem amanhã !

    [ ]s

  5. ZE 28 de março de 2011 at 12:46 #

    Justin Case disse:
    28 de março de 2011 às 12:24

    Olá, Justin Case !

    O Brasil precisa fechar o contrato (por fechar o contrato, quero dizer, não só assiná-lo, mas ter o financiamento do mesmo pronto) em 2014.

    Assim, as tratativas poderiam começar em 2013.

    A Boeing entregou todos os Super Hornet no prazo. Na verdade, grande parte deles foram entregues ANTES do prazo estipulado. A gigante encomenda de 60 + SH/Growler será entregue até 2014.

    Depois, não há mais encomendas.

    A linha de montagem do Rafale, outrora feita para entregar 25 aeronaves por ano, está funcionando na UTI, pois só está entregando o mínimo para mantê-la viável (segundo a própria Dassault), ou seja, 11 por ano.

    A venda para o Brasil, e a entrega no prazo, na verdade, seria a tábua de salvação para os franceses.

    Já o Gripen NG ficará pronto em 2016.

    Como você pode ver, todos têm a capacidade de entregar os seus respectivos vetores em 2016, e o Brasil não tem a necessidade de assinar nada amanhã.

    Aliás, o tempo está AO NOSSO LADO !

    [ ]S

  6. Vader 28 de março de 2011 at 12:47 #

    Justin Case disse:
    28 de março de 2011 às 12:24

    Prezado Justin, entendi o que o ZE quis dizer.

    No entendimento dele, e parece que é o de ao menos parte da FAB, a data limite para ter as aeronaves é 2016.

    Em sendo correto tal entendimento, com a decisão saindo DE VERDADE ainda no governo Dilma dá tempo.

    Eu já sou mais pessimista. Acredito na FAB, mas acho (e apenas isso) que a decisão teria que sair até 2012, para que as aeronaves cheguem antes da desativação dos Mirage-2000 do GDA.

    Esse seria o cenário ideal, a meu ver. Mas é só minha opinião, claro.

    Sds.

  7. Grifo 28 de março de 2011 at 12:57 #

    Acredito que a presidente esteja aguardando o Nelson Jobim finalmente pedir as contas, para então retomar o processo.

    O tempo realmente corre contra a FAB. Depois da escolha é ainda preciso negociar o contrato e obter aprovação para o financiamento, para só então se começar os trabalhos. Ao menos com o brutal corte de horas de vôo feito este ano é capaz dos Mirage 2000 durarem mais um pouquinho.

  8. ZE 28 de março de 2011 at 12:58 #

    Vader disse:
    28 de março de 2011 às 12:47

    Vader, o prazo (2016) foi dado pelo Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.

    Esse prazo não foi mencionado em uma conversa informal, mas sim em uma entrevista, onde ele respondeu aos jornalistas.

    Assim sendo, o ano de 2016, é o prazo OFICIAL para que os novos caças comecem a chegar.

    Eu sei que cada um tem o seu prazo/visão do que seria melhor para a FAB, mas, repiso, o PRAZO OFICIAL da FAB é o ano de 2016.

    Começar a recebê-los em 2016, não irá acarretar nenhum problema.

    Na verdade, será até benéfico, visto que poderíamos considerar o Silent Hornet na equação (estará disponível em 2015, segundo a Boeing).

    [ ]S

  9. Rodrigo 28 de março de 2011 at 13:09 #

    Tenho a mesma visão do Grifo, espero que não cortem a água para não deixarem os aviões sujos :(

    É triste, mas é a nossa realidade. Ninguém torcia por ela.

    A FAB dos 120 FX morreu.

  10. Lobo 28 de março de 2011 at 13:25 #

    Pelo visto a decisão e o contrato não sairão no governo Dilma.Irão esperar o Lulla em 2015 aí sim a coisa vaí…………..pro B
    U
    R
    A
    C
    O.

  11. andersonrodrigues1979 28 de março de 2011 at 13:34 #

    O problema é que depois podem esperar ate 2017 ou ate 2018 e porque não até 2020.
    É muito triste isso, acidentes acontecendo por falta de investimentos, e perdemos profissionais que são muito valiosos para nossa patria,
    sim sempre perdemos quando um programa desse sofre atrasos, todo o povo perde, quem sabe se esse o fx-1 tive-se um final feliz não estariamos participando do desevolvimento de uma caça nacional, ou coisas melhores frutos desse processo.

  12. Nick 28 de março de 2011 at 13:52 #

    É possível postergar a descisão para 2012 e assinar em 2013? Sim… mas não seria acoselhável. Ideal é que se escolha esse ano(no 2º semestre ao menos) e que comecem as negociações do contrato para assinatura em 2012.

    []‘s

  13. Vader 28 de março de 2011 at 13:57 #

    ZE disse:
    28 de março de 2011 às 12:58

    “Vader, o prazo (2016) foi dado pelo Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.”

    Eu me lembro ZE. Só acho que o Cmt Saito já estava, na ocasião, a falar num contexto de Plano B, de quem admitiria que ao 1o GDA fossem enviados os “jordanianos”, ou pior, temporariamente colocado em disponibilidade (leia-se: treinando no solo ou com aviões emprestados).

    Tenho a impressão de que tendo algo decidido até 2012 não seria necessário que tais cousas ocorressem com o GDA, o que seri aalém de um desprestígio, um tremendo perigo.

    Abraço.

  14. Cesar 28 de março de 2011 at 14:47 #

    A D. Vilma está arrumando a casa, ajustando as contas? Este aumento do Bolsa Família é sinal de austeridade? Não sei, tudo bem que ela pode querer revisar as contas do molusco fanfarrão, mas creio que deveria dar uma perspectiva concreta sobre a compra dos caças, ou seja, em detrminado momento o assunto está na pauta do dia, e em seguida, some completamente. Creio que estamos perdendo uma grande oportunidade, inclusive pela conjuntura, que ainda é favorável.

    Justificar que nossos vizinhos não tem poder de ataque ou pela dificuldade do Brasil ser invadido, creio não ser justificativa, a questão é termos pilotos afastados cada vez mais da melhor tecnologia, aprimoramento, voar em caças modernos e com maior confiabilidade. Sou cético quanto às datas, se falam 2016, enxergo 2020 ou mais, creio que deveria haver um trabalho por parte da FAB, talvez um lobby, mostrando qual o benefício da aquisição destes caças. O problema é que o NJ é um incompentente, já já vai subir no telhado, com vários colegas que serão cortados em breve.

    Em tempo: o lançamento da Rede Cegonha provocou o caos no trânsito de BH hoje.

  15. Observador 28 de março de 2011 at 19:03 #

    Senhores:

    Será mesmo que ela está arrumando a casa?

    Agora mesmo o bravateiro Mantega está totalmente concentrado em apear o Roger Agnelli da Presidência da Vale. Agora finalmente conseguiu.

    Ao invés de fazer o trabalho DELE perdeu tempo em fazer picuinha política contra o sujeito que transformaou a Vale em uma potência mundial.

    Picuinha é coisa de gente pequena, que não enxerga além do próprio nariz. O Mantega não é sério, como vocês querem que a Dilma resolva alguma coisa com um Ministro da Fazenda destes?

    O Lula gastou é? E quem era mesmo o Ministro da Fazenda e Planejamento dele? Pois é, o mesmíssimo Mantega que agora diz que vai cortar gastos.

    É como a raposa prometer que agora vai cuidar do galinheiro.

    A repercussão da saída de Agnelli no exterior já é péssima. Significa que nosso GF está voltando aos velhos erros do passado, metendo o bedelho na economia.

    Eles vão colocar alguém na Vale para fazer uso político da empresa, como já fazem com a Petrobrás. É lamentável.

    Este pessoal (Dilma e cia) pode até dizer que vai ajeitar a casa, mas com esta visão do Estado Intervencionista será IMPOSSÍVEL chegar a algum lugar.

    Eles vão acabar é quebrando o país, isto sim. Vamos ficar parecidos com a Venezuela.

    O povo gosta mesmo é de chibata e espora.

  16. ZE 28 de março de 2011 at 22:52 #

    Observador disse:
    28 de março de 2011 às 19:03

    Ela está arrumando a casa.

    Ao contrário do Lula, ela é técnica.

    Como todos os presidentes, ela tem que entubar um sem-número de ministros que são da cota do fulano ou do sicrano.

    Não sendo a minha candidata, devo admitir que até o episódio “VALE”, ela estava se saindo muito bem.

    É por isso que, me precavendo, usei a expressão “ATÉ AGORA” em todos os meus posts sobre a Dilma.

    Saliento que intervencionismo e ética são coisas distintas.

    Saliento também que, tanto ela como o Serra, foram alunos da Maria da Conceição Tavares.

    As ideias de Keynes sempre nortearam a nossa política econômica e, pelo andar da carruagem, tão cedo não mudará.

    [ ]S

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